sexta-feira, 11 de junho de 2010

A esperança na disritmia



Questionado se a influência do bom ambiente entre os jogadores de sua seleção pode ajudar nos resultados de dentro de campo durante a Copa do Mundo, o argentino Verón respondeu que "se alegria ganhasse jogo, o Brasil seria campeão sempre". Em seguida, o jogador provocou os brasileiros, dizendo que os argentinos não dançam samba. As alfinetadas dos "hermanos" são previsíveis, mas a Seleção Brasileira que está na África do Sul parece bem distante do samba de outrora.

As apresentações do Brasil na Era Dunga são mais voltadas para um arremedo de orquestra. Todos os seus comandados se empenham em fazer o que o treinador manda, conduzidos pelo toque de bola e pelo esquema criado durante os treinos. Até os momentos de improviso ou os solos têm seus compassos definidos, e são exclusivos para Robinho e Luís Fabiano (ou, quando muito, nos pés de Kaká e Ramires).

A sensação que o time de Dunga dá a cada partida é que seu campo está congestionado de carregadores de piano. E, enquanto o setor defensivo fica "pianinho", na hora do ataque a tendência é de que venham vários sons estridentes e desafinados atrás da harmonia do gol.

O Brasil da Copa do Mundo de 2010 se resumirá a dançar conforme a música. A seguir os arranjos pasteurizados criados pelo futebol europeu, nivelando ainda mais por baixo um torneio que promete poucos gols. Mais uma vez, a Seleção Brasileira ficará entregue à espera da disritmia do bom futebol, para não desafinar na competição.

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O tempo e o placar... informa: nestes 30 dias de Copa do Mundo, o blogue se dedicará exclusivamente a textos da Seleção Brasileira. Notícias dos clubes aparecerão em alguns dias, mas na seção Bola pro mato.

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