sábado, 30 de outubro de 2010

Jacaré botafoguense



Análise de jogo - Atlético Mineiro 0 x 2 Botafogo (18h30, Arena do Jacaré)

A Arena era do Jacaré, local onde, desde o fechamento do Mineirão para as obras da Copa de 2014, o Atlético Mineiro manda seus jogos. Mas quem deu o bote no estádio foi outro alvinegro - o Botafogo - que segurou o ímpeto e o desespero atleticanos e conseguiu os três pontos no terreiro do Galo.

Ciente de que a vitória se tornava ainda mais importante depois que o Vitória da Bahia venceu o Vasco por 4 a 2 no Barradão e saiu momentaneamente da zona de rebaixamento, o Atlético se lançou à frente, e começou a ameçar o Botafogo logo aos cinco minutos, num chute de Diego Souza de fora da área. A equipe de Joel Santana passou a jogar de maneira fechada, forçando o trio Diego Souza, Obina e Diego Tardelli a ser acionado apenas por meio de cruzamentos. A zaga botafoguense contrastava com o setor ofensivo do time. Isolados por causa da partida apagada do meia Lúcio Flávio, Jobson e Loco Abreu só eram notados quando tentavam correr depois de chutões mandados pelos zagueiros. Diante deste jogo truncado, o primeiro tempo terminou sem gols.

No segundo tempo, as tentativas começaram a chegar de ambos os lados. Mas ainda passaram muito longe, graças à ausência de pontaria, em especial do lado atleticano. A dupla Obina e Diego Tardelli cansou de perder chances claras. Numa delas, Obina, perto da linha da pequena área, isolou a bola diante do goleiro Jefferson. Na outra, Tardelli arriscou de longe da área, e diante do goleiro botafoguense estático, a bola parou no travessão.

Vendo o Botafogo ser pressionado, o técnico Joel Santana fez uma alteração decisiva - o inofensivo Lúcio Flávio saiu para a entrada de Edno. Cinco minutos depois, ele deu o primeiro bote alvinegro. O atacante encontrou Loco Abreu em posição legal no lado direito. O camisa 13 avançou até a área e chutou. Renan Ribeiro espalmou, mas, na volta, Edno colocou a bola no fundo da rede. Botafogo 1 a 0.

Com o placar adverso, Dorival Júnior decidiu tornar o Atlético ainda mais ofensivo. O lateral-direita Rafael Cruz e os meias Renan Oliveira e Diego Souza foram substituídos pelos atacantes Wescley, Ricardo Bueno e Nikão, respectivamente. A equipe mineira continuou a dominar as ações, mas padeceu de um grave erro de equipes desesperadas e cheias de homens de frente. A quantidade do ataque se esvaiu pela falta de habilidade na troca de passes dos jogadores. O time continuava a cair no erro de ficar alçando bola, em busca de um desvio de cabeça.

Mas o Atlético ainda sofreria um último bote. Edno iniciou contra-ataque e lançou na direita Loco Abreu. O uruguaio avançou e chutou na saída de Renan Ribeiro. Botafogo 2 a 0, aos 45 minutos. Os golpes botafoguenses foram incisivos para as pretensões atleticanas no Campeonato Brasileiro. Além da derrota em Minas, tanto o triunfo do Vitória na Bahia quanto a vitória do Avaí sobre o Guarani (por 1 a 0 no Ressacada) fizeram com que o Galo voltasse à zona de rebaixamento, com 34 pontos.

De maneira silenciosa, o Botafogo vai subindo na tabela, graças a botes incisivos como os que aconteceram na Arena do Jacaré. O jacaré botafoguense agora abocanhou a quarta colocação do Brasileirão, com 51 pontos, a três pontos do terceiro lugar, o Corínthians. Certamente, a vitória sobre o Atlético Mineiro dá muito mais apetite à equipe carioca. Afinal, com a incerteza criada pela Conmebol (de que a quarta vaga na competição nacional não leva à Taça Libertadores da América no caso de um time brasileiro ser campeão da Copa Sul-Americana), o risco de acabar o ano de maneira indigesta ficou ainda maior.

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ATLÉTICO MINEIRO 0 x 2 BOTAFOGO

Estádio: Arena do Jacaré (Sete Lagoas / MG)

Público: 17.012 pagantes. / Renda: R$ 92.780,00.

Árbitro: Evandro Rogério Roman (Fifa/PR) / Auxiliares: Roberto Braatz (Fifa-PR) e Gilson Bento Coutinho (PR).

Cartões amarelos: Diego Tardelli, Serginho (Atlético Mineiro) e Alessandro (Botafogo).

Gols: Edno, aos 30 minutos, e Loco Abreu, aos 45 minutos do segundo tempo.

ATLÉTICO MINEIRO - Renan Ribeiro, Rafael Cruz (Wescley, 33'/2ºT), Réver, Lima e Leandro; Alê, Serginho, Renan Oliveira (Ricardo Bueno, 40'/2ºT) e Diego Souza (Nikão, 36'/2ºT); Diego Tardelli e Obina. Técnico: Dorival Júnior.

BOTAFOGO - Jefferson, Danny Morais, Leandro Guerreiro e Márcio Rosário; Alessandro, Marcelo Mattos, Fahel, Lucio Flavio (Edno, 25'/2ºT) e Somália; Jobson (Caio, 38'/2ºT) e Loco Abreu. Técnico: Joel Santana.

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O tempo o placar... escolhe o que houve de melhor e de pior na rodada.

O CHUTAÇO

Depois de muitas rodadas padecendo, o FLUMINENSE finalmente fez uma partida digna de quem disputa título. Na vitória sobre o Grêmio, quinta no Engenhão, o time mostrou sangue frio para segurar a arrancada da equipe gaúcha.

A FURADA

A furada da rodada vai para PAULO CÉSAR GUSMÃO, que escalou Fernando Prass mesmo depois de o goleiro vascaíno ter passado mal na noite anterior, e arriscou colocar como titular o zagueiro Jadson Vieira, atleta que demorou meses até mesmo para ser relacionado no banco de reservas. A derrota por 4 a 2 para o Vitória da Bahia teve responsabilidade do treinador sim.

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RODADA 32

Quarta-feira

22h

Flamengo 1 x 1 Corínthians (Engenhão)

Quinta-feira

21h

Fluminense 2 x 0 Grêmio (Engenhão)
Atlético Goianiense 1 x 1 Ceará (Serra Dourada)
São Paulo 2 x 1 Atlético Paranaense (Arena Barueri)

Sábado

16h

Vitória da Bahia 4 x 2 Vasco (Barradão)
Internacional 1 x 1 Santos (Beira-Rio)

18h30


Atlético Mineiro 0 x 2 Botafogo (Arena do Jacaré)
Grêmio Prudente 0 x 2 Cruzeiro (Prudentão)
Palmeiras 3 x 2 Goiás (Arena Barueri)
Avaí 1 x 0 Guarani (Ressacada)

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