sábado, 7 de março de 2009

Paulistas do céu ao inferno na Taça Libertadores




Considerado o local mais estruturado com relação a seus clubes de futebol, São Paulo há algum tempo vem confirmando sua supremacia com relação ao restante do Brasil. Com o recente tricampeonato consecutivo do São Paulo no triênio 2006/2007/ 2008, o estado já trouxe 17 campeões desde 1971, ano no qual o Campeonato Brasileiro passou a ter realizado no formato usado até os dias de hoje. Além de seis títulos do São Paulo, vieram de terras paulistas quatro títulos do Palmeiras, quatro títulos do Corínthians, dois títulos do Santos e um do Guarani.

A soberania paulista se estende à atual elite do futebol brasileiro. Com a ascensão de Corínthians, Santo André e Barueri ao final do ano passado, o número de participantes paulistas no próximo Campeonato Brasileiro chega a cinco (o estado mais próximo é o Rio de Janeiro, que, com o rebaixamento do Vasco no ano passado, agora tem três participantes na elite), mesmo com a queda da Portuguesa para a Série B.

Em 2009, os paulistas também trazem superioridade no mais importante título sul-americano. SÃO PAULO e PALMEIRAS - respectivamente, o campeão e o quarto colocado no Brasileirão do ano passado - são os representantes de São Paulo na corrida pela Taça Libertadores da América deste ano. No entanto, o panorama da dupla paulista está desigual após as duas primeiras rodadas da "fase de grupos" do torneio.

Após uma classificação tranquila no "mata-mata" da "Pré-Libertadores", o alviverde paulista dirigido por Wanderley Luxemburgo corre o risco de ter sua caminhada rumo ao bicampeonato (10 anos depois da sua primeira conquista) interrompida prematuramente. As falhas da estreia no Grupo 1, com derrota por 3 a 2 para a equipe equatoriana LDU, se repetiram em pleno estádio Palestra Itália. Nem mesmo os reforços baladados, como o zagueiro Edmilson e o atacante Keirrisson conseguiram evitar a derrota por 3 a 1 para o Colo-Colo, do Chile. O "K9" (apelido que o artilheiro tem desde que atuava pelo Coritiba) até contribui com gols, mas as desatenções da zaga atrapalham o Palmeiras. Com duas derrotas em dois jogos, a equipe agora precisa vencer pelo menos três dos quatro jogos que restam nesta fase, e na quarta partida, arrancar um empate.

Já no Grupo 4, o São Paulo se reabilitou depois de um começo hesitante - o empate em 1 a 1 com o Independiente de Medellín, no Morumbi. Em uma de suas melhores partidas desde que trocou de tricolor (seu clube anterior foi o Fluminense, tricolor carioca), Washington marcou dois dos três gols da vitória por 3 a 1 do São Paulo sobre o América, em Cáli, na Colômbia - o terceiro foi marcado por Borges. Graças à ajuda do "Coração Valente", o time agora subiu para a primeira posição no grupo, e leva vantagem no saldo de gols sobre o uruguaio Defensor (que tem o mesmo número de pontos).

Maior campeão brasileiro na competição sul-americana, o São Paulo parece demonstrar mais uma vez sua tendência a ser um time "copeiro". Por mais que seja favorito tanto por trazer jogadores como Rogério Ceni, Jean e Hernanes, o time de Muricy Ramalho atua sempre com seriedade, mesmo quando não é o "mandante" da partida. Já pelos lados do Parque Antarctica, a equipe dirigida por Wanderley Luxemburgo (e que, até a derrota para a LDU ostentava a gloriosa marca de 100% de aproveitamento) parece pecar pela inexperiência na disputa do torneio, contra times que jogam para se defender e aproveitam contra-ataques cruciais, como os dos gols que o Colo-Colo fez na última partida. Luxemburgo tem a tarefa de mostrar aos seus jogadores que esta disputa é completamente diferente do Campeonato Paulista - no qual o time vem bem e, curiosamente, o São Paulo anda tendo seus tropeços.

Ainda há quatro partidas desta "fase de grupos" da Taça Libertadores. Resta aos dois representantes paulistas do torneio terem consciência de que no caminho do céu ao inferno, este campeonato é muito maior do que mera rixa entre times de um mesmo estado.

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BOLA PRO MATO

Depois de algum tempo "sumido" do futebol brasileiro, Romário acena com a possibilidade de ser consultor do América, time de coração de seu pai, Edevair. Este que vos escreve não duvida nada que, em breve, o Baixinho possa voltar a aparecer com a camisa 11, desta vez com a "cor de sangue" do Mequinha.

sexta-feira, 6 de março de 2009

A hora e a vez da Máquina Tricolor funcionar



Desde que passou a receber o patrocínio do plano de saúde Unimed (e, graças a ele, conseguir sair do "buraco" causado por três rebaixamentos consecutivos para retornar à elite do futebol brasileiro), as temporadas atuais do Fluminense trouxeram vários times diferentes, mas uma coisa em comum. O tricolor das Laranjeiras monta equipes com bons jogadores (e sua torcida volta e meia entoa o grito "Melhor do Rio"), mas que em campo têm como consequência uma escassez de títulos.

O ano passado, certamente, foi a temporada mais frustrante para o Fluminense. Além da derrota na final da Taça Libertadores para o equatoriano LDU, o time se tornou motivo de chacota, graças à declaração infeliz de seu então treinador Renato Gaúcho - que dava como certo o título e disse que o time ia "brincar no Brasileiro". O troféu não só escapou em pleno Maracanã, como também a equipe colecionou resultados negativos no Campeonato Brasileiro. Além de Renato, o tricolor teve outros dois técnicos durante o torneio: Cuca e René Simões, ambos com a missão de tirar o time da zona de rabaixamento.

Responsável pela manutenção do Fluminense na Série A do Campeonato Brasileiro, René foi escolhido para continuar seu trabalho nas Laranjeiras. Mas o elenco teve significativas alterações, e a "Máquina Tricolor" ganhou reforços para trazer um 2009 promissor à torcida do tricolor carioca - casos do zagueiro Edcarlos, do lateral-esquerda Leandro, do volante Diguinho, do meia Leandro Bomfim e do atacante Leandro Amaral. Nomes bem sucedidos em outros clubes que o dinheiro da Unimed pôde ajudar a bancar (assim como a renovação de contrato do argentino Conca, disparado o melhor jogador do Fluminense em 2008).

A "Máquina" ficou ainda mais promissora com o retorno de Thiago Neves ao clube, depois de meses mal sucedidos no futebol europeu. Entretanto, nem mesmo a volta do camisa 10 foi capaz de melhorar a situação do Fluminense: o time foi eliminado da Taça Guanabara com uma derrota por 1 a 0 para o Botafogo (que se sagraria campeão do torneio).

Agora, após sucessivas falhas na engrenagem, o presidente Roberto Horcades usa mais uma artimanha para que a "Máquina Tricolor" definitivamente funcione. O Fluminense apresentou ontem o atacante FRED (na foto, ele segurando a camisa 9 ao lado de Horcades) como seu grande reforço para o ataque. De um começo promissor no América Mineiro, o atacante despontou mesmo no Cruzeiro, e logo foi contratado para defender o Lyon, na França. Quatro anos depois de jogar no futebol francês, agora o atacante retorna a gramados brasileiros, numa "novela" que a imprensa diz que teve um desfecho feliz para Fred e para o Fluminense.

Entretanto, não se pode dizer que esta "novela" teve um final feliz. Afinal, ainda resta saber se o atacante corresponderá às fichas depositadas em seu futebol e, em especial, se dias melhores virão para a torcida do Fluminense. Em mais uma "virada" digna de dramaturgia, o time das Laranjeiras consegue trazer um jogador de nível de Seleção, e com um ótimo passado de serviços prestados ao futebol brasileiro. Resta ao torcedor assistir às cenas do próximo capítulo, na expectativa de ver se é agora a hora e a vez da "Máquina Tricolor" funcionar.

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BOLA PRO MATO

Logo depois de este que vos escreve dar o ponto final nesta postagem, o Fluminense surpreendeu novamente. Mesmo com a vitória por 3 a 0 sobre o time paraibano do Patos, o treinador René Simões deixou o comando do time. Em seu lugar, deve assumir Carlos Alberto Parreira, que em 1999 conseguiu tirar o tricolor da Terceira Divisão. Mais um "elemento" para os torcedores de todos os times acompanharem a "novela" do time das Laranjeiras em busca de novos títulos.

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BOLA NA ARQUIBANCADA

No dia 6 de abril, o humorista Chico Anysio apresentará o show De pai pra filho, no Centro Cultural Veneza, em Botafogo. O ingresso custa R$ 100,00 (com meia-entrada a R$ 50,00) e toda a renda será destinada à Associação Amigos do Vasco - grupo criado por vascaínos que têm a intenção de ajudar financeiramente a equipe de São Januário a sair da crise financeira pela qual está passando há muito tempo. Fica a dúvida: com este preço tão alto, quantos "amigos do Vasco" irão aparecer no show de humor de Chico Anysio?

quinta-feira, 5 de março de 2009

Com sobras, Flamengo goleia e passa de fase na Copa do Brasil



Em ritmo de treino, o Flamengo goleou o Ivinhema pelo placar de 5 a 0 e está classificado para a próxima fase da Copa do Brasil. Agora, a equipe carioca espera o vencedor do confronto entre Remo e Barras, do Piauí (a equipe paraense venceu o primeiro jogo em campo piauiense pelo placar de 1 a 0).

De equipe completamente renovada depois da surpreendente derrota para o Resende na Taça Guanabara, o Flamengo encontrou o adversário ideal para reabilitar sua autoestima. O Ivinhema não ofereceu nenhuma resistência ao time rubro-negro, que ainda contou a colaboração da zaga sul-matogrossense em vários lances.

Com amplo domínio na partida, o Flamengo não sentiu a ausência do lateral Juan (que foi vetado pouco antes da partida). A equipe teve a primeira chance aos seis minutos, quando Léo Moura (escalado por Cuca para atuar no meio-campo) cruzou na cabeça de Josiel, mas a bola passou por cima do travessão. Seis minutos depois, o atacante realizou uma bela tabela com o companheiro de ataque Zé Roberto, que terminou com defesa do goleiro Washington. O lance acabaria invalidado pelo bandeirinha, que marcou impedimento. Josiel perdeu outra chance em uma cabeçada para fora, aos 15. No minuto seguinte, seria a vez de Zé Roberto isolar uma ótima chance para o rubro-negro.

A primeira chance do Ivinhema veio somente aos 18 minutos, em falta bem cobrada por Mailson que obrigou Bruno a fazer excelente defesa. Mas um minuto depois, a tímida reação do campeão sul-matogrossense caiu por terra. Numa jogada no mínimo estranha, Josiel cruzou mal para a área. A zaga do Ivinhema bobeou e Léo Moura, mesmo sem ângulo, marcou 1 a 0 para o Flamengo.

A partir daí, o time do Mato Grosso do Sul se resumia a ficar na defesa e tentar jogar a bola para o ataque na base do chutão. E o Flamengo chegou ao segundo gol aos 37, em nova falha coletiva dos zagueiros do Ivinhema. Após Josiel disputar uma dividida, a bola sobrou para Zé Roberto, que mandou uma bomba para o gol. O primeiro tempo chegava aos 45 minutos quando Kleberson encontrou Zé Roberto livre na esquerda. O camisa 10 não teve dificuldades para chutar na saída de Washington: 3 a 0.

O segundo tempo começou com pressão do Ivinhema (que trocou Mailson por Formigão) - que tentava pelo menos fazer dois gols, para forçar uma segunda partida em campos cariocas. Aos oito, Joari tentou um cruzamento rasteiro, mas Bruno espalmou nos pés do atacante Dinei.

A equipe do Mato Grosso do Sul abusava das faltas, e o capitão flamenguista Fábio Luciano reclamou com o treinador Douglas Ricardo, dizendo que eles "estavam entrando pra machucar". Foi do zagueiro a primeira oportunidade do Flamengo na segunda etapa, mas ele concluiu mal de frente para o gol. Cinco minutos depois, Léo Moura chutou para o gol na entrada da grande área, e obrigou Washington a fazer grande defesa. Aos poucos, o Flamengo foi perdendo novas oportunidades.

Aos 19, enquanto o Ivinhema fazia sua segunda substituição (saiu Clodoaldo e entrou Hamilton), Cuca fazia a primeira alteração no time: saiu Josiel, para a entrada do "xodó" Obina (barrado depois das más atuações na Taça Guanabara). O atacante quase fez um gol de bicicleta, mas a bola bateu no zagueiro do Ivinhema. O Flamengo continuava administrando o placar, mas indo menos ao ataque. Somente aos 25 teve uma nova chance, quando Kléberson chutou de fora da área e Washington defendeu com dificuldade.

Faltando 15 minutos para o final, novas "caras" em campo: no Flamengo, Zé Roberto deu lugar a Maxi, e no Ivinhema, Fabinho entrou no lugar de Nelsinho. O time do Mato Grosso do Sul tentava algumas jogadas, mas nada que alarmasse os rubro-negros. O único chute de perigo foi aos 32 minutos, quando Alex Cruz chutou por cima do gol de Bruno.

A nove minutos do fim, o Cuca fez sua última mudança: Fierro em lugar de Airton. Aos 39, o Flamengo marcou o quarto gol da partida. Kléberson recebeu de Fábio Luciano na entrada da grande área e, depois de passar por um zagueiro, tocou rasteiro à direita de Washington. Logo em seguida, o jogador Formigão foi expulso, mas àquela altura a desvantagem numérica não fazia diferença para o Ivinhema.

A equipe da Gávea já dava "olé" para o delírio da torcida presente no Estádio Morenão, mas ainda tinha tempo para mais um gol em Campo Grande - e um gol com jogada estrangeira. O chileno Fierro lançou para a área, e o argentino Máxi chutou no ângulo esquerdo, sem defesa para Washington. Goleada incontestável, que garantiu a classificação à próxima fase da Copa do Brasil e, principalmente, deu moral ao Flamengo para o iminente início da Taça Rio (segundo turno do Campeonato Estadual).

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IVINHEMA (MS) 0x5 FLAMENGO

Gols: Leo Moura, aos 19, e Zé Roberto, aos 37 e 45 minutos do primeiro tempo. Kleberson, aos 39, Maxi, aos 45 do segundo tempo.

Cartões amarelos: Fábio Luciano, Aírton, Toró, Obina (Flamengo); Formigão, Iwata (Ivinhema).

Expulsão: Formigão (Ivinhema).

IVINHEMA - Washington, Buguinho, Roninho, Ramon e Nelsinho (Fabinho); Clodoaldo (Hamilton), Iwata, Maílson (Formigão) e Joari; Dionei e Alex Cruz. Técnico: Douglas Ricardo.

FLAMENGO - Bruno, Everton Silva, Fábio Luciano, Wellinton e Kleberson; Aírton (Fierro), Toró, Leo Moura e Ibson; Zé Roberto (Maxi) e Josiel (Obina). Técnico: Cuca.

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BOLA PRO MATO


Este que vos escreve não assistiu ao jogo entre Corínthians e Itumbiara, mas viu um ou dois lances do Ronaldo em campo. Como era de se esperar, não fez muita coisa em cerca de 25 minutos atuando na partida. Mesmo assim, boa sorte ao Ronaldo em seu novo começo.

quarta-feira, 4 de março de 2009

20 anos de Copa do Brasil - de Kaburé a Cícero Ramalho



Hoje, O tempo e o placar... vai apresentar uma dica literária. Originalmente, ela foi publicada no outro blogue deste que vos escreve (Diário de um salafrário), mas ela é mais condizente com este espaço esportivo. Trata-se de uma obra fantástica para todos os que gostam de acompanhar futebol brasileiro. Afinal, todas as pessoas que acompanham este esporte sabem que, mais do que os títulos, o mais valioso do futebol são os "causos" que ele nos proporciona.

20 anos da Copa do Brasil - de Kaburé a Cícero Ramalho é uma tabela fantástica do comentarista esportivo Alex Escobar com o pesquisador Marcelo Migueres, que reuniram em 219 páginas a trajetória da competição nacional considerada "o caminho mais curto para a Taça Libertadores da América". De uma competição desacreditada, pouco valorizada pelos clubes de maior expressão do Brasil, aos poucos a Copa do Brasil foi ganhando sua importância, em especial por ser o único torneio a proporcionar a maior graça do futebol: a equipe considerada mais fraca surpreender e deixar para trás os times "fortes" do Brasil.

Enquanto a fórmula do Campeonato Brasileiro (em especial o recém-implantado "sistema de pontos corridos") não permite drásticas mudanças de panorama do futebol nacional, a Copa do Brasil apresenta uma competição extremamente democrática. São credenciados à disputa os campeões de todos os estados do Brasil, vice-campeões de determinados estados e alguns clubes convidados. Desde seu início, em 1989, o sistema de disputa é o chamado "mata-mata", no qual dois clubes se enfrentam em duas partidas, com cada equipe jogando uma vez em seu estádio e outra vez fora dele. O critério de desempate é o saldo de gols (por exemplo, se uma equipe vence por 2 a 0 mas perde a segunda partida por 1 a 0, a vencedora do primeiro jogo está classificada por causa da diferença de gols). Outro fator que tornou mais emocionante este tipo de competição foi o critério de gols marcados "fora de casa": se um time fora de seus domínios perde por 2 a 1, para se classificar basta vencer por 1 a 0, pois vale o gol que ela fez jogando "na casa do adversário". Quando há dois resultados "iguais" (no caso de empate com o mesmo número de gols marcados, ou no caso de uma vitória e uma derrota pelo mesmo placar), surge outro grande momento de emoção e de histórias: a disputa por pênaltis.

E é graças a estes regulamentos e aos acasos que tornam fascinante o futebol que a Copa do Brasil se tornou a mais imprevisível de todas as competições brasileiras. Através dela, o país foi apresentado a campeões como o Criciúma (time catarinense treinado por um então desconhecido Luiz Felipe Scolari, e que sagrou-se campeão em 1991), o Santo André (time do interior de São Paulo que na final do certame de 2004 derrotou o Flamengo em pleno estádio do Maracanã), ou o Paulista de Jundiaí, vencedor em 2005 sobre o Fluminense, também em terras cariocas.

O torneio também trouxe seus personagens folclóricos e suas situações curiosas, como Cícero Ramalho, personagem que faz parte do título do livro de Escobar e Migueres. Aos 40 anos de idade, 11 quilos acima do peso, o artilheiro do modestíssimo Baraúnas do Rio Grande do Norte foi ao Rio de Janeiro em 2005 e, no estádio de São Januário, comandou a vitória por 3 a 0 do time potiguar que eliminou o Vasco de Romário da Copa do Brasil daquele ano.

O mérito dos autores é não se resumir a contar a Copa do Brasil por meio dos números ou somente destacando os vitoriosos. Há graça de sobra nas derrotas vexatórias, na equipe que pela primeira vez vê o mar da "cidade grande" e também nas "escalações" que a dupla faz com os nomes esquisitíssimos de jogadores presentes em cada edição do torneio.

Em 20 anos da Copa do Brasil - de Kaburé a Cícero Ramalho acompanhamos a ascensão de um torneio contada em detalhes, com todas as ascensões e quedas que passaram por estas duas décadas vividas em campo. Uma vitória de Alex Escobar e Marcelo Migueres, uma vitória do jornalismo esportivo brasileiro e, principalmente, um gol de placa na tabelinha entre a literatura e o futebol.


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A Copa do Brasil prossegue hoje, com as seguintes partidas:

IVINHEMA (MS) x FLAMENGO (o jogo será comentado por O tempo e o placar... no próximo post)

ITUMBIARA (GO) x CORÍNTHIANS

CONFIANÇA (SE) x AMÉRICA (RN)

ASA (AL) x VITÓRIA (BA)

TOCANTINS (TO) x ATLÉTICO (PR)

FAST CLUBE (AM) x ABC (RN)

ÁGUIA MARABÁ (PA) x AMÉRICA (MG)

ATLÉTICO (RR) x GOIÁS

CRISTAL (AP) x BRASILIENSE

VILHENA (RO) x PONTE PRETA

SERRA (ES) x CSA (AL)

POTIGUAR (RN) x BAHIA

BARRAS (PI) x REMO

MOTO CLUBE (MA) x NÁUTICO

É a Copa do Brasil começando a trajetória das equipes que querem trilhar o caminho rumo à Libertadores. Já estão na próxima fase Vasco, Guarani e Atlético Mineiro, que na semana retrasada eliminaram seus respectivos adversários na "partida fora de casa" - nas duas primeiras fases do torneio, se o "visitante" vencer por dois ou mais gols de diferença o "mandante", não é necessária a realização de uma segunda partida.

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BOLA PRO MATO

Depois de muito mistério envolvendo a estreia de Ronaldo, o treinador Mano Menezes anunciou que o atacante ficará na reserva no jogo do Corínthians contra o Itumbiara, de Goiás, pela Copa do Brasil (a partida acontecerá às 21h50). Fica no ar a pergunta: será que Mano ou o Fenômeno leram a crônica postada neste blogue segunda-feira e decidiram calar a boca deste humilde jornalista e pretenso cronista esportivo? Bem, é provável que não, mas eu não poderia perder a piada.

terça-feira, 3 de março de 2009

O perigo do "oba-oba"



Em meio aos cânticos de comemoração pelo título da Taça Guanabara no domingo (conquistado com a vitória por 3 a 0 sobre o Resende no Maracanã), a torcida do Botafogo reservou espaço para provocar seu ex-técnico. O coro de "vice é o Cuca" foi recebido com hostilidade pelo atual treinador do Flamengo, que aceitou a provocação alvinegra e afirmou que agora está "com gana de vencer". Por mais que tenha sido uma brincadeira (levada a sério pelo mau humor de Cuca), a piada botafoguense entra num território muito delicado do futebol: o perigo do "oba-oba".

A conquista do primeiro turno deu ao Botafogo o direito de ser um dos clubes da final do Estadual do Rio de Janeiro - portanto, como apontou o atual treinador do rubro-negro do Rio, o melhor da Taça Guanabara ainda corre o risco de ser vice-campeão. Tentando evitar que a euforia da torcida chegue às quatro linhas, Ney Franco logo repudiou a provocação a Cuca, pois, como bom treinador que é (por mais que se discorde dos esquemas táticos dos times que treina, também já ergueu a taça de campeão pelo Ipatinga e pelo Flamengo), sabe que futebol se ganha em campo.

Alguns times já pecaram pelo excesso de euforia e sofreram as consequências. Na Taça Libertadores do ano passado, o Flamengo venceu o América do México por 4 a 2 em terras mexicanas, e chegou ao Rio podendo perder por dois gols de diferença que, mesmo assim, teria sua classificação para as quartas-de-final do torneio garantida. Naquele dia, os rubro-negros fizeram uma grande cerimônia de despedida para o treinador Joel Santana (que deixava o comando do clube para dirigir a seleção da África do Sul) e esperavam uma vitória fácil sobre os mexicanos. Comandado pelo rechonchudo Cabañas, o América saiu de campo com uma vitória por 3 a 0, para espanto dos 50 mil torcedores que estavam no Maracanã.

Os flamenguistas também ficaram do outro lado da moeda nas recentes decisões contra o seu maior adversário, o Vasco da Gama. Às vésperas de cada decisão, o ex-presidente Eurico Miranda falava provocações aos adversários (como "já comprei o chope para comemorar o título), o que, certamente, era usado pelos treinadores do Flamengo para fazer com que o time ganhasse a final do campeonato.

O Vasco também ganhou um título graças à euforia do adversário. Depois de sair de campo no primeiro tempo perdendo por 3 a 0, a equipe de Romário, Euller e Juninhos Pernambucano e Paulista conseguiu virar para 4 a 3 a final contra o Palmeiras, e sagrar-se campeão da Copa Mercosul de 2000 com a vitória denominada por muitos cronistas esportivos como "a virada do milênio".

A Copa do Brasil traz uma série de jogos nos quais os "grandes" são surpreendidos e derrotados pelo seu próprio excesso de euforia. O Vasco já foi desclassificado do torneio por times como CSA, de Alagoas, XV de Novembro de Campo Bom, do Rio Grande do Sul, e Baraúnas, do Rio Grande do Norte. O Palmeiras já sofreu eliminações de ASA de Arapiraca e Ceará. O Fluminense saiu do torneio pelos pés do capixaba Linhares. O torneio, definido pela imprensa como "o caminho mais curto para chegar à Libertadores" acaba sendo mais difícil se o "oba-oba" for o adversário. A galeria de campeões ajuda a mostrar que muitas vezes os times de maior expressão ficam para trás: Criciúma, Santo André e Paulista são alguns dos vencedores do torneio.

Pelo menos em duas situações, o "oba-oba" foi desfavorável para a Seleção Brasileira em Copas do Mundo. No ano de 1982, na Espanha, o Brasil precisava somente de um empate para passar à próxima fase da competição. O adversário era a Itália, dona de um futebol burocrático, violento, que, segundo especialistas, jamais seria superior a uma seleção formada por craques como Júnior, Falcão e Zico. Mas, com três gols de Paolo Rossi (que jogou contundido), os italianos derrotaram o Brasil por 3 a 2, fazendo o "futebol-arte" voltar mais cedo para casa.

Só que a mãe de todas as derrotas e o maior exemplo de que a euforia é uma adversária perigosa no futebol vem de 1950. Naquele ano, o Brasil sediava a Copa do Mundo, e vinha de duas goleadas incontestáveis - 6 a 1 sobre a Espanha e 7 a 1 sobre a Suécia. Na partida final, diante do Uruguai, à Seleção bastava apenas um empate para vencer a Copa do Mundo pela primeira vez.

A torcida já considerava o Brasil campeão, e a imprensa fazia coro. Mas não foi este o resultado que as 205 mil pessoas presentes no Maracanã assistiram. Após abrir o placar com um gol de Friaça, a Seleção Brasileira levou o gol de empate, que estava de bom tamanho para a conquista. Mas, a poucos minutos do fim, o atacante Gigghia passou pelo lateral Bigode e chutou à esquerda do goleiro Barbosa. O gol decretou a vitória uruguaia por 2 a 1 e o silêncio no estádio em 16 de julho de 1950. (Na foto, o momento do segundo gol do Uruguai. Gigghia, com a camisa 7, comemora. Ao lado, o desespero do lateral brasileiro Bigode, vestindo a camisa 6, e o goleiro Barbosa está caído).

Diante de episódios como estes, a única afirmação previsível que a imprevisibilidade do futebol pode passar é a de que o vencedor só pode ser declarado ao final da partida. Por mais que o Botafogo tenha vencido a Taça Guanabara, ainda é cedo para declarar que determinado time ou determinado técnico é o vice-campeão do Estadual. Seria muito injusto com o trabalho atual de Ney Franco na equipe botafoguense se ela saísse de campo derrotada pelo "oba-oba" criado nas arquibancadas.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Ronaldo e a supervalorização de um nome



Melhor do mundo três vezes, dois títulos de Copa do Mundo como jogador, artilheiro absoluto, carreira marcada por gols desde seu início no modesto São Cristóvão (que em seu muro estampa, orgulhosamente, "AQUI NASCEU O FENÔMENO"), a promessa no Cruzeiro, a ascensão no futebol europeu, temporadas no PSV, no Barcelona, na Inter de Milão, no Real Madrid e no Milan, sucessivas contusões e volta por cima quando ninguém mais acreditava em seu futebol. Em 33 anos de vida (cerca de duas décadas como jogador de futebol), RONALDO já passou por altos e baixos que um atleta vive dentro de campo.

No entanto, em um momento no qual todos acreditavam que ele estava batalhando para retornar aos campos depois de uma contusão, o Fenômeno parece cada vez mais ter descaso com relação ao seu futebol. A consequência disto recai em outro lado: a evidência de acontecimentos extracampo, que revelam uma pessoa frágil emocionalmente, o que dá a sensação de ele ter se deslumbrado com os milhões depositados em sua conta bancária de uma hora para outra.

Depois de passar algum tempo submetido à superexposição na mídia de seus relacionamentos amorosos, Ronaldo recentemente chamou atenção entre os espectadores de futebol por um incidente acontecido em sua vida pessoal. No ano passado, em uma noitada no Rio de Janeiro, o jogador se envolveu num escândalo com três travestis que tentaram extorquir 50 mil dólares dele. O fato abalou sua imagem, e o fez perder um contrato de imagem com uma empresa de telefonia celular.

Ao final de 2008, Ronaldo surpreendeu o Brasil e deixou os fãs com boas perspectivas para 2009. Depois de passar o ano tentando recuperar a forma física no Flamengo, o atacante acertou com o Corínthians. Sua apresentação no clube paulista foi cercada de pompa e circunstância. Afinal, mais do que a promessa da volta do craque aos campos, era o retorno dele ao futebol brasileiro (do qual saíra em 1994, ainda aos 17 anos, trocando os gramados de Minas Gerais pelo frio europeu do PSV, na Holanda).

Passados três meses deste ano, Ronaldo continua sendo uma incógnita. Todas as vezes em que aparece em jogos do Corínthians, é como espectador. Seu jogo de estreia no alvinegro paulista também não tem a menor previsão - sempre que questionado, o técnico Mano Menezes responde: "em algumas semanas". Para tornar a situação ainda mais delicada, novamente o jogador se envolveu em um incidente extracampo: em uma das partidas do clube, a comissão técnica corintiana estipulou que todos os jogadores, sem exceção, estivessem no hotel em que o clube estava hospedado à meia-noite. Ronaldo chegou às cinco e meia da manhã.

Indisciplina, noitadas, atleta acima do peso. Ao que parece, Ronaldo se acomodou nos milhões conquistados durante sua carreira. Agora, para não pendurar as chuteiras e ser mais um ex-jogador esquecido na leva de craques do Brasil, o Fenômeno se utiliza da expectativa em torno de sua reestreia para que não apaguem seus holofotes. Resta saber se ele vai querer ser o iluminado de tantos gols e jogadas geniais ou um ex-jogador em atividade, que se arrasta em campo e que só consegue ser titular por causa do nome.

domingo, 1 de março de 2009

Botafogo, braços abertos sobre a Guanabara



Em dia de festa pelos 444 anos da cidade do Rio de Janeiro, o Maracanã fez a sua parte trazendo a festa do futebol em seu templo maior. Com mais de 75 mil espectadores, o estádio assistiu à final entre dois alvinegros com estrela em seus respectivos escudos. De um lado, a "Estrela Solitária" de histórias e glórias - e que estava tentando mais uma glória depois de vitória por 1 a 0 sobre o Fluminense na semifinal. Do outro, a estrela que brilhou com o auxílio do "tapetão", mas foi além ao derrotar o favorito Flamengo por 3 a 1 em pleno Maracanã. Neste primeiro de março, acabou brilhando mais forte a estrela que já conduziu vários títulos e, com a vitória por 3 a 0 sobre o Resende, o Botafogo não só conquistou a Taça Guanabara como também tem chance de sagrar-se campeão estadual, título que não vai para General Severiano desde 2006.

A primeira chance do jogo foi da equipe do interior. Antes de um minuto, o Resende chegou perto da área, mas esbarrou nas limitações de seus jogadores e a oportunidade de abrir o placar foi pela linha de fundo. Mas quem acreditava que o time vinha disposto a fugir do "padrão de jogo" típico das equipes consideradas pequenas (somente se defender e buscar o contra-ataque) estava enganado.

Nos minutos seguintes, o Resende limitou-se a ficar na defesa, deixando o artilheiro Bruno Meneghel isolado entre os zagueiros do Botafogo (e se dando ao luxo de ficar assistindo à partida na parte do campo que tinha sombra). Em suas constantes tentativas, o time de General Severiano não conseguia acertar o gol - muitas bolas eram cruzadas na área e facilmente neutralizadas pela zaga do Resende.

A primeira chance clara do Botafogo veio aos 15 minutos. Aproveitando cruzamento na área, Lucas Silva tentou o gol, mas na última hora foi travado por Marquinhos. A partir deste momento, a equipe perdeu uma oportunidade atrás da outra - duas com Leandro Guerreiro (considerado o melhor jogador em campo pela categoria com que jogou na parte defensiva do time), uma com Thiaguinho e outra com Reinaldo, além de uma cobrança de falta de Juninho que parou na barreira.

Aos 28, Reinaldo perdeu uma oportunidade incrível. Maicosuel fez uma linda jogada pela direita e, ao cruzar para o centro da pequena área, o camisa 7 tentou tocar a bola para dentro, mas a bola passou entre as suas pernas. Dois minutos depois, o Resende incomodou o Botafogo depois de muito tempo: após roubada de bola na intermediárea, Fred tocou para Bruno Leite, que cruzou para a área buscando Bruno Meneghel, mas a bola foi cortada para escanteio.

A forte retranca do Resende veio abaixo aos 34 minutos. Em lançamento para a área de Fahel, o zagueiro Breno tentou rechaçar, mas a bola acertou os pés de um companheiro de zaga e sobrou para Reinaldo, livre, empurrar para as redes, marcando 1 a 0 para o Botafogo. Ainda no primeiro tempo, o time alvinegro teve ainda duas oportunidades de ampliar a vantagem. Aos 39, Reinaldo driblou um zagueiro do time interiorano e chutou forte, para a defesa de Cléber. No minuto seguinte, em uma sobra depois de um escanteio, o lateral-direito Alessandro mandou uma bomba que passou por cima do gol.

O primeiro tempo terminou sem acréscimos e com um domínio claro do Botafogo. Das 12 finalizações, 11 foram de jogadores botafoguenses.

O técnico Roy apresentou um Resende mais ofensivo na segunda etapa, para, ao menos, buscar o empate e forçar uma disputa de pênaltis. O treinador tirou o veterano Márcio Costa para dar lugar a Beto. Logo aos três minutos, a equipe interiorana quase surpreendeu. Aproveitando cruzamento de Bruno Leite, Bruno Meneghel cabeceou para o gol. A bola quicou e obrigou o goleiro Renan a espalmar para escanteio.

Mas aos sete, veio o segundo gol do Botafogo. O zagueiro Juninho lançou a bola pela esquerda. Lucas Silva (que estava prestes a ser sacado do time) adentrou na área, deixou o goleiro Cléber batido e tocou para o gol. A bola ainda acertou a trave antes de entrar.

Mesmo com o gol marcado, o técnico Ney Franco manteve a substituição de Lucas Silva para a entrada de Léo Silva, e também promoveu a entrada de Jean Carioca no lugar do zagueiro Emerson. Roy também realizou duas substituições ao mesmo tempo. Na tentativa de deixar o Resende ainda mais ofensivo, entrou Hiroshi no lugar de Bruno Leite e o camisa 10 Léo cedeu espaço ao experiente atacante Viola (que desfalcava o time desde a estreia no Estadual por causa de uma contusão).

Mas era o Botafogo que continuava pressionando e parecia mais perto do gol, como no chute de Jean Carioca que acertou na trave aos 17. A bola não chegava ao ataque do Resende porque, embora estivesse agora com mais atacantes, a equipe não conseguia ter quem lançasse para eles.

Dez minutos depois, Reinaldo recebeu na meia-lua e tocou para Jean Carioca. O jogador demorou a fazer o chute, e preferiu tocar para Thiaguinho. Ele tentou o gol, mas a zaga conseguiu tirar. A esta altura, o Resende pouco incomodava. Nos dois momentos em que a bola passou perto do gol de Renan, ela chegou facilmente nas mãos do goleiro.

Aos 32, o Botafogo perdeu a chance de fazer o terceiro gol. Depois de lançamento para a área, Jean Carioca meteu o pé, mas a bola caprichosamente passou rente à trave. Um minuto depois, Reinaldo deu o "drible da meia-lua" no zagueiro Naílton, mas na hora de cruzar para a área, o zagueiro Breno conseguiu cortar. A 10 minutos do fim, o Botafogo teve sua vigésima finalização no jogo: num bate-rebate na área, a bola sobrou para Thiaguinho que chutou nas mãos do goleiro Cléber.

Com 37 minutos da segunda etapa, Reinaldo tentou jogada perto da área, e foi parado por uma falta brusca do zagueiro Naílton. Como o jogador já tinha cartão amarelo, o árbitro João Batista Arruda o expulsou de campo. Logo em seguida, Ney Franco fez sua terceira e última alteração: saiu Thiaguinho e entrou Wellington Júnior.

Faltavam quatro minutos para acabar a partida e a torcida alvinegra já comemorava o título (com direito ao grito "vice é o Cuca", uma provocação ao ex-treinador do Botafogo que agora está no comando do Flamengo). Mas ainda cabia mais um gol na festa botafoguense: depois de uma lambança entre Beto e o goleiro Cléber, a bola chegou limpa para Maicosuel fazer 3 a 0.

Nem mesmo a infantilidade de Wellington Júnior - que em sete minutos fez duas faltas no atacante Viola e foi expulso aos 44 - tirou o título do Botafogo. A partida já ultrapassava o tempo regulamentar e o time ainda teve oportunidade de fazer mais um gol, mas a cobrança de falta de Léo Silva acertou a trave.

Para um time que terminou o ano de 2008 em crise e com a debandada de seus jogadores, o primeiro campeonato de 2009 traz um excelente resultado para a equipe alvinegra. Dirigido por Ney Franco, o Botafogo conseguiu superar o descrédito até de sua própria torcida para chegar ao título dae Taça Guanabara, em partida na qual foi superior o tempo todo e conseguiu furar o bloqueio do surpreendente time do Resende.

No dia do aniversário da cidade do Rio de Janeiro, a festa no futebol é de um dos "vovôs" do Campeonato Estadual - que fez no campo sua tradição superar uma equipe que ainda é jovem na elite do futebol carioca, mas mostrou que ainda pode incomodar os "gigantes do Rio". Agora, é esperar o vencedor da Taça Rio (segundo turno do Campeonato Carioca) para ver se os braços do Botafogo continuarão abertos sobre a Guanabara.

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BOTAFOGO 3x0 RESENDE

Gols: Reinaldo aos 34 minutos do primeiro tempo, Lucas Silva aos sete e Maicosuel aos 41 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Bruno Leite, Naílton, Beto (Resende); Wellington Júnior e Maicosuel (Botafogo).

Expulsões: Naílton (Resende) e Wellington Júnior (Botafogo).

BOTAFOGO - Renan, Emerson (Léo Silva), Juninho e Wellington; Alessandro, Leandro Guerreiro, Fahel, Maicosuel e Thiaguinho (Wellington Júnior); Lucas Silva (Jean Carioca) e Reinaldo. Técnico: Ney Franco.

RESENDE - Cléber, Márcio Costa (Beto), Naílton e Breno; Bruno Leite (Hiroshi), Márcio Gomes, Fred, Léo (Viola) e Marquinhos; Bruno Meneghel e Fabiano. Técnico: Roy.