terça-feira, 30 de junho de 2009

Rodada de vitoriosos



A oitava rodada do Campeonato Brasileiro chamou atenção pela presença de vitoriosos em suas partidas. Dos dez jogos do fim de semana, somente dois terminaram empatados - e justamente os clássicos estaduais Palmeiras e Santos (1 a 1) e Flamengo e Fluminense (0 a 0).

O grande vitorioso da rodada foi o Barueri, que dentro da Arena Barueri se revelou o carrasco dos clubes mineiros, ao vencer o líder Atlético Mineiro por 4 a 2. Além da perda da invencibilidade, o alvinegro de Minas viu sua liderança ameaçada novamente pelo Internacional, que, mesmo com os reservas, passou com facilidade pelo Coritiba no Beira-Rio, com um 3 a 0 construído com três gols de Bolaños.



O terceiro lugar está com o Vitória, que, na Bahia, passou com facilidade pelo Santo André, por 4 a 1. Das equipes que iniciaram o torneio nas primeiras colocações do campeonato, o único que não manteve sua regularidade foi o Náutico - que, com a derrota para o São Paulo por 2 a 0 no Morumbi (na estreia de Ricardo Gomes), adentrou na zona de rebaixamento.



A briga pelas últimas colocações também continua acirradíssima. Ao lado de Náutico e Coritiba, o Avaí prossegue na degola, após perder por 1 a 0 para os reservas do Cruzeiro no Mineirão. Em situação mais delicada ainda está o Botafogo. Além de ser o último colocado, o alvinegro carioca não vê a menor perspectiva de melhora - como mostrou o jogo de sábado, no Engenhão, no qual levou 4 a 1 do Goiás. A situação ficou ainda pior pela falta de possibilidades de contratações: o time tentou acertar com os atacantes Otacílio Neto, Josiel, Zé Roberto, Marquinhos e Bill, mas todos eles esbarraram no acordo salarial.

O Atlético Parananese saiu momentaneamente das últimas posições aproveitando-se do fato do Corínthians estar com seu time reserva na Arena da Baixada (poupado para a finalíssima contra o Internacional, na quarta-feira) - a vitória suada veio com um belo gol de falta de Paulo Baier. Tentando juntar os cacos após a eliminação da Taça Libertadores da América, o Sport conseguiu um bom resultado ao ganhar do Grêmio na Ilha do Retiro, pelo placar de 3 a 1. O tricolor gaúcho até teve bons momentos na partida, só que seu time misto (poupado para o segundo jogo pelas semifinais da Taça Libertadores da América, diante do Cruzeiro) seguiu os passos da equipe titular, e os dois gols incríveis perdidos por Jonas evitaram que a equipe pudesse ficar mais perto dos primeiros lugares.

Assim como o Leão pernambucano, o Palmeiras é outro time a sentir sequelas da Libertadores. Depois do impasse da provável saída de Keirrison para o futebol espanhol, o time perdeu seu técnico Vanderlei Luxemburgo dias antes do clássico paulista contra o Santos. Dirigido pelo interino Jorginho, o time chegou a abrir o placar com Obina, mas perdeu os três pontos aos 36 minutos do segundo tempo, com um gol de Róbson.



No Maracanã, o único espetáculo veio na preliminar. O jornal Lance! realizou uma partida entre a "Máquina Tricolor" de 1975 e o Flamengo campeão mundial de 1981 para as pessoas que chegaram cedo ao estádio. Luizinho, Nunes e Júnior fizeram os gols da vitória rubro-negra, e Duílio abriu o placar para o tricolor das Laranjeiras. Já a partida principal apresentou um jogo de péssimo nível técnico, e o esperadíssimo duelo entre o flamenguista Adriano e o tricolor Fred não aconteceu. O placar em 0 a 0 foi justo tanto pelo nivelamento dos dois times quanto pelo domínio do Fluminense no primeiro tempo e pelo Flamengo na etapa final. Só que o resultado acabou sendo negativo para ambos, que perderam posições na classificação. O meia Thiago Neves fez em sua última partida nesta segunda passagem pelo tricolor o mesmo que nos cincos meses de 2009: nada.

Para conseguirem aspirar glórias no Campeonato Brasileiro, os times que não conseguiram três pontos na rodada precisam tomar cuidado nos próximos jogos. Caso contrário, a ansiedade pelas vitórias pode ficar ainda maior e, no campo, ver refletidas as consequências de suas derrotas no início da competição.

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O tempo e o placar... apresenta o que aconteceu de melhor e de pior na oitava rodada do Campeonato Brasileiro.

O CHUTAÇO

Nenhum cronista esportivo imaginaria que em algum momento do Brasileirão o Barueri poderia figurar entre os primeiros do torneio. Após surpreender o time reserva do Cruzeiro em Minas na rodada anterior, o time do interior paulista não temeu o favoritismo do líder Atlético e novamente fez 4 a 2 num clube mineiro. Mesmo com a possibilidade do bom momento ser fugaz, estes resultados podem evitar que nas rodadas finais a equipe brigue para não cair.

A FURADA

Goleada sofrida no Engenhão para o Goiás, segundo jogo consecutivo com a defesa levando quatro gols em 90 minutos. O Botafogo parece seguir o mesmo lamentável caminho de 2002 - ainda mais com a falta de perspectiva na situação financeira do clube carioca. Se o campeonato acabasse hoje, no ano que vem o alvinegro faria um clássico regional com o Vasco na Série B do Campeonato Brasileiro.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Final feliz



Os últimos 90 minutos da Seleção Brasileira na Copa das Confederações foram dignos de uma final de Copa do Mundo. Todas as emoções e oscilações de um time passaram pela África do Sul na final diante dos Estados Unidos. Da equipe atônita por causa dos dois gols marcados pelos norte-americanos até o gol decisivo de Lúcio ,sacramentando a vitória por 3 a 2, o Brasil viveu um final feliz no palco que, no próximo ano, vai sediar o torneio mais importante do futebol mundial.

A primeira etapa apresentou um filme que a torcida brasileira já tinha visto: o Brasil pressionava mas não conseguia superar uma seleção bem armada defensivamente. O tom da história ficou dramático após os gols de Dempsey e Donovan.

Mas a Seleção decidiu voltar a escrever a história da sua tradição no segundo tempo. Lá, brilhou a chuteira de Luís Fabiano, autor de dois gols bonitos - o primeiro, depois de um drible, e o segundo, com oportunismo, ao pegar o rebote de uma bola que Robinho acertou no travessão. Ele acabou sendo elevado a artilheiro do torneio.

E, mais uma vez, a estrela do técnico Dunga decidiu uma partida do Brasil. A duvidosa opção de trocar Ramires por Elano não parecia a mais correta para um time que empatava em 2 a 2 numa final. Mas foi dos pés dele que teve início a virada. O meia conseguiu fazer algo que o lateral Maicon não fez durante toda a partida (acertar uma boa cobrança de escanteio) e encontrou Lúcio para fazer o gol da virada.

O gol decisivo foi um verdadeiro prêmio para o capitão do Brasil, que se revelou um grande líder, um xerife para a zaga do time canarinho. Apesar de muito bem marcado durante todas as partidas, Kaká fez jus à camisa 10, através de seus passes e de suas jogadas. Infelizmente, sua despedida não teve o tributo que merecia: seu gol de cabeça não foi validado pelo árbitro, mesmo com o goleiro Howard segurando a bola somente depois que ela atravessou a linha. Provavelmente, o pênalti brasileiro contra o Egito e a polêmica do auxílio do quarto árbitro e do monitor contribuiram para que este erro ocorresse.

No entanto, apesar do título, Dunga tem duas questões a serem discutidas para os próximos jogos da Seleção Brasileira. O primeiro vem na lateral-esquerda: Kléber e André Santos tiveram apresentações ruins durante o torneio, a ponto do treinador ter de improvisar Daniel Alves nesta parte do campo. O segundo, parte para o ataque. Robinho decepcionou na Copa das Confederações, mas ainda assim permanece no time durante toda a partida. Será que ele vai pelo mesmo caminho de Ronaldinho Gaúcho - um jogador renomado que, pela história anterior dele, ainda vai continuar na equipe por mais que esteja jogando mal?

Imperfeições à parte, o título da Copa das Confederações valoriza ainda mais o trabalho de Dunga à frente da Seleção Brasileira. Sob o comando dele, a equipe também venceu a Copa América de 2007 e é a atual líder das Eliminatórias da Copa do Mundo - todos resultados conquistados apesar da desconfiança da imprensa e da torcida. Agora, os torcedores esperam que a trajetória vitoriosa tenha mais um final feliz em 2010.

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Em virtude da cobertura da final da Copa das Confederações, O tempo e o placar... mostrará a análise da oitava rodada do Campeonato Brasileiro amanhã.

domingo, 28 de junho de 2009

Joel Bafana



Nunca um quarto lugar foi tão bom para um treinador brasileiro. O técnico Joel Santana fez com que a África do Sul passasse pela primeira vez a uma nova fase de um torneio internacional e, mesmo com duas desclassificações, a seleção sul-africana não fez feio aos olhos de seus torcedores. Tanto na semifinal contra o Brasil quanto na disputa do terceiro lugar, a "Bafana" vendeu caro suas derrotas. Contra o Brasil, um gol de falta a dois minutos do fim eliminou a equipe. E hoje, diante da Espanha, também veio de bola parada (a um minuto do segundo tempo da prorrogação) a derrota por 3 a 2 para os espanhóis.

Conhecido no Brasil pelo apelido de "Senhor Estadual", Joel conquistou nove campeonatos estaduais em sua trajetória, e sempre em times com grande rivalidade em seus respectivos estados. No Campeonato Baiano, foram dois títulos com o Bahia (1994 e 1999) e dois com o Vitória (o Supercampeonato Baiano de 2002 e o Estadual de 2003). Mas sua hegemonia como treinador de estaduais veio no Rio de Janeiro. Ele conquistou o Campeonato Carioca pelos quatro grandes do estado - 1992 e 1993 com o Vasco, 1995 com o Fluminense, 1997 com o Botafogo e 1996 e 2008 com o Flamengo.

No entanto, em competições de nível nacional o treinador ainda era bastante questionado. Nos dois títulos que conseguiu com o Vasco na temporada de 2000 - a Copa Mercosul e a Copa João Havelange - ele dirigiu a equipe somente nos últimos jogos, pois Oswaldo de Oliveira se desentendeu com o ex-presidente Eurico Miranda. Em 2007, Joel Santana teve outra incumbência à frente do Flamengo: tirar o time das últimas colocações do Campeonato Brasileiro. O rubro-negro não só saiu dos últimos lugares como também chegou à terceira posição e se classificou para a Taça Libertadores da América do ano seguinte. Os flamenguistas começaram a apelidá-lo de "Papai Joel".

No ano passado, logo após a conquista do Campeonato Estadual, ele saiu do time carioca para dirigir a seleção da África do Sul. Após ter seu trabalho contestado (em especial depois o empate em 0 a 0 com o Iraque na estreia da Copa das Confederações), o treinador agora conseguiu o respeito da torcida e da imprensa esportiva sul-africana - além da consagração de boa parte da crítica esportiva brasileira, que mesmo com a vitória da Seleção Brasileira por 1 a 0 na quinta-feira, considerou que ele fez sua seleção dar um "nó tático" no time escalado por Dunga.

O futebol bem armado que a África do Sul apresentou na Copa das Confederações promete surpreender também na Copa do Mundo do próximo ano. E, quem sabe, Joel Santana possa mudar seu nome para "Joel Bafana".

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Amanhã, O tempo e o placar... fala sobre a final da Copa das Confederações, entre Brasil e Estados Unidos.

sábado, 27 de junho de 2009

Amarga despedida



O Fla-Flu de amanhã será o ponto final da segunda passagem de Thiago Neves pelo tricolor das Laranjeiras. O jogador está de malas prontas para jogar no árabe Al Hilal, na espera de dias melhores para sua carreira. Afinal, seu retorno ao Fluminense não trouxe nada de bom também para o clube carioca.

Contratado para fazer parte da "Nova Máquina Tricolor", ao lado de nomes como Diguinho, Conca, Leandro Amaral e Fred, Thiago Neves frustrou a torcida com fracas atuações, que condenaram o primeiro semestre do Fluminense a mais um período sem títulos. E, principalmente, com eliminações em partidas sem brio: a derrota para o Flamengo na semifinal da Taça Rio (resultado que tirou da equipe a chance de ganhar o Campeonato Estadual) e a queda diante do Corínthians em pleno Maracanã, pelas quartas-de-final da Copa do Brasil.

Thiago foi somente o rascunho do grande atleta que se destacou no Fluminense em 2007, quando deixou de ser somente o reserva de Carlos Alberto. Além de bater a cabeça com os outros homens ofensivos do tricolor, o jogador chamou atenção da imprensa num lance que demonstrou sua irresponsabilidade. Na derrota por 2 a 1 para o paraense Águia de Marabá (pela segunda fase da Copa do Brasil), ele atirou uma bola no gandula do Estádio Mangueirão.

Muito pouco para apagar a imagem negativa criada em sua apresentação, ao dizer que a volta ao tricolor depois do insucesso no futebol alemão (atuou pelo Hamburgo) foi um "retrocesso na sua carreira". Se a carreira havia retrocedido no retorno à Europa, a passagem de cinco meses pelo Fluminense tornou ainda mais complicada a valorização de seu futebol.

Thiago Neves se despede na partida entre Flamengo e Fluminense de amanhã. Mas, ao contrário de outros jogadores que saem do Brasil através da "janela" do Campeonato Brasileiro, ele provavelmente não vá deixar saudade à torcida.

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BOLA PRO MATO

O jornalista Lédio Carmona anunciou em seu blogue que Vanderlei Luxemburgo foi demitido do Palmeiras. Após muitos atritos com a diretoria do alviverde paulista, a negociação do artilheiro Keirrison com o futebol espanhol sacramentou uma queda anunciada desde a eliminação na Taça Libertadores da América. Agora passa a pairar no Parque Antarctica a possibilidade de Muricy Ramalho virar casaca dentro do estado de São Paulo.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

As estrelas na África do Sul



No jogo truncado ao qual a África do Sul submeteu a Seleção Brasileira durante toda a partida, duas estrelas foram decisivas para que a zebra não passasse mais uma vez pela Copa das Confederações. O técnico Dunga, que fez uma substituição decisiva a dois minutos do tempo regulamentar, e o lateral Daniel Alves, que saiu da reserva para fazer o gol da vitória por 1 a 0.

Mais uma vez, o Brasil esbarrou no seu defeito mais preocupante: não saber lidar com seleções bem armadas defensivamente. O time de Joel Santana se postou na defesa, marcando muito bem o camisa 10, Kaká, e contando com a sorte de Ramires e Robinho estarem em um péssimo dia. O fato de Luís Fabiano ter chutado a gol pela primeira vez no jogo somente aos 17 minutos do segundo tempo demonstra como a Seleção Brasileira não conseguia chegar à frente da área sul-africana.

Os laterais Maicon e André Santos também penaram nesta semifinal, em especial este último, que por muitas vezes tropeçou na bola e perdeu chances de contra-ataque. O jogo caminhava para o empate sem gols e Dunga não olhava para o banco de reservas em nenhum momento. Somente aos 38 minutos do segundo tempo é que ele decidiu trocar um de seus jogadores.

E, certamente, a troca de André Santos por Daniel Alves seria muito hostilizada pelos torcedores se a partida acontecesse em algum gramado brasileiro. Improvisar um lateral-direita na esquerda é o suficiente para chamar um técnico de "burro". Mas o acaso do futebol decidiu brilhar no futuro palco da Copa do Mundo de 2010.

Em sua única boa jogada em toda a partida, o meia Ramires foi derrubado perto da área. Daniel Alves partiu para a cobrança e fez a bola entrar no canto direito. Mesmo com o favoritismo, o 1 a 0 naquele momento soou como injusto, diante do que fizeram em campo Brasil e África do Sul.

Mais uma vez, Dunga fez valer sua estrela, contando com o brilho do chutaço de seu lateral-direita. A torcida brasileira faz votos de que esta estrela não se torne cadente até a final da Copa das Confederações (domingo, contra a surpreendente seleção dos Estados Unidos) e, quem sabe, conduza o Brasil a acrescentar mais uma estrela em sua camisa - a de vencedor da Copa do Mundo no ano que vem.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Os rumos sul-americanos



O jogo entre Cruzeiro e Grêmio no Mineirão mostrou que a máxima "quem não faz, leva" está longe de sair de moda. Mais uma vez, o tricolor gaúcho perdeu muitos gols e saiu do Mineirão derrotado. O estrago só não foi maior porque a cobrança de falta de Souza diminuiu a vantagem cruzeirense para o placar de 3 a 1.

No início do jogo, nem parecia que o Grêmio era o visitante. Foi do lado gaúcho que surgiram as melhores oportunidades - com Alex Mineiro e Máxi Lopez - e era a equipe que dominava as ações da etapa inicial. Mas, a sucessão de erros nas finalizações foi castigada a oito minutos do fim do primeiro tempo, com o gol de cabeça de Wellington Paulista.

A possibilidade de voltar a ter o domínio da partida foi embora logo no primeiro minuto da segunda etapa, em chute de Wagner. O Grêmio de Paulo Autuori recorreu a uma estratégia duvidosa digna de equipes "copeiras": evitar levar mais gols. Mas não adiantou muito, pois, aos 21 minutos, o estreante Fabinho marcou de cabeça.

Graças à cobrança de falta de Souza aos 33 minutos, o trabalho do Grêmio ficou menos difícil. Com a derrota por 3 a 1, o placar de 2 a 0 é suficiente para que o time roube a vaga da Celeste mineira e faça a final da Taça Libertadores da América. A semifinal brasileira ganhou mais emoção. Mas desta vez os gremistas terão de acertar a pontaria de uma vez por todas, para o time não perder o rumo da competição sul-americana.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A derrota do jornalismo esportivo



Um verdadeiro gol contra o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para que se exerça a profissão. O empenho de inúmeros estudantes é jogado no lixo mais uma vez, para que se sobressaia um pensamento contraditório das empresas: a de que passa mais credibilidade um especialista no assunto (um economista, por exemplo) do que um jornalista formado. A área que promete ser a mais sentida é a do jornalismo esportivo.

Com o aval definitivo do Supremo Tribunal Federal, agora os jornais e as emissoras de rádio e de televisão podem escancarar suas portas para a contratação de comentaristas ligados ao esporte. Afinal, o que chama audiência? Um jogo de vôlei com análises de um jornalista ou de Tande? Uma partida de basquete com comentários de um estudioso ou do Oscar? Um jogo de futebol tendo como comentarista uma pessoa formada ou o Romário?

Sim, é bem verdade que alguns dos comentaristas presentes no jornalismo esportivo brasileiro têm seus devidos valores - mas, provavelmente, por méritos próprios, por decidirem estudar e se aprofundar na área. Entretanto, é lamentável ver comentaristas como o ex-jogador Neto e o ex-árbitro Oscar Roberto de Godói tomando espaço de jornalistas na TV Bandeirantes. É visível o despreparo de nomes como Júnior, na TV Globo, e do ex-treinador Valdir Espinosa, no canal a cabo Sportv.

Na televisão, escolha de pessoas ligadas a esporte para participar de eventos esportivos acaba não sendo favorável nem para a própria emissora. Cada vez mais, os ex-atletas aceitam participar das transmissões com o intuito de mostrar que ainda estão ligados aos esportes nos quais fizeram carreira. Foi graças ao jornalismo esportivo que o ex-zagueiro Mauro Galvão conseguiu um espaço na gerência do Grêmio, e que o ex-atacante Müller se tornou um dos diretores do Santo André. O emprego de jornalista deve ir além de mera catapulta para outros ramos.

A decisão do STF sacramentou o empobrecimento da cobertura esportiva, tão combalida pela política de ter na equipe "especialistas de outras áreas, com talento reconhecido" (palavras do vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho). Agora, os jornalistas que quiserem se aventurar pela área de esporte terão mais um grande adversário.