Mostrando postagens com marcador Análise de quarta. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Análise de quarta. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Os imponderáveis



INDEPENDIENTE, DA ARGENTINA, CAMPEÃO DA COPA SUL-AMERICANA DE 2010

Análise de quarta - Independiente (ARG) 3 x 1 Goiás (nos pênaltis, Independiente 5 a 3)

O Goiás ter conseguido chegar à decisão da Copa Sul-Americana era um feito imponderável para seu futebol - tanto por sua falta de tradição em competições internacionais quanto por sua ascensão acontecer numa temporada em que o clube terminou rebaixado para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. Só que os feitos imponderáveis nem sempre são favoráveis a equipes que surpreendem numa competição. Na noite de 8 de dezembro, os acasos futebolísticos favoreceram os argentinos do Independiente a se sagrarem campeões da Sul-Americana.

Não foi nenhuma surpresa o Independiente se lançar ao ataque desde os primeiros minutos, em especial por jogadas pelas laterais, que tentavam encontrar a dupla Parra e Rodríguez livre na área. No entanto, o trio de zaga formado por Rafael Tolói, Ernando e Marcão conseguia defender com eficiência a equipe goiana. Foram necessários 19 minutos e uma jogada de bola parada para que o time argentino ficasse em vantagem diante do Goiás. Fredes lançou para a área e, livre, Matheu chutou forte. Após defesa de Harlei, Velásquez, sem marcação, colocou a bola no fundo da rede. Independiente 1 a 0.

Apoiados por cerca de 40 mil torcedores, os argentinos passaram a apoiar com mais intensidade, à espera de mais um gol que igualasse o saldo da final (no primeiro jogo, os goianos venceram por 2 a 0 no Serra Dourada). Só que a iniciativa de jogadas ofensivas foi surpreendida por um erro no meio-de-campo. Wellington Saci conseguiu roubar a bola do adversário e, com fôlego, subiu pela esquerda. No cruzamento para a área, Rafael Moura desviou de cabeça para empatar. 1 a 1, aos 22 minutos.

O Goiás contava com seu ímpeto para superar o adversário na final. Só não contava com mais um fato imponderável capaz de atrapalhar sua partida decisiva em Avellaneda. Quatro minutos depois do gol sofrido, Ernando foi rechaçar uma tentativa de cruzamento. A bola bateu no calcanhar de Parra e partiu em destino ao fundo da rede de Harlei. Independiente 2 a 1.

Mas o acaso ainda seguia como forte adversário do Esmeraldino. Num cruzamento da direita, Marcão dividiu a jogada com Parra. Caído, o atacante conseguiu chutar, e o lance foi concluído com Harlei buscando a bola no fundo de sua rede. 3 a 1 Independiente, aos 34 minutos. Placar que, ao final do primeiro tempo, encaminhava a decisão para uma prorrogação de 30 minutos.

Na volta do intervalo, as equipes continuaram a atuar da forma apresentada no primeiro tempo. Forte pressão do Independiente (com poucas oportunidades claras para marcar) e o Goiás se defendendo intensamente. O que tornou o jogo diferente foi o equilíbrio que o time goiano conseguiu dar à partida.

Além de evitar que os jogadores adversários tivessem muitas oportunidades - as duas chances foram com Parra, uma com boa defesa de Harlei e outra quando o atacante errou num cruzamento e quase surpreendeu o goleiro - o Esmeraldino dominou o jogo, graças ao seu preparo físico superior. Nem com as duas alterações que o técnico Antonio Mohamed fez (Gómez e Gracian em lugares de Martinez e Rodriguez) "El Rojo" encontrou forças para segurar o empenho adversário.

O Goiás teve várias oportunidades, e numa delas chegou a marcar, mas o gol foi anulado por impedimento de Otacílio Neto, mas desperdiçou todas elas. Em duas chances com Rafael Moura, o time foi derrotado pelo imponderável. Num lance, o atacante dois zagueiros, mas foi travado pelo goleiro Navarro na hora do chute. Em outro, diante do arqueiro adversário, a opção de dominar a bola antes de arriscar fez com que seu chute fosse para fora. Aos 46 minutos, Oscar Ruiz encerrou o tempo regulamentar, e o mistério do título da Sul-Americana duraria ao menos mais 30 minutos de prorrogação.

Prorrogação na qual o Goiás foi soberano, em empenho e em velocidade. Com a entrada de Éverton Santos no lugar de Carlos Alberto e, principalmente, pela partida sensacional que Felipe (substituto de Otacílio Neto) vinha fazendo desde os 30 minutos do segundo tempo, o time goiano parecia cada vez mais próximo do gol.

Só que os grandes momentos do Goiás pararam no imponderável do futebol. A um minuto, um cruzamento de Rafael Moura passou por toda a área e parou na cabeça de Rafael Tolói. O zagueiro, sozinho, desviou de cabeça, e a bola bateu na trave. Três minutos depois, uma cobrança de escanteio chegou até Marcão, que cabeceou. Navarro defendeu e, na volta, Marcão colocou a bola no fundo da rede. Mais um gol anulado por impedimento.

Os últimos minutos mostraram um contraste atípico em jogos decisivos de futebol. O visitante Goiás passava os minutos se impondo, arriscando jogadas e tentando o gol, alheio aos 40 mil torcedores de Avellaneda. Era o mandante Independiente que se portava como time que atua fora de casa, ansioso a ponto de não conseguir trocar passes e associando a decisão por pênaltis a um momento de alívio. O indício era de que o melhor preparo físico e a pressão psicológica do adversário favorecessem o alviverde goiano na decisão por pênaltis da Copa Sul-Americana.

Vieram as cobranças. Velázquez abriu o placar para o Independiente. Rafael Tolói empatou. Parra fez o segundo do time argentino. Éverton Santos marcou o segundo dos goianos. Gracián fez 3 a 2 para a equipe de Avellaneda.

E na disputa de penalidades máximas, novamente o imponderável surgiu de maneira decisiva. O atacante Felipe, que passou da esperança de gols do Goiás no Campeonato Brasileiro de 2010 a um jogador relegado ao banco de reservas, entrara bem na decisão da Copa Sul-Americana e, agora, nos pênaltis, poderia ser ainda mais importante para a história do alviverde goiano. Poderia. Se sua cobrança rasteira não parasse na trave.

Matheu fez o quarto gol do Independiente. Rafael Moura ainda diminuiu a diferença argentina, mas a cobrança do lateral Tuzzio deu o título a "El Rojo" - que se vestira de azul neste jogo de Avellaneda, para sua sorte então mudar, a ponto de ser o primeiro clube campeão da Copa Sul-Americana credenciado para disputar a Taça Libertadores da América do ano seguinte. O grande vencedor do principal campeonato da América do Sul tentará em 2011 seu oitavo título - além da busca por resgatar a tradição perdida nas últimas décadas (sua conquista mais recente na Libertadores foi em 1984).

Passada a campanha surpreendente na Copa Sul-Americana, o Goiás agora volta à amarga realidade de um time que passará 2011 disputando a Série B do Campeonato Brasileiro. Restam o ímpeto e a certeza de que a equipe batalhou até o fim para superar até mesmo a adversidade de todo ano de 2010. Mas fica a lição de que nem sempre o imponderável triunfa no futebol. E, com o título do Independiente, a sexta vaga brasileira na Taça Libertadores da América de 2011 fica para o Grêmio, quarto colocado no Campeonato Brasileiro deste ano, que fez uma campanha digna de reconhecimento dentro do campo. Mais digna do que o penúltimo lugar do Esmeraldino no Brasileirão.

*****

INDEPENDIENTE (ARG) 3 x 1 GOIÁS (nos pênaltis, Independiente 5 a 3)

Estádio: Libertadores de America (Avellaneda, Argentina)

Árbitro: Oscar Ruiz (COL) / Auxiliares: Abraham González (COL) e Humberto Clavijo (COL).

Gols: Velázquez, aos 19, Rafael Moura, aos 21 e Parra, aos 24 e aos 34 minutos do primeiro tempo.

Disputa de pênaltis: Velázquez, Parra, Gracián, Matheu e Tuzzio marcaram para o Independiente. Rafael Tolói, Éverton Santos e Rafael Moura marcaram para o Goiás. Felipe, do Goiás, desperdiçou sua cobrança.

Cartões amarelos: Tuzzio, Matheu, Velázquez, Navarro (Independiente), Otacílio Neto, Rafael Moura e Rafael Tolói (Goiás).

INDEPENDIENTE - Navarro, Tuzzio, Matheu, Velázquez e Mareque; Cabrera, Battion, Fredes (Maxi Velázquez) e Martinez (Gomez); Rodriguez (Gracián) e Parra. Técnico: Antonio Mohamed.

GOIÁS - Harlei, Rafael Tolói, Ernando e Marcão; Douglas (Éverton Santos), Amaral, Carlos Alberto, Marcelo Costa e Wellington Saci; Otacílio Neto (Felipe) e Rafael Moura. Técnico: Artur Neto.

*****

Com este texto, O tempo e o placar... chega às suas 500 postagens. Marca emocionante para quem começou o sonho de mostrar seu ponto de vista esportivo no ano passado. Muito obrigado a todos vocês!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Extremos guerreiros



Análise de jogo: Goiás 2 x 0 Independiente (ARG) (22h, Serra Dourada)

O Goiás pisou no gramado do Serra Dourada em busca de muito mais do que ultrapassar novos limites da superação internacional ,depois de um grande insucesso no Campeonato Brasileiro de 2010. Os jogadores precisavam dar uma boa resposta aos mais de 35 mil torcedores que ocuparam as arquibancadas com uma festa que teve direito ao "maior mosaico para um clube no Centro-Oeste brasileiro". Também ansiavam por responder à crítica esportiva, que além de passar a semana questionando a postura que tomaria o time goiano contra o tradicional Independiente, ainda se esforçava para entender como uma equipe tão fraca chegara à final da Copa Sul-Americana.

As respostas vieram com bastante clareza no primeiro tempo. Aos sedentos por tática, o técnico Artur Neto apresentou um 3-5-2, considerado defensivo, em especial porque o Goiás traz um trio de zaga acima da média, com Rafael Tolói, Ernando e Marcão. Mas que levou o time à frente pela maneira como o jogo se desenhou. O time argentino se fechou na defesa, amparado também pelo 3-5-2, mas disposto a gastar o tempo para deixar a torcida goiana impaciente.

Só que os torcedores esmeraldinos tiveram como resposta mais motivos para comemorar. Um zagueiro tentou rechaçar uma tentativa adversária, mas a bola explodiu no pé de Carlos Alberto. Na sobra, Rafael Moura, com oportunismo, chutou sem chance para Navarro. Goiás 1 a 0, aos 14 minutos.

Em vantagem no placar e com o adversário ainda atônito, o Goiás continuou sua pressão, capitaneada pelo meia Marcelo Costa e pela dupla Otacílio Neto e Rafael Moura, mas em alguns momentos perdeu oportunidades pela ansiedade de seus jogadores. Num destes erros, Cabrera chutou e fez com que Harlei espalmasse a bola para escanteio.

Lance isolado, em meio a um grande duelo entre o ataque do Goiás e a defesa do Independiente. O embate teve mais um momento com supremacia alviverde aos 21 minutos. Após jogada iniciada por Marcelo Costa, Douglas desceu pelo lado direito. Ao tentar um drible, o adversário conseguiu cortar, mas, no rebote, Otacílio Neto estava livre para colocar a bola novamente no fundo da rede de Navarro. 2 a 0 Goiás

Dois gols que fizeram jus a tanto apoio vindo das arquibancadas. Embora nos últimos minutos sua equipe tenha jogado na base do chutão, o Goiás teve superioridade diante de um violento e praticamente inofensivo Independiente.

O técnico Antonio Mohamed alterou a postura defensiva da equipe argentina no intervalo. O volante Godoy saiu, para a entrada do meia Pato Rodríguez. Os goianos mantiveram o ritmo do primeiro tempo nos minutos iniciais da segunda etapa.

Mas, devido aos espaços deixados para a dupla de ataque Parra e Silvera, os esmeraldinos passaram a priorizar o desejo de evitar sofrer gols. Parecia que o Goiás desconhecia o regulamento da Sul-Americana - na decisão, o critério de "gol marcado fora de casa" não existe, o saldo de gols é o único diferencial. Basta o adversário conseguir uma vitória pela mesma diferença para forçar a prorrogação (e, no caso do empate persistir, o campeão será definido após uma disputa de pênaltis).

Nem mesmo a expulsão de Silvera - após cotovelada desleal em Rafael Tolói - fez com que o alviverde goiano tivesse sede para marcar o terceiro gol. Enquanto o Independiente chegava apenas em lances de bola parada, os guerreiros alviverdes partiam para o outro extremo de suas características. Do ataque constante, sobraram cautela e muita cadência na troca de passes.

Apesar do coro da torcida começar os gritos de "mais um", o resultado parecia satisfatório também para Artur Neto. O técnico mexeu no time apenas aos 34 minutos, para trocar um atacante por outro - o cansado Otacílio Neto por Éverton Santos. Felipe, atacante que teve seu nome gritado pelos torcedores, só entrou a três minutos do fim - em lugar do meia Marcelo Costa. Àquela altura, seus companheiros estavam cansados e o Independiente resumia sua ação a não sofrer uma goleada - seu treinador também mudou o time apenas nos minutos finais, colocando Matheu e Maxi Velásquez nos lugares de Cabrera e Fredes, respectivamente).

Os fogos do Serra Dourada mostraram a explosão de um Goiás que chegou aos seus extremos em 90 minutos. O time de guerreiros apresentou uma postura ofensiva aliada a uma imensa cautela, conseguiu que sua tática defensiva ganhasse também um bom poder de ataque, e mostrou uma superioridade digna de uma vitória maiúscula, e não refletida no placar.

Apesar de estar com um futebol bem aquém de sua tradição (são sete títulos da Taça Libertadores da América, o maior vencedor da história da competição), "El Rojo" volta para a Argentina com a sensação de que seus guerreiros não tiveram um desempenho tão ruim com sua postura defensiva. Em Avellaneda, a tendência é de que o Independiente queira comandar as ofensivas da guerra. E o Goiás tem uma semana para saber qual faceta deve levar a Buenos Aires para a finalíssima da Copa Sul-Americana.

*****

GOIÁS 2 x 0 INDEPENDIENTE (ARG)

Estádio: Serra Dourada (Goiânia / GO)

Público: 35.500 pagantes. / Renda: R$ 912.940,00.

Árbitro: Carlos Torres (PAR). / Auxiliares: Nicolás Yegros (PAR) e Rodney Aquino (PAR).

Gols: Rafael Moura, aos 14, e Otacílio Neto, aos 21 minutos do primeiro tempo.

Cartões amarelos: Otacílio Neto, Carlos Alberto (Goiás), Velasquez e Galeano (Independiente).

Expulsão: Silvera (Independiente).

GOIÁS - Harlei, Rafael Tolói, Ernando e Marcão; Douglas, Carlos Alberto, Amaral, Marcelo Costa (Felipe) e Wellington Saci; Otacílio Neto (Éverton Santos) e Rafael Moura. Técnico: Artur Neto.

INDEPENDIENTE - Navarro, Velasquez, Tuzzio e Galeano; Cabrera (Matheu), Battion, Fredes (Maxi Velasquez), Godoy (Pato Rodríguez) e Mareque; Parra e Silvera. Técnico: Antonio Mohamed.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O dois a um do Pacaembu



Análise de quarta - Palmeiras 1 x 2 Goiás (21h50, Pacaembu)

O placar de 2 a 1 para a equipe visitante parece ser a tônica das grandes surpresas que cercam os estádios brasileiros. Por 2 a 1 foi a vitória do Uruguai sobre o Brasil no Maracanã, na decisão da Copa do Mundo de 1950. Também em 2 a 1 terminou a vitória do argentino Estudiantes sobre o Cruzeiro, no Mineirão, pela final da Taça Libertadores da América de 2009. E em 2010, o Pacaembu foi palco de um jogo com contornos bem próximos a estas duas partidas. Um estádio repleto de torcedores do time da casa, eufóricos com a vantagem de um resultado (no caso, bastava um empate) sobre um adversário que vinha desacreditado. Mas, depois de 90 minutos, o Goiás - time que começou a semana rebaixado para a Segunda Divisão de 2011 com uma rodada de antecedência - conquistou uma inacreditável vaga para a final da Copa Sul-Americana. Com uma vitória por 2 a 1 sobre o anfitrião Palmeiras.

Os mais de 34 mil palmeirense que foram ao Pacaembu na noite de quarta-feira levaram para a arquibancada a confiança de que a batalha mais difícil havia ficado para trás. Com o gol de Marcos Assunção que sacramentou a vitória por 1 a 0 no Serra Dourada na semana anterior, o time goiano não teria força nem técnica suficientes para superar um Palmeiras que durante a semana anunciou concentração máxima na conquista da Copa Sul-Americana (ao ponto de escalar os reservas nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro).

O panorama do primeiro tempo não diferiu muito da expectativa da torcida. O Palmeiras apresentou mais volume de jogo, cercando a área do Goiás com jogadas criadas por Tinga e Lincoln. Vieram algumas oportunidades, com Danilo e num chute de Tinga que foi desviado com os dedos por Harlei e parou na trave. Nem mesmo a ausência de oportunidades vindas dos pés de Luan e Kléber parecia suficiente para que a bola entrasse na rede.

A postura do Goiás contribuía para o domínio palmeirense. Além de um trio de zaga, a equipe apresentava muitos jogadores de qualidade duvidosa, como os laterais Douglas e Wellington Saci e o meia Marcelo Costa. No entanto, depois da pressão inicial, o Esmeraldino aos poucos foi conseguindo ameaçar o gol de Deola com sua dupla Otacílio Neto e Rafael Moura. O último acertou um belo chute que bateu no travessão do Palmeiras.

Se a bola de Rafael Moura teve como destino o travessão, aos 33 minutos o alviverde paulista teve mais pontaria. Após receber um lançamento de Edinho, Luan avançou até a área, desviou-se de um zagueiro e chutou. A bola ainda resvalou nos dedos de Harlei antes de parar no fundo da rede. Palmeiras 1 a 0.

Os palmeirenses seguiam à risca o verso do hino do clube que aparecia num mosaico - "Torcida que canta e vibra" - e faziam festa no Pacaembu. Dentro de campo, o time de Luiz Felipe Scolari demonstrava serenidade para manter a vantagem. Mas, nos acréscimos, o Goiás reencontrou-se com a possibilidade de chegar à final da Copa Sul-Americana. Primeiro, com uma cobrança de falta de Marcelo Costa que parou no travessão. A zaga rechaçou, mas Rafael Moura recuperou a bola e fez um cruzamento. A jogada terminou numa cabeçada de Carlos Alberto que desviou em Tinga antes de entrar no fundo da rede de Deola. Aos 47 minutos, Palmeiras e Goiás iam para o intervalo com o empate em 1 a 1.

Na volta para o segundo tempo, o Palmeiras sentiu. Não a alteração do treinador do Goiás, Artur Neto, que tirou o lateral-direita Douglas para colocar em campo o atacante Felipe. Mas lidou com o empate do Esmeraldino no último momento da primeira etapa como se fosse algo inesperado, inimaginável. E a sensação de que seu favoritismo estava ainda mais ameaçado (se sofresse um gol, estaria desclassificado da Copa Sul-Americana pelo critério "gol marcado fora de casa") atou os pés dos jogadores palmeirenses.

Os chutes a gol ficaram cada vez mais escassos, e quando vieram, como nos dois chutes de Kléber, saíram sem qualquer direção. Enquanto isto, os goianos se apresentavam com mais frequência, graças aos contra-ataques originados por erros palmeirenses. Por duas vezes, Otacílio Neto chutou ao gol, e obrigou Deola a fazer grande defesa.

Luiz Felipe Scolari tentou dar mais poder ofensivo à equipe, trocando o meia Lincoln pelo atacante Dinei. Mas a substituição revelou-se equivocada. Sem Lincoln, o Palmeiras perdia um pouco do seu poder de armar jogadas, e Dinei apenas se juntava a Luan e Kléber na esperança de chegarem novas oportunidades de gol.

O Palmeiras errava. E um erro foi crucial aos 38 minutos. Márcio Araújo se atrapalhou na defesa e permitiu que Marcão avançasse pela lateral. Da linha de fundo, o jogador cruzou para a área. Rafael Moura conseguiu cabecear para o lado onde estava Ernando. Livre de marcação, o zagueiro desviou a bola de cabeça para o fundo da rede. O "azarão" da noite colocava em xeque o favoritismo palmeirense, com o mesmo placar de 2 a 1 que passou por outros grandes estádios brasileiros.

Com a mudança no placar, os treinadores agiram de acordo com o contexto de cada equipe. Artur Neto tirou o atacante Otacílio Neto e reforçou o setor defensivo do Goiás, colocando em campo o volante Jonílson. Felipão trocou o meia Tinga pelo meia-atacante Ewerthon. Mas a serenidade em verde e branco agora estava do lado do time goiano, que se encolheu bem na defesa e deixou o Palmeiras ser derrotado por seu próprio desespero.

Desespero que culminou numa grande frustração para a torcida do alviverde paulista - e não só por ver a vaga para a final da Copa Sul-Americana escorrer pelos dedos. O Palmeiras termina de maneira melancólica um ano que começou com uma campanha pífia no Campeonato Paulista, teve uma eliminação lamentável na Copa do Brasil (diante do Atlético Goianiense, nos pênaltis, após desperdiçar quatro de uma série de cinco penalidades máximas) e passou bem longe do título do Campeonato Brasileiro. A ironia final pode acontecer no domingo: caso a equipe vença o Fluminense na Arena Barueri e o Corínthians derrote o Vasco no Pacaembu, os arquirrivais corintianos se aproximarão da conquista do Brasileirão de 2010.

Além da raça, da dedicação e da seriedade, a equipe do Goiás mostrou o desejo de reescrever sua história. Com a trajetória maculada por um rebaixamento para a Série B, o Esmeraldino agora cria forças para chegar a grandes sonhos dos clubes nacionais. O primeiro deles é conquistar a Copa Sul-Americana, que seria seu primeiro grande título internacional - seu adversário na decisão será o vitorioso do duelo entre o argentino Independiente e o equatoriano LDU (a LDU venceu o primeiro jogo, em Quito, por 3 a 2). O segundo é conseguir uma vaga na Taça Libertadores da América, que a Sul-Americana dará a seu campeão.

Mas o Goiás que enfrentou o Palmeiras em 24 de novembro de 2010 já ficou marcado na história. Graças a ele, o Pacaembu teve seu episódio de um time favorito ser derrubado com uma derrota por 2 a 1. E mais um estádio brasileiro se tornou pano de fundo da grande lição do futebol: favoritismos existem para serem derrubados.


*****

PALMEIRAS 1 x 2 GOIÁS

Estádio: Pacaembu (São Paulo / SP).

Público: 34.296 presentes / Renda: R$ 711.429,00.

Árbitro: Héber Roberto Lopes (BRA) / Auxiliares: Altemir Hausmann (BRA) e Alessandro Rocha (BRA).

Gols: Luan, aos 33 minutos, e Carlos Alberto, aos 47 minutos do primeiro tempo. Ernando, aos 38 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Douglas, Marcão e Carlos Alberto (Goiás).

PALMEIRAS - Deola, Márcio Araújo, Danilo, Maurício Ramos e Gabriel Silva; Edinho, Marcos Assunção, Tinga (Ewerthon) e Lincoln (Dinei); Luan e Kléber. Técnico: Luiz Felipe Scolari.

GOIÁS - Harlei, Rafael Tolói, Ernando e Marcão; Douglas (Felipe), Carlos Alberto, Amaral, Marcelo Costa e Wellington Saci; Otacílio Neto (Jonílson) e Rafael Moura. Técnico: Artur Neto.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Goleiros decisivos



Análise de jogo - Ceará 2 x 2 Flamengo (Castelão, 22h)

Diante do equilíbrio do futebol que apresentaram no duelo do Castelão, a partida entre Ceará e Flamengo terminar empatada não seria um resultado tão surpreendente. A surpresa para o torcedor foi ver os goleiros dos dois times terem falhas decisivas, que impossibilitaram que um deles saísse vitorioso do confronto.

O primeiro a falhar foi Michel Alves. Depois de escanteio cobrado por Renato Abreu, o goleiro do Ceará tentou segurar a bola, mas ela escapou de suas mãos. Na sobra, em meio a uma confusão na área, Wellinton chutou rasteiro, para o fundo da rede. Flamengo 1 a 0, aos dois minutos.

O Ceará, que entrou em campo contando com o trunfo de ter uma equipe bem organizada, se perdeu em muitos erros de passes e na atuação apagada de seu camisa 10 - o meia Geraldo. Tanto que o alvinegro cearense (que vestiu seus jogadores com seu terceiro uniforme, em listras azuis e pretas) demorou a aproveitar as deficiências do esquema do Flamengo. Novamente, Vanderlei Luxemburgo apostara no seu ataque 3D, formado por Diogo, Diego Maurício e Deivid. Mas todos eles estavam muito avançados, e ficavam à mercê de jogadas que vinham do meio-de-campo.

Aos poucos, o Vovô foi deixando para trás o abalo pelo gol sofrido (e por outras falhas de Michel Alves que quase aumentaram a desvantagem no placar) e passou a ter organização suficiente para fazer Williams e Corrêa se desdobrarem na marcação, e para forçar os laterais Léo Moura e Juan a ficarem na defesa. Vieram boas oportunidades, uma com Washington que Marcelo Lomba defendeu, e um chute rasteiro de Magno Alves que parou na trave.

Se o empate estava difícil de vir dos pés de seus próprios jogadores, era a vez do goleiro adversário falhar na partida. Depois de um cruzamento de Boiadeiro, Marcelo Lomba saiu mal, trombou com Wellinton e permitiu que a bola sobrasse para Magno Alves. O atacante deu um chutaço, que empatou em 1 a 1 o duelo no Castelão aos 27.

O panorama não mudou tanto. Um Flamengo perdido, sem capacidade de se lançar ao ataque, enquanto o Ceará crescia no jogo, graças às boas atuações do lateral Boiadeiro, do meia Geraldo e do atacante Magno Alves. Entretanto, o Vovô não ostenta a desonra de ser o pior ataque do Campeonato Brasileiro à toa. Apesar do maior volume de jogo, poucas vezes a bola chegou com perigo para Marcelo Lomba, e o resultado não mudou até o fim da primeira etapa.

Na volta para o segundo tempo, Luxemburgo surpreendeu por sua persistência. O técnico, que na maioria das partidas que o Flamengo jogava mal no primeiro tempo fazia alterações no intervalo, não mexeu na equipe. Somente 17 minutos depois é que ele decidiu reorganizar o time. Diego Maurício deu lugar ao meia Marquinhos, que recompôs o meio-de-campo. Diogo, que não fizera a função de jogar mais recuado e tabelar com Renato Abreu, foi trocado por Val Baiano, que atuaria dentro da área, enquanto Deivid jogaria como segundo atacante, pelas pontas. Em resposta, o treinador Dimas Filgueiras também fez uma mudança no ataque - Marcelo Nicácio substituiu Washington.

Entretanto, nem mesmo as mudanças foram capazes de fazer os homens de frente de Ceará e Flamengo serem decisivos. Foi preciso novamente um zagueiro para deixar uma das equipes em vantagem. No rebote de um escanteio, Renato Abreu cruzou na direita. Entre os zagueiros do Vovô, o cearense Ronaldo Angelim (que teve destaque em sua terra natal atuando pelo arquirrival do Ceará, o Fortaleza), desviou de cabeça. A bola parou no fundo da rede de Michel Alves. 2 a 1 Flamengo, aos 22 minutos.

Estar a frente no marcador deixou o rubro-negro carioca ainda mais disposto para se lançar ao ataque. O Flamengo apresentava boa posse de bola e criava oportunidades que a zaga do Ceará rechaçava a qualquer custo. Só que Vanderlei Luxemburgo acabou traído pelo desejo maior de segurar o resultado e confiar no meio-de-campo. Na sua última substituição, o atacante Deivid saiu para a entrada do volante Fernando.

Num primeiro momento, a troca não parecia ter influído no estilo de jogo flamenguista. As chances continuaram, como num cruzamento no qual Val Baiano não chegou a tempo, e numa boa oportunidade com Fernando. Após cobrança de escanteio, o volante cabeceou, a bola passou por Michel Alves, mas Eusébio salvou em cima da linha. No entanto, com o passar dos minutos, o Flamengo foi cedendo campo ao Ceará. Até que Marcelo Lomba voltou a ceder uma chance ao adversário. Boiadeiro chutou cruzado, e o goleiro rubro-negro espalmou para o meio da área. Na sobra, Magno Alves fez seu segundo gol no jogo. 2 a 2, aos 36 minutos.

Dimas Filgueiras fez uma alteração por cansaço, tirando Geraldo para colocar Wellington Amorim, e nos minutos finais deu ar ao seu setor defensivo, trocando Heleno por Reina. Mas a defesa quase traiu o Ceará. Nos acréscimos, a zaga permitiu que Corrêa entrasse livre na área. O volante deu um drible a mais e um zagueiro evitou parcialmente o chute. Eusébio impediu que a bola saísse em escanteio, mas ao rechaçar, acertou um adversário. Na sobra, Fabrício errou o chute, e deu a Renato Abreu a oportunidade da vitória - desperdiçada pelo camisa 11 com uma bomba, à esquerda do gol de Michel Alves.

Mesmo sendo mandante do jogo, o empate se tornou um resultado satisfatório para o Ceará, pelo contexto da partida. A equipe foi não se deixou abater com o gol sofrido no início (vindo de uma falha de seu goleiro), mostrou poder de se organizar bem e encontrou no veterano Magno Alves uma boa esperança para que a bola entrasse na rede com mais frequência. Segundo os matemáticos, o time ainda não está completamente salvo do risco de cair para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro - está a um ponto dos 45 que supostamente evitam que um clube caia na degola. Mas o desempenho e a luta apresentados no Castelão revelam que seus jogadores têm força para superar adversidades.

O dissabor do Flamengo não fica restrito a ver dois pontos escaparem depois de ficar por duas vezes na frente do placar. O motivo de lamento começa no gol - com as infelicidades de Marcelo Lomba durante o jogo (embora ele tenha crédito por grandes atuações durante o Brasileirão) - passa pelas limitações de um meio-de-campo que novamente se desencontrou quando o técnico tentou uma tática mais ofensiva, e chega ao ataque. Além do insucesso no esquema 4-3-3, é preocupante ver vestindo a camisa rubro-negra um trio ofensivo - além de um outro atacante que entrou no decorrer da partida - que não consegue dar um chute sequer durante 90 minutos.

O clube chegou aos 40 pontos e, devido aos resultados dos adversários que brigam para não cair, agora está na confortável situação de estar a cinco pontos da zona de rebaixamento. Só que, depois de ver no confronto com o Ceará um atleta que foi crucial para impedir os três pontos (e fez o time alcançar seu décimo-sexto empate, sendo o terceiro consecutivo), precisa agora fazer com que seus jogadores sejam capazes de levar o time ao caminho das vitórias.


*****

CEARÁ 2 x 2 FLAMENGO

Estádio: Castelão (Fortaleza / CE)

Árbitro: Paulo César Oliveira (FIFA-SP) / Auxiliares: Marcos Eustáquio (FIFA-MG) e Anderson José de Morais (SP).

Gols: Wellinton, aos dois, e Magno Alves, aos 27 minutos do primeiro tempo. Ronaldo Angelim, aos 22, e Magno Alves, aos 36 minutos do segundo tempo.


Cartões amarelos: Geraldo (Ceará) e Williams (Flamengo).

CEARÁ - Michel Alves, Boiadeiro, Diego Sacoman, Fabrício e Eusébio; Michel, Heleno (Reina, 43/2ºT), João Marcos e Geraldo (Welington Amorim, 37'/2ºT); Magno Alves e Washington (Marcelo Nicácio, 18'/2ºT). Técnico: Dimas Filgueiras.

FLAMENGO - Marcelo Lomba, Léo Moura, Welinton, Ronaldo Angelim e Juan; Willians, Corrêa e Renato Abreu; Diogo (Val Baiano, 17'/2ºT), Diego Maurício (Marquinhos, 17', 2ºT) e Deivid (Fernando, 30'/2ºT). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Perdas e danos



Análise de quarta - Atlético Paranaense 0 x 0 Vasco (21h50, Arena da Baixada)

Atlético Paranaense e Vasco entraram em campo completamente diferentes do que suas torcidas, seus treinadores e suas diretorias definem como "força máxima". Foram tantas ausências que, depois de 90 minutos, até o gol resolveu se ausentar da Arena da Baixada.

O rubro-negro paranaense começou a semana sem treinador, depois que Paulo César Carpegiani aceitou proposta para assumir o São Paulo. Em seu lugar, a diretoria contratou Sérgio Soares, comandante do Santo André no Campeonato Paulista deste ano. Durante a semana, o Atlético perdeu para a partida contra o Vasco o goleiro Neto, convocado para a Seleção Brasileira, o atacante Guerrón, servindo a seleção do Equador, o atacante Bruno Mineiro, suspenso pelo terceiro cartão amarelo, e, de última hora, o meia Branquinho foi vetado, devido a uma contusão.

Além da barração de Titi (que teve atuações desastrosas nas últimas três partidas, e perdeu a vaga de titular para Cesinha), o Vasco novamente não teve a presença de boa parte de sua equipe. O lateral-esquerda Ramon, o volante Nílton e os meias Felipe e Carlos Alberto seguem no Departamento Médico do clube, com previsões de volta aos gramados bem distantes. O técnico Paulo César Gusmão também não estava presente, pois cumpria punição de uma partida pela expulsão no jogo contra o Internacional, no Beira-Rio. Na beira do gramado, seu auxiliar Acácio comandou o time vascaíno.

A falta de qualidade ofensiva de ambos os lados teve efeitos opostos nas equipes. O mandante Atlético arriscava jogadas ofensivas, mas elas pouco chegavam na área. O único lampejo foi aos sete minutos, quando González cruzou e Nieto desviou de cabeça, com a bola chegando perto do gol vascaíno. Entretanto, depois que a marcação sobre Paulo Baier ficou mais intensa, o Furacão foi vendo suas oportunidades cada vez mais escassas - em especial porque o veloz Maikon Leite preferiu atuar somente pelo lado esquerdo. Sobravam apenas as jogadas de bola parada, nas cobranças perigosas de Baier.

Inicialmente, o Vasco se postou na defesa. Mas, com o tempo, os erros de passe atleticanos aconteciam, e o time vascaíno conseguiu equilibrar a partida - apesar da nova baixa que teve na equipe. Aos 24 minutos, o lateral-esquerda Max saiu contundido, e deu lugar a Ernani. As tentativas vinham sempre pela correria, através da velocidade do lateral-direita Fagner e do atacante Éder Luís. Só que, novamente, o time padecia com seus deslizes ofensivos: a má pontaria de Zé Roberto (que, aos 12 minutos, perdeu chance clara após driblar dois defensores adversários) e, em especial, a completa falta de qualidade do centroavante Rafael Coelho.

Numa partida tão equilibrada pelas limitações dos dois times, os momentos de desequilíbrio foram proporcionados pelo gramado. A Arena da Baixada foi palco de muitos escorregões de ambos os lados. Ao fim do primeiro tempo, tudo parecia condizente com a queda de rendimento do futebol de Atlético Paranaense e Vasco.

O Atlético voltou para a segunda etapa com mais volume de jogo, mas se ressentia muito das ausências de Branquinho e Guerrón. Sem o meia, e com Paulo Baier bem marcado, restava a González alçar bolas em busca da eficiência do centroavante Nieto. A zaga adversária, formada por Dedé e Cesinha, transmitia segurança quando a tentativa vinha através da troca de passes. O Vasco se segurava na defesa, e, depois de Rafael Coelho ser substituído pelo meia Allan, a equipe evoluiu muito na busca pelos contra-ataques. Num deles, Fellipe Bastos emendou um chute de fora da área, bem defendido por João Carlos.

Com o passar do tempo, os vascaínos se restringiram a atuar somente neutralizando os lances ofensivos do adversário. Sérgio Soares ainda tentou dar sangue novo ao ataque, trocando Maikon Leite por Thiago. Mas, como a bola não chegava na frente, ele preferiu mesmo usar nos cruzamentos para a área - primeiro, trocando o volante Deivid pelo lateral-direita Wagner Diniz, e, nos últimos minutos, tirando o lateral-direita Élder Granja para colocar em campo o atacante Marcelo.

As duas chances vieram mesmo com o zagueiro Rodolpho, que apareceu com destaque na frente atleticana, e quase marcou tanto num belo chute defendido por Fernando Prass e quanto numa cabeçada que passou perto do travessão. Acácio decidiu trocar o exausto Éder Luís pelo atacante Nunes. Por ser um jogador de área, o camisa 9 vascaíno evitou que Rodolpho continuasse a avançar com perigo. Coube ao centroavante Nieto sacramentar o empate em 0 a 0. Num cruzamento de Paulo Baier, o jogador, livre de marcação, cabeceou para fora.

Ao fim da partida, as perdas não ficaram apenas nos dois pontos que escaparam para as equipes. O Atlético Paranaense novamente desperdiçou a oportunidade de chegar ao quarto lugar do Campeonato Brasileiro - beneficiado pela derrota do Internacional, por 1 a 0 para o Ceará, no Castelão. O rubro-negro ainda fica à espera de que a Confederação Brasileira de Futebol consiga que a Conmembol abra novamente a quarta vaga do Brasileirão para um clube brasileiro. Assim, fica mais perto o sonho de chegar à Taça Libertadores da América em 2011.

Embora o empate fora de casa (no contexto da pressão que sofreu da torcida e do time atleticano) não seja mau resultado, o Vasco caiu uma posição, em virtude da vitória por 2 a 0 do São Paulo sobre o Vitória da Bahia. Sem contar que, por chegar a seu décimo-terceiro empate na competição, há algum tempo empatar não tem sido um resultado tão relevante para a equipe vascaína. O que comprova que as perdas para o Departamento Médico têm contribuído para gerar tantos danos em sua campanha no Campeonato Brasileiro.

*****

ATLÉTICO PARANAENSE 0 x 0 VASCO

Local: Arena da Baixada (Curitiba / PR)

Árbitro: Paulo César de Oliveira (SP-FIFA) / Auxiliares: Ednilson Corona (SP-FIFA) e Emerson Augusto de Carvalho (SP-FIFA)

Cartões amarelos: Paulo Baier (Atlético/PR), Fagner e Éder Luís (Vasco).

ATLÉTICO PARANAENSE - João Carlos, Elder Granja (Marcelo 42'/2ºT), Manoel, Rhodolfo e Paulinho; Deivid (Wagner Diniz 34'/2ºT), Chico, Paulo Baier e González; Maikon Leite (Thiago 26'/2ºT) e Nieto. Técnico: Sérgio Soares.

VASCO - Fernando Prass, Fagner, Dedé, Cesinha e Max (Ernani 24'/1ºT)); Rafael Carioca, Jumar, Fellipe Bastos e Zé Roberto; Éder Luis (Nunes 39'/2ºT) e Rafael Coelho (Allan 11'/2ºT). Técnico: Paulo César Gusmão.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Múltiplas derrotas



Análise de quarta - Corínthians 1 x 1 Botafogo (22h, Pacaembu)

Um ponto para cada lado. A igualdade que, ao mesmo tempo, consola duas equipes que mediram forças no gramado e retira pontos pela incapacidade de um vencedor surgir após 90 minutos, veio com sabor de derrota não só para Corínthians e Botafogo, que viram seus objetivos ainda mais distantes, mas também para o espetáculo que se desenhou no Pacaembu.

Os dois alvinegros buscaram esquemas bastante ofensivos. E o mais rápido a aparecer na partida foi o Corínthians. Com a tática 4-3-1-2, a equipe de Adilson Batista marcava com o trio de volantes Ralf, Elias e Jucilei (com os dois últimos tendo liberdade para sair jogando) e, através do meia de ligação Bruno César, apostava na velocidade de Jorge Henrique e no oportunismo de Iarley. Só que a estratégia corintiana se revelou bem mais traiçoeira, pois num de seus primeiros lances, Bruno César recebeu passe na grande área e acertou um chute no ângulo. A bola parou no fundo da rede de Jefferson. 1 a 0 Corínthians, aos dois minutos.

Apesar da desvantagem no placar, o Botafogo demonstrou tranquilidade para tentar o gol de empate. Lúcio Flávio parecia ter mais demonstração para jogar, e conseguia distribuir com inteligência as jogadas - aproveitando os erros do corintiano Alessandro para lançar Herrera. As subidas de Marcelo Cordeiro também se intensificaram porque o Alessandro botafoguense se resumia a marcar as descidas de Roberto Carlos e Jorge Henrique. Numa delas, Loco Abreu conseguiu um chute frontal ao gol, mas a bola parou no travessão.

Com o passar da primeira etapa, a zaga botafoguense conseguiu se acertar, e, ao neutralizar os ataques corintianos, possibilitou vários contra-ataques. Num deles, Herrera cruzou, e Loco Abreu, de cabeça, aproveitou falha de Alessandro para colocar a bola no fundo da rede de Júlio César. 1 a 1, aos 26. Mas o Corínthians agia como derrotado em campo, incapaz de conseguir se desvencilhar da marcação do Botafogo. Seu único bom momento no restante do primeiro tempo foi uma cabeçada de Iarley, que tocou na trave.

No segundo tempo, Ralf, contundido, foi substituído por Paulinho. E o Corínthians passou a levar a pior na marcação. Os botafoguenses cresceram na partida, e chegaram ao gol aos quatro minutos, quando Marcelo Cordeiro deu passe que Herrera desviou. No entanto, o gol foi equivocadamente anulado por impedimento. Mais uma derrota da arbitragem, que interferiu diretamente no resultado da partida e prejudicou o Botafogo - além deste lance se tornar mais uma das muitas polêmicas de arbitragem que supostamente favoreceram os corintianos no Campeonato Brasileiro de 2010.

Os botafoguenses continuaram a pressionar (e tiveram uma chance com Herrera, numa cabeçada defendida por Júlio César), mas sofreram uma nova derrota. Desta vez, internamente. Joel Santana decidiu tirar o atacante Herrera para colocar o meia Renato Cajá. Além da equipe ficar menos perigosa ofensivamente, o reserva entrou muito mal na partida, e ajudou a permitir que o Corínthians chegasse com perigo à sua área. Vieram oportunidades com Jucilei, Jorge Henrique e, na mais clara de todas, Paulinho chutou rasteiro, Jefferson defendeu parcialmente, a bola ia entrando mas Leandro Guerreiro salvou quase em cima da linha. O treinador do Botafogo tentou compensar seu erro, voltando ao 3-5-2 original - Lúcio Flávio saiu para a entrada de Caio.

Os corintianos pressionavam, mas, depois de verem seu lateral-esquerda Roberto Carlos (que, vencido pelo cansaço, foi trocado por Danilo), também tiveram uma derrota vindo das mãos de seu treinador. Ao tirar de campo o atacante Iarley, Adilson Batista optou por escalar o meia-atacante Defederico, que tem como característica a velocidade. Com Jorge Henrique e Defederico, o Corínthians abusou dos cruzamentos na área, mas sem nenhum homem fixo na área.

Mesmo com tanta pressão, a equipe paulista via suas chances diluídas em cruzamentos errados e chutes sem qualquer força ou direção. Tanto que o Botafogo teve as duas últimas oportunidades de vitória aos seus pés. Nas duas, o time carioca foi derrotado pela ansiedade. Após Somália dar uma arrancada do meio-de-campo, em vez de optar entre passar para Loco Abreu na direita ou servir Renato Cajá, que descia livre na esquerda, ele preferiu arriscar o chute. A bola saiu fraca, e foi defendida facilmente por Júlio César.

No minuto seguinte, Loco Abreu lançou Caio. O atacante passou pelo goleiro, cortou para o meio e, ao perceber que vinha a marcação corintiana, nem ergueu a cabeça para saber qual era a melhor opção de chute. Arriscou um gol por cobertura, e a bola saiu alta, distante das traves que Júlio César defendia.

Devido à vitória por 1 a 0 do Fluminense sobre o Avaí em Volta Redonda, o Corínthians agora vê o tricolor carioca três pontos à sua frente na busca pelo título. Além do restante do Campeonato Brasileiro, os três pontos no jogo do primeiro turno que falta cumprir - contra o Vasco, dia 13 de outubro, em São Januário - se tornaram ainda mais importantes para os corintianos.

O Botafogo, que viu sua luta se tornar ainda mais intensa depois que a Conmembol decidiu que o Campeonato Brasileiro levará apenas três clubes para a Taça Libertadores da América de 2011, se distanciou ainda mais do terceiro colocado. Com a vitória por 3 a 0 sobre o Atlético Goianiense em Sete Lagoas, o Cruzeiro agora tem seis pontos a mais. E os botafoguenses estão no sexto lugar, porque perdem nos critérios de desempate para Internacional e Atlético Paranaense (todos têm 41 pontos).

Do jogo do Pacaembu, restaram as derrotas proporcionadas diretamente por erros táticos de Adilson Batista e Joel Santana, mas também ressaltaram as inoperâncias com as quais ambas as equipes ainda convivem. Assim como o futebol brasileiro ainda convive com as falhas grotescas da arbitragem, que seguem interferindo nos resultados dos jogos. Mas esta derrota parece bem mais corriqueira do que as de Corínthians e Botafogo.

*****
CORÍNTHIANS 1 x 1 BOTAFOGO

Estádio: Pacaembu (São Paulo)

Público: 24.001 pagantes / Renda: R$ 770.449,50

Árbitro: Leandro Pedro Vuaden (FIFA-RS) / Auxiliares: Alessandro Álvaro Rocha de Mattos (FIFA-BA) e Erich Bandeira (FIFA-PE)

Gols: Bruno César, aos dois, e Loco Abreu, aos 28 minutos do primeiro tempo.

Cartões amarelos: Elias (Corínthians), Fahel, Lúcio Flávio, Herrera e Antônio Carlos (Botafogo).

CORÍNTHIANS - Júlio César, Alessandro, William, Thiago Heleno e Roberto Carlos (28'/2ºT - Danilo); Ralf (Intervalo - Paulinho), Jucilei, Elias e Bruno César; Jorge Henrique e Iarley (35'/2ºT - Defederico). Técnico: Adilson Batista.

BOTAFOGO - Jefferson, Antônio Carlos (46'/2ºT - Danny Morais), Leandro Guerreiro e Fábio Ferreira; Alessandro, Fahel, Somália, Lucio Flavio (31'/2ºT - Caio) e Marcelo Cordeiro; Herrera (19'/2ºT - Renato Cajá) e Loco Abreu. Técnico: Joel Santana.

*****

O tempo e o placar... apresenta o que houve de melhor e de pior na rodada do Brasileirão.

O CHUTAÇO

Após um primeiro turno vexatório, o GRÊMIO vem fazendo a melhor campanha do segundo turno, numa sequência de boas atuações sob o comando de Renato Gaúcho. A vitória por 4 a 2 sobre o São Paulo mostra também o poder de ataque - em especial de Jonas, o atual artilheiro do Campeonato Brasileiro.

A FURADA

A declaração infeliz e fora de hora do treinador SILAS transformou o período conturbado do Flamengo na competição numa turbulência ainda maior. Em vez de tentar se isentar com a afirmação de que não faz gol contra e nem chuta a gol, o técnico deveria pensar no grupo flamenguista para tentar tirá-lo da beira do rebaixamento.

*****

RESULTADOS - RODADA 26

Terça-feira

21h

Vasco 3 x 1 Santos (São Januário)
Goiás 1 x 1 Flamengo (Serra Dourada)

Quarta-feira

19h30

Grêmio Prudente 4 x 2 Guarani (Prudentão)
Atlético Paranaense 1 x 0 Vitória da Bahia (Arena da Baixada)
Cruzeiro 3 x 0 Atlético Goianiense (Arena do Jacaré)
Palmeiras 2 x 0 Internacional (Arena Barueri)

21h

Fluminense 1 x 0 Avaí (Raulino de Oliveira)

22h

Corínthians 1 x 1 Botafogo (Pacaembu)
Ceará 0 x 0 Atlético Mineiro (Castelão)
Grêmio 4 x 2 São Paulo (Olímpico)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

À margem do desequilíbrio



Análise de jogo - Vasco 2 x 2 Botafogo
(21h, Engenhão)

Num clássico tradicionalíssimo do futebol, é o imprevisível que fala mais alto para que uma das equipes se sobressaia. Entretanto, Vasco e Botafogo passaram os 90 minutos do duelo no Engenhão fugindo deste desequilíbrio. Tudo pareceu calculado milimetricamente para que os dois não corressem muitos riscos durante a partida. Com tantas situações previsíveis, restou um empate, que não adianta muita coisa para vascaínos e botafoguenses na trajetória do Campeonato Brasileiro.

Do lado do Botafogo, Joel Santana manteve a tática de montar um esquema defensivo e à espera do adversário no primeiro tempo, para que na reta final viessem mudanças capazes de deixar o time mais ofensivo e veloz, nos pés de jogadores descansados. Entretanto, a equipe alvinegra passou os primeiros minutos completamente envolvida pelo Vasco. O time parecia desarrumado em campo, e dava muitas brechas principalmente no lado esquerdo. Por este setor, os vascaínos chegavam com facilidade, graças à velocidade de Ramón e de Éder Luís na armação de jogadas. Numa delas, a bola sobrou para Rafael Coelho que, diante de Jefferson, perdeu uma oportunidade clara logo no início.

Os botafoguenses pareciam negligentes nos passes e, num erro de Antônio Carlos na saída de bola, Zé Roberto conseguiu recuperar e tocar para Fellipe Bastos. O meia lançou Ramón, que cortou para o meio e jogou na área. A bola desviou na zaga e entrou à direita do goleiro Jefferson. Vasco 1 a 0, aos 13 minutos.

O clássico prometia sofrer uma alteração drástica quatro minutos depois, quando o zagueiro Antônio Carlos saiu machucado. Mas, em vez do praxe de trocar um zagueiro por outro, Joel Santana decidiu fazer uma alteração imprevisível. Claro, com uma boa dose de previsibilidade. Como sempre, o primeiro jogador do banco de reservas a entrar em campo foi o atacante Caio. Só que a entrada do "talismã" não mudou as coisas no ataque alvinegro. Em vez da equipe se recompor num 4-4-2, o técnico preferiu alternar entre Leandro Guerreiro, Fahel e Alessandro no papel de terceiro zagueiro - Caio de vez em quando desempenhava o papel de ala. E pelo lado direito do adversário, o Vasco encontrou outras oportunidades que passaram próximas do gol de Jefferson.

Quando o Botafogo começava a se ajeitar na frente - e, finalmente, Maicosuel e Caio se aproximavam de Loco Abreu - aos 32 minutos o time sofreu outra baixa. Maicosuel sentiu um problema no joelho, e teve de ser substituído pelo atacante Herrera. Minutos depois, a saída vascaína novamente foi pela direita alvinegra. Caio perdeu bola no meio-de-campo e Nílton lançou Éder Luís. O camisa 7 correu para o meio, passou por dois zagueiros e chutou da entrada da área. 2 a 0 Vasco, aos 35. E, como é comum em todo jogo do time, na saída do intervalo a torcida botafoguense gritou: "Joel, tira o Fahel".

Mas quem voltou com mudança no intervalo foi o Vasco. Paulo César Gusmão mais uma vez tirou de campo Rafael Coelho (que novamente foi decisivo para atrapalhar os vascaínos a conseguirem uma vitória mais elástica no primeiro tempo), para colocar em campo Carlos Alberto. Entra e sai técnico, e sempre os comandantes do time de São Januário caem no mesmo erro: Carlos Alberto tem características ofensivas, mas não é um artilheiro nato e não sabe jogar fixo na área. Nem é atacante.

O time ficou exposto e ainda viu os mesmos erros acontecerem durante a segunda etapa. O primeiro deles foi com Fernando Prass. Novamente, o goleiro falhou em sua saída de gol. Com um soco errado, a bola sobrou para Herrera. O atacante argentino deu uma cabeçada que encobriu o camisa 1 vascaíno e jogou a bola no fundo da rede, diminuindo para 2 a 1 aos 10 minutos.

As falhas previsíveis pareciam ter mudado para o Vasco, e o Botafogo partia em busca do empate - em especial depois que Edno entrou no lugar de Renato Cajá. Só que ainda havia um jogador disposto a repetir seu erro. Depois de duas faltas desleais de ataque, Herrera recebeu dois cartões amarelos, e saiu de campo expulso aos 18 minutos. A equipe de Joel Santana sentiu o baque e novamente o Vasco tomou conta do jogo, conseguindo várias oportunidades, que continuaram mesmo depois que Zé Roberto saiu para a entrada de Felipe. No entanto, o estigma continuou a fazer parte da rotina vascaína. Belas trocas de passe, várias chances claras e... Nenhuma na rede. A melhor oportunidade foi desperdiçada por Carlos Alberto, que diante de Jefferson chutou mal.

E o Vasco foi desequilibrando seu futebol. Num primeiro momento, na infeliz alteração de Paulo César Gusmão, que na hora de substituir o cansado Éder Luís, preferiu colocar em campo Nunes, centroavante fixo e totalmente fora de forma. A seis minutos do fim, Ramón sentiu uma contusão no joelho e teve de sair do gramado, deixando a equipe com os mesmos 10 jogadores que o Botafogo.

Os vascaínos optaram por apenas jogar de maneira defensiva. E mais uma vez caíram num erro que impediria sua vitória. Num cruzamento, o zagueiro Titi desviou a bola com o braço para evitar que ela chegasse a Loco Abreu. O árbitro marcou pênalti, corretamente. Loco Abreu cobrou no cantinho e, aos 47 minutos do segundo tempo, sacramentou o empate. O décimo-segundo empate em 23 jogos do Vasco na competição.

Passada a euforia do pós-Copa, na qual conseguiu sair da zona de rebaixamento e por pouco não brigou pelas primeiras colocações, o Vasco agora vai se dando conta das limitações que tornam o empate um resultado cada vez mais previsível na campanha vascaína. A esperança de qualidade não é satisfeita somente com Carlos Alberto. Faltam em São Januário pelo menos um zagueiro menos instável que Titi para fazer companhia a Dedé, e um atacante que saiba fazer gols. Além de um elenco mais convincente.

Para o Botafogo, o empate foi amenizado pela derrota do Internacional para o Atlético Paranaense, por 1 a 0 na Arena da Baixada. Graças ao tropeço colorado, o time de General Severiano está na quarta colocação, com 39 pontos. No entanto, depois que Joel Santana conseguiu abandonar alguns estigmas que acompanharam sua carreira - ser um treinador retranqueiro, com padrão de jogo bom apenas para vencer campeonatos estaduais - agora é a hora de ele abandonar esta ânsia por ser ofensivo sem medir os riscos. Aos poucos, o desequilíbrio, que foi eficaz nas rodadas anteriores, vem tornando o alvinegro bastante previsível dentro do gramado.


******

VASCO 2 x 2 BOTAFOGO

Estádio: Engenhão (Rio de Janeiro / RJ)

Árbitro: Felipe Gomes da Silva (RJ) / Auxiliares: Dibert Pedrosa Moises (Fifa-RJ) e Luiz Muniz de Oliveira (RJ)

Renda/público: R$ 347.545,00 / 14.248 pagantes

Cartões amarelos: Zé Roberto, Ramón, Fellipe Bastos, Nunes (Vasco), Danny Morais, Alessandro e Loco Abreu (Botafogo)

Expulsão: Herrera

GOLS: Ramón aos 13 e Éder Luis aos 35 minutos do primeiro tempo. Herrera, aos 10, e Loco Abreu (de pênalti) aos 46 minutos do segundo tempo.

VASCO: Fernando Prass, Fagner, Dedé, Titi e Ramón; Rafael Carioca, Nilton, Felipe Bastos e Zé Roberto (Felipe, 20'/2ºT); Rafael Coelho (Carlos Alberto, intervalo) e Éder Luis (Nunes, 34'/2ºT). Técnico: Paulo César Gusmão.

BOTAFOGO: Jefferson, Danny Morais, Antônio Carlos (Caio, 17'/1ºT) e Fábio Ferreira; Alessandro, Leandro Guerreiro, Fahel e Renato Cajá (Edno, 16'/2ºT), Maicosuel (Herrera, 32'/1ºT) e Somália; Loco Abreu. Técnico: Joel Santana.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Jogo dos ausentes



Análise de quarta - Goiás 4 x 1 Botafogo (19h30, Serra Dourada)

O bom momento no Campeonato Brasileiro e as opções que Joel Santana tem na parte ofensiva eram razões suficientes para que o Botafogo entrasse como favorito, mesmo com o Goiás jogando no Serra Dourada. Mas o torcedor alvinegro não contava com a possibilidade de que as ausências não seriam apenas no papel. A ausência permaneceu em campo, e prejudicou a oportunidade dos botafoguenses tentarem a vice-liderança no Campeonato Brasileiro nesta rodada.

O ala esquerdo Marcelo Cordeiro, os meias Somália e Marcelo Mattos e os atacantes Herrera e Jóbson eram os desfalques iniciais. Em seus lugares, Joel Santana improvisou o meia-atacante Edno na ala, e compôs o meio com Fahel, Lúcio Flávio e Renato Cajá. Maicosuel foi escalado para atuar mais adiantado, com a função de municiar Loco Abreu. Um esquema de contra-ataques, típico de outras partidas bem-sucedidas (em especial nas quais o Botafogo atuou como visitante).

Mas que a capital goiana comprovou que só funciona com bons jogadores em campo. Com o bisonho Fahel, o razoável Renato Cajá e o fraquíssimo Lúcio Flávio, o Botafogo se perdia no meio-de-campo. O improviso de Edno na ala deixou o lado esquerdo perdido, pois ele e Renato Cajá se atrapalhavam nas tentativas de ataque, e Maicosuel tinha de se aproximar do meio-de-campo. Quando a bola chegava à área esmeraldina, Loco Abreu já estava bem marcado.

Enquanto os botafoguenses se desdobravam para jogar por seus companheiros ausentes, o Goiás recebia na noite um ótimo presente: a confirmação de que o atacante Felipe vai continuar no clube até o final do Campeonato Brasileiro (depois de tentativa frustrada de transferência para o futebol europeu). Do pé dele veio um bom passe para Rafael Moura. Leandro Guerreiro cortou parcialmente, e Wellington Monteiro conseguiu chutar na sobra. A bola bateu em Fahel e enganou Jefferson. 1 a 0 Goiás, aos 15 minutos.

Com maior número de torcedores no Serra Dourada do que o Goiás (que sofre com o calvário de estar na zona de rebaixamento em um conturbado ano político dentro do clube), o Botafogo aumentou sua pressão, mas continuou caindo nos mesmos vícios do meio-de-campo. Em especial porque as jogadas incisivas de ataque se resumiam a bolas na área para o desvio de cabeça de Loco Abreu. A pressão era mesmo do time esmeraldino. Aos 31 minutos, Wellington Monteiro chutou de fora da área. Jefferson espalmou, a bola bateu na trave e sobrou para Rafael Moura marcar, de cabeça. Goiás 2 a 0.

O Botafogo pagava pelo preço de demorar a se ajeitar no meio-de-campo. Quando conseguiu certa melhora, achou seu gol, em arrancada de Edno que terminou com cruzamento na área para Loco Abreu. O uruguaio desviou, Harlei chegou a tocar na bola, mas ela acabou no fundo da rede. A dois minutos do fim do tempo regulamentar, o time alvinegro diminuía para 2 a 1 e levava motivação para o intervalo.

A motivação se materializava em quatro letras: Caio. O "talismã" de Joel Santana voltou para o intervalo, em lugar de Lúcio Flávio. O treinador trocava a cadência pela velocidade, e corrigia o erro de escalar Edno na ala. O técnico Jorginho armou a equipe defensivamente, apostando em Bernardo e Felipe nos contra-ataques, mas a bola pouco chegava aos dois.

O Botafogo pressionou até a metade da segunda etapa, e viu suas melhores chances (numa cabeçada de Loco Abreu e num chute de Alessandro) pararem nas mãos de Harlei. Mas o cansaço começou a dominar a equipe, e neste momento Joel Santana sentiu ainda mais as ausências de seus jogadores. No lugar dos inoperantes Fahel e Renato Cajá entraram o limitadíssimo Túlio Souza e o menino Bruno Thiago.

Com isto, a partida ficou mais morna, e o Goiás aos poucos foi iniciando jogadas ofensivas. Numa delas, Rafael Moura recebeu na frente de Jefferson, mas teve sua cabeça chutada por Alessandro dentro da área. Pênalti. O próprio Rafael Moura cobrou, e a bola bateu na trave antes de entrar. 3 a 1 Goiás, aos 36. Entregue, o time botafoguense ainda levou mais um gol aos 46 minutos, quando Felipe chutou, Jefferson defendeu, a bola tocou no travessão e sobrou para Bernardo marcar.

Apesar de ainda estar na zona de rebaixamento, o Goiás já dá sinais de recuperação sob o comando de Jorginho. São três resultados positivos consecutivos - além da goleada sobre o Botafogo, teve uma vitória por 3 a 1 sobre o Guarani no Serra Dourada e um empate em 0 a 0 com o Internacional no Beira-Rio - que fizeram o time deixar a última posição do Campeonato Brasileiro. O rótulo de lanterna do campeonato agora é do Grêmio Prudente, que perdeu por 2 a 1 para o Flamengo.

Após a frustração vir em grandes dimensões, resta ao Botafogo comprovar nas próximas partidas que tem elenco suficiente para se manter na zona de classificação da Taça Libertadores da América. Com boa parte de suas ausências motivadas por lesões, o time botafoguense ainda não sabe ao certo quando poderá remontar sua equipe titular novamente. Jogadores como Fahel, Túlio Souza e Lúcio Flávio precisam de uma vez por todas se mostrarem presentes no futebol alvinegro. Senão, até mesmo o credenciamento para a Libertadores de 2011 estará ausente de General Severiano.

*****

GOIÁS 4x1 BOTAFOGO

Local: Serra Dourada (Goiânia / GO).

Público: 12.480 pagantes.

Renda: R$ 161.797,50.

Árbitro: Francisco Carlos Nascimento (AL) / Assistentes: Carlos Berkenbrock (Fifa/SC) e Pedro Jorge Santos de Araújo (AL).

Gols: Wellington Monteiro aos 15, Rafael Moura aos 31 e Loco Abreu aos 43 minutos do primeiro tempo. Rafael Moura (de pênalti) aos 36 e Bernardo aos 46 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Júnior, Marcão (Goiás) e Fahel (Botafogo).

GOIÁS - Harlei, Walmir Lucas, Rafael Tolói e Marcão (Rithelly); Wendel Santos, Amaral (Carlos Alberto), Wellington Monteiro, Bernardo e Júnior (Douglas); Felipe e Rafael Moura. Técnico: Jorginho.

BOTAFOGO - Jefferson, Antônio Carlos, Leandro Guerreiro e Fábio Ferreira; Alessandro, Fahel (Túlio Souza), Lucio Flavio (Caio), Renato Cajá (Bruno Thiago) e Edno; Maicosuel e Loco Abreu. Técnico: Joel Santana.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Velocidade da luz


Análise de quarta - Cruzeiro 1 x 0 Flamengo (22h, Parque do Sabiá)

Seria exagero dizer que o Cruzeiro esteve iluminado na partida contra o Flamengo. Mas, no Parque do Sabiá, a Celeste Mineira brilhou através de sua velocidade, em 90 minutos incansáveis diante de um adversário que segue em marcha lenta, se arrastando no gramado e na classificação do Campeonato Brasileiro. E que recorreu à estreia de um novo técnico para tentar encontrar fôlego no restante da competição.

Fôlego foi o que o Flamengo pareceu ter no início do jogo. Criticado por sua lentidão nas partidas anteriores, Val Baiano surpreendeu ao dar uma arrancada e, depois de driblar Edcarlos, fazer Fábio se desdobrar para defender seu chute. Só que logo faltou ar ao poder ofensivo flamenguista. Depois de um erro na defesa, quando Marcelo Lomba se enrolou com uma bola recuada e permitiu que Thiago Ribeiro chutasse, os cruzeirenses logo aceleraram os passos e foram se acertando em campo.

Num destes acertos, Montillo ganhou uma disputa e cruzou na área para Thiago Ribeiro. O atacante chutou e a zaga rubro-negra conseguiu travar. Na segunda tentativa, ele foi parado por uma boa defesa de Marcelo Lomba. Até que Diego Renan arriscou em chute rasteiro. A bola ia em direção à linha de fundo, se não fosse o desvio de Robert, que colocou no fundo da rede. 1 a 0 Cruzeiro, aos nove minutos.

O Flamengo tentou respirar fundo em busca do empate, mas esbarrou tanto na velocidade cruzeirense quanto no desequilíbrio que seu meio-de-campo encontrava. Com Renato Abreu e Petkovic não conseguindo imprimir uma cadência ofensiva, a equipe era facilmente neutralizada por um adversário que se defendia com três volantes - além de Fabrício e Henrique, Marquinhos Paraná (originalmente escalado como terceiro zagueiro) se adiantava para o combate toda vez que havia um esboço de ataque - mas atacava em massa. A cada tentativa frustrada, vinha como consequência um time rubro-negro totalmente exposto, entregue à sorte. Sorte que frustrou Robert por duas vezes. Sorte que teve como aliada a qualidade de Marcelo Lomba, ao defender bom chute de Montillo.

A única oportunidade do Flamengo veio dos pés de Corrêa. O volante apareceu como elemento surpresa e concluiu cruzamento de Williams, mas a bola foi para fora, não mudando o resultado do primeiro tempo.

Do intervalo, veio apenas uma mudança por contusão - o zagueiro Cláudio Caçapa deu lugar ao estreante Léo. E, à exceção de um cruzamento de Renato Abreu que, graças ao efeito da bola, quase encobriu o goleiro Fábio, o Cruzeiro continuou a percorrer com grande velocidade até o gol adversário. Mas seu jogo veloz era derrubado por uma ansiedade, que atrapalhava os momentos de troca de passes decisivos.

Silas realizou sua primeira substituição como treinador do Flamengo poucos minutos depois do recomeço da partida. Querendo dar um pouco mais de consistência ao meio-de-campo, ele promoveu a entrada do meia Fernando. Entretanto, sua tentativa de reforçar um setor acabou desprotegendo o ataque, ao sacar Val Baiano. Por mais que ele esteja em má fase, trata-se de um referencial que fica entre os zagueiros adversários. A intenção de Silas era boa - deixar Renato Abreu como segundo atacante, e ele utilizar seus passes precisos para lançar Diego Maurício. Só que o esquema não rendeu, porque Renato continuou mais próximo do meio, e Diego permaneceu isolado na área do Cruzeiro.

Do outro lado, o técnico Cuca apenas tentava manter a intensa velocidade de sua equipe nos contra-ataques. Sua segunda substituição aconteceu também por contusão - Robert por Wallyson. Diante dos erros flamenguistas, o Cruzeiro seguia tendo sucessivas oportunidades, nas quais a zaga e Marcelo Lomba, de maneira esbaforida, conseguiam impedir. Só que nenhum deles impediu que o time tivesse uma baixa: após receber um lançamento, Thiago Ribeiro correu em direção ao gol e acabou se enrolando com a marcação de Jean. A falta foi marcada, e por ser o último homem da zaga, Jean foi expulso por Guilherme Cereta de Lima, a 14 minutos do final.

Somente depois de ver sua equipe com um homem a menos é que Silas se arriscou a corrigir o erro de sua primeira substituição - trocando Petkovic pelo atacante Leandro Amaral. Minutos depois, o técnico trocou outra atacante, tirando Diego Maurício e colocando Cristian Borja. Mas, àquela altura, o Cruzeiro seguia soberano na corrida contra um Flamengo que possuía somente suspiros de vontade. Diego Renan ainda perdeu uma oportunidade clara, na qual, com Marcelo Lomba caído, chutou por cima. Jonathan, Wallyson e Roger (que entrara a poucos minutos do fim, no lugar de Montillo) desperdiçaram outras chances.

A velocidade pode não ter sido útil para que o Cruzeiro fosse além do placar de 1 a 0. Mas graças ao fôlego das pernas de seus jogadores, a Celeste Mineira já tem a zona de classificação do Campeonato Brasileiro ao alcance de seus olhos. Enquanto isto, o Flamengo segue a passos lentos, em sua luta para ajeitar a equipe depois de um primeiro turno bem abaixo do esperado. Para o segundo turno fica a esperança de que, com Silas e os reforços dos atacantes Diogo e Deivid, ao menos o rubro-negro saia da inércia na qual o time vem se entregando a cada jogo.

*****

CRUZEIRO 1 x 0 FLAMENGO

Local: Parque do Sabiá (Uberlândia/MG).

Público e renda: Não divulgados.

Árbitro: Guilherme Cereta de Lima (SP) / Auxiliares: Danilo Ricardo Simon Manis (SP) e Marcio Luiz Augusto (SP).

Gol: Robert, aos nove minutos do primeiro tempo.

Cartões amarelos: Diego Renan, Fabrício (Cruzeiro) e Corrêa (Flamengo).

Expulsão: Jean (Flamengo).

CRUZEIRO - Fábio, Edcarlos, Caçapa (Léo, intervalo) e Marquinhos Paraná; Jonathan, Fabrício, Henrique, Montillo (Roger, 41'2ºT) e Diego Renan; Robert (Wallyson, 10'2ºT) e Thiago Ribeiro. Técnico: Cuca.

FLAMENGO - Marcelo Lomba, Léo Moura, Jean, Ronaldo Angelim e Juan; Corrêa, Willians, Petkovic (Leandro Amaral, 33'/2ºT)e Renato Abreu; Diego Maurício (Cristian Borja, 37'2ºT) e Val Baiano (Fernando, 10'/2ºT). Técnico: Silas.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Pés atados



Análise de quarta: São Paulo 0 x 0 Vasco (22h, Morumbi)

Pouco mais de 10 mil pessoas tiveram disposição para assistir ao embate entre São Paulo e Vasco no Morumbi. De quente, apenas a noite paulistana, em momento atípico de veranico em pleno inverno. No gramado, sobrou apenas a frieza do mau panorama do confronto duas equipes que estão de pés atados diante de suas limitações. Os são-paulinos, em meio a uma crise na qual a torcida vê, depois de anos disputando títulos, um grupo de jogadores limitados e em má fase. Apesar da motivação da equipe estar em ascensão no Campeonato Brasileiro, os vascaínos a cada partida penam com a falta de um centroavante de ofício, capaz de transformar as jogadas em gol. Os zeros no placar soaram como justos para ambos os lados.

Poder de finalização é o que não falta ao São Paulo, pois tem o oportunista Ricardo Oliveira em seu ataque. Entretanto, os jogadores que restaram para a disputa do Brasileirão ainda não encontraram entrosamento suficiente para formar um time ao menos competitivo. O companheiro de ataque de Ricardo Oliveira, Fernandinho, continua com o mau hábito de prender a bola de maneira excessiva. No meio-de-campo, Casemiro tem certa qualidade na marcação mas, assim como Rodrigo Souto, padece de uma melhor troca de passes. Deslocar Richarlyson para ficar mais próximo do ataque soa como desespero, diante da timidez que ele vem apresentando ao tentar jogadas. A aposta no jovem Marcelinho é válida, ele tem potencial, só que não pode ser "queimado" com a responsabilidade de ser o único a pensar com habilidade do tricolor paulista. Em especial se os laterais Jean e Júnior César não aparecem de maneira incisiva.

O Vasco se desenha de maneira oposta à atual situação do time paulista. Há homens com boa qualidade para a troca de passes e o início de jogadas, como Felipe, Zé Roberto e Éder Luís. No entanto, quando os dois últimos são os atacantes da equipe, revela-se uma carência na finalização. Ambos têm velocidade e um bom poder de buscar jogadas rumo ao ataque. Só que passam longe da área adversária, e não representam tanto perigo para os zagueiros.

Neste contexto, aliado ao fato de o São Paulo ser o mandante da partida, desde o início só o tricolor paulista chegou perto do gol. A primeira chance, aos três minutos, quando Ricardo Oliveira chutou e Fernando Prass, diante do atacante são-paulino, fez ótima defesa. Ainda na primeira etapa, Oliveira teve outras duas oportunidades - uma defendida por Prass e outra rebatida pelo zagueiro Fernando. Uma bola no travessão em cobrança de falta de Jean completou o repertório de chutes a gol dos são-paulinos.

Os vascaínos armaram uma estratégia interessante de contra-ataque, e seu esquema estava previsto para oscilar entre o 3-5-2 quando era atacado e o 4-4-2 quando organizava jogadas ofensivas. Mas duas falhas afetaram o desempenho na frente. A insistência do técnico Paulo César Gusmão em escalar Felipe na lateral-esquerda não só deixou a saída de bola mais lenta como também a ausência de ritmo de jogo comprometeu seus bons passes. Outro problema foi gerado pelo desfalque de Carlos Alberto (cumprindo um jogo de suspensão, depois do STJD condená-lo a duas partidas sem atuar, devido à expulsão contra o Vitória da Bahia). A opção de escalar Allan para a posição rendeu em velocidade, mas o camisa 35 se revelou muito atabalhoado nas jogadas, tropeçando em seus erros e atrapalhando algumas boas oportunidades. Éder Luís e Zé Roberto apenas recebiam bolas lançadas sem qualquer direção - a maioria rechaçada pelos zagueiros. De qualquer forma, a boa atuação defensiva dos zagueiros Dedé e Fernando, do "zagueiro-volante" Nílton e dos volantes Rafael Carioca e Rômulo levaram para o intervalo o alívio de o time não ter tomado gols.

Os dois treinadores voltaram com substituições para o segundo tempo. No Vasco, Paulo César Gusmão tentou melhorar os passes, tirando Allan para colocar Fumagalli. No São Paulo, Sérgio Baresi trocou o volante Casemiro por Carlinhos Paraíba, na tentativa dele ser mais um homem com qualidade de passe no meio-de-campo. Contundido, Ricardo Oliveira deu lugar a Fernandão. O time perderia qualidade na finalização, mas ganharia uma ótima opção para jogadas aéreas.

A tentativa aérea apareceu antes do primeiro minuto. Júnior César cruzou, Fernandão e o zagueiro vascaíno Fernando foram para a bola, e o atacante do São Paulo caiu na área, pedindo pênalti. O árbitro Carlos Eugênio Simon não marcou. O São Paulo seguiu chutando de qualquer lugar da intermediária vascaína, mas nenhuma delas tinha perigo suficiente para acionar Fernando Prass.

Rogério Ceni se limitava a repor a bola em tiros de meta ou a receber recuos da zaga são-paulina, que via uma atuação segura da dupla Xandão e Miranda. Afinal, a única chance frontal ao seu gol foi desperdiçada pela falta de domínio de Fumagalli, que não aproveitou o bom passe de Fagner.

Sérgio Baresi fez sua última alteração, depois de mais uma tentativa de ataque de Fernandinho se perder por sua insistência em prender a bola. O camisa 12 saiu para a entrada de Dagoberto, jogador cuja escalação foi praticamente imposta pelos chefes de torcidas organizadas, que entraram no Centro de Treinamento do clube durante a semana para tirar satisfações com atletas e o treinador. Ele tentou algumas tabelas com Marcelinho e Fernandão, mas não conseguiu acrescentar muito ao time.

Paulo César Gusmão quis dar velocidade à equipe, trocando Zé Roberto por Jonathan. Mas o lateral-direita Fagner continuava preso à marcação (e tinha bons momentos diante do ataque adversário), enquanto Nílton se atrapalhava toda vez que arriscava uma jogada ofensiva e Fumagalli não acertava um passe sequer. Sobrava ficar à espera de disputar uma bola rechaçada. Nos minutos finais, Felipe, cansado, pediu para sair. Em seu lugar, entrou Irrazábal, que compôs de maneira convincente a lateral-esquerda e até arriscou algumas tentativas ofensivas, mas não de maneira suficiente para conseguir mudar o panorama vascaíno.

O empate em 0 a 0 foi visto com certo alívio pelos vascaínos. O Vasco ganhou um ponto fora de casa, diante do tradicional rival São Paulo, após uma partida na qual foi dominado durante os 90 minutos. Mas estes não são argumentos suficientes para deixar de lado os problemas que a equipe ainda apresenta. A má forma de Felipe continua a interferir no bom andamento das jogadas ofensivas, com erros constantes de passes e falta de fôlego tanto para ser ala quanto para ajudar os demais companheiros. Por mais que Zé Roberto e Éder Luís sigam incansáveis, a falta de um jogador com a função de colocar a bola na rede torna inútil toda qualidade que a equipe vascaína agora tem na sua parte ofensiva - que tire do zero ao menos o número de finalizações num jogo. Além disto, a dependência da presença de Carlos Alberto permanece no time do Vasco, mesmo com tantas contratações.

Mas, sem dúvida, o placar de 0 a 0 chegou com a força de uma derrota para o São Paulo. Nem tanto pelo adversário que encontrou em campo, e sim pelas chances perdidas durante a partida (a maior delas com Fernandão, a quatro minutos do fim, defendida com reflexo por Fernando Prass). A iminência de se aproximar da zona de rebaixamento vem de maneira intensa. Com um elenco cada vez mais retaliado - e, o que é pior, pela saída em massa de jogadores que não corresponderam - o tricolor paulista está às vésperas do fim do primeiro turno do Campeonato Brasileiro sem padrão de jogo e até mesmo sem um treinador (Sérgio Baresi foi contratado para ser interino). Ao final da partida, o clube ainda amargou ouvir a torcida dar gritos de "ão, ão, ão, Segunda Divisão". Bem, pelo menos por enquanto, a certeza da Série B ainda está restrita aos gritos da arquibancada.

SÃO PAULO 0 x 0 VASCO

Estádio: Morumbi

Renda e Público: R$ 226.723,59 / 10.802 pagantes

Árbitro: Carlos Eugênio Simon (FIFA-RS) / Auxiliares: Paulo Ricardo Silva Conceição (RS) e Julio Cesar Rodrigues Santos (RS).

Cartão amarelo: Rômulo e Dedé (Vasco).

SÃO PAULO - Rogério Ceni; Jean, Xandão, Miranda e Junior Cesar; Casemiro (Carlinhos Paraíba), Rodrigo Souto, Richarlyson e Marcelinho; Fernandinho (Dagoberto) e Ricardo Oliveira (Fernandão). Técnico: Sérgio Baresi.

VASCO - Fernando Prass, Dedé, Fernando e Nílton; Fagner, Rafael Carioca, Rômulo, Allan (Fumagalli) e Felipe (Irrazábal); Zé Roberto (Jonathan) e Éder Luís. Técnico: Paulo César Gusmão.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Predestinação colorada



INTERNACIONAL, CAMPEÃO DA TAÇA LIBERTADORES DA AMÉRICA DE 2010

"Segue sua sina de vitórias". Nunca um verso do hino do Internacional foi tão condizente com o time colorado quanto na noite do segundo título da Taça Libertadores da América. As coincidências da primeira conquista, em 2006, com o trajeto de 2010 foram ofuscadas pela predestinação dos personagens da finalíssima no Beira-Rio.

Se houve algum momento de coincidência, ele ficou restrito ao primeiro tempo da partida, mas por guardar semelhanças com o primeiro jogo da decisão, em Guadalajara. Após alguns minutos de nervosismo de seus jogadores, o Internacional começou a conseguir boas jogadas de ataque. Vieram boas oportunidades, saídas principalmente dos pés de Kléber e de Tinga para a corrida de Taison e Rafael Sóbis. O Chivas Guadalajara chegou à intermediária adversária com mais frequência do que na primeira partida. Entretanto, ainda tinha poucas oportunidades para quem almejava ganhar um título internacional no campo adversário.

Mesmo assim, a história quis se repetir. Pressão insistente colorada, muito volume de jogo, tentativas próximas à área, e o gol veio do lado mexicano. A predestinação veio de maneira negativa para Tinga. O jogador, que vinha se destacando no meio-de-campo, errou o tempo da bola e proporcionou um contra-ataque. Desprevenida, a zaga colorada permitiu um cruzamento na esquerda, e Fabián, após uma dividida, chutou com força. Como acontecera no México, Renan somente olhou a bola balançar sua rede. 1 a 0 Chivas Guadalajara, aos 42 minutos.

A segunda etapa prometia ter o mesmo panorama do que foi a primeira partida - Inter persistindo no ataque, em busca do resultado. No entanto, desta vez o cenário ganharia requintes mais intensos. A derrota parcial levava o jogo para a prorrogação, e a possibilidade de uma disputa de pênaltis para a América do Sul conhecer seu novo campeão. A torcida, com mais de 53 mil pagantes, estaria ao lado da equipe mesmo na situação limite que até o momento se desenhava?

A predestinação colorada esperou 16 minutos do retorno do intervalo para entrar em campo novamente. Autor dos gols que encaminharam a conquista da Libertadores de 2006 (sobre o São Paulo), Rafael Sóbis retornara ao Internacional quatro anos e duas recuperações de cirurgia depois. Para consolidar a recuperação também de seu oportunismo. Quando o lateral Kléber cruzou da esquerda, a bola passou por Tinga, mas na dividida com o zagueiro, Sóbis conseguiu empatar a partida em 1 a 1.

O Internacional seguiu no ataque, e teve as boas oportunidades com Taison e Rafael Sóbis defendidas pelo goleiro Michel. Logo em seguida, um momento de preocupação passou pelo Beira-Rio: Rafael Sóbis caiu no chão e ficou com as mãos nas costas, se contorcendo. Por linhas tortas, a predestinação colorada entrava em campo, de duas maneiras.

Com o técnico Celso Roth, que substituiu Sóbis por Leandro Damião, e com o atacante que entrara na partida. Após uma dividida no meio-de-campo, Damião avançou pela direita, aproveitou a ausência de defensores do Chivas e, da entrada da área. chutou. A bola ainda desviou na mão de Michel antes de parar no fundo da rede. Internacional 2 a 1, aos 30.

O treinador Jose Luis Real ainda tentou mudar o panorama de sua equipe, colocando em campo Escarlate e Vázquez nos lugares de Ponce e Baéz, respectivamente. Só que Arellano logo em seguida perdeu a cabeça, ao fazer uma falta desleal em D'Alessandro. O árbitro Oscar Ruiz o expulsou direto.

E Celso Roth ainda estava num momento predestinado. Taison, contundido, deu lugar a Giuliano, reserva em momento iluminado, que entrou nas partidas para decidir as classificações contra o Estudiantes e o São Paulo. E do camisa 11 fez uma jogada individual, driblando jogadores do Chivas Guadalajara e chutou a bola no fundo da rede de Michel. Foi o sexto gol do jogador na Libertadores. Inter 3 a 1, aos 44.

Três minutos depois, os mexicanos diminuíram, após uma cobrança de falta parar na trave colorada e, na sobra, Araújo colocar a bola na rede de Renan. Mas o placar de 3 a 2 já era suficiente para dar a Taça Libertadores da América pela segunda vez à equipe. O Internacional quebra um tabu recente dos times brasileiros em decisões de Libertadores - desde o Palmeiras, que venceu o colombiano Deportivo Cali na final em 1999, um time brasileiro não superava um adversário de outro país numa decisão da competição sul-americana. O Palmeiras em 2000, o São Caetano em 2002, o Santos em 2003, o Grêmio em 2007, o Fluminense em 2008 e o Cruzeiro em 2009 tiveram insucessos nas finais.

Mas, além de levar o Brasil novamente ao topo da América do Sul meses depois do insucesso da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, o Internacional consolida o excelente trabalho que vem sendo feito no time do Beira-Rio durante a primeira década do século XX. Trata-se de uma equipe de alto nível técnico e que não está sujeita a alterações bruscas proporcionadas pelo "mercado da bola". Além das duas edições da Libertadores, o colorado conquistou nos anos 2000 a Recopa Sul-Americana em 2007 e a Copa Sul-Americana de 2008. E ainda tem a possibilidade de repetir 2006 por completo, ganhando também o Mundial de Clubes da FIFA, a ser realizado em dezembro nos Emirados Árabes. Mais um bom desafio à "sina de vitórias" do colorado gaúcho.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Bolívar, o libertador colorado



Análise de quarta: Chivas Guadalajara (MEX) 1 x 2 Internacional (Estádio Omlife, 21h50 de Brasília)

No início do século XIX, o venezuelano Simón Bolívar ficou marcado na história por ser um dos grandes líderes de movimentos de independência da América do Sul e da América Central. O militar participou das independências de Venezuela, Peru, Bolívia, Colômbia e Panamá, e está associado ao mesmo honroso grupo de José de San Martin, Bernard O'Higgins, José Gervásio Artigas, Antônio José de Sucre, José Joaquin de Olmedo, José Miguel Carrera e Manuel Belgrano. Por deixarem a América independente de suas metrópoles, todos são reconhecidos como "Libertadores da América". Dois séculos depois, este se tornou o título da competição de futebol mais importante da América do Sul. E na edição de número 50 da Taça Libertadores da América, o sobrenome Bolívar voltou a surgir no cenário sul-americano.

No entanto, em vez de Caracas, a capital da Venezuela, a terra natal do novo Bolívar é Santa Cruz do Sul, no interior do Rio Grande do Sul. Enquanto Simón Bolívar era militar, Fabian Guedes (de apelido Bolívar) é o zagueiro do Internacional, time brasileiro que está na decisão do torneio sul-americano.O revolucionário liderou a luta pelas independências, e o jogador de futebol é o capitão do colorado, que luta pelo seu segundo título na Libertadores. Ambos usaram a cabeça por seus ideais. O venezuelano, ao ter as ideias que contribuíram para a libertação do continente americano. O brasileiro, pela cabeçada que desviou para a rede o segundo e decisivo gol na vitória de virada sobre o Chivas Guadalajara por 2 a 1, no México, território inimigo e cercado de percalços.

O primeiro que o Internacional enfrentou foi o tipo de gramado do Estádio Omnilife. Com a grama sintética, a bola corria com ainda mais velocidade, e jogadores que não tinham o costume de atuar neste tipo de campo poderiam sofrer ainda mais dificuldades para tocar a bola. Os colorados superaram. Tanto que dominaram a primeira etapa.

Grande volume de jogo e uma troca de passes intensa, comprovando que nem mesmo artimanhas escusas (típicas de jogos na Libertadores) como optar por um estádio com gramado não muito convencional para partidas de futebol conseguem superar o bom futebol. O Inter pressionava no ataque, apostando tanto no poder ofensivo do meia D' Alessandro quanto nos seus homens de frente, Taison e Alecsandro. Mas também apareciam com perigo seus bons laterais - Nei, na direita e, em especial, Kléber no lado esquerdo.

De Kléber veio o primeiro sobressalto dos torcedores gaúchos. Aos cinco minutos, ele recebeu passe de Taison e chutou da esquerda. A bola passou pelo goleiro Michel mas parou na trave direita. Aos 29, foi a vez do travessão impedir que o Internacional abrisse o placar, em boa cobrança de falta de Alecsandro.

A partida se desenhava de maneira atípica para um jogo de Libertadores que ocorria fora do Brasil. Mandante do jogo, o Chivas Guadalajara se via obrigado a ficar fechado na defesa, e o fazia com certa eficácia. Embora o Inter tivesse bastante posse de bola, os arremates ao gol foram escassos. O panorama ainda ficou mais complicado neste setor aos 33 minutos. Alecsandro, o atacante mais presente na área (Taison tem a característica de buscar mais as jogadas), saiu de campo contundido. Celso Roth colocou Everton no jogo.

A ausência de Alecsandro, aliada à aposta arriscada de depender do faro de gol de um reforço recém-contratado por ter feito um bom Campeonato Gaúcho pelo modesto Caxias eram empecilhos dignos de apreensão. Mas ainda faltava a ação negativa do segundo grande percalço da noite. O árbitro argentino Hector Baldassi é conhecido no futebol sul-americano por sua conduta um tanto quanto polêmica. Ele não tem o hábito de dar muitas faltas, deixa o jogo correr e, em alguns momentos, não tem pulso firme para tomar decisões sensatas. Como ocorreu durante o primeiro tempo. A bola estava na esquerda, com Kléber, mas Bautista deu uma cotovelada em D' Alessandro no meio do campo. Baldassi apenas advertiu verbalmente o jogador mexicano.

O mesmo jogador que começaria a mudar a história da decisão da Taça Libertadores da América. Os guerreiros colorados, que até então tinham feito uma partida impecável no sistema defensivo, permitiram que Fabián avançasse na direita, nas costas de Kléber. O meia mexicano cruzou, a zaga da equipe gaúcha ficou indecisa e, ao alcance dos olhos do capitão Bolívar, Bautista cabeceou de fora da área. Renan, mal posicionado, foi encoberto pela cabeçada. 1 a 0 Chivas Guadalajara, aos 46 minutos. E o time de Celso Roth ia para o intervalo com mais este percalço: a certeza de ter jogado melhor mas, num deslize, sair de campo com a desvantagem no placar.

O início do segundo tempo trouxe o mesmo panorama dos 45 minutos iniciais. O Internacional com mais posse de bola, mas sem capacidade de fazê-la chegar próximo à área. Tranquilo graças ao gol "achado" no finzinho da primeira etapa, o Chivas Guadalajara seguia na defesa, à espera dos contra-ataques para aniquilar a partida. Mesma tática bem-sucedida em boa parte de seu trajeto até a final da Libertadores. À exceção da semifinal contra o Universidad de Chile (na qual a equipe venceu o segundo jogo após um empate no primeiro confronto), o time mexicano eliminou, na ordem, o argentino Vélez Sarsifield e o peruano Alianza de Lima no saldo de gols, após ter feito uma vantagem de 3 a 0 no primeiro duelo contra cada equipe. A vontade de se fechar chegou ao técnico Jose Luis Real, que sacou o atacante Arellano para promover a entrada do volante Araujo na metade do segundo tempo.

Naquela altura, o Internacional padecia com seu poder de fogo inofensivo, a ponto dos chutes não saírem dos pés de seus atacantes. As oportunidades vieram com o lateral Nei, o volante Guiñazu e numa belíssima tentativa do meia D' Alessandro, em chute que passou rente à trave de Michel. Impaciente, Celso Roth tirou Everton, que se revelara incapaz de substituir Alecsandro à altura, e pôs em campo Rafael Sóbis. Um atacante habilidoso, e que, mesmo sem ritmo de jogo, sabe atrair a marcação adversária e aparece mais constantemente na área.

A presença dele fez a diferença dois minutos depois de entrar em campo. Com Taison e Rafael Sóbis na área, a zaga mexicana se descuidou pela primeira vez num cruzamento colorado. E o então apagado Giuliano (que começou a partida como titular porque Tinga foi expulso no jogo com o São Paulo) apareceu livre para desviar de cabeça a bola perfeitamente centrada por Kléber. 1 a 1, aos 28 minutos.

O empate soava como um bom resultado, pela vantagem de precisar de apenas uma vitória simples no confronto decisivo do Beira-Rio. E, em especial, pela carência de poder ofensivo que o Inter apresentava no México. Mas, na trajetória da Libertadores da América, estava escrito que um Bolívar voltaria a se destacar. Desta vez, na competição que leva para o futebol a homenagem ao militar Simón Bolívar.

Nei avançou na direita e sofreu falta. Na cobrança, D' Alessandro cruzou, Índio cabeceou na esquerda, e a bola chegou para Bolívar, no meio da área, desviar para o fundo da rede de Michel. 2 a 1 Internacional, aos 31 minutos. O capitão Bolívar libertava o esquadrão colorado do dissabor de não sair vitorioso de uma partida na qual sobrava em campo.

Os colorados ainda passaram os últimos minutos resguardando sua área, e Celso Roth chegou a deixar seu time mais defensivo, ao trocar Taison pelo volante Wilson Mathias. Só que nem as entradas de Escarlate e Dávila, respectivamente nos lugares de Fabián e Baéz, fez com que o Chivas Guadalajara voltasse a encontrar o caminho do gol. Não bastasse o esquema defensivo que propôs para sua equipe a partir da metade do segundo tempo, Jose Luis Real ainda escalou o perigoso Bautista, que era quarto homem do meio-de-campo no início do jogo, entre os zagueiros. E a dupla de zaga Índio e Bolívar demonstrou bastante segurança durante os 90 minutos.

Passados os percalços do México, o Internacional reencontra o Chivas Guadalajara na próxima quarta-feira, desta vez em território brasileiro, para a finalíssima da Taça Libertadores da América. O time tem a vantagem do empate - por ser a decisão da competição, o critério de "gol marcado fora de casa" das fases anteriores é descartado. O Chivas só é campeão direto se vencer por dois gols de diferença. Em caso de vitória por um gol da equipe mexicana, o jogo irá para a prorrogação e, persistindo o empate, o campeão aparecerá depois da disputa de pênaltis.

Entretanto, certamente no voo do retorno ao Rio Grande do Sul, o Internacional não deixou que a euforia da vitória do primeiro jogo embarcasse - em especial porque, na semifinal, o Chivas Guadalajara se classificou com uma vitória por 2 a 0 sobre a sensação do torneio, a Universidad de Chile, com uma vitória em Santiago, compensando um empate em 1 a 1 no México. O time de Celso Roth sabe que um resultado positivo virá somente se a equipe gaúcha atuar com a mesma seriedade apresentada em território mexicano.

Cabe ao Inter manter a Taça Libertadores na América do Sul. E será ainda mais simbólico para os latino-americanos ver um troféu ser erguido das mãos de um Bolívar. Do Bolívar, capitão do Internacional.