domingo, 18 de outubro de 2009

Em boa hora



Em meio a tantas lambanças à frente da Confederação Brasileira de Futebol, o presidente Ricardo Teixeira teve duas excelentes declarações nesta semana envolvendo o Campeonato Brasileiro. E, mesmo sabendo que iria bater de frente com a Rede Globo, a maior investidora da competição nacional, ele pegou justamente os pontos mais delicados da relação da emissora com o Brasileirão.

O mais delicado para o torcedor é o horário. Com a programação da TV Globo cada vez mais tarde, os jogos que terão exibição da televisão invariavelmente acabam depois da meia-noite, deixando difícil o retorno da torcida após o final da partida, em especial por ser numa quarta-feira. A ideia de que os jogos sejam transmitidos às 19h é valiosíssima, e seria a mais justa possível para os espectadores de televisão e de estádio.

Entretanto, com a nata da programação da TV Globo justamente entre as 19h e as 22h (duas novelas e um noticiário), o remanejamento seria ainda mais delicado, e a CBF teria uma derrota na queda de braço com a emissora. Um exemplo disto foi o que ocorreu em 30 de dezembro de 2000, na final entre Vasco e São Caetano, pela Copa João Havelange.

Como Vasco e Palmeiras estavam disputando o Brasileiro e a Copa Mercosul, os horários foram remanejados para que o ano do futebol nacional acabasse dia 23. Mas, coincidiu de numa das datas do futebol ir ao ar (segundo a programação de fim de ano) o Roberto Carlos Especial. Com isto, a tabela teve de ser adiada em uma semana.

Vasco e São Caetano decidiram a partida no dia 30 de dezembro, a partir das 16h, em São Januário. Aos 23 minutos do primeiro tempo, um alambrado cedeu e causou ferimentos em centenas de torcedores presentes no estádio superlotado. Em meio aos atendimentos e aos problemas que aconteciam, o narrador Galvão Bueno dizia, com apoio dos comentaristas Falcão e José Roberto Wright, que tudo tinha de se resolver o mais breve possível, porque "iria causar mais tumulto" se o jogo não fosse realizado.

Galvão defendia veementemente a volta da partida, mas mudou o discurso depois de algumas horas. O motivo: se aproximava das 18h, e a TV Globo tinha prevista em sua programação um capítulo da "novela das seis". A manipulação (que no Jornal Nacional suprimiu um apoio ao então presidente Eurico Miranda quando ele disse que queria atender as vítimas) evidenciou o descaso da emissora com a torcida brasileira, camuflado pelo "apoio ao futebol".

O apoio só ocorre porque a TV Globo quer a grande fatia de audiência. E neste Campeonato Brasileiro de 2009, a conduta "global" ficou ainda mais explícita, quando, em algumas rodadas, jogos foram pinçados para a quarta-feira da semana seguinte ao futebol, só para serem transmitidos em estados que não tinham times envolvidos em competições diferentes. Em plena decisão de Taça Libertadores da América envolvendo Cruzeiro e Estudiantes, da Argentina, o Rio de Janeiro assistiu a Corínthians e Fluminense.

O outro aspecto é camuflado pela "emoção". A TV Globo quer a volta do sistema de "mata-mata" em vez da disputa por pontos corridos que acontece desde 2003. O argumento principal é que alguns estados (em especial o Rio de Janeiro) não estão mais disputando títulos. O investimento pelo retorno ao sistema anterior é tão grande que a emissora do Jardim Botânico aceita pagar uma boa quantia financeira aos clubes que forem eliminados na primeira fase.

A ansiedade pela audiência em vários estados acaba fazendo com que a TV Globo não enxergue a óbvia vantagem que veio no novo formato do Campeonato Brasileiro. Em vez de ficar somente na briga pela ponta, o confronto fica emocionante para todos os 20 clubes. Alguns brigam pelo título, outros brigam pela vaga entre os quatro primeiros, alguns tentam vaga na Copa Sul-Americana e outros tentam escapar do descenso. Muito mais justo do que um oitavo lugar se sagrar campeão, numa democracia falsa.

Ricardo Teixeira pode ter vários deslizes à frente da CBF. Mas suas declarações vieram em boa hora, pelo bem do Campeonato Brasileiro e, principalmente, pelo bem da torcida brasileira.

3 comentários:

Saulo disse...

Com relação aos horários eu concordo. Só não gosto muito desse sistema de pontos corridos. Sou defensor do mata-mata.

Leonardo Resende disse...

Fala Vinícius,

Também gostei das declarações do Teixeira. Os jogos as quartas às 22h são extremamente ruins para os torcedores que vão aos estádios.

Fico imaginando quais serão os horários dos jogos na Copa do Mundo.

Vc realmente acha que serão às 22h ou a FIFA e as emissoras do mundo inteiro farão uma pressão para serem mais cedo?

Fica aqui a pergunta.

Já quanto ao sistema mata-mata. Admito que sou mais fão desse formato, logo apoio a Globo, rs!!

Visite também o Rio Futebol, se puder!

Grande abraço,

Leonardo Resende
Rio Futebol
http://riofutebol.blogspot.com
adm.riofutebol@gmail.com

Leonardo Valejo disse...

Leonardo Valejo:

Realmente não entendo quem gosta mais do sistema do mata-mata do que pontos corridos.É A COISA MAIS JUSTA JÁ EXISTENTE NO FUTEBOL.

Um time pode jogar em casa e fora de casa com todos os seus adversários e o que ganhar mais pontos(ou seja,mais vitórias) é o melhor time do Brasil no ano.

Esta globo ... Quando um jogo não passa na globo( sportv ou PFC) na maioria das vezes começa as 19:30,20:30 ou 21h um horário que faz o torcedor chegar cedo em casa.

Se poder dar uma olhada no meu blog, tenho 13 anos e criei nesta semana.

http://www.esportecomleonardovalejo.blogspot.com

Abraço