quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Riscos repetidos



A capa da edição de hoje do Lance! no Rio de Janeiro destaca a terceira contratação do Vasco para a temporada de 2011. A reportagem mostra que ele é o único grande clube carioca que se reforçou até o momento. Entretanto, a rapidez vascaína segue com os mesmos riscos do final de 2009, quando quis montar sua base para 2010.

Antes mesmo da chegada da nova temporada, o Vasco trouxe um pacote de contratações para o ano em que buscava se reafirmar na Primeira Divisão. Teoria lógica, pois o nível dos campeonatos seria bem maior. Mas a ideia não foi acompanhada com sucesso nos primeiros meses de 2010. Os nomes apresentados após a pré-temporada foram Élder Granja, Márcio Careca, Gustavo, Léo Gago, Jumar, Rafael Carioca, Geovanne Maranhão, Rafael Coelho e o grande reforço era o atacante Dodô - que, além de ter 36 anos, passara por dois anos de suspensão por uso de doping. No lugar de Dorival Júnior, entrou Vágner Mancini, técnico que chegou com ares de promissor comandante de futebol.

Os resultados não vieram, a troca de treinadores foi constante e, pouco a pouco, os reforços foram saindo de São Januário. No saldo do primeiro semestre, a quarta colocação no Campeonato Estadual (sem fazer sombra a Botafogo, Flamengo e Fluminense) e uma eliminação nas quartas-de-final para o Vitória da Bahia na Copa do Brasil. O segundo semestre começou com o prenúncio de uma catástrofe - desempenho pífio em campo e nenhuma perspectiva de melhora. Antes da parada para a Copa do Mundo, o Vasco ocupava o penúltimo lugar do Campeonato Brasileiro, com uma vitória em sete jogos, e deixara como última lembrança antes da Copa uma derrota por 4 a 0 para o Santos de Dorival Júnior.

Somente no intervalo da temporada, com o pensamento finalmente mais voltado para a disputa da elite do futebol brasileiro, é que o Vasco passou a contratar jogadores de maior qualidade. O veterano Felipe e os atacantes Zé Roberto e Éder Luís ajudaram o clube a terminar na décima-primeira colocação. Pouco, mas ao menos espantou o fantasma de voltar a amargar um rebaixamento.

A gestão do clube parecia ter aprendido com seus erros. Até chegar dezembro, após o fim da temporada do futebol de 2010. A urgência de reforços se transformou em ansiedade, e o Vasco já contratou três jogadores com o mesmo perfil do mau início de temporada do ano que vai acabando.

Para amenizar a ausência de um centroavante fixo dentro da área (o maior problema do time no Brasileirão), foi contratado Marcel, jogador que teve pouco destaque neste ano com a camisa do Santos. Além de poucos gols, o atacante apareceu na mídia por ser o pivô de um atrito no elenco, quando, nas brincadeiras que os jogadores estavam fazendo com o aniversariante Zé Love, passou dos limites e chegou a jogar terra no companheiro de clube. Atitude que teve a repreensão de Neymar, atleta com conduta bastante questionada nos últimos meses.



Os outros dois jogadores seguem o padrão de reforços para os setores deficientes do Vasco. Mas ambos não passam de jovens que foram promovidas a apostas vascaínas. O zagueiro Anderson Martins vem como destaque do Vitória da Bahia na competição - e no campeonato em que o clube terminou rebaixado para a Segunda Divisão de 2011. O reforço mais recente é o de Misael, que vem do Ceará (a pedido de Paulo César Gusmão, que foi seu treinador no Vovô). Embora tenha feito uma campanha satisfatória em sua volta à elite, o Ceará foi o pior ataque do Campeonato Brasileiro. Vale a pena investir num atacante de um clube com este estigma?

O Vasco parece confundir a ideia de compor um elenco bom com trazer um emaranhado de jogadores para ver quem se firma. Pelo panorama apresentado inicialmente, a torcida terá de ficar na expectativa de que a única consequência grave seja muito dinheiro investido em atletas que não mereciam. Porque dentro de campo as consequências das temporadas mais recentes não foram das mais agradáveis para os torcedores.

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