domingo, 24 de maio de 2009

A engenharia do futebol brasileiro



O futebol brasileiro vem a cada dia mudando de táticas, de nível de seus jogadores, de regulamento de seus campeonatos (além das constantes ascensões e quedas de equipes no campeonato que afirmam ser o mais equilibrado do mundo). Com estas mudanças surgem novas expressões usadas exaustivamente por treinadores, jogadores e comentaristas esportivos. A mais constante do futebol atual é a expressão "peças de reposição".

Num Campeonato Brasileiro que dura cerca de oito meses, a cada ano os clubes veem a necessidade de formar um grande elenco, com seus reservas tão bons (ou perto) quanto seus titulares. Afinal, não só a rotina de jogos é cansativa, também há a possibilidade de algum olheiro estrangeiro fazer com que uma equipe do exterior resolva desembolsar alguns dólares em troca das recentes revelações do Campeonato Brasileiro.

O caso mais recente disto é o Botafogo. O time agora se vê da noite para o dia sem seu jogador principal - o meia Maicosuel - que está de malas prontas para o futebol alemão. Sem ele, o alvinegro carioca perde boa parte de sua qualidade, arriscando-se a ser um dos times que irá brigar pela fuga do descenso para a Série B de 2010.

Times que vêm sendo consagrados pelo país, Cruzeiro e Internacional também não estão isentos de passar por desmanches em seus elencos. O primeiro já terá um desfalque em breve, com a ida do volante Ramires para o futebol português. Não será surpresa se algum destaque do Inter for pelo mesmo caminho até o fim do ano (ou, quem sabe, até o fim do semestre).

Uma das soluções atuais de dirigentes brasileiros é a tentativa de "repatriar" jogadores. Um atleta que foi tentar a sorte no exterior e não vive um bom momento por lá deseja ansiosamente voltar para sua terra natal (ou, talvez, por pura saudade). Faz-se um acordo entre clube e jogador, e ele volta a vestir a camisa de um time brasileiro. Independente de se ele tenha ou não qualidade (quando atuava no Brasil ou em sua temporada em outros países).

Numa engenharia tão confusa do futebol brasileiro deste início de terceiro milênio, sobra para os treinadores a responsabilidade de fazer sua equipe funcionar durante o torneio. E, caso o quebra-cabeça não seja colocado a tempo, a culpa ao técnico é a saída mais fácil para todos. Ao que parece, os comandantes de equipe são os verdadeiros estruturadores dos alicerces do futebol brasileiro.

Um comentário:

Léo Lis disse...

É! No caso do Inter o desfalque já está rolando, pois, o atacante Nilmar e o lateral Kleber, foram convocados para jogar a Copa das Confederações. Porém, isso não parece ser problema para o colorado que tem peças de reposição à altura dos craques ausentes. Já o Grêmio - do meu coração - sentirá bastante a falta do também convocado goleiro Vitor, é ruim de substituir o arqueiro, ainda mais na reta final de uma Libertadores.

Um abraço!