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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Telhado de vidro



O futebol brasileiro tem em sua história muitos episódios nos quais cartolas foram os centros das atenções em suas competições - coisas que, felizmente, vêm rareando com o passar das décadas e a modernização no calendário brasileiro. Entretanto, estes fatos continuam em debate, mas não por provocações entre torcedores.

A ironia vem de cima, por parte dos cartolas, que agem como integrantes de torcida até mesmo para desmerecerem a conquista alheia. Foi o caso do presidente do Corínthians, Andrés Sanchez. Durante a cerimônia em homenagem aos Craques do Brasileirão 2010, ele parabenizou o campeão brasileiro Fluminense, mas fez uma ironia em seu discurso: "O meu clube também foi rebaixado e sei como é doloroso. Mas é muito bom voltar pela porta da frente, com honra".

Sanchez se referiu à trajetória recente do Corínthians - que em 2007 caiu para a Segunda Divisão, mas voltou à elite do futebol brasileiro ao final do ano seguinte. como campeão da Série B - e colocou como parâmetro a manobra contraditória que deu ao Fluminense o direito de estar na Primeira Divisão no início da década. Durante a segunda metade da década de 1990, o tricolor das Laranjeiras passou por vários momentos nos quais teve apoio do "tapetão" para continuar no grupo dos melhores do país.

Após ser rebaixado em 1996, o clube foi poupado, graças a uma "virada de mesa", e jogou o Campeonato Brasileiro de 1997. Entretanto, o time novamente terminou o ano rebaixado. No ano seguinte, o Fluminense disputou a Série B mas, ao final dela, sofreu um novo rebaixamento. Em 1999, o tricolor disputou a Série C e foi campeão dela. Pela ordem natural das competições, estaria credenciado a disputar a Segundona no outro ano. No entanto, com a realização da Copa João Havelange em lugar do Campeonato Brasileiro de 2000, houve nova manobra, que permitiu a ascensão de alguns clubes das divisões intermediárias ao Módulo Azul (equivalente à Série A) - dentre eles, o Fluminense, "convidado" por ser um dos fundadores do Clube dos 13, que era o organizador da Copa JH.

Sim, de fato uma atitude questionável, que se torna um dos grandes momentos do triunfo da política sobre o futebol. Só que a Copa João Havelange não teve apenas o Fluminense beneficiado - Bahia (rebaixado em 1997), América Mineiro (que caiu em 1998) e Juventude (que terminou na zona de rebaixamento em 1999) também tiveram o direito de disputar a Primeira Divisão.

E, ao final de 2000, outros clubes foram beneficiados na história das competições nacionais. No fim da primeira fase da Copa João Havelange, o Santa Cruz terminou em último lugar e, na penúltima colocação, ficou o Corínthians. Pela ordem natural, ambos cairiam para a Série B no ano seguinte. Se não fosse a ação da Confederação Brasileira de Futebol, que decidiu não só manter os 25 clubes da Copa JH, como também acabou promovendo os dois primeiros do Módulo Amarelo (a Segunda Divisão de 2000), Paraná e São Caetano, e o Botafogo de Ribeirão Preto, que caíra em 1999. Graças à atitude da CBF, o time corintiano não passou pela vergonha de ser rebaixado no ano seguinte a ter sido vencedor do Brasileirão.

As desordens do Campeonato Brasileiro devem sempre ser relembradas por clubes e pela imprensa esportiva, mas para que sejam usadas como exemplos negativos e não voltem a imperar no cenário do futebol nacional. A declaração de Andrés Sanchez não conteve nenhuma mentira, mas, além de ter sido usada como provocação, veio de um Corínthians que tem em sua história um episódio no qual foi beneficiado pelo "tapetão". E, se os historiadores pesquisarem de maneira aprofundada a história do Brasileirão, talvez não sobre nenhum clube de qualquer divisão que seja completamente idôneo diante dos regulamentos de cada uma das edições.

domingo, 5 de dezembro de 2010

O título como redenção



Das três equipes que estão brigando hoje pelo título do Campeonato Brasileiro de 2010, duas entrarão em campo com oportunidade de entrar para a história da competição. Não que a conquista seja inédita para qualquer uma delas, mas para Fluminense e Corínthians a faixa de campeão será um momento de redenção.

Caso um deles vença o Campeonato Brasileiro, será o primeiro campeão da Série A após sofrer com rebaixamento em sua trajetória (o Cruzeiro, que graças ao seu grande futebol é hoje o terceiro time na disputa do título de 2010, nunca foi rebaixado na competição). Título que, certamente, pareceu bem distante na época em que passaram por crise.

Na segunda metade da década de 1990, o Fluminense passou por uma sequência de fiascos no cenário nacional. Em 1996, o time terminou a competição rebaixado. Graças a uma virada de mesa, no ano seguinte continuou na Série A, mas ficou entre os últimos lugares novamente. No ano de 1998, o clube caiu da Segunda para a Terceira Divisão. Em 1999, houve o primeiro alento: a conquista da Série C que, graças à realização da Copa João Havelange, fez com que o clube voltasse diretamente para a Primeira Divisão. A conquista de hoje comprova de uma vez por todas que, apesar desta maneira discutível de voltar à elite do futebol, o tricolor das Laranjeiras está no lugar certo.

Dono de uma das maiores torcidas do país, o Corínthians foi rebaixado ao final do Campeonato Brasileiro de 2007, duas edições depois de ter sido campeão brasileiro pela quarta vez. O desmantelamento acentuou sua falta de organização e uma série de erros de dentro de campo. Após ser campeão da Série B de 2008 e conseguir títulos do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil de 2009, os corintianos agora querem uma nova redenção: ganhar o Campeonato Brasileiro, como forma de amenizar a eliminação da Taça Libertadores da América, seu grande projeto do ano do centenário.

Tricolores e corintianos entram em campo no capítulo final pela corrida da redenção. Mas, sem dúvida, a boa campanha que fizeram até agora no Campeonato Brasileiro de 2010 mostra a grandiosidade que tiveram nesta temporada.

domingo, 28 de novembro de 2010

Para o ano não acabar



Análise de jogo - Corínthians 2 x 0 Vasco (17h, Pacaembu)

Corínthians e Vasco apresentaram no Pacaembu o contraste da reta final do Campeonato Brasileiro. Enquanto os corintianos, apoiados por mais de 33 mil torcedores, tentavam manter as chances de título, poucos foram acompanhar a equipe vascaína, para quem as perspectivas de algum título ficaram adiadas para 2011.

Mas suas deficiências devem ser corrigidas urgentemente. Com uma formação usada para atuar no contra-ataque, escalando os jovens volantes Rômulo, Renato Augusto e Allan, o time de Paulo César Gusmão depende de boas atuações de Carlos Alberto, Éder Luís e Zé Roberto. Só que, se nenhum deles encontra velocidade para atacar, o poder ofensivo do Vasco se perde completamente.

Foi assim que o Corínthians se sobressaiu na partida. Aos poucos, o alvinegro paulista foi se acertando em campo e encontrando oportunidades. A primeira foi aos seis minutos (um minuto depois do alto-falante anunciar que o Palmeiras fez 1 a 0 sobre o Fluminense, time que briga diretamente com o Corínthians pela conquista do Brasileirão de 2010), em jogada de bola parada de Bruno César que passou por Dentinho, livre na área. Depois, vieram chutes de Roberto Carlos e Jucilei que pararam em defesas de Fernando Prass.

Com o passar dos minutos, o calor do Pacaembu fez a partida ficar morna. O Corínthians parecia não ter pernas para dar continuidade às jogadas, enquanto o Vasco se limitava a fortalecer sua marcação. Mas seu setor defensivo acabou favorecendo o ímpeto corintiano (que tentava aumentar, mesmo com o anúncio de que o Fluminense empatara a partida com o Palmeiras na Arena Barueri). O chute de fora da área de Bruno César desviou na canela do zagueiro Dedé e passou por baixo das pernas do goleiro Fernando Prass. 1 a 0 Corínthians, aos 39 minutos. Vantagem que prosseguiu até o fim do primeiro tempo.

Para o segundo tempo, Paulo César Gusmão trouxe um Vasco mais ofensivo. O volante Allan deu lugar ao meia Fumagalli, que entraria para ajudar Carlos Alberto na criação de jogadas. A alteração melhorou a equipe vascaína. À exceção de um chute de Danilo defendido por Fernando Prass, a pressão vascaína foi constante nos primeiros 10 minutos. Entretanto, o fraco poder de fogo comprometeu mais uma vez a atuação da equipe carioca. Apenas Zé Roberto chutou ao gol, e a bola passou longe do gol de Júlio César.

O Timão voltou ao ataque aos 12 minutos. E de maneira eficaz. Roberto Carlos recebeu passe na esquerda e entrou na área. Em vez de chutar ao gol, o lateral deu um cruzamento para a direita, que encontrou a cabeça de Danilo. O meia colocou a bola no fundo da rede. Corínthians 2 a 0. Mas, apesar da soberania corintiana em campo, ela não era suficiente para deixar os paulistas na liderança. No minuto seguinte ao segundo gol, o Fluminense virou para 2 a 1 o jogo com o Palmeiras na Arena Barueri.

No restante do jogo, os corintianos ficaram apenas em função de administrar o resultado - a nova alteração de Tite veio só a cinco minutos do fim, com a troca de Bruno César por Defederico.. Àquela altura, o esforço do Vasco para evitar uma derrota parecia mesmo restrito à entrada de Fumagalli no intervalo. As outras duas alterações de PC Gusmão foram nas laterais - Fágner saiu para a entrada de Irrazábal, e Ramón (que voltava à equipe após meses contundido) foi substituído por Diogo.

A equipe carioca ainda ficou mais fraca em seu poder ofensivo, quando Zé Roberto foi expulso por Márcio Chagas da Silva. O meia fez quatro faltas em sequência no segundo tempo. E, a rigor, a única oportunidade vascaína nos 45 minutos finais foi com Éder Luís, que chutou cruzado para defesa de Júlio César.

O time de São Januário dava a impressão de meramente fazer um amistoso de luxo, a duas rodadas do final do Campeonato Brasileiro. E o empenho parecia restrito ao goleiro Fernando Prass e à defesa. Em especial por jovens que se firmaram durante a competição, casos do zagueiro Dedé e do volante Rômulo, ou que na reta final tiveram oportunidade no time titular, como o estreante zagueiro Douglas e o volante Renato Augusto. De resto, uma acomodação melancólica de um Vasco que termina 2010 sem título e agora parece guardar seu futebol para quando 2011 chegar.

O calendário de 2010 do futebol corintiano ainda tem mais uma semana. E, mesmo com a possibilidade de nova frustração no ano de seu centenário (além de vencer o Goiás no Serra Dourada, o time precisa de um tropeço do Fluminense contra o Guarani, no Engenhão, para ser campeão brasileiro), não se pode negar que sua equipe se empenhou até a última rodada. Talvez por isto, o "bando de loucos" do Corínthians ainda anseia para que o dia 5 de dezembro de 2010 seja mais uma data importante na lista de conquistas do clube.

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CORÍNTHIANS 2 x 0 VASCO

Estádio: Pacaembu (São Paulo / SP)

Público: 33.487 pagantes / Renda: R$ 1.190.821,50.

Árbitro: Márcio Chagas da Silva (RS) / Auxiliares: Carlos Berenbrock (FIFA-RS) e Marcelo Barison (RS).

Gols: Bruno César, aos 39 minutos do primeiro tempo. Danilo, aos 12 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Renato Augusto e Zé Roberto (Vasco).

Expulsão: Zé Roberto (Vasco).

CORÍNTHIANS - Júlio César, Alessandro, Chicão e Roberto Carlos; Ralf, Jucilei, Danilo e Bruno César (Defederico); Jorge Henrique e Dentinho (Iarley). Técnico: Tite.

VASCO - Fernando Prass, Fagner (Irrazábal), Dedé, Douglas e Ramón (Diogo); Rômulo, Renato Augusto, Allan (Fumagalli) e Carlos Alberto; Zé Roberto e Éder Luís. Técnico: Paulo César Gusmão.

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RODADA 37 - RESULTADOS

Domingo, 17h

Atlético Goianiense 1 x 1 São Paulo (Serra Dourada)
Internacional 1 x 1 Vitória da Bahia (Beira-Rio)
Atlético Mineiro 3 x 1 Goiás (Arena do Jacaré)
Avaí 3 x 2 Santos (Ressacada)
Guarani 0 x 3 Grêmio (Brinco de Ouro da Princesa)
Ceará 1 x 1 Atlético Paranaense (Castelão)
Botafogo 3 x 1 Grêmio Prudente (Engenhão)
Flamengo 1 x 2 Cruzeiro (Raulino de Oliveira)
Corínthians 2 x 0 Vasco (Pacaembu)
Palmeiras 1 x 2 Fluminense (Arena Barueri)

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O tempo e o placar... escolhe o que houve de melhor e de pior na penúltima rodada do Brasileirão.

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O CHUTAÇO

A trinca da frente FLUMINENSE, CORÍNTHIANS e CRUZEIRO honrou seu favoritismo e segue soberana na disputa pelo título brasileiro. O momento de liderança é tricolor, mas corintianos e cruzeirenses continuam à espreita.

A FURADA

O assunto da ENTREGA que cercou a semana anterior ao confronto do Palmeiras com o Fluminense foi um dos mais lamentáveis do Campeonato Brasileiro. A reta final de 2010 comprova: o Campeonato Brasileiro tem de fazer valer o bom futebol, e não a rivalidade em primeiro lugar.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Um Brasileirão perdido



Quando foi anunciado que Sandro Meira Ricci seria o árbitro do confronto decisivo entre Corínthians e Cruzeiro, na trigésima-quinta rodada do Campeonato Brasileiro, o consenso foi elogiar sua escalação. Meira Ricci se destacara na competição por arbitragens seguras. Cogitava-se até que ele seria o próximo a figurar no quadro de árbitros da FIFA. Mas, aos 42 minutos do segundo tempo da partida do Pacaembu, todo o seu bom campeonato foi perdido.

Num cruzamento para a área, o zagueiro Gil e o atacante Ronaldo se chocaram, e o camisa 9 caiu na área. Sem hesitar, Sandro Meira Ricci marcou pênalti. Ronaldo cobrou e confirmou a vitória que daria liderança à equipe corintiana - beneficiada pelo tropeço do Fluminense, que empatou em 1 a 1 com o penúltimo colocado, o Goiás, no Engenhão.

O único profissional para o qual as pessoas não dão o direito do benefício da dúvida é o árbitro. Em especial se tiver ao seu redor uma grande expectativa sobre sua qualidade - como foi o caso de Ricci, que era bem quisto até pela diretoria cruzeirense. O árbitro mineiro radicado em Brasília agora precisará ter cabeça fria para não cair nos lugares-comuns que profissionais do apito às vezes têm depois de erros capitais.

Sandro Meira Ricci pode até ser deixado de lado da conspiração que insistem em fazer sobre um suposto esquema para beneficiar o Corínthians. Mas rótulos como árbitro que sente o peso da responsabilidade de apitar um jogo de grande importância e, na dúvida, marca lance favorável à equipe mandante, correm o risco de se perpetuar.

A discussão sobre a existência ou não do pênalti em Ronaldo promete ser interminável. Mas, graças a esta polêmica, o Brasileirão já foi perdido para Sandro Meira Ricci.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A hora das estrelas


Análise de jogo - Flamengo 1 x 1 Corínthians (22h, Engenhão)

Se era para ser o encontro das duas maiores torcidas do país, Flamengo e Corínthians foi decepcionante. Prejudicada pela data, pelo horário (22h de uma quarta-feira) e pelos percalços que os torcedores passam para chegar ao Engenhão, a partida levou somente 10.272 espectadores. Entretanto, não houve decepção suficiente para que o duelo entre flamenguistas e corintianos apresentassem ao menos dois momentos de estrelas - uma para cada lado.

Vanderlei Luxemburgo voltava a apostar em sua própria estrela (decisiva para que o Flamengo não tenha sofrido derrotas nos quatro jogos anteriores), arriscando uma formação com três atacantes. Diogo e Diego Maurício apareciam pelas pontas, enquanto Deivid ficava entre os zagueiros do Corínthians. Só que o restante do rubro-negro não soube se adaptar ao 4-3-3, e o time ficou exposto no campo, principalmente devido aos seus constantes erros de passes.

Enquanto isto, a equipe corintiana estava bem armada taticamente, e superava o adversário graças à qualidade que seu meio-de-campo apresentou. Com Bruno César criando jogadas e Iarley atuando mais recuado, o Corínthians compensava até mesmo a deficiência de seu lado direito com o lateral Alessandro. Assim, surgiram boas oportunidades, como uma cobrança de falta de Roberto Carlos e um chute de Ralf defendido por Marcelo Lomba.

Mesmo com tanta superioridade, ainda faltava ao Corínthians algum lampejo de um de seus jogadores. Mas, aos 30 minutos, chegou o momento de brilhar a estrela do lado corintiano. Bruno César lançou para a área, e, livre diante do goleiro, surgiu Ronaldo. Sem marcação - pois a zaga optara por fazer uma linha de impedimento, sem sucesso - o camisa 9 recebeu a bola e chutou na saída de Marcelo Lomba. 1 a 0 Corínthians.

Os últimos 15 minutos finais trouxeram um contraste ainda maior. O Flamengo permanecia perdido no meio-de-campo, e a quantidade de atacantes era inútil aos olhos dos torcedores. O Corínthians continuava com seu esquema, com um pouco mais de cautela do que na meia hora inicial, e parecia soberano em campo. A vantagem parecia suficiente quando o primeiro tempo acabou.

No entanto, o time corintiano não contava que o gol de Ronaldo fosse ofuscado de maneira tão fulminante pela estrela flamenguista. No intervalo, Luxemburgo abandonou a ideia de ter um trio de ataque. O centroavante Deivid foi substituído pelo meia Marquinhos. Substituição que num primeiro momento pareceu equivocada, afinal, nem Diego Maurício nem Diogo costumam jogar dentro da área. O Flamengo ficaria sem um "matador" nato.

Mas nem todas estas adversidades foram suficientes para superar a estrela de Vanderlei Luxemburgo. Aos dois minutos, Marquinhos cobrou escanteio na esquerda. Renato Abreu, de cabeça, conseguiu desviar para o meio da área, local onde estava Diogo. 12 jogos depois de ter estreado com a camisa rubro-negra, o jogador fez seu primeiro gol, empatando a partida em 1 a 1.

Em apenas um lance, o Corínthians de Tite, que se mostrava tão bem organizado, revelou-se frágil. O time se perdeu completamente, começou a errar muitos passes e a abrir espaço para jogadas ofensivas do rubro-negro - que vinham com mais perigo nas costas de Alessandro. À exceção de uma cobrança de falta de Bruno César que parou no travessão de Marcelo Lomba, o Flamengo dominava a partida.

A estrela de Luxemburgo ainda não havia se apagado, e isto foi comprovado por outras duas ações dele no jogo. Ao ver a péssima partida que Williams fazia, o técnico optou por substituí-lo por Corrêa. Vendo que Diogo parecia desgastado, decidiu trocá-lo por Val Baiano, fazendo com que o time voltasse a ter um centroavante fixo.

Logo depois, Tite tentou conseguir o mesmo êxito. Mas as duas substituições que fez foram questionáveis. Aos 29 minutos, o Corínthians perdeu seu meia de ligação, Bruno César, e o atacante Iarley. Em seus lugares entraram, respectivamente, o volante Paulinho e o meia Danilo. A equipe ficaria com características defensivas, mas, graças a esta nova formação, acabou conseguindo forçar o Flamengo ao erro e ter uma chance com Danilo rechaçada por Wellinton.

A três minutos do final, o duelo de estrelas parecia próximo de um desempate. O atacante Ronaldo deu uma arrancada, passou por Ronaldo Angelim e, marcado por Maldonado, se preparava para tentar vencer Marcelo Lomba. Mas sua estrela já estava cadente, e a jogada terminou com um tropeço no gramado.

Talvez tenha sido melhor assim. Nem Ronaldo nem Vanderlei Luxemburgo mereciam sair com uma derrota no placar final do Engenhão. O camisa 9 corintiano conseguiu responder a novas hostilidades da torcida flamenguista com um gol bonito, enquanto o treinador rubro-negro mais uma vez foi decisivo em suas ações para evitar que a equipe saísse de campo derrotada.

Com o ponto conquistado, o Flamengo permanece em décimo-terceiro lugar, com 39 pontos, na zona de classificação da Copa Sul-Americana. Mas, com os dois pontos desperdiçados no Engenhão, o time carioca está a cinco pontos do Vitória da Bahia, primeiro da zona de rebaixamento. Segundo os matemáticos, uma equipe se livra completamente da queda para a Segunda Divisão se acumular 45 pontos. O rubro-negro está a duas vitórias desta pontuação, só que tem a seu favor a tabela da competição - ainda faltam três jogos como mandante, contra Atlético Paranaense, Guarani e Cruzeiro. Dentro do Engenhão (definido como sua "nova casa" por causa do fechamento do Maracanã), já é possível evitar correr riscos.

O Corínthians passa pelo menos uma noite na vice-liderança do Campeonato Brasileiro - está com os mesmos 54 pontos de Fluminense e Cruzeiro, mas perde para os tricolores no saldo de gols. Entretanto, nesta quinta-feira a equipe corintiana já pode voltar novamente ao terceiro lugar. Bastam um empate do Fluminense com o Grêmio, também no Engenhão, e do Grêmio Prudente com o Cruzeiro, no Prudentão, para que o ponto conquistado com o Flamengo tenha sido em vão. Os corintianos terminam a rodada com uma certeza: não basta ter um Ronaldo em campo. Sua equipe precisa parar de oscilar em campo para se tornar a estrela do Campeonato Brasileiro de 2010.

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FLAMENGO 1 x 1 CORÍNTHIANS

Estádio: Engenhão (Rio de Janeiro / RJ).

Público: 9.792 pagantes (10.272 presentes) / Renda: R$ 273.210,00.

Árbitro: Sandro Meira Ricci (DF) / Auxiliares: Autemir Hausmann (RS) e Roberto Braatz (PR).

Gols: Ronaldo, aos 30 minutos do primeiro tempo, e Diogo, aos dois minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Maldonado (Flamengo) e Ralf (Corínthians).

FLAMENGO - Marcelo Lomba, Léo Moura, Ronaldo Angelim, Wellinton e Juan; Maldonado, Willians (Corrêa, 16'/2ºT) e Renato Abreu; Diogo (Val Baiano, 27'/2ºT), Diego Maurício e Deivid (Marquinhos, intervalo). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

CORÍNTHIANS - Júlio César, Alessandro, William, Chicão e Roberto Carlos; Ralf, Jucilei, Elias (Defederico, 42'/2ºT) e Bruno César (Paulinho, 29'/2ºT); Iarley (Danilo, 29'/2ºT) e Ronaldo. Técnico: Tite.

sábado, 23 de outubro de 2010

Regionalismo em caráter nacional



Nos dias que antecedem um grande clássico regional, a rivalidade costuma ficar alheia ao contexto da competição que está em jogo durante os 90 minutos. Entretanto, o confronto entre Corínthians e Palmeiras amanhã é uma exceção a este panorama. A partida decidirá qual o perfil cada equipe encontrará nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro.

Outrora líder do campeonato, o Corínthians vem passando por uma sequência negativa de jogos, e corre o risco de terminar a rodada fora do G-4 do Brasileirão. O triunfo sobre os palmeirenses não serve apenas para mostrar a supremacia atual no clássico. Os três pontos significam a oportunidade de chegar à vice-liderança (dependendo do desempenho do Fluminense na partida da Arena da Baixada, contra o Atlético Paranaense) e uma melhora na autoestima corintiana, tão combalida diante dos maus resultados. Além de "vingar" o resultado do primeiro turno (empate em 1 a 1 no Pacaembu), que fez o Timão perder a liderança para o Fluminense.

Enquanto o rival tenta evitar uma queda, o Palmeiras busca fôlego para conseguir uma ascensão suficiente para manter a possibilidade de chegar ao G-4. Um resultado positivo diante do Corínthians pode comprovar que, apesar do elenco limitado que hoje representa o time palmeirense, a equipe tem raça digna de ficar nas primeiras colocações do Campeonato Brasileiro.

Em vez do "capítulo à parte" que é evidenciado nos duelos regionais do Brasileirão, Corínthians e Palmeiras querem fazer da soberania no "derby" paulistano um argumento suficiente para bons resultados na competição nacional. E São Paulo será apenas uma das paradas nesta estrada do Campeonato Brasileiro.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O preço de um centenário



No dia primeiro de setembro de 2010, o Corínthians comemorava não só os 100 anos de fundação do clube. Era motivo de comemoração também a boa trajetória que a equipe tinha no Campeonato Brasileiro - disputando ponto a ponto a liderança com o Fluminense, e com um plantel que mesclava jogadores consagrados com atletas em grande fase - como Roberto Carlos, Jucilei, Elias, Bruno César, Jorge Henrique, Iarley e Ronaldo.

Para a quarta-feira, estava prevista uma partida contra o Vasco, em São Januário. Só que, em vez de passar a festa praticando o futebol que tornou o clube tão popular, o Corínthians decidiu se entregar aos festejos do centenário, com direito show na Avenida Paulista, fogos, bandeiras e tudo o que se pode imaginar. O duelo com o Vasco podia esperar para dia 13 de outubro. Afinal, os corintianos estavam cada vez mais em ascensão, e ainda teriam o benefício de entrar em campo sabendo o resultado que precisariam ter para prosseguir bem na competição.

Pois bem. 42 dias se passaram. Vieram as contusões - algumas delicadíssimas, como a de Jorge Henrique, que tirou o atleta do restante do Campeonato Brasileiro. Os bons resultados foram rareando, e uma derrota vexatória por 4 a 3 para o Atlético Goianiense culminou no pedido de demissão de Adilson Batista. Em vez do time em ascensão, que vencera o Vitória da Bahia por 2 a 1 com um futebol envolvente na décima-sétima rodada, o Vasco teria pela frente em São Januário um Corínthians em pedaços.

Com treinador interino que nem mesmo o presidente corintiano Andres Sanchez lembrava o nome. Com uma crise sem precedentes depois de conseguir somente dois pontos nos últimos 15 disputados. Sem Jorge Henrique, Bruno César, Ronaldo. Sem alma. Sem qualquer disposição para ao menos ameaçar um Vasco que, após abrir 2 a 0 em 21 minutos de jogo, se deu ao luxo de ficar no contra-ataque.

No primeiro semestre, o Corínthians tinha perdido o grande sonho do seu centenário - ganhar a Taça Libertadores da América. Mas, com um trabalho sério à frente da equipe, conseguiu superar a perda através do bom futebol do qual é capaz o seu elenco. Sempre alternou entre o primeiro e o segundo lugar no Campeonato Brasileiro. No entanto, não soube lidar novamente com a má fase - que é comum no decorrer de um campeonato de pontos corridos - e parece jogar fora também a possibilidade de ser o melhor do Brasil pela quinta vez.

Hoje, no dia seguinte à derrota para o Vasco, provavelmente muitos corintianos estejam amargando a ressaca daquela partida adiada em primeiro de setembro. O preço do centenário tem sido cobrado com juros altos para o Corínthians dentro dos gramados do Brasileirão.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Múltiplas derrotas



Análise de quarta - Corínthians 1 x 1 Botafogo (22h, Pacaembu)

Um ponto para cada lado. A igualdade que, ao mesmo tempo, consola duas equipes que mediram forças no gramado e retira pontos pela incapacidade de um vencedor surgir após 90 minutos, veio com sabor de derrota não só para Corínthians e Botafogo, que viram seus objetivos ainda mais distantes, mas também para o espetáculo que se desenhou no Pacaembu.

Os dois alvinegros buscaram esquemas bastante ofensivos. E o mais rápido a aparecer na partida foi o Corínthians. Com a tática 4-3-1-2, a equipe de Adilson Batista marcava com o trio de volantes Ralf, Elias e Jucilei (com os dois últimos tendo liberdade para sair jogando) e, através do meia de ligação Bruno César, apostava na velocidade de Jorge Henrique e no oportunismo de Iarley. Só que a estratégia corintiana se revelou bem mais traiçoeira, pois num de seus primeiros lances, Bruno César recebeu passe na grande área e acertou um chute no ângulo. A bola parou no fundo da rede de Jefferson. 1 a 0 Corínthians, aos dois minutos.

Apesar da desvantagem no placar, o Botafogo demonstrou tranquilidade para tentar o gol de empate. Lúcio Flávio parecia ter mais demonstração para jogar, e conseguia distribuir com inteligência as jogadas - aproveitando os erros do corintiano Alessandro para lançar Herrera. As subidas de Marcelo Cordeiro também se intensificaram porque o Alessandro botafoguense se resumia a marcar as descidas de Roberto Carlos e Jorge Henrique. Numa delas, Loco Abreu conseguiu um chute frontal ao gol, mas a bola parou no travessão.

Com o passar da primeira etapa, a zaga botafoguense conseguiu se acertar, e, ao neutralizar os ataques corintianos, possibilitou vários contra-ataques. Num deles, Herrera cruzou, e Loco Abreu, de cabeça, aproveitou falha de Alessandro para colocar a bola no fundo da rede de Júlio César. 1 a 1, aos 26. Mas o Corínthians agia como derrotado em campo, incapaz de conseguir se desvencilhar da marcação do Botafogo. Seu único bom momento no restante do primeiro tempo foi uma cabeçada de Iarley, que tocou na trave.

No segundo tempo, Ralf, contundido, foi substituído por Paulinho. E o Corínthians passou a levar a pior na marcação. Os botafoguenses cresceram na partida, e chegaram ao gol aos quatro minutos, quando Marcelo Cordeiro deu passe que Herrera desviou. No entanto, o gol foi equivocadamente anulado por impedimento. Mais uma derrota da arbitragem, que interferiu diretamente no resultado da partida e prejudicou o Botafogo - além deste lance se tornar mais uma das muitas polêmicas de arbitragem que supostamente favoreceram os corintianos no Campeonato Brasileiro de 2010.

Os botafoguenses continuaram a pressionar (e tiveram uma chance com Herrera, numa cabeçada defendida por Júlio César), mas sofreram uma nova derrota. Desta vez, internamente. Joel Santana decidiu tirar o atacante Herrera para colocar o meia Renato Cajá. Além da equipe ficar menos perigosa ofensivamente, o reserva entrou muito mal na partida, e ajudou a permitir que o Corínthians chegasse com perigo à sua área. Vieram oportunidades com Jucilei, Jorge Henrique e, na mais clara de todas, Paulinho chutou rasteiro, Jefferson defendeu parcialmente, a bola ia entrando mas Leandro Guerreiro salvou quase em cima da linha. O treinador do Botafogo tentou compensar seu erro, voltando ao 3-5-2 original - Lúcio Flávio saiu para a entrada de Caio.

Os corintianos pressionavam, mas, depois de verem seu lateral-esquerda Roberto Carlos (que, vencido pelo cansaço, foi trocado por Danilo), também tiveram uma derrota vindo das mãos de seu treinador. Ao tirar de campo o atacante Iarley, Adilson Batista optou por escalar o meia-atacante Defederico, que tem como característica a velocidade. Com Jorge Henrique e Defederico, o Corínthians abusou dos cruzamentos na área, mas sem nenhum homem fixo na área.

Mesmo com tanta pressão, a equipe paulista via suas chances diluídas em cruzamentos errados e chutes sem qualquer força ou direção. Tanto que o Botafogo teve as duas últimas oportunidades de vitória aos seus pés. Nas duas, o time carioca foi derrotado pela ansiedade. Após Somália dar uma arrancada do meio-de-campo, em vez de optar entre passar para Loco Abreu na direita ou servir Renato Cajá, que descia livre na esquerda, ele preferiu arriscar o chute. A bola saiu fraca, e foi defendida facilmente por Júlio César.

No minuto seguinte, Loco Abreu lançou Caio. O atacante passou pelo goleiro, cortou para o meio e, ao perceber que vinha a marcação corintiana, nem ergueu a cabeça para saber qual era a melhor opção de chute. Arriscou um gol por cobertura, e a bola saiu alta, distante das traves que Júlio César defendia.

Devido à vitória por 1 a 0 do Fluminense sobre o Avaí em Volta Redonda, o Corínthians agora vê o tricolor carioca três pontos à sua frente na busca pelo título. Além do restante do Campeonato Brasileiro, os três pontos no jogo do primeiro turno que falta cumprir - contra o Vasco, dia 13 de outubro, em São Januário - se tornaram ainda mais importantes para os corintianos.

O Botafogo, que viu sua luta se tornar ainda mais intensa depois que a Conmembol decidiu que o Campeonato Brasileiro levará apenas três clubes para a Taça Libertadores da América de 2011, se distanciou ainda mais do terceiro colocado. Com a vitória por 3 a 0 sobre o Atlético Goianiense em Sete Lagoas, o Cruzeiro agora tem seis pontos a mais. E os botafoguenses estão no sexto lugar, porque perdem nos critérios de desempate para Internacional e Atlético Paranaense (todos têm 41 pontos).

Do jogo do Pacaembu, restaram as derrotas proporcionadas diretamente por erros táticos de Adilson Batista e Joel Santana, mas também ressaltaram as inoperâncias com as quais ambas as equipes ainda convivem. Assim como o futebol brasileiro ainda convive com as falhas grotescas da arbitragem, que seguem interferindo nos resultados dos jogos. Mas esta derrota parece bem mais corriqueira do que as de Corínthians e Botafogo.

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CORÍNTHIANS 1 x 1 BOTAFOGO

Estádio: Pacaembu (São Paulo)

Público: 24.001 pagantes / Renda: R$ 770.449,50

Árbitro: Leandro Pedro Vuaden (FIFA-RS) / Auxiliares: Alessandro Álvaro Rocha de Mattos (FIFA-BA) e Erich Bandeira (FIFA-PE)

Gols: Bruno César, aos dois, e Loco Abreu, aos 28 minutos do primeiro tempo.

Cartões amarelos: Elias (Corínthians), Fahel, Lúcio Flávio, Herrera e Antônio Carlos (Botafogo).

CORÍNTHIANS - Júlio César, Alessandro, William, Thiago Heleno e Roberto Carlos (28'/2ºT - Danilo); Ralf (Intervalo - Paulinho), Jucilei, Elias e Bruno César; Jorge Henrique e Iarley (35'/2ºT - Defederico). Técnico: Adilson Batista.

BOTAFOGO - Jefferson, Antônio Carlos (46'/2ºT - Danny Morais), Leandro Guerreiro e Fábio Ferreira; Alessandro, Fahel, Somália, Lucio Flavio (31'/2ºT - Caio) e Marcelo Cordeiro; Herrera (19'/2ºT - Renato Cajá) e Loco Abreu. Técnico: Joel Santana.

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O tempo e o placar... apresenta o que houve de melhor e de pior na rodada do Brasileirão.

O CHUTAÇO

Após um primeiro turno vexatório, o GRÊMIO vem fazendo a melhor campanha do segundo turno, numa sequência de boas atuações sob o comando de Renato Gaúcho. A vitória por 4 a 2 sobre o São Paulo mostra também o poder de ataque - em especial de Jonas, o atual artilheiro do Campeonato Brasileiro.

A FURADA

A declaração infeliz e fora de hora do treinador SILAS transformou o período conturbado do Flamengo na competição numa turbulência ainda maior. Em vez de tentar se isentar com a afirmação de que não faz gol contra e nem chuta a gol, o técnico deveria pensar no grupo flamenguista para tentar tirá-lo da beira do rebaixamento.

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RESULTADOS - RODADA 26

Terça-feira

21h

Vasco 3 x 1 Santos (São Januário)
Goiás 1 x 1 Flamengo (Serra Dourada)

Quarta-feira

19h30

Grêmio Prudente 4 x 2 Guarani (Prudentão)
Atlético Paranaense 1 x 0 Vitória da Bahia (Arena da Baixada)
Cruzeiro 3 x 0 Atlético Goianiense (Arena do Jacaré)
Palmeiras 2 x 0 Internacional (Arena Barueri)

21h

Fluminense 1 x 0 Avaí (Raulino de Oliveira)

22h

Corínthians 1 x 1 Botafogo (Pacaembu)
Ceará 0 x 0 Atlético Mineiro (Castelão)
Grêmio 4 x 2 São Paulo (Olímpico)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Parto nos gramados



Não é comum no futebol um atleta ser contratado com muitas expectativas e, depois de um tempo, ficar marcado por um péssimo período no clube que defendem. Mas, nesta temporada, alguns jogadores vêm passando por um problema ainda mais delicado aos olhos dos torcedores. A imprensa se acostumou a associar estes nomes à frase "ainda não é desta vez", "ausência" ou "desfalque", e a torcida mergulha numa espera por seus grandes destaques.

O caso que traz mais holofotes é o de Ronaldo. Desde o início do ano, o atacante parece ter restrito sua ação a ser o homem de marketing do Corínthians. Com toda a fama que ganhou na carreira, o jogador cada vez mais parece entregue ao fim de carreira. Chama atenção sua capacidade em ficar fora de forma rapidamente, o que atrapalha ainda mais seu retorno a campo depois de algumas contusões.



A canção do ausente do Fluminense tem um ritmo mais pesado. Fred, que vinha se recuperando de uma contusão, sentiu outra que vai deixá-lo por mais tempo longe dos gramados. Por conta deste episódio, o atacante decidiu criticar publicamente o médico do clube, Michel Simoni, que pediu demissão depois do incidente.

Desde que chegou ao tricolor, Fred vem passando por longos períodos de contusão, que não só atrapalham seu ritmo de jogo, mas também fazem com que sua responsabilidade fica ainda maior. Em 2009, ele chegou ao fim do Campeonato Brasileiro com a responsabilidade de fazer os gols da salvação da Série B. Com o Fluminense nos primeiros lugares da competição, a tarefa ficará mais difícil? Especialmente porque o centroavante Washington vem tendo desempenho convincente desde seu retorno às Laranjeiras.



Ao menos, Fluminense e Corínthians têm elencos de boa qualidade, capazes de amenizar a falta de algum jogador, por maior talento que ele possua. Mas este não é o caso do Vasco, que desde o ano passado não sabe compensar os períodos de ausência de Carlos Alberto. Sem ele, a equipe perde muito de sua criatividade, e as jogadas saem aos trancos e barrancos.

A campanha hesitante do Vasco no Campeonato Brasileiro (cercada de empates) se deve muito à falta de criação de jogadas ofensivas. Por mais que o técnico Paulo César Gusmão tenha ajustado a defesa vascaína, ele ainda não conseguiu achar um substituto com nível próximo a Carlos Alberto - em especial porque, devido às poucas opções que existem no ataque, Zé Roberto geralmente é escalado como segundo atacante. O número de vezes que esteve em campo não chega nem à metade das partidas vascaínas na temporada, mas ele faz bem mais do que muitos jogadores da equipe de São Januário.

Nesta espera digna de um parto, as dores são sentidas pelos técnicos e pelas torcidas de Corínthians, Fluminense e Vasco. E todas as equipes sabem que, além da incerteza da data de retorno, as equipes ainda têm o receio do "pós-parto": será que eles voltarão em boas condições físicas? A dor pode ser ainda maior nos cofres dos clubes.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Regalias centenárias



Neste primeiro de setembro de 2010, o Sport Club Corínthians Paulista completa 100 anos de sua fundação. Um centenário que coleciona títulos, grandes momentos do futebol e uma numerosa multidão de torcedores espalhados pelo país. Mas os festejos dos 100 anos trouxeram alguns presentes atípicos no Brasil.

A Confederação Brasileira de Futebol deu folga aos corintianos na rodada do Campeonato Brasileiro, transferindo o jogo de hoje (com o Vasco em São Januário), para o dia 13 de outubro. Uma atitude contraditória. O Corínthians se popularizou por seus feitos no futebol,. Logo, seria emocionante ver a equipe entrando em campo e disputando mais uma partida.

Outro argumento apontou para o fato da partida de hoje não ser realizada em São Paulo, fato que poderia comprometer a segurança do estádio de São Januário. Fatalmente, muitos corintianos iriam ao jogo e, como teriam direito a, no máximo, cerca de 2 mil ingressos, os que ficariam de fora poderiam cometer atos de violência. Dor de cabeça que poderia ter sido resolvida com facilidade, marcando previamente na tabela para primeiro de setembro um confronto no qual o Corínthians fosse mandante.

Mas as regalias não ficaram restritas à rodada do Campeonato Brasileiro. Nesta semana, a Confederação Brasileira de Futebol anunciou que o estádio que sediará as partidas da cidade de São Paulo na Copa do Mundo de 2014 será o Fielzão (de propriedade do Corínthians). Seria um alívio confirmar de uma vez por todas a presença da capital paulista no maior evento do futebol mundial - ainda mais sendo o palco da abertura da competição.

Só é estranho que tenham escolhido um estádio que ainda está no papel, e que - pasmem! - teve seu projeto aprovado mesmo sem a análise da CBF. A artimanha de Ricardo Teixeira tem algumas faces. O veto ao Morumbi parecia ser uma represália ao São Paulo, pois seu presidente votou contra o candidato de Teixeira na eleição do Clube dos 13. Mas a suspeita agora ganhou indícios bem mais fortes: a opção pela propriedade de um arquirrival são-paulino e, principalmente, o fato do presidente do Corínthians, Andrés Sanchez, ser aliado do manda-chuva da CBF, a ponto de viajar com a delegação de cartolas do Brasil na Copa de 2010.

Salve o Corínthians, sem dúvida um clube grande, altaneiro, como dizem as palavras do hino escrito por Lauro D'Ávila. As glórias de seus 100 anos merecem ser relembradas por todos os seus torcedores, e evidenciadas na história futebolísitca. No entanto, as regalias deste aniversário são caras demais, numa disparidade bem grande em relação aos presentes entregues aos demais clubes. E o pior é que quem paga por isto é o futebol brasileiro.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Papéis trocados



Análise de quarta - Corínthians 2 x 1 Flamengo (Pacaembu, 21h50, Taça Libertadores da América)

Considerado o "tira-teima" entre os vencedores nacionais de 2009, Corínthians (campeão da Copa do Brasil) e Flamengo (vencedor do Campeonato Brasileiro) chegaram às oitavas-de-final da Taça Libertadores da América em papéis extremos. Os corintianos fizeram a melhor campanha na primeira fase, enquanto os flamenguistas passaram no sufoco, sendo o pior time entre os segundos colocados classificados. E, após vencer o primeiro jogo por 1 a 0 no Rio de Janeiro, o Flamengo se classificou mesmo com a derrota por 2 a 1 em São Paulo - David (contra) e Ronaldo fizeram os gols do alvinegro paulista e, no segundo tempo, Vágner Love fez o gol que classificou o rubro-negro carioca.

A troca de papéis foi constante desde o início da partida. Após uma atuação desastrosa no Maracanã, Ronaldo apareceu mais magro e com boa movimentação no Pacaembu. Seu adversário, Adriano (autor, de pênalti, do gol da vitória no Rio), se arrastava em campo, parecendo ter pouca disposição.

O panorama entre os jogos seguiu idêntico em apenas uma situação: a postura corintiana. No primeiro jogo, a equipe se lançou diretamente ao ataque, aproveitando que o Flamengo passou boa parte daquele jogo com um homem a menos. Na segunda partida, o time prosseguiu atacando, mas sob a necessidade de vencer por uma diferença de dois gols e carregando em seus ombros a responsabilidade de manter vivo o sonho do clube no ano de seu centenário: ser vencedor sul-americano.

Mas, enquanto o Corínthians era previsível, o Flamengo ficava marcado por um surpreendente jeito imprevisível de jogar. Estava perdido na marcação, afoito na busca por se livrar dos perigos corintianos e cheio de erros de passe primários. E uma infelicidade deixou o rubro-negro em desvantagem. Danilo cruzou para a área e a canela de David (com leve toque da mão de Ronaldo) enganou Bruno aos 27. Gol que levaria o desempate para as cobranças de pênaltis. A seis minutos do fim, nova desatenção da defesa gerou cruzamento de Dentinho. Ronaldo cabeceou e a bola passou por baixo dos braços de Bruno antes de entrar na rede.

Uma mudança no intervalo deu o tom do segundo tempo. Vinícius Pacheco, depois de péssima atuação nos primeiros 45 minutos, saiu para a entrada de Kleberson. Num primeiro momento, a alteração de Rogério Lourenço parecia deixar o time ainda mais defensivo. Mas apenas quatro minutos comprovaram a verdadeira intenção do treinador, que era melhorar qualidade de passe e dar mais tranquilidade na saída de bola. O camisa 15 aproveitou um buraco na defesa do Corínthians e deixou Vágner Love livre e em posição legal para diminuir a vantagem adversária. Uma derrota com ares de vitória.

Embora tivesse praticamente um segundo tempo inteiro pela frente, o Corínthians levou um baque e resolveu trocar de lugar na pressão do clássico das duas maiores torcidas do país. Antes calmo, com bons passes trocados e um time bem armado, agora ele parecia disperso. Os passes, antes precisos, ficavam cada vez mais sem direção. E a tendência a jogar pelo meio matava qualquer jogada de perigo para o gol de Bruno. Os momentos em que chegava mais perto acabavam sendo chutes de fora da área, caso da cobrança de falta de Chicão que o camisa 1 rubro-negro espalmou para escanteio.

Outrora acuado, o Flamengo cada vez mais se lançava ao ataque, e atuava defensivamente de maneira inteligente (ao aproveitar os erros corintianos). E os erros não eram poucos. Em especial os erros do ataque rubro-negro, que perdeu inúmeras chances diante do gol de Felipe, com Kleberson, Vágner Love e algumas claríssimas de Adriano.

Mas a bola na rede não fez falta. O Flamengo fez seu papel de não tomar mais gols no restante do jogo do Pacaembu, dando um final melancólico e prematuro ao maior sonho da torcida do Corínthians para 2010. Enquanto isto, o rubro-negro da Gávea vai precisar de mais papéis, porque ainda vai escrever um pouco mais de sua história na Taça Libertadores da América deste ano.




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Amanhã, O tempo e o placar... faz uma análise das semifinais da Copa do Brasil de 2010.

sábado, 13 de março de 2010

Elemento surpresa



No ano do centenário corintiano, o atacante contratado para ser o símbolo do time vê pela frente uma ameaça incomum de sua carreira. Devido às suas partidas em 2010, Ronaldo tem chance de ir para o banco de reservas.

A habilidade do jogador não entra em questão. O talento de Ronaldo é bem maior do que todas as outras opções corintianas de ataque. No entanto, o momento dele é bem aquém tanto de suas atuações do ano passado quanto de suas apresentações durante toda a carreira.

Do outro lado, vem o atacante Dentinho, que, através do bom futebol, conseguiu se sobressair a outros jogadores mais badalados para a posição - desde Souza, que chegou no ano passado, passando por Iarley, que veio para o ano do centenário. Há algumas partidas, a "cria" do Parque São Jorge vem salvando a equipe (na vitória por 1 a 0 sobre o São Caetano pelo Campeonato Paulista e no empate em 1 a 1 com o Independiente de Medellín, da Colômbia) e começa a ser vista por Mano Menezes como titular.

Mano faria o caminho de colocar uma promessa que tem sido eficiente nas partidas e sacar do time titular um jogador que é sinônimo de chance de gol (mas que a cada partida fica previsível o peso da idade e dos quilos a mais). E se Dentinho revelar-se um jogador de segundo tempo? E numa partida em que a equipe está lenta, Ronaldo vai ser uma opção de velocidade?

Ronaldo se tornou o "elemento surpresa" que o Corínthians tem como adversário no ano em que completa 100 anos. Os corintianos esperam que o camisa 9 não siga o exemplo das outras "estrelas" que vieram para montar o "supertime" (Roberto Carlos, Tcheco, Iarley...) e resolva se apagar num ano de comemoração para o clube.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Não há vaga



Uma relação promissora entre clube e atleta foi desfeita no futebol paulista. Após um bom Campeonato Brasileiro da Série B pela Portuguesa em 2009, o meia-atacante Edno chegou ao Corínthians no ano do centenário do clube, e num momento em que o Timão irá buscar o inédito título da Taça Libertadores da América.

Entretanto, Edno foi mais um jogador a se deixar levar pela imaturidade na tentativa de ganhar uma vaga dentre os titulares corintianos. Além de reclamar que nunca atuou 90 minutos em campo (no máximo 60, segundo ele), o meia-atacante atribuiu às poucas oportunidades a falta de ritmo de jogo, que fazia com que ele perdesse a noção de espaço, de chute e de drible, e não rendesse o esperado em campo.

A declaração soou ainda mais infeliz por ele fazer parte do Corínthians. No meio-de-campo, Mano Menezes tem Tcheco, Danilo, Defederico e Morais, e no ataque, há a luxuosa opção de Ronaldo, além dos nomes de Jorge Henrique, Dentinho, Iarley e Souza. Com tantos nomes de destaque num elenco, Edno precisaria trabalhar muito nos treinos para buscar seu espaço dentre os titulares. O melhor seria evitar criar atrito, pois se tratava de um jogador de relativo destaque vindo de um clube de menor expressão de São Paulo.

Com serenidade, Mano Menezes foi pelo caminho mais óbvio: retirou o jogador da lista dos 25 atletas que defenderão o Corínthians na Taça Libertadores da América. Edno (que tem contrato de quatro anos com o Timão) pode ser emprestado para algum clube - o destino mais provável é o Botafogo.

O que interessa é que em sua próxima casa Edno tenha um pouco mais de calma para conseguir suas oportunidades, e não se traia com a ideia de querer reclamar na imprensa por uma chance como titular. Caso contrário, será uma porta a menos para seu futebol bater em busca de um espaço.

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BOLA PRO MATO

Os reservas decepcionaram contra o Novo Hamburgo na semifinal da Taça Fernando de Carvalho (primeiro turno do Gauchão). Agora é a vez do Internacional mostrar contra o Emelec que valeu a pena ter poupado sua equipe titular para estrear bem na Taça Libertadores da América.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Disparidades para 2010



Mal o calendário chegou ao mês de setembro e dois clubes de tradição começam a se preparar para a próxima temporada. Entretanto, os motivos para Corínthians e Fluminense pensarem no ano de 2010 são bem diferentes.

O tricolor das Laranjeiras mudou de técnico ontem (Renato Gaúcho por Cuca) visando uma mudança geral em seu atual panorama. Afinal, o lanterna do Campeonato Brasileiro precisa de dias melhores, seja na Primeira Divisão ou na Série B, que está cada vez mais próxima - o time tem 93% de sair da elite do futebol brasileiro este ano.

O acerto com Cuca não parece o nome ideal, seja para tentar o milagre de se manter na Série A ou para batalhar no segundo grupo do futebol nacional. Suas passagens recentes por Botafogo, Flamengo e até no próprio tricolor no ano passado comprovam que ele não sabe lidar com times que estão no limite, precisando de uma reconstrução. Só que, diante do quadro apresentado nas Laranjeiras, nada pode ser melhor do que este período de 2009.

Enquanto o time carioca lida com o inferno, o Corínthians vai se organizando para o ano de seu centenário, ansiando por conquistas nas quais o céu é o limite. O alvinegro de São Paulo está credenciado para a Taça Libertadores da América e planeja um fim de ano em Dubai, para a disputa do Mundial Interclubes.

Jogadores como o meia argentino Defederico chegaram este ano com o advento da janela, mas devem ser mantidos no próximo ano. Passado o calvário do descenso em 2007 e a presença na Segunda Divisão em 2008, o time chegou a 2009 com a conquista do Campeonato Estadual e da Copa do Brasil. Uma ascensão que a equipe do Parque São Jorge tenta manter, mesmo com o atual desmanche causado pelo assédio dos clubes estrangeiros aos seus jogadores.

2010 já começou para estes dois times. Será que o pensamento a longo prazo vai prosseguir na virada de ano?

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Outro homem que veio de longe



Às vésperas da "janela do meio de ano" fechar definitivamente no Campeonato Brasileiro, mais um clube recorreu a uma solução hermana para se reforçar. Desembarcou em São Paulo o meia argentino Matis Defederico, que vem para o Brasil defender a camisa do Corínthians.

Sim, é bem verdade que há muito tempo o Brasil abre suas portas para jogadores estrangeiros - do goleiro Andrada até o atacante Doval, passando por nomes mais recentes como o zagueiro Gamarra, o meia Rincón e o atacante Carlitos Tevez. No entanto, o fenômeno vem sendo cada vez maior nestes Campeonatos Brasileiros do início do século XXI. Até mesmo clubes considerados de menor expressão recorreram a jogadores do exterior para reforçar o seu elenco - caso do paraguaio Acosta, que se destacou em 2007 jogando pelo Náutico.

O Corínthians, que alguns anos atrás teve até um treinador estrangeiro (o argentino Daniel Passarella), é o clube que abre as portas no Brasil para um jogador que promete desfilar bom futebol pela América do Sul. A contratação de Defederico é reverenciada por toda a imprensa mundial. O jogador é considerado por muitos "o novo Messi" da Argentina, e seria a solução para o meio corintiano - assim como aconteceu em seu clube anterior (o Vasco), o meia Morais não consegue ajudar o ataque do alvinegro paulista.

Em época de debandada constante de brasileiros rumo ao exterior, os clubes brasileiros recorrem aos países da América do Sul para conseguirem vencer no Campeonato Brasileiro. Defederico é o mais novo investimento brasileiro em um homem que veio de longe.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Poesia restrita ao campo



Após mais uma de muitas declarações infelizes do Rei do Futebol, Romário afirmou que "Pelé calado é um poeta". Foi uma forma irônica do camisa 11 mostrar o quanto Pelé merece respeito pelas coisas que fez em campo, mas peca pela pouca qualidade de suas declarações fora dele. Todos os jogadores almejam chegar ao sucesso que Pelé teve como atleta. Entretanto, Ronaldo nesta semana deu pitacos dignos de um Pelé... de fora de campo.

A polêmica teve início em relação à contestação da pesquisa que aponta a torcida do Flamengo como maior do país. Ronaldo, atualmente no Corínthians, deu a entender que os corintianos foram prejudicados pela pesquisa do IBOPE e que o alvinegro paulista teria maior número de seguidores na arquibancada do que o rubro-negro carioca. Seria mera traquinagem, se não fosse o fato de o jogador no início do ano ter feito as malas e se mudado para o Parque São Jorge após passar o ano de 2008 no Flamengo recuperando-se de suas sucessivas contusões.

A boca do Fenômeno deixou em maus lençóis o Corínthians e até o homem que ocupa a cadeira presidencial do Brasil, ao revelar uma suposta ajuda do presidente Lula para que o Timão construa seu próprio estádio. Esta atitude não seria, por acaso, inconstitucional da parte do presidente? Oficialmente, um líder de um país não pode usar de seu poder somente movido pela paixão clubística. Mas a face boquirrota de Ronaldo foi além.

No programa Bem, amigos, do canal a cabo Sportv, o atacante também usou motivos chulos para que o esquema de concentração fosse abolido: associou sua insatisfação a um eventual problema de flatulência de seus colegas de quarto. Em especial, o ex-lateral da Seleção Brasileira, Roberto Carlos.

Desde o início do ano, Ronaldo tem respondido às críticas sobre estar fora de sua forma física, e às acusações de que seu bom futebol agora tivesse se tornado rascunho, da única forma que sabe: com gols. Espera-se que depois desta semana de declarações infelizes, o atacante volte a deixar sua poesia restrita ao campo. Afinal, o Fenômeno revelou mais uma semelhança com Pelé: Ronaldo calado é um poeta.

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BOLA PRO MATO

Mais uma derrota em final de um torneio - a Recopa Sul-Americana, com um surpreendente 1 a 0 no Beira-Rio e um sonoro 3 a 0 em Quito, diante do equatoriano LDU. Será que o bom time do Internacional está ruindo ou apenas se revelou uma equipe sem chegada?

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Campeão em segundo plano



Mais uma vez, a imposição da Rede Globo na tabela dos torneios causou uma situação esquisita na quarta-feira de futebol. No mesmo dia em que o Cruzeiro vai até a Argentina para disputar o primeiro jogo na final da Taça Libertadores da América, contra o Estudiantes, foi marcada hoje uma partida entre Corínthians e Fluminense, pela nona rodada do Campeonato Brasileiro.

A emissora usou este recurso por um motivo não muito louvável: partidas envolvendo equipes de outros estados não têm audiência satisfatória nas capitais de São Paulo e Rio de Janeiro. Por isto, a TV Globo passou por cima do valor das partidas, e dois grandes estados ficarão privados de assistir à final da Taça Libertadores.

Uma semana depois de seu título na Copa do Brasil, o Corínthians vai para o segundo plano numa noite de futebol, servindo como tampão de audiência para a TV Globo. Enquanto isto, os amantes de futebol de alguns estados terão de recorrer à TV a cabo para assistir a uma partida internacional.

A busca pela audiência banaliza de novo o futebol brasileiro, colocando um jogo de estepe na quarta que ficaria melhor no fim de semana. Corínthians e Fluminense não mereciam este papel, ainda mais a equipe corintiana, logo uma semana depois de uma conquista nacional.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Sonho da volta pra casa



O calendário vai passando e o Campeonato Brasileiro está prestes a chegar à época da "janela" do torneio. Trata-se do período no qual o mercado exterior pode contratar jogadores que atuam no Brasil - geralmente os que despontam nos primeiros meses de Brasileirão. Entretanto, este "fenômeno" causado pelo reinício das temporadas europeias traz uma consequência interessante para o mercado: o repatriamento de atletas brasileiros.

Seduzidos pelos euros da União Europeia ou pelos dólares e petrodólares do futebol árabe, muitos jogadores anseiam pelo meio do ano para conseguirem passaporte rumo ao exterior (ainda mais com uma Seleção Brasileira que tem um treinador mais atento aos "estrangeiros"). Mas nem todos são bem-sucedidos em outros gramados, seja por falta de adaptação ao novo país ou pela ausência de oportunidades em equipes que trazem muitas estrelas. A solução para recuperar a autoestima acaba mesmo sendo voltar para a pátria.

O olhar para o exterior, aos poucos, também se tornou rentável para os clubes brasileiros. Quando a equipe não se encaixa em campo e não se pode contratar no Brasil por causa do regulamento da CBF, o dirigente começa a observar jogadores que estão espalhados pelo mundo, até encontrar algum em condições para voltar a vestir uma camisa brasileira. E, com o mercado em tamanha expansão, os times vêm encontrando reforços tanto em países com clubes de ponta (como a Itália, a Inglaterra e a Espanha) quanto em locais com pouquíssima tradição no futebol, casos de Hungria, Ucrânia e até Uzbequistão.

Também se tornou corriqueira a iniciativa de ter como reforço a volta de quem deu glórias à equipe e saiu para se consagrar em outros países. Foi o caso do novo reforço do Corínthians. Depois de passar pelo Arsenal, da Inglaterra, e pelo Valencia, da Espanha, o volante Edu acertou seu retonro ao alvinegro paulista, como forma de esquecer os problemas da última temporada no futebol espanhol (quando passou por sucessivas contusões). Parado há algum tempo também por causa do período de férias da Europa, o jogador de 31 anos declarou que terá de passar por uma curta pré-temporada, para voltar a ter ritmo de jogo.

Campeão brasileiro em 1998 e 1999 e vencedor do Mundial de Clubes de 2000 no Corínthians, Edu espera retornar a bons momentos em campo. E, graças à "janela" do Campeonato Brasileiro, o volante se torna mais um jogador que realiza o "sonho da volta pra casa".

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Redenção em branco e preto



Nem Nilmar, nem Ronaldo. O nome da finalíssima entre Internacional e Corínthians, no Beira-Rio, veio pela esquerda do alvinegro paulista. Três dias depois de sua última fraca atuação com a camisa da Seleção Brasileira na Copa das Confederações, o lateral André Santos se consagrou diante da torcida corintiana, ao fazer parte dos dois gols do Timão na noite. No primeiro, ao cruzar na cabeça de Jorge Henrique para o atacante abrir o placar. No segundo, aproveitando passe de Ronaldo para entrar na área e chutar nas redes do goleiro Lauro. Nem mesmo os dois gols de Alecsandro na segunda etapa seriam suficientes para tirar da equipe de São Paulo o seu terceiro título da Copa do Brasil (os outros foram em 1995 e em 2002).

Contratado ao Figueirense em 2008 (após passagens por clubes como Flamengo e Atlético Mineiro), André Santos já havia se destacado na Copa do Brasil daquele ano - quando o Corínthians foi derrotado pelo Sport na final - e ajudou a equipe a vencer a Série B do Campeonato Brasileiro. E ele foi um dos que mais ganhou com o grande trabalho proporcionado por Mano Menezes desde o ano passado. Na conquista do Campeonato Paulista de 2009, André ganhou o prêmio de lateral-esquerdo da competição e chamou a atenção de Dunga, que o escolheu para ser reserva de Kléber - curiosamente, seu adversário ontem, com a camisa do Internacional.

Sua boa atuação no Beira-Rio foi crucial para a história da Copa do Brasil deste ano. O cruzamento para Jorge Henrique veio no momento em que o Inter parecia mais próximo do gol. E, com a desvantagem no placar, os gaúchos precisariam fazer no mínimo quatro gols para tirar o título do Corínthians. Quando a torcida e a equipe coloradas estavam recuperando suas forças para voltar à busca, o pé esquerdo de André Santos acertou novamente. Desta vez, o gol. Chutaço que começou a fazer os corintianos arriscarem um "é campeão" ainda no primeiro tempo.

Na segunda etapa, Tite ousou em seu esquema, trocando o volante Glaydson pelo atacante Alecsandro. O reserva manteve a dignidade do Internacional e mostrou a característica que a equipe vem demonstrando neste ano: a de ter ótimas peças de reposição. Ele fez os dois gols que empataram a partida. Insuficientes para o título, mas que pelo menos mantiveram a imagem de time competitivo que o colorado tem.

Um 2 a 2 bem disputado, com chances perdidas dos dois lados e catimbas dignas de uma decisão entre paulistas e gaúchos. E em meio a tantos ingredientes, foi preciso que o reforço chegasse da África do Sul a tempo de voltar a vestir a camisa corintiana no jogo final do torneio. E, pelo visto, se a amarelinha da Seleção Brasileira ainda não foi o uniforme adequado na Copa das Confederações, a redenção veio em branco e preto para André Santos no último jogo da Copa do Brasil.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O dia em que Taison parou



No primeiro confronto decisivo da Copa do Brasil, Corinthians e Internacional deram ao público um espetáculo aberto, cheio de oportunidades de ambos os lados. Um jogo imprevisivelmente delicioso. Jorge Henrique no primeiro tempo e Ronaldo no início da segunda etapa deixaram o alvinegro paulista com vantagem para o derradeiro embate no Beira-Rio. Só que, por mais que ambos os gols tenham sido bonitos, o destaque da noite vestiu a camisa 1 corintiana.

A vitória por 2 a 0 começou a ser escrita nas mãos de Felipe, que se multiplicou no gol corintiano, sem se intimidar com o fato de o adversário ter em sua linha de frente Taison, responsável por 23 gols com a camisa do Internacional em 2009. Mesmo com uma entorse no tornozelo (sentida algumas rodadas antes, e que causou incômodo durante esta partida), o goleiro prosseguiu em campo, atento ao jogo e disposto a manter a invencibilidade corintiana em São Paulo - nesta edição da Copa do Brasil, o time não sofreu nenhum gol em terras paulistanas.

No duelo das equipes, o colorado sofria com a falta de seus titulares - o zagueiro Bolívar (suspenso) e o meia DAlessandro (contundido), o lateral-esquerda Kléber e o atacante Nilmar (ambos na Seleção Brasileiro). Enquanto isto, o substituto de um desfalque corintiano (André Santos, que está na Seleção Brasileira disputando a lateral-esquerda com Kléber) fez a diferença para a equipe paulista. Marcelo Oliveira chegou na esquerda e cruzou para Jorge Henrique fazer 1 a 0.

Mesmo em desvantagem no placar, o Internacional não se intimidou. Tentou uma, duas, inúmeras vezes. Em todas, estava a mão de Felipe para abafar o grito de "gol" gaúcho. Em cobranças de falta, chutes de fora da área, rebatidas, o camisa 1 do Corinthians se desdobrava, mas o gol do Inter não saía.

A disputa prometia ser intensa na volta para o segundo tempo, e parecia ser mais justo a volta ao empate no Pacaembu. Mas o gol saiu do lado corintiano. Aos oito minutos, Elias lançou Ronaldo próximo da área. O atacante passou pelo zagueiro Índio e chutou, fora do alcance do goleiro Lauro.

Mais do que nunca, o Internacional precisava do gol, pois diminuir o placar significava não só tentar o empate em campo como também reduzir a necessidade do número de gols a serem marcados no Beira-Rio. Os gaúchos tinham constantes oportunidades de marcar. Mas a ausência de seus titulares era cada vez mais sentida, principalmente a do meia DAlessandro na criação das jogadas e a de Nilmar na linha de frente com Taison.

Até que chegou ao "clímax" o grande embate da noite. Aos 28 minutos da segunda etapa, Taison chegou livre na cara do gol corintiano, diante de Felipe. O goleiro defendeu o chute do atacante colorado e evitou que a bola entrasse no fundo de suas redes. Estava sacramentada a história. 16 de junho de 2009 foi o dia em que Taison parou nas mãos de Felipe, e a vantagem de dois gols do Corinthians para a segunda partida da Copa do Brasil foi confirmada. Mas, para o próximo capítulo, o rumo da história pode ser reescrito em 90 minutos. Afinal, o espetáculo não pode parar.

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BOLA PRO MATO

0 a 0 com sabores diferentes para o Brasil na Taça Libertadores da América. A carência de gols perdidos (principalmente com Obina) foi crucial para as pretensões palmeirenses no torneio sul-americano - os uruguaios do Nacional agora estarão nas semifinais. Nem mesmo o caminhão de gols perdidos por Máxi López tirou a classificação do Grêmio. O tricolor gaúcho garantiu a presença de um brasileiro na final da competição - os gremistas enfrentam o vencedor do confronto entre São Paulo e Cruzeiro, que será realizado hoje.