quinta-feira, 12 de março de 2009

Grêmio perde muitos gols, mas sai vitorioso da Colômbia




Tendo como principais adversários a altitude na Colômbia e os erros de conclusão de seus atacantes, o Grêmio saiu do Estádio La Independencia, em Tunja, com uma vitória por 1 a 0 sobre o Boyacá Chicó, em seu segundo jogo pela Taça Libertadores da América. Com o triunfo, a equipe quebrou dois tabus incômodos: pela primeira vez na história do torneio os gaúchos venceram uma partida em território colombiano (antes, tinham sido seis jogos, com um empate e cinco derrotas) e, depois de quatro resultados negativos, o Grêmio voltou a vencer - o que deu sobrevida a Celso Roth no cargo de treinador do tricolor.

Mesmo jogando em território colombiano, o Grêmio começou acuando o Boyacá Chicó em seu campo defensivo. Com um minuto de partida, a zaga do time da Colômbia já tinha necessitado por três vezes rechaçar as tentativas gremistas. Aos quatro, a torcida do time colombiano achou uma forma bem curiosa de provocar a equipe gremista: enquanto sua defesa trocava passes, os torcedores gritavam "olé".

A "tática" parecia ter surtido efeito. No minuto seguinte, Movil entrou na área, mas chutou a bola por cima do gol de Victor. Como um bom confronto sul-americano, a equipe colombiana usou da catimba para tentar prejudicar o time brasileiro - aos 10, Alex Mineiro levou cartão amarelo após uma falta desnecessária.

O Grêmio tentou responder em campo no minuto seguinte: Souza arriscou de fora da área, mas a bola foi por cima do travessão. O Boyacá Chicó respondeu com duas tentativas consecutivas: aos 12, num chute de Pino que obrigou Victor a espalmar para escanteio, e aos 14, em uma bola que passou à direita do gol gremista.

Só que o lance mais perigoso veio da equipe gaúcha: aos 16, novamente, Souza arriscou de fora da área, com seu chute indo rente à trave. Aos poucos, o Boyacá Chicó foi ganhando mais campo, obrigando o Grêmio a se defender extremamente. No entanto, a defesa gremista conseguia evitar que os colombianos chegassem ao gol. A bola que chegou mais perto foi um chute de Pino, que saiu fraquinho, nas mãos de Victor.

Os gremistas pareciam sentir o peso da altitude, em especial os alas Ruy e Fábio Santos, que raramente partiam para o ataque. A equipe de Celso Roth começou, então, a tentar manter sua segurança na defesa, esquecendo a ousadia no ataque. Quando o lateral-direita tentou levar o Grêmio para frente, houve um lance de perigo: com 25 minutos, Ruy arriscou um cruzamento para Jonas, o que obrigou a zaga colombiana a jogar para escanteio. Após a cobrança de Souza, novamente Jonas arriscou com uma cabeçada, que foi por cima do gol de Velázquez.

Com 31 minutos de partida, Souza conseguiu fazer a diferença. Em cobrança de falta que ele mesmo sofreu, o jogador, com categoria, fez 1 a 0 para o Grêmio. Dois minutos depois, foi a vez do Boyacá Chicó ter uma falta perigosa a seu favor. Mas, ao contrário do lance gremista, o chute de Tapia acertou a barreira.

Com o placar adverso, o time da Colômbia passou a se lançar no ataque, deixando espaços em sua defesa. Aos 35, por pouco o Grêmio não aumenta a diferença: depois de passe de Ruy, Jonas tentou encobrir o goleiro Velázquez, mas a bola acertou o travessão. Três minutos depois, Jonas ia deixar Alex Mineiro livre para marcar, mas demorou muito para passar a bola, e o atacante ficou em posição irregular. O Grêmio crescia na partida, e aos 39, Ruy entrou livre de marcação pela esquerda, mas, em vez de jogar para o meio (aproveitando que Jonas estava sozinho na área), o lateral arriscou de longe, e chutou muito mal. Logo em seguida, mais uma chance perdida: Fábio Santos chegou à linha de fundo e cruzou para a área, mas Adilson não conseguiu dominar.

Aos 41, o meia Mahecha, do time colombiano, levou um cartão amarelo após falta em Souza. O Grêmio prosseguia com sua superioridade, mas esbarrava no mesmo problema do empate em 0 a 0 com o Universidad do Chile, em sua estreia no Olímpico. Aos 44 e aos 45, vieram mais duas chances desperdiçadas: um bom chute de Souza defendido por Velázquez e uma tentativa de Ruy que passou por cima do travessão. Com um minuto de acréscimo, o árbitro argentino Sérgio Pezzotta terminou o primeiro tempo, com vitória do Grêmio por 1 a 0.

Antes das duas equipes voltarem para o segundo tempo, os bandeirinhas tiveram de ajudar na limpeza do campo. O motivo: a torcida do Boyacá Chicó atirava muitas faixas de papel perto do gol no qual Velázquez iria atuar na segunda etapa, e os objetos praticamente tomaram a grama da grande área.

Em desvantagem no placar, o time da casa tentava equilibrar o jogo. Aos dois minutos, o primeiro lance de perigo colombiano: Tapia passou por um zagueiro gremista e deu um chutaço de fora da área, mas Victor impediu o gol com uma grande defesa. O mesmo Tapia levou perigo à defesa do Grêmio com cinco minutos, quando se livrou de um zagueiro e tentou. Mas o chute saiu rasteiro, nas mãos do goleiro gremista.

Em uma chance crucial, mais uma vez o Grêmio desperdiçou a chance de ampliar a vantagem. Após sofrer constante pressão do Boyacá Chicó, no contra-ataque o atacante Jonas conseguiu ganhar na corrida e chegar sozinho cara a cara com o goleiro. Mas, na entrada da área, o camisa 7 chutou rasteiro e permitiu grande defesa do goleiro Velázquez, aos nove minutos. Com 10 minutos, Celso Roth fez duas alterações: no lugar do meia Tcheco e do atacante Alex Mineiro (que atuaram pessimamente), entraram o meia Makelelê e o atacante Herrera, respectivamente. Aos 11, nova chance perdida pelo Grêmio: após passe de Jonas, Souza soltou uma bomba para fora. Dois minutos depois de entrar em campo, Makelelê já levou um cartão amarelo.

O treinador Alberto Gamero tentou levar o Boyacá Chicó para a frente, substituindo Madera pelo atacante Nuñez. Mas era o Grêmio que continuava perdendo gols - aos 15, Herrera chutou de fora da área, por cima do gol de Velázquez. A equipe colombiana continuava tentando, mas esbarrava na zaga gremista, sempre eficiente na hora de travar os chutes do adversário. Aos 23, outra vez Jonas tentou seu gol, aproveitando cruzamento de Ruy, mas a bola de cabeça foi para fora.

No minuto seguinte, o Boyacá Chicó ficou com um a menos. Após driblar um zagueiro, Mahecha se jogou perto da grande área para simular uma falta. Como já havia recebido cartão amarelo, o meia foi expulso. Nem assim o Grêmio conseguiu marcar o segundo gol: aos 25, mais uma vez Jonas desperdiçou oportunidade, com Velázquez espalmando a tentativa dele.

O time colombiano começou a pressionar em busca de, pelo menos um empate no estádio La Independencia. Em duas chances seguidas, Nuñez passou perto do gol - na primeira, o chute resvalou em Léo, e na outra, a bola foi para fora. A sina de gols perdidos prosseguia do lado gaúcho: mais uma vez, Souza tentou de fora da área, aproveitando passe de Herrera. Sua tentativa passou à esquerda do gol, a 15 minutos do final.

Mesmo com 10 homens em campo, o técnico Alberto Gamero continuou reforçando o ataque do time colombiano. Movil deu lugar ao meia ofensivo Giron aos 31 minutos de partida.

Aos 34, veio a melhor chance de todas para a equipe gremista. Na linha da grande área, Jonas arriscou novamente. Velázquez defendeu, mas soltou a bola. Jonas recuperou a jogada, deixou o goleiro batido e tocou tranquilamente para as redes. Mas o chute acertou a trave. O camisa 7 conseguiu recuperar a jogada, passou por Velázquez e por um zagueiro do Boyacá Chicó. Mas, na hora de chutar, encheu o pé e o chute passou à esquerda do gol. O caminhão de gols perdidos na Colômbia (que acabou sendo exemplo para Herrera, num chute que foi por cima do gol) deve ter sido o motivo de Celso Roth substituir o atacante aos 37: Jonas deu lugar a Reinaldo.

A cinco minutos do fim da partida, Tapia cobrou falta perigosa a favor do Boyacá Chicó, mas a bola desviou na barreira e foi para escanteio. No contra-ataque gremista, o goleiro Velázquez não só saiu para a intermediária, como também ultrapassou o meio-de-campo para levar sua equipe ao ataque. Por pouco, o Grêmio não consegue tentar o gol vazio - a bola foi para fora.

Aos 43, quase o Grêmio é castigado pelo número de gols perdidos. Após cobrança de falta de Tapia, Nuñez arriscou de cabeça e, com dificuldade, Victor fez defesa no canto direito. Depois do árbitro assinalar quatro minutos de acréscimo, Celso Roth mandou sua equipe prender a bola.

Em meio à troca de passes, Adilson pisou na bola e proporcionou o contra-ataque do time colombiano - mas, na hora de Nuñez finalizar, a zaga conseguiu rechaçar. O Boyacá insistiu até o último minuto. Depois de uma tentativa na área, o time teve a seu favor um escanteio, mas a cobrança saiu errada e fez com que o árbitro finalizasse o jogo.

Apesar da vitória fora de casa, o resultado não foi dos melhores para o tricolor gaúcho. Mesmo em igualdade no número de pontos com o Universidad do Chile, a equipe está em segundo lugar no Grupo 7 da Taça Libertadores da América, pois os chilenos têm um saldo de gols maior que o dos brasileiros. Depois do fim à pressão sobre o treinador Celso Roth, o Grêmio agora terá de conviver com a pressão a seus atacantes, que perderam a excelente oportunidade de voltar para o Brasil com uma goleada.

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BOYACÁ CHICÓ (COL) 0x1 GRÊMIO

Local: Estádio La Independencia (Colômbia).

Gol: Souza, aos 31 minutos do primeiro tempo.

Cartões amarelos: Alex Mineiro, Makelelê e Adilson (Grêmio) e Mahecha (Boyacá Chicó).

Expulsão:
Mahecha (Boyacá Chicó), aos 24 minutos do segundo tempo.

BOYACÁ - Velázquez, Pino, Juan Galicia, Mario Garcia e Madera (Nuñez); Mahecha, Ramirez e Movil (Giron); Tapia, Caneo e Marco Perez. Técnico: Alberto Gamero.

GRÊMIO - Victor, Léo, Rever e Rafael Marques; Ruy, Adilson, Tcheco (Makelelê), Souza e Fábio Santos; Jonas (Reinaldo) e Alex Mineiro (Herrera). Técnico: Celso Roth.

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BOLA PRO MATO

Depois de conviver com a escassez de gols de seus atacantes quando eles iniciavam as partidas do clube, o ataque do Flamengo apareceu timidamente na vitória sobre o Duque de Caxias, no Estádio Raulino de Oliveira. No entanto, o gol de Josiel foi mero figurante diante da atuação de Léo Moura, que, agora atuando no meio-de-campo, marcou dois gols, sendo um deles de falta (o lateral Juan foi o outro autor dos gols rubro-negros no jogo). De negativo, a displicência da equipe, que, mesmo com um a menos desde a expulsão de Ibson, não aguentou a pressão do time da Baixada, que diminuiu uma vantagem de 4 a 0 para 4 a 2. Felizmente, no Campeonato Estadual algumas equipes não incomodam tanto os "grandes" cariocas.

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BOLA NA ARQUIBANCADA

Mais um gol de Ronaldo, desta vez chutando de primeira um cruzamento de Dentinho, e fazendo o segundo gol da vitória por 2 a 1 do Corínthians sobre o São Caetano. Além da crença de que é bem provável ele esteja recomeçando (e bem) a carreira, este pretenso cronista esportivo que vos escreve ainda acredita que Ronaldo anda lendo O tempo e o placar..., e faz estes gols só pra calar a boca do responsável por este blogue.

2 comentários:

Equipe F1 Critics disse...

o Grêmio é um time com o qual simpatizo bastante, e será meu favorito na libertadores depois, é claro, do Boca.

Sobre o ronaldo, é aquela história. Tirar sarro dos 1002 do Romário, todo mundo gosta... Esses aí, acham "lindo"...

Vinícius Faustini disse...

Concordo, em gênero, número e grau sobre o paralelo entre Ronaldo e Romário que você fez. Acho válido o atual atacante corintiano ter feito dois gols em dois jogos, e eu não quis perder a piada de ele ter feito logo depois da minha crônica de semana passada.

Só que o retorno dele a campo anda recebendo uma superexposição na mídia muito grande. Está, inclusive, parecido com aquela celeuma em torno das horas que antecederam a final da Copa do Mundo de 1998. Espero que o final seja diferente.

Abraços, e apareça sempre!

Vinícius Faustini