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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Fôlego para os "nanicos"



A rivalidade regional continua a motivar a realização dos campeonatos estaduais, mas, um vício ainda persegue estas competições. Reforços que não foram regularizados, contratações sacramentadas e aguardadas para as próximas rodadas, e a expectativa de priorizar torneios mais rentáveis ou de maior importância fazem com que muitos clubes não entrem com força máxima nos primeiros jogos. É nesta hora que os pequenos valorizam literalmente suas forças - com o melhor condicionamento físico para as disputas nos estados.

Enquanto os times grandes estão em rotina intensa de jogos até dezembro, os "nanicos" (à exceção dos que hoje disputam a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro) vão ficando no meio do caminho das competições nacionais das Séries C e D - e alguns nem conseguem vaga nos Campeonatos Brasileiros. Com isto, seus treinadores têm mais tempo e muito mais calma para entrosar as equipes (pois o vai e vem do mercado da bola não chega com tanto impacto a estes clubes), e seus jogadores chegam aos estaduais no ápice da forma, porque a preparação não aconteceu afobadamente e, em vez de um número desgastante de partidas, seu calendário se resume a fazer um ou outro jogo-treino.

Mal o ano começou e alguns "nanicos" já conseguiram fazer com que o fôlego se sobressaísse à sua ausência de técnica nos estaduais. No Campeonato Baiano, a favoritíssima dupla Ba-Vi começou com derrota na competição - o Bahia perdeu por 2 a 1 para o Serrano, enquanto o Vitória foi derrotado por 1 a 0 para o Colo Colo. No Campeonato Paranaense, o Arapongas venceu o Atlético na Arena da Baixada por 1 a 0, e o Corínthians (filial do clube paulista) ganhou por 3 a 1 do Paraná no Durival de Brito.

Só que as maiores surpresas vieram na rodada inicial do Campeonato Gaúcho. A dupla Gre-Nal, que este ano está credenciada a disputar a Taça Libertadores da América, não conseguiu vencer equipes que em 2011 retornaram à Primeira Divisão do Campeonato Gaúcho. O Grêmio não passou de um empate em 2 a 2 com o Lajeadense, que há 12 anos estava na Série B do Gauchão, e o Internacional perdeu por 1 a 0 para o Cruzeiro de Porto Alegre, clube que voltou à elite do Rio Grande do Sul depois de 32 anos. O impacto dos Pampas ganha maiores proporções por uma curiosidade: mesmo com gremistas e colorados poupando jogadores ou falando que não dão prioridade ao Estadual, qualquer resultado negativo contra um adversário de menor expressão tem uma repercussão imensa entre torcedores e crítica esportiva.

Exemplos como o das primeiras rodadas mostram que os estaduais podem ser surpreendentes, e quebram o estigma de que estas competições são previsíveis e só serão interessantes nas fases finais. "Nanicos" de todos os estados estão dispostos a deixarem de ser meros sacos de pancadas neste roteiro de início de temporada.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Futebol à altura



A estreia do Botafogo na Copa do Brasil pode não ter sido à altura da tradição do alvinegro do Rio de Janeiro. Mas altura mesmo faltou em outro quesito no Estádio Colosso do Tapajós. O campo do São Raimundo apresentou uma característica que já salta aos olhos dos paraenses há algum tempo, e pode ficar ainda mais alarmante caso o time de Santarém elimine os cariocas da competição.

As medidas das traves do "Barbalhão" estão abaixo do que estipulam as regras do futebol - um fator que pode justificar a boa atuação do goleiro Labilá, que se tornou um gigante mesmo medindo apenas 1,74m - e muitos torcedores do Pará atribuem o recente título do São Raimundo (o primeiro campeão da Série D do Campeonato Brasileiro, em 2009) a esta redução. Do lado da torcida do Pantera Negra, as unhas são afiadas para a ideia de que "as traves mais baixas atrapalham ou facilitam dos dois lados".

A foto do goleiro Diego (retirada do blogue Quarto Poder) foi tirada em março de 2009. Pelo visto, a mudança ainda não ocorreu - afinal, as torcidas de outros times como Paysandu e Remo ainda reclamam desta desvantagem ocorrida no Colosso do Tapajós.

É bem provável que o Botafogo consiga tirar a vantagem de 1 a 0 que o São Raimundo conquistou no primeiro jogo. No entanto, vai ser preciso um time de destaque jogar lá (e perder) para que o país atente em relação a esta irregularidade? Por mais que seja um estado longe de ter muito destaque, a Federação Paraense de Futebol poderia exigir que os times proporcionem um futebol à altura do que o espectador quer ver.

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O tempo e o placar... acredita que este post extra serve para contar um assunto relevante, mas pouco divulgado na mídia. Que venham mais investigações dos coleguinhas dos veículos de comunicação!

sexta-feira, 27 de março de 2009

90 minutos de fama



A tão criticada fórmula do calendário brasileiro, que insiste na realização de campeonatos estaduais no início do ano, às vezes traz algumas boas surpresas nos torneios entre equipes do mesmo estado. São os "azarões", beneficiados pelo fato de os grandes regionais ainda não estarem com suas equipes bem montadas, que às vezes surgem com seus 90 minutos de fama.

A situação vem acontecendo de maneira corriqueira nos campeonatos do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. Entretanto, em ambos os estados isto acontece por conta do atual nivelamento por baixo dos clubes neste período de temporada. A ascensão acontece de maneira a encher os olhos dos torcedores mesmo nas partidas do Campeonato Paulista.



Entre 2000 e 2008, os "pequenos" paulistas sempre tiveram representantes na fase semifinal do torneio, e chegaram à finalíssima em cinco das oito edições do Campeonato Paulista. O ápice do sucesso num campeonato veio em 2004, quando São Caetano e Paulista de Jundiaí disputaram o título - com vitória do "Azulão" de São Caetano do Sul. Entretanto, em todas as outras, as equipes pequenas foram derrotadas nas finais do Estadual de São Paulo.

Graças ao Estadual, a imprensa esportiva conheceu nomes como União Barbarense, Portuguesa Santista, Santo André, São Caetano, Botafogo de Ribeirão Preto, Noroeste, Paulista de Jundiaí, dentre outros. Alguns conseguiram alçar voos em competições internacionais - casos de Santo André e Paulista, ambos campeões da Copa do Brasil e automaticamente credenciados para a Libertadores (em 2004 e 2005, respectivamente), e de São Caetano, que mesmo tendo vice-campeonatos no Brasileiro, na edição de 2002 da Taça Libertadores da América disputou a final e (novamente) foi derrotado.

Que torcedor de São Paulo iria imaginar que, para conhecer um dos finalistas do Campeonato Paulista, teria de assistir a um confronto entre Guaratinguetá e Ponte Preta? Pois na edição de 2008, ambos desbancaram os "grandes" Santos e Corínthians dentre os quatro primeiros colocados do Paulistão.

Alguns fatores contribuem para os 90 minutos de fama dos "pequenos" paulistas. O primeiro deles é o de que seus jogadores não são muito visados por times do Brasil e do mundo. Com isto, eles podem manter suas bases e tornar a equipe mais entrosada - ao contrário dos times da elite do futebol brasileiro, sempre sujeitos às janelas abertas para o exterior. Como no início de ano é corriqueiro que as equipes troquem suas "caras" (até mesmo o São Paulo, clube de maior estrutura no país, está sujeito a isto), às vezes a falta de entrosamento é um adversário a mais em campo.

Por isto, é bom que os paulistas estreantes na Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro este ano - Santo André e Barueri - tomem cuidado, pois suas equipes correm o risco de ser desmanteladas para os jogadores reforçarem outros clubes de maior expressão e de maior poder aquisitivo no país. A graça da ascensão e da queda de quatro clubes por ano tem este ingrediente a mais: qual a equipe que subiu irá se manter com este adversário difícil da elite do futebol?

Além disto, há o inchaço do Campeonato Paulista. São 20 clubes que disputam a primeira divisão do torneio - designada como Série A-1. A possibilidade de algum dos 16 clubes surpreender é bem considerável. Ainda mais que, pela superioridade dos times paulistas, alguns deles são invariavelmente credenciados para disputar no primeiro semestre a Taça Libertadores da América - casos atuais de São Paulo e Palmeiras - e escalam times mistos ou reservas em seus jogos no Estadual para, obviamente, tentarem a conquista da mais importante disputa sul-americana.

Atualmente, a Portuguesa está em quarto lugar na classificação do Campeonato Paulista, tomando a vaga do Santos (em quinto) - e ambos estão ameaçados pelo Santo André, sexto colocado. Resta à Lusinha (do bom jogador Edno, na foto em jogo do ano passado) ou ao Ramalhão de Santo André (do veterano Marcelinho Carioca, na foto disputando uma bola no duelo contra o Corínthians) tentarem eliminar a equipe santista e, assim, dar a algum "pequeno" a chance dos 90 minutos de fama no Campeonato Estadual de São Paulo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Quero ser grande



O carnaval agora é cinza, mas a folia do Campeonato Estadual de 2009 certamente será lembrada em muitos outros carnavais de uma cidade do interior do estado. Beneficiado pelo imbróglio judicial que tirou seis pontos do Vasco na fase classificatória da Taça Guanabara, o Resende fez história ao vencer o Flamengo - franco favorito do Cariocão e até aquele momento o único time invicto na competição - por 3 a 1 diante de 27 mil torcedores no Maracanã.

No abre-alas da semifinal carioca, o festejado time rubro-negro capitaneado por Cuca foi deixado de lado, e todos os confetes e serpentinas se direcionaram ao modesto time de fora da capital. A súbita ascensão do Resende (que no dia primeiro de março tem chance de novamente surpreender, quando enfrentará na final da Taça Guanabara o vencedor da outra semifinal, Botafogo e Fluminense) aponta um panorama curioso que vem acontecendo no futebol carioca.

Desde 2003, quando o Estadual passou a ter o formato de nos dois turnos os finalistas serem conhecidos em confrontos diretos nas semifinais (primeiro de um grupo contra o segundo do outro), as equipes consideradas "pequenas" ganham destaque, tomando o lugar de algum dos quatro grande clubes do Rio - à exceção do ano passado, um campeonato atípico, no qual em todos os jogos os "pequenos" tiveram de jogar na casa dos "grandes". Americano, Cabofriense, Friburguense, Volta Redonda e Madureira figuraram entre os primeiros lugares dos recentes estaduais, e os dois últimos citados chegaram à final do torneio, sendo derrotadas no fim, respectivamente, por Fluminense e Botafogo.

O crescimento dos "clubes pequenos" (que também aconteceu em função da queda de qualidade dos gigantes do Rio de Janeiro) teve outras consequências no futebol carioca. Se, por um lado, os destaques nos nanicos muitas vezes ganham oportunidade de vestir uniformes mais tradicionais, do outro jogadores que não têm vez nos grandes se revelam excelentes jogadores de time pequeno.

Por não ter dinheiro suficiente para investir em jogadores mais conhecidos, o Vasco nos últimos anos foi o time que destinou seu foco de contratações nos atletas que apareciam no Campeonato Estadual. No ano passado, inclusive, o clube cedeu vários de seus jogadores ao Duque de Caxias (com a ressalva esdrúxula de que eles não poderiam atuar contra o time de São Januário). Da equipe da Baixada, subiu de produção o meia Madson, que foi novamente incorporado à equipe e lutou bastante em campo, mas não evitou a queda da equipe vascaína para a Série B do Brasileirão de 2009. Atualmente, o meia defende o Santos.

No entanto, Madson é uma exceção neste caso de jogadores que têm oportunidade de jogar em equipes de maior expressão no Rio - eles só têm bom rendimento quando defendem as cores de equipes pequenas. Um exemplo disso é o atacante Muriqui.

Em 2005, Muriqui despontou como uma promessa de gols no ataque do Vasco. Entretanto, contusões e um suposto problema de alcoolismo o afastaram do sucesso no clube. O atacante voltaria a ter destaque no Estadual do ano passado, quando seus gols chamaram atenção nas partidas do Madureira - dois deles na vitória do time sobre o próprio Vasco, por 2 a 1, em São Januário.

Após boas atuações no Estadual de Pernambuco, o atacante Valdir Papel chegou ao Vasco em abril de 2006. Sua presença não fazia grande diferença até um lance pelo qual ele será eternamente lembrado de maneira negativa pelos vascaínos. No segundo jogo da final da Copa do Brasil daquele ano, o Vasco precisava derrotar o Flamengo por três ou mais gols de diferença para ganhar o campeonato (o time da Gávea vencera o primeiro jogo por 2 a 0). Com 17 minutos de jogo, Papel deu um carrinho violento no lateral Leonardo Moura, e sua atitude infantil custou um cartão vermelho e a posterior dispensa no clube - e, para a equipe cruzmaltina, a derrota para o Flamengo por 1 a 0. Dois anos depois, o jogador teria visibilidade no Madureira.

Na contramão dos casos de Muriqui e Valdir Papel, o Estadual de 2008 mostrou o fugaz destaque do atacante Alexsandro. Atuando pelo Resende, Alexsandro marcou um dos gols do time que chegou a abrir 2 a 0 sobre o Flamengo no Maracanã - o time interiorano não resistiria à pressão e terminaria o jogo com uma derrota por 4 a 2. No intervalo, o atacante declarou que seu gol (de pênalti) era a "vingança" de um torcedor botafoguense que não gostou da provocação flamenguista na final da Taça Guanabara - os rubro-negros criaram a comemoração do "chororô", porque os jogadores alvinegros reclamaram da arbitragem naquela partida. Meses depois, Alexsandro foi contratado por seu time de coração, mas após alguns jogos, caiu no esquecimento.

Atualmente, o interior é a saída para muitos jogadores que estão prestes a pendurar as chuteiras mas ainda acham que podem render em campo. Somente neste Estadual, pode-se acompanhar as atuações do zagueiro Júnior Baiano (pelo Volta Redonda) e dos atacantes Sorato (no Tigres do Brasil) e Viola (atualmente no Resende).

A ida de um "pequeno" que vai para um "grande" não fica restrita às quatro linhas. O banco de reservas também faz parte deste rodízio carioca. Técnico responsável por levar o Volta Redonda ao vice-campeonato em 2005, Dario Lourenço foi contratado com status de grande treinador pelo Vasco. Depois de 12 rodadas no Brasileiro e vendo o time amargar a presença na zona de rebaixamento, Lourenço foi demitido do clube.

Alfredo Sampaio tentou o mesmo caminho. Após boas passagens no comando de Cabofriense e Madureira, o técnico chegou ao Vasco no ano passado para ser auxiliar de Romário (em sua primeira empreitada no banco de reservas). Com o desentendimento entre o Baixinho e o presidente Eurico Miranda, Alfredo passou a responder como treinador do clube. Mas a derrota para o Volta Redonda por 2 a 1 em São Januário, aliada a desavenças com Edmundo, causaram sua demissão.

Nesta Taça Guanabara de 2009, brilhou a estrela de mais um jogador que está num clube pequeno mas "quer ser grande". O atacante Bruno Meneghel (foto) é, até o momento, o artilheiro do Estadual, mas já entrou para a história do clube por outro motivo: ele ajudou a construir a vitória do Resende sobre o Flamengo.

Após o jogo, Meneghel acusou a antiga diretoria do Vasco de desprezar seu futebol. Segundo o atacante, Romário confiava em seu potencial e dizia que ele era bom jogador. Mas no dia seguinte à saída do ex-camisa 11, Bruno nunca mais teve oportunidade nem de ficar na reserva. Na primeira chance, deixou o clube.

Bem, apesar de ter feito muitos gols na primeira parte do campeonato, Bruno Meneghel também vem aparecendo pelo grande número de chances desperdiçadas em campo. Somente na partida do sábado de carnaval, foram dois gols perdidos.

Hoje o Rio de Janeiro conhecerá o clube credenciado a disputar com o Resende a final da Taça Guanabara. No próximo domingo, o futebol escreverá mais uma página desta saga que vem acontecendo com frequência no campeonato carioca. Mesmo tendo sido escrita através das linhas tortas do "tapetão", a trajetória atual do Resende ajuda a sobreviver a graça das histórias do futebol - que tem um vasto espaço para os "fracos" que derrubaram os mais fortes em tradição.