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domingo, 7 de novembro de 2010

É o fim do caminho?



Cinco pontos separam o quarto colocado (o Botafogo) da trinca de frente no Campeonato Brasileiro - o líder Fluminense e a dupla Corínthians e Cruzeiro, que tem o mesmo número de pontos mas desempatam no critério de saldo de gols. Tropeços acontecem em qualquer partida dentre as 38 rodadas da competição. Mas, diante do panorama desenhado nesta rodada, pode-se dizer que é o fim do caminho para as demais equipes?

Os clubes que surgem em seguida ao trio de frente do Brasileirão não só brigam entre si pela quarta vaga, como precisam ter suas atenções voltadas para outra competição - a Copa Sul-Americana - na expectativa de que uma campeã vinda do Brasil não reduza o G-4 a um G-3.

De fato, a briga parece ainda mais interessante, pelo tropeço que o Botafogo teve diante do Avaí no Ressacada e pelas vitórias do Atlético Paranaense e do Grêmio nesta rodada. Entretanto, por mais que a emoção se alastre (briga pelo título, vagas na Libertadores e na Sul-Americana e briga para não cair), talvez seja frustrante para times que conseguiram um bom embalo na competição agora se perderem em suas limitações.

Na reta final do Campeonato Brasileiro, sobra também o desafio para motivar equipes que agora têm remotas chances de conquista do campeonato. E a grande conquista do fim do ano pode ser mesmo a certeza de que nunca achou o fim do caminho antes da hora.

sábado, 23 de outubro de 2010

Por uma desigualdade



Quando Grêmio e Internacional se encontraram no primeiro turno do Campeonato Brasileiro, as duas equipes passavam por extremos na competição. Enquanto o Internacional vivia a empolgação da trajetória na Taça Libertadores da América e se dava ao luxo de poupar titulares, o Grêmio convivia com a zona de rebaixamento e tentava achar um rumo para a equipe que se perdeu com a eliminação para o Santos na Copa do Brasil.

Após o empate sem gols no Beira-Rio, o Inter chegou ao título sul-americano, continuou entre as primeiras colocações do Campeonato Brasileiro, mas agora vive um período de futebol oscilante na competição. O time vem de uma partida decepcionante contra o Flamengo no Engenhão - tanto pelo resultado, uma derrota por 3 a 0,, quanto pelo desempenho dos jogadores no gramado - e isto acabou fazendo com que o resultado do Gre-Nal seja fundamental para a expectativa em torno do colorado. Tanto na busca pelo título brasileiro, frase que ainda é palavra de ordem no Internacional, quanto na expectativa pelo Mundial de Clubes, no fim do ano em Abu Dhabi.

Desde que Renato Gaúcho assumiu o comando do Grêmio, o tricolor gaúcho conseguiu uma excelente arrancada (em um dos melhores desempenhos do segundo turno) e agora almeja uma vaga na Taça Libertadores da América de 2011. E o desafio do Gre-Nal fica ainda mais irresistível porque, no momento, os gremistas estão a um ponto dos colorados na classificação do Brasileirão. Deixar o Inter para trás e ficar mais perto do G-4 - que pode virar G-6 e até G-3 de acordo com as artimanhas da Conmebol - fazem com que a luta pela superioridade seja eletrizante amanhã no Olímpico.

A dupla Gre-Nal chega ao seu segundo confronto no Campeonato Brasileiro num equilíbrio bem maior do que no empate em 0 a 0 da décima-segunda rodada. Resta saber se os 90 minutos do Olímpico serão suficientes para mostrar uma pequena desigualdade entre os dois grandes do Rio Grande do Sul.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Fragilidade anunciada



A tradição gaúcha mais uma vez prevaleceu no Grêmio. Diante do Campeonato Brasileiro que a equipe gremista vem apresentando, o cenário promissor, no qual Silas prometia deslanchar sua carreira, se transformou num contexto que justificou de uma vez por todas a desconfiança da torcida sobre ele.

O Grêmio iniciou o ano com uma campanha hesitante no Gauchão, o que fez com que o time fosse alvo de muitos protestos, de vaias e até de uma situação inusitada: no jogo contra o Votoraty, pela Copa do Brasil, os gremistas presentes no Olímpico vibraram quando o atacante William se contundiu. Entretanto, a resposta às dúvidas sobre Silas veio com a conquista do Campeonato Gaúcho.

Mesmo com o título, a situação entre Silas e os torcedores do Grêmio ficava no limite, e isto se refletia também no grupo de jogadores. William e outros que tinham atuado no ano anterior pelo Avaí, no qual Silas era o comandante, eram invariavelmente desprestigiados.

Num contexto tão delicado, qualquer resultado adverso poderia degringolar numa crise sem precedentes. E foi assim que o Grêmio perdeu seu rumo. Com a eliminação para o Santos na semifinal da Copa do Brasil, os jogadores gremistas pareceram assimilar uma forte depressão. Os resultados pararam de vir, em especial após a parada da Copa do Mundo, e a situação ficou insustentável.

A demissão de Silas foi um episódio ensaiado desde o início do técnico no comando do Grêmio. Técnicos com esquemas que priorizam a velocidade e a técnica, como foi o Avaí de 2009, não têm força no futebol gaúcho. A intolerância gremista mais uma vez veio de maneira violenta, e derrubou um treinador que ousou tentar um novo padrão de futebol para o tricolor do Rio Grande do Sul.



Num clube tão apegado às suas tradições, era inevitável que, após este período atípico na história gremista viesse um nome visto com bons olhos em azul, branco e preto. Renato Gaúcho é o novo homem à frente do Grêmio, e traz com ele o carinho da torcida, pois, como jogador, ele deu o Mundial Interclubes de 1983. Resta saber se, em nova função, Renato vai ter forças e o abraço da torcida para aumentar a vasta tradição de títulos do tricolor gaúcho.

domingo, 30 de maio de 2010

Dois cansaços




Análise de jogo: Flamengo 1 x 1 Grêmio (Maracanã, 18h30)

Flamengo e Grêmio protagonizaram no Maracanã um jogo que teve dois cansaços. O rubro-negro, um cansaço físico, em especial de Petkovic, seu jogador mais lúcido enquanto esteve em campo. O tricolor gaúcho, mergulhado num cansaço preguiçoso, de quem renunciou ao ataque mesmo jogando melhor no segundo tempo. O resultado foi o empate em 1 a 1. Petkovic marcou para o Flamengo e Rodrigo fez o gol do Grêmio.

A postura flamenguista foi diferente do que o time apresentou no meio de semana, na derrota por 2 a 1 para o Fluminense (também no Maracanã). Rogério Lourenço escalou três zagueiros, e permitiu que Léo Moura e Juan se aproximassem mais ndo ataque. Aos seis minutos, veio da lateral o gol do rubro-negro. Pet lançou na direita para Léo Moura. O camisa 2 cruzou, Vágner Love subiu mais que os zagueiros gremistas e cabeceou. A bola bateu na trave de Victor, mas, na sobra, Vinícius Pacheco tocou para Petkovic chutar longe do alcance do camisa 1 gremista.

De contrato renovado após longa negociação, o sérvio era o melhor jogador do Flamengo na partida. Com boa movimentação e passes precisos, Petkovic trazia esperanças para a torcida rubro-negra (mais uma vez comparecendo em público pequeno, apenas 7 mil pessoas assistiram à partida) e proporcionava muitas chances de gol. Uma aos 14, em chute dele que foi defendido por Victor. Na outra, Vinícius Pacheco esteve diante do goleiro gremista, mas preferiu jogar no meio da área e permitiu o corte da zaga.

Só que o Flamengo comprovou que tinha apenas Petkovic atuando bem em campo. A partir da metade do segundo tempo, o camisa 43 estava visivelmente cansado, dando a sensação de que a equipe não tinha mais pulmão suficiente para chegar à área adversária. Antes acuado, o Grêmio passou a chegar perto do gol de Bruno e perdeu três chances - com Hugo aos 28 e Jonas aos 29, além de uma cobrança de falta de Edílson aos 30, na qual um desvio na barreira tornou mais difícil a defesa de Bruno.

Era pouco, pouquíssimo para o Grêmio, mas o time de Silas voltou a ficar na defesa, talvez se guardando para o segundo tempo e com receio de evitar mais gols. E o assistente evitou o segundo gol do Flamengo aos 44 minutos, quando Vágner Love colocou a bola no fundo da rede depois de um cruzamento de Léo Moura. O gol foi anulado pelo árbitro Wilton Freire Sampaio, depois que o bandeirinha deu impedimento (segundo o replay da televisão, marcado incorretamente).

O segundo tempo prometeu uma repetição do início do jogo. O Flamengo voltou a se lançar ao ataque, e o Grêmio seguia fechado na defesa, sem poder ofensivo mesmo com a saída do inoperante William para a entrada de Roberson. Mais uma vez uma jogada iniciou com Petkovic. Mais uma vez Vágner Love perdeu um gol dentro da área - desta vez, um chute que Victor defendeu com a perna. E mais uma vez houve um gol aos seis minutos.

Entretanto, o gol foi gremista. Fábio Rochemback cobrou escanteio e o zagueiro Rodrigo subiu diante da zaga que não saiu do chão para desviar a bola no fundo da rede de Bruno. O filme mudou suas cores. Se no primeiro tempo, era o uniforme rubro-negro presente no campo tricolor, a segunda etapa mostrou o azul, branco e preto se lançando ao ataque, deixando o vermelho e preto restrito ao redor da área.

Rogério Lourenço pôs em campo Diego Maurício no lugar de Vinícius Pacheco aos 14. O cansaço dominava Petkovic, e um jogador mais veloz poderia melhorar o meio-de-campo. No entanto, o técnico achou que a troca fez o time se expor em campo, e só restou a opção de tirar o sérvio da partida. Aos 20, Pet saiu para a entrada de Ramón, um jogador descansado que poderia ajudar na defesa e no ataque. Esta troca teve apenas uma consequência: Rogério ouvir os gritos de "burro" vindos da arquibancada.

O ritmo da partida caiu, enquanto Ramón escorregava todas as vezes que pegava na bola. Numa delas, ele permitiu que Hugo cruzasse a bola na área flamenguista, e Jonas perdeu um gol incrível diante de Bruno. O Grêmio tinha domínio no meio-de-campo, e parecia próximo do gol. Mas a situação mudou através da ordem de Silas: em vez de continuar a pressão, o tricolor gaúcho deveria permanecer na defesa. Os gritos de "acabou, acabou" e "recua" chegaram aos ouvidos dos jogadores. O empate era um resultado satisfatório.

Era a chance de Rogério Lourenço levar o Flamengo à vitória. E o treinador ousou, trocando Álvaro por um atacante. O problema é que o jogador que entrou em campo foi Gil, que há tempos não era relacionado sequer para o banco de reservas do Flamengo, e a cada momento em campo mostrava sua queda de qualidade no passe e na finalização. O rubro-negro chegava à área gremista de maneira atabalhoada, e a bola passava longe do gol com os sucessivos erros de seus atletas (destaque negativo para o lateral-esquerda Juan, que errou tudo o que tentou).

Ao final dos 90 minutos, Flamengo e Grêmio saíram derrotados. Cada um perdeu dois pontos, desgastados pela incapacidade de superar as próprias limitações. Não é à toa que ambos estão no meio da lista de classificação do Campeonato Brasileiro. A sensação que dá é que os times ainda não quiseram estrear na competição.

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Em algumas rodadas, O tempo e o placar... fará análises de jogos aos domingos. Mas a segunda-feira também trará análises da rodada do Campeonato Brasileiro, com direito à seções O CHUTAÇO e A FURADA.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Cautela e caldo de peixe



As duas semifinais da Copa do Brasil trouxeram partidas emocionantes em sentidos diferentes. No jogo do Serra Dourada, a cautela deu a tônica do confronto entre Atlético Goianiense e Vitória. No Olímpico, o medo de levar gols foi às favas, e o caldo de peixe desandou na vitória do Grêmio sobre o Santos.

O primeiro lado para o qual desandaram as coisas veio do lado gremista. Aos 14 minutos, Victor (considerado um goleiro injustiçado na convocação da Seleção Brasileira) saiu mal numa cobrança de escanteio, e permitiu que André abrisse o placar. Seis minutos depois, Douglas errou na saída de bola e Paulo Henrique Ganso deixou André livre para fazer seu segundo gol. Os pés de Jonas pioraram as coisas ainda mais. O atacante teve a oportunidade de diminuir o placar numa cobrança de pênalti, mas chutou muito mal e permitiu que Felipe fizesse a defesa.

A desvantagem no placar acabou, contraditoriamente, trazendo a serenidade ao time de Silas no intervalo. O Grêmio voltou com mais calma e disposição, e a experiência fez a diferença contra os meninos da Vila Belmiro. Aos 12 minutos, Douglas (que falhara muito no primeiro tempo) iniciou jogada que terminou em gol de Borges.

Seis minutos depois, os mesmos jogadores foram importantíssimos no empate gremista. O primeiro roubou a bola de Rodrigo Mancha e lançou Jonas. O atacante serviu seu companheiro, Borges, que colocou a bola no fundo da rede de Felipe.

A inexperiência santista desandou tanto que chegou ao banco de reservas. Dorival Júnior cometeu um dos piores erros como treinador: apontar explicitamente um culpado pelo fim da vantagem no Olímpico. Nove minutos depois de colocar Rodrigo Mancha em campo (no lugar de Marquinhos), o técnico tirou o volante para a entrada de Rodriguinho. Imaturidade de um e tristeza do outro, que desferiu socos à cadeira do banco de reservas.

Perdido, o Santos assistiu à sua defesa permitir mais dois gols do Grêmio - um de Jonas, aos 22, e um de Borges aos 30. Mas, num lampejo de lucidez, chegou ao terceiro gol sete minutos depois, em passe de Paulo Henrique Ganso para um belo chute de Robinho.

Os santistas precisam de uma vitória simples para chegar à final da Copa do Brasil. Mas resta saber se com uma desvantagem diante de uma equipe de tradição e bem armada por Silas, vai ter força e maturidade para conseguir se sobressair. E que a maturidade venha também de seu comandante.



Se o caldo de peixe desandou num jogo de muitos gols, a partida de Goiânia trouxe um resultado magro depois de 90 minutos. E, mais uma vez, o Atlético Goianiense fez valer a superioridade de dentro de casa, onde o time não levou nenhum gol na sua trajetória da Copa do Brasil.

Numa partida muito fraca tecnicamente, Geninho e Ricardo Silva montaram suas equipes com a clara preocupação de não levar gols. E ela fez a diferença no resultado final. Mesmo com uma formação ofensiva que trazia boas chances em contra-ataques, o Vitória sentiu seus desfalques e viu o ataque formado por Júnior e Neto Berola ficar isolado, em meio à marcação do rubro-negro goiano.

A ansiedade em não levar gol foi tanta que até mesmo no único momento em que a bola chegou ao fundo da rede, ela entrou de maneira teimosa. A conclusão de Rodrigo Tiuí tocou a trave e o travessão antes de a torcida no Serra Dourada gritar gol.

Após a primeira parte da semifinal ter sabor de cautela e de caldo de peixe, na semana que vem acontecem os duelos decisivos - Santos e Grêmio na Vila Belmiro, Vitória e Atlético Goianiense no Barradão. Na próxima quinta-feira, o Brasil vai saber quais times farão melhor sua receita, e aqueles que sentirão a azia de ficar pelo caminho.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O campo da democracia




A Copa do Brasil segue sua tradição de ser a competição mais democrática do país, e, em plena semifinal, já apresenta aos espectadores a confirmação de que teremos uma decisão entre um favorito e uma zebra. Talvez por este motivo, estejam tão diferentes os tratamentos dedicados a cada uma delas.

Santos e Grêmio tem ares de final antecipada. No duelo entre o campeão paulista e o campeão gaúcho, são duas tradições diferentes que chegam aos gramados. Do Santos, vem o tradicional celeiro de craques, capaz de juntar uma geração de nomes como a que veste agora a camisa do time santista. Do Grêmio, vem sua incansável garra e a experiência de saber jogar como "time copeiro" - são quatro títulos da Copa do Brasil.





Vitória e Atlético Goianiense fazem a semifinal dos times que desafiaram a tradição nacional. Agora, eles querem elevar seus respectivos times ao posto de destaque do país. Em uma classificação contestada (pela atuação da arbitragem da segunda partida), os baianos passaram pelo Vasco graças ao critério do "gol fora de casa" - venceram por 2 a 0 na Bahia e perderam por 3 a 1 no Rio de Janeiro. O time goiano perdeu e venceu por 1 a 0, e foi superior por ser o "menos pior" na disputa de pênaltis contra o Palmeiras em Goiás. Ambos impediram que houvesse uma semifinal do eixo Rio-São Paulo na Copa do Brasil.

São Paulo e Rio Grande do Sul de um lado, Bahia e Goiás do outro. Centros consagrados do futebol querem consolidar suas soberanias, enquanto os estados de nível razoável querem sua afirmação nacional. Duas irresistíveis semifinais da Copa do Brasil.

terça-feira, 4 de maio de 2010

A festa em três cores



No post de ontem, O tempo e o placar... evidenciou a coincidência de dois campeões estaduais terem seus uniformes em vermelho e preto - o Atlético Goianiense e o Vitória da Bahia. Na postagem que segue, há dois tricolores que superaram suas adversidades e, ao final, chegaram à conquista de seus respectivos estaduais.

Ambos superaram seus rivais históricos, e no último jogo tiveram derrotas com sabor de vitória. O Grêmio foi campeão sobre o Internacional, enquanto o Fortaleza saiu vitorioso na decisão contra o Ceará. A comemoração veio em três cores no Campeonato Gaúcho e no Campeonato Cearense.

GRÊMIO, CAMPEÃO ESTADUAL DO RIO GRANDE DO SUL DE 2010

Linha de montagem. Foi neste tipo de processo que o Grêmio trabalhou desde o início de 2010. Mesmo tendo praticamente a mesma equipe da temporada anterior, o trabalho de montar a equipe foi obrigatório. Afinal, os gremistas passaram por um 2009 frustrante, com eliminação prematura no Estadual e um Campeonato Brasileiro com fraco desempenho.

A grande mudança gremista começou na filosofia de jogo da equipe. A contratação de Silas, treinador responsável pelo sucesso do Avaí na elite do futebol brasileiro do ano anterior, destoou completamente do padrão de jogo gaúcho. Em vez dos esquemas defensivos, que priorizavam a força do Rio Grande do Sul, o técnico fez o Grêmio partir para o ataque.

E passou por situações histriônicas no início da temporada: mesmo com uma sequência de jogos invicto, Silas era alvo de vaias e de muita contestação. A bronca era tanta que a torcida chegou a vibrar como se fosse um gol quando o atacante William (um dos jogadores que o técnico trouxe do Avaí) se contundiu.

A resposta veio no campo. Alheio à tendência de priorizar torneios mais importantes (como fez Jorge Fossati, técnico do Internacional, arquirrival gremista), Silas usou o Campeonato Gaúcho com sabedoria. Sim, em virtude da má qualidade dos estaduais - em especial do Gauchão, onde impera a dupla Gre-Nal, ainda mais com a decadência do Juventude e do Caxias - não dá para avaliar se o time está muito bem ou se é engano de início de temporada. Mas, numa equipe que busca padrão de jogo e vem com novos jogadores, o ideal é ver sempre o desempenho deles em campo.

Foi assim que o Grêmio conquistou a Taça Fernando de Carvalho (equivalente ao primeiro turno). Após uma primeira fase com dificuldade, o time superou seus adversários e, na final, jogou de igual para igual com o surpreendente Novo Hamburgo, e usando o time titular. No segundo turno, a Taça Fábio Koff, a equipe caiu nas semifinais, perdendo duas invencibilidades no mesmo dia - 15 jogos sem derrota em 2010 e 51 jogos sem derrota no seu estádio, o Olímpico - no jogo contra o Pelotas.

No entanto, os gremistas superaram todas as adversidades (tanto de fora de campo quanto de dentro das quatro linhas, com as sucessivas contusões de seus jogadores) e ganharam graças ao seu equilíbrio emocional e ao equilíbrio tático da equipe. Depois de se caracterizar como um atacante que perdia muitos gols, Jonas finalmente conseguiu colocar a bola para o fundo da rede. Principalmente, por estar bem acompanhado de outros artilheiros - Borges (injustamente execrado por Ricardo Gomes no São Paulo) e Leandro.

Deu Grêmio no Rio Grande do Sul, após uma vitória por 2 a 0 no Beira-Rio e uma derrota por 1 a 0 no Olímpico. E o bom futebol venceu um adversário mal em seu desempenho e em seus nervos (a botinada de Taison em Jonas no finzinho do jogo decisivo foi a concretização do quanto o Internacional está perdido neste ano de 2010). O título gremista pode ser o começo de um novo padrão de futebol gaúcho.



FORTALEZA, CAMPEÃO ESTADUAL DO CEARÁ DE 2010

Num ponto de vista mais superficial, os espectadores louvariam a graça do futebol em relação à decisão do Campeonato Cearense. O Fortaleza, time que teve um final de ano melancólico ao cair para a Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro, conquistou um título sobre o Ceará, mais novo representante do futebol nordestino na Primeira Divisão.

Mas, apesar deste panorama com tanta disparidade no cenário nacional, o Fortaleza é que vinha de três conquistas consecutivas no Campeonato Estadual (duas sobre o Icasa e uma sobre o Ceará). E, na decisão, com a vantagem de 1 a 0 do primeiro jogo, a equipe treinada por Zé Teodoro mostrou sua maior arma: o esquema defensivo.

E graças a ele, conseguiu segurar a derrota de 2 a 1, mesmo com tamanha pressão do time do Ceará. O resultado foi suficiente para levar a disputa para os pênaltis. Neste momento, fez diferença a frieza do Fortaleza. A festa se tornou tricolor no Castelão, após a vitória por 3 a 1 nas cobranças de pênalti.

De um lado, o Ceará mostra que precisa de muito mais calma e de jogadores de maior qualidade para que sua passagem na Série A (que não acontecia desde 1993) não acabe rapidamente. Do outro, o agora tetracampeão cearense Fortaleza mostra que tem forças para enfrentar o árduo desafio da Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Estadual dos céus



É impressionante como alguns campeonatos estaduais podem ser benéficos mesmo para times que estão hesitantes ou que não colocam o pé no acelerador. O Campeonato Gaúcho traz como exemplo destas atitudes as suas duas grandes equipes agindo da mesma forma.

Após um primeiro turno estranhíssimo - quando, no confronto com os adversários da outra chave somou apenas 17 pontos (estaria em quinto se jogasse no grupo do Internacional) e abriu nove pontos de diferença sobre o segundo colocado - o Grêmio precisou de poucos minutos para chegar à final da Taça Fernando de Carvalho. Foram três gols em seis minutos no primeiro tempo para garantir o domínio sobre o modestíssimo Internacional de Santa Maria.

A classificação após a vitória por 4 a 1 no Olímpico certamente deixou para trás as vaias a alguns jogadores (como Ferdinando e Fábio Rochemback) e a hostilidade que o treinador Silas vinha recebendo nos últimos jogos. Independente da maneira como agiu no primeiro turno, o técnico levou os gremistas a uma final. É este o argumento (frágil, tão frágil quanto os demais times gaúchos) no qual a diretoria e até o próprio Silas vão se basear daqui pra frente. Melhor também para o atacante Borges, que chegou à marca de onze gols em onze jogos.



Na semifinal de hoje, o técnico Jorge Fossati vai se dar ao luxo de escalar o Internacional com uma equipe completamente reserva. Afinal, terça-feira a equipe estreia na Taça Libertadores da América, diante do equatoriano Emelec, no Beira-Rio. Mas, certamente, esta não seria a postura do treinador caso tivesse no domingo um Gre-Nal. Como o adversário é o Novo Hamburgo (que somou apenas oito pontos em oito jogos, com duas vitórias, dois empates e quatro derrotas), o time B do Colorado pode resolver a questão para o Internacional.

Decididamente, o Campeonato Gaúcho é um estadual que caiu dos céus para a dupla Gre-Nal. Mesmo que as atuações das duas equipes estejam muito aquém do esperado, mesmo que elas atuem até com o terceiro ou quarto time, nenhuma outra agremiação do Rio Grande do Sul demonstra um pouco de força para tirar a chance de decisão entre Grêmio e Internacional.

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BOLA PRO MATO

Botafogo e Vasco fazem hoje a "zebra" da final da Taça Guanabara. Afinal, no início do ano todos diziam que a parada do Campeonato Carioca seria decidida entre Flamengo e Fluminense - no papel, os dois melhores times do fim de ano de 2009 no Rio de Janeiro. Os próximos 90 minutos vão decidir qual torcida vai ter mais algum motivo para acreditar um pouco mais em seu time de coração para 2010.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A trajetória se repete



O Grêmio repetiu a trajetória de seu rival gaúcho Internacional, na semifinal da Taça Libertadores da América, e acabou eliminado da competição. Só que o tricolor não soube aproveitar o diferencial em relação ao colorado na final da Copa do Brasil: com a derrota por 3 a 1 no Mineirão, a vitória por 2 a 0 era suficiente para o time ser o brasileiro na final do torneio sul-americano.

A sucessão de gols perdidos no primeiro tempo (uma tônica gremista em toda a Libertadores) foi castigada em dois minutos. Aos 34 e aos 36, o atacante Wellington Paulista abriu 2 a 0 para a Celeste Mineira. Os gaúchos voltariam para o segundo tempo precisando fazer pelo menos cinco gols - fato que seus conterrâneos alvirrubros não conseguiram no dia anterior.

O nervosismo acabou se tornando um adversário para a equipe de Paulo Autuori, mas um gol do zagueiro Réver aproveitando cobrança de escanteio de Souza aos nove minutos deu um novo gás ao Grêmio. Só que o frio do Rio Grande do Sul tornou a gelar a noite gremista cinco minutos depois, quando Adílson deu uma entrada criminosa no meia cruzeirense Wágner. Em mais uma inversão de valores da torcida tricolor (que na semana passada coroara o atacante argentino Máxi López por chamar o volante do Cruzeiro, Elicarlos, de "Macaquito"), o volante saiu aplaudido pela torcida, que confundiu pancadaria com raça.

Tendo a tranquilidade do adversário, seus próprios nervos e o relógio como adversários, o Grêmio passou a tentar uma despedida digna nas semifinais da Taça Libertadores. E ela veio aos 29 minutos, com um belo gol de Souza que empatou a partida. 2 a 2, como foi o final da Copa do Brasil para o vice-campeão Internacional.

Em uma nova chance de ser campeão da Taça Libertadores da América, desta vez é o Cruzeiro que buscará repetir a trajetória do colorado gaúcho. Não o Inter que disputou a competição nacional de 2009. O exemplo a ser seguido pela Celeste é o time do fim do ano passado, que enfrentou o argentino Estudiantes (adversário cruzeirense na decisão da competição sul-americana) e trouxe mais uma vitória brasileira sobre um rival argentino. Teremos mais um grande confronto entre Brasil e Argentina nos gramados.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Os rumos sul-americanos



O jogo entre Cruzeiro e Grêmio no Mineirão mostrou que a máxima "quem não faz, leva" está longe de sair de moda. Mais uma vez, o tricolor gaúcho perdeu muitos gols e saiu do Mineirão derrotado. O estrago só não foi maior porque a cobrança de falta de Souza diminuiu a vantagem cruzeirense para o placar de 3 a 1.

No início do jogo, nem parecia que o Grêmio era o visitante. Foi do lado gaúcho que surgiram as melhores oportunidades - com Alex Mineiro e Máxi Lopez - e era a equipe que dominava as ações da etapa inicial. Mas, a sucessão de erros nas finalizações foi castigada a oito minutos do fim do primeiro tempo, com o gol de cabeça de Wellington Paulista.

A possibilidade de voltar a ter o domínio da partida foi embora logo no primeiro minuto da segunda etapa, em chute de Wagner. O Grêmio de Paulo Autuori recorreu a uma estratégia duvidosa digna de equipes "copeiras": evitar levar mais gols. Mas não adiantou muito, pois, aos 21 minutos, o estreante Fabinho marcou de cabeça.

Graças à cobrança de falta de Souza aos 33 minutos, o trabalho do Grêmio ficou menos difícil. Com a derrota por 3 a 1, o placar de 2 a 0 é suficiente para que o time roube a vaga da Celeste mineira e faça a final da Taça Libertadores da América. A semifinal brasileira ganhou mais emoção. Mas desta vez os gremistas terão de acertar a pontaria de uma vez por todas, para o time não perder o rumo da competição sul-americana.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Autuori e a teoria em campo



Desde as décadas de 1980 e 1990, o futebol brasileiro vem sofrendo alterações consideráveis dentro de campo. Saltam aos olhos dos torcedores times com esquemas defensivos e a ascensão de zagueiros e volantes destinados a dar botinadas nos adversários - e, pasmem, estes jogadores bons são valorizados porque "anulam" craques. Mas as mudanças não ficam restritas às quatro linhas do futebol brasileiro. O banco de reservas também sofreu uma curiosa alteração.

Geralmente, os torcedores e dirigentes confiavam o comando de suas equipes a ex-jogadores, afinal, por eles já viverem o cotidiano dos gramados, seria mais fácil controlar um time e armar uma equipe em busca da vitória. O futebol só abria exceções a pessoas anteriormente ligadas a futebol, como foi o caso do preparador físico Carlos Alberto Parreira, que se consagraria em 1994, ao levar a Seleção Brasileira ao seu quarto título na Copa do Mundo.

Provavelmente, a carreira vitoriosa de Parreira tenha aberto espaço para uma vertente de treinadores que nunca usou chuteiras chegar ao comando de uma equipe. Alguns deles são acadêmicos, como o ex-aluno do curso Educação Física na Universidade de Caxias do Sul, Celso Roth, hoje treinador do Atlético Mineiro.

E como é o caso de Paulo Autuori, que passou a comandar o Grêmio ontem. Botafogo, Cruzeiro e São Paulo são os clubes brasileiros que conseguiram bons resultados sob o comando deste carioca formado em Educação Física e Administração Esportiva e que fez um Curso de Treinadores de Futebol pela UERJ.

Ontem, na segunda edição do programa Bate bola, na ESPN Brasil, os comentaristas chamaram a atenção para a felicidade com a qual a direção do tricolor gaúcho o anunciou como o novo técnico para o Campeonato Brasileiro. Eles ressaltaram que a reação positiva era impensável em outros momentos, pois costumava-se torcer o nariz para treinadores formados em "academia", por trazerem muitos aspectos teóricos para suas equipes.

O novo treinador gremista tem o grande desafio de colocar sua teoria em campo e fazer com que o Grêmio tenha a prática de boas vitórias, tanto no Brasileirão quanto na Taça Libertadores da América. Caso contrário, a direção do tricolor gaúcho deixará Paulo Autuori de recuperação (e como todo técnico no Brasil é interino, ela pode acontecer antes mesmo do final do ano).

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Zagueiros selam vitória gremista na Libertadores



Mais uma vez assistindo ao caminhão de oportunidades perdidas por seus homens de frente, o Grêmio recorreu a seus zagueiros para conseguir derrotar o Aurora, da Bolívia, por 3 a 0 no Olímpico, em jogo válido pelo Grupo 7 da Taça Libertadores da América. Os zagueiros Rafael Marques e Réver marcaram, respectivamente, o primeiro e o terceiro gols do jogo - Maxi López completou a vitória, que, curiosamente, foi construída somente a partir de jogadas iniciadas com cruzamentos na área.

Comandado por Marcelo Rospide (o auxiliar entrou na vaga de Celso Roth enquanto o time não contrata um novo técnico), o Grêmio entrou em campo com dois desfalques no ataque - Jonas estava suspenso e Alex Mineiro ainda se recuperava de contusão. O tricolor gaúcho recorreu à dupla de ataque argentina Herrera e Maxi López para tentar furar a retranca boliviana.

Logo aos 16 segundos, a equipe gaúcha mostrou que estava interessada em vencer, e, quem sabe, por uma boa diferença de gols. Fábio Santos cruzou da esquerda, mas a bola parou nas mãos de Dulcich. Com dois minutos, Máxi López teve duas oportunidades de gol. Na primeira, o chute foi travado pela zaga do Aurora. Na segunda, o argentino aproveitou cruzamento na direita de Makelele, mas seu chute passou por cima. Aos seis, foi a vez de Léo aproveitar cruzamento (desta vez de Tcheco, numa cobrança de falta) e perder mais uma chance de gol gremista.

O mesmo Tcheco iniciou uma boa jogada pela intermediária aos nove, e, depois de passar por dois bolivianos, foi derrubado por Fernández. O jogador do Aurora levou cartão amarelo. Na cobrança de falta, o camisa 10 lançou para a área. Herrera cruzou para Maxi López, que colocou a bola para o fundo das redes. Mas o gol foi anulado por impedimento de Herrera.

Extremamente recuado, o Aurora só poderia mesmo ter sua primeira chance através de bola parada - aos 13. Mas o chute saiu fraco e foi parar nas mãos de Victor. No contra-ataque, o Grêmio perdeu mais uma chance de abrir o placar no Olímpico. Fábio Santos entrou livre pela esquerda e lançou para a área, mas novamente Maxi López cabeceou para fora.

Embora o Grêmio já tenha perdido uma quantidade considerável de gols, somente aos 17 o goleiro Dulcich teve trabalho. Após uma cobrança de escanteio, Makelele levantou para a área. Rafael Marques cabeceou bem, mas o camisa 1 boliviano defendeu no reflexo. Na jogada seguinte, Herrera levou cartão amarelo após falta dura. Dois minutos depois, Makelele novamente fez um cruzamento perigoso na área - e mais uma vez a bola parou nas mãos Dulcich.

Aos 20, foi a vez da zaga boliviana conseguir cortar para escanteio uma boa chance de Herrera. Um minuto depois, mais uma vez o Grêmio perdeu uma chance em bola parada. Depois de cobrança de Tcheco, Sousa cabeceou e a bola raspou na trave de Dulcich. No minuto seguinte, foi a vez de Fábio Santos desperdiçar nova chance de gol. Ele recebeu livre na grande área e tocou rasteiro, mas em cima do goleiro Dulcich. A pressão gremista prosseguia, geralmente iniciada nos cruzamentos dos alas Makelele e Rafael Marques. Aos 28, o lateral-esquerda tentou novamente, para Herrera mais uma vez cabecear forte e à direita de Dulcich.

Mas, de tanto pressionar em bolas alçadas à área, o Grêmio enfim conseguiu abrir o placar no Olímpico. Sousa bateu falta na esquerda, e Rafael Marques subiu para cabecear no cantinho esquerdo de Dulcich. 1 a 0 Grêmio, aos 32.

Em desvantagem no placar, o Aurora teve seu primeiro ataque mais incisivo. A 10 minutos do fim da primeira etapa, Paredes entrou na área, passou por dois jogadores e arriscou, mas a bola foi travada pela zaga. Na cobrança de escanteio, mas uma vez os zagueiros gremistas rechaçaram a tentativa de empate da equipe boliviana. Aos poucos, o Grêmio foi voltando a dominar a partida, e teve duas chances desperdiçadas por Maxi López - uma perdida porque ele não alcançou a bola depois de passe de Adílson e a outra em chute novamente travado pela zaga boliviana.

Aos 43, o Grêmio mais uma vez perdeu uma oportunidade em cobrança de falta. Em cobrança frontal à meta do Aurora, Sousa chutou, mas a bola passou bem longe do gol. No último minuto, a bola sobrou para Tcheco na entrada da área. O camisa 10 errou o chute, mas a bola sobrou para Makelele, em posição legal, chutar para fora. O Grêmio iria para o intervalo mesmo com a magra vantagem de 1 a 0.

O tricolor gaúcho começou o segundo tempo do mesmo jeito do primeiro - perdendo chance logo no início. Aos 25 segundos, cruzamento na área do Aurora, mas Herrera tentou fazer uma jogada bonita e acabou isolando. Aos dois, foi a vez de seu compatriota Maxi López perder sua primeira chance no segundo tempo, ao arriscar da entrada da área e ser travado por um zagueiro.

Aos seis, Sousa deu cruzamento rasteiro para a pequena área. Makelele tentou de carrinho, mas Hurtado conseguiu tirar para escanteio. Dois minutos depois, o Aurora deu seu primeiro chute a gol na partida. Fernández arriscou de fora da área e Victor encaixou a bola. O 1 a 0 no placar fez com que o Grêmio passasse a administrar o resultado, cercando a área boliviana na esperança do Aurora dar algum espaço. Aos 12, a chance de achar algum vazio na equipe adversária ficou maior depois do treinador Júlio César Baldivieso substituir Bongioanni pelo meia ofensivo Cardozo.

Mas aos 14 veio o primeiro susto do Grêmio no segundo tempo. Paredes chegou livre na área e a zaga gremista teve dificuldade para travar. Só que a reação boliviana foi parada aos 18 minutos. Depois de receber bola de Tcheco, Herrera cruzou da direita e achou Maxi López. O argentino cabeceou bem e marcou seu primeiro gol na Taça Libertadores da América de 2009: 2 a 0.

A resposta do Aurora veio dois minutos depois, com chute forte de Leonfort, que passou bem perto do gol de Victor. O time boliviano teve duas oportunidades seguidas, aos 23, num chute de Paredes que acabou saindo fraco, e aos 24, num cruzamento perigoso que o zagueiro Léo conseguiu recuar para o camisa 1 gremista.

Somente aos 28 o Grêmio voltaria a ameaçar o gol do Aurora. Em cobrança de falta, Tcheco deu um passe rasteiro para Sousa. O meia arriscou da entrada da área e obrigou Dulcich a espalmar para escanteio. Cinco minutos depois, Sousa iniciou ótima jogada no meio-de-campo, mas abusou da individualidade e foi bem combatido pela zaga.

Aos 35 minutos, Marcelo Rospide fez a primeira alteração do Grêmio: Jadílson substituiu Fábio Santos no lado esquerdo. Logo em seguida, Makelele arriscou de fora da área. Em sua primeira tentativa, Jadílson cruzou para a área, mas a bola foi chutada para escanteio. Na cobrança, Réver arriscou um voleio e fez 3 a 0 para o Grêmio.

No minuto seguinte, o interino Rospide trocou de nacionalidade no ataque do tricolor gaúcho: o argentino Herrera saiu para a entrada do uruguaio Orteman. A três minutos do fim, Sousa teve nova oportunidade na entrada da área. Só que, mais uma vez, preferiu fazer jogada individual, e foi travado pela zaga boliviana. Aos 44, novamente Sousa teve chance para deixar a sua marca. O camisa 8 recebeu livre e cara a cara com o goleiro, só que, mais uma vez, pecou por seu preciosismo, ao driblar excessivamente e chutar em cima de Dulcich. Felizmente, nada que comprometesse a vitória do Grêmio sobre o Aurora.

Com a vitória, a equipe gaúcha permanece em primeiro lugar do Grupo 7, agora com 10 pontos. Depois da eliminação prematura no Gauchão (e justamente diante do Internacional), agora o Grêmio respira novos ares na caminhada pelo título da Taça Libertadores da América. Tanto com a confiança depois da vitória sobre os times bolivianos quanto pela iminente chegada de um novo treinador para o tricolor gaúcho.

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GRÊMIO 3x0 AURORA (BOL)

Estádio: Olímpico, em Porto Alegre.

Árbitro: Antônio Arías (do Paraguai).

Gols: Rafael Marques aos 32 minutos do primeiro tempo, Maxi López aos 18 e Rever aos 36 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Herrera, Tcheco (Grêmio), Fernández, Bongioanni e Sossa (Aurora).

GRÊMIO: Victor, Léo, Réver e Rafael Marques; Makelele (Diogo), Adílson, Tcheco, Sousa e Fábio Santos (Jadílson); Herrera (Orteman) e Maxi López. Técnico: Marcelo Rospide.

AURORA: Dulcich, Huyhuata, Zenteno, Méndez e Cardozo; Escobar (Castellon), Bongioanni (Cardozo), Viviani e Hurtado; Sossa (Gutierrez) e Paredes. Técnico: Júlio César Baldivieso.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Revisão de prioridades



Ao começar seu ano de futebol, a diretoria do Grêmio anunciou: a prioridade do primeiro semestre será a caminhada rumo a mais um título da Taça Libertadores da América (o segundo lugar no Brasileirão de 2008 deu a ele a oportunidade de buscar sua terceira conquista no torneio sul-americano). Para isto, sua comissão técnica decidiu deixar algumas partidas do Campeonato Estadual de lado, colocando reservas para os jogos contra adversários do Rio Grande do Sul - prevendo que só necessitaria da força máxima, mesmo, a partir das quartas-de-final.

Entretanto, a previsão gremista deu errado na última rodada do torneio gaúcho. Veio a goleada por 4 a 0 para o Caxias do Sul e a pior colocação dentre os times de sua chave. Isto fez com que o adversário de início de "mata-mata" fosse justamente o arquirrival Internacional. E na rodada de anteontem, o Grêmio pagou caro pela decisão de abrir mão da primeira fase do Gauchão: o colorado o eliminou com uma vitória por 2 a 1.

A conta foi "paga" por Celso Roth. O treinador foi despedido logo em seguida à derrota tricolor no "Gre-Nal". Sim, é corriqueira a demissão de técnicos nos clubes brasileiros. Todos os treinadores sabem que uma derrota em jogos importantes para suas torcidas pode causar revolta interna (entre jogadores e dirigentes) e externa (na arquibancada).

Mas, se a própria dirigência do clube afirmou que a prioridade de 2009 era a disputa da Taça Libertadores do América, por que, então, demitir o técnico Celso Roth? Afinal, o clube está no torneio sul-americano - é o primeiro colocado do Grupo 7, com sete pontos em nove disputados, uma campanha bem interessante para quem quer seguir na competição.

Este que vos escreve não é defensor do trabalho de Celso Roth (sempre visto com ressalvas por muitos comentaristas esportivos não só do Sul do Brasil). Entretanto, demitir um técnico após derrota para seu rival gaúcho num clássico pelo Campeonato Estadual do Rio Grande do Sul nada mais é do que priorizar um "campeonato à parte" com o colorado, em detrimento de buscar um longo trabalho. O exemplo disto foi o ex-presidente Eurico Miranda, que tanto valorizava os jogos do Vasco diante do Flamengo, o que só contribuía para exaltar o adversário rubro-negro.

A diretoria do Grêmio tem de decidir qual rumo vai tomar este ano. A equipe continuará tendo como prioridade a busca pela Taça Libertadores no primeiro semestre (e, quem sabe, a tentativa pelo título Mundial de Clubes em dezembro) ou ficará revendo suas prioridades movido por picuinhas de rivalidades regionais? Só as quatro linhas dirão!


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Logo mais, o Grêmio enfrenta o Aurora (da Bolívia) em seu estádio, Olímpico, pela Taça Libertadores. A cobertura deste jogo será feita por O tempo e o placar... e sairá na coluna de amanhã.

sábado, 4 de abril de 2009

Confronto azarão nos Pampas



Os primeiros meses da temporada nacional são dedicados à realização dos campeonatos estaduais. Como já foi dito em algumas postagens anteriores deste O tempo e o placar..., é a hora e a vez de alguns "pequenos" roubarem a cena em seus estados. No primeiro turno do Estadual do Rio de Janeiro, por exemplo, surgiu este ano o Resende (finalista da Taça Guanabara, e derrotado pelo Botafogo no jogo final). Em São Paulo, o Santos trava uma batalha árdua para conseguir a quarta vaga na reta final do Paulistão, e tem como adversários os mais modestos Portuguesa e Santo André.

Só que no Campeonato Gaúcho, o "azarão" da vez não foi um ou outro clube diferente da dupla Gre-Nal. A zebra dos Pampas foi protagonizada justamente por Internacional e Grêmio. O regulamento do Gauchão era claro: os 16 clubes da Primeira Divisão foram divididos em dois grupos de oito. Classificavam-se os quatro primeiros de cada grupo, e o primeiro de uma chave enfrentava o quarto da outra, enquanto o segundo de uma enfrentava o terceiro da outra. Um regulamento feito claramente para causar emoção num torneio que, aparentemente, tem apenas duas grandes forças (e um brevíssimo destaque para Juventude e Caxias, que volta e meia surpreendem). De acordo com a lógica, o Internacional ficaria em primeiro da Chave I e o Grêmio lideraria a Chave II. Os dois iriam eliminando seus adversários nas quartas-de-final e na semifinal até medirem forças na final.

No entanto, a graça do futebol (definida outrora por Nelson Rodrigues como "o Sobrenatural de Almeida") passou pela edição de 2009 do Gauchão. Na Chave I, o colorado honrou seu favoritismo e se classificou em primeiro, com seis vitórias e um empate. Já na Chave II, o tricolor gaúcho pagou o preço de priorizar a Taça Libertadores da América.

Com a classificação garantida para as quartas-de-final do Estadual, o técnico Celso Roth levou uma equipe reserva para o confronto contra o Caxias, em Caxias do Sul. Só que o time retornou a Porto Alegre com um resultado indigesto: o Bepi derrotou os gremistas por 4 a 0.

Pior do que o placar negativo, o jogo causou estrago na classificação do time na Chave II. Da possibilidade de ficar em primeiro lugar com uma vitória na serra, o tricolor caiu para a quarta posição (perdida no critério de desempate do "saldo de gols" para seu algoz Caxias).

O quarto lugar fez com que o Grêmio fosse credenciado para jogar diante do Internacional, formando um confronto "azarão", já que o grande embate gaúcho era, naturalmente, previsto para acontecer somente ao fim do torneio. Agora, um dos "grandes" ficará pelo caminho, e logo na primeira fase do "mata-mata" decisivo para definir o melhor do Rio Grande do Sul. Os outros três semifinalistas serão conhecidos depois dos seguintes confrontos: Santa Cruz e Juventude, Veranópolis e Caxias e Ulbra e Internacional de Santa Maria.

Mais uma vez, os "pequenos" gaúchos têm chance de roubar a cena da dupla Gre-Nal. E, apesar do grande jogo do Rio Grande do Sul acontecer tão cedo (nas quartas-de-final), o confronto entre Inter e Grêmio tem um aperitivo a mais: neste 2009, o colorado comemora 100 anos de sua fundação. Será que a saga do Sport Clube Internacional em busca da soberania estadual no ano de seu centenário continuará, ou o arquirrival Grêmio atrapalhará a festa, eliminando o adversário e sendo o melhor do Rio Grande do Sul numa data tão importante para o rival alvirrubro?

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BOLA PRO MATO

Comprovada a má-fé da FBA (empresa responsável pela organização da Série B), agora a Confederação Brasileira de Futebol acena com a possibilidade de ajudar financeiramente também as equipes que estão na Segunda Divisão do futebol nacional. Uma das medidas seria dobrar o número de clubes associados atualmente ao Clube dos 13 - dos 20 atuais, passariam para 40 os times ligados à entidade. Os loucos por futebol brasileiro esperam que isto não seja a senha para o futebol voltar a ter destaque (negativo) fora das quatro linhas.

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BOLA NA ARQUIBANCADA

O Estadual do Rio de Janeiro demora tanto para ter a realização de um clássico e, quando acontece, os treinadores decidem escalar equipes reservas. O argumento do rubro-negro Cuca e do tricolor Carlos Alberto Parreira é o de "poupar jogadores para a semifinal" - na qual pode acontecer novamente, com diferença de uma semana, um confronto entre Flamengo e Fluminense. Será que jogadores, comissão técnica e dirigentes dos dois times não atinam que as respectivas torcidas querem assistir a um jogo de verdade, com forças máximas que garantam a mística e a rivalidade deste confronto histórico?

quinta-feira, 12 de março de 2009

Grêmio perde muitos gols, mas sai vitorioso da Colômbia




Tendo como principais adversários a altitude na Colômbia e os erros de conclusão de seus atacantes, o Grêmio saiu do Estádio La Independencia, em Tunja, com uma vitória por 1 a 0 sobre o Boyacá Chicó, em seu segundo jogo pela Taça Libertadores da América. Com o triunfo, a equipe quebrou dois tabus incômodos: pela primeira vez na história do torneio os gaúchos venceram uma partida em território colombiano (antes, tinham sido seis jogos, com um empate e cinco derrotas) e, depois de quatro resultados negativos, o Grêmio voltou a vencer - o que deu sobrevida a Celso Roth no cargo de treinador do tricolor.

Mesmo jogando em território colombiano, o Grêmio começou acuando o Boyacá Chicó em seu campo defensivo. Com um minuto de partida, a zaga do time da Colômbia já tinha necessitado por três vezes rechaçar as tentativas gremistas. Aos quatro, a torcida do time colombiano achou uma forma bem curiosa de provocar a equipe gremista: enquanto sua defesa trocava passes, os torcedores gritavam "olé".

A "tática" parecia ter surtido efeito. No minuto seguinte, Movil entrou na área, mas chutou a bola por cima do gol de Victor. Como um bom confronto sul-americano, a equipe colombiana usou da catimba para tentar prejudicar o time brasileiro - aos 10, Alex Mineiro levou cartão amarelo após uma falta desnecessária.

O Grêmio tentou responder em campo no minuto seguinte: Souza arriscou de fora da área, mas a bola foi por cima do travessão. O Boyacá Chicó respondeu com duas tentativas consecutivas: aos 12, num chute de Pino que obrigou Victor a espalmar para escanteio, e aos 14, em uma bola que passou à direita do gol gremista.

Só que o lance mais perigoso veio da equipe gaúcha: aos 16, novamente, Souza arriscou de fora da área, com seu chute indo rente à trave. Aos poucos, o Boyacá Chicó foi ganhando mais campo, obrigando o Grêmio a se defender extremamente. No entanto, a defesa gremista conseguia evitar que os colombianos chegassem ao gol. A bola que chegou mais perto foi um chute de Pino, que saiu fraquinho, nas mãos de Victor.

Os gremistas pareciam sentir o peso da altitude, em especial os alas Ruy e Fábio Santos, que raramente partiam para o ataque. A equipe de Celso Roth começou, então, a tentar manter sua segurança na defesa, esquecendo a ousadia no ataque. Quando o lateral-direita tentou levar o Grêmio para frente, houve um lance de perigo: com 25 minutos, Ruy arriscou um cruzamento para Jonas, o que obrigou a zaga colombiana a jogar para escanteio. Após a cobrança de Souza, novamente Jonas arriscou com uma cabeçada, que foi por cima do gol de Velázquez.

Com 31 minutos de partida, Souza conseguiu fazer a diferença. Em cobrança de falta que ele mesmo sofreu, o jogador, com categoria, fez 1 a 0 para o Grêmio. Dois minutos depois, foi a vez do Boyacá Chicó ter uma falta perigosa a seu favor. Mas, ao contrário do lance gremista, o chute de Tapia acertou a barreira.

Com o placar adverso, o time da Colômbia passou a se lançar no ataque, deixando espaços em sua defesa. Aos 35, por pouco o Grêmio não aumenta a diferença: depois de passe de Ruy, Jonas tentou encobrir o goleiro Velázquez, mas a bola acertou o travessão. Três minutos depois, Jonas ia deixar Alex Mineiro livre para marcar, mas demorou muito para passar a bola, e o atacante ficou em posição irregular. O Grêmio crescia na partida, e aos 39, Ruy entrou livre de marcação pela esquerda, mas, em vez de jogar para o meio (aproveitando que Jonas estava sozinho na área), o lateral arriscou de longe, e chutou muito mal. Logo em seguida, mais uma chance perdida: Fábio Santos chegou à linha de fundo e cruzou para a área, mas Adilson não conseguiu dominar.

Aos 41, o meia Mahecha, do time colombiano, levou um cartão amarelo após falta em Souza. O Grêmio prosseguia com sua superioridade, mas esbarrava no mesmo problema do empate em 0 a 0 com o Universidad do Chile, em sua estreia no Olímpico. Aos 44 e aos 45, vieram mais duas chances desperdiçadas: um bom chute de Souza defendido por Velázquez e uma tentativa de Ruy que passou por cima do travessão. Com um minuto de acréscimo, o árbitro argentino Sérgio Pezzotta terminou o primeiro tempo, com vitória do Grêmio por 1 a 0.

Antes das duas equipes voltarem para o segundo tempo, os bandeirinhas tiveram de ajudar na limpeza do campo. O motivo: a torcida do Boyacá Chicó atirava muitas faixas de papel perto do gol no qual Velázquez iria atuar na segunda etapa, e os objetos praticamente tomaram a grama da grande área.

Em desvantagem no placar, o time da casa tentava equilibrar o jogo. Aos dois minutos, o primeiro lance de perigo colombiano: Tapia passou por um zagueiro gremista e deu um chutaço de fora da área, mas Victor impediu o gol com uma grande defesa. O mesmo Tapia levou perigo à defesa do Grêmio com cinco minutos, quando se livrou de um zagueiro e tentou. Mas o chute saiu rasteiro, nas mãos do goleiro gremista.

Em uma chance crucial, mais uma vez o Grêmio desperdiçou a chance de ampliar a vantagem. Após sofrer constante pressão do Boyacá Chicó, no contra-ataque o atacante Jonas conseguiu ganhar na corrida e chegar sozinho cara a cara com o goleiro. Mas, na entrada da área, o camisa 7 chutou rasteiro e permitiu grande defesa do goleiro Velázquez, aos nove minutos. Com 10 minutos, Celso Roth fez duas alterações: no lugar do meia Tcheco e do atacante Alex Mineiro (que atuaram pessimamente), entraram o meia Makelelê e o atacante Herrera, respectivamente. Aos 11, nova chance perdida pelo Grêmio: após passe de Jonas, Souza soltou uma bomba para fora. Dois minutos depois de entrar em campo, Makelelê já levou um cartão amarelo.

O treinador Alberto Gamero tentou levar o Boyacá Chicó para a frente, substituindo Madera pelo atacante Nuñez. Mas era o Grêmio que continuava perdendo gols - aos 15, Herrera chutou de fora da área, por cima do gol de Velázquez. A equipe colombiana continuava tentando, mas esbarrava na zaga gremista, sempre eficiente na hora de travar os chutes do adversário. Aos 23, outra vez Jonas tentou seu gol, aproveitando cruzamento de Ruy, mas a bola de cabeça foi para fora.

No minuto seguinte, o Boyacá Chicó ficou com um a menos. Após driblar um zagueiro, Mahecha se jogou perto da grande área para simular uma falta. Como já havia recebido cartão amarelo, o meia foi expulso. Nem assim o Grêmio conseguiu marcar o segundo gol: aos 25, mais uma vez Jonas desperdiçou oportunidade, com Velázquez espalmando a tentativa dele.

O time colombiano começou a pressionar em busca de, pelo menos um empate no estádio La Independencia. Em duas chances seguidas, Nuñez passou perto do gol - na primeira, o chute resvalou em Léo, e na outra, a bola foi para fora. A sina de gols perdidos prosseguia do lado gaúcho: mais uma vez, Souza tentou de fora da área, aproveitando passe de Herrera. Sua tentativa passou à esquerda do gol, a 15 minutos do final.

Mesmo com 10 homens em campo, o técnico Alberto Gamero continuou reforçando o ataque do time colombiano. Movil deu lugar ao meia ofensivo Giron aos 31 minutos de partida.

Aos 34, veio a melhor chance de todas para a equipe gremista. Na linha da grande área, Jonas arriscou novamente. Velázquez defendeu, mas soltou a bola. Jonas recuperou a jogada, deixou o goleiro batido e tocou tranquilamente para as redes. Mas o chute acertou a trave. O camisa 7 conseguiu recuperar a jogada, passou por Velázquez e por um zagueiro do Boyacá Chicó. Mas, na hora de chutar, encheu o pé e o chute passou à esquerda do gol. O caminhão de gols perdidos na Colômbia (que acabou sendo exemplo para Herrera, num chute que foi por cima do gol) deve ter sido o motivo de Celso Roth substituir o atacante aos 37: Jonas deu lugar a Reinaldo.

A cinco minutos do fim da partida, Tapia cobrou falta perigosa a favor do Boyacá Chicó, mas a bola desviou na barreira e foi para escanteio. No contra-ataque gremista, o goleiro Velázquez não só saiu para a intermediária, como também ultrapassou o meio-de-campo para levar sua equipe ao ataque. Por pouco, o Grêmio não consegue tentar o gol vazio - a bola foi para fora.

Aos 43, quase o Grêmio é castigado pelo número de gols perdidos. Após cobrança de falta de Tapia, Nuñez arriscou de cabeça e, com dificuldade, Victor fez defesa no canto direito. Depois do árbitro assinalar quatro minutos de acréscimo, Celso Roth mandou sua equipe prender a bola.

Em meio à troca de passes, Adilson pisou na bola e proporcionou o contra-ataque do time colombiano - mas, na hora de Nuñez finalizar, a zaga conseguiu rechaçar. O Boyacá insistiu até o último minuto. Depois de uma tentativa na área, o time teve a seu favor um escanteio, mas a cobrança saiu errada e fez com que o árbitro finalizasse o jogo.

Apesar da vitória fora de casa, o resultado não foi dos melhores para o tricolor gaúcho. Mesmo em igualdade no número de pontos com o Universidad do Chile, a equipe está em segundo lugar no Grupo 7 da Taça Libertadores da América, pois os chilenos têm um saldo de gols maior que o dos brasileiros. Depois do fim à pressão sobre o treinador Celso Roth, o Grêmio agora terá de conviver com a pressão a seus atacantes, que perderam a excelente oportunidade de voltar para o Brasil com uma goleada.

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BOYACÁ CHICÓ (COL) 0x1 GRÊMIO

Local: Estádio La Independencia (Colômbia).

Gol: Souza, aos 31 minutos do primeiro tempo.

Cartões amarelos: Alex Mineiro, Makelelê e Adilson (Grêmio) e Mahecha (Boyacá Chicó).

Expulsão:
Mahecha (Boyacá Chicó), aos 24 minutos do segundo tempo.

BOYACÁ - Velázquez, Pino, Juan Galicia, Mario Garcia e Madera (Nuñez); Mahecha, Ramirez e Movil (Giron); Tapia, Caneo e Marco Perez. Técnico: Alberto Gamero.

GRÊMIO - Victor, Léo, Rever e Rafael Marques; Ruy, Adilson, Tcheco (Makelelê), Souza e Fábio Santos; Jonas (Reinaldo) e Alex Mineiro (Herrera). Técnico: Celso Roth.

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BOLA PRO MATO

Depois de conviver com a escassez de gols de seus atacantes quando eles iniciavam as partidas do clube, o ataque do Flamengo apareceu timidamente na vitória sobre o Duque de Caxias, no Estádio Raulino de Oliveira. No entanto, o gol de Josiel foi mero figurante diante da atuação de Léo Moura, que, agora atuando no meio-de-campo, marcou dois gols, sendo um deles de falta (o lateral Juan foi o outro autor dos gols rubro-negros no jogo). De negativo, a displicência da equipe, que, mesmo com um a menos desde a expulsão de Ibson, não aguentou a pressão do time da Baixada, que diminuiu uma vantagem de 4 a 0 para 4 a 2. Felizmente, no Campeonato Estadual algumas equipes não incomodam tanto os "grandes" cariocas.

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BOLA NA ARQUIBANCADA

Mais um gol de Ronaldo, desta vez chutando de primeira um cruzamento de Dentinho, e fazendo o segundo gol da vitória por 2 a 1 do Corínthians sobre o São Caetano. Além da crença de que é bem provável ele esteja recomeçando (e bem) a carreira, este pretenso cronista esportivo que vos escreve ainda acredita que Ronaldo anda lendo O tempo e o placar..., e faz estes gols só pra calar a boca do responsável por este blogue.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Gre-Nal, a centenária tradição no futebol gaúcho



Conhecido por seu futebol competitivo, raçudo e muitas vezes violento, o futebol gaúcho sempre teve o seu destaque no cenário do futebol. No entanto, com uma ou outra exceção, o Rio Grande do Sul somente consegue ter destaque nacional com dois times de sua capital.

GRÊMIO e INTERNACIONAL são os únicos times do Sul a ter grande destaque no futebol brasileiro. Salvo o título de Copa do Brasil do Juventude em 1999, o território nacional praticamente associa este estado à bipolaridade em títulos da dupla Gre-Nal.

A tradição começou na década de 1970: o Inter se tornou o maior campeão brasileiro da década, vencendo os títulos de 1975, 1976 e 1979 (este, quando foi o único time do país a ganhar o certame nacional sem perder nenhum jogo), num time com jogadores como Falcão e Elias Figueroa. Na década seguinte, o Grêmio conseguiu seu primeiro título brasileiro, em 1981. No ano de 1983, a equipe venceu a Taça Libertadores da América e o (na época erroneamente chamado, pois o torneio trazia somente um confronto entre o melhor da América do Sul e o melhor time da Europa) Mundial Interclubes, com uma equipe na qual se destacavam o zagueiro Ponce de León e o atacante Renato Gaúcho.

O Grêmio foi o primeiro time a dar mais atenção à inicialmente desacreditada Copa do Brasil, da qual é uma das grandes campeãs (venceu os torneios de 1989, 1994, 1997 e 2001). Seu sucesso nesta competição de "mata-mata" (a imprensa esportiva usa esta denominação ao falar de torneios nos quais os vencedores são definidos fase a fase em dois jogos decisivos por vez) deu ao Grêmio a designação de "time copeiro". Esta expressão ganhou ainda mais força em 1995, quando o time ganhou pela segunda vez a Taça Libertadores da América - a equipe foi vice-campeã "mundial" naquele. Além do sucesso na Copa do Brasil, os tricolores gaúchos também venceram o Campeonato Brasileiro de 1996. Enquanto isto, o Inter se destacaria somente na Copa do Brasil de 1992, da qual foi campeão com um gol gerado de um pênalti discutível contra o Fluminense.

A primeira década do milênio seria a redenção do Internacional depois de duas décadas, e desta vez o "troco" veio no cenário internacional. Em 2006, o time venceu a Taça Libertadores da América e ganhou seu primeiro Mundial de Clubes com uma vitória por 1 a 0 sobre o Barcelona de Ronaldinho Gaúcho. No ano seguinte, os colorados foram campeões da Recopa Sul-Americana (torneio disputado em dois jogos entre o campeão da Libertadores e o campeão da Copa Sul-Americana - no caso, o mexicano Pachuca). Com o título da Copa Sul-Americana conquistado no ano passado contra o argentina Estudiantes, o colorado gaúcho conseguiu uma grande proeza: até o momento, é a única equipe brasileira que foi campeã de todos os títulos oficiais que um clube da América do Sul pode ter.

A saborosa rivalidade do Gre-Nal completará este ano um século. Em 18 de julho de 1909, no Estádio da Baixada (na época propriedade gremista), o tricolor gaúcho goleou o Inter por 10 a 0. Desde então, vieram 374 partidas, com vantagem colorada no confronto: são 139 vitórias do Internacional contra 118 do Grêmio e 117 empates. As partidas foram válidas não só pelo Campeonato Gaúcho - competições nacionais como o Brasileiro e a Copa do Brasil, a interestadual Sul-Minas e até a Copa Sul-Americana foram disputadas com as maiores equipes gaúchas em campo.

A tradição do Gre-Nal é tanta que invariavelmente um dos dois está na final do Gauchão. No ano em que se completa 100 anos do confronto, o primeiro turno do Estadual gaúcho não foge à regra da tradicional disputa entre Grêmio e Internacional. Os colorados levam ligeira vantagem de títulos em relação aos gremistas no Estadual - são 38 contra 35 - o que torna a disputa ainda mais acirrada também entre as torcidas.

Em partida realizada na quinta-feira passada, o Internacional superou o Novo Hamburgo com uma vitória por 2 a 0. Na sexta, mesmo utilizando uma equipe recheada de reservas (dois dias antes, os titulares jogaram na estreia da Taça Libertadores), o Grêmio venceu o Veranópolis por 1 a 0, proporcionando mais um confronto no ano do centenário do duelo Gre-Nal - o primeiro foi em 8 de fevereiro, vitória colorada por 2 a 1 em jogo realizado na cidade de Erechim.

Mais do que a tradição centenária do embate entre Grêmio e Internacional, os "Gre-Nais" mostram a supremacia dos dois times em território do Rio Grande do Sul. Resta aos jogadores que defendem estas respectivas equipes atuarem a cada jogo com mais garra, como forma de suprir a ausência de outros clubes expressivos no estado.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Libertadores, o Brasil em busca de fazer a América



Objeto de cobiça de todo clube sul-americano, a Taça Libertadores da América chega à sua edição de número 50, mantendo o mesmo charme que cerca a seleta competição há tanto tempo. São as melhores equipes de toda a América do Sul (e três equipes mexicanas) duelando jogo a jogo para ver quem é o melhor time do continente.

Desde que começou a ter cinco vagas por edição, o Brasil destina o direito de disputar a Libertadores aos quatro primeiros colocados do Campeonato Brasileiro e ao campeão da Copa do Brasil do ano anterior. Entretanto, o quarto colocado do Brasileirão passa por uma fase denominada "Pré-Libertadores", na qual disputa a vaga na fase inicial do torneio em dois jogos com equipe de outro país. Para o PALMEIRAS, a competição começou mais cedo. No dia 28 de janeiro, o alviverde paulista teve uma estreia incontestável - 5 a 1 sobre o boliviano Real Potosí, em São Paulo. No segundo jogo, em 5 de fevereiro, nova vitória palmeirense em terras bolivianas: 2 a 0.

Com isto, a equipe foi credenciada para fazer parte do Grupo 1 da competição, e logo em seu primeiro jogo teve o maior adversário deste 2009. Coube ao Palmeiras estrear na fase classificatória da Libertadores contra o campeão da edição de 2008 - o equatoriano LDU, que na final derrubara o Fluminense, com uma vitória por 4 a 2 em Quito e mesmo depois de uma derrota por 3 a 1 no tempo normal, conseguiu a vitória nos pênaltis e o título da taça, pelo placar de 3 a 1. Vindo de uma série invicta de jogos no Campeonato Paulista, os palmeirenses decepcionaram sua torcida ao estrearem na "fase de grupos" com uma derrota por 3 a 2. O primeiro passo da tentativa de repetir o feito de dez anos antes (em 1999, o Palmeiras foi campeão da Taça Libertadores) não foi dos melhores.

No mesmo grupo do Palmeiras está outro brasileiro. Credenciado com a vaga depois do título da Copa do Brasil, o SPORT RECIFE voltou à competição 21 anos depois de sua única participação no torneio. Em 1988, o time pernambucano conseguiu sua vaga em meio ao imbróglio envolvendo o Clube dos 13 e a CBF. No ano de 1987, o Clube dos 13 realizou a Copa União independentemente da Confederação Brasileira de Futebol. Mas a entidade desportiva definiu que, após o final da competição, Flamengo e Internacional, respectivos campeão e o vice do Módulo Verde (equivalente à primeira divisão) deveriam disputar um quadrangular com Sport e Guarani, o campeão e o vice do Módulo Amarelo (segunda divisão da Copa União). Flamengo e Internacional se recusaram a fazer o quadrangular e, com isto, a CBF levou os dois melhores do Módulo Amarelo para a Libertadores de 1988.

Em seu primeiro jogo do torneio de 2009, o clube de Recife conseguiu um ótimo resultado: vitória por 2 a 1 sobre o chileno Colo-Colo, no Chile. É uma boa estreia para a equipe que pretende se igualar às "companheiras de jornada" nesta Libertadores. Dos cinco times brasileiros que estão no torneio este ano, somente ele nunca foi o melhor da América.

Maior campeão brasileiro (com o título do ano anterior, conseguiu chegar ao posto de hexacampeão do certame, sendo que seus últimos três foram consecutivos) e equipe brasileira com mais títulos sul-americanos (1992, 1993 e 2005), o SÃO PAULO volta à Libertadores como um dos grandes favoritos ao título. No entanto, sua estreia no Grupo 4 não foi das mais animadoras: um modesto empate em 1 a 1 com o colombiano Independiente de Medellín, no Morumbi.

Campeão em 1976 e 1997, o CRUZEIRO voltou à Libertadores por ter sido o terceiro colocado no Brasileirão de 2008. O time teve bom desempenho nas duas primeiras rodadas do Grupo 5. Na sua primeira partida, a equipe mineira venceu facilmente o argentino Estudiantes, no Mineirão, pelo placar de 3 a 0. No segundo jogo, o empate em 1 a 1 com o boliviano Universitario de Sucre acabou sendo um bom resultado, diante da violência que seus jogadores sofreram durante toda a partida.

Vice-campeão brasileiro no ano passado, o GRÊMIO tenta repetir os sucessos de 1983 e 1995 iniciando sua trajetória no Grupo 7. Assim como o campeão brasileiro São Paulo, sua estreia foi decepcionante. Além do empate sem gols contra o Universidad de Chile, o Olímpico assistiu a um festival de gols perdidos do time gaúcho - foram 13 oportunidades, ora neutralizadas por defesas do goleiro, ora por zagueiros tirarem a bola em cima da linha, ora pela trave.

São jogos curiosos como este que dão ainda mais charme à Taça Libertadores da América - marcada por partidas acirradíssimas, cercadas de catimba e de histórias - e fazem com que ela seja tão atrativa para os loucos por futebol quanto para os clubes (os prêmios são milionários e o título dá ao campeão o direito de disputar o Mundial Interclubes no final do ano). Um dado curioso: se o torneio acaba com uma equipe mexicana vencedora, o vice-campeão é automaticamente designado para representar a América no Mundial. O México é somente convidado do torneio sul-americano.

São Paulo, Grêmio, Cruzeiro, Palmeiras e Sport Recife são as armas brasileiras nesta batalha pela América do Sul. Os melhores do Brasil no ano passado são os times que em 2009 tentarão fazer a América e, quem sabe, levar o país ao topo do mundo.