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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Categoria na trincheira


SANTOS, CAMPEÃO DA COPA DO BRASIL DE 2010

Análise de quarta - Vitória da Bahia 2 x 1 Santos (Barradão, 21h50)

Mesmo com o gramado do Barradão trazendo buracos e lama numa noite de chuva em Salvador, o Santos mais uma vez jogou com a técnica e o regulamento para ser campeão, desta vez Copa do Brasil. O segundo título dos "meninos da Vila" em 2010 (o primeiro foi o Campeonato Paulista) também veio com uma derrota no jogo decisivo. Mas, além de trazer novamente em campo uma equipe que tem vocação de atacar, os santistas mostraram um grupo de jogadores com maturidade suficiente para fazer sua categoria sair vencedora numa trincheira.

E não foi fácil. Com um time inferior tecnicamente, no qual se destaca a mescla de bom futebol do veterano meia Ramón e o talento promissor do meia-atacante Elkesson, o Vitória partiu para o ataque em busca de tirar a vantagem da equipe santista - que vencera por 2 a 0 no confronto da Vila Belmiro. Aproveitando que o ponto fraco do Santos era justamente a defesa, a equipe baiana recorreu a cruzamentos para a área, na espera de que uma bola sobrasse diante da dupla Júnior e Schwenck. Foi assim que vieram as primeiras oportunidades da partida, numa cobrança de falta de Ramón defendida por Rafael aos cinco, e em uma cabeçada de Júnior aos oito. Os momentos de disputa entre Schwenck e Júnior e os zagueiros Edu Dracena e Durval foram constantes.

Entretanto, uma baixa comprometeu os planos do técnico Ricardo Silva. O lateral-direita Nino se contundiu e precisou ser substituído. Sem substituto para a posição, o treinador foi obrigado a improvisar o zagueiro Gabriel no lado direito, e a equipe rubro-negra perdeu um excelente trajeto rumo ao gol santista. O lateral-esquerda do alvinegro praiano, Alex Sandro, parecia inseguro na partida e não apoiava nem defendia bem - ao ponto de, durante o jogo, o meia Wesley ter de fazer a função dele naquele lado. Com Nino, o Vitória teria um jogador a mais no ataque por sua direita.

Passada a primeira armadilha do jogo no Manoel Barradas (o nervosimo dos "meninos da Vila"), o Santos conseguiu ter calma para administrar sua vantagem graças à liderança de Robinho, que soube ajudar seus companheiros a cadenciarem a partida. Aos poucos, a rajada constante de bolas alçadas à área da equipe paulista deu lugar à troca de passes que entortava os jogadores do Vitória. Em meio ao gramado enlameado, surgiam, aos olhos dos 35 mil espectadores, jogadas bem trabalhadas que em poucos segundos deixavam os meninos diante do gol de Viáfara. Duas chances de Robinho e uma de André, na segunda metade da etapa inicial.

De tanto cruzar para a área adversária, o time baiano colocou a bola no fundo da rede aos 32. Egídio cruzou da esquerda e Schwenck, de cabeça, desviou fora do alcance de Rafael. Mas Carlos Eugênio Simon anulou o gol, por impedimento do atacante. Por ironia, os baianos acabaram o primeiro tempo feridos por uma estratégia semelhante à deles. Ao ver que as tentativas habilidosas de seus companheiros Paulo Henrique Ganso, André, Robinho (e também as suas) não vinham surtindo efeito, Neymar escolheu a opção do cruzamento. No rebote de uma cobrança de bola parada, o atacante cruzou da esquerda, na medida para Edu Dracena cabecear sem qualquer chance de Viáfara alcançar. 1 a 0 Santos, aos 44 minutos. E a esperança em vermelho e preto no Manoel Barradas diminuía ainda mais ao fim do primeiro tempo. O Vitória teria 45 minutos para vencer por três gols de diferença.

A segunda etapa trouxe um panorama inverso dos 45 minutos iniciais. Apesar de ter apenas três mil torcedores no Barradão, era o som da torcida do Santos que ecoava no estádio. Também era a equipe santista que tomava a iniciativa do ataque, com toque de bola ainda mais intenso porque a chuva da capital baiana parou, e o gramado começou a secar.

Só que a história se inverteu também do lado ofensivo rubro-negro. Elkesson fez um lançamento com categoria para Ramón na direita. O camisa 10 tocou de cabeça e o zagueiro Wallace chutou forte, para a bola acabar no fundo da rede de Rafael. 1 a 1, aos 12 minutos, e o Vitória agora estava a três gols de sua primeira conquista nacional.

A partida voltou a ficar equilibrada, principalmente depois que o apagado André foi substituído por Marquinhos. A batalha passou a traçar o embate entre o grande volume de jogo que o Vitória, empurrado por seus torcedores, impunha ao adversário, e o poder de fogo mais eficaz do Santos, que obrigou a zaga e o goleiro Viáfara a evitarem oportunidades claras de Marquinhos e de Paulo Henrique Ganso, respectivamente.

Ainda com a desvantagem de três gols de sua equipe, o técnico Ricardo Silva resolveu deixar seu meio-de-campo mais jovem. Ramón, cansado, foi substituído por Renato. E um chute dele parou na trave santista aos 25 minutos. A pressão rubro-negra ficou ainda mais forte com a queda de rendimento do ataque do Santos. Sete minutos depois da bola na trave, os baianos tiveram mais um lampejo decisivo de categoria na partida. Neto Coruja lançou Júnior na direita e o camisa 9 tocou na saída de Rafael. O Vitória ganhava a vantagem de 2 a 1, mas ainda precisava marcar duas vezes para colocar a mão na taça.

Na reta final da partida, os dois treinadores alteraram os setores ofensivos de seus times. Ricardo Silva tirou o meia Bida para colocar o atacante Anaílton, e deixou sua equipe à espera de mais gols. Dorival Júnior mexeu duas vezes no ataque.Neymar saiu para a entrada de Marcel, atacante para dar um gás novo e conseguir prender a bola no campo adversário. Robinho foi substituído pelo volante Rodriguinho nos minutos finais, na tentativa de segurar o ímpeto do Vitória. Mas, apesar das mudanças, o placar não sofreu nenhuma alteração.

Em meio a toda a valorização d campanha do Vitória - mais um dos times desacretidados que chega à final de uma Copa do Brasil - não se pode negar que o "time de guerreiro" superou o time santista nos 90 minutos do Barradão graças aos momentos em que encontrou categoria nos pés de seus jogadores. Entretanto, foi através da prioridade à categoria que o Santos dos "meninos da Vila" conseguiu sair campeão, mesmo na trincheira que se tornou o gramado do Manoel Barradas na noite de Salvador.


OS GOLS DE SANTOS 2 x 0 VITÓRIA DA BAHIA



OS GOLS DE VITÓRIA DA BAHIA 2 x 1 SANTOS

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Palco que roubou a cena



As páginas dedicadas à final da Copa do Brasil deixaram em segundo plano a expectativa de Santos e de Vitória da Bahia com a decisão da competição. Em vez dos atores, o palco do último jogo é que esteve em evidência nos últimos dias - de maneira negativa.

Desde sua fundação, em 1986, o Estádio Manoel Barradas passou a ser um caldeirão para a equipe do Vitória, tanto por sua capacidade superior a 35 mil pessoas quanto pela paixão dos torcedores do rubro-negro baiano. Entretanto, recentemente outra questão entrou em pauta na reclamação dos adversários da equipe: o estado do gramado.

Os últimos dias confirmaram as críticas ao Barradão. Devido às fortes chuvas que castigaram Salvador, os buracos do gramado do estádio ficaram ainda mais fundos, ao ponto de se tornar uma verdadeira lama. Não bastasse a precariedade do gramado baiano, também foi precária a alternativa dos organizadores do Vitória da Bahia. Eles tentaram remediar a situação colocando areia para preencher a parte esburacada do campo.

Até quando jogos decisivos das competições brasileiras ficarão sujeitos à catimba e às soluções remendadas dos clubes? Será que um finalista de Copa do Brasil precisa mesmo desta artimanha do gramado para ser campeão? Pior do que o Vitória achar que o desleixo ao gramado do Barradão pode trazer um título é a CBF ser conivente com esta atitude, colocando em risco até a condição física de jogadores de ambas as equipes.

Dentro de algumas horas, Vitória da Bahia e Santos estarão em campo Barradão. E é melhor que o vencedor do duelo seja o clube que conseguir mostrar o melhor futebol na partida decisiva.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Cavando polêmica



Quando um craque atua nas quatro linhas, um erro dele é capaz de ofuscar 90 minutos de uma partida de futebol. Foi o caso do primeiro jogo da final da Copa do Brasil, quando o Santos saiu da Vila Belmiro com uma vitória por 2 a 0 sobre o Vitória da Bahia. O destaque foi para a cobrança de pênalti na qual Neymar tentou dar uma "cavadinha" e acabou entregando de bandeja a bola para o goleiro Lee.

O recurso da "cavadinha" acontece no futebol desde 1976, quando o meia Panenka, da Tchecoslováquia, fez o gol decisivo da disputa de pênaltis na final da Eurocopa, diante da Alemanha Ocidental. Mais tarde, nomes como Djalminha, Zidane e, recentemente, Loco Abreu, tiveram sucesso em penalidades máximas usando esta estratégia de enganar os goleiros adversários.

No entanto, o insucesso de Neymar gerou uma sucessão de polêmicas, tanto por se tratar de um dos "meninos da Vila" quanto por estar na atual lista de convocados da Seleção Brasileira. De fato, quando a "cavadinha" não dá certo se torna um demérito do cobrador, que não teve força e jeito suficientes para vencer o goleiro num pênalti. Só que é extremamente contraditório que o mesmo grupo de pessoas que canta a nostalgia de um bom futebol, com jogadores capazes de criar surpresas agradáveis aos olhos de todos os torcedores, agora peça objetividade na marca de cal.

Neymar sempre teve um jeito abusado de jogar, isto que torna seu futebol ainda mais fascinante. Agora, os 18 anos ainda fazem com que algumas atitudes no gramado sejam imaturas e, até mesmo, irresponsáveis. Se o atacante queria usar a "cavadinha" em plena final de Copa do Brasil, deveria pensar que, àquela altura, o Santos vencia apenas por 1 a 0 (gol do próprio Neymar), e os santistas vinham desperdiçado muitas chances, que poderão fazer falta no saldo de gols para o segundo jogo, a ser realizado no Barradão. Talvez com uma vantagem mais confortável no jogo ou, quem sabe, se fosse numa finalíssima, a poucos minutos do fim da partida contra o Vitória da Bahia, seu erro não teria tamanha dimensão.

Da polêmica da "cavadinha", fica a lição de que Neymar ainda precisa dimensionar o bom senso de seu futebol - às vezes, a sensação é de que ele se deslumbra com seu próprio talento. As pessoas que o crucificam também não podem dar dimensão de erro a um jogador que quis manter a graça no gramado. A omissão ao caráter lúdico da bola nos pés serve apenas para dar uma cavadinha na sepultura do futebol de verdade.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A supremacia do ataque



Os dois jogos de quarta-feira definiram os finalistas da Copa do Brasil. E ambas as partidas deram a vaga através do verdadeiro critério de desempate do futebol: o gol. Nada de retranca, nada de vantagens conquistadas no primeiro jogo. Foi para a final o vitorioso de cada confronto de ontem.

Após um primeiro tempo em que a força do Grêmio se sobressaiu em 45 minutos perfeitos da sua zaga, a segunda etapa foi pontuada com três atos de categoria e uma virada na trama em relação à maturidade. O time do Santos não se abateu com a pressão da Vila Belmiro depois da falta de gols, e furou o bloqueio gremista com um belíssimo chute de Paulo Henrique Ganso aos seis minutos.

Com 25 minutos, uma jogada iniciada por André deixou Robinho livre para marcar por cobertura. Cinco minutos depois, o gol de Rafael Marques poderia dar um novo abatimento a um time considerado imaturo. Mas os santistas souberam administrar com tranquilidade a partida, e aos 40, num belo gol de Wesley, decretaram a classificação.

Perder a cabeça? Isso ficou do lado do Grêmio, quando o atacante Jonas pôs sua boa atuação a perder num desentendimento que levou junto o zagueiro adversário, Edu Dracena, e também no momento em que Rafael Marques acabou expulso ao fim da partida. Era a prova de que os meninos foram grandes na Vila Belmiro.



Na Bahia, houve a queda de um mito da Copa do Brasil de 2010. Time que não tomou gols em casa em toda sua campanha nesta edição do torneio, o Atlético Goianiense viu sua defesa se abrir por completo diante da superioridade visível do Vitória da Bahia. O rubro-negro baiano foi outro com o retorno do meia Ramón, que, além da boa movimentação, cobrou a falta que Uelinton desviou para o fundo da rede de Marcio.

Os baianos tiveram também um novo trunfo, com as pazes de Júnior com o gol. Desde que foi anunciada a acusação de falsidade ideológica, o atacante não tinha mais colocado a bola na rede. Desta vez ela veio, com um gol em cada tempo.

Ao final da partida, um princípio de transição do futebol, mas cercado de polêmicas. A FIFA definiu que a partir do dia primeiro de junho, a "paradinha" no momento da cobrança de pênalti está proibida. O lance é anulado e o batedor recebe um cartão amarelo. Mas, cerca de 20 dias antes da regra valer, o árbitro Héber Roberto Lopes a aplicou com o goleiro Viáfara.

O problema não foi a segunda cobrança de Viáfara, porque ela entrou no gol e o time venceu por 4 a 0. A situação fica delicada porque foi o terceiro cartão amarelo do goleiro, e ele não pode atuar na primeira partida da final da Copa do Brasil.

A torcida vai ter de esperar até depois da Copa do Mundo para conhecer o vencedor da Copa do Brasil - a final acontece nos dias 28 de julho e 4 de agosto. Com as idas e vindas de treinamentos fortes, de janelas de contratações e situações de dentro e fora das quatro linhas, é impossível indicar um favorito entre Santos e Vitória da Bahia. Mas, certamente, a ideia favorita dos torcedores é de que o vencedor seja aquele que fizer mais gols. Como foi nas duas semifinais.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Cautela e caldo de peixe



As duas semifinais da Copa do Brasil trouxeram partidas emocionantes em sentidos diferentes. No jogo do Serra Dourada, a cautela deu a tônica do confronto entre Atlético Goianiense e Vitória. No Olímpico, o medo de levar gols foi às favas, e o caldo de peixe desandou na vitória do Grêmio sobre o Santos.

O primeiro lado para o qual desandaram as coisas veio do lado gremista. Aos 14 minutos, Victor (considerado um goleiro injustiçado na convocação da Seleção Brasileira) saiu mal numa cobrança de escanteio, e permitiu que André abrisse o placar. Seis minutos depois, Douglas errou na saída de bola e Paulo Henrique Ganso deixou André livre para fazer seu segundo gol. Os pés de Jonas pioraram as coisas ainda mais. O atacante teve a oportunidade de diminuir o placar numa cobrança de pênalti, mas chutou muito mal e permitiu que Felipe fizesse a defesa.

A desvantagem no placar acabou, contraditoriamente, trazendo a serenidade ao time de Silas no intervalo. O Grêmio voltou com mais calma e disposição, e a experiência fez a diferença contra os meninos da Vila Belmiro. Aos 12 minutos, Douglas (que falhara muito no primeiro tempo) iniciou jogada que terminou em gol de Borges.

Seis minutos depois, os mesmos jogadores foram importantíssimos no empate gremista. O primeiro roubou a bola de Rodrigo Mancha e lançou Jonas. O atacante serviu seu companheiro, Borges, que colocou a bola no fundo da rede de Felipe.

A inexperiência santista desandou tanto que chegou ao banco de reservas. Dorival Júnior cometeu um dos piores erros como treinador: apontar explicitamente um culpado pelo fim da vantagem no Olímpico. Nove minutos depois de colocar Rodrigo Mancha em campo (no lugar de Marquinhos), o técnico tirou o volante para a entrada de Rodriguinho. Imaturidade de um e tristeza do outro, que desferiu socos à cadeira do banco de reservas.

Perdido, o Santos assistiu à sua defesa permitir mais dois gols do Grêmio - um de Jonas, aos 22, e um de Borges aos 30. Mas, num lampejo de lucidez, chegou ao terceiro gol sete minutos depois, em passe de Paulo Henrique Ganso para um belo chute de Robinho.

Os santistas precisam de uma vitória simples para chegar à final da Copa do Brasil. Mas resta saber se com uma desvantagem diante de uma equipe de tradição e bem armada por Silas, vai ter força e maturidade para conseguir se sobressair. E que a maturidade venha também de seu comandante.



Se o caldo de peixe desandou num jogo de muitos gols, a partida de Goiânia trouxe um resultado magro depois de 90 minutos. E, mais uma vez, o Atlético Goianiense fez valer a superioridade de dentro de casa, onde o time não levou nenhum gol na sua trajetória da Copa do Brasil.

Numa partida muito fraca tecnicamente, Geninho e Ricardo Silva montaram suas equipes com a clara preocupação de não levar gols. E ela fez a diferença no resultado final. Mesmo com uma formação ofensiva que trazia boas chances em contra-ataques, o Vitória sentiu seus desfalques e viu o ataque formado por Júnior e Neto Berola ficar isolado, em meio à marcação do rubro-negro goiano.

A ansiedade em não levar gol foi tanta que até mesmo no único momento em que a bola chegou ao fundo da rede, ela entrou de maneira teimosa. A conclusão de Rodrigo Tiuí tocou a trave e o travessão antes de a torcida no Serra Dourada gritar gol.

Após a primeira parte da semifinal ter sabor de cautela e de caldo de peixe, na semana que vem acontecem os duelos decisivos - Santos e Grêmio na Vila Belmiro, Vitória e Atlético Goianiense no Barradão. Na próxima quinta-feira, o Brasil vai saber quais times farão melhor sua receita, e aqueles que sentirão a azia de ficar pelo caminho.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O campo da democracia




A Copa do Brasil segue sua tradição de ser a competição mais democrática do país, e, em plena semifinal, já apresenta aos espectadores a confirmação de que teremos uma decisão entre um favorito e uma zebra. Talvez por este motivo, estejam tão diferentes os tratamentos dedicados a cada uma delas.

Santos e Grêmio tem ares de final antecipada. No duelo entre o campeão paulista e o campeão gaúcho, são duas tradições diferentes que chegam aos gramados. Do Santos, vem o tradicional celeiro de craques, capaz de juntar uma geração de nomes como a que veste agora a camisa do time santista. Do Grêmio, vem sua incansável garra e a experiência de saber jogar como "time copeiro" - são quatro títulos da Copa do Brasil.





Vitória e Atlético Goianiense fazem a semifinal dos times que desafiaram a tradição nacional. Agora, eles querem elevar seus respectivos times ao posto de destaque do país. Em uma classificação contestada (pela atuação da arbitragem da segunda partida), os baianos passaram pelo Vasco graças ao critério do "gol fora de casa" - venceram por 2 a 0 na Bahia e perderam por 3 a 1 no Rio de Janeiro. O time goiano perdeu e venceu por 1 a 0, e foi superior por ser o "menos pior" na disputa de pênaltis contra o Palmeiras em Goiás. Ambos impediram que houvesse uma semifinal do eixo Rio-São Paulo na Copa do Brasil.

São Paulo e Rio Grande do Sul de um lado, Bahia e Goiás do outro. Centros consagrados do futebol querem consolidar suas soberanias, enquanto os estados de nível razoável querem sua afirmação nacional. Duas irresistíveis semifinais da Copa do Brasil.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Um nome na história



Análise de quarta - Vitória da Bahia 2 x 0 Vasco (Manoel Barradas, 21h50)

Não foi preciso muita categoria, não foi preciso tanto poder de fogo, não foi preciso usar a pressão da torcida no Barradão. No primeiro jogo das quartas-de-final, o Vitória teve somente um pouco mais de boa vontade para jogar. E, com gols de Renato e de Neto Berola, o rubro-negro saiu de campo com a vantagem de poder até perder por um gol de diferença que avança para as semifinais da Copa do Brasil.

Os baianos começaram sonolentos na partida, mas os vascaínos não sabiam aproveitar a postura do time de Ricardo Silva, e pouco atacavam. Timidamente, o Vitória foi adiantando sua marcação, deixando os vascaínos cada vez mais pressionados. Induzidos ao erro, os jogadores do time carioca cederam espaços, e vieram boas chances como o chute de fora da área de Elkesson e a bola na trave de Uelinton.

O Vasco pouco chegava, em especial pelas faltas seguidas que os rubro-negros faziam em Carlos Alberto. O time acabava investindo geralmente nos cruzamentos do lateral Ramon - num deles, Carlos Alberto cabeceou rente à trave de Viáfara. Mas o que se via era uma equipe sonolenta, e, num lance capital, desatenta. Élder Granja e Rafael Carioca se atrapalharam com a bola e, na sobra, veio um cruzamento para a área. Fernando Prass salvou cabeçada de Uelinton, mas Renato aproveitou a falha dos zagueiros e abriu o placar, aos 39.

Na segunda etapa, os vascaínos voltaram com um pouco mais de disposição, mas esbarravam em duas deficiências fundamentais: Carlos Alberto estar jogando com dificuldade, ainda se recuperando de uma contusão, e Philippe Coutinho estar em um mau dia. Apesar dos constantes ataques do Vasco, o Vitória permaneceu recuado e com a mesma tendência de parar as jogadas com faltas.

O Vasco teve mais oportunidades, uma bola na trave com Carlos Alberto e defesas importantes de Viáfara. Parece muito. Mas, diante do campo que o Vitória cedeu no segundo tempo, é bem abaixo do esperado para qualquer equipe de qualidade razoável. As substituições vascaínas servem como exemplo para ver os erros do clube na partida.

A saída de Coutinho era inevitável. Mas o atacante Robinho demonstrou em muitos jogos que não acrescenta em nada na equipe. A entrada de Dodô poderia até mudar alguma coisa - seria um toque de categoria a mais para os vascaínos. Mas o que ele vai fazer a 10 minutos do fim, com um time completamente apático, e entrando no lugar de Élton, o atacante mais lúcido do Vasco?

Após muitos erros nas conclusões a gol e uma infinidade de passes, aos 39 minutos o Vitória fez seu segundo gol. Júnior fez boa jogada pela esquerda e cruzou para o meio da área. Neto Berola chutou, a bola foi desviada em Thiago Martinelli e entrou no fundo da rede de Fernando Prass. E com o placar de 2 a 0, adiantaria alguma coisa a entrada de Magno no lugar de Léo Gago aos 41 minutos?

O Vitória vai ao Rio de Janeiro semana que vem com a vantagem de que apenas uma derrota por três gols elimina a equipe nos 90 minutos de partida. Vitória do Vasco por 2 a 0 leva a decisão para os pênaltis, e no caso do clube baiano fazer gols, os vascaínos precisam da diferença de três gols para eliminar o adversário. Mas talvez o rubro-negro não precise suar muito em São Januário.

A maneira como atuou no Manoel Barradas mostra que o Vasco não tem ambição de chegar longe nas competições que disputa. Ao contrário do Vitória, que, assim como um verso de seu hino diz, quer escrever "um nome na história". E comprovou em campo que quer escrever seu nome como campeão da Copa do Brasil de 2010.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Retrocesso histórico



A sede de vitória pode causar instabilidade emocional de todos os tipos aos jogadores de futebol. No entanto, quando ela ultrapassa as quatro linhas do gramado, é sempre preocupante e torna o esporte uma batalha campal ainda mais forte.

Foi o caso da primeira partida entre Palmeiras e Atlético Paranaense em seu cruzamento na Copa do Brasil. Numa troca de movimentos bruscos, a televisão mostrou uma cabeçada do zagueiro atleticano Manoel no zagueiro palmeirense Danilo. Num segundo momento, veio a revanche do jogador do Palmeiras: uma cusparada na cara do adversário. Mais tarde, ainda veio outro ato deste espetáculo lamentável, quando o atleta do Atlético Paranaense aproveitou que Danilo estava caído e deu um pisão na cabeça dele.

A sequência de lances acabou manchando o bom jogo dos dois clubes em São Paulo - que teve a vitória do Palmeiras, por 1 a 0, gol de Robert - e ganhou contornos ainda mais distantes de uma partida de futebol. Ao fim do jogo, Manoel acusou Danilo tê-lo chamado de "macaco" (o zagueiro do Atlético Paranaense é negro).

A selvageria do incidente é lamentável de ambos os lados, e ficou impune porque o árbitro da partida, o carioca Marcelo de Lima Henrique, não viu a briga. Mas ainda maior é o retrocesso histórico ao qual foi submetido o Palmeiras.

Nos seus primeiros anos de existência, o time era formado basicamente por pessoas de classe baixa, em especial operários italianos ou descendentes de italianos. Com o passar dos anos e o apoio do Brasil às Nações do Eixo durante a Segunda Guerra Mundial, o time paulista teve de abandonar seu nome de batismo - Palestra Itália - por imposição de Getúlio Vargas. O motivo era ter o nome da Itália, país que era adversária do Brasil e vivia sob o regime do Fascismo.

Neste ano de 2010, o Palmeiras tem como treinador Antônio Carlos Zago que, alguns anos atrás, quando jogava pelo Juventude, fez ofensas racistas ao jogador Jeovânio, do Grêmio. Agora, vem o episódio de um jogador palmeirense acusado de racismo. Dois elementos que soam estranhos em um clube que sobreviveu a todo tipo de ofensas e depreciações por causa de suas origens.

Talvez seja a hora do futebol escrever uma nova história para o Palmeiras. Porque esta, de ofensas pessoais e baixarias, já acabou há muito tempo, e o final não foi feliz.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Galhos do Arruda



O Santa Cruz segue a sina de um time mergulhado em crises financeira e, em especial, de identidade. Outrora uma das equipes mais temidas quando os adversários iam enfrentá-lo no Arruda, o "cobra-coral" hoje não é nem caricatura do que foi há alguns anos.

Não bastava estar se arrastando para chegar entre os quatro primeiros do Campeonato Pernambucano (o time está a três pontos do quinto colocado, o Porto). A equipe na quarta-feira mostrou mais uma característica de equipes que se apequenaram.

Na partida de ida da segunda fase da Copa do Brasil, o Santa Cruz massacrou o Botafogo desde o início e teve uma sucessão de chances desperdiçadas. A elevação de Brazão ao posto de melhor jogador comprova bem a fase do time pernambucano: apostar num jogador raçudo mas que com a bola nos pés não tem tantas qualidades. Pouco, muito pouco para a grande torcida de um dos times mais tradicionais de Pernambuco e do Nordeste.

Foi comovente ver 32 mil torcedores na arquibancada do Arruda em plena quarta-feira, num jogo em que, teoricamente, a equipe não era favorita (afinal, além de o adversário estar na Série A, é um dos times de tradição do Rio de Janeiro). Tamanha paixão deveria merecer um pouco mais do que estar na quarta divisão do futebol nacional.

Mas a realidade continua triste para o Santa Cruz, mostrando que os galhos do Arruda estão cada vez mais difíceis de ser quebrados. E depois de uma bela partida diante do Botafogo, onde teve muitas oportunidades de gol e assistiu a muitas defesas do goleiro Jefferson - dentre elas, num pênalti cobrado por Élvis - o Santa abriu espaço para que os botafoguenses vencessem por 1 a 0, gol marcado por Herrera. Resta ao Santa Cruz tentar dias melhores, para que mude a sensação que sua numerosa torcida teve ao final da partida de quarta: jogou como nunca e perdeu como sempre.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Goleadas no placar e no talento



Só mesmo um resultado atípico seria capaz de roubar a cena numa noite em que times brasileiros entraram em campo pela Taça Libertadores da América. Nem o excelente resultado do Flamengo na Venezuela, vencendo o Caracas por 3 a 1, nem o empate em 1 a 1 do Corínthians com o Independiente de Medellín na Colômbia foram capazes de superar o brilho da vitória do Santos na Copa do Brasil.

No jogo de volta do confronto com o Naviraiense (do Mato Grosso), o time santista sobrou em campo, e apresentou à torcida da Vila Belmiro todas as suas armas. A soberana vitória por 10 a 0 pareceu até injusta, diante de tanto bom futebol que a trupe do Santos apresentou.

A goleada foi também democrática. André marcou três, Neymar e Madson marcaram duas vezes na partida. Os outros gols foram distribuídos entre Paulo Henrique Ganso, Robinho e Marquinhos. Todos jogadores que aparecem claramente em ascensão no cenário do futebol brasileiro. E isto não é uma análise feita a partir de um jogo contra um time modestíssimo.

Desde o início do ano, o Santos se mostra um time bem armado, unido e que se arrisca a jogar por música em momentos como o desta quarta-feira. A esperança agora é de que o time não sofra mudanças até a metade de 2010 (quando vem a "janela" e quando termina o prazo do empréstimo de Robinho). Afinal, time que está ganhando não se mexe. Em especial se estiver dando goleadas no placar e no futebol-arte.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Futebol à altura



A estreia do Botafogo na Copa do Brasil pode não ter sido à altura da tradição do alvinegro do Rio de Janeiro. Mas altura mesmo faltou em outro quesito no Estádio Colosso do Tapajós. O campo do São Raimundo apresentou uma característica que já salta aos olhos dos paraenses há algum tempo, e pode ficar ainda mais alarmante caso o time de Santarém elimine os cariocas da competição.

As medidas das traves do "Barbalhão" estão abaixo do que estipulam as regras do futebol - um fator que pode justificar a boa atuação do goleiro Labilá, que se tornou um gigante mesmo medindo apenas 1,74m - e muitos torcedores do Pará atribuem o recente título do São Raimundo (o primeiro campeão da Série D do Campeonato Brasileiro, em 2009) a esta redução. Do lado da torcida do Pantera Negra, as unhas são afiadas para a ideia de que "as traves mais baixas atrapalham ou facilitam dos dois lados".

A foto do goleiro Diego (retirada do blogue Quarto Poder) foi tirada em março de 2009. Pelo visto, a mudança ainda não ocorreu - afinal, as torcidas de outros times como Paysandu e Remo ainda reclamam desta desvantagem ocorrida no Colosso do Tapajós.

É bem provável que o Botafogo consiga tirar a vantagem de 1 a 0 que o São Raimundo conquistou no primeiro jogo. No entanto, vai ser preciso um time de destaque jogar lá (e perder) para que o país atente em relação a esta irregularidade? Por mais que seja um estado longe de ter muito destaque, a Federação Paraense de Futebol poderia exigir que os times proporcionem um futebol à altura do que o espectador quer ver.

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O tempo e o placar... acredita que este post extra serve para contar um assunto relevante, mas pouco divulgado na mídia. Que venham mais investigações dos coleguinhas dos veículos de comunicação!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A arapuca das prioridades



O início do calendário do futebol brasileiro mostra que ainda é cedo para a torcida levar a sério a escalação de algumas equipes. Não bastava a "pré-temporada de luxo" dos estaduais. Alguns clubes decidiram colocar em campo reservas na partida de estreia da Copa do Brasil.

Logo mais, o Vasco jogará contra o Sousa, da Paraíba, com 11 reservas. Segundo o treinador Vagner Mancini, a intenção é de que os titulares sejam poupados para a semifinal do sábado de Carnaval, contra o Fluminense.

A atitude de preservar seus jogadores é muito relevante, em especial porque a equipe chega a uma fase decisiva da Taça Guanabara. Entretanto, Mancini tomou esta iniciativa no ano passado, e isto custou caro para o Santos (equipe que ele treinava).

Tentando poupar os titulares santistas para a decisão contra o Corínthians, o técnico viu sua equipe ser eliminada pelo CSA, após um empate sem gols em Alagoas e uma derrota por 1 a 0 em plena Vila Belmiro. Embora seu trabalho tenha sido bem interessante para um Santos bastante limitado que ele tinha em mãos, sua atitude na Copa do Brasil acabou comprometendo a passagem pelo alvinegro praiano.

Vagner Mancini se encontra novamente numa arapuca das prioridades. De um lado, vem uma partida que pode levar o Vasco à decisão do primeiro turno do Campeonato Estadual. Mas... Qual a importância da hegemonia no estado diante de uma Copa do Brasil, que, de dois em dois jogos vai levando a equipe vencedora rumo à Taça Libertadores da América?

Colocar reservas em João Pessoa expõe também uma falha na competição mais democrática do futebol nacional. Devido à pouca tradição das equipes de determinados estados, as equipes de maior destaque não estreiam com sua força máxima. Afinal, independentemente do resultado no primeiro jogo, o regulamento dá uma segunda chance, diante de sua torcida.

De qualquer forma, o Sousa parece uma boa prova para jogadores que estão querendo uma vaga no time titular do Vasco - mas, até o momento, somente a zaga parece estar incerta na equipe vascaína. Caso algum jogador tenha boa apresentação na partida de hoje, pode até almejar uma vaga entre os titulares.



Assim, pode vir uma nova arapuca para Vagner Mancini: que jogador priorizar como titular do clube? É a vez de novos reforços e de velhos conhecidos (como o meia Jéferson e o atacante Élton) fazerem da estreia do Vasco na Copa do Brasil uma ótima atração.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Redenção em branco e preto



Nem Nilmar, nem Ronaldo. O nome da finalíssima entre Internacional e Corínthians, no Beira-Rio, veio pela esquerda do alvinegro paulista. Três dias depois de sua última fraca atuação com a camisa da Seleção Brasileira na Copa das Confederações, o lateral André Santos se consagrou diante da torcida corintiana, ao fazer parte dos dois gols do Timão na noite. No primeiro, ao cruzar na cabeça de Jorge Henrique para o atacante abrir o placar. No segundo, aproveitando passe de Ronaldo para entrar na área e chutar nas redes do goleiro Lauro. Nem mesmo os dois gols de Alecsandro na segunda etapa seriam suficientes para tirar da equipe de São Paulo o seu terceiro título da Copa do Brasil (os outros foram em 1995 e em 2002).

Contratado ao Figueirense em 2008 (após passagens por clubes como Flamengo e Atlético Mineiro), André Santos já havia se destacado na Copa do Brasil daquele ano - quando o Corínthians foi derrotado pelo Sport na final - e ajudou a equipe a vencer a Série B do Campeonato Brasileiro. E ele foi um dos que mais ganhou com o grande trabalho proporcionado por Mano Menezes desde o ano passado. Na conquista do Campeonato Paulista de 2009, André ganhou o prêmio de lateral-esquerdo da competição e chamou a atenção de Dunga, que o escolheu para ser reserva de Kléber - curiosamente, seu adversário ontem, com a camisa do Internacional.

Sua boa atuação no Beira-Rio foi crucial para a história da Copa do Brasil deste ano. O cruzamento para Jorge Henrique veio no momento em que o Inter parecia mais próximo do gol. E, com a desvantagem no placar, os gaúchos precisariam fazer no mínimo quatro gols para tirar o título do Corínthians. Quando a torcida e a equipe coloradas estavam recuperando suas forças para voltar à busca, o pé esquerdo de André Santos acertou novamente. Desta vez, o gol. Chutaço que começou a fazer os corintianos arriscarem um "é campeão" ainda no primeiro tempo.

Na segunda etapa, Tite ousou em seu esquema, trocando o volante Glaydson pelo atacante Alecsandro. O reserva manteve a dignidade do Internacional e mostrou a característica que a equipe vem demonstrando neste ano: a de ter ótimas peças de reposição. Ele fez os dois gols que empataram a partida. Insuficientes para o título, mas que pelo menos mantiveram a imagem de time competitivo que o colorado tem.

Um 2 a 2 bem disputado, com chances perdidas dos dois lados e catimbas dignas de uma decisão entre paulistas e gaúchos. E em meio a tantos ingredientes, foi preciso que o reforço chegasse da África do Sul a tempo de voltar a vestir a camisa corintiana no jogo final do torneio. E, pelo visto, se a amarelinha da Seleção Brasileira ainda não foi o uniforme adequado na Copa das Confederações, a redenção veio em branco e preto para André Santos no último jogo da Copa do Brasil.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O dia em que Taison parou



No primeiro confronto decisivo da Copa do Brasil, Corinthians e Internacional deram ao público um espetáculo aberto, cheio de oportunidades de ambos os lados. Um jogo imprevisivelmente delicioso. Jorge Henrique no primeiro tempo e Ronaldo no início da segunda etapa deixaram o alvinegro paulista com vantagem para o derradeiro embate no Beira-Rio. Só que, por mais que ambos os gols tenham sido bonitos, o destaque da noite vestiu a camisa 1 corintiana.

A vitória por 2 a 0 começou a ser escrita nas mãos de Felipe, que se multiplicou no gol corintiano, sem se intimidar com o fato de o adversário ter em sua linha de frente Taison, responsável por 23 gols com a camisa do Internacional em 2009. Mesmo com uma entorse no tornozelo (sentida algumas rodadas antes, e que causou incômodo durante esta partida), o goleiro prosseguiu em campo, atento ao jogo e disposto a manter a invencibilidade corintiana em São Paulo - nesta edição da Copa do Brasil, o time não sofreu nenhum gol em terras paulistanas.

No duelo das equipes, o colorado sofria com a falta de seus titulares - o zagueiro Bolívar (suspenso) e o meia DAlessandro (contundido), o lateral-esquerda Kléber e o atacante Nilmar (ambos na Seleção Brasileiro). Enquanto isto, o substituto de um desfalque corintiano (André Santos, que está na Seleção Brasileira disputando a lateral-esquerda com Kléber) fez a diferença para a equipe paulista. Marcelo Oliveira chegou na esquerda e cruzou para Jorge Henrique fazer 1 a 0.

Mesmo em desvantagem no placar, o Internacional não se intimidou. Tentou uma, duas, inúmeras vezes. Em todas, estava a mão de Felipe para abafar o grito de "gol" gaúcho. Em cobranças de falta, chutes de fora da área, rebatidas, o camisa 1 do Corinthians se desdobrava, mas o gol do Inter não saía.

A disputa prometia ser intensa na volta para o segundo tempo, e parecia ser mais justo a volta ao empate no Pacaembu. Mas o gol saiu do lado corintiano. Aos oito minutos, Elias lançou Ronaldo próximo da área. O atacante passou pelo zagueiro Índio e chutou, fora do alcance do goleiro Lauro.

Mais do que nunca, o Internacional precisava do gol, pois diminuir o placar significava não só tentar o empate em campo como também reduzir a necessidade do número de gols a serem marcados no Beira-Rio. Os gaúchos tinham constantes oportunidades de marcar. Mas a ausência de seus titulares era cada vez mais sentida, principalmente a do meia DAlessandro na criação das jogadas e a de Nilmar na linha de frente com Taison.

Até que chegou ao "clímax" o grande embate da noite. Aos 28 minutos da segunda etapa, Taison chegou livre na cara do gol corintiano, diante de Felipe. O goleiro defendeu o chute do atacante colorado e evitou que a bola entrasse no fundo de suas redes. Estava sacramentada a história. 16 de junho de 2009 foi o dia em que Taison parou nas mãos de Felipe, e a vantagem de dois gols do Corinthians para a segunda partida da Copa do Brasil foi confirmada. Mas, para o próximo capítulo, o rumo da história pode ser reescrito em 90 minutos. Afinal, o espetáculo não pode parar.

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BOLA PRO MATO

0 a 0 com sabores diferentes para o Brasil na Taça Libertadores da América. A carência de gols perdidos (principalmente com Obina) foi crucial para as pretensões palmeirenses no torneio sul-americano - os uruguaios do Nacional agora estarão nas semifinais. Nem mesmo o caminhão de gols perdidos por Máxi López tirou a classificação do Grêmio. O tricolor gaúcho garantiu a presença de um brasileiro na final da competição - os gremistas enfrentam o vencedor do confronto entre São Paulo e Cruzeiro, que será realizado hoje.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

No limite



Deu a aparente lógica no desfecho das semifinais da Copa do Brasil. Os favoritos Internacional e Corínthians farão a decisão, medindo forças para ver quem será o primeiro brasileiro credenciado a uma vaga na Taça Libertadores da América de 2010. Entretanto, as duas classificações foram conseguidas da mesma forma: no limite, favorecidas pelo regulamento.

Com a vantagem de 3 a 1 do primeiro jogo no Beira-Rio, o Internacional procurou o tempo todo tocar mais a bola, para esfriar a partida. A "tática" não deu muito certo, e a cerca de 15 minutos do fim, o "Coxa Branca" abriu o placar. Só assim o jogo pôde ficar aberto, mas os constantes cruzamentos para a área colorada (buscando Ariel, o autor do gol) não resultaram no gol da classificação curitibana. Embora o técnico Tite afirme que a classificação foi justa, o Inter cometeu o mesmo pecado de quando jogou contra o Flamengo no Maracanã, pelas quartas-de-final: o ataque pouco criou. A situação ainda fica mais preocupante porque, na próxima partida, o colorado gaúcho não conta com Nilmar, que está na Seleção Brasileira.



Na semifinal do Sudeste, o Corínthians usou o trunfo de ter feito gol na primeira partida (o empate em 1 a 1 no Maracanã) para se classificar. Os corintianos seguiram a cartilha do técnico Mano Menezes e ficaram esperando o Vasco para buscar os contra-ataques. A partida ficou aberta, e talvez pudesse ter outro resultado se não fossem os goleiros Felipe (do Corínthians) e Fernando Prass (do Vasco) e o árbitro Leonardo Gaciba marcasse pênalti sobre Élton. No empate em 0 a 0, os vascaínos também perderam a classificação para a falta de poder de fogo de seus atacantes. Este que vos escreve falou detalhadamente sobre o jogo em crônica na página Almanaque Virtual:

http://almanaquevirtual.uol.com.br/ler.php?id=19149&FOGO+BRANDO

No dia 17 de junho, Corínthians e Internacional começam a decidir quem será o primeiro campeão de nível nacional em 2009. Após as classificações conseguidas no limite, as equipes esperam não esbarrar mais em limitações para colocar a mão na taça da Copa do Brasil.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

As semifinais das ausências



O favoritismo entrou em campo nas duas semifinais da Copa do Brasil e deixou em vantagem as duas equipes aclamadas como "melhores do país" no momento. No duelo do Sudeste, o Corínthians empatou em 1 a 1 com o Vasco no Maracanã e joga pelo 0 a 0 em casa. No Sul, o Internacional venceu o Coritiba por 3 a 1, e pode perder até por um gol de diferença em gramados paranaenses. Os dois confrontos da noite de quarta tiveram características semelhantes e curiosas: tanto no Rio de Janeiro quanto no Rio Grande do Sul, os times tiveram de superar ausências de jogadores importantes - e a falta deles pesou no placar final das partidas.

O "Coxa" até surpreendeu no início de partida, quando Marcos Aurélio recebeu bola de Márcio Gabriel e abriu o placar para o Coritiba. Sete minutos depois, o Internacional empatou a partida, em ótima triangulação de D'Alessandro, Nilmar e Taison na qual o último colocou a bola para o fundo das redes. Nem mesmo a saída de Nilmar, contundido, fez com que o colorado ficasse aquém de qualidade. No segundo tempo, seu substituto Alecsandro colocou o Inter em vantagem. A dois minutos do fim, Andrezinho (o herói das quartas-de-final) deu números finais à partida.



O Maracanã recebeu uma grande festa da torcida do Vasco para o confronto do time diante do Corínthians. Mas no primeiro tempo o que os torcedores viram foi uma equipe sem vida no meio-de-campo, praticamente assistindo ao toque de bola da equipe corintiana. O alvinegro paulista abriu o placar com um gol de Dentinho. Foi preciso Dorival Júnior tirar o volante Nílton e o meia Jéferson para que o Vasco tivesse mais gás rumo ao gol.

O jogo teve um novo panorama, o time começou a ter chances e, numa delas, Rodrigo Pimpão conseguiu colocar a bola para o fundo das redes. A partida ficou equilibrada, mas o placar final foi mesmo o 1 a 1. Outros detalhes sobre o jogo estão na crônica feita por este que vos escreve para a página eletrônica Almanaque Virtual:

http://almanaquevirtual.uol.com.br/ler.php?id=19000&O+GRANDE+DERROTADO+DO+MARACANA

Os resultados das partidas seguiram a tendência de quem mais sentiu os desfalques na primeira rodada das semifinais. Sem Marcelinho Paraíba (cumprindo suspensão automática), o Coritiba se viu sem a menor inspiração para conseguir boas jogadas na partida do Beira-Rio, e não soube administrar a vantagem conseguida no início do jogo. A ausência de Guiñazu (também suspenso) não foi tão sentida pelo colorado, pois o técnico Tite dispõe de bons jogadores nas demais posições da equipe.

No Maracanã, a suspensão de Carlos Alberto foi bastante sentida no meio-de-campo vascaíno. Sem poder confiar no futebol de Enrico, Dorival Júnior optou por escalar Jéferson mesmo depois de ele passar cerca de dois meses parado. Além de carência na criação de jogadas, o Vasco se viu dominado pelo Corínthians na primeira etapa da partida. Do lado corintiano, a ausência de Ronaldo, contundido, só foi sentida pelos fãs que queriam vê-lo em campo. O ataque formado por Souza, Jorge Henrique e Dentinho deu trabalho constante à zaga do Vasco e, aproveitando a péssima noite de Gian e Vílson, chegou muitas vezes ao gol de Fernando Prass.

Para a próxima quarta-feira, todos eles estarão presentes nos jogos decisivos para o país conhecer os finalistas do torneio. Serão mais 90 minutos para ver quem estará presente na decisão da Copa do Brasil de 2009.

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BOLA PRO MATO

Ao final do jogo do Mineirão, o Cruzeiro demonstrou sua superioridade atual e venceu o São Paulo por 2 a 1 na primeira partida das quartas-de-final da Taça Libertadores da América. O Grêmio conseguiu boa vantagem ao sair da Venezuela com um empate em 1 a 1 diante do Caracas. Só falta o Palmeiras ir bem hoje contra o uruguaio Nacional para manter o futebol brasileiro em peso entre os melhores da América (ainda mais agora, que, infelizmente, o perdedor do encontro entre São Paulo e Cruzeiro irá sair do torneio sul-americano).

sábado, 23 de maio de 2009

O tamanho do caldeirão



Por mais que o Vasco mantenha suas atenções neste sábado para o terceiro jogo pelo Campeonato Brasileiro da Série B (diante do Atlético Goianiense, em São Januário), as atenções de torcida e jogadores desviaram para as semifinais da Copa do Brasil. Na próxima quarta, o time enfrenta o Corínthians nos primeiros 90 minutos do "mata-mata". Mas o assunto que fica em questão às vésperas desta fase decisiva não vem de dentro de campo. Na verdade, a dúvida é com relação ao tamanho do campo no qual os dois times irão se enfrentar.

Mandante do primeiro jogo, o Vasco vem usando o estádio de São Januário em todos os confrontos contra equipes de fora do Rio de Janeiro (e também as pequenas do estado fluminense). No entanto, para o jogo contra o alvinegro paulista, a direção decidiu que a partida carioca será realizada no Maracanã. O técnico Dorival Júnior e alguns jogadores vascaínos - como o meia Léo Lima - demonstraram preferência por São Januário, que deveria ser elevado a "caldeirão", como diz o grito da torcida. Léo Lima chegou a afirmar que no Maracanã o Vasco passa a jogar em "campo neutro".

De fato, São Januário vem se revelando um reduto no qual a torcida vascaína, jogo a jogo, apoia a equipe, fazendo festas nas arquibancadas - coisa que não seria diferente agora, numa semifinal de Copa do Brasil, na qual o adversário tem em campo o atacante Ronaldo. Só que a escolha do Maracanã como estádio para a primeira partida foi uma vitória do bom senso do presidente Roberto Dinamite.

O Estádio Vasco da Gama não tem uma localização tão boa quanto a do Maracanã, e a entrada e a saída de lá gera alguns tumultos (principalmente em jogos de grande público). Muitas pessoas ficam de fora, coisa que poderia acontecer também com a torcida corintiana, e tanto a Força Jovem quanto a Gaviões da Fiel têm fama de que não levam desaforo para casa. Num eventual incidente de fora do estádio, o Maraca dá margem à saída de torcedores com mais facilidade.

Outra vantagem beneficia a própria torcida do Vasco. De acordo com o Corpo de Bombeiros, São Januário tem capacidade para 18 mil pessoas, enquanto o Maracanã cabe quatro vezes mais do que isto. Com os torcedores vascaínos comparecendo em massa, o apoio aos jogadores ficaria ainda maior - independente do número da torcida do Corínthians (que é uma das maiores do Brasil) no jogo de quarta-feira.

As estatísticas no estádio também favorecem o time carioca. Além de campeonatos estaduais, três dos quatro títulos brasileiros da equipe aconteceram no Maracanã. É uma tradição que não pode ser deixada de lado somente por causa do interesse em transformar o próprio estádio num "alçapão", feito é a Vila Belmiro do Santos. São Januário tem sua importância na história vascaína, e ele não pode ficar em risco de ter sua tradição manchada por inconsequências da diretoria.

Vasco e Corínthians é um clássico interestadual que merece um palco como o Maracanã. Este que vos escreve não está desmerecendo São Januário, mas a história dos dois clubes, com seus encontros e seus jogadores de ontem e de hoje merecem um "caldeirão" maior para a acomodação de torcedores de ambas as equipes. E, se a torcida cruzmaltina mantiver o panorama atual de presença no estádio, irá apoiar mais uma vez o Vasco, jogue onde ele jogar.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Semifinais democráticas na Copa do Brasil



A probabilidade da semifinal da Copa do Brasil ser formada por maioria carioca foi por água abaixo depois dos 90 minutos das três partidas válidas pelas quartas-de-final de ontem. Somente o Vasco representará o Rio de Janeiro dentre os semifinalistas do "mata-mata" que leva à Libertadores.

Beneficiado pelo excelente placar de 4 a 0 feito no primeiro jogo, em São Januário, o Vasco entrou em campo com a única intenção de evitar que o Vitória fizesse gol na Bahia. A tarefa prometia ser árdua quando, a um minuto de jogo, um chute de longa distância de Neto Baiano passou por baixo dos braços do goleiro Fernando Prass. Mas, três minutos depois, Enrico fez jogada na esquerda e encontrou o atacante Élton no meio da área para empatar a partida - com o gol vascaíno, o time baiano era obrigado a fazer mais cinco gols para conseguir sua vaga.

No jogo do Barradão, o 1 a 1 comprovou que quantidade não é sinônimo de qualidade dentro das quatro linhas. Paulo César Carpegiani escalou nada menos que quatro atacantes (um deles chegou a jogar improvisado na lateral), mas não conseguiu nada além do que expor o time que comandava, além de abdicar de gente do meio-de-campo que pudesse fazer a ligação com o ataque.

Este que vos escreve fez uma análise completa do jogo na página eletrônica Almanaque Virtual. Abaixo, segue o link:

http://almanaquevirtual.uol.com.br/ler.php?id=18880&VASCO+FAZ+O+DEVER+DE+FORA+DE+CASA



Único time do Rio a decidir a vaga na Copa do Brasil em terras cariocas, o Fluminense decepcionou sua torcida ao não passar pelo Corínthians. Em desvantagem após a derrota por 1 a 0 em São Paulo, o tricolor viu sua missão ficar mais difícil quando o zagueiro Chicão cobrou uma falta e a bola passou entre Edcarlos e Fred antes de entrar nas redes de Fernando Henrique. Ainda no primeiro tempo, o Flu confiou na "linha burra" de impedimento e deixou Jorge Henrique fazer um gol com a coxa.

Foi preciso o técnico Carlos Alberto Parreira lançar o atacante Alan na segunda etapa para o Fluminense acordar. Foi ele que diminuiu o placar, ao aproveitar um rebote de chute de Dario Conca. O argentino deu o passe para Thiago Neves empatar a partida. Mas ainda faltavam dois gols para o tricolor conseguir a classificação, e o desespero não permitiu que o placar fosse mudado novamente. Com o 2 a 2, o Corínthians representa o estado de São Paulo no clássico "interestadual" diante do Vasco.



Na outra semifinal, o Flamengo não se intimidou com a pressão colorada no Beira-Rio e por pouco não saiu de Porto Alegre como o outro representante carioca na competição. Mas o time esbarrou em seus próprios erros - o mais clamoroso foi o de Juan, que, ao tentar recuar uma bola, permitiu que Nilmar desse uma arrancada e, da linha de fundo, achasse Taison livre para fazer 1 a 0 para o Internacional. Na segunda etapa, a pressão rubro-negra deu certo e Emerson (que saiu do banco de reservas) conseguiu fazer o 1 a 1 que classificaria a equipe. Mas o técnico Cuca foi castigado por recuar demais o Flamengo. E o castigo veio do banco de reservas. Aos 43 minutos do segundo tempo, o ex-flamenguista Andrezinho cobrou linda falta que entrou no lado direito de Bruno.

O 2 a 1 colocou o Rio Grande do Sul na disputa da Copa do Brasil, para fazer uma semifinal sulista no torneio. Gaúchos enfrentam os paranaenses do Coritiba nas próximas duas semanas.

É a democracia da Copa do Brasil apresentando quatro estados diferentes em busca do título. A única certeza desta disputa é que, ao final, mais uma vez Sudeste e Sul do país colocarão à prova suas hegemonias em território nacional.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Semifinalista com vitória "nas coxas"



O trocadilho infame foi a saída mais justa para comentar a classificação do Coritiba para a semifinal da Copa do Brasil. O primeiro time credenciado para a fase decisiva fez um magro 1 a 0 na Ponte Preta, com gol marcado por Ariel, e agora espera o vencedor de Internacional e Flamengo para saber qual seu próximo adversário no torneio.

Os primeiros 45 minutos mostraram um Coritiba abusando do direito de (como diz o clichê futebolístico) "ter o regulamento debaixo do braço". Com a vantagem dos empates em 0 a 0 e em 1 a 1, o "Coxa Branca" tendia a se recuar mas acabava esbarrando em tropeços de seus defensores, dando margem a chances da Macaca, através dos jogadores Tinga e Carlinhos Paraíba.

Na etapa final, o time da casa equilibrou o jogo, mas continuou refém da inoperância do ataque. Enquanto isto, a Ponte arriscava e trazia perigo para a zaga do "Coxa". Por três vezes, o meia Willian obrigou o goleiro Vanderlei a fazer defesas milagrosas.

Só que, graças a um dos acasos do futebol, o alviverde paranaense conseguiu selar sua classificação. A três minutos do fim, Marcelinho Paraíba (que, surpreendentemente, está sendo escalado no meio-de-campo da equipe curitibana) conseguiu chegar à linha de fundo e seu cruzamento encontrou a cabeçada de Ariel para a bola morrer no fundo das redes do goleiro Aranha.

Embora tenha sido o primeiro a figurar na semifinal do torneio, o Coritiba é considerado o "azarão" do confronto (independente de quem sejam os outros três classificados), não só pela falta de tradição no torneio, como também pelo futebol que apresentou no jogo de ontem. Considerado técnico de qualidade duvidosa, René Simões tem de mudar o panorama tático de sua equipe nas próximas partidas, pois não costuma ser tão fácil um time se sagrar campeão da Copa do Brasil com vitórias "nas coxas".

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BOLA PRO MATO

Desde sua criação, a Copa do Brasil se caracteriza por ser um torneio democrático no qual as equipes dependem somente de si mesmas para passarem por vários jogos do sistema "mata-mata". Então por que cargas d'água colocar três jogos de quartas-de-final no mesmo horário, se Vasco, Vitória, Internacional, Flamengo, Fluminense e Corínthians não dependem uns dos outros para se classificarem? Sobra para o torcedor, que para prestigiar o time de coração tem de ir para o estádio num jogo que vai começar às 21h50 e, caso haja disputa de pênaltis, a "Super-Quarta" acabe na madrugada de quinta.

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Na seção de esportes da página eletrônica Almanaque Virtual, este que vos escreve apresentará amanhã uma crônica sobre o jogo Vitória e Vasco, no Barradão. O endereço da página é www.almanaquevirtual.uol.com.br

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Coadjuvante de luxo



Em noite de gala para as quartas-de-final da Copa do Brasil, quem roubou a cena dentre as partidas de ida do torneio foi o Vasco. Com uma ótima partida, o time derrotou o Vitória por 4 a 0 em São Januário e saiu de campo com a vantagem de conquistar a vaga mesmo se perder por três gols de diferença no jogo da Bahia.

Novamente, a união vascaína ficou explícita no gramado, e acabou simbolizada pelos autores dos gols: todos eles foram marcados por jogadores diferentes. Carlos Alberto e Élton no primeiro tempo (ambos com oportunismo) e Paulo Sérgio e Nílton no segundo (ambos em cobranças de falta) escreveram a história de um jogo no qual se destacou também o nome do meia Léo Lima - que, do futebol displicente de temporadas anteriores, parece estar recuperando o senso futebolístico, graças a mais um bom trabalho do técnico Dorival Júnior.

Entretanto, por mais que a classificação esteja bem encaminhada, o Vitória faz bastante jus ao título de melhor da Bahia. Em todos os momentos a equipe criou chances diante da defesa do Vasco, em especial através dos pés do lateral Apodi (que, no segundo tempo, em alguns momentos jogou como ponta-de-lança). Mesmo com uma diferença bem grande para tirar, a equipe do técnico Paulo César Carpegiani não deve entregar fácil a vaga nas semifinais da Copa do Brasil, em especial com a torcida apoiando o rubro-negro no Barradão.

No confronto direto com o vencedor de Vasco e Vitória, outro coadjuvante chamou atenção dos torcedores. Enquanto corintianos e tricolores esperavam um bom embate entre Ronaldo e Fred, Dentinho entrou na área e marcou o gol da vitória do Corínthians sobre o Fluminense, por 1 a 0. O Fenômeno até tentou se destacar, mas esbarrou em ótima atuação do goleiro Fernando Henrique.

Na outra partida das quartas, Ponte Preta e Coritiba ficaram em igualdade no primeiro jogo, mas o 2 a 2 em Campinas deu um leve favoritismo ao "Coxa Branca", que se classifica com empate em 0 a 0 ou em 1 a 1. O adversário deste confronto também está muito em aberto.

Flamengo e Internacional tiveram um primeiro embate cheio de emoções. Do lado rubro-negro, uma série de gols perdidos, em especial nos chutes de Ibson e Kléberson. Da parte colorada, chamou atenção o bom esquema defensivo, como forma de amenizar as atuações apagadas de D'Alessandro e Nilmar. Por muito pouco, o clichê "quem não faz, leva" não foi usado para falar sobre a atuação do Flamengo. No último minuto, Bruno fez três defesas milagrosas (duas delas caído no chão) e garantiu pelo menos um 0 a 0 no placar do Maracanã.

Quarta que vem, a trajetória da Copa do Brasil continua. Resta definir quem vai roubar a cena e seguir em busca da caminhada rumo à Taça Libertadores da América.

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BOLA PRO MATO

Três brasileiros classificados para a próxima fase da Libertadores. Em campo, o Palmeiras eliminou o compatriota Sport graças às mãos de Marcos (citadas no post de ontem de O tempo e o placar...) e, ontem, o Grêmio confirmou sua classificação com um 2 a 0 diante do San Martin, no Olímpico. Do lado de fora, o São Paulo foi beneficiado pela gripe suína, e seu adversário mexicano decidiu sair do torneio. O importante ao tricolor paulista é ter saúde para continuar nesta maratona sul-americana.