quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O desafio de Neymar



Desde seus primeiros passos como jogador de futebol, Neymar foi tratado como joia, jogador que merece receber todos os cuidados e tratamentos para que não abandone o clube seduzido por alguma proposta que vier do exterior. Para isto, as cifras de seu contrato foram aumentando gradativamente, e vieram vários ajustes para que o atleta não tirasse seus olhos da Vila Belmiro.

Durante toda sua carreira, Neymar conviveu com as mudanças de vida atreladas ao seu bom desempenho no gramado, mas não podia desfrutá-las por completo, pois ainda não completara 18 anos. Agora, em sua maioridade, o atacante dá a sensação de que sente o mundo aos seus pés, e deseja recuperar o tempo perdido por limitações da idade.

No entanto, ele esqueceu que os 18 anos impõem alguns limites, em especial a um jogador de futebol - sujeito a uma rotina intensa de treinamentos, concentrações, e partidas ao menos duas vezes por semana. No caso de Neymar, ainda soma o fato de ser um dos destaques do Santos, equipe tradicional do país.

Sim, Neymar é um craque, jogador abusado, seu futebol enche os olhos. Mas, acima de tudo, deveria ser tratado como um funcionário do Santos, atleta profissional, subordinado ao comando do então treinador, Dorival Júnior. O problema é que, por mais que seja um técnico valorizado, Dorival não entra em campo para fazer as jogadas do atacante. E, depois de o time santista ver seu esquadrão dos "Meninos da Vila" se desmantelar, com as idas de André e Robinho para o exterior, e com a ida do meia Paulo Henrique Ganso para o departamento médico, a diretoria não quer ver escorrer pelos dedos o único sinônimo de grande qualidade no campo que restou.

A solução foi dar prioridade a Neymar, cria da Vila Belmiro, dando a ele o pleno poder de demitir um técnico que cometeu o "deslize" de enxergar que a equipe do Santos tem outros jogadores. Dorival Júnior tem aos montes no futebol brasileiro. Mas um Neymar, não.

Teoria que só revela o amadorismo da diretoria e uma falha nas prioridades do clube da Vila Belmiro. Uma punição a Neymar, e a possibilidade de não escalá-lo no jogo contra o Corínthians numa partida do Campeonato Brasileiro, recebeu a mesma dimensão de um projeto de vitória na Taça Liberadores da América de 2011 aos olhos dos cartolas do Santos.

O preço pago por Neymar foi bem além das cifras. Para dar prioridade a ele, o Santos se submeteu a uma mudança de treinadores em plena disputa de Campeonato Brasileiro. Em vez do trabalho do ano que vem ser uma sequência do que foi em 2010, o time de 2011 será organizado às pressas - afinal, o novo técnico santista chega na reta final da competição e não poderá se dar ao luxo de pedir reforços adequados aos seus padrões táticos antes do fim do Brasileirão deste ano.

Neymar já mostrou que tem força suficiente para derrubar um treinador. E agora se vê diante de um desafio ainda maior: mostrar que seu futebol justifica todas as consequências negativas pelas quais passa o Santos atualmente. Haja maturidade para lidar com tamanha responsabilidade.

Um comentário:

Tiago Cordeiro disse...

Na boa? A demissão do Dorival foi MUITO pior pro Neymar. O Dorival só fica desempregado se quiser e lamento muito que meu time já tenha contratado um técnico.

E eu com 18 anos e na condição do Neymar, não sei se conseguiria jogar o que ele jogou ontem.