quarta-feira, 4 de março de 2009

20 anos de Copa do Brasil - de Kaburé a Cícero Ramalho



Hoje, O tempo e o placar... vai apresentar uma dica literária. Originalmente, ela foi publicada no outro blogue deste que vos escreve (Diário de um salafrário), mas ela é mais condizente com este espaço esportivo. Trata-se de uma obra fantástica para todos os que gostam de acompanhar futebol brasileiro. Afinal, todas as pessoas que acompanham este esporte sabem que, mais do que os títulos, o mais valioso do futebol são os "causos" que ele nos proporciona.

20 anos da Copa do Brasil - de Kaburé a Cícero Ramalho é uma tabela fantástica do comentarista esportivo Alex Escobar com o pesquisador Marcelo Migueres, que reuniram em 219 páginas a trajetória da competição nacional considerada "o caminho mais curto para a Taça Libertadores da América". De uma competição desacreditada, pouco valorizada pelos clubes de maior expressão do Brasil, aos poucos a Copa do Brasil foi ganhando sua importância, em especial por ser o único torneio a proporcionar a maior graça do futebol: a equipe considerada mais fraca surpreender e deixar para trás os times "fortes" do Brasil.

Enquanto a fórmula do Campeonato Brasileiro (em especial o recém-implantado "sistema de pontos corridos") não permite drásticas mudanças de panorama do futebol nacional, a Copa do Brasil apresenta uma competição extremamente democrática. São credenciados à disputa os campeões de todos os estados do Brasil, vice-campeões de determinados estados e alguns clubes convidados. Desde seu início, em 1989, o sistema de disputa é o chamado "mata-mata", no qual dois clubes se enfrentam em duas partidas, com cada equipe jogando uma vez em seu estádio e outra vez fora dele. O critério de desempate é o saldo de gols (por exemplo, se uma equipe vence por 2 a 0 mas perde a segunda partida por 1 a 0, a vencedora do primeiro jogo está classificada por causa da diferença de gols). Outro fator que tornou mais emocionante este tipo de competição foi o critério de gols marcados "fora de casa": se um time fora de seus domínios perde por 2 a 1, para se classificar basta vencer por 1 a 0, pois vale o gol que ela fez jogando "na casa do adversário". Quando há dois resultados "iguais" (no caso de empate com o mesmo número de gols marcados, ou no caso de uma vitória e uma derrota pelo mesmo placar), surge outro grande momento de emoção e de histórias: a disputa por pênaltis.

E é graças a estes regulamentos e aos acasos que tornam fascinante o futebol que a Copa do Brasil se tornou a mais imprevisível de todas as competições brasileiras. Através dela, o país foi apresentado a campeões como o Criciúma (time catarinense treinado por um então desconhecido Luiz Felipe Scolari, e que sagrou-se campeão em 1991), o Santo André (time do interior de São Paulo que na final do certame de 2004 derrotou o Flamengo em pleno estádio do Maracanã), ou o Paulista de Jundiaí, vencedor em 2005 sobre o Fluminense, também em terras cariocas.

O torneio também trouxe seus personagens folclóricos e suas situações curiosas, como Cícero Ramalho, personagem que faz parte do título do livro de Escobar e Migueres. Aos 40 anos de idade, 11 quilos acima do peso, o artilheiro do modestíssimo Baraúnas do Rio Grande do Norte foi ao Rio de Janeiro em 2005 e, no estádio de São Januário, comandou a vitória por 3 a 0 do time potiguar que eliminou o Vasco de Romário da Copa do Brasil daquele ano.

O mérito dos autores é não se resumir a contar a Copa do Brasil por meio dos números ou somente destacando os vitoriosos. Há graça de sobra nas derrotas vexatórias, na equipe que pela primeira vez vê o mar da "cidade grande" e também nas "escalações" que a dupla faz com os nomes esquisitíssimos de jogadores presentes em cada edição do torneio.

Em 20 anos da Copa do Brasil - de Kaburé a Cícero Ramalho acompanhamos a ascensão de um torneio contada em detalhes, com todas as ascensões e quedas que passaram por estas duas décadas vividas em campo. Uma vitória de Alex Escobar e Marcelo Migueres, uma vitória do jornalismo esportivo brasileiro e, principalmente, um gol de placa na tabelinha entre a literatura e o futebol.


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A Copa do Brasil prossegue hoje, com as seguintes partidas:

IVINHEMA (MS) x FLAMENGO (o jogo será comentado por O tempo e o placar... no próximo post)

ITUMBIARA (GO) x CORÍNTHIANS

CONFIANÇA (SE) x AMÉRICA (RN)

ASA (AL) x VITÓRIA (BA)

TOCANTINS (TO) x ATLÉTICO (PR)

FAST CLUBE (AM) x ABC (RN)

ÁGUIA MARABÁ (PA) x AMÉRICA (MG)

ATLÉTICO (RR) x GOIÁS

CRISTAL (AP) x BRASILIENSE

VILHENA (RO) x PONTE PRETA

SERRA (ES) x CSA (AL)

POTIGUAR (RN) x BAHIA

BARRAS (PI) x REMO

MOTO CLUBE (MA) x NÁUTICO

É a Copa do Brasil começando a trajetória das equipes que querem trilhar o caminho rumo à Libertadores. Já estão na próxima fase Vasco, Guarani e Atlético Mineiro, que na semana retrasada eliminaram seus respectivos adversários na "partida fora de casa" - nas duas primeiras fases do torneio, se o "visitante" vencer por dois ou mais gols de diferença o "mandante", não é necessária a realização de uma segunda partida.

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BOLA PRO MATO

Depois de muito mistério envolvendo a estreia de Ronaldo, o treinador Mano Menezes anunciou que o atacante ficará na reserva no jogo do Corínthians contra o Itumbiara, de Goiás, pela Copa do Brasil (a partida acontecerá às 21h50). Fica no ar a pergunta: será que Mano ou o Fenômeno leram a crônica postada neste blogue segunda-feira e decidiram calar a boca deste humilde jornalista e pretenso cronista esportivo? Bem, é provável que não, mas eu não poderia perder a piada.

4 comentários:

seomega disse...

Oi, Vinicius,
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Marcos Fontelles de Lima disse...

Dá-lhe Vinicius!!

Parabens pelo convite!!

Uma curiosidade sobre a copa do Brasil: Eu me tornei fãnzão do ex-jogador CASTOR, um ex atacante do clube do remo que com o seu gol, sacramentou o destino da partida contra o Corinthians. Detalhe que o atacante do remo, foi ajudar a defesa e fez um golaço CONTRA, e com esse gol ele eliminou o remo e classificou o corinthians para a grande final, no último lance da partida...

Ah!! Se o Mano Menezes não leu seu blogue... Pior para o Mano!! e o mesmo vale para o Ronaldo!!

Vinícius Faustini disse...

Fico muito lisongeado com o convite, e assim que tiver alguma notícia entro em contato com você, "Seomega" (é isso mesmo?). Não tem ideia do quanto estou feliz com esta chance de publicar mais um pouco das minhas palavras.

Assim como fico sempre lisongeado com o que o Marcos diz. Marcos, eu me recordo desse lance do Castor, o gol foi tão maravilhoso que nem precisava ser contra, né? Igual a aquela cabeçada do Nasa, do Vasco, na final do Mundial Interclubes contra o Real Madrid. Ele conseguiu a proeza de "salvar" um cruzamento do Roberto Carlos que ia pra linha de fundo, e "matar" o Carlos Germano na jogada.

O lance do Castor é citado no livro "20 anos de Copa do Brasil - de Kaburé a Cícero Ramalho", que eu acredito que você vá adorar. O texto da dupla é muito bom - tive o prazer de conhecê-los e, na noite do lançamento, assisti a um debate que trazia, além dos dois autores, o jornalista Roberto Sander e o ex-árbitro José Roberto Wright.

Abraços,

Vinícius Faustini

www.otempoeoplacar.blogspot.com

www.diariodeumsalafrario.blogspot.com

www.emocoesrc.blogspot.com

Marcos Fontelles de Lima disse...

Salve Vinicius!!!

Eu bati bola com o Castor... e apos o jogo (que tinha vários jogadores de times paraenses) eu conversei com ele sobre esse gol... Ele disse que marcou muito negativamente a carreira dele... eu fiquei com pena do cara, mas por dentro eu sabia o quanto feliz eu fiquei aquele dia... com a eliminação do remo. Ah!! o remo ganhou hj e o Mengão esta ganhando por 3 a zero... poderemos ter Flamengo X remo aqui no RJ!! Vamos pro Maraca??

Ah!! vc viu o show do intervalo? a parada do Zico contra o arbitro pelo cara e coroa num jogo contra o Papão da Curuzu.

Outra coisa: o Junior jogava muita bola, mas como comentarista é fraco. O comentarista das situações obvias. O Josiel cabeceou uma bola para baixo, como manda o figurino... e o Juniorm comenta dizendo que ele errou. Se a bola entrasse, ele iria falar: cabeceou magnificmnete bem, pra baixo tirando todas as chances do goleiro.

"Há braços"