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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Idolatria de bastidores



Os bandeirões das torcidas organizadas já se acostumaram a dividir a homenagem ao clube de coração com bandeiras menores estampando o rosto de grandes jogadores (e, em menor escala, de torcedores ilustres). Mas agora o Fluminense deu o pontapé inicial à idolatria a quem proporciona o elenco de estrelas que veste a camisa tricolor - Celso Barros, presidente da Unimed.

Afinal, ter nomes de qualidade como Conca, Deco, Fred e Emerson é um raro privilégio no cenário do futebol brasileiro - salários baixos (e muitas vezes pagos com atraso), crises internas e um panorama bem menos atraente financeiramente do que outros países. Com a Unimed, as quantias são exorbitantes e pagas no dia previsto. Além disto, o acordo com a empresa de planos saúde começou no ano de 1999, quando o clube estava na Série C do Campeonato Brasileiro. 11 anos depois, o tricolor se tornava o melhor do país.

Embora tenha grandes serviços prestados, não soa um exagero a homenagem a Celso Barros? Se a moda pegar, daqui a pouco teremos bandeiras dedicadas também a empresários de jogadores - e uma transferência de expectativas que hoje são para dentro de campo para quem está do lado de fora. Imagine se o empresário coloca determinado jogador num clube e, de repente, recebe por ele uma proposta melhor financeiramente (algo corriqueiro no futebol de hoje). Certamente, o empresário também será designado como "mercenário".

Talvez esteja começando uma nova tendência do futebol brasileiro. Em vez de torcer por determinado clube, fique mais cômodo torcer pelas boas atitudes de empresários no mercado da bola. Ônus do profissionalismo.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O espírito do futebol



"Quem ganha e perde as partidas é a alma". A frase de Nelson Rodrigues se eterniza a cada derrota definitiva, que tira de um time de futebol a possibilidade de conquistar um campeonato. Com ela, vêm símbolos da decepção e da amargura, que não aparecem com tanta força dentro de campo (afinal, a cada temporada jogadores têm presença mais fugaz num clube). A fidelidade fica na arquibancada, e parece que chega com mais força nos momentos de tristeza das equipes.

A tristeza mais recente foi a de ontem, com a eliminação do Palmeiras da Copa Sul-Americana. A imagem da capa da edição paulista do Lance! trazendo o garoto chorando, incrédulo com a derrota por 2 a 1 para o Goiás no Pacaembu, mostrou o verdadeiro retrato da frustração palmeirense. Como lembrou a Folha de S. Paulo na edição de hoje de seu caderno de esportes, a equipe do Palestra Itália encerrou de maneira melancólica uma década marcada por um rebaixamento e poucos títulos (o Campeonato Brasileiro da Série B de 2003 e o Campeonato Paulista de 2008).

Chegar à final da competição internacional era a última oportunidade do time deixar uma boa lembrança dos anos 2000. Traria a certeza de que a tradição palmeirense superaria até mesmo o elenco limitadíssimo entregue às mãos de Luiz Felipe Scolari. Só que o futebol pune o deslumbre causado por um favoritismo exagerado, até mesmo contra equipes consideradas inferiores, como foi o caso do Goiás.

Quando o favoritismo cai por terra depois de 90 minutos, a derrota fica ainda mais dolorosa. Afinal, o orgulho fomentado pela crítica esportiva é ferido de maneira brutal, pois, num esporte no qual a derrota faz parte do jogo, o torcedor ainda mantém a crença de que seu clube de coração é imbatível.



Foi o caso da Seleção Brasileira de 1982. O Brasil chegou à Copa do Mundo com uma equipe que representaria o "futebol-arte", digna de trazer o título depois de 12 anos sem conquistas. Mas o time de Júnior, Falcão, Zico e Sócrates acabou eliminado por uma Itália que priorizava o pragmatismo e a força para ser vitoriosa (e assim foi campeã na Espanha).

Acima da dimensão de crítica e público, que tornou o Brasil de 1982 um dos últimos times que mantinham a arte em seu futebol, uma imagem da arquibancada representou a decepção brasileira. Na capa do Jornal da Tarde de 6 de julho de 1982, um menino chorando com a camisa da Seleção Brasileira simbolizou a repercussão do fim de um sonho de título na Copa do Mundo que parecia tão certo.

Acima da paixão dos torcedores, que, como o nome indica, "torce" a realidade futebolística de acordo com a certeza de supremacia do clube de coração, o futebol sobrevive graças à alma das arquibancadas. Almas que explodem de alegria nas vitórias ou desabam prantos nas derrotas, sem qualquer pudor. Porque, mesmo que o espírito esportivo queira acalmar os ânimos com frases como "é só um jogo", o espírito do futebol se mantém irriquieto, e está presente desde os primeiros anos de vida como torcedor.

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Devido à onda de violência no Rio de Janeiro, O tempo e o placar... hoje não pôde apresentar o DEBATEBOLA QUATRO LINHAS. Este blogue espera que tudo se estabilize a tempo de apresentarmos uma edição na próxima segunda-feira.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A cartilha dos ídolos



Uma das definições para a palavra ÍDOLO no dicionário diz "pessoa a quem se tributa respeito ou afeto excessivos". No futebol, todos os clubes têm em suas listas jogadores que ficaram na história por títulos, gols e espírito de luta. Entretanto, devido à falta de qualidade das equipes atuais, alguns jogadores de qualidade questionável vêm sendo dignos de idolatria fulminante.



O caso mais recente é o do zagueiro Dedé, do Vasco. O jogador chegou a São Januário para compor elenco o Brasileiro da Série B, em 2009, depois de ter certo destaque na disputa do Campeonato Estadual do mesmo ano, pelo Volta Redonda. No ano passado, ele atuou em poucas partidas pelo time vascaíno, e no início deste ano ficou marcado negativamente, pois num treino entrou numa dividida forte que tirou de combate o meia Carlos Alberto.

Na troca de treinadores, Dedé acabou promovido a titular da zaga vascaína e, com o tempo, passou a ter seu nome gritado pela torcida durante as partidas. Após a chegada do técnico Paulo César Gusmão, o zagueiro virou sinônimo de raça e de segurança - coisa que há muitos anos não era comum no setor defensivo da equipe - e tem se destacado neste período após a Copa do Mundo, pois vem ajudando o Vasco a manter uma invencibilidade (ainda que com uma sequência de empates) na volta do Campeonato Brasileiro.



Outro jogador que chama atenção pela idolatria da torcida vem do Fluminense. No líder do Campeonato Brasileiro, o atacante Washington se tornou o grande ídolo em meio à constelação que se formou na equipe de 2010. Mesmo que tenha contribuído para a derrota mais sofrida do tricolor das Laranjeiras (perdendo um pênalti na decisão da Taça Libertadores da América, contra a LDU).

Da onde sai o carisma dos ídolos de hoje? Da raça? Do respeito à camisa que está vestindo? Em uma época na qual equipes se formam e se desfazem com constância, é cada vez mais raro um atleta ter sua imagem atrelada a apenas um clube. Até jogadores que declaram ter um time de coração às vezes mudam de ares para um grande rival. Hoje ídolo do Flamengo, Petkovic já vestiu as camisas de Vasco e Fluminense. Emerson, atacante de destaque no Fluminense, se declarou flamenguista em sua passagem pela Gávea no ano anterior.



E a idolatria dos dias de hoje? É capaz de fazer vista grossa para insucessos? Sim, Adriano foi campeão brasileiro com o Flamengo em 2009. Mas isto é capaz de apagar os problemas extracampo gerados por ele e que afundaram o rubro-negro numa crise em 2010, que culminou na perda do Campeonato Estadual e da Taça Libertadores da América, além de iniciar um dominó no qual não sobrou muita coisa do time vencedor do ano anterior?



Edmundo é outro exemplo disto. Cultuado no Vasco pela grande atuação campanha que levou o clube ao terceiro título brasileiro, em 1997, seu nome era sempre gritado em momentos de dificuldade das equipes vascaínas no gramado, e ele chegava como salvador. No entanto, dos pés de Edmundo, vieram pênaltis decisivos desperdiçados na decisão do Mundial de Clubes de 2000 (contra o Corínthians), na semifinal da Taça Guanabara de 2008 (contra o Flamengo) e na Copa do Brasil de 2008 (contra o Sport Recife). Além de expulsões, confusões e períodos de ausência de títulos.

O atual torcedor de futebol não precisa se acostumar somente ao constante entra-e-sai de jogadores e ao fato de um jogador que era rival atuar no seu clube de coração de uma hora para outra. A cartilha do futebol brasileiro agora deu à palavra "ídolo" um significado bem mais abrangente do que ser decisivo dentro de campo.

sábado, 14 de agosto de 2010

TEXTO DE CONVIDADO - Paixão americana



Neste sábado, O tempo e o placar... abre espaço para um convidado de fora do meio futebolístico. Diante de tantas atitudes inexplicáveis que o futebol faz torcedores, jogadores, treinadores e dirigentes tomarem, este blogue recorreu à psicanálise para encontrar um pouco de lógica no esporte bretão.

Com a palavra, o médico e psicanalista PAULO BONATES, que, além de ter excelentes contribuições no jornal A Gazeta, do Espírito Santo, e em outras páginas eletrônicas, sofre da paixão chamada América Futebol Clube. Através dela, Bonates tenta explicar outras inexplicáveis paixões.

Boa leitura a todos,

Vinícius Faustini


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Dizem que a única essência humana é a paixão. Muda-se de país, de mulher, de homem, de tudo mas não toca na paixão por um time. Não se tem força ou sei lá o que para mudar de time e o time não muda. Muito menos por você. Mas a paixão não perece.

É obrigatória esta insólita modalidade de amar intensamente. O bravo povo brasileiro só luta por paixão. De nada adianta a vangloriada consciência nazista, fascista ou freudiana. Só a paixão te toca, de excita ou te amacia. Dunga tinha sua paixão e sobre isso nada podia fazer. Nem eu nem você.

A paixão por ser paixão, não consegue enxergar o óbvio, no caso da seleção Neymar, Ganso, Pato. Se conseguisse paixão não seria. Isso não transforma o Dunga em uma pessoa competente: estava a defender a paixão. A paixão e os apaixonados são inexorável e necessariamente estúpidos e irracionais, claro..

Quem poderá impedir a torcida de apaixonar-se por Lula. Seja lá o que seja ou o que for o exercício da paixão mantém a vida. Não conheço ou creio em adjetivos completando o verbo viver. Muito menos apaixonar-se, ou se deixar apaixonar ou o que quiserem as metáforas da poesia.

Dunga apaixonou-se por Josué, meio de campo que jogava em Caruaru tanto quanto Otelo morreu de amores por Desdemona, ou Barrichello pela cortesia do deixar passar. Difícil compreender, fácil de explicar. São coisas da vida, nós é que precisamos aprender. Quem conta a historia feliz ou infelizmente é o vencedor. O abominável criador do nazismo produziu paixão. Simplesmente paixão. E enlouqueceu a Alemanha Tão impactante quanto a sua namorada que no cinema mal tocava você, e você, delirava ou não?

Mudando de conversa, agorinha mesmo na hora de votar queira ou não, a paixão elege. Os espertos marqueteiros que abandonam esta modalidade de instinto como tema central das campanhas – produzindo mentiras ou não – perdem. Perder é pior do que tudo que existe. Por exemplo, o vice-campeão, é o primeiro a perder. Não deflagra a mínima quantidade de paixão necessária para mover montanhas protegidas pela lógica e ciência.

Como alguém que torce pelo América do Rio e está condenado a torcer, torcer, torcer até morrer, como reza o hino do clube.


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O tempo e o placar... recomenda o blogue de Paulo Bonates - COMO EU IA TE DIZENDO:

http://comoeuiatedizendo.blogspot.com

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Sem exageros



A expectativa de estar na final do Campeonato Carioca se tornou frustração com a perda da Taça Guanabara, e o insucesso causou muitos males ao time vascaíno. Outrora acolhido pela torcida, outrora considerado a sensação do Rio de Janeiro, o Vasco virou motivo de descrédito dos torcedores que tanto o acolheram. E esta falta de credibilidade deu chance a um espetáculo lamentável na partida de quinta-feira, contra o Sousa da Paraíba.

Muitos argumentam que a razão disto é uma nova derrota em final de campeonato (o "estigma" de vice que começou a ser construído no ano de 1999 e passou por 2000, 2001, 2004 e 2006). Uma injustiça, afinal, o time que foi derrotado pelos botafoguenses no domingo não tem nenhum remanescente dos anos anteriores. A história é outra, e está aí pra ser reescrita.

Gritos como "a paciência acabou" e o esdrúxulo "é mais um ano sem gritar é campeão" em pleno fevereiro só fazem a equipe ficar ainda mais nervosa e apresentar partidas ridículas, como foi o jogo diante dos paraibanos do Sousa (digno mesmo de um empate sem gols e de um público de 593 pagantes). Por mais que haja uma série de insucessos em decisões, analisando friamente, o jogo contra o Botafogo foi uma decisão de turno. Há pela frente o segundo turno - no qual o Vasco estreia amanhã, contra o Volta Redonda, em São Januário - e a chance de fazer a finalíssima.

Os torcedores também estão cometendo uma injustiça com o atacante Dodô. O esquema anterior do Vasco não favorecia o jogador, que ficava isolado entre os zagueiros, enquanto seu companheiro de ataque Philippe Coutinho, ciscava feito um doido em torno da grande área, preferindo sempre as firulas a dar passes decisivos. Talvez a entrada de Élton ou de Rafael Coelho como seu parceiro de ataque seja mais benéfico para a equipe - e para o camisa 10 do Vasco, que em seu "histórico" tende a ficar deprimido com vaias da torcida. Ainda mais com ele aos 35 anos, voltando depois de dois anos afastado por doping.

Sim, o técnico Vágner Mancini precisa fazer algumas mudanças no time. Alguns jogadores estão rendendo abaixo do esperado também. Agora, daí a chamar de "burro" o treinador e ficar por 90 minutos cantando músicas contrárias a alguns jogadores parece um exagero para o time que sofreu sua primeira derrota no ano.

O Campeonato Estadual não é parâmetro e o time do Vasco ainda está se ajustando para 2010. A torcida não vai ajudar muito se continuar a virar suas costas para o campo. Ou os vascaínos ficarão marcados como torcedores que só aparecem quando a equipe ganha - feito algumas torcidas espalhadas pelo país.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Em busca da devoção nacional



Às vésperas do confronto entre Argentina e Brasil pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, o jogo de Rosário chama atenção por um motivo que vai além das quatro linhas. A torcida brasileira mais uma vez parece inferior em relação à expectativa para o jogo.

A justificativa de os atletas estarem jogando fora do país não vale como critério de diferença - ambos os lados sofrem com a saída de atletas. O perigo pode ser ainda maior do que a catimba dos argentinos: o deslumbre nacional.

Com a Seleção Brasileira indo bem nas últimas partidas oficiais (ganhou o título da Copa das Confederações), a vitória parece ser mais próxima dos brasileiros, mesmo com o jogo sendo em território argentino. O Brasil é o atual líder do campeonato, e está a um passo de sua classificação da Copa do Mundo de 2010. A Argentina está em quinto lugar, e corre risco de não disputar o torneio mais importante do futebol. Uma vitória sobre os brasileiros daria uma força ao time e a Maradona no cargo.

O Brasil não está com sua classificação a perigo, e pode tentar se contentar com um empate. Jogando contra uma torcida maciçamente adversária, que apoia o time o tempo todo, os torcedores brasileiros podem tender a hostilizar seus próprios jogadores (ao contrário dos técnicos, a torcida nacional quer sempre o gol em verde e amarelo).

Em Argentina e Brasil, tudo pode acontecer. Mas a devoção nacional poderia começar a fazer diferença diante dos argentinos, não só no jogo de amanhã, como também nos próximos jogos deste clássico sul-americano.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Baderneiros organizados



Quando aconteceu a criação de O tempo e o placar..., este que vos escreve tinha a intenção de colocar em debate coisas que acontecem nas quatro linhas do futebol brasileiro. É com pesar que hoje as linhas do blogue vão discutir sobre um espetáculo lamentável gerado por pessoas que cada vez mais inflamam a rivalidade e o temor no esporte bretão.

Ontem, a torcida do Fluminense entrou no treino do time das Laranjeiras (com o conhecimento de seguranças do clube) para fazer um protesto pelos maus resultados das últimas rodadas. Só que as cobranças não ficaram restritas a gritos e faixas da arquibancada. Alguns torcedores invadiram o gramado e foram agredir atletas do tricolor carioca. Um dos alvos acabou sendo o meia Diguinho. Contratado no início do ano pela ótima temporada no Botafogo em 2008, o jogador não repetiu boas atuações do ano anterior, e conviveu, inclusive, com uma suspeita de tuberculose.

Sua má fase culminou em um soco recebido de um torcedor de uma facção tricolor e houve a necessidade do jogador correr para não sofrer novas agressões. As atitudes dos baderneiros que passaram a tarde nas Laranjeiras levantam um debate: até quando a torcida pode ter benefícios no clube?

Sim, os torcedores ajudam uma equipe, pagando ingressos dos jogos, se tornando sócios e indo ao estádio para apoiar o time. A torcida tem o direito de protestar quando a equipe vai mal ou quando os jogadores e o técnico não correspondem às expectativas. Mas isto não dá o direito de o torcedor se achar o "pai" do clube e achar que os atletas vão melhorar seu rendimento na "base da porrada".

Outra atitude questionável vem da parte dos dirigentes, que permitem que um grupo de torcedores vá aos treinamentos para conversar com os jogadores. Oficialmente, o atleta tem de dar satisfações somente a seu patrão, o clube. A torcida é somente espectadora. Mas no Brasil esta troca de papéis já acontece há muito tempo. Como as pessoas já sabem do fanatismo que beira a baderna em algumas torcidas organizadas, por que aumentar a possibilidade de incidentes como o de ontem no Fluminense?

Ontem, aconteceu no tricolor carioca. Mas isto já ocorreu em clubes como Flamengo e Corínthians e, no ano passado, alguns torcedores do Vasco foram até a casa do meia Morais para insultar e ameçar o jogador se não melhorasse suas atuações com a camisa cruzmaltina. E, como bem apontou o jornalista Lédio Carmona em seu blogue, não acontece nada, não há revolta, ninguém se indigna, e quem acaba exposto é o jogador de futebol. Porque, por mais que alguns deles tenham um nível inferior, não se justifica um grupo chegar às três da tarde de uma terça-feira com o propósito de bater em atletas que treinam para aprimorar suas condições de jogo.

A existência desta "baderna organizada", muitas vezes escondida pela alcunha de torcida, afasta ainda mais o futebol do conceito de ser um espetáculo público. Não, não chegaria a ter um esvaziamento dos espectadores nos estádios. Mas ações como a de ontem nas Laranjeiras cada vez mais inflam o fanatismo em uma diversão esportiva. Não é à toa que o futebol brasileiro hoje é tomado por treinadores que mandam bater, jogadores botinudos e pela retranca que renuncia à vitória somente pelo desejo de não perder.

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BOLA PRO MATO

Ah, sim. Hoje tem promessa de bom futebol. Duelo brasileiro entre Cruzeiro e São Paulo na Taça Libertadores da América e a primeira rodada das semifinais da Copa do Brasil. E que venha bom espetáculo na torcida e nas quatro linhas.

sábado, 23 de maio de 2009

O tamanho do caldeirão



Por mais que o Vasco mantenha suas atenções neste sábado para o terceiro jogo pelo Campeonato Brasileiro da Série B (diante do Atlético Goianiense, em São Januário), as atenções de torcida e jogadores desviaram para as semifinais da Copa do Brasil. Na próxima quarta, o time enfrenta o Corínthians nos primeiros 90 minutos do "mata-mata". Mas o assunto que fica em questão às vésperas desta fase decisiva não vem de dentro de campo. Na verdade, a dúvida é com relação ao tamanho do campo no qual os dois times irão se enfrentar.

Mandante do primeiro jogo, o Vasco vem usando o estádio de São Januário em todos os confrontos contra equipes de fora do Rio de Janeiro (e também as pequenas do estado fluminense). No entanto, para o jogo contra o alvinegro paulista, a direção decidiu que a partida carioca será realizada no Maracanã. O técnico Dorival Júnior e alguns jogadores vascaínos - como o meia Léo Lima - demonstraram preferência por São Januário, que deveria ser elevado a "caldeirão", como diz o grito da torcida. Léo Lima chegou a afirmar que no Maracanã o Vasco passa a jogar em "campo neutro".

De fato, São Januário vem se revelando um reduto no qual a torcida vascaína, jogo a jogo, apoia a equipe, fazendo festas nas arquibancadas - coisa que não seria diferente agora, numa semifinal de Copa do Brasil, na qual o adversário tem em campo o atacante Ronaldo. Só que a escolha do Maracanã como estádio para a primeira partida foi uma vitória do bom senso do presidente Roberto Dinamite.

O Estádio Vasco da Gama não tem uma localização tão boa quanto a do Maracanã, e a entrada e a saída de lá gera alguns tumultos (principalmente em jogos de grande público). Muitas pessoas ficam de fora, coisa que poderia acontecer também com a torcida corintiana, e tanto a Força Jovem quanto a Gaviões da Fiel têm fama de que não levam desaforo para casa. Num eventual incidente de fora do estádio, o Maraca dá margem à saída de torcedores com mais facilidade.

Outra vantagem beneficia a própria torcida do Vasco. De acordo com o Corpo de Bombeiros, São Januário tem capacidade para 18 mil pessoas, enquanto o Maracanã cabe quatro vezes mais do que isto. Com os torcedores vascaínos comparecendo em massa, o apoio aos jogadores ficaria ainda maior - independente do número da torcida do Corínthians (que é uma das maiores do Brasil) no jogo de quarta-feira.

As estatísticas no estádio também favorecem o time carioca. Além de campeonatos estaduais, três dos quatro títulos brasileiros da equipe aconteceram no Maracanã. É uma tradição que não pode ser deixada de lado somente por causa do interesse em transformar o próprio estádio num "alçapão", feito é a Vila Belmiro do Santos. São Januário tem sua importância na história vascaína, e ele não pode ficar em risco de ter sua tradição manchada por inconsequências da diretoria.

Vasco e Corínthians é um clássico interestadual que merece um palco como o Maracanã. Este que vos escreve não está desmerecendo São Januário, mas a história dos dois clubes, com seus encontros e seus jogadores de ontem e de hoje merecem um "caldeirão" maior para a acomodação de torcedores de ambas as equipes. E, se a torcida cruzmaltina mantiver o panorama atual de presença no estádio, irá apoiar mais uma vez o Vasco, jogue onde ele jogar.