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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Terminou no zero



A Seleção Brasileira encerrou sua participação nas Eliminatórias da Copa do Mundo da mesma forma que começou: com um empate em 0 a 0 e muita desconfiança para a torcida e a imprensa esportiva. Mas a insegurança não vem de esquemas táticos ou jogadores convocados. A situação mais grave vem da instabilidade das atuações do atletas brasileiros.

O empate sem gols contra a Venezuela, uma seleção que jogou durante os 90 minutos com a única intenção de não sofrer gols, deu uma frustração numa disputa de Eliminatórias tão hesitante. Entre as duas "Seleções Brasileiras" da competição - a apelidada de "seleção vagalume", por não conseguir fazer duas boas partidas consecutivas, e a empolgante equipe que surpreendeu na reta final ao trazer vitórias expressivas em território adversário (4 a 0 sobre o Uruguai em Montevidéu e 3 a 1 sobre a Argentina em Rosário) - prevaleceu a falta de brilho da primeira opção no jogo de encerramento. Pela quarta vez neste torneio, a torcida saiu de campo sem ver a rede balançar em um jogo realizado no Brasil.

O time veio com algumas mudanças em relação à derrota para a Bolívia. Além dos retornos de Gilberto Silva, Kaká e Luís Fabiano, entraram em campo o lateral-esquerda Filipe Luís e o volante Lucas (ambos tendo a primeira chance como titular com a camisa brasileira). Mas, mesmo diante de uma torcida sul-mato-grossense que foi apoiar o time, o Brasil jamais conseguiu se desvencilhar de um forte adversário - a apatia.

Tanto que somente aos 28 minutos veio a primeira tentativa clara da Seleção Brasileira - um chute de Luís Fabiano. O camisa 9 teve outras oportunidades, mas todas mal incomodaram o goleiro Vega. Apesar dos venezuelanos pouco chegarem à área brasileira, o goleiro Júlio César teve mais perigos para evitar, como na cobrança de escanteio de Maldonado que por pouco não foi direto para o gol, e também na cabeçada de Arango, no lance final do primeiro tempo.

A Seleção Brasileira ensaiou uma melhora nos primeiros minutos da etapa final. Dentre os lances de maior perigo, veio o de Gilberto Silva, que cabeceou na trave uma bola lançada em cobrança de escanteio de Filipe Luís, aos sete minutos. Três minutos depois, o zagueiro Miranda foi expulso por uma cotovelada em Maldonado. Mesmo com um a menos, o Brasil teve boas oportunidades, em lances de Ramires e Luís Fabiano.

E no encerramento brasileiro das Eliminatórias da Copa do Mundo, Dunga mais uma vez teve de recorrer a improvisos. Filipe Luís foi mais uma opção mal-sucedida na lateral-esquerda, e acabou substituído pelo meia Alex. Com a mexida, o treinador recuou Gilberto Silva, deixando o volante como terceiro zagueiro. O meia Elano e o atacante Diego Tardelli movimentaram um pouco mais a partida, só que sempre esbarravam na retranca venezuelana.

O último bom momento da Seleção Brasileira veio já nos descontos do árbitro peruano Victor Carrillo. Kaká desceu na esquerda, passou por um zagueiro e chutou uma bola na trave de Vega, já batido no lance. O chute do camisa 10 acabou sendo o símbolo do que foi o Brasil nestas Eliminatórias. Até que houve alguns lampejos de bom futebol, mas a maioria deles bateu na trave, desviados por um aparente desinteresse dos jogadores e até uma certeza de que o favoritismo do time verde e amarelo é inabalável. É bom Dunga começar do zero o planejamento para a Copa do Mundo de 2010. Ainda mais que a caminhada até ela terminou justamente no zero.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Sem atitude na altitude



Ao final dos 90 minutos da partida do Brasil em campo boliviano, o discurso cauteloso que antecedeu este duelo pelas Eliminatórias da Copa do Mundo será necessário. A dificuldade de jogar numa altitude de 3.760 metros, a ausência de jogadores importantes - como Gilberto Silva, Kaká e Luís Fabiano - e o fato de a Seleção Brasileira já estar classificada com algumas rodadas de antecedência, serão desculpas recorrentes ao menos até quarta-feira, quando o Brasil vai a Campo Grande (capital do estado do Mato Grosso do Sul) enfrentar a Venezuela, em seu último jogo. A derrota por 2 a 1 para a Bolívia, quebrando uma série invicta de 14 jogos, mostrou alguns problemas que o time de Dunga precisa solucionar até 2010.

Sim, pode ter sido por causa da altitude, mas o meia Diego Souza não se revelou o substituto ideal para a Kaká - e muito menos um bom camisa 10 para a Seleção Brasileira. Completamente perdido em campo, o jogador se juntou à mediocridade do meio-de-campo brasileiro e, assim como Josué, Ramires e Daniel Alves, foi facilmente neutralizado pelos jogadores da Bolívia.

Penúltima colocada e já eliminada na tentativa de ir para a Copa do Mundo do ano que vem, a seleção boliviana construiu a vitória ainda no primeiro tempo, e da maneira típica de seleções limitadas - em dois gols de bola parada. O primeiro gol veio aos nove minutos, em cobrança de escanteio na qual a zaga brasileira não subiu e Júlio César saiu mal, permitindo que Olivares desviasse a bola para o fundo da rede. O segundo gol veio aos 35, em uma cobrança de falta na qual Marcelo Moreno deixou saudades à torcida do Cruzeiro - um chute perfeito, no qual só restou ao camisa 1 brasileiro olhar a bola entrar.

Os dois gols de desvantagem fizeram justiça ao que o Brasil apresentou no primeiro tempo. Um time disperso, que recorria aos chutões para encontrar na frente os atacantes Nilmar e Adriano. Mas, com o ar rarefeito, nem os trunfos da velocidade do atacante do Villareal e dos chutes poderosos do Imperador eram suficientes para querer alguma reação.

A Seleção Brasileira voltou para a segunda etapa com duas alterações. No meio, uma mudança previsível - a saída de Diego Souza, um dos que mais sentiram os efeitos da altitude, para a estreia de Alex (ex-jogador do Internacional). No ataque, uma mudança por contusão. Adriano torceu o tornozelo a poucos minutos do fim do primeiro tempo, e teve de dar lugar a Diego Tardelli.

Num primeiro momento, o Brasil mostrou melhora para, pelo menos, tentar equilibrar a partida. Em vantagem no placar, a Bolívia cadenciava a bola e às vezes assustava em cobranças de escanteio. Mas quem teve um grande susto depois de cobrança de escanteio foi a equipe boliviana. Em sua única jogada boa na partida, Maicon iniciou contra-ataque ainda na área brasileira. O lateral deu um pique até a direita da Bolívia e cruzou na medida para Nilmar diminuir o placar.

A Seleção Brasileira criou mais chances, em especial depois que Elano entrou no lugar do (mais uma vez) inoperante André Santos. Com a mudança, Daniel Alves passou a jogar improvisado na lateral-esquerda. Mais um grave problema da equipe de Dunga que parece não ter fim - em especial porque o reserva da posição, Filipe Luís, nem chega a ser relacionado nas partidas. Só que o esquema do treinador Erwin Sanchez fez com que a Bolívia conseguisse evitar até o fim que o Brasil saísse de campo pelo menos com um empate.

Apesar de eliminada de maneira vexatória nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010 - a ponto de sua própria torcida não comparecer na tarde do Estádio Hernando Salles - o técnico boliviano traz pelo menos duas boas lembranças ao time que terminará a competição em penúltimo lugar. Em sua campanha da competição, a Bolívia traz uma goleada sobre a Argentina, por 6 a 1, e esta vitória por 2 a 1 sobre a Seleção Brasileira.

Até a África do Sul, em 2010, Dunga terá um grande desafio: fazer com que a Seleção Brasileira não dependa exclusivamente do bom futebol de Kaká. Afinal, por mais que o meia se revele atualmente o melhor jogador do país, a equipe precisa ter mais saídas para chegar ao gol das seleções adversárias. O primeiro passo pode ser dado logo agora, depois da derrota para a Bolívia: assumir que, mesmo com tantos percalços em campo, à Seleção Brasileira faltou atitude, na altitude de La Paz.

domingo, 11 de outubro de 2009

Que seja protesto



O Brasil entra em campo às 17h (horário de Brasília) em La Paz para jogar, diante da Bolívia, seu penúltimo confronto pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Apesar de ser um jogo oficial, a Seleção Brasileira não estará com sua força máxima - Gilberto Silva, Kaká e Luís Fabiano só estarão em campo na última partida do torneio (quarta, contra a Venezuela, em Campo Grande) - em uma atitude discutível do técnico Dunga.

Louvado pela imprensa brasileira por seus bons resultados, que são creditados pela tendência a manter a base de jogadores convocados, o técnico decidiu abrir mão de alguns de seus jogadores mais importantes para a partida diante dos bolivianos. Caso a opção de poupar os atletas para dar chance de "testar" alguns convocados, como o volante Josué e o meia Diego Souza, Dunga está indo contra seus próprios princípios em um momento no qual precisa ter seu time completo.

Trata-se de um jogo eliminatório, e em jogos oficiais a torcida brasileira costuma ser bem mais exigente. Uma eventual derrota também pode trazer a desculpa de que "não foi tão ruim, pois o Brasil estava com reservas" para amenizar falhas que possam acontecer. Para evitar este problema, convocáveis como o atacante Adriano (que depois de um período difícil parece estar voltando aos seus bons tempos com a camisa do Flamengo) têm de mostrar muito serviço.

Outra especulação sobre as mudanças da Seleção Brasileira foi que a não-escalação dos titulares seria uma forma de protesto. Afinal, o Brasil vai jogar na altitude de La Paz, e as mudanças climáticas podem afetar sensivelmente o rendimento dos jogadores. Para que expor os atletas a sequelas respiratórias e correr o risco de a seleção principal do Brasil sair de campo com uma goleada (caso da Argentina, que perdeu por 6 a 1 para a Bolívia no último confronto)?

Que a opção de Dunga tenha sido pelo protesto - tanto pela tentativa de conscientizar os dirigentes esportivos a evitar jogos na altitude quanto para mostrar que, independente de o Brasil estar classificado para a Copa do Mundo de 2010, as Eliminatórias são coisa séria. Os "testes" têm de ficar restritos a amistosos.

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O tempo e o placar... volta com atualizações diárias, depois do período no qual este que vos escreve ficou envolvido com o lançamento do livro Diário de um salafrário.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

ANÁLISE DE QUARTA - Festa completa



Jogo de hoje: Brasil 4 x 2 Chile (Pituaçu, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo)

O Estádio Pituaçu foi cenário de uma festa completa da Seleção Brasileira. Durante os 90 minutos, passaram pelo estádio festejos do povo baiano, bela exibição do Brasil e até a participação de jogadores que destoaram e quiseram estragar a festa. No fim das contas, vieram mais três pontos para o time de Dunga.

O início foi preocupante. Classificado antecipadamente para a Copa do Mundo de 2010, o Brasil abusava das tentativas de fazer estripulias para a plateia baiana. Muito toque de calcanhar, muito drible que ligava o nada ao lugar nenhum. E alguns sustos do (bom) time chileno.

Quando a seriedade decidiu entrar em campo, a Seleção Brasileira fez dois gols. O primeiro quando Nilmar aproveitou com um chute certeiro o cruzamento de Daniel Alves (surpreendentemente, escalado no meio-de-campo), aos 31 minutos. E o segundo aos 40, quando Nilmar roubou a bola de um defensor chileno e entregou para Daniel Alves. Ele achou Júlio Baptista livre para marcar.

O placar parecia confirmado quando dois jogadores decidiram deixar a festa verde e amarela mais emocionante. André Santos permitiu a passagem de Sanchez na área e Felipe Melo cometeu um pênalti bobo. Suazo converteu a cobrança e diminuiu a vantagem brasileira.

Mas o temor do Brasil ficaria ainda pior no início do segundo tempo. O mesmo Felipe Melo deu uma entrada desleal em Sanchez e deixou o Brasil em desvantagem numérica aos quatro minutos. Aos sete, Suazo acertou belíssimo chute para fazer o gol de empate.

Os chilenos pareciam mais próximos da virada quando Nilmar decidiu garantir que a festa seria brasileira - e por duas vezes. Em ambas, aproveitando jogadas de Maicon (um cruzamento no terceiro gol e um rebote do goleiro Bravo no último). Com três dos quatro gols da Seleção Brasileira, o jogador do Villareal mostrou que tem futebol para uma Copa do Mundo. E, neste momento, tem chance até de barrar Robinho. Seu companheiro de ataque, Adriano, é que ainda tem muito o que mostrar para merecer uma convocação.

O 4 a 2 sobre o Chile garantiu a primeira colocação nas Eliminatórias da Copa do Mundo. Mas comprovou que a festa brasileira só vai acontecer quando o Brasil resolver jogar com seriedade.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Bola pra frente





Apesar de a imprensa especular que a partida contra o Chile hoje se esvaziou com a classificação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2010, para a dupla de ataque a partida em Salvador será decisiva. Com as ausências de Robinho (contundido) e Luís Fabiano (suspenso pelo terceiro cartão amarelo), a dupla de ataque formada por Nilmar e Adriano tem hoje a chance de pelo menos garantir presença dentre os convocados do ano que vem.

Cada um tem de conquistar a vaga por um caminho diferente. Depois de muitos altos e baixos na carreira, o Imperador precisa mostrar a Dunga que tanto ele quanto seu futebol voltaram e são dignos de uma Seleção Brasileira. Um dos grandes craques do país, Nilmar ainda não teve tão boas atuações com a camisa amarela. Hoje é uma grande chance para despontar, afinal, em um ataque com Luís Fabiano e Robinho, quando virá uma nova chance de ser titular?

O jogo fica mais atrativo porque o Chile não está classificado matematicamente para a Copa do Mundo, e certamente daria moral para a seleção chilena terminar as eliminatórias à frente do Brasil. Em especial depois que a Seleção Brasileira derrotou os chilenos por 3 a 0 em Santiago.

Para Nilmar e Adriano, serão 90 minutos de decisão. Então, bola pra frente, e que venha uma boa vitória do Brasil logo mais.

domingo, 6 de setembro de 2009

Ponte aérea rumo à África do Sul



O Brasil fez o feitiço de Maradona se virar contra a seleção argentina neste sábado. As provocações dos jogadores e a transferência da partida para Rosário não adiantaram em nada para a Argentina conseguir uma vitória que deixasse a situação menos delicada nas Eliminatórias da Copa do Mundo e desse um pouco de gás para o técnico e seus comandados.

O diferencial da Seleção Brasileira foi mesmo a defesa. Os argentinos se lançaram para o jogo, mas sempre eram neutralizados por Lúcio e Luisão na hora da conclusão. E Luisão ainda deu uma alegria digna dos atacantes, ao aproveitar a cobrança de falta de Elano para colocar a bola no fundo da rede de Abondanzieri, aos 23.

Sete minutos depois, o mesmo Elano foi mais infeliz ao cobrar uma falta, mas quis o destino que ela caísse nos pés de Kaká. O camisa 10 foi até a linha de fundo e Maicon chutou. No rebote do goleiro, Luís Fabiano deixou o Brasil com dois gols de vantagem. O caldeirão de apoio à Argentina se transformou em vaias. O Brasil soube administrar o resultado no restante da primeira etapa.

No segundo tempo, o panorama ganhou ainda mais extremos (parecia ataque contra defesa em determinados momentos), com requintes de dramaticidade. Até Dátolo arriscar de fora da área e jogar a bola à esquerda do goleiro Júlio César aos 20 minutos.

Dois minutos depois, Kaká fez uma boa jogada no meio-de-campo e lançou Luís Fabiano na intermediária. O camisa 9 ganhou na corrida do zagueiro argentino e tocou na saída de Abondanzieri. Era o último gol da noite - 3 a 1.

Beneficiado pelas vitórias da Colômbia e do Peru, o Brasil ainda terminou a rodada classificado antecipadamente para a Copa do Mundo de 2010. Uma noite que começou em Rosário e fez a ponte aérea para o sonho de um novo título na África do Sul.

sábado, 5 de setembro de 2009

Sem olhar pelo retrovisor



A opção argentina em transferir o jogo com o Brasil para a cidade de Rosário não foi nada menos do que uma artimanha para intimidar a Seleção Brasileira, tanto pelo gramado quanto por todo o passado que o estádio traz ao time canarinho. A torcida fica muito mais perto dos torcedores do que em outros gramados da Argentina e também foi nesta cidade que as duas equipes se enfrentaram na Copa do Mundo de 1978.

Aquela partida, válida pela segunda fase da competição internacional, terminou com um empate em 0 a 0 e com um grave resultado para o futebol arte: o ataque brasileiro foi parado constantemente pelas botinas dos argentinos, com a conivência do árbitro húngaro Palotai. Na rodada seguinte, Rosário seria palco da duvidosa classificação dos argentinos para a final do campeonato: duas horas depois da vitória do Brasil por 3 a 1 sobre a Polônia, a seleção argentina goleou por 6 a 0 o Peru, em uma derrota com certa polêmica ao redor, e foi para a final contra a Holanda (para ganhar sua primeira Copa do Mundo).



Com os argentinos se arrastando na briga pela classificação nas Eliminatórias da Copa do Mundo (atualmente, estão em quinto lugar), a solução de Maradona e sua trupe foi transferir o jogo para Rosário recorrendo a um duvidoso artifício: a tradição. A esperança da Argentina é que seus jogadores entrem em campo de braços dados com o passado.

Cabe à Seleção Brasileira pisar em Rosário para o duelo contra a Argentina sem olhar pelo retrovisor. E, assim, permitir que o time de Kaká, Robinho e Luís Fabiano escreva uma nova história neste grande confronto do futebol internacional.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Em busca da devoção nacional



Às vésperas do confronto entre Argentina e Brasil pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, o jogo de Rosário chama atenção por um motivo que vai além das quatro linhas. A torcida brasileira mais uma vez parece inferior em relação à expectativa para o jogo.

A justificativa de os atletas estarem jogando fora do país não vale como critério de diferença - ambos os lados sofrem com a saída de atletas. O perigo pode ser ainda maior do que a catimba dos argentinos: o deslumbre nacional.

Com a Seleção Brasileira indo bem nas últimas partidas oficiais (ganhou o título da Copa das Confederações), a vitória parece ser mais próxima dos brasileiros, mesmo com o jogo sendo em território argentino. O Brasil é o atual líder do campeonato, e está a um passo de sua classificação da Copa do Mundo de 2010. A Argentina está em quinto lugar, e corre risco de não disputar o torneio mais importante do futebol. Uma vitória sobre os brasileiros daria uma força ao time e a Maradona no cargo.

O Brasil não está com sua classificação a perigo, e pode tentar se contentar com um empate. Jogando contra uma torcida maciçamente adversária, que apoia o time o tempo todo, os torcedores brasileiros podem tender a hostilizar seus próprios jogadores (ao contrário dos técnicos, a torcida nacional quer sempre o gol em verde e amarelo).

Em Argentina e Brasil, tudo pode acontecer. Mas a devoção nacional poderia começar a fazer diferença diante dos argentinos, não só no jogo de amanhã, como também nos próximos jogos deste clássico sul-americano.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Certezas do Arruda



A vitória sobre o Paraguai por 2 a 1 deixou praticamente certa a classificação brasileira para a Copa do Mundo de 2010 (basta ao Brasil conquistar um ponto em algum dos próximos quatro jogos pelas Eliminatórias), mas deu algumas certezas à torcida e ao técnico Dunga. Certezas que devem servir para o time nos próximos jogos e também na disputa do torneio mais importante do mundo no ano que vem.

A primeira delas é a de que o Brasil demora muito a conseguir ter um bom padrão de jogo diante de uma seleção que joga recuada. No primeiro tempo, a história dos jogos contra Bolívia e Colômbia parecia que ia se repetir - e até a ganhar traços mais dramáticos, depois da cobrança de falta de Cabañas que desviou em Elano e enganou o goleiro Júlio César.

A Seleção Brasileira pouco chutava a gol, e seus chutes chegavam sem força, facilmente defendidos pelo goleiro Villar. Mas, a cinco minutos do fim do primeiro tempo, veio outra certeza brasileira no Arruda. Se Dunga estava em dúvida entre Maicon e Daniel Alves para a lateral-direita, certamente ela se dissipou no cruzamento de Daniel para a pequena área. Robinho soube aproveitar e, quase sem ângulo, empatou o jogo.

Com Luís Fabiano suspenso, o treinador também tinha dúvida em quem seria o titular para o jogo contra o Paraguai. As certezas e incertezas pairaram nos primeiros 45 minutos, mas aos cinco da segunda etapa Nilmar respondeu a Dunga. Numa boa jogada na grande área, o camisa 9 apareceu e, mesmo prensado por um zagueiro, colocou a bola no fundo das redes.

A 15 minutos do fim, Alexandre Pato (a outra opção para a posição) entrou no jogo no lugar de Nilmar. Ele pareceu disperso, se limitando a tentativas - frustradas - de tabelas. Pato talvez rendesse melhor se jogasse no meio-de-campo, ao lado de Kaká, seu companheiro no Milan.

Segunda-feira o Brasil começa sua trajetória na Copa das Confederações, diante do Egito. Espera-se que, ao final do torneio, Dunga traga novas certezas de bom futebol para a Seleção Brasileira.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O grito de gol do silêncio



Mais do que enfrentar um adversário direto, que briga pelo primeiro lugar das Eliminatórias da Copa do Mundo, o jogo de hoje diante do Paraguai pode silenciar boa parte da imprensa brasileira. Contestado desde sua chegada ao comando da Seleção Brasileira, o técnico Dunga tem hoje a possibilidade de praticamente classificá-la para a Copa do Mundo do ano que vem, na África do Sul.

Questionado por ter chegado ao cargo de treinador mais importante do país sem a menor experiência em outros clubes, Dunga convive com a falta de credibilidade de uma Seleção que vem alternando bons e maus momentos. E, em 13 jogos pelo torneio, com a goleada por 4 a 0 sobre o Uruguai conseguiu a primeira "sequência" de dois jogos com vitórias (a anterior foi um 3 a 0 diante do Peru). O retrospecto traz seis vitórias, seis empates (dentre eles, três 0 a 0 contra Argentina, Colômbia e Bolívia em território brasileiro) e uma derrota - justamente para o Paraguai, adversário de hoje em Recife.

O que mais espanta é que uma campanha tão oscilante esteja na primeira posição dentre as seleções da América do Sul - outrora celeiro de confrontos dificílimos - mesmo com o aparente "fortalecimento" recente de seleções como a Bolívia e o Equador. Mas não importa a maneira. Aos trancos e barrancos, a Seleção Brasileira promete chegar a mais uma Copa do Mundo.

Dunga tem para o jogo de hoje e para as partidas de 2010 um forte aliado: toda vez que a Seleção Brasileira vai para o exterior contestada, retorna ao Brasil com mais um título mundial na bagagem. O treinador espera que as contestações continuem, para a "Era Dunga" se consolidar também no banco de reservas e a cada jogo silenciar mais uma vez a imprensa esportiva.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Redenção de verdade



Na noite do retorno de Kaká aos gramados, a Seleção Brasileira retornou a achar o caminho das vitórias nas Eliminatórias da Copa do Mundo. Nesta quarta-feira, no Estádio Beira-Rio, o Brasil saiu de campo com uma vitória por 3 a 0 sobre o Peru, com dois gols de Luís Fabiano e um de Felipe Melo.

Depois da atuação criticada no empate com o Equador, em Quito, o Brasil voltou a gramados nacionais num cenário muito especial para o treinador Dunga. No Beira-Rio, estádio do Internacional (time pelo qual deu os primeiros passos de sua carreira), o ex-jogador agora voltava a Porto Alegre com um desafio ainda maior do que combater os atacantes adversários: fazer com que a estratégia dos seus 11 jogadores acabasse com as intenções de vitória dos 11 atletas peruanos. A festa do Beira-Rio (que, no próximo dia 6, completa 40 anos de sua inauguração) trouxe outras homenagens à cultura gaúcha - a presença de mulheres vestidas de prenda e de homens vestidos com roupas típicas do Rio Grande do Sul, e o Hino Nacional Brasileiro ser tocado ao som das sanfonas de Renato Borghetti, Borghettinho e Luiz Carlos Borges.

Logo no início da partida, Kaká mostrou o quanto sua presença (em boas condições de jogo, naturalmente) é importante para o meio-de-campo do Brasil. Foi dos pés do jogador do Milan que começou a primeira jogada (antes de um minuto de partida), neutralizada pela zaga do Peru. Com um minuto e 18, veio o primeiro chute na Seleção: Daniel Alves arriscou, mas a bola passou bem longe do gol. O Peru respondeu aos três, numa tentativa de Ramírez que foi para fora.

Aos quatro minutos, o primeiro grito de euforia da torcida foi abafado. Kaká encontrou Luís Fabiano livre, próximo da área. O atacante chegou à grande área, driblou o goleiro e tocou para o fundo das redes, mas a arbitragem assinalou impedimento. Três minutos depois, o camisa 9 perdeu a primeira chance clara da partida. Depois de receber bola na direita, ele chegou à pequena área, driblou o zagueiro e, mesmo sem ângulo, arriscou. A bola passou rente à linha do gol. Robinho ainda tentou aproveitar a sobra, mas o zagueiro conseguiu rechaçar a jogada.

Com 12 minutos de jogo, o Brasil sofreu uma baixa dentre seus jogadores. O zagueiro Luisão sentiu uma contusão, e teve de ser substituído. Em seu lugar, entrou Miranda, que faz sua estreia com a camisa amarelinha. Comprovando sua recuperação e, em especial, mostrando que sua qualidade é essencial à Seleção Brasileira, Kaká continuava tentando jogadas próximas da área. Em uma delas, o meia chegou livre na área, pela direita, e foi derrubado por Zambrano. Pênalti claro e bem marcado. Luís Fabiano cobrou rasteiro, à direita, sem chance para Butrón. 1 a 0 Brasil, aos 17.

Embalada pelo gol e pelo apoio da torcida, a Seleção quase ampliou a vantagem dois minutos depois. Em ótima jogada individual, Robinho passou por um zagueiro e arriscou de fora da área, mas a bola passou por cima do travessão. Aos 22, o camisa 11 recebeu na área e caiu pedindo pênalti, mas o árbitro argentino Sérgio Pezzotta mandou o jogo seguir.

A tendência constante da zaga peruana em fazer a "linha de impedimento" (tática de sempre dar um jeito dos atacantes ficarem em posição irregular na hora da conclusão) caiu por terra aos 26. Daniel Alves lançou para a área e encontrou Luís Fabiano, livre. Em impedimento não assinalado pelo bandeirinha, o atacante matou no peito e, com tranquilidade, fez 2 a 0 para a Seleção Brasileira.

Em último lugar na classificação das Eliminatórias da Copa do Mundo, a frágil seleção do Peru não oferecia resistência diante da Seleção Brasileira. Por três vezes, o Brasil chegou perto de marcar o terceiro - numa cobrança de falta de Elano para fora, aos 28, num cruzamento de Daniel Alves que não encontrou Luís Fabiano aos 30 e, aos 31, quando Miranda arrematou de cabeça uma cobrança de escanteio, mas a bola foi para fora.

Cinco minutos depois, Kaká teve sua primeira chance a gol. O camisa 10 arriscou um voleio depois de cruzamento de Daniel Alves, mas a bola passou por cima do travessão. Com 2 a 0 no placar, a torcida gaúcha começou a pedir o nome de Alexandre Pato aos 40 minutos. A Seleção Brasileira ainda teve algumas chances, mas a zaga peruana conseguiu evitar que o estrago fosse maior ao fim da primeira etapa.

Mesmo com os apelos da torcida, Dunga não colocou o jovem atacante em campo no intervalo. Nos primeiros minutos, o Brasil apresentou um ritmo mais cadenciado, em especial porque o adversário (mesmo aparecendo mais na área brasileira do que na etapa anterior) não oferecia nenhum perigo. As constantes firulas dos jogadores do meio-de-campo começaram a irritar a torcida. Somente aos 10 minutos veio a primeira chance: aproveitando cruzamento de Kléber (o lateral-esquerda foi escalado pouco antes do horário da partida, pois Marcelo sentiu uma contusão), Robinho entrou na área, com uma pedalada se livrou de um zagueiro peruano, mas concluiu para fora. Quatro minutos depois, Elano encontrou Luís Fabiano na área, mas a cabeçada do atacante foi salva pela mão de Butrón.

Aos 17, o Peru fez sua primeira alteração: saiu García para a entrada do volante Sanchez. Uma forma do técnico José del Solar evitar que uma goleada pudesse se desenhar em Porto Alegre. Mas de nada adiantou. Depois de um lance confuso com Kaká, Felipe Melo arrancou pela esquerda e encontrou a defesa do Peru esburacada. O volante entrou na área e tocou na saída de Butrón, fazendo 3 a 0 para a Seleção Brasileira, aos 19.

Dois minutos depois, veio o primeiro perigo para o gol brasileiro. Após uma falha de Gilberto Silva, Fano aproveitou que Júlio César estava adiantado e tentou o gol. O goleiro brasileiro triscou os dedos na bola, e conseguiu espalmá-la para, em seguida, a bola carimbar o travessão.

Aos 24 minutos, ambas as seleções tiveram alterações. No Peru, Solano deu lugar a Fernández. E Dunga, enfim, atendeu à solicitação dos gaúchos presentes no Beira-Rio. Alexandre Pato voltou a pisar no gramado do Internacional (clube no qual despontou para o futebol), no lugar de Robinho. Aos 29, Pato recebeu uma bola de Kaká, seu companheiro de Milan e, da linha de fundo, tentou cruzar para a pequena área, mas a bola parou nas mãos de Butrón.

A 14 minutos do fim, o técnico Dunga decidiu agradar a outra grande torcida do futebol gaúcho. Depois de agradar os colorados com a entrada de Pato, o treinador agradou os gremistas ao colocar em campo o ex-jogador do Grêmio Ronaldinho Gaúcho, que substituiu Elano. Com 34 minutos, o Peru fez nova alteração: o atacante Alva entrou no lugar de Rodríguez, para recompor um esquema ofensivo da equipe peruana.

Na reta final da partida, o Brasil voltou a recorrer a muitos toques de bola sem a menor objetividade - o que tornou a deixar a torcida do Rio Grande do Sul impaciente, em especial porque estavam sedentos por rever Ronaldinho Gaúcho e Alexandre Pato. Aos 38, Gaúcho cobrou falta com perigo na esqueda, mas Butrón conseguiu espalmar para escanteio.

Dois minutos depois, Pato foi lançado e o goleiro peruano, ao tentar encaixar a bola, acabou saindo da área. Tiro livre direto para o Brasil e cartão amarelo para Butrón. Novamente na cobrança, Ronaldinho Gaúcho chutou, mas o camisa 1 peruano fez a defesa. Com o resultado consolidado, a Seleção Brasileira passou a tocar a bola, satisfeita com o placar de 3 a 0.

Com a inesperada goleada que a Argentina sofreu para a Bolívia em La Paz (6 a 1), o Brasil subiu para o segundo lugar do grupo, com 21 pontos. Depois de uma partida sofrível no domingo, a Seleção Brasileira voltou a marcar em um estádio brasileiro - onde não fazia gol desde 2007 em partidas pelas Eliminatórias da Copa do Mundo (tinham sido três empates em 0 a 0, com Argentina, Bolívia e Colômbia) e, num dia primeiro de abril, conseguiu fazer uma redenção de verdade no caminho para a Copa de 2010.

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BRASIL 3x0 PERU

Local: Estádio Beira-Rio (em Porto Alegre).

Árbitro: Sérgio Pezzotta

Gols: Luís Fabiano aos 17 e aos 26 minutos do primeiro tempo. Felipe Melo aos 19 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Solano e Butrón (Peru).


BRASIL - Júlio César, Daniel Alves, Lúcio, Luisão (Miranda) e Kléber; Gilberto Silva, Felipe Melo, Elano (Ronaldinho Gaúcho) e Kaká; Robinho (Alexandre Pato) e Luís Fabiano. Técnico: Dunga.

PERU - Butrón, Prado, Zambrano, Rodriguez e Vilchez; Solano (Fernández), La Rosa, Miguel Torres e Luiz Ramírez (Alva); Pedro Garcia (Sanchez) e Fano. Técnico: José del Solar.

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BOLA PRO MATO

Este que vos escreve acredita que a derrota acachapante da Argentina para a Bolívia, por 6 a 1, tornou o primeiro de abril de 2009 um dia fantástico. Nestas horas, o patriotismo fala sempre mais alto.

domingo, 29 de março de 2009

Bomba no final derruba vitória brasileira em Quito




Nem mesmo o gol de Noboa, que fez com que a vitória brasileira escapasse no finzinho, torna o empate em 1 a 1 com o Equador um mau resultado para a Seleção Brasileira. Em uma partida pífia, o Brasil foi envolvido pela seleção equatoriana e sofreu um "bombardeio" durante todos os 90 minutos. Se não fossem o gol de Júlio Baptista (na foto) e as grandes defesas de Júlio César, a Seleção sairia de Quito com uma derrota vexatória.

Jogando de acordo com a ordem do técnico Sixto Vizuete, que pediu para "sufocar o Brasil desde o início da partida", o Equador chegou à área brasileira pela primeira vez com 33 segundos - uma bola que Luisão desviou com dificuldade. Com um minuto e meio, a equipe equatoriana já conseguira outras duas chances de gol - a mais clara, com Benítez, que concluiu de cabeça, numa bola que passou à direita de Júlio César.

A Seleção Brasileira respondeu aos três. Numa boa jogada iniciada por Ronaldinho Gaúcho, Luís Fabiano tocou para Robinho que, de calcanhar, encontrou Marcelo livre. O lateral deu um bom chute que resvalou nos dedos do goleiro Cevallos, mas o árbitro sinalizou tiro de meta. Quem esperava que o Equador começasse a se intimidar, se enganou. Três minutos depois, Mendez cobrou falta por cima do travessão. Aos oito, uma grande chance equatoriana: Ayoyí arriscou de longe, para Júlio César espalmar.

O Equador prosseguia em sua pressão, caracterizada por muitas tentativas ao gol. Com 14 minutos, mais uma vez a bola parada deixou a Seleção Brasileira apreensiva. Mendez cobrou falta rasteira, que Júlio César espalmou com dificuldade. No rebote, novamente o camisa 1 evitou o grito de gol da torcida equatoriana, caindo praticamente nos pés de um jogador do Equador.

O Brasil continuava acuado em seu campo, e praticamente assistia às constantes chances perdidas pela Seleção do Equador. O time só voltou a chegar perto da área equatoriana aos 19, mas o cruzamento de Maicon foi para fora. Nesta jogada, o lateral-direita sentiu uma contusão, e foi substituído por Daniel Alves. Dois minutos depois, novamente a torcida brasileira ficou apreensiva. Em um chute perto da grande área, Valencia mandou uma bola com destino ao ângulo, que explodiu na trave.

O amplo domínio do Equador era visível também com relação à defesa. A primeira falta da equipe foi aos 28 minutos (contra seis brasileiras). Na cobrança de falta perto da área, Ronaldinho Gaúcho desperdiçou a chance, com seu chute acertando a barreira. A Seleção teve outras duas oportunidades aos 30, mas ambas esbarraram na zaga equatoriana. Aos 33, quase a zaga do Brasil deixou de ser um obstáculo para o Equador abrir o placar: Daniel Alves errou passe, e fez com que Luisão tivesse de entrar na frente de Benítez para evitar a conclusão. O camisa 13 quase se redimiu de seu erro aos 38, mas seu chute passou rasteiro, à esquerda de Cevallos.

Mas, apesar do Equador ter diminuído seu ritmo no jogo, a Seleção Brasileira continuava envolvida pelo adversário. Foram sucessivos escanteios cedidos e o nervosismo estendido até a reclamações com a arbitragem depois de mais uma chance perdida pelo Equador. A tensão se refletiu em duas atitudes do meia Elano. A primeira, aproveitar que duas bolas estavam em campo para interromper o ataque do Equador. A segunda, uma falta infantil que lhe rendeu um cartão amarelo, aos 43 minutos. O jogador ainda tentou amenizar o número de chances perdidas pelo Equador, dizendo, em entrevista no intervalo, que o adversário somente teve "mais posse de bola". Mas quem assistiu ao primeiro tempo notou que o empate em 0 a 0 parecia um resultado injusto pelos primeiros 45 minutos.

O início do segundo tempo não foi diferente do mostrado no início do jogo. Mais uma vez, os equatorianos pressionavam a Seleção Brasileira, que se defendia de maneira atabalhoada. Logo aos cinco minutos, a seleção anfitriã teve duas chances - uma cabeçada de Caicedo que Júlio César encaixou e um chute de Benítez para fora. No minuto seguinte, o Brasil chegou à área equatoriana com Marcelo, que caiu na área e pediu pênalti, mas o juiz deu somente escanteio. Na cobrança, Luisão concluiu de cabeça, mas a bola foi para fora. Aos 12, depois de boa jogada de Valencia, Benítez chutou à esquerda de Júlio César. No minuto seguinte, o goleiro brasileiro espalmou para escanteio uma finalização de Benítez.

Aos 15, o primeiro lampejo brasileiro na segunda etapa. Um passe de Robinho encontrou Luís Fabiano livre. O camisa 9 chutou no meio do gol, para defesa de Cevallos. Logo em seguida, Dunga fez a segunda alteração no Brasil: Elano deu lugar a Josué, uma visível tentativa de recuar ainda mais a equipe. A Seleção Brasileira escapava graças a Júlio César, com suas boas saídas de gol nas constantes cobranças de escanteio e em defesas como a que fez aos 17, quando impediu gol claríssimo de Guerón.

Aos 25, Dunga fez uma substituição decisiva para o panorama do jogo. Sob vaias, Ronaldinho Gaúcho saiu para entrar Júlio Baptista. Em sua primeira jogada, no minuto seguinte, o atacante jogou Robinho pela esquerda. O camisa 11 lançou, a bola passou por Luís Fabiano mas encontrou Júlio Baptista livre. Ele arriscou, a bola bateu na trave, resvalou nas costas de Cevallos e entrou no gol: Brasil 1 a 0.

Com o resultado negativo, o técnico Vizuete fez a primeira alteração do Equador. Aos 28, o meia Guerón deu lugar a Noboa. O Brasil começou a ter espaços para jogar, e vieram boas oportunidades de ampliar o resultado - numa delas, uma cobrança de falta de Daniel Alves que Cevallos tirou com dificuldade. Tendo a atitude como aliada, o Equador continuava tentando, principalmente nas bolas paradas. Ayoví tentou duas vezes - uma parou em uma defesa em dois tempos de Júlio César e a outra saiu por cima do travessão. Aos 39, foi a vez de Valencia cobrar uma falta para fora.

A Seleção Brasileira jogava no contra-ataque, e por duas vezes Luís Fabiano perdeu a chance de fazer o segundo gol. A primeira, à meia altura, teve defesa de Cevallos, e no rebote, o camisa 9 chutou na trave, aos 43.

Só que no minuto seguinte a vitória brasileira escapou. Depois de cruzamento na esquerda, Júlio César conseguiu salvar a tentativa de Benítez, mas não teve como evitar a bomba de Noboa. 1 a 1.

Com o empate, o Brasil chega aos mesmos 19 pontos da Argentina (que ontem derrotou a Venezuela por 4 a 0), mas está inferior aos "hermanos" por causa do saldo de gols - o que torna ainda mais importante a vitória na partida contra o Peru, quarta-feira, em Porto Alegre. A expectativa pela (remota) possibilidade de Kaká se recuperar a tempo de jogar pela Seleção no Estádio Beira-Rio veio à questão no fim do jogo em Quito. Mas o que a torcida brasileira espera mesmo é que o bombardeio da camisa amarela na área adversária apareça na quarta-feira. E, desta vez, que a "amarelinha" esteja vestindo os jogadores da Seleção Brasileira.

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EQUADOR 1x1 BRASIL

Estádio: Olímpico Atahualpa (em Quito, no Equador).

Árbitro: Carlos Chandía.

Gols: Júlio Baptista aos 26 e Noboa aos 44 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Elano, Gilberto Silva, Marcelo, Daniel Alves (Brasil), Ayoví (Equador).

EQUADOR - Cevallos, Reasco, Espinoza, Ivan Hurtado e Ayoví; Castilho, Méndez, Valencia e Guerón (Noboa); Benítez e Caicedo (Palácios). Técnico: Sixto Vizuete.

BRASIL - Julio César, Maicon (Daniel Alves), Lúcio, Luisão e Marcelo; Gilberto Silva, Felipe Melo, Elano (Josué) e Ronaldinho Gaúcho (Júlio Baptista); Robinho e Luis Fabiano. Técnico: Dunga.