quinta-feira, 7 de maio de 2009

Vasco deixa zebra pelo caminho e está nas quartas da Copa do Brasil



Mostrando um futebol bem diferente do apresentado na semana passada no Rio de Janeiro, o Vasco eliminou o Icasa com uma goleada por 4 a 1 e se classificou para as quartas-de-final da Copa do Brasil. Com dois gols de Léo Lima (ambos de pênalti), um de Élton e um de Vilson (Leozinho, também de pênalti, descontou para a equipe de Juazeiro do Norte), o time conseguiu evitar que se repetisse a história de eliminações prematuras contra equipes de menor expressão no torneio - Baraúnas e XV de Novembro de Campo Bom foram alguns deles - e deixou pelo caminho uma zebra do interior do Ceará. Agora, o time de São Januário enfrentará o Vitória (que eliminou o Atlético Mineiro com uma vitória nos pênaltis por 5 a 4, após derrota por 3 a 0 para o Galo no tempo normal da partida do Mineirão).

Com a qualidade de sua equipe posta em dúvida depois do pífio empate em 1 a 1 contra o Icasa em São Januário, o Vasco precisava fazer gols (com o 1 a 1 da primeira partida, o empate em 0 a 0 classificaria o time cearense). Apesar de marcar a saída de bola do Icasa, o time vascaíno tinha menos posse bola do que os anfitriões. Num início de constantes passes errados, a primeira chance veio em cobrança de bola parada. Panda arriscou um chute forte, mas a bola passou longe do gol de Tiago, aos seis.

A primeira chance do Vasco veio somente aos 10 minutos. Élton recebeu bola de costas para a marcação e passou de calcanhar para Enrico, só que o meia adiantou e a zaga do Icasa afastou para escanteio. Na cobrança de Paulo Sérgio, Léo Lima subiu mais que os zagueiros, mas cabeceou para fora.

Aos poucos, o time de São Januário chegava ao ataque. Numa das investidas, Paulo Sérgio recebeu passe de Léo Lima em diagonal e foi derrubado por Joãozinho dentro da área. Pênalti. Léo Lima cobrou rasteiro, no canto esquerdo, deslocando Ari para o outro lado. Vasco 1 a 0.

Agora sem a vantagem do empate, o Icasa começou a pressionar o jogo, e aos 20 deu o primeiro susto na torcida vascaína. Leozinho passou pela zaga e arriscou num chute rasteiro. Tiago espalmou para o lado e Marco Vinícius aproveitou o rebote, mas a bola foi para fora. Três minutos depois, em nova pressão do time da casa, Leozinho foi derrubado perto da grande área. O próprio jogador cobrou, mas a bola passou à direita do gol de Tiago. Na jogada seguinte, Paulo Sérgio cruzou para defesa do goleiro Ari. O camisa 2 tentou mais uma vez cruzamento para a área em cobrança de falta, mas Vilson cabeceou para fora, aos 27.

Aos 29, Leozinho novamente assustou em cobrança de falta. Num jogo de muitas faltas, novamente o Vasco teve chance de ampliar a vantagem, em cobrança de falta de Paulo Sérgio, mas o goleiro Ari conseguiu segurar, aos 33.

Dois minutos depois, Rodrigo Pimpão recebeu bola perto da área, girou na frente do zagueiro e o goleiro Ari defendeu no meio do gol. No lance seguinte, o camisa 11 puxou um contra-ataque e arriscou da esquerda, mas o goleiro conseguiu jogar para escanteio.

O técnico Dorival Júnior pediu para o time voltar a pressionar a saída de bola do adversário. E numa das tentativas perto da área da equipe de Juazeiro, o Vasco chegou ao seu segundo gol. Rodrigo Pimpão entregou bola na direita para Paulo Sérgio e o lateral passou para Élton, com tranquilidade, colocar para o fundo das redes. Vasco 2 a 0, aos 42 minutos.

Com dois minutos de acréscimo, a primeira etapa terminou no Estádio Romeirão, e o Icasa foi para o vestiário com a consciência de que precisaria fazer pelo menos três gols para se classificar às quartas-de-final da Copa do Brasil. Por isto, o técnico Flávio Araújo realizou duas substituições logo no intervalo. Na lateral, Joãozinho saiu para a entrada de Gilberto Matuto. No ataque, Marciano (autor do gol do time cearense em São Januário) substituiu Moré.

Mas quem marcou no início de segunda etapa foi o Vasco. Aos quatro minutos, Ramón cobrou escanteio na esquerda. Vilson cabeceou, a bola resvalou no zagueiro do Icasa e enganou Ari. 3 a 0.

A equipe vascaína demonstrava mais tranquilidade, e teve outras duas chances de marcar. Uma, com Rodrigo Pimpão, que tentou fazer gol por cobertura mas o goleiro Ari evitou, e outra, em chute de Enrico que foi para fora. Aos 12 minutos, o Icasa fez sua última alteração: Esquerdinha saiu para dar lugar a Jeferson.

Aos 14, Leozinho passou por Gian e chutou para o gol, mas Tiago desviou com a ponta dos dedos. No minuto seguinte, insatisfeito com o rendimento de Enrico em campo, Dorival Júnior tirou o jogador para a entrada de Carlos Alberto, que retornava à equipe depois de um bom tempo afastado dos gramados por contusão.

Com 19 minutos da segunda etapa, Marciano tentou jogada perto da área e foi parado por Mateus. Como o jogador já tinha levado o cartão amarelo no primeiro tempo, o segundo amarelo puxado por Antônio Hora Filho fez com que o Vasco passasse a jogar com 10. Para recompor o time, Dorival Júnior realizou uma nova alteração: o atacante Élton foi substituído pelo meia Bruno Gallo, aos 25.

No minuto seguinte, Carlos Alberto cruzou para a esquerda, Ramón lançou para o meio com Rodrigo Pimpão, só que na hora de chutar, o atacante enfeitou demais e perdeu a chance de chute. Ele ainda tentou jogada com Bruno Gallo, mas o ataque foi desperdiçado. Aos 28, Amaral arriscou em cobrança de falta, mas pegou muito embaixo da bola.

Um minuto depois, Gilberto Matuto entrou livre na área e foi derrubado por Tiago. Pênalti. Leozinho deu uma paradinha e fez o gol, mas o árbitro mandou voltar por causa da invasão de área de um jogador do Icasa. Na segunda cobrança, novamente Leozinho fez uma paradinha antes de acertar o canto esquerdo do gol. 3 a 1 Vasco, aos 31.

Dois minutos depois, Paulo Sérgio cobrou falta e no rebote Rodrigo Pimpão chutou por cima. Aos 34, Bruno Gallo entrou na área e se chocou com Thiago. O juiz Antônio Hora Filho marcou pênalti. Léo Lima novamente cobrou no lado oposto de onde caiu o goleiro Ari. Vasco 4 a 1, aos 35.

A oito minutos do fim, o time carioca teve sua última substituição. Edgar entrou no lugar de Rodrigo Pimpão. Aos 39, Marco Vinícius cruzou para a área vascaína mas o zagueiro Thiago desperdiçou, com seu voleio, a oportunidade do segundo gol do Icasa.

Aos 41 minutos, o goleiro Tiago levou uma bolada no queixo e ficou caído no gramado por alguns instantes. Quando o jogo retornou, o Icasa teve três chances. Uma com Gilberto Matuto, em chute desviado por Léo Lima aos 42, uma tentativa de Marco Vinícius que foi por cima do gol, a um minuto do fim, e, no lance que foi mais próximo do gol, Alan chutou rasteiro perto da trave direita de Tiago, aos 47.

Aos 49 minutos, Antônio Hora Filho encerrou a partida. Classificado para as quartas-de-final da Copa do Brasil, o Vasco agora se concentra na disputa da Série B do Campeonato Brasileiro - a estreia acontece no sábado, contra o Brasiliense, em São Januário. Espantada a zebra cearense, o time cruzmaltino agora se prepara para um torneio no qual corre o risco de cruzar com novas zebras pelo caminho.

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ICASA (CE) 1x4 VASCO

Estádio: Romeirão (em Juazeiro do Norte).

Árbitro: Antônio Hora Filho (de Sergipe).

Gols: Léo Lima, aos 18, e Élton aos 42 minutos do primeiro tempo. Vilson, aos três, Leozinho, aos 31, e Léo Lima, aos 35 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Joãzinho, Thiago (Icasa), Mateus, Tiago (Vasco).

Expulsão: Mateus (Vasco).

ICASA - Ari, Alan, Panda e Thiago; Marco Vinícius; Jonas, Guto, Esquerdinha (Jeferson) e Joãozinho (Gilberto Matuto); Moré (Marciano) e Leozinho. Técnico: Flávio Araújo.

VASCO - Tiago, Paulo Sérgio, Vilson, Gian e Ramón; Amaral, Mateus, Enrico (Carlos Alberto) e Léo Lima; Rodrigo Pimpão e Élton (Bruno Gallo). Técnico: Dorival Júnior.

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BOLA PRO MATO

Outro time carioca conseguiu espantar uma zebra cearense no Nordeste. No duelo de tricampeões estaduais, o Flamengo (tricampeão carioca) derrotou o Fortaleza (tricampeão cearense) pelo placar de 3 a 0. Agora, o rubro-negro do Rio enfrentará o Internacional, que despontou como um dos melhores times do país neste início de campeonato.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Em Minas reluz um Cruzeiro



O Sudeste conheceu mais um campeão estadual no domingo. Das Minas Gerais o brilho ficou mais forte através do azul do Cruzeiro, que em todo o campeonato fez jus ao primeiro verso de seu hino escrito por Jadir Ambrósio - "existe um grande clube na cidade". O Mineirão foi palco da confirmação da conquista cruzeirense (de número 36 no torneio), vinda com um empate em 1 a 1, resultado de ótimo tamanho depois da goleada por 5 a 0 no primeiro embate contra o tradicional rival Atlético Mineiro.

Título invicto, com direito a uma acachapante vitória na decisão contra o maior adversário de seu estado. De fato, um estadual memorável para a torcida cruzeirense, que, diante do bom futebol apresentado nesta página heroica de sua nova conquista, pode almejar outras glórias - dentre elas, ser o melhor da América do Sul ao vencer a Taça Libertadores da América.

No entanto, ao consultar a trajetória do novo bicampeonato mineiro, o Cruzeiro tem de prestar atenção em como foi o panorama do estadual de 2009. O que era, anteriormente, uma duríssima disputa entre o time azul e o Atlético Mineiro para ser o melhor de Minas, nos dias de hoje vem caindo para uma soberania da Raposa - munida pela incompetência dos dirigentes atleticanos e pela sucessão de maus jogadores que vestem a camisa alvinegra mineira. Isto ficou evidente na sucessão de gols perdidos pelo Galo antes do time abrir o placar no Mineirão (com gol de Fabiano) na final de domingo. Por sorte, cinco minutos depois o Cruzeiro arrancou, em pênalti cobrado por Kléber, o empate que tornaria a batalha do rival ainda mais inglória.

Um espetáculo lamentável foi ver o técnico Emerson Leão mais uma vez atribuir à equipe de arbitragem e até à imprensa para culpar o vice-campeonato de sua equipe. Embora estivesse buscando um bom trabalho (estava, até dois dias atrás, quando saiu do clube e, em seu lugar, foi contratado Celso Roth), o treinador deveria admitir as tamanhas limitações pelas quais o Atlético Mineiro vem passando. E há muito tempo.

Felizmente, nem este incidente maculou a ótima campanha cruzeirense, consagrado mais uma vez o melhor time dos gramados de Minas Gerais. Em Minas reluz um Cruzeiro. E, se ele mantiver seu bom futebol nas demais competições, fará as estrelas de seu símbolo brilharem ainda mais em outras terras.

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BOLA PRO MATO



Em azul e branco também pintaram as cores do melhor time de Santa Catarina em 2009. Em uma decisão emocionante para os catarinenses, o Avaí sagrou-se campeão estadual vencendo por 3 a 1 a Chapecoense no tempo normal - e, por ter sofrido uma derrota pelo mesmo placar no primeiro jogo decisivo, forçou a uma prorrogação de 30 minutos. No tempo extra, novamente o time de coração do tenista Gustavo Kuerten confirmou seu melhor futebol, fazendo inconstestáveis 3 a 0 sobre o adversário. Após a ascensão à Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro deste ano, o time treinado pelo ex-jogador Silas tem mais um motivo para chegar embalado e surpreender como estreante na Série A.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Rascunho de uma nova história corintiana



Apesar de a imprensa alardear (com toda razão) que os Campeonatos Estaduais não podem servir como parâmetro para a disputa do Campeonato Brasileiro, a conquista do Corínthians pode ser bem favorável para as pretensões do time voltar a figurar entre os maiores clubes do país. Para a equipe que dois anos atrás conviveu com a tristeza do rebaixamento à Série B do Brasileirão e se acostumava a ser saco de pancada nos clássicos diante de São Paulo, Palmeiras e Santos, o Timão deu no domingo a certeza de que um trabalho a longo prazo pode acontecer quando bem realizado.

A equipe não teve medo de encarar os adversários da Segunda Divisão, contratou jogadores com espírito de luta e com mais vontade de deixar o alvinegro do Parque São Jorge de volta à elite do que conseguir uma boa transferência para um clube maior. E, principalmente: de 2008 para 2009 manteve a base de sua equipe. Pouquíssimos jogadores deixaram o Corínthians. Em compensação, vieram alguns nomes, caso de Túlio e Jorge Henrique (ambos do Botafogo).

E veio um nome que se confundiu com o nome do Corínthians na tentativa de uma superação nas quatro linhas. Quando vestia a camisa do Milan, Ronaldo parecia somente um esboço do jogador que durante muitos anos fez por merecer o apelido de "Fenômeno". De volta ao Brasil, aos poucos o camisa 9 foi conseguindo seu espaço nos gramados, trazendo gols bonitos e decisivos para o Timão.

O descrédito a Ronaldo e ao time foram sumindo aos poucos, a cada partida, a cada gol. Do jeito que pensou o treinador Mano Menezes, atual recordista de permanência no cargo corintiano - desde a saída de Carlos Alberto Parreira, em 2002, muitos se revezavam sem a menor estabilidade. Ao trocar o comando do Grêmio (na época classificado para a Taça Libertadores) para encarar o desafio de reerguer o Corínthians, muitos consideraram uma escolha bem arriscada, e com grandes possibilidades de mais dor de cabeça para o técnico. Depois de um ano e meio, Mano se destaca como o comandante de novos caminhos para o Corínthians, levando o time ao título invicto (em 23 jogos, foram 13 vitórias em 10 empates), façanha que não acontecia em terras paulistas há 72 anos.

Sim, é bem verdade que São Paulo e Palmeiras estavam mais dedicados à Taça Libertadores. Também é verdade que o Santos, por mais que tenha méritos para conseguir ser finalista contra o Timão, tem uma equipe limitada. Mas o Corínthians de Mano Menezes, Ronaldo, Dentinho, Cristian, Felipe e tantos outros, começou muito bem a rascunhar uma nova história corintiana.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Mais uma vez... Flamengo



A defesa de Bruno em pênalti cobrado por Leandro Guerreiro fez a história se repetir no Campeonato Estadual. O Flamengo, pela 31ª vez, ganha o troféu de melhor do Rio de Janeiro no ano de 2009 (ultrapassando o Fluminense no título de maior vencedor do estado). Pela quinta vez em sua história, o time conseguiu chegar a um tricampeonato estadual consecutivo. E, repetindo o feito do tri de 1999/2000/2001, conquistou todos os títulos sobre o mesmo adversário (no triênio anterior, o adversário era o Vasco), o Botafogo.

Após o empate em 2 a 2 no tempo normal - mesmo placar do jogo anterior - o Flamengo se sobressaiu nos pênaltis com uma vitória por 4 a 2. O título ficou ainda mais valorizado pela equipe da Gávea pois o time abriu uma vantagem de 2 a 0 no primeiro tempo. No início do segundo, o time alvinegro teve sua primeira oportunidade na marca de cal - e o pênalti de Victor Simões parou nas mãos de Bruno. Alguns minutos depois, veio o empate alvinegro, dando emoção a um jogo que, depois dos primeiros 45 minutos, prometia ser mera formalidade, tamanha a superioridade psicológica na qual se encontrava o rubro-negro.

Flamengo e Botafogo apresentaram equipes com mudanças em relação ao 2 a 2 do domingo anterior. Enquanto o técnico Cuca reforçou o ataque rubro-negro (inoperante nos últimos jogos) com o jovem Erick Flores entrando em lugar de Zé Roberto, Ney Franco cercou seu time no esquema 3-6-1, congestionando o meio-de-campo e deixando somente Victor Simões no ataque. Era a forma do técnico botafoguense amenizar a ausência ofensiva do meia Maicosuel e do atacante Reinaldo, ambos contundidos.

Com 12 minutos de atraso, a bola rolou no Maracanã para o terceiro ano consecutivo de final de Estadual entre os dois times. Os primeiros lances apresentaram um constante perde e ganha no meio, com poucas chegadas de perigo na área adversária. Só aos três minutos veio uma chance do Botafogo. Victor Simões recebeu bola na entrada da área e cabeceou para Léo Silva. O meia arriscou e chutou bem longe do gol de Bruno. No minuto seguinte, o flamenguista Emerson tentou lançamento para a área botafoguense, mas Juninho conseguiu neutralizar.

A "arapuca" tática de Ney Franco deixou Leandro Guerreiro livre na direita. O zagueiro correu até a intermediária e arriscou, mas Fábio Luciano conseguiu desviar a tempo, aos seis. Três minutos depois, o Botafogo errou na saída de bola e obrigou Alessandro a fazer falta em Juan para impedir a jogada. O time rubro-negro teve duas chances de chutar para o gol, mas em ambas a zaga botafoguense conseguiu neutralizar.

Nos primeiros 15 minutos, a partida permanecia truncada, e os chutes mais próximo do gol foram tentativas do meio da rua do zagueiro Juninho. O primeiro chegou facilmente às mãos de Bruno e o segundo passou à esquerda do gol. Aos 17, o Flamengo teve uma boa tentativa de jogada com Emerson, que encontrou Erick Flores livre do outro lado, mas o garoto não conseguiu alcançar a bola.

Mas dois minutos depois um jogador do Flamengo conseguiria alcançar a bola. E para colocá-la dentro do gol. Juan lançou para a área, Kléberson acertou uma cabeçada indefensável. A bola ia entrando quando Ronaldo Angelim, de carrinho, empurrou para as redes - mas o árbitro deu gol para Kléberson. Flamengo 1 a 0.

Aos 23, Túlio Souza tentou empurrar o Botafogo para o ataque. Ele entrou na área e reclamou de um pênalti, mas o juiz mandou seguir. Com o esquema extremamente defensivo, o alvinegro tinha dificuldades para chegar à área adversária. E quando chegava, Victor Simões precisava se arriscar sozinho, como ocorreu aos 28 minutos. O atacante teve uma boa oportunidade, mas ao tentar passar por Fábio Luciano, o zagueiro levou a melhor.

Aos 30 minutos, o Botafogo conseguiu chegar muito perto do gol. Em cobrança de falta próxima da lateral, Túlio Souza arriscou o ângulo de Bruno, mas a bola acertou o travessão. Dois minutos depois, Leandro Guerreiro chegou livre na esquerda e tentou encobrir o camisa 1 rubro-negro, mas a bola passou por cima da trave.

A 10 minutos do fim, o Flamengo perdeu excelente oportunidade de fazer seu segundo gol. Juan cobrou falta no meio-de-campo. Emerson tentou desviar, mas Renan conseguiu espalmar para fora. Um minuto depois, Léo Silva lançou Túlio Souza para a área, e a zaga conseguiu tirar.

O esquema defensivo de Ney Franco foi definitivamente derrubado graças a uma bola parada. Em cobrança de falta, Juan rolou para Kléberson. O camisa 15 acertou um belíssimo chute que desviou em Alessandro e saiu do alcance de Renan. 2 a 0 Flamengo.

O time botafoguense começou a se lançar no ataque, e teve duas chances - um chute de Victor Simões que passou à direita do gol aos 39 e uma tentativa de gol olímpico de Túlio Souza que raspou a trave a quatro minutos do fim. O alvinegro teve nova chance de bola parada aos 42, em chute de Juninho que Bruno defendeu, e uma tentativa com Thiaguinho no último minuto, na qual ele adiantou muito a bola ao tentar chutar. Péricles Bassols terminou o primeiro tempo sem acréscimos.

Tentando pelo menos levar a decisão para os pênaltis, o técnico Ney Franco trocou o zagueiro Emerson pelo atacante Jean Carioca. Victor Simões não ficaria mais isolado no ataque. Aos 23 segundos, Leandro Guerreiro cruzou para a área e Fábio Luciano conseguiu desviar. Na jogada seguinte, Alessandro recebeu bola na direita e na hora de chutar, Juan desviou com o braço. Pênalti. Victor Simões cobrou e Bruno defendeu, aos dois minutos. Quatro minutos depois, Victor Simões teve uma nova chance. Ao receber bola de Alessandro, o jogador matou no peito, mas na hora de chutar, pegou muito embaixo.

Alessandro quase entregou o terceiro gol rubro-negro. O lateral tentou recuar para Renan, mas deixou o goleiro na fogueira, fazendo com que o camisa 1 tirasse no limite a tentativa de Emerson, aos oito. Um minuto depois, Victor Simões teve boa tentativa na esquerda, mas a bola parou nas mãos de Bruno. Aos 11, Cuca lançou mão do xodó da torcida rubro-negra: Obina entrou em campo no lugar de Erick Flores.

Em rebote de cobrança de falta na área flamenguista, Alessandro arriscou na direita, mas a bola resvalou em Fábio Luciano, aos 12. No lance seguinte, a bola sobrou para Emerson, livre, o que obrigou Renan a ir para a intermediária jogar a bola pela lateral.

O Flamengo mantinha sua superioridade em campo e no placar, até que a sua vantagem se diluiu em dois minutos. Aos 16, Juninho cobrou falta da intermediária e acertou o ângulo de Bruno. 2 a 1 Flamengo. Dois minutos depois, Leandro Guerreiro lançou Túlio Souza, que ganhou na corrida dos zagueiros rubro-negros e tocou na saída de Bruno. 2 a 2, e o Maracanã definitivamente voltou a se incendiar.

Com o placar em igualdade, o Flamengo partiu para o ataque. Aos 22, Juan desceu na esquerda e serviu Ibson. O meia chutou e obrigou Renan a uma grande defesa. No minuto seguinte, Kléberson tentou de fora da área, mas o chute saiu fraco. O time rubro-negro cercava o Botafogo, que ficava cada vez mais fechado em sua defesa.

A 15 minutos do fim, Ney Franco pôs em campo dois jogadores: Gabriel e Rodrigo Dantas, nos lugares de Thiaguinho e Túlio Souza, respectivamente. Aos 32, Emerson buscou jogada na direita, passou por Juninho, mas na hora do passe, Obina não o acompanhou. Dois minutos depois, Emerson conseguiu passar por Leandro Guerreiro e lançou Obina, mas o camisa 18 furou na hora de concluir. O camisa 11 flamenguista saiu de campo aos 35, reclamando de uma contusão. Em seu lugar Cuca mandou para o jogo o atacante Josiel.

Aos 38 minutos, Juan cobrou falta para a área, mas ela foi muito longa e encontrou as mãos do goleiro Renan. A quatro minutos do fim, Kléberson iniciou jogada na direita e cruzou para Josiel, mas novamente o camisa 1 botafoguense conseguiu garantir a defesa.

Assim como no início da partida, o Flamengo tomava as iniciativas de ataque, e o Botafogo se fechava por inteiro na sua área. Aos 44, Ibson recebeu passe de Léo Moura e deu um chute forte e rasteiro, que saiu à esquerda do gol de Renan. No último minuto do tempo regulamentar, Josiel passou por Alessandro e lançou para o meio da área, mas a zaga evitou gol de Obina. No rebote, Kléberson deu um chutaço da intermediária, que parou novamente nos zagueiros.

Aos 46, Juan cobrou falta para a área e Renan espalmou para escanteio. Na cobrança do camisa 6 rubro-negro, Fábio Luciano cometeu a infantilidade de desviar a bola com a mão. Como já tinha recebido cartão amarelo, o zagueiro foi expulso, nesta que pode ser sua última partida como atleta - o jogador anunciou que iria encerrar a carreira após o final do Campeonato Estadual.

Aos 50 minutos, Péricles Bassols terminou a partida e sacramentou que o Campeonato Estadual de 2009 seria decidido nos pênaltis. Kléberson converteu a primeira para o Flamengo. Léo Silva empatou a disputa para o Botafogo. Juan deixou o rubro-negro novamente em vantagem. Juninho cobrou no meio e Bruno defendeu com os pés. Airton bateu na esquerda e deslocou Renan, deixando o Flamengo em grande vantagem. Gabriel diminuiu para o time botafoguense. Léo Moura manteve a distância rubro-negra nas cobranças. Leandro Guerreiro cobrou seu pênalti no canto, à meia altura, e Bruno novamente fez uma defesa.

A história repetiu também a trajetória do título de 2007, quando, após dois empates em 2 a 2, o rubro-negro foi campeão com uma vitória nos pênaltis por 4 a 2. No "tira-teima" entre o estigma de vice ficar para o lado do técnico Cuca ou para o time do Botafogo, o alvinegro carioca ficou com o segundo lugar.

Para designar a falta de sorte do time de General Severiano, o jornalista Stanislaw Ponte Preta criou a frase "tem coisas que só acontecem ao Botafogo". Para a sorte do Flamengo, aconteceram novamente no Maracanã ontem. E com mais um título carioca para a sala de troféus rubro-negra.



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FLAMENGO 2 (4) x 2 (2) BOTAFOGO

Estádio: Maracanã (no Rio de Janeiro).

Árbitro: Péricles Bassols (do Rio de Janeiro).

Gols: Ronaldo Angelim, aos 19, e Kléberson, aos 38 minutos do primeiro tempo. Juninho, aos 16 e Túlio Souza aos 18 minutos do segundo tempo.

Nos pênaltis: Kléberson, Juan, Airton e Léo Moura (Flamengo), Léo Silva e Gabriel (Botafogo). Juninho e Leandro Guerreiro, ambos do Botafogo, desperdiçaram suas penalidades máximas.

Cartões amarelos: Emerson, Leandro Guerreiro, Túlio Souza, Victor Simões (Botafogo), Ibson, Airton, Fábio Luciano (Flamengo).

Expulsão: Fábio Luciano (Flamengo).

FLAMENGO - Bruno, Airton, Fábio Luciano e Ronaldo Angelim; Léo Moura, Williams, Ibson, Kléberson e Juan; Erick Flores (Obina) e Émerson (Josiel). Técnico: Cuca.

BOTAFOGO - Renan, Emerson (Jean Carioca), Juninho e Leandro Guerreiro; Alessandro, Léo Silva, Fahel, Eduardo, Túlio Souza (Rodrigo Dantas) e Thiaguinho (Gabriel); Victor Simões. Técnico: Ney Franco.

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Os demais campeões estaduais pelo país - Cruzeiro em Minas, Corínthians em São Paulo, Atlético Parananese no Paraná e todos os outros, serão tema durante a semana de O tempo e o placar..., com as devidas honras.

domingo, 3 de maio de 2009

Passe de letra e gol de placa



Dramaturgo que transitava entre a literatura e o gramado, Nelson Rodrigues afirmou que a literatura brasileira ignora o futebol - "e repito: nossos escritores não sabem cobrar um reles lateral". A máxima rodrigueana deixou de ser unanimidade num lançamento literário da semana passada. O escritor Flávio Carneiro reuniu contos sobre o futebol num livro intitulado Passe de letra (pela Editora Rocco) e apresentou um pouco do lirismo em torno deste esporte.

São 167 páginas nas quais entram em campo vários personagens e artistas deste espetáculo consagrado nos gramados do país. Em entrevista para O Globo On Line, Flávio afirmou que suas influências de "literatura esportiva" foram as crônicas de Nelson Rodrigues e João Saldanha, e, graças à vertente de escritor, pôde enxergar os estilos de futebol de craques brasileiros. Desde o lirismo presente nos pés de Garrincha, passando pelo lado cômico de Dadá Maravilha até chegar à literatura épica deste mito chamado Pelé.

Botafoguense de coração, o autor conta um pouco de suas vivências futebolísticas, desde os tempos em que jogava na categoria "dente-de-leite" de equipes de seu estado natal, Goiás (na foto, que está na orelha do livro, ele com 11 anos). A carreira foi abandonada aos 17 anos, quando, em vez de fazer as malas e tentar a sorte como ponta-direita do Guarani de Campinas, Flávio Carneiro entrou no campo da literatura, fazendo a faculdade de Letras no Rio de Janeiro.

O livro traz a bênção de Luís Fernando Veríssimo, que destaca a maneira como a bola rola no livro, trazendo o puro gosto pelo esporte e apresentado do ponto de vista de um jogador, torcedor e observador. Mais um motivo para os apaixonados por futebol e por todo o folclore que o cerca terem a certeza de que Passe de letra é um gol de placa. Boa leitura!

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BOLA PRO MATO

No amistoso contra o Santa Cruz, no estádio Arruda, o Vasco encontrou um tipo de adversário que será constante na Série B do Campeonato Brasileiro. Em meio a botinadas do rival, o time venceu o Santa Cruz por 3 a 2 e fez com que Dorival Júnior pudesse observar vários jogadores (caso do goleiro Fernando Prass, que pela primeira vez foi para o gol vascaíno num jogo). A partida mostrou, principalmente, que o time cruzmaltino pode até ter uma boa equipe titular, mas ainda carece de um bom elenco para subir rumo à Primeira Divisão.

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À meia-noite, entra no ar em O tempo e o placar... a cobertura da finalíssima entre Flamengo e Botafogo, hoje, às 16h, no Maracanã.

sábado, 2 de maio de 2009

O confronto dos exemplos



Corínthians e Santos entram em campo amanhã no Pacaembu para decidir qual alvinegro será o campeão paulista de 2009. Às vésperas do clássico decisivo, ambos os treinadores tentam usar exemplos de superação em campo para conseguirem motivar seus jogadores a não desistirem da disputa do título mesmo se estiverem em situações adversas.

No Parque São Jorge, o exemplo está no ataque, vestindo a camisa 9. Após sucessivas contusões e um escândalo em sua vida pessoal, Ronaldo mais uma vez vem conseguindo responder com gols às acusações de que seu futebol teria encontrado a derrocada final. Os dois gols no primeiro jogo, que ajudaram o Corínthians a sair vitorioso em plena Vila Belmiro, tornam ainda mais importante esta recuperação dupla - a dele e a do Timão, que depois de um ano disputando a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro, agora se vê próximo da conquista do Campeonato Paulista.

Vindo de uma eliminação prematura da Copa do Brasil diante do CSA e de uma derrota por 3 a 1 para o Corínthians no primeiro jogo decisivo do Paulistão, o Santos buscou um exemplo da década anterior para transmitir a confiança no confronto final. A memória santista foi até o ano de 1995, quando o desacreditado time santista chegou à decisão do Campeonato Brasileiro (parado na final pelo Botafogo e por erros do árbitro Márcio Rezende de Freiras), apresentando um time muito bem arrumado, no qual se destacaram o meia Jamelli, o atacante Camanducaia, além do ótimo futebol de Giovanni.

Com exemplos consideráveis para cada lado, agora São Paulo saberá amanhã qual dos dois times aprendeu melhor a lição do futebol. E o prêmio para os alunos exemplares será o troféu de melhor equipe paulista deste ano.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A crônica falta de vitórias do Rio



No intervalo entre a primeira e a segunda partida da final do Estadual entre Flamengo e Botafogo, o Rio de Janeiro mostrou incapacidade em superar os adversários de outros estados. Nos jogos de ontem e de anteontem na Copa do Brasil, todas as equipes do Rio ficaram somente no empate diante de seus adversários pelas oitavas-de-final do torneio. Os jogos mostraram que, embora os times tenham feito relativamente boas campanhas no Campeonato Estadual, todos têm ainda delizes que devem ser corrigidos para a disputa do Campeonato Brasileiro.

Dentre as quatro equipes, o Fluminense foi o que encontrou um resultado mais satisfatório. No estádio Serra Dourada, o tricolor arrancou um empate em 2 a 2 com o Goiás, que dá a vantagem de classificação não só com uma vitória simples, mas também se a partida terminar em 0 a 0 ou 1 a 1 no Maracanã. Embora o time estivesse em vantagem no placar em boa parte do jogo, pelas circunstâncias o 2 a 2 foi bom, pois o time de Carlos Alberto Parreira perdeu, por contusão, o meia Marquinho, o atacante Fred e o goleiro Fernando Henrique. Nos últimos minutos em Goiânia, quem se destacou foi o goleiro reserva, Ricardo Berna, com defesas salvadoras que confirmaram a vantagem da equipe das Laranjeiras.

Os demais times atuaram em seus domínios, e tiveram tropeços surpreendentes diante de seus adversários. O resultado mais "previsível" foi o do Americano. "Azarão" do Rio de Janeiro ao eliminar, nos pênaltis, o conterrâneo da capital Botafogo, o time campista não saiu do 0 a 0 com a Ponte Preta, de Campinas. O ataque do Americano não conseguiu colocar a bola no fundo das redes do goleiro Aranha, que fez grandes defesas para garantir a vantagem da "Macaca" na partida em estádio campineiro.



Também foi sem gols o empate do Flamengo diante do Fortaleza, em jogo realizado em Volta Redonda. Mais uma vez, o rubro-negro carioca mostrou falta de eficiência em suas finalizações, em especial através da dupla de ataque formada por Obina e Zé Roberto (este saiu de campo vaiado). Apesar do time ainda ter vantagem de se classificar com uma vitória simples em Fortaleza, o jogo foi decepcionante para os torcedores que estiveram no Raulino de Oliveira à espera de um futebol digno de um candidato a tricampeão estadual do Rio de Janeiro.




Mas a zebra cearense ainda passaria mais uma vez pelo Rio de Janeiro. E no dia seguinte ao empate entre Flamengo e Fortaleza. Em São Januário, o Vasco chegou a abrir o placar aos sete minutos, mas na pior partida do time no ano, saiu de campo com um empate em 1 a 1 contra o Icasa (que em 2009 caiu para a segunda divisão do Campeonato Cearense). Vendo uma equipe sem espírito de luta e somente tocando a bola sem a menor objetividade, a torcida vascaína pela primeira vez hostilizou veementemente os jogadores, em especial os meias Enrico e Léo Lima, ambos jogando de maneira lenta, além da forma sonolenta com a qual o time de Dorival Júnior entrou em campo.

O jogo de ontem mostrou ao técnico que a equipe titular tem cacife para disputar a Série B, mas não tem bons jogadores para substituir os desfalques - no 1 a 1 com o Icasa, estavam de fora os zagueiros Fernando e Leonardo (e Titi saiu machucado aos 24 minutos do primeiro tempo) e os meias Nílton, Jéferson e Carlos Alberto. Na próxima quarta-feira, o Vasco vai a Juazeiro do Norte e precisa fazer gol para tentar a classificação às quartas-de-final. Um empate sem gols faz o time ser eliminado mais uma vez por um adversário de menor expressão na Copa do Brasil - como foi nesta década de 2000, contra o gaúcho XV de Novembro de Campo Bom e o potiguar Baraúnas.

O Rio de Janeiro tem uma semana para tentar resolver seu problema crônico de vitórias na Copa do Brasil. Caso contrário, a série de resultados negativos pode se alastrar na campanha do Campeonato Brasileiro, causando princípio de incêndio em todos os cantos do Rio.