Mostrando postagens com marcador Amistoso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amistoso. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Hora de começar a rever conceitos



Caso o empate persistisse na partida em Doha, certamente muitos exaltariam a continuação da invencibilidade, e enxergariam pontos positivos no amistoso entre Brasil e Argentina. Mas, com a bela jogada de Messi que terminou num golaço aos 46 minutos do segundo tempo, talvez comecem a ter uma visão crítica sobre a Seleção Brasileira de Mano Menezes.

O grande defeito do amistoso no Qatar foi a indolência. Entra e sai treinador, e o panorama do Brasil em partidas amistosas segue o mesmo. Um futebol preguiçoso, que levou o embate com a Argentina (primeira equipe considerada grande que passou pela seleção de Mano) como um treino de luxo.

Mas também começam a ser questionadas as presenças de alguns jogadores. O meio-de-campo brasileiro fica convincente com trio de volante - por mais que Lucas, Ramires e Elias tenham habilidade? Enquanto Neymar estiver atuando em função do estilo "cai-cai", vale a pena tê-lo no ataque? E o jogador mais preocupante: Robinho, que durante 90 minutos ficou entregue a um futebol modorrento, apático, merece ser convocado? E ainda mais, merece ser o capitão de uma Seleção Brasileira?

Alguns jogadores vão se firmando, como a dupla de zaga David Luiz e Thiago Silva. Ronaldinho Gaúcho, que voltou à seleção depois de 1 ano e 7 meses, teve uma boa atuação, apresentando um desempenho bem mais promissor do que nas Eliminatórias da Copa do Mundo. Só que ainda é pouco, muito pouco para uma Seleção Brasileira que chega com o rótulo de "resgate do futebol-arte canarinho".

Sim, um amistoso serve para ter avaliações. Mas é bom que estas avaliações façam Mano Menezes rever alguns conceitos desde seus primeiros passos como técnico. A equipe está em formação, mas não pode começar a se formar de maneira equivocada.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Meninos do Brasil



Análise de jogo: Estados Unidos 0 x 2 Brasil (21h de Brasília, New Meadowlands, Nova Jersey, Estados Unidos)

Aos que defendiam a ideia de que jogadores jovens, por mais que estivessem voando em seus clubes, tremeriam com a camisa da Seleção Brasileira, o primeiro jogo da Era Mano Menezes provou o contrário. Um time leve, com troca de passes rápidas e envolventes, cruzamentos precisos e uma tentativa constante de se lançar ao ataque. Coisas que pareciam distantes da realidade do futebol brasileiro alguns anos atrás.

Mas que insistiram em continuar nos primeiros momentos da partida contra os Estados Unidos - ironicamente, através dos pés de Daniel Alves, um dos poucos remanescentes do grupo de convocados para a Copa do Mundo de 2010. Agora escalado em sua posição de origem (a lateral-direita), o jogador errou por duas vezes na saída de bola e permitiu contra-ataques do adversário. O risco ficava ainda maior porque, ao contrário da renovação da Seleção Brasileira, Bob Bradley convocou 15 dos 23 presentes no torneio da África do Sul. O entrosamento entre eles poderia fazer a diferença.

Passados os primeiros sustos da saída de bola e o momento em que Donovan chegou cara a cara com Victor mas, na hora decisiva, André Santos chutou para escanteio, aos poucos o Brasil foi se encontrando. E da maneira mais óbvia que o Brasil sabe se conhecer no gramado: através do toque de bola. A presença brasileira no ataque era constante, e se transformou em boas conclusões de André Santos e Neymar.

Os 77 mil torcedores presentes no Estádio New Meadowlands, em Nova Jersey, viam que os jogadores da Seleção Brasileira se posicionavam conforme o jogo se desenhava. Muitas vezes, os rascunhos vinham dos pés de Paulo Henrique Ganso (merecidamente camisa 10 do time de Mano Menezes) para um trio de ataque no qual Alexandre Pato atacava pelo meio e Robinho e Neymar seguiam pelas pontas.

E da ponta-esquerda veio o primeiro gol brasileiro. Com nova ironia em relação ao ex-técnico Dunga. André Santos, que foi mal na lateral-esquerda brasileira durante a Copa das Confederações de 2009, aproveitou um belo passe de Robinho cruzando a bola da linha de fundo (local no qual ele não ia geralmente nas convocações anteriores) para o meio da área. Neymar subiu entre os zagueiros e desviou de cabeça, sem defesa para Howard. 1 a 0 Brasil, aos 27 minutos.

Mesmo com o gol, o Brasil prosseguiu no domínio das ações, e chegou a balançar a rede três minutos depois, quando Daniel Alves cruzou e Alexandre Pato marcou. Mas o gol foi anulado, porque Pato fez falta no goleiro. A Seleção Brasileira mostrava um entrosamento atípico para uma seleção com jogadores das mais variadas equipes que se encontraram em tão pouco tempo. A zaga formada por Thiago Silva e David Luiz demonstrava muita segurança, tanta que os Estados Unidos só conseguiam chegar com perigo através de cobranças de bola parada.

O time brasileiro perdeu duas oportunidades com Robinho (ambas defendidas por Howard) antes de chegar ao seu segundo gol. Do meio-de-campo, Paulo Henrique Ganso jogou para Ramires. O camisa 8 lançou, a zaga americana ficou parada, e Alexandre Pato correu até a área. O atacante driblou Howard e chutou para o fundo da rede. Desta vez, ele pôde comemorar. 2 a 0 Brasil, aos 45.

Logo aos 40 segundos da segunda etapa, o Brasil passou perto de marcar pela terceira vez, em chute de Alexandre Pato que balançou por fora da rede. Minutos depois, Robinho aproveitou um rebote de jogada na área e chutou uma bola na trave. Apesar da vantagem, os brasileiros insistiam no ataque, mesmo com o risco de dar margem a contra-ataques adversários.

Envolvidos na partida, os americanos continuaram a ter suas tentativas restritas à bola parada. Foi assim que conseguiram um gol, quando Donovan cobrou falta e Bradley desviou para a rede. No entanto, o zagueiro estava em impedimento, e o gol foi anulado. No restante da partida, o goleiro Victor foi citado apenas no fim, quando defendeu com os pés um chute de Gomez.

Mano Menezes aos poucos abriu espaço para os demais jogadores de sua seleção. Primeiro André, que entrou no lugar de Alexandre Pato. Depois, Hernanes em lugar de Ramires. Em seguida, Neymar (contrariando muitos prognósticos que previam que seu deslumbre falaria mais alto, um dos melhores em campo, apresentando mobilidade e presença de jogo superiores até a algumas atuações de destaque que teve no Santos) saiu para a entrada de Ederson. Mas sua estreia destoou de todos, não pela falta de qualidade, mas por ser o momento triste da Seleção Brasileira na noite. Logo na primeira tentativa de cruzar para a área, ele sofreu uma distensão muscular, e seu sonho durou um minuto. Em seu lugar, entrou Carlos Eduardo.

O Brasil seguiu afinado, jogando com calma em busca de tentativas ofensivas. O ritmocontinuava ditado por Paulo Henrique Ganso, que durante o período em que esteve em campo apresentou maturidade semelhante à que tinha sido mostrada com a camisa do Santos neste ano. Digno de um camisa 10.

O gol não ter vindo soou mais como um capricho do futebol. Oportunidades vieram com André e Carlos Eduardo, que resultaram em boas defesas de Guzan (goleiro que substituiu Howard no segundo tempo), e num chutaço de Paulo Henrique Ganso que parou na trave. Sem contar com o completo domínio do Brasil, mesmo depois que fez outras duas substituições - Diego Tardelli em lugar de Robinho e Jucilei substituindo Paulo Henrique Ganso. Um selecionado no qual titulares e reservas têm talentos quase equivalentes dá margem para esta situação.

Ao final da partida, a estreia de Mano Menezes mostrou uma Seleção Brasileira na qual todos os setores tiveram comprometimento com o bom futebol e coerência de uma equipe que prioriza a categoria e a busca pelo gol. Um goleiro com segurança. Dois laterais que sobem e fazem jogadas também até a linha de fundo adversária (fato incomum no atual cenário). Uma dupla de zaga confiável, capaz de rechaçar com tranquilidade o poder ofensivo adversário. Um meio-de-campo no qual os volantes são tão habilidosos quanto os meias de criação. Tudo para um ataque irresistível e promissor.

Dos "meninos do Brasil", veio todo o ensinamento de como a Seleção Brasileira consegue jogar um futebol que prioriza o talento. Mais do que um resgate às tradições brasileiras dentro de campo, a Era Mano Menezes promete olhar para um futuro de bons tratos à bola. E que a força bruta seja, a partir de agora, apenas uma velharia na história futebolística do Brasil.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Válvulas de escape



No último jogo antes da estreia na Copa do Mundo, a Seleção Brasileira finalmente mostrou alguma coisa de diferencial em relação à burocracia do time de Dunga. Não que a vitória por 5 a 1 sobre a modesta Tanzânia tenha revelado um surpreendente poder de fogo do Brasil. Mas, pelo menos, a equipe promete ter algumas válvulas de escape para a competição.

Foi um primeiro tempo hesitante, no qual os dois gols de Robinho roubaram a cena que, até o momento, era do goleiro Gomes (o salvador diante de tantas lambanças criadas pelo lado esquerdo do Brasil). Kaká ficou sobrecarregado na criação de jogadas e passou os 45 minutos iniciais oscilando entre buscar ritmo de jogo e evitar uma nova contusão.

Dentre as substituições do intervalo, uma mudança de Dunga foi providencial para o Brasil. A saída de Felipe Melo (que alternava sua atuação entre dar passes para trás ou expor as travas de suas chuteiras) para a entrada de Ramires foi providencial.

O meio-de-campo brasileiro ganhou mobilidade e contribuiu para a Seleção Brasileira se aproximar bem mais do ataque. Tanto que Ramires marcou dois gols nos 45 minutos que teve em campo. Mais do que nunca, é inadmissível deixar um volante habilidoso como o jogador do Benfica no banco de reservas, como substituto de mais um botinudo que recebeu no colo a camisa amarela.

No decorrer da segunda etapa, a torcida também sentiu segurança com uma solução que vem do banco. Lateral-direita de ofício, Daniel Alves mais uma vez entrou bem no meio-de-campo, dando a mobilidade que Elano não conseguiu durante o período que teve em campo. E do improviso, Dunga criou uma alternativa para amenizar momentos de apreensão do Brasil.

A crítica especializada certamente vai convencionar que se tratam de "jogadores de segundo tempo", e Dunga vai usá-los como "talismãs" durante os jogos na Copa do Mundo. Mas, do jeito que o Brasil atuou no amistoso com a Tanzânia, é bem provável que eles se tornem figuras fáceis nas partidas da competição. Pelo menos da falta de criatividade, a Seleção Brasileira ainda tem chance de escapar.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

À espera de uma alma



O uniforme era oficial. Os jogadores eram os titulares (à exceção de Thiago Silva, que entrou no lugar de Juan, poupado). A plateia de Harare compareceu em bom número. Somente o Brasil não compareceu para um jogo. No amistoso que deveria ser preparatório para a Copa do Mundo, a Seleção Brasileira atuou em ritmo de treino, mas acabou vencendo o Zimbábue por 3 a 0 - Michel Bastos, Robinho e Elano fizeram o placar brasileiro.

Os argumentos são sempre os mesmos para o ritmo desacelerado nos amistosos às vésperas de Copa do Mundo. Há o receio de algum jogador se machucar e desfalcar a equipe no torneio mais importante do futebol. Há também o desejo de conhecer a "bola da Copa", tão criticada por jogadores em virtude da sua leveza.

Pretextos que tentam maquiar um motivo alarmante para o Brasil nesta Copa do Mundo: a Seleção Brasileira não sabe jogar contra adversários que têm esquema defensivo. É indiscutível que a defesa brasileira é uma das melhores do mundo. No entanto, ficou claro logo na partida contra o Zimbábue que o meio-de-campo não sabe nada além de combater e tocar para os lados.

Caso os laterais não subam para o ataque, o Brasil vai ficar refém de uma partida amarrada, na qual jogadores com características de marcação vão se enfrentar até, no final, alguém rifar a bola para a lateral. Ou, no máximo, colocar para correr seus atacantes.

Com Kaká visivelmente sem ritmo de jogo, a seleção ficou sem criação, e parecia não fazer nenhum esforço para tornar a bola (que já é esquisita) menos complicada nos pés dos jogadores. Foram 40 minutos arrastados e uma certa pressão de Zimbábue, até virem dois gols. O primeiro, numa bola parada, um chutaço de Michel Bastos no ângulo. O segundo, num passe de Maicon para Robinho.

Na segunda etapa o Brasil esboçou um pouco mais de disposição, naturalmente por causa da entrada de reservas que queriam mostrar serviço. Alçado a reserva imediato de Kaká, Júlio Baptista tocou para Daniel Alves, que deixou Elano com o gol vazio para marcar o terceiro. Mas a promessa de 45 minutos diferentes acabou no papel. Satisfeita com o placar, a Seleção Brasileira preferiu administrar o resultado no restante da partida.

Atitude paradoxal em relação a um amistoso. Amistosos servem para dar ritmo de jogo e fazer testes para as competições mais difíceis. Por que não aproveitar e testar jogadas ensaiadas e ofensivas? O teste brasileiro era apenas saber como segurar o resultado? Há algumas Copas a Seleção Brasileira realiza jogos preparatórios contra seleções mais fracas - Honduras, Lituânia, Austrália, Andorra, Catalunha são algumas delas. Em vez de usá-los para garantir autoconfiança ao time, os jogadores se resumem a passar o tempo e evitar contusões.

Para o Brasil foi quase perfeito. O goleiro Júlio César machucou o tórax aos 25 minutos, e foi substituído por Gomes (a princípio, nada considerado grave). Aos olhos de Dunga, a vitória por 3 a 0 deve ter sido boa. Mas, a nove dias da Copa do Mundo, é triste chegar com a certeza de que a Seleção Brasileira adentrará no torneio ainda à espera de uma alma.

terça-feira, 2 de março de 2010

Repartição pública



Em sua última partida antes da convocação final para a Copa do Mundo, a Seleção Brasileira teve comportamento de funcionários de uma repartição pública. Burocracia tanto para atacar quanto para entrar numa dividida. No fim das contas, a fraquíssima seleção da Irlanda fez bem o papel de figurante, saindo de campo com uma derrota por 2 a 0 - um gol contra de Keith Andrews e um de Robinho.

A partida de hoje também acentuou uma deficiência no Brasil: depender exclusivamente de Kaká para que as bolas cheguem no ataque não é a solução ideal, ainda mais num meio que tem os botinudos Gilberto Silva e Felipe Melo e um inoperante Ramires. O primeiro nome que vem à cabeça da torcida é Ronaldinho Gaúcho. Por mais que ele ainda não esteja em sua melhor forma, parece ser uma boa opção - melhor do que sacrificar Daniel Alves, como foi na primeira substituição do jogo de hoje.

A deficiência da lateral-esquerda ainda dá margem para dúvidas. Michel Bastos acertou alguns bons cruzamentos em cobranças de escanteio. Mas ele parece muito discreto quando parte para o ataque. Infelizmente, a dúvida da torcida se estende ao técnico Dunga.

Com a maioria dos jogadores tentando se poupar para a Copa do Mundo (mesmo a 100 dias dela), restou aos reservas a graça do jogo. Além de Daniel Alves, Grafite se apresentou bem, com boas jogadas, e dando o último passe para Robinho ficar na cara do gol - na única boa jogada em 90 minutos. Nilmar partiu para o gol a cada bola recebida, como sempre, e deveria ter sido o titular ao lado de Robinho. Carlos Eduardo demonstrou vontade, o que parece ser suficiente para receber uma chance de Dunga.

Afinal, numa repartição pública só há espaço para os mesmos empregados - estejam bem ou mal. Mas, mesmo muito descrente, a torcida ainda faz votos de que a burocracia do amistoso de hoje não esteja na lista de convocados da Copa do Mundo.