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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Ausência de liderança



O time que almeja chegar à liderança de uma competição precisa ter pelo menos um líder – geralmente o jogador de mais qualidade, carisma ou experiência – para passar tranquilidade aos demais companheiros. O exemplo disto foi o Santos. Se nas rodadas anteriores a equipe foi conseguindo resultados positivos (e no 2 a 2 com a Ponte Preta, na rodada anterior, superou erros táticos para não sair de campo derrotada), mesmo com superioridade técnica e pressionando insistentemente o Santo André, os santistas não passaram do empate em 1 a 1.

Sem Elano, suspenso, as ausências que assolam o time de Adilson Batista ficaram ainda mais acentuadas. Além do grande número de passes errados, o meio-de-campo do Santos era nulo (Felipe Anderson, por exemplo, só foi notado quando o técnico ordenou que ele “parasse de frescura”, em referência às tentativas de dribles mal-sucedidos) e sujeito a chutões. Quando vinham tentativas de jogadas na grande área, o Peixe padecia por um erro de seu treinador: para colocar em campo o estreante Diogo, atacante que veio do Flamengo, a escolha de Adilson foi poupar Keirrison. Por pior que esteja sua fase, K9 ao menos fica na área, ao contrário de Diogo e de Maikon Leite. Sobravam chutões para todos os lados, até que uma falha do goleiro Neneca – que saiu mal do gol em cobrança de escanteio – fez com que a bola sobrasse para Rodrigo Possebon, de primeira, empatar a partida.

O Santo André? A frase “a melhor defesa é o ataque”, resposta do técnico Pintado à repórter que perguntou como o time encararia o Santos, durou apenas cinco minutos. Tempo suficiente para Nunes cavar uma falta e, no rebote da cobrança, o chute de Marcelo Godri desviar em Rithely e enganar o goleiro Vladmir. No mais, mera retranca e a pouca tentativa de jogar nos contra-ataques frustrada em erros e mais erros. Panorama que justifica sua fraquíssima campanha no Campeonato Paulista – sete jogos, seis empates e uma derrota – e o contentamento de um jogador do Ramalhão, que ao final da partida comemorou o empate com, segundo ele, “o melhor time do campeonato”. O time da Vila Belmiro pode não ser o melhor do Paulistão. Mas tem muito mais disposição para jogar e tentar ultrapassar seus limites do que a equipe do ABC paulista. Até mesmo quando faltar uma liderança em campo.

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Publicado originalmente no blogue do jornalista Ledio Carmona.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Noite do desempate



Na busca pela liderança da competição, Santos e Palmeiras enfrentaram os mesmos empecilhos nesta quarta-feira de Paulistão. Duelos fora de casa, contra times do interior de São Paulo que crescem quando atuam como mandantes e, para completar, os então líderes do Campeonato Paulista entraram em campo com desfalques. A diferença foi a postura das duas equipes contra as adversidades, que fez com que o Palmeiras terminasse a rodada como líder isolado da competição.

Se na Arena Barueri (domingo, diante do São Paulo) Adilson Batista foi bem-sucedido em sua estratégia, na partida de Campinas o treinador deixou o Santos exposto graças às suas invencionices de “Professor Pardal”. Com o zagueiro Edu Dracena, o lateral-esquerda Léo e o volante Adriano fazendo companhia aos demais ausentes, Adilson recorreu a improvisações para o Santos que iria atuar no Moisés Lucarelli. E, na base do improviso, o time santista se perdeu completamente em campo. Era zagueiro na lateral-direita, volante que começou em sua posição de origem deslocado para a lateral-esquerda, jogador que não sabia se era lateral ou ala. A impressão que o Santos dava era de que Adilson Batista fez a recomendação: “podem jogar de qualquer jeito, é só não deixar a dupla de ataque se mexer”.

De fato, Válber e Rômulo pouco apareciam na partida. Só que o time da Ponte Preta, bem armado por Gilson Kleina, chegava sempre com perigo – em especial nas investidas do meia Renatinho. Entre tantos espaços santistas, uma bola alçada por Mancuso encontrou Rômulo na área. De cabeça, o atacante abriu o placar para a Macaca aos 23. A cinco minutos do fim, um lampejo de Elano fez o Santos empatar o jogo. O meia avançou em direção à área adversária e foi derrubado na meia-lua. Com malandragem, ele induziu os ponte-pretanos a prestarem atenção em sua discussão com o árbitro Luiz Flávio de Oliveira. Quando os adversários deram conta, a bola já tinha encoberto a barreira e entrado no lado direito do gol.

Mesmo com o empate, o Santos continuou refém dos erros do “Professor Pardal” no segundo tempo. A Ponte continuou a dominar a partida, chegou ao segundo gol num pênalti cobrado por Renatinho e não parecia ameçada, em especial por estar com um jogador a mais – após o pênalti, Rafael foi expulso porque deixou a perna para derrubar o atacante Rômulo, que ia driblá-lo e fazer o gol. No entanto, mais uma vez os santistas foram salvos por Elano a cinco minutos do fim da etapa – depois de nova arrancada da intermediária, o meia deu passe de calcanhar para Maikon Leite chutar, empatando tanto o jogo quanto a briga dos dois pela artilharia (Elano e Maikon Leite estão com seis gols cada). Apesar do empate em 2 a 2, o Santos permanece invicto, e mesmo com o tropeço no Moisés Lucarelli está firme na briga pela liderança. Nada muito grave. Mas estas artimanhas de Adilson Batista podem se tornar armadilhas contra o sonho do título paulista, em especial quando o meia Elano não estiver em campo para salvar o time – caso do jogo da próxima rodada, contra o Santo André, na qual ele não atuará porque tomou o terceiro cartão amarelo.



A liderança isolada não veio com facilidade para o Palmeiras. O Mirassol justificou a quarta colocação que ostenta no Campeonato Paulista e vendeu caro a derrota. Primeiro, com a excelente participação do goleiro Fernando Leal, que fez pelo menos quatro defesas importantes nos primeiros dez minutos. Depois, com o equilíbrio que o Leão da Alta Araraquaense conseguiu no meio-de-campo, graças à atuação dos meias Jairo e Xuxa.

Mas o que ficou mais evidente no confronto de Mirassol foi como o Palmeiras padece com a ausência de seus titulares. João Vitor até consegue ter atuação satisfatória como volante, mas o trunfo das cobranças de falta de Marcos Assunção seria fundamental num jogo tão equilibrado quanto o desta quarta. Da tentativa de Luiz Felipe Scolari escalar três atacantes, Dinei ficou sumido no jogo, bem distante da habilidade de Valdívia, enquanto Adriano não convenceu como substituto de Kléber (suspenso pelo terceiro cartão amarelo). Coube ao lateral Cicinho novamente se destacar com a camisa palmeirense, fazendo jogada na direita e cruzando rasteiro para o talismã Patrik marcar aos 32. E o Palmeiras, em quem pouquíssimos apostavam no início do ano, chega à liderança do Paulistão e vai para o clássico diante do Corínthians com a moral elevada – tanto por sua situação no Estadual quanto pela eliminação corintiana na Libertadores. Um primeiro motivo de esperança para uma torcida tão carente de conquistas.

domingo, 30 de janeiro de 2011

A gangorra do San-São





O primeiro San-São de 2011 trouxe as duas equipes paulistas em papéis trocados em relação ao Paulistão do ano passado. Em 2010, o São Paulo se preparava para a disputa da Taça Libertadores da América, enquanto o Santos se esmerava para tentar os títulos do Estadual e da Copa do Brasil. Hoje, os santistas estão na expectativa pelo início da competição sul-americana, e o São Paulo tenta melhorar sua autoestima com as conquistas do Campeonato Paulista (que não vence desde 2005) e do inédito título da Copa do Brasil. Mas a partida da Arena Barueri mostrou outras inversões de valores.

Se Adilson Batista era designado pejorativamente como “Professor Pardal” por fazer escalações e substituições mirabolantes nos times que treinou, em seu primeiro clássico pelo Santos ele ajustou a equipe para neutralizar desde o meio-de-campo as opções ofensivas do adversário – afinal, os erros da zaga limitada (formada por Durval e Edu Dracena) custaram os três pontos no empate em 3 a 3 com o São Caetano na Vila Belmiro. O “Professor Pardal” do San-São foi Paulo César Carpegiani, que no primeiro tempo “inventou” Fernandão jogando como quarto homem do meio-de-campo e deixou o veloz Dagoberto na estática função de centroavante. A consequência foi o Santos dominar boa parte do primeiro tempo – tanto pelo erro tático de Carpegiani quanto pela superioridade física em relação ao “pesadão” São Paulo – e, aos 10 minutos, Robson cruzar para a área e Elano, entre os zagueiros, desviar de cabeça para a rede.

No segundo tempo, Carpegiani tentou corrigir seu erro, abandonando o esquema de três volantes ao tirar Zé Vítor e colocar o meia Marlos. Beneficiado pelo recuo excessivo (e perigoso) do Santos, o São Paulo cresceu na partida, pressionou, ficou em cima, só que não conseguiu finalizar. Quem finalizou foi Maikon Leite, após novo erro da zaga são-paulina, que ficou desatenta e permitiu que o atacante ficasse frente a frente com o goleiro Rogério Ceni para fazer 2 a 0 aos 28 minutos. Em resposta à vontade e à persistência são-paulina, os santistas apresentaram sua eficácia e o poder de fogo de seu bom elenco. Bom elenco, uma característica típica do São Paulo de outros anos, mas que o Morumbi está demorando para apresentar em 2011.

O San-São da Arena Barueri comprovou também a disparidade do efeito da ausência do “camisa 10″ de cada equipe. Num Santos que vem se armando bem para o ano da busca pela Libertadores, o retorno de Paulo Henrique Ganso traz a expectativa da presença de um jogador habilidoso, para colocar o talento lado a lado com a eficiência mostrada até agora no Paulistão (é líder, ao lado do Palmeiras, com quatro vitórias e um empate). A estreia de Rivaldo – prevista para quinta-feira, contra o Linense – ganha ares de urgência no São Paulo, que não consegue organizar boas jogadas no meio-de-campo e fica à mercê de bolas alçadas na área ou de lançamentos para a corrida de Fernandinho e Dagoberto. Do jeito que o time do Morumbi está atuando, por mais que “dê um chocolate na partida” (como declarou Rogério Ceni após o jogo), se o São Paulo não tiver uma referência de criatividade na equipe vai ficar difícil acertar a receita de levar o clube de volta às grandes competições internacionais.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Um peixe mais que vivo




Em relação ao time que conquistou o Campeonato Paulista de 2010, o Santos perdeu Wesley, André e Robinho para o exterior, viu o técnico Dorival Júnior ir embora por uma crise interna e, atualmente, convive com as ausências do Paulo Henrique Ganso, lesionado, e de Neymar, que está na Seleção Brasileira Sub-20. Mas, apesar de tantas baixas, o time continua no caminho das vitórias graças ao lema de Adilson Batista: objetividade.

Objetividade que foi simbolizada na partida contra o Grêmio Prudente por Robson, que vestiu a camisa 10. Enquanto Ganso não se recupera, Robson, emprestado ao Avaí na temporada passada, mantém o meio-de-campo de Santos com um ritmo acelerado pela boa troca de passes, que faz com que seus companheiros se revelem jogadores decisivos. Primeiro com Elano, que aproveitou falha da zaga (o meia também marcou o segundo gol, em cobrança de pênalti). Depois com Keirrison, que estava sumido na partida mas foi eficaz quando aproveitou a dividida de Robson com o goleiro Sidnei e fez o terceiro gol. Por fim, numa cobrança de falta o camisa 10 encontrou Maicon Leite livre entre os zagueiros, e o atacante só teve o trabalho de tirar a bola do alcance do goleiro.

O Prudente chegou a assustar, com um gol de Rômulo (de pênalti) e um gol olímpico de Bruno Ribeiro, só que seu desempenho refletiu os problemas que assolam o clube. Após o rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro, o time demitiu o treinador Rogério Micale e hoje foi treinado interinamente pelo auxiliar Fábio Giuntini. Auxiliar que pode ser efetivado, mas também pode ser substituído a qualquer momento. Com tanta instabilidade, como traçar um objetivo claro? Seu objetivo no Paulistão parece ser mesmo o de brigar para não cair – também no Estadual.

Graças à objetividade de sua equipe, o Santos chegou a três vitórias em três jogos, com 11 gols marcados. Os santistas seguem à risca o planejamento feito por Adilson Batista – acumular “gordura” de pontos para poupar jogadores que disputarão a Taça Libertadores. Até o momento está dando certo, mas novos desafios prometem dar problemas ao treinador. A saída de Zé Love, vendido esta semana ao Genoa, deixa o Santos com apenas Keirrison como centroavante de ofício. O outro atacante titular, Maicon Leite, tem um pré-contrato assinado com o Palmeiras, e deve ir embora em junho. Como lidar com os próximos percalços?

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Publicada originalmente por Vinícius Faustini no blogue do jornalista Ledio Carmona.

domingo, 26 de setembro de 2010

Desespero em branco e preto



Análise de jogo - Atlético Mineiro 1 x 2 Grêmio (Arena do Jacaré, 18h30)

Apenas nove partidas com pontos conquistados em dois terços de campeonato. Uma derrota por 5 a 1 para o Fluminense, no Engenhão, no meio de semana. A demissão de Vanderlei Luxemburgo, treinador com a comissão técnica mais cara do país, e sinônimo de esquadrões vitoriosos outrora. Ao redor, um elenco de jogadores de destaque, dignos de formar uma boa equipe, que vai se desfazendo em atuações cada vez mais frustrantes. Foram muitos os adversários que o Atlético Mineiro teve de enfrentar na Arena do Jacaré. E, além de todos eles, ainda havia o Grêmio, em situação menos delicada na classificação, mas também penando com uma campanha bem abaixo do esperado, a ponto de ver a zona de rebaixamento não muito longe.

E talvez o receio de voltar àquela situação tenha sido decisivo para o time gremista, que desde o primeiro minuto mostrou uma vontade de jogar bem maior do que os apáticos atleticanos. Do time mineiro, apenas se manifestava o goleiro Renan Ribeiro - garoto de 20 anos que o técnico estreante, Dorival Júnior, promoveu a titular. Ele realizou uma grande defesa para chute de André Lima. Em vão. No rebote, Jonas correu mais do que os adversários e colocou a bola no fundo da rede. 1 a 0 Grêmio, aos dois minutos.

A desvantagem no placar deixou o Atlético ainda mais abatido, e a equipe assistiu passivamente quando Gabriel desceu pela direita e, depois de tabelar com Douglas, chutou a bola no fundo da rede de Renan Ribeiro. Grêmio 2 a 0, em 15 minutos de partida. Os mineiros seguiam atônitos, entregues à má situação no Campeonato Brasileiro, e davam mais espaços para o tricolor gaúcho atacar. Era a mesmice, daquelas que nem mesmo uma mudança de treinador parece capaz de solucionar. Só que Dorival Júnior conseguiu amenizar em uma mudança. Em vez de persistir na escalação do inconstante Fábio Costa debaixo das traves, a oportunidade dada a Renan Ribeiro foi bem oportuna. Graças ao novo goleiro, chutes de André Lima e de Jonas não aumentaram a vantagem gremista na partida.

Aos poucos, os jogadores gaúchos se deixaram levar pela impaciência com as chances perdidas, e o Grêmio foi relaxando em sua marcação. As trocas de passes atleticanas começaram a acontecer, principalmente em jogadas iniciadas por Daniel Carvalho. E do pé dele veio a confirmação da reação do Atlético Mineiro. Após passar por três adversários, Daniel deu um belo chute. Victor espalmou, mas no rebote Diego Tardelli desviou, de cabeça, para o fundo da rede.

Com o placar em 2 a 1 aos 25 minutos, a equipe de Minas Gerais voltava a estar no jogo. O desespero parecia prestes a acrescentar a cor azul ao preto e branco da noite - desta vez nas cores do tricolor gaúcho. Mas duas fatalidades atrapalharam o Atlético Mineiro. A primeira foi uma contusão no ombro de Daniel Carvalho. O jogador ainda permaneceria em campo, mas seu rendimento piorou bastante no resto da partida. Menos sorte teve Diego Tardelli, que precisou ser substituído por Neto Berola antes do intervalo.

Na volta para o segundo tempo, o Grêmio sentiu a consequência de não ter matado a partida nas duas chances que teve. Com Adilson e Douglas sem muita inspiração ofensiva, o time se limitava a marcar os atleticanos, e dava espaços para que o adversário avançasse.

O desespero oscilava entre o alvinegro e o tricolor em poucos instantes. Em um chute perigoso de Daniel Carvalho e duas conclusões de Neto Berola, o goleiro Victor se desdobrou para evitar que a história se repetisse com o Grêmio - na rodada anterior, os gremistas venciam o Flamengo no Olímpico, mas permitiram o empate em 2 a 2 a cinco minutos do final.

Se as oportunidades encaminhavam o jogo da Arena do Jacaré a um equilíbrio, as alterações trataram de fazer com que a partida desempatasse, através dos elencos de cada clube. Do lado do Atlético, Ricardinho deu lugar a um esforçado Eron e o limitado Rafael Cruz foi substituído pelo fraquíssimo Diego Macedo. No Grêmio, Renato Gaúcho manteve o nível da equipe, nas saídas de Fernando, Adilson e André Lima para as entradas de Roberson, Neuton e Maylson, respectivamente.

Com as alterações, o Grêmio voltou a dominar o jogo, e por pouco não marcou mais uma vez no finzinho - Maylson chutou e a bola parou na trave de Renan Ribeiro. Ao final da partida, Renato Gaúcho respirou aliviado, porque no fim das contas não foi preciso muito para sua equipe sacramentar a vitória por 2 a 1 - que deixa o tricolor do Rio Grande do Sul com 33 pontos, na décima colocação e a sete pontos do Z-4. Pelo menos por algumas rodadas, o fantasma da Série B não assombrará o Olímpico.

Em assombro prossegue o Atlético Mineiro, cada vez mais mergulhado numa depressão pelos resultados que não aparecem - são 16 derrotas em 25 jogos no Campeonato Brasileiro. A equipe está na penúltima colocação, a sete pontos da salvação da degola para 2011. Cabe a Dorival Júnior (que em 2009 conseguiu levar o Vasco de volta à Série A do Brasileirão) impedir que o desespero em branco e preto se transforme em mais um momento de luto para a torcida atleticana - que, em 2005, viu seu clube de coração cair para a Segunda Divisão do ano seguinte.

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ATLÉTICO MINEIRO 1 x 2 GRÊMIO

Estádio: Arena do Jacaré (Sete Lagoas / MG).

Público: 12.262 / Renda: R$ 57.790,00

Árbitro: Arilson Bispo da Anunciação (BA) / Auxiliares: Emerson Augusto de Carvalho e Luiz Carlos Silva Teixeira (BA).

Gols: Jonas, aos dois, Gabriel aos 15 e Diego Tardelli aos 25 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Gabriel , Fábio Santos, Neuton, Rafael Marques, Fernando (Grêmio) e Serginho (Atlético Mineiro)

ATLÉTICO MINEIRO - Renan Ribeiro, Rafael Cruz (Diego Macedo 7'/2ºT) Réver, Werley e Leandro; Zé Luis, Serginho, Ricardinho (Eron 21'/2ºT) e Daniel Carvalho; Diego Tardelli (Neto Berola 43/'1ºT) e Obina - Técnico: Dorival Júnior.

GRÊMIO - Victor, Gabriel, Vilson, Rafael Marques e Fábio Santos; Fábio Rochemback, Adilson (Neuton 14'/2ºT), Fernando (Róberson 32'/2ºT) e Douglas; Jonas e André Lima (Maylson 14'/2ºT). Técnico: Renato Gaúcho.

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RESULTADOS - RODADA 25

Sábado

18h30

Atlético Goianiense 3 x 0 Grêmio Prudente (Serra Dourada)
Santos 4 x 1 Cruzeiro (Arena Barueri)
Guarani 1 x 0 Vasco (Brinco de Ouro da Princesa)
Flamengo 1 x 3 Palmeiras (Engenhão)
São Paulo 0 x 3 Goiás (Morumbi)

Domingo

16h

Vitória da Bahia 1 x 2 Fluminense (Barradão)
Botafogo 1 x 1 Atlético Paranaense (Engenhão)
Internacional 3 x 2 Corínthians (Beira-Rio)

18h30

Atlético Mineiro 1 x 2 Grêmio (Arena do Jacaré)
Avaí 5 x 0 Ceará (Ressacada)

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O tempo e o placar... elege o que houve de melhor e de pior na rodada do Brasileirão.

O CHUTAÇO

Mais uma vez, D'ALESSANDRO se tornou o grande nome da rodada, ao reger com maestria a vitória do Internacional por 3 a 2 sobre o Corínthians. Passes decisivos para os gols de Tinga e de Alecsandro, e uma sequência de jogadas de encher os olhos da torcida colorada. Seu único porém é não poder fazer parte da Seleção Brasileira.

A FURADA

O CEARÁ segue em queda livre no Campeonato Brasileiro, comprovando que as sete primeiras rodadas foram apenas um sonho. A última vertente que sustentava a qualidade do Vovô caiu por terra no gramado da Ressacada, ao levar cinco gols do Avaí, time que não vencia há 41 dias.

sábado, 25 de setembro de 2010

Mesmos caminhos





Em uma semana, Dorival Júnior caiu 11 posições no Campeonato Brasileiro. De um Santos que ainda consegue alimentar esperanças do título - através do qual o clube teria também a "Tríplice Coroa", ao lado das conquistas do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil - o treinador foi parar no Atlético Mineiro, que talvez viva sua campanha mais frustrante na história do torneio. Os contextos são diferentes, mas em alguns caminhos, Atlético e Santos parecem bem próximos - e não somente porque em ambos os clubes ele sucedeu Vanderlei Luxemburgo.

No clube paulista, Dorival não foi páreo para o estrelismo que girou em torno de Neymar. Sua nova equipe não chega a ter um destaque com tantos holofotes quanto o atacante santista, mas traz um grupo formado por jogadores de nome, dos quais torcida, dirigentes e a crítica esportiva esperavam muito para o Campeonato Brasileiro. O treinador vai conseguir lidar com os egos de jogadores temperamentais como o goleiro Fábio Costa, o atacante Diego Tardelli e, principalmente, o instável Diego Souza?

O Santos pena com rixas políticas em sua diretoria, e elas refletem nos resultados de dentro do gramado - e isto não fica restrito às saídas de "Meninos da Vila" para o exterior. Dorival foi apenas mais um a sofrer a consequência do destempero da presidência santista.

Mas a conduta de Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro não parece tão distante de Alexandre Kalil. Enquanto o atual presidente santista quer posar de mandatário protecionista num populismo não muito convincente (por que manter Neymar e deixar de lado jogadores mais importantes para o Santos, como o meia Wesley e o atacante André?), o presidente atleticano usa um tom mais raivoso, com discursos que falam em vigiar a vida noturna e até bater nos atletas de seu clube.

Diante de tantas semelhanças entre o anterior e o atual time que está comandando, a saída de Dorival Júnior pode ser uma receita bastante corriqueira: investir em jogadores formados na base. Resta saber se, para seguir este caminho no Atlético Mineiro, o treinador verá qual coincidência da diretoria atleticana com a presidência santista acontecerá neste restante de temporada.

O grato desejo de proteger os bons valores que surgem nas divisões de base ou a abominável conduta de um presidente intervir a torto e a direito na escalação da equipe de futebol. Sim, é bem verdade que os atleticanos investiram pesado para montar a equipe do Campeonato Brasileiro de 2010, e eles precisam ter um retorno dentro do gramado. Mas talvez não seja através dela que venha um caminho menos acidentado do Galo na competição.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O desafio de Neymar



Desde seus primeiros passos como jogador de futebol, Neymar foi tratado como joia, jogador que merece receber todos os cuidados e tratamentos para que não abandone o clube seduzido por alguma proposta que vier do exterior. Para isto, as cifras de seu contrato foram aumentando gradativamente, e vieram vários ajustes para que o atleta não tirasse seus olhos da Vila Belmiro.

Durante toda sua carreira, Neymar conviveu com as mudanças de vida atreladas ao seu bom desempenho no gramado, mas não podia desfrutá-las por completo, pois ainda não completara 18 anos. Agora, em sua maioridade, o atacante dá a sensação de que sente o mundo aos seus pés, e deseja recuperar o tempo perdido por limitações da idade.

No entanto, ele esqueceu que os 18 anos impõem alguns limites, em especial a um jogador de futebol - sujeito a uma rotina intensa de treinamentos, concentrações, e partidas ao menos duas vezes por semana. No caso de Neymar, ainda soma o fato de ser um dos destaques do Santos, equipe tradicional do país.

Sim, Neymar é um craque, jogador abusado, seu futebol enche os olhos. Mas, acima de tudo, deveria ser tratado como um funcionário do Santos, atleta profissional, subordinado ao comando do então treinador, Dorival Júnior. O problema é que, por mais que seja um técnico valorizado, Dorival não entra em campo para fazer as jogadas do atacante. E, depois de o time santista ver seu esquadrão dos "Meninos da Vila" se desmantelar, com as idas de André e Robinho para o exterior, e com a ida do meia Paulo Henrique Ganso para o departamento médico, a diretoria não quer ver escorrer pelos dedos o único sinônimo de grande qualidade no campo que restou.

A solução foi dar prioridade a Neymar, cria da Vila Belmiro, dando a ele o pleno poder de demitir um técnico que cometeu o "deslize" de enxergar que a equipe do Santos tem outros jogadores. Dorival Júnior tem aos montes no futebol brasileiro. Mas um Neymar, não.

Teoria que só revela o amadorismo da diretoria e uma falha nas prioridades do clube da Vila Belmiro. Uma punição a Neymar, e a possibilidade de não escalá-lo no jogo contra o Corínthians numa partida do Campeonato Brasileiro, recebeu a mesma dimensão de um projeto de vitória na Taça Liberadores da América de 2011 aos olhos dos cartolas do Santos.

O preço pago por Neymar foi bem além das cifras. Para dar prioridade a ele, o Santos se submeteu a uma mudança de treinadores em plena disputa de Campeonato Brasileiro. Em vez do trabalho do ano que vem ser uma sequência do que foi em 2010, o time de 2011 será organizado às pressas - afinal, o novo técnico santista chega na reta final da competição e não poderá se dar ao luxo de pedir reforços adequados aos seus padrões táticos antes do fim do Brasileirão deste ano.

Neymar já mostrou que tem força suficiente para derrubar um treinador. E agora se vê diante de um desafio ainda maior: mostrar que seu futebol justifica todas as consequências negativas pelas quais passa o Santos atualmente. Haja maturidade para lidar com tamanha responsabilidade.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Categoria na trincheira


SANTOS, CAMPEÃO DA COPA DO BRASIL DE 2010

Análise de quarta - Vitória da Bahia 2 x 1 Santos (Barradão, 21h50)

Mesmo com o gramado do Barradão trazendo buracos e lama numa noite de chuva em Salvador, o Santos mais uma vez jogou com a técnica e o regulamento para ser campeão, desta vez Copa do Brasil. O segundo título dos "meninos da Vila" em 2010 (o primeiro foi o Campeonato Paulista) também veio com uma derrota no jogo decisivo. Mas, além de trazer novamente em campo uma equipe que tem vocação de atacar, os santistas mostraram um grupo de jogadores com maturidade suficiente para fazer sua categoria sair vencedora numa trincheira.

E não foi fácil. Com um time inferior tecnicamente, no qual se destaca a mescla de bom futebol do veterano meia Ramón e o talento promissor do meia-atacante Elkesson, o Vitória partiu para o ataque em busca de tirar a vantagem da equipe santista - que vencera por 2 a 0 no confronto da Vila Belmiro. Aproveitando que o ponto fraco do Santos era justamente a defesa, a equipe baiana recorreu a cruzamentos para a área, na espera de que uma bola sobrasse diante da dupla Júnior e Schwenck. Foi assim que vieram as primeiras oportunidades da partida, numa cobrança de falta de Ramón defendida por Rafael aos cinco, e em uma cabeçada de Júnior aos oito. Os momentos de disputa entre Schwenck e Júnior e os zagueiros Edu Dracena e Durval foram constantes.

Entretanto, uma baixa comprometeu os planos do técnico Ricardo Silva. O lateral-direita Nino se contundiu e precisou ser substituído. Sem substituto para a posição, o treinador foi obrigado a improvisar o zagueiro Gabriel no lado direito, e a equipe rubro-negra perdeu um excelente trajeto rumo ao gol santista. O lateral-esquerda do alvinegro praiano, Alex Sandro, parecia inseguro na partida e não apoiava nem defendia bem - ao ponto de, durante o jogo, o meia Wesley ter de fazer a função dele naquele lado. Com Nino, o Vitória teria um jogador a mais no ataque por sua direita.

Passada a primeira armadilha do jogo no Manoel Barradas (o nervosimo dos "meninos da Vila"), o Santos conseguiu ter calma para administrar sua vantagem graças à liderança de Robinho, que soube ajudar seus companheiros a cadenciarem a partida. Aos poucos, a rajada constante de bolas alçadas à área da equipe paulista deu lugar à troca de passes que entortava os jogadores do Vitória. Em meio ao gramado enlameado, surgiam, aos olhos dos 35 mil espectadores, jogadas bem trabalhadas que em poucos segundos deixavam os meninos diante do gol de Viáfara. Duas chances de Robinho e uma de André, na segunda metade da etapa inicial.

De tanto cruzar para a área adversária, o time baiano colocou a bola no fundo da rede aos 32. Egídio cruzou da esquerda e Schwenck, de cabeça, desviou fora do alcance de Rafael. Mas Carlos Eugênio Simon anulou o gol, por impedimento do atacante. Por ironia, os baianos acabaram o primeiro tempo feridos por uma estratégia semelhante à deles. Ao ver que as tentativas habilidosas de seus companheiros Paulo Henrique Ganso, André, Robinho (e também as suas) não vinham surtindo efeito, Neymar escolheu a opção do cruzamento. No rebote de uma cobrança de bola parada, o atacante cruzou da esquerda, na medida para Edu Dracena cabecear sem qualquer chance de Viáfara alcançar. 1 a 0 Santos, aos 44 minutos. E a esperança em vermelho e preto no Manoel Barradas diminuía ainda mais ao fim do primeiro tempo. O Vitória teria 45 minutos para vencer por três gols de diferença.

A segunda etapa trouxe um panorama inverso dos 45 minutos iniciais. Apesar de ter apenas três mil torcedores no Barradão, era o som da torcida do Santos que ecoava no estádio. Também era a equipe santista que tomava a iniciativa do ataque, com toque de bola ainda mais intenso porque a chuva da capital baiana parou, e o gramado começou a secar.

Só que a história se inverteu também do lado ofensivo rubro-negro. Elkesson fez um lançamento com categoria para Ramón na direita. O camisa 10 tocou de cabeça e o zagueiro Wallace chutou forte, para a bola acabar no fundo da rede de Rafael. 1 a 1, aos 12 minutos, e o Vitória agora estava a três gols de sua primeira conquista nacional.

A partida voltou a ficar equilibrada, principalmente depois que o apagado André foi substituído por Marquinhos. A batalha passou a traçar o embate entre o grande volume de jogo que o Vitória, empurrado por seus torcedores, impunha ao adversário, e o poder de fogo mais eficaz do Santos, que obrigou a zaga e o goleiro Viáfara a evitarem oportunidades claras de Marquinhos e de Paulo Henrique Ganso, respectivamente.

Ainda com a desvantagem de três gols de sua equipe, o técnico Ricardo Silva resolveu deixar seu meio-de-campo mais jovem. Ramón, cansado, foi substituído por Renato. E um chute dele parou na trave santista aos 25 minutos. A pressão rubro-negra ficou ainda mais forte com a queda de rendimento do ataque do Santos. Sete minutos depois da bola na trave, os baianos tiveram mais um lampejo decisivo de categoria na partida. Neto Coruja lançou Júnior na direita e o camisa 9 tocou na saída de Rafael. O Vitória ganhava a vantagem de 2 a 1, mas ainda precisava marcar duas vezes para colocar a mão na taça.

Na reta final da partida, os dois treinadores alteraram os setores ofensivos de seus times. Ricardo Silva tirou o meia Bida para colocar o atacante Anaílton, e deixou sua equipe à espera de mais gols. Dorival Júnior mexeu duas vezes no ataque.Neymar saiu para a entrada de Marcel, atacante para dar um gás novo e conseguir prender a bola no campo adversário. Robinho foi substituído pelo volante Rodriguinho nos minutos finais, na tentativa de segurar o ímpeto do Vitória. Mas, apesar das mudanças, o placar não sofreu nenhuma alteração.

Em meio a toda a valorização d campanha do Vitória - mais um dos times desacretidados que chega à final de uma Copa do Brasil - não se pode negar que o "time de guerreiro" superou o time santista nos 90 minutos do Barradão graças aos momentos em que encontrou categoria nos pés de seus jogadores. Entretanto, foi através da prioridade à categoria que o Santos dos "meninos da Vila" conseguiu sair campeão, mesmo na trincheira que se tornou o gramado do Manoel Barradas na noite de Salvador.


OS GOLS DE SANTOS 2 x 0 VITÓRIA DA BAHIA



OS GOLS DE VITÓRIA DA BAHIA 2 x 1 SANTOS

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Cavando polêmica



Quando um craque atua nas quatro linhas, um erro dele é capaz de ofuscar 90 minutos de uma partida de futebol. Foi o caso do primeiro jogo da final da Copa do Brasil, quando o Santos saiu da Vila Belmiro com uma vitória por 2 a 0 sobre o Vitória da Bahia. O destaque foi para a cobrança de pênalti na qual Neymar tentou dar uma "cavadinha" e acabou entregando de bandeja a bola para o goleiro Lee.

O recurso da "cavadinha" acontece no futebol desde 1976, quando o meia Panenka, da Tchecoslováquia, fez o gol decisivo da disputa de pênaltis na final da Eurocopa, diante da Alemanha Ocidental. Mais tarde, nomes como Djalminha, Zidane e, recentemente, Loco Abreu, tiveram sucesso em penalidades máximas usando esta estratégia de enganar os goleiros adversários.

No entanto, o insucesso de Neymar gerou uma sucessão de polêmicas, tanto por se tratar de um dos "meninos da Vila" quanto por estar na atual lista de convocados da Seleção Brasileira. De fato, quando a "cavadinha" não dá certo se torna um demérito do cobrador, que não teve força e jeito suficientes para vencer o goleiro num pênalti. Só que é extremamente contraditório que o mesmo grupo de pessoas que canta a nostalgia de um bom futebol, com jogadores capazes de criar surpresas agradáveis aos olhos de todos os torcedores, agora peça objetividade na marca de cal.

Neymar sempre teve um jeito abusado de jogar, isto que torna seu futebol ainda mais fascinante. Agora, os 18 anos ainda fazem com que algumas atitudes no gramado sejam imaturas e, até mesmo, irresponsáveis. Se o atacante queria usar a "cavadinha" em plena final de Copa do Brasil, deveria pensar que, àquela altura, o Santos vencia apenas por 1 a 0 (gol do próprio Neymar), e os santistas vinham desperdiçado muitas chances, que poderão fazer falta no saldo de gols para o segundo jogo, a ser realizado no Barradão. Talvez com uma vantagem mais confortável no jogo ou, quem sabe, se fosse numa finalíssima, a poucos minutos do fim da partida contra o Vitória da Bahia, seu erro não teria tamanha dimensão.

Da polêmica da "cavadinha", fica a lição de que Neymar ainda precisa dimensionar o bom senso de seu futebol - às vezes, a sensação é de que ele se deslumbra com seu próprio talento. As pessoas que o crucificam também não podem dar dimensão de erro a um jogador que quis manter a graça no gramado. A omissão ao caráter lúdico da bola nos pés serve apenas para dar uma cavadinha na sepultura do futebol de verdade.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Presentes alviverdes



Análise de jogo - Palmeiras 2 x 1 Santos (Pacaembu, 21h)

Sim, ainda é cedo para atribuir qualquer bom resultado a favor do Palmeiras a Luiz Felipe Scolari (que foi apresentado como treinador do clube horas antes). Entretanto, o time palmeirense revelou na noite do Pacaembu um padrão de jogo nos moldes do técnico Felipão. No limite entre a frieza defensiva e a ansiedade pelo gol, os palmeirenses conseguiram derrotar um Santos que era somente ímpeto ofensivo.

O fato de apenas 9.400 pessoas pagarem para assistir ao clássico de quinta à noite foi apenas o eco de um jogo cercado de ausências de ambos os lados. O Palmeiras, sem o goleiro Marcos e o volante Pierre, contundidos, e com a ausência de um de seus melhores jogadores - Cleiton Xavier - sacramentada definitivamente no dia anterior (o meia foi negociado com a equipe ucraniana Metalist Kharkiv). Do lado do Santos, vinham as ausências de Robinho, Léo e Marquinhos. Sem contar com Paulo Henrique Ganso que, ainda se recuperando de uma contusão, estava relacionado apenas para o banco de reservas.

Mas o que se ausentou mesmo no primeiro tempo do Pacaembu foi o poder do meio-de-campo santista. Alan Patrick se revelou uma opção equivocada do técnico Dorival Júnior, reduzindo as possibilidades de boa troca de passes do meio-de-campo (também formado por Arouca, Wesley e Madson). Com isto, a dupla de ataque formada por André e Neymar apareceu apenas em lances que destoaram da categoria dos "meninos da Vila". O primeiro, ao ser obstáculo que evitou chute de Madson. O segundo foi notado apenas por uma falta ríspida sobre um adversário, lance que lhe rendeu cartão amarelo. De resto, o Santos ficou cercando a área palmeirense, e teve suas duas únicas oportunidades, com André e Madson, desperdiçadas.

Mesmo sendo bastante atacado, o Palmeiras conseguia evitar a presença santista em sua área, e aos poucos soube aproveitar o ponto fraco do adversário. Nos contra-ataques, a zaga do Santos permanecia com falhas. Aos 12 minutos, num rebote permitido pelo lateral Maranhão, Ewerthon arriscou de fora da área e acertou no ângulo do gol de Rafael. 1 a 0 Palmeiras.

Com o panorama do cerco do Santos e dos contra-ataques perigosos do Palmeiras, os palmeirenses do Pacaembu se frustraram quando Rafael defendeu com os pés uma tentativa de Lincoln na pequena área aos 35. Eles sabiam que o técnico Dorival Júnior poderia usar uma excelente carta para tentar mudar a situação do jogo.

Só que a verdadeira surpresa veio para os santistas na volta do segundo tempo. Em vez de sacar Alan Patrick, depois de seus fracos 45 minutos, Dorival pôs Paulo Henrique Ganso no lugar de Madson. O camisa 10 vinha sendo uma boa válvula de escape em algumas cobranças de falta. A substituição não deu muito certo. Depois de uma chance para cada lado (Ewerthon cara a cara com o goleiro em chute defendido por Rafael aos três, e Maranhão de fora da área em boa defesa de Deola aos seis), a partida ficou bem mais morna.

Luiz Felipe Scolari, que via o jogo de uma sala do Pacaembu, ordenou que o auxiliar Flávio Murtosa substituisse o meia Lincoln pelo volante Tinga. O Palmeiras se defendia ainda mais, e restava ao Santos querer atacar. Dorival Júnior finalmente trocou os nulos Alan Patrick e Neymar pelos atacantes Zé Eduardo e Marcel. Os santistas seriam apenas ataque. Mas se tornaram ataque de nervos aos 21 minutos, quando a defesa foi traiçoeira por duas vezes para o alvinegro praiano. A zaga se expôs ao ponto de permitir tanto campo para o contra-ataque adversário. E, poucos passos depois, o cruzamento de Tinga foi desviado pelo zagueiro Edu Dracena, e a bola acabou no fundo da rede de Rafael. 2 a 0 Palmeiras, com a ironia de o jogador de marcação palmeirense ter realizado a jogada decisiva do alviverde paulista.

O Palmeiras migrou definitivamente para a defesa, aparecia no campo adversário apenas prendendo a bola e gastando o tempo - e ainda poupou seus atacantes, tirando Ewerthon e Kléber para colocar os jovens Patrick e Tadeu. "Desfalcados" de uma boa participação de Paulo Henrique Ganso, os "meninos da Vila" se adequavam a uma tática diferente, substituindo o toque de bola rápido pelas tentativas de transformar chutões e cruzamentos tortos em boas oportunidades de gol. Deu certo apenas a sete minutos do final. Wesley cruzou da direita, o zagueiro palmeirense Léo desviou e Marcel, após dominar a bola com a coxa, deu um belo chute que ainda bateu no travessão antes de entrar na rede de Deola. O placar ficava em 2 a 1.

Entretanto, o poder ofensivo do Santos não acertava a pontaria, ao ponto da sua última boa oportunidade ter sido dada pelo Palmeiras. Aos 43 minutos, Deola saiu mal num cruzamento para a área, e o zagueiro Vítor desviou para o próprio gol de seu time. A bola tocou na trave antes de ir para escanteio.

Para escanteio foi mesmo a oportunidade de os santistas ganharem uma posição melhor no Campeonato Brasileiro. Numa rodada em que as três únicas equipes que estavam à sua frente perderam pontos - os líderes Corínthians e Ceará empataram em 0 a 0 e o terceiro colocado, Fluminense, tropeçou com um empate em 1 a 1 diante do Grêmio Prudente no Maracanã - o cerco pelos três pontos foi mal-sucedido. O alvinegro praiano fica com 12 pontos, quatro a menos que o tricolor das Laranjeiras, e a seis pontos de corintianos e do Vozão do Nordeste.

Após quatro jogos sem vitória, o Palmeiras consegue a reabilitação num clássico, e encontra na figura de Luiz Felipe Scolari a perspectiva de boas novas no Campeonato Brasileiro. Sem preocupações excessivas de defesa e sem atacar de maneira atabalhoada, a equipe palmeirense mostrou que é capaz, sim, de conseguir uma boa presença no Brasileirão.

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Na volta da Copa do Mundo, O tempo e o placar... traz novamente o que houve de melhor e de pior na rodada do Campeonato Brasileiro.

O CHUTAÇO

O AVAÍ surpreendeu todos os especialistas de futebol. Em pleno Morumbi, a equipe (agora dirigida por Antônio Lopes) envolveu o São Paulo e saiu de lá com uma boa vitória por 2 a 1. O Leão de Santa Catarina tem forças para rugir novamente no Brasileirão?

A FURADA

O cenário era promissor. Jogo em casa, contra um Grêmio Prudente que vai mal das pernas na competição. Mesmo assim, o FLUMINENSE deixou escapar a grande oportunidade de consolidar sua ascensão com a liderança do Campeonato Brasileiro. Resta o alento de que o time segue a dois pontos dos líderes Ceará e Corínthians.

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OITAVA RODADA - RESULTADOS

Quarta-feira

Grêmio 1x1 Vitória (Olímpico)
Atlético/PR 0x2 Cruzeiro (Arena da Baixada)
São Paulo 1x2 Avaí (Morumbi)
Flamengo 1x0 Botafogo (Maracanã)
Guarani 0x3 Internacional (Brinco de Ouro da Princesa)
Goiás 0x0 Vasco (Serra Dourada)
Ceará 0x0 Corínthians (Castelão)


Quinta-feira

Palmeiras 2x1 Santos (Pacaembu)
Atlético/MG 3x2 Atlético/GO (Arena do Jacaré)
Fluminense 1x1 Prudente (Maracanã)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Gritos dissonantes



Análise de jogo: Santos 4 x 0 Vasco (16h, Vila Belmiro)

O gramado da Vila Belmiro apresentou no domingo a primeira partida explícita entre dois extremos do Campeonato Brasileiro. Em meio ao equilíbrio da competição, Santos e Vasco revelaram uma distância gritante de talento entre duas equipes. O time santista, gritando a certeza de ser um grupo forte, de qualidade para brigar pelo título. O time vascaíno, gritando a insegurança de não ter saídas para mudar sua situação no Brasileirão. O placar? Santos 4 a 0, com dois gols de André, um de Maranhão e um de Madson.

O primeiro tempo insinuou um falso equilíbrio entre as equipes. Do lado santista, a ausência da dupla Neymar e Robinho parecia alterar o jogo dos meninos da Vila. Paulo Henrique Ganso não conseguia iniciar jogadas, e nos poucos acertos a dupla formada por Madson e André não aparecia. Com esquema fechado, o Vasco partia pouco para o ataque, e o esquema de Celso Roth trazia uma formação curiosa: improvisado na lateral-direita, Thiago Martinelli se restringia à marcação. Cabia ao jovem Allan a responsabilidade de subir por aquele lado, o que deixou capenga o meio-de-campo.

Isolado na criação, Jéferson não se apresentava para tabelas com Philippe Coutinho. Na partida, "a joia de São Januário" foi alçada tanto a responsável direta pela criatividade quanto por colocar a bola na rede. Numa mesma semana, a diretoria vascaína dispensou Dodô, Élton se machucou na derrota para o Guarani quinta-feira e, no dia do jogo com o Santos, Rafael Coelho teve problemas estomacais. Sobrou para o jovem Nílson, um grandalhão de 17 anos, complementar o elenco titular do Vasco na partida.

Após meia hora de passes errados de ambos os lados, os acertos santistas começaram a acontecer. Na sua primeira grande oportunidade da tarde, André surgiu entre os zagueiros e chutou à direita de Fernando Prass. A bola foi na trave e voltou para as mãos do goleiro vascaíno. Os santistas passaram a dominar o meio-de-campo diante de um Vasco que começava a se perder na Vila Belmiro.

A passividade foi tanta que chegou até ao goleiro Fernando Prass (na maioria das vezes, poupado dos erros de seus outros 10 companheiros de cada jogo). Num primeiro momento, ele apenas olhou a bola cruzando rasteira por sua área, do passe de André que encontrou Léo. O lateral tocou para Wesley, e Dedé salvou em cima da linha. O camisa 1 do Vasco segurou a bola e se preparou para repor com os pés. Mas esqueceu que Léo estava voltando ao campo, e permitiu que ele o surpreendesse. Numa tentativa de se recuperar, Prass acabou cometendo pênalti. André cobrou e converteu. 1 a 0 Santos, aos 34 minutos. E o time vascaíno começava a dar sinais de entrega.

Apenas um esboço do que viria nos 45 minutos finais. Depois da bronca de Dorival Júnior, que reclamou do mau primeiro tempo, o Santos voltou com mais disposição depois do intervalo. Nem mesmo a contusão de Rodriguinho numa dividida aérea com Dedé foi capaz de fazer a pressão santista diminuir. Afinal, mal seu substituto, Maranhão, entrou em campo, ele já fez o segundo gol, num chute no ângulo.

Três minutos depois, Celso Roth fez duas alterações na equipe vascaína. A dupla de criação Jéferson e Philippe Coutinho saiu, para a entrada dos meias ofensivos Fumagalli e Magno, respectivamente. O panorama da frente do Vasco não mudou muito. Enquanto isto, o time carioca levava seu terceiro gol. Em jogada iniciada por Madson (jogador que vestia a camisa do adversário em 2008 no ano em que ele caiu para a Segunda Divisão), André entrou livre para colocar a bola no fundo da rede.

Aos 19 minutos, o meio-de-campo do Vasco apareceu com força. Mas com força bruta. Em seu primeiro lance no jogo, Fumagalli deu uma tesoura em Wesley e foi expulso. Sem ter o que fazer com sua equipe, Celso Roth honrou seu espírito defensivo e se preocupou em fazer o time evitar uma derrota maior, ao trocar o atacante Nílson pelo volante Léo Gago. Não adiantou muito. Aos 28 minutos, Zezinho cruzou da linha de fundo e Fernando Prass somente assistiu ao chute de Madson balançar sua rede.

Os 15 minutos finais deixaram visíveis os extremos de futebol das equipes. O Santos mantinha seu bom toque de bola e a categoria de seu elenco em busca de ataque, enquanto o Vasco recorria aos chutões. Mais do que o 4 a 0 que apareceu no placar, a colocação depois das sete rodadas no período de antes da Copa do Mundo comprova o abismo entre os dois times.

Os santistas chegam ao quarto lugar no Campeonato Brasileiro, mesmo escalando o time reserva em alguns jogos (em virtude da prioridade à Copa do Brasil, ba qual o Santos faz a final com o Vitória em dois jogos a partir do fim de julho). O Vasco se mantém no penúltimo lugar, e supera em pontos apenas o Atlético Goianiense - time que também subiu para a Série A no ano passado, mas que não participava da elite desde a Copa União de 1987. Para os vascaínos, pior do que o massacre durante os 90 minutos é saber que não há mais palavras para gritar nas arquibancadas pedindo alguma mudança.

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O tempo e o placar... traz o que houve de melhor e de pior na sétima rodada do Campeonato Brasileiro.

O CHUTAÇO

Quatro vitórias consecutivas, duas delas fora de casa sobre adversários muito difíceis de vencer nos domínios deles. A vitória por 3 a 0 sobre o Avaí no Ressacada comprova que o FLUMINENSE ganhou um espírito de luta e um esquema tático bem eficiente nas mãos de Muricy Ramalho. Um alento para a torcida que depois de muito tempo pode se orgulhar pelas boas atuações no Campeonato Brasileiro.

A FURADA

Apesar de estar no meio da classificação, o futebol do CRUZEIRO termina o primeiro ato do Campeonato Brasileiro com um futebol hesitante, que frustra a torcida celeste neste primeiro semestre. Não bastasse a eliminação da Taça Libertadores da América, a equipe teve resultados pouco expressivos (até mesmo nas vitórias do Campeonato Brasileiro) e encerra a época pré-Copa com uma derrota por 2 a 1 para o lanterna da competição. Serão 45 dias de muito trabalho na Toca da Raposa.

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RESULTADOS - SÉTIMA RODADA

Sábado

Vitória 1 x 0 Atlético Paranaense (Barradão)
Avaí 0 x 3 Fluminense (Ressacada)
Flamengo 1 x 2 Goiás (Maracanã)

Domingo

Atlético Mineiro 0 x 1 Ceará (Mineirão)
Santos 4 x 0 Vasco (Vila Belmiro)
São Paulo 3 x 1 Grêmio (Morumbi)
Botafogo 2 x 2 Corínthians (Engenhão)
Guarani 1 x 0 Prudente (Brinco de Ouro da Princesa)
Atlético Goianiense 2 x 1 Cruzeiro (Serra Dourada)
Internacional 1 x 1 Palmeiras (Beira-Rio)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Vitórias do amanhã



A atitude do técnico Dorival Júnior em afastar jogadores importantes de sua equipe - André, Paulo Henrique Ganso, Neymar e Madson - por chegarem com atraso de quatro horas ao treino traz algumas arestas no comando do Santos. Mas, sem sombra de dúvida, a mais importante delas é de que um clube outrora marcado por divergências políticas e uma confusão em seu departamento de futebol, tem uma disciplina bem oportuna para os dias de hoje.

Disciplina que não mede a importância que um jogador supostamente tenha na equipe. Não há regalias para os jogadores que têm maior atenção da torcida e da crítica especializada. Todos estão sujeitos a uma represália caso não correspondam nos treinamentos.

Algumas vertentes disseram que o treinador fez isto porque sabe que há peças de reposição em seu elenco, e, num time limitado o máximo que os jogadores receberiam era uma advertência verbal. No padrão de conduta de Dorival Júnior esta possibilidade não é tão clara. No Vasco do ano passado, ele não pensou duas vezes em dispensar por indisciplina os goleiros Anderson e Rafael depois de uma noitada na pré-temporada do Espírito Santo. O primeiro, um aspirante de 19 anos que poderia render bem no clube. E o segundo, nada menos do que o goleiro titular na reta final do Campeonato Brasileiro de 2008 e considerado um dos poucos bons jogadores da equipe que caiu para a Segunda Divisão.

O jornalista Milton Neves foi enfático ao dizer que o time do Santos é que foi punido, por não contar com seus melhores jogadores na partida contra o Atlético Goianiense. Mesmo sem eles, o time venceu os goianos por 2 a 1 no Serra Dourada.

Os desfalques poderiam comprometer a vitória santista? Sim. Mas Dorival Júnior não pensou de maneira imediatista, visando apenas os três pontos da segunda rodada do Campeonato Brasileiro na partida contra o Atlético Goianiense. Ele pensou numa punição aos quatro jogadores e fez os outros sentirem no campo as dificuldades que podem acontecer caso um deles não siga o cronograma pensado no time. A melhor forma de repreender um erro não é meramente tirar uma regalia, e sim mostrar que um erro pode trazer consequências ao restante do elenco.

Dorival Júnior cometeu muitos erros dentro de campo como treinador do Santos. Mas nesta questão disciplinar fora das quatro linhas, tomou uma bela atitude para o time e para o futebol brasileiro. Um exemplo em meio a regalias e imunidades como foram apresentadas no Flamengo, por exemplo, com a dupla de ataque Adriano e Vágner Love.

E, sob o comando do time santista, Dorival confirmou que não se preocupa apenas com os resultados de hoje. Sua conduta de trabalho também deseja trazer vitórias do amanhã. O Santos não é o campeão paulista nem está numa final de Copa do Brasil por meros acasos do futebol.

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BOLA PRO MATO



20 torcedores do Vasco invadiram o campo de São Januário para cobrar posturas mais firmes de seus jogadores (o time tem apenas um ponto em nove disputados, sua campanha traz um empate e duas derrotas). Protesto é uma coisa, intimidação aos jogadores é outra completamente diferente. Foi visível a mudança que Celso Roth deu à equipe na partida contra o Avaí - e no Ressacada o time de Santa Catarina não perde há 24 jogos, o que tornava ainda mais inglória a luta vascaína. A diretoria se mexeu, trouxe um treinador com pulso firme e que deu uma postura melhor ao Vasco. E a torcida tem de apoiar e dar credibilidade para um time que não é fraco, mas convive com uma depressão psicológica neste ano de retorno à Primeira Divisão.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A supremacia do ataque



Os dois jogos de quarta-feira definiram os finalistas da Copa do Brasil. E ambas as partidas deram a vaga através do verdadeiro critério de desempate do futebol: o gol. Nada de retranca, nada de vantagens conquistadas no primeiro jogo. Foi para a final o vitorioso de cada confronto de ontem.

Após um primeiro tempo em que a força do Grêmio se sobressaiu em 45 minutos perfeitos da sua zaga, a segunda etapa foi pontuada com três atos de categoria e uma virada na trama em relação à maturidade. O time do Santos não se abateu com a pressão da Vila Belmiro depois da falta de gols, e furou o bloqueio gremista com um belíssimo chute de Paulo Henrique Ganso aos seis minutos.

Com 25 minutos, uma jogada iniciada por André deixou Robinho livre para marcar por cobertura. Cinco minutos depois, o gol de Rafael Marques poderia dar um novo abatimento a um time considerado imaturo. Mas os santistas souberam administrar com tranquilidade a partida, e aos 40, num belo gol de Wesley, decretaram a classificação.

Perder a cabeça? Isso ficou do lado do Grêmio, quando o atacante Jonas pôs sua boa atuação a perder num desentendimento que levou junto o zagueiro adversário, Edu Dracena, e também no momento em que Rafael Marques acabou expulso ao fim da partida. Era a prova de que os meninos foram grandes na Vila Belmiro.



Na Bahia, houve a queda de um mito da Copa do Brasil de 2010. Time que não tomou gols em casa em toda sua campanha nesta edição do torneio, o Atlético Goianiense viu sua defesa se abrir por completo diante da superioridade visível do Vitória da Bahia. O rubro-negro baiano foi outro com o retorno do meia Ramón, que, além da boa movimentação, cobrou a falta que Uelinton desviou para o fundo da rede de Marcio.

Os baianos tiveram também um novo trunfo, com as pazes de Júnior com o gol. Desde que foi anunciada a acusação de falsidade ideológica, o atacante não tinha mais colocado a bola na rede. Desta vez ela veio, com um gol em cada tempo.

Ao final da partida, um princípio de transição do futebol, mas cercado de polêmicas. A FIFA definiu que a partir do dia primeiro de junho, a "paradinha" no momento da cobrança de pênalti está proibida. O lance é anulado e o batedor recebe um cartão amarelo. Mas, cerca de 20 dias antes da regra valer, o árbitro Héber Roberto Lopes a aplicou com o goleiro Viáfara.

O problema não foi a segunda cobrança de Viáfara, porque ela entrou no gol e o time venceu por 4 a 0. A situação fica delicada porque foi o terceiro cartão amarelo do goleiro, e ele não pode atuar na primeira partida da final da Copa do Brasil.

A torcida vai ter de esperar até depois da Copa do Mundo para conhecer o vencedor da Copa do Brasil - a final acontece nos dias 28 de julho e 4 de agosto. Com as idas e vindas de treinamentos fortes, de janelas de contratações e situações de dentro e fora das quatro linhas, é impossível indicar um favorito entre Santos e Vitória da Bahia. Mas, certamente, a ideia favorita dos torcedores é de que o vencedor seja aquele que fizer mais gols. Como foi nas duas semifinais.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Cautela e caldo de peixe



As duas semifinais da Copa do Brasil trouxeram partidas emocionantes em sentidos diferentes. No jogo do Serra Dourada, a cautela deu a tônica do confronto entre Atlético Goianiense e Vitória. No Olímpico, o medo de levar gols foi às favas, e o caldo de peixe desandou na vitória do Grêmio sobre o Santos.

O primeiro lado para o qual desandaram as coisas veio do lado gremista. Aos 14 minutos, Victor (considerado um goleiro injustiçado na convocação da Seleção Brasileira) saiu mal numa cobrança de escanteio, e permitiu que André abrisse o placar. Seis minutos depois, Douglas errou na saída de bola e Paulo Henrique Ganso deixou André livre para fazer seu segundo gol. Os pés de Jonas pioraram as coisas ainda mais. O atacante teve a oportunidade de diminuir o placar numa cobrança de pênalti, mas chutou muito mal e permitiu que Felipe fizesse a defesa.

A desvantagem no placar acabou, contraditoriamente, trazendo a serenidade ao time de Silas no intervalo. O Grêmio voltou com mais calma e disposição, e a experiência fez a diferença contra os meninos da Vila Belmiro. Aos 12 minutos, Douglas (que falhara muito no primeiro tempo) iniciou jogada que terminou em gol de Borges.

Seis minutos depois, os mesmos jogadores foram importantíssimos no empate gremista. O primeiro roubou a bola de Rodrigo Mancha e lançou Jonas. O atacante serviu seu companheiro, Borges, que colocou a bola no fundo da rede de Felipe.

A inexperiência santista desandou tanto que chegou ao banco de reservas. Dorival Júnior cometeu um dos piores erros como treinador: apontar explicitamente um culpado pelo fim da vantagem no Olímpico. Nove minutos depois de colocar Rodrigo Mancha em campo (no lugar de Marquinhos), o técnico tirou o volante para a entrada de Rodriguinho. Imaturidade de um e tristeza do outro, que desferiu socos à cadeira do banco de reservas.

Perdido, o Santos assistiu à sua defesa permitir mais dois gols do Grêmio - um de Jonas, aos 22, e um de Borges aos 30. Mas, num lampejo de lucidez, chegou ao terceiro gol sete minutos depois, em passe de Paulo Henrique Ganso para um belo chute de Robinho.

Os santistas precisam de uma vitória simples para chegar à final da Copa do Brasil. Mas resta saber se com uma desvantagem diante de uma equipe de tradição e bem armada por Silas, vai ter força e maturidade para conseguir se sobressair. E que a maturidade venha também de seu comandante.



Se o caldo de peixe desandou num jogo de muitos gols, a partida de Goiânia trouxe um resultado magro depois de 90 minutos. E, mais uma vez, o Atlético Goianiense fez valer a superioridade de dentro de casa, onde o time não levou nenhum gol na sua trajetória da Copa do Brasil.

Numa partida muito fraca tecnicamente, Geninho e Ricardo Silva montaram suas equipes com a clara preocupação de não levar gols. E ela fez a diferença no resultado final. Mesmo com uma formação ofensiva que trazia boas chances em contra-ataques, o Vitória sentiu seus desfalques e viu o ataque formado por Júnior e Neto Berola ficar isolado, em meio à marcação do rubro-negro goiano.

A ansiedade em não levar gol foi tanta que até mesmo no único momento em que a bola chegou ao fundo da rede, ela entrou de maneira teimosa. A conclusão de Rodrigo Tiuí tocou a trave e o travessão antes de a torcida no Serra Dourada gritar gol.

Após a primeira parte da semifinal ter sabor de cautela e de caldo de peixe, na semana que vem acontecem os duelos decisivos - Santos e Grêmio na Vila Belmiro, Vitória e Atlético Goianiense no Barradão. Na próxima quinta-feira, o Brasil vai saber quais times farão melhor sua receita, e aqueles que sentirão a azia de ficar pelo caminho.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O campo da democracia




A Copa do Brasil segue sua tradição de ser a competição mais democrática do país, e, em plena semifinal, já apresenta aos espectadores a confirmação de que teremos uma decisão entre um favorito e uma zebra. Talvez por este motivo, estejam tão diferentes os tratamentos dedicados a cada uma delas.

Santos e Grêmio tem ares de final antecipada. No duelo entre o campeão paulista e o campeão gaúcho, são duas tradições diferentes que chegam aos gramados. Do Santos, vem o tradicional celeiro de craques, capaz de juntar uma geração de nomes como a que veste agora a camisa do time santista. Do Grêmio, vem sua incansável garra e a experiência de saber jogar como "time copeiro" - são quatro títulos da Copa do Brasil.





Vitória e Atlético Goianiense fazem a semifinal dos times que desafiaram a tradição nacional. Agora, eles querem elevar seus respectivos times ao posto de destaque do país. Em uma classificação contestada (pela atuação da arbitragem da segunda partida), os baianos passaram pelo Vasco graças ao critério do "gol fora de casa" - venceram por 2 a 0 na Bahia e perderam por 3 a 1 no Rio de Janeiro. O time goiano perdeu e venceu por 1 a 0, e foi superior por ser o "menos pior" na disputa de pênaltis contra o Palmeiras em Goiás. Ambos impediram que houvesse uma semifinal do eixo Rio-São Paulo na Copa do Brasil.

São Paulo e Rio Grande do Sul de um lado, Bahia e Goiás do outro. Centros consagrados do futebol querem consolidar suas soberanias, enquanto os estados de nível razoável querem sua afirmação nacional. Duas irresistíveis semifinais da Copa do Brasil.

domingo, 2 de maio de 2010

Lições de gente grande



SANTOS, CAMPEÃO ESTADUAL DE SÃO PAULO DE 2010

A primeira parte da temporada de 2010 fez a torcida brasileira se fascinar com o Santos. A nova geração dos "meninos da Vila" foi simbolo do futebol bonito - marcado por dribles, goleadas e até comemorações irreverentes. Mas, na final do Campeonato Paulista, todos estes detalhes ficaram de fora do Pacaembu. Os meninos deixaram o papel de moleques e aprenderam uma lição de gente grande: até mesmo os favoritos têm de suar para conquistar um título.

Mesmo perdendo por 3 a 2 para o Santo André, o Santos sagrou-se campeão paulista de 2010. Como o alvinegro praiano tinha a melhor campanha do torneio, ele tinha vantagem de poder perder por um gol de diferença, por causa da vitória por 3 a 2 na primeira partida.

Além dos dois gols de diferença para tirar, o Santo André entrou em campo no mesmo papel inglório que deram à Itália em 1982 (a vitória da seleção italiana sobre o Brasil é definida por muitos como o triunfo do futebol violento sobre o "futebol-arte"). Mas precisou de apenas 35 segundos de partida para mostrar que seu futebol também é vistoso, sem burocracias. Cicinho recebeu bola de Branquinho, driblou Felipe e chutou. A bola resvalou no joelho de Nunes, que abriu o placar. Primeira lição santista: os primeiros e os últimos cinco minutos de cada partida são os momentos nos quais os jogadores estão mais desatentos. E a desatenção dos zagueiros permitiu que a vantagem ficasse mais limitada para o Santos.

Cerca de sete minutos depois, Neymar recebeu passe de Robinho e, em mais uma de suas jogadas de talento, passou por três jogadores do Santo André antes de empatar o jogo. Mas o Santos tem seus dois setores dignos do futebol de outrora. Ao mesmo tempo que o ataque é sobrecarregado de categoria e não se contenta com poucos gols, a defesa falha constantemente, e permite as chances adversárias. Foram três chances consecutivas do Ramalhão - numa delas, aos 17, Carlinhos cruzou e Rodriguinho, de cabeça, colocou a bola no fundo da rede de Felipe. Mas a bandeirinha Maria Eliza Barbosa, erradamente, assinalou impedimento. Até que, aos 19, depois de uma cobrança de escanteio, Alê desviou de cabeça e colocou o time azul em vantagem novamente.

Três minutos depois, os meninos santistas tiveram mais uma lição: a de que não se pode cair na provocação de um jogador de outro time. Alê fez falta em Neymar e os jogadores do Santo André foram para cima do juiz Sálvio Spinola. Paulo Henrique Ganso foi discutir com o zagueiro Alê e, as duas equipes começaram uma confusão generalizada. Ao final, foi expulso um jogador de cada lado: o zagueiro santista Léo e o atacante Nunes, do Ramalhão.

Aos 31 minutos, veio mais um lampejo de bom futebol santista. Robinho tocou para Paulo Henrique Ganso que, de calcanhar, deixou Neymar livre para marcar seu segundo gol. Mas o recreio acabou logo depois: o meia Branquinho arrancava pela esquerda quando Marquinhos deu um carrinho violento no jogador. Carrinho por trás e desnecessário (por ser na linha que divide o gramado e terem outros marcadores santistas por perto) é cartão vermelho na certa. E, graças a Marquinhos, o Santos terminava o primeiro tempo com um jogador a menos.

A um minuto do fim do tempo regulamentar, a zaga do Santos deu mais uma aula de desatenção e praticamente assistiu ao passe de Bruno César para Branquinho marcar o terceiro gol. O primeiro tempo terminou em 3 a 2 para o Santo André, mesmo resultado que o Santos teve no primeiro jogo, domingo passado.

No segundo tempo, o Santos comprovou sua disposição para nunca abdicar do ataque e, mesmo com nove jogadores em campo, buscou o empate. Mas, na marra, a defesa teve de aprender a segurar as pontas quando o time vai para frente. Aos cinco minutos, Bruno César deu mais um lindo passe que encontrou Rodriguinho na área. Livre, o atacante driblou Felipe e chutou. O volante Arouca salvou no limite, colocando a bola para escanteio.

Aos poucos, o Santo André começou a perder o fôlego, e muitas das jogadas da equipe do ABC paulista eram facilmente neutralizadas. Com a troca de Robinho por André, o atacante contribuiu para que o Santos prendesse mais a bola na área adversária. E, fugindo dos princípios da equipe no ano, o alvinegro praiano estava presente no campo do Ramalhão, mas sem ameaçá-lo de maneira ofensiva.

Se o time do Santos vinha tendo lições de gente grande, o técnico Dorival Júnior ainda fez questão de deixar as coisas mais difíceis para seus jogadores. Aos 32 minutos, Dorival lembrou seu passado recente como treinador do Vasco e fez uma substituição defensiva no time santista. Neymar deu lugar a Roberto Brum. E o que era chance de receber pressão do Santo André se tornou concreto minutos depois. Roberto Brum fez um carrinho violento no meia Pio, e, assim como Marquinhos no primeiro tempo, foi expulso de campo direto, sem levar um cartão amarelo antes. O Santos ficava com oito jogadores em campo.

O treinador santista estava prestes a cair em outro erro, e fazer uma substituição que deixava o Santos ainda mais encolhido, quando viu o "discípulo" superar o "professor". Dorival Júnior anunciou a Paulo Henrique Ganso que ele ia sair de campo, mas o jogador disse que não, que estava disposto a continuar na partida. Dominado pelo nervosismo, Dorival acabou tirando de campo André (que entrara no segundo tempo) para, em seu lugar, entrar o zagueiro Bruno Aguiar.

O Santos se resumia então a tentar prender a bola em qualquer lugar do gramado - como, em geral, fazem times experientes que estão em vantagem de resultado. Ao Santo André, coube a luta por tentar um resultado histórico para o time. Seus jogadores abandonaram o estigma de ser "um time pequeno numa final de campeonato" e tentaram o tempo todo. No último lance de perigo, Rodriguinho chutou da marca do pênalti e, com o goleiro batido, viu acabar na trave a chance do quarto gol do Santo André

Ao final da partida, o Santos pôde dar a volta olímpica com a certeza de que sua campanha fez por merecer a conquista do Campeonato Paulista. Sem dúvida, foi a melhor equipe da temporada de estaduais de 2010. Mas, graças a um Santo André guerreiro que tiveram como adversário (e que, certamente, fará um bom Campeonato Brasileiro da Série B), os "meninos da Vila" aprenderam uma lição de gente grande: time que quer ser campeão precisa de, além do talento, ter muito jogo de cintura diante da catimba do adversário e da pressão de torcedores. Resta saber se, no decorrer do ano, o Santos terá mais possibilidades de apresentar sua maturidade na prática.

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BOLA PRO MATO



A surpreendente arrancada do Sport Recife no primeiro jogo da final do Campeonato Pernambucano pode ter sido positiva para o time do Náutico. Após abrir 3 a 0 dentro dos Aflitos, o Timbu se acomodou e deixou o rubro-negro marcar dois gols nos últimos 22 minutos.

Tendo meramente a vantagem do empate, e sabendo do poder de fogo que tem seu adversário, o alvirrubro de Recife vai entrar em campo na Ilha do Retiro com mais atenção e, também, querendo partir para o ataque. Ainda mais que o Náutico tem grandes chances de impedir o pentacampeonato pernambucano do Sport Recife.

domingo, 25 de abril de 2010

Embate contra os favoritismos



Não basta ser favorito, tem de ganhar em campo. Em especial no caso do Santos, que entrou em campo no Pacaembu tendo como adversário dois favoritismos. Um, conquistado nos gramados, com sonoras goleadas e vitórias muito convincentes sobre rivais de respeito. Outro, o de ser um time de tradição no estado de São Paulo contra o Santo André, que pela primeira vez chega a uma final de Campeonato Paulista.

A chegada dos dois times à final do Paulistão foi o desfecho mais justo - eram os dois primeiros colocados na fase classificatória da competição. E, de certa forma, a final colocou lado a lado duas vertentes do futebol brasileiro. O Santo André armado pelo técnico Sérgio Soares para não tomar gols, e o Santos sempre em busca do ataque no time treinado por Dorival Júnior.

Na primeira etapa, a marcação forte do Ramalhão foi superior. O trio formado por Paulo Henrique Ganso, Neymar e Robinho não conseguia fazer suas jogadas, e eles eram neutralizados pela força da zaga formada por Cesinha e Toninho. Mas seria injusto restringir o Santo André a um time defensivo. Mesmo com uma equipe de qualidade inferior aos santistas, o time do ABC paulista partiu para a frente e teve boas chances.

O gol veio apenas aos 34 minutos, quando Bruno César, de falta, colocou a bola no fundo da rede de Felipe. Empolgado com a vantagem, o Santo André teve outra chance com Rodriguinho, que chutou para fora. No primeiro tempo, a aplicação tática e algumas jogadas mais ríspidas saíram de campo na frente - beneficiadas por um gol de bola parada.

Neymar não voltou para o segundo tempo, por causa de uma lesão no olho. Só que Dorival Júnior tinha no banco o artilheiro do Santos no Campeonato Paulista. E graças a André, começou a reação santista - aproveitando jogada fantástica de Paulo Henrique Ganso. Três minutos depois, outro jogador que pouco apareceu nos 45 minutos iniciais foi decisivo. Robinho lançou Wesley que, aproveitando-se da desatenção da zaga adversária, marcou o gol da virada.

Aos 24 minutos, Robinho mais uma vez foi decisivo. Numa jogada que começou com André, Robinho fez uma tabela com Wesley e deixou o lateral na cara do gol, para fazer seu segundo na partida. Certamente, os torcedores santistas sentirão a falta dele no próximo domingo - Wesley levou seu terceiro cartão amarelo.

Já o Santo André sentiu a falta de Toninho a partir dos 29 minutos. O zagueiro, que no primeiro tempo recebeu cartão amarelo por reclamação, fez uma falta dura em André e acabou expulso. Mesmo com dez homens em campo, o Ramalhão se lançou ao ataque, aproveitando-se de um erro que o Santos não cometera em boa parte das suas partidas no ano: a acomodação após abrir dois gols de vantagem. A oito minutos do final, Gil deu um chute tão forte que, no rebote, Rodriguinho precisou apenas estar no lugar certo e na hora certa para diminuir a vantagem santista.

Com a vitória por 3 a 2, o Santos volta a campo domingo que vem no Pacaembu com a vantagem de poder perder até por um gol de diferença (devido à melhor campanha durante o campeonato). Mas Dorival Júnior sabe que se a equipe santista não jogar com seriedade, de nada vai adiantar todas as superioridades conquistadas durante o campeonato. E o Santos certamente não quer se tornar mais um dos muitos favoritos que sofreram uma derrota fatal.

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BOLA PRO MATO



ABC, CAMPEÃO ESTADUAL DO RIO GRANDE DO NORTE DE 2010

Na semana passada, O tempo e o placar... felicitou o Coritiba pela conquista do estadual do Paraná, como alento para o rebaixamento que ocorreu em 2009. Mais um time que passou por uma queda no ano passado sagrou-se campeão estadual em 2010 - o ABC, o melhor do Rio Grande do Norte.

Rebaixado para a Terceira Divisão, o ABC chegou ao seu título de número 51 no Rio Grande do Norte. Em duas partidas finais, o alvinegro venceu o Corínthians por 5 a 1, e, por causa da diferença de gols do primeiro jogo, a derrota por 2 a 1 não tirou o título da equipe. Agora, o desafio da Série C terá o apoio da torcida. Não é justo que o Rio Grande do Norte continue riscado do mapa do futebol brasileiro.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Acima de qualquer suspeita



Quando surgiram as primeiras grandes exibições do time do Santos na temporada, as pessoas invariavelmente aplaudiam com ressalvas. Afinal, geralmente os derrotados eram times de considerada má qualidade, ou que estavam em noites atípicas, onde seriam facilmente batidos. O argumento mais corriqueiro é de que o alvinegro praiano está vencendo somente nas fases iniciais da Copa do Brasil e num campeonato estadual.

A que ponto chegou o futebol! Condenado desde a década de 1980 a parar de ser a disputa de quem faz mais gol para, agora, ser a partida onde ganha o time que menos vezes deixar a bola passar por sua rede. O futebol atual não admite enxergar que há, sim, um momento especial, um lampejo de equipes que dão gosto de ver atuar, independente da camisa do time que a pessoa torce.

Demorou muito para o Santos começar a "ganhar" de fato. Se venceu por 10 a 0, é porque o Naviraiense é um time que não faz frente a ninguém. Se fez 8 a 1 (como foi semana passada) sobre o Guarani, é porque a equipe campineira já não é mais a mesma e as pessoas preveem que o Bugre vai ter 38 derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro que está por vir.

Mas vieram as rodadas, veio a liderança no Campeonato Paulista, o time segue firme na Copa do Brasil. E ontem, com uma incontestável vitória por 3 a 0 sobre o São Paulo na Vila Belmiro, chegou à final do estadual, diante do Santo André. Não foi uma vitória sobre um time considerado de menor expressão, foi sobre o São Paulo que até poucos anos tinha hegemonia nacional.

Como o nível do Campeonato Paulista é bem acima dos outros estaduais, a ponto do Campeonato Brasileiro ser um "semi-Paulistão" (Santos, São Paulo, Corínthians, Palmeiras, Grêmio Prudente e Guarani estarão na edição de 2010), já pode-se dar todos os méritos à equipe santista. Não resta dúvida. A geração liderada por Robinho e que traz pérolas do futebol como André e a promissora dupla Paulo Henrique Ganso e Neymar está acima de qualquer suspeita. Há qualidade de sobra na Vila Belmiro, e o maior mérito de Dorival Júnior é permitir um esquema no qual eles possam desfilar seu talento pelos gramados.

Também será responsabilidade dele caso perca o controle e deixe que o deslumbre e a soberba subam à cabeça dos jogadores do Santos. Há muitas equipes de grande talento que se cometeram injustiças quando deixaram de atuar com humildade. Mas isto pode ser bem controlado com o pulso firme de um treinador.

Não é por acaso que o Santos está com tamanho destaque neste início de 2010. Pode vir a perder seus jogos? Claro, a graça do futebol é que nem mesmo a melhor equipe ganha o tempo todo ou joga bem em todas as partidas. Mas, sem dúvida, é bom ver um time que tem a vitória como consequência de muito, mas muito talento. Num esporte cercado da falta de exatidão como é o futebol - onde motivos de triunfo podem ser a sorte ou o esquema tático bem armado - é muito gostoso ver um time capaz de encontrar magia com a bola nos pés. Pena que o Santos hoje seja uma exceção. Mas, sem dúvida, é uma excelente exceção.

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BOLA PRO MATO

No Campeonato Paulista também são dignos de aplausos os jogadores do Santo André. Para os que pensavam que a equipe iria cair na completa depressão por sua desastrosa e fugaz participação na Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro de 2009, ficar com a segunda melhor campanha do Paulista e derrubar o Grêmio Prudente nas semifinais é um bom motivo para a equipe almejar o retorno à elite em 2011.