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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O estado do esquecimento



A realização de Campeonatos Estaduais permanece como um ritual exclusivo do calendário do futebol brasileiro, mesmo com eles se revelando a cada ano competições deficitárias de público, de renda e de emoção para os torcedores. Só que a intenção de alavancar os clubes e jogadores de cada estado vai se perdendo a cada ano, pois alguns regionalismos são esquecidos pela televisão. Na busca pela audiência do jornalismo esportivo, vale até descartar as equipes locais, para colocar no ar os confrontos de regiões de maior destaque nacional.

É o caso da TV Globo, que em vez de utilizar suas afiliadas para a transmissão de todos os Campeonatos Estaduais, anunciou que exibirá apenas competições de dez estados - Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Pernambuco, Ceará e Bahia. A pesquisa de torcidas por região foi usada como critério para os torneios considerados mais importantes. O Paulistão será retransmitido para o Centro-Oeste ,e o Campeonato Carioca passará também no Espírito Santo, no Distrito Federal, em boa parte do Nordeste e na região Norte.

Enquanto isto, os demais campeonatos ficam ainda mais abandonados do que os estaduais de mais destaque - afinal, os escolhidos da televisão ao menos recebem cotas para a transmissão das partidas. Por que não usar a TV para tentar ajudar os demais campeonatos?

É bem verdade que há regiões com torcida soberana para cariocas e paulistas. No entanto, esta soberania não poderia ter sido conquistada pela imposição de uma emissora - em especial quando ela se dá ao luxo, por exemplo, de, no ano de 2010, excluir de sua grade um Estadual com uma rivalidade de destaque, como o Campeonato Baiano. Talvez fosse interessante deixar a programação mais maleável, para que houvesse horários disponíveis para exibir tanto as competições que são chamarizes de audiência quanto para dar ênfase às competições locais.

No comodismo da luta pela audiência, a TV Globo reduz o futebol brasileiro a dez estados, enquanto as outras 17 competições confronto com um descaso que não fica restrito aos gramados. A televisão perde profissionais que poderiam ser valorizados no jornalismo esportivo, somente porque as competições foram riscadas do mapa. E os Campeonatos Estaduais caem mesmo no estado do esquecimento.

sábado, 16 de outubro de 2010

Pluralidade futebolística



Numa época em que a TV aberta prioriza a exibição de campeonatos internacionais para fortalecer seu departamento de esportes, a modesta TV Brasil recorre a uma alternativa interessante para valorizar o futebol na sua programação. Em 2010, o canal voltou seus olhos para as últimas fases da Série C do Campeonato Brasileiro.

Provavelmente o único grande momento da Terceira Divisão foi quando o tradicional Fluminense disputou a competição. As outras edições ficaram restritas a abrigar equipes que tiveram relativo destaque nos campeonatos estaduais do país afora. A probabilidade de repercussão não era promissora aos olhos de quem luta desenfreadamente pela audiência.



Seu suposto descompromisso em conseguir altos índices no IBOPE acabou sendo providencial para a TV Brasil. A transmissão da Série C abrange um público segmentado da audiência, e também valoriza o regionalismo das equipes consideradas de menor expressão. Que torcedor do Salgueiro, do Águia de Marabá, do Ituiutaba ou do Chapecoense poderia imaginar que a participação de seu time de coração na Terceira Divisão seria exibida em rede nacional?

Outro grande trunfo da TV Brasil é que o Brasileirão da Série C, ao contrário das duas divisões de cima, é decidida em confrontos no "mata-mata" - fato que certamente torna cada partida bem mais disputada, garantindo muita emoção a cada 90 minutos. A transmissão também consegue fatias de audiência consideráveis nas regiões Norte e Nordeste, locais onde há muitos torcedores de clubes locais.

A maior lição que a TV Brasil dá ao transmitir a Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro é de que as emissoras devem prestar mais atenção no futebol nacional. Um país com tantas campanhas para valorizar a pluralidade do povo brasileiro também precisa estender este desejo aos gramados do Brasil.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Os afluentes do Campeonato Carioca



Considerado o estadual mais charmoso do país, o Campeonato Carioca vem recebendo algumas aberrações que, de alguma forma, acontecem graças a acordos com a Rede Globo. O primeiro deles veio na criação de um tempo técnico aos 20 minutos de cada etapa.

Sim, é válido que haja um tempo de descanso para os jogadores se recuperarem da estafa de atuar sob um sol de 40 graus (mesmo "sol das quatro horas" dos jogos das 17h no horário de verão). Entretanto, tentar disfarçar isto com recursos típicos de esportes como o vôlei ou o basquete são patéticos, e considerados ilegais aos olhos da FIFA - se algum time se sentir prejudicado por piorar na partida depois da "parada técnica", pode recorrer e anular o resultado do jogo.

Mas o dado curioso vem na ressalva a esta tentativa de inovação: o "tempo técnico" não pode acontecer em jogos transmitidos pela TV aberta. Como os horários das partidas são com o sol a pino, os times ironicamente são prejudicados pelas mesmas televisões que tanto auxiliam os clubes com suas cotas financeiras. Seria uma taxa de dez por cento das emissoras por cederem sua programação aos eventos futebolísticos?

Outra questão que salta aos olhos dos torcedores cariocas é a maneira como o regulamento é definido. Após a transmissão do empate em 2 a 2 entre Vasco e Madureira, o locutor Luís Roberto comunicou aos espectadores que, independentemente dos confrontos das semifinais, já está pré-definido que o Flamengo entrará em campo na Quarta-Feira de Cinzas. Resta aos outros dois semifinalistas o horário da tarde do Sábado de Carnaval.

Quais são as intenções em dar ares de privilégio para uma determinada equipe, em detrimento das outras que suaram a camisa para chegar à fase semifinal do Campeonato Carioca? Para uma emissora que se insinua imparcial, este tipo de atitude acaba sendo prejudicial à imagem dela e também à imagem do clube que é teoricamente ajudado.

Reclama-se muito do amadorismo do Campeonato Carioca (com razão, obviamente). Mas parece que a TV Globo quer manter a maneira amadora com a qual o futebol no Rio de Janeiro é conduzido - com direito a todas as picuinhas de fora de campo - para que o estado seja sempre desprezado em relação a outros centros de futebol. Os novos afluentes do Campeonato Carioca prometem desembocar numa sujeira bem pior do que a da Baía de Guanabara.

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Com este post, O tempo e o placar... volta às suas atualizações diárias em texto, na companhia de registros de debates do Quatro linhas. Fiquem à vontade para comentar.

domingo, 18 de outubro de 2009

Em boa hora



Em meio a tantas lambanças à frente da Confederação Brasileira de Futebol, o presidente Ricardo Teixeira teve duas excelentes declarações nesta semana envolvendo o Campeonato Brasileiro. E, mesmo sabendo que iria bater de frente com a Rede Globo, a maior investidora da competição nacional, ele pegou justamente os pontos mais delicados da relação da emissora com o Brasileirão.

O mais delicado para o torcedor é o horário. Com a programação da TV Globo cada vez mais tarde, os jogos que terão exibição da televisão invariavelmente acabam depois da meia-noite, deixando difícil o retorno da torcida após o final da partida, em especial por ser numa quarta-feira. A ideia de que os jogos sejam transmitidos às 19h é valiosíssima, e seria a mais justa possível para os espectadores de televisão e de estádio.

Entretanto, com a nata da programação da TV Globo justamente entre as 19h e as 22h (duas novelas e um noticiário), o remanejamento seria ainda mais delicado, e a CBF teria uma derrota na queda de braço com a emissora. Um exemplo disto foi o que ocorreu em 30 de dezembro de 2000, na final entre Vasco e São Caetano, pela Copa João Havelange.

Como Vasco e Palmeiras estavam disputando o Brasileiro e a Copa Mercosul, os horários foram remanejados para que o ano do futebol nacional acabasse dia 23. Mas, coincidiu de numa das datas do futebol ir ao ar (segundo a programação de fim de ano) o Roberto Carlos Especial. Com isto, a tabela teve de ser adiada em uma semana.

Vasco e São Caetano decidiram a partida no dia 30 de dezembro, a partir das 16h, em São Januário. Aos 23 minutos do primeiro tempo, um alambrado cedeu e causou ferimentos em centenas de torcedores presentes no estádio superlotado. Em meio aos atendimentos e aos problemas que aconteciam, o narrador Galvão Bueno dizia, com apoio dos comentaristas Falcão e José Roberto Wright, que tudo tinha de se resolver o mais breve possível, porque "iria causar mais tumulto" se o jogo não fosse realizado.

Galvão defendia veementemente a volta da partida, mas mudou o discurso depois de algumas horas. O motivo: se aproximava das 18h, e a TV Globo tinha prevista em sua programação um capítulo da "novela das seis". A manipulação (que no Jornal Nacional suprimiu um apoio ao então presidente Eurico Miranda quando ele disse que queria atender as vítimas) evidenciou o descaso da emissora com a torcida brasileira, camuflado pelo "apoio ao futebol".

O apoio só ocorre porque a TV Globo quer a grande fatia de audiência. E neste Campeonato Brasileiro de 2009, a conduta "global" ficou ainda mais explícita, quando, em algumas rodadas, jogos foram pinçados para a quarta-feira da semana seguinte ao futebol, só para serem transmitidos em estados que não tinham times envolvidos em competições diferentes. Em plena decisão de Taça Libertadores da América envolvendo Cruzeiro e Estudiantes, da Argentina, o Rio de Janeiro assistiu a Corínthians e Fluminense.

O outro aspecto é camuflado pela "emoção". A TV Globo quer a volta do sistema de "mata-mata" em vez da disputa por pontos corridos que acontece desde 2003. O argumento principal é que alguns estados (em especial o Rio de Janeiro) não estão mais disputando títulos. O investimento pelo retorno ao sistema anterior é tão grande que a emissora do Jardim Botânico aceita pagar uma boa quantia financeira aos clubes que forem eliminados na primeira fase.

A ansiedade pela audiência em vários estados acaba fazendo com que a TV Globo não enxergue a óbvia vantagem que veio no novo formato do Campeonato Brasileiro. Em vez de ficar somente na briga pela ponta, o confronto fica emocionante para todos os 20 clubes. Alguns brigam pelo título, outros brigam pela vaga entre os quatro primeiros, alguns tentam vaga na Copa Sul-Americana e outros tentam escapar do descenso. Muito mais justo do que um oitavo lugar se sagrar campeão, numa democracia falsa.

Ricardo Teixeira pode ter vários deslizes à frente da CBF. Mas suas declarações vieram em boa hora, pelo bem do Campeonato Brasileiro e, principalmente, pelo bem da torcida brasileira.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Campeão em segundo plano



Mais uma vez, a imposição da Rede Globo na tabela dos torneios causou uma situação esquisita na quarta-feira de futebol. No mesmo dia em que o Cruzeiro vai até a Argentina para disputar o primeiro jogo na final da Taça Libertadores da América, contra o Estudiantes, foi marcada hoje uma partida entre Corínthians e Fluminense, pela nona rodada do Campeonato Brasileiro.

A emissora usou este recurso por um motivo não muito louvável: partidas envolvendo equipes de outros estados não têm audiência satisfatória nas capitais de São Paulo e Rio de Janeiro. Por isto, a TV Globo passou por cima do valor das partidas, e dois grandes estados ficarão privados de assistir à final da Taça Libertadores.

Uma semana depois de seu título na Copa do Brasil, o Corínthians vai para o segundo plano numa noite de futebol, servindo como tampão de audiência para a TV Globo. Enquanto isto, os amantes de futebol de alguns estados terão de recorrer à TV a cabo para assistir a uma partida internacional.

A busca pela audiência banaliza de novo o futebol brasileiro, colocando um jogo de estepe na quarta que ficaria melhor no fim de semana. Corínthians e Fluminense não mereciam este papel, ainda mais a equipe corintiana, logo uma semana depois de uma conquista nacional.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A derrota do jornalismo esportivo



Um verdadeiro gol contra o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para que se exerça a profissão. O empenho de inúmeros estudantes é jogado no lixo mais uma vez, para que se sobressaia um pensamento contraditório das empresas: a de que passa mais credibilidade um especialista no assunto (um economista, por exemplo) do que um jornalista formado. A área que promete ser a mais sentida é a do jornalismo esportivo.

Com o aval definitivo do Supremo Tribunal Federal, agora os jornais e as emissoras de rádio e de televisão podem escancarar suas portas para a contratação de comentaristas ligados ao esporte. Afinal, o que chama audiência? Um jogo de vôlei com análises de um jornalista ou de Tande? Uma partida de basquete com comentários de um estudioso ou do Oscar? Um jogo de futebol tendo como comentarista uma pessoa formada ou o Romário?

Sim, é bem verdade que alguns dos comentaristas presentes no jornalismo esportivo brasileiro têm seus devidos valores - mas, provavelmente, por méritos próprios, por decidirem estudar e se aprofundar na área. Entretanto, é lamentável ver comentaristas como o ex-jogador Neto e o ex-árbitro Oscar Roberto de Godói tomando espaço de jornalistas na TV Bandeirantes. É visível o despreparo de nomes como Júnior, na TV Globo, e do ex-treinador Valdir Espinosa, no canal a cabo Sportv.

Na televisão, escolha de pessoas ligadas a esporte para participar de eventos esportivos acaba não sendo favorável nem para a própria emissora. Cada vez mais, os ex-atletas aceitam participar das transmissões com o intuito de mostrar que ainda estão ligados aos esportes nos quais fizeram carreira. Foi graças ao jornalismo esportivo que o ex-zagueiro Mauro Galvão conseguiu um espaço na gerência do Grêmio, e que o ex-atacante Müller se tornou um dos diretores do Santo André. O emprego de jornalista deve ir além de mera catapulta para outros ramos.

A decisão do STF sacramentou o empobrecimento da cobertura esportiva, tão combalida pela política de ter na equipe "especialistas de outras áreas, com talento reconhecido" (palavras do vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho). Agora, os jornalistas que quiserem se aventurar pela área de esporte terão mais um grande adversário.

terça-feira, 31 de março de 2009

Futebol fora de hora



Já faz algum tempo que o Brasil se acostumou a ter na TV aberta dois horários fixos de futebol por semana. A semana começa com a transmissão de partidas no horário das 16h e tem uma nova etapa de emoções futebolísticas na quarta-feira - inicialmente, passadas às 21h30, mas, com as constantes mudanças na programação da TV Globo, os jogos costumam, atualmente, acontecer perto das 22h.

A força da emissora é tanta que ela padronizou até mesmo os horários do futebol da Seleção Brasileira nas Eliminatórias da Copa do Mundo. Geralmente, o horário dominical fica mais maleável, pois não se trata da busca por uma fidelidade diária de audiência (foi o caso da partida entre Equador e Brasil anteontem, exibida a partir das 18h). É mais comum que o escrete nacional jogue em território brasileiro no meio de semana, para que a emissora não corra risco de ter sua programação adulterada pelo esporte no qual ela tanto investe. Será o caso do confronto entre Brasil e Peru, marcado para amanhã em Porto Alegre às 21h50.

Entretanto, uma recente determinação com relação a jogos da Seleção Brasileira vem sendo bem negativa para os campeonatos de futebol do país: toda vez que o Brasil joga, não pode ser realizada nenhuma partida entre clubes. Com isto, as rodadas dos torneios ficam espremidas entre os jogos brasileiros, criando horários absurdos para a realização de partidas.

Foi o caso do sábado recente do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro. Um importante confronto entre Fluminense e Botafogo (tanto por sua tradição quanto pela importância para ambos os times na Taça Rio) foi jogado para o horário das 20h30 de um sábado - concorrendo com a possibilidade de violência nos arredores escuros do Maracanã e com os atrativos noturnos do fim de semana. Resultado: somente 24 mil pessoas se dispuseram a acompanhar a vitória do tricolor por 2 a 1, de virada.

Mas a situação não fica restrita ao fim de semana. Como se não bastasse a estupidez de alguns jogos de quarta terminarem à meia-noite, em semanas de partidas da Seleção Brasileira equipes se enfrentam na mesma hora, só que em uma terça ou uma quinta-feira. Será o caso de hoje, quando Macaé e Vasco se enfrentarão no Maracanã pelo Campeonato Carioca, e Corínthians e Ituano disputarão no Pacaembu uma partida válida pelo Campeonato Paulista - ambas previstas para começar às 21h50.

Conforme apontou Gérson em sua coluna de hoje do Jogo extra (no jornal Extra), estes constantes dias e horas banalizam o futebol e, em especial, os jogos da Seleção Brasileira - que deveriam ser a grande atração da semana, e não "mais um jogo de futebol para o povo assistir". E, pasmem, tudo isto começou com o advento da TV a cabo.

Com a aparente intenção de trazer a "democracia futebolística" e transmitir os jogos de várias equipes nos seus diversos canais de pay-per-view, a TV a cabo, aos poucos, foi criando horários diferentes de início das partidas, para que não perdesse nenhuma torcida "de sofá". E acabou deixando o futebol distribuído entre a programação que convém à cúpula das emissoras.

Resta ao torcedor ter de adequar seu horário à programação confusa de emissoras de TVs abertas e a cabo. Mesmo que o futebol esteja fora de hora.

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BOLA PRO MATO


O Flamengo enfrenta hoje o Americano, em Campos, e, se vencer, tem grandes chances de assegurar sua vaga na semifinal da Taça Rio com uma rodada de antecedência. A equipe conta com a estrela de Josiel, que não só andou brilhando nas duas últimas rodadas, como também se tornou um dos artilheiros do Campeonato Estadual (com 11 gols, ao lado de Bruno Meneghel, do Resende). A torcida rubro-negra já o chama de "Jesus", por conta da barba e de seus cabelos grandes. Depois de penar com um ataque inoperante em algumas partidas (a ponto de contratar Emerson para a posição), será que o rubro-negro achou um Messias para levar a equipe ao caminho do gol?