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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Novas fronteiras de Papai Joel



Logo após sua saída do Botafogo, o técnico Joel Santana rechaçou sua fama de treinador retranqueiro, afirmando que na equipe carioca não tinha opções ofensivas suficientes à sua disposição. Deste problema, o substituto de Cuca não vai poder reclamar em seu novo clube, o Cruzeiro.

Apesar da campanha desastrosa neste início de Brasileirão (três pontos em cinco rodadas), a Raposa tem em seu elenco o talento dos meias Montillo e Roger, e o faro de gol de atacantes como Thiago Ribeiro, Anselmo Ramon, Brandão e Wallyson. Peças suficientes para acabar com o estigma que caiu sobre Joel.

E chegar a um Cruzeiro que vive depressão pós-eliminação da Libertadores é um bom momento para o treinador fazer sua qualidade de motivador chegar a Minas Gerais. Papai Joel não quer existir apenas no Rio de Janeiro.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Castigado por um título



Um ano atrás, ele convivia com a responsabilidade de ser o treinador efetivado do Flamengo, clube de maior torcida do país, e contribuía para um time desacreditado se transformar na equipe campeã brasileira de 2009 (conquista que não chegava à Gávea desde 1992). Mesmo que Andrade tenha cometido deslizes no comando do rubro-negro no ano de 2010, não é justo hoje ele estar relegado ao Brasiliense, time que está na zona de rebaixamento da Série B do Campeonato Brasileiro.

A conquista do ano passado parece ter sido prejudicial para a carreira de Andrade. A identificação dele com o Flamengo ficou ainda maior, a ponto de fechar as portas de outros clubes de Série A para o treinador. A associação dele à imagem do rubro-negro carioca fez com que achassem que Andrade dá certo no clube porque vive o ambiente dele há anos.

Apenas na Segunda Divisão é que Andrade encontrou um espaço para trabalhar. No entanto, um péssimo espaço. O Brasiliense, que vinha mal das pernas na competição, não conseguiu encontrar um caminho melhor. A vitória de ontem, por 1 a 0 sobre o Ipatinga na Boca do Jacaré, foi a primeira do time sob o comando de Andrade. Antes disto, o treinador colecionou um empate e cinco derrotas. Sequência digna de alguns detratores declararem que o título com o Flamengo foi apenas uma sorte de principiante.

Provavelmente, Andrade tenha sido superestimado demais após o Brasileiro de 2009, a ponto do Brasiliense acreditar que ele pudesse fazer muito por uma equipe cercada de jogadores limitados. No entanto, os dirigentes do clube de Brasília esqueceram que, antes de ser efetivado como técnico, Andrade passou alguns anos na função de auxiliar. Ele já sabia como conviver com o elenco que o Flamengo tinha, e, principalmente, tinha total apoio da diretoria.

No Brasiliense, ele pegou um elenco bastante desmotivado com a má campanha que a equipe tinha na Série B. Além disto, não há no plantel um Petkovic, um Adriano, ou alguns jogadores que estejam em boa fase, como foi o volante Aírton em 2009. No time de Taguatinga, os destaques são atletas de qualidade razoável em fim de carreira.

Num contexto cercado de adversidades, Andrade parece cada vez mais próximo da falta de reconhecimento. A iminência de queda do Brasiliense para a Terceira Divisão do futebol nacional vai condenar todos os méritos do técnico a um mero acaso de Campeonato Brasileiro. Destino lastimável, em especial num cenário no qual alguns treinadores de qualidade duvidosa vêm sendo tão superestimados.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Em busca das redenções



A constante troca de técnicos no Campeonato Brasileiro alterna geralmente entre dois argumentos - maus resultados ou treinadores que receberam boas propostas (em especial, financeiras) e vão embora. Mas, nesta semana, o Flamengo fugiu um pouco à regra na hora de escolher seu comandante.

O substituto de Silas (que foi mandado embora após uma campanha tão fraca quanto a de Rogério Lourenço no comando da equipe) não vem apenas com o intuito de ficar na história como o salvador da pátria em chuteiras rubro-negra. Além da redenção do Flamengo, Vanderlei Luxemburgo busca se redimir também dos seus últimos insucessos nos clubes que treinou.

Depois dos fracassos nos comandos de Palmeiras e de Santos em 2009, neste ano Luxemburgo chegou ao Atlético Mineiro como o homem que montaria uma equipe vitoriosa, digna de grandes títulos em 2010. No entanto, a conquista do Campeonato Mineiro foi seguida por uma campanha tenebrosa no Campeonato Brasileiro. O timaço de outrora passou a amargar uma constante zona de rebaixamento, e, na opinião da diretoria, a alternativa que estava mais ao alcance dela era a demissão de Vanderlei.

Veterano na carreira de treinador, Vanderlei Luxemburgo habituou-se a conviver com a pressão da profissão mais instável do futebol. Talvez por isto, no momento de sua saída, tenha declarado que precisava reciclar seus conceitos sobre o assunto. Uma atitude muito nobre, e uma autocrítica surpreendente, por vir de um técnico tão estigmatizado como arrogante.

A oportunidade de voltar a dirigir o Flamengo (seu clube de coração, onde atuou como jogador e como técnico por curtos períodos de tempo) até pode servir como forma de retornar às suas raízes no futebol. Mas seria, de fato, uma forma de ele se reciclar como profissional?

Um período de reciclagem demanda um pouco mais de planejamento, e se torna possível quando o clube tem brechas para fazer uma boa parceria com um treinador. Luxemburgo pega um Flamengo que briga para não cair no Campeonato Brasileiro, órfão da equipe campeã nacional de 2009, sem a participação de Zico para dirigir seu futebol e sem possibilidade de fazer novas contratações. Num contexto que exige resultados imediatos, e que tornam cada rodada uma nova decisão.



Enquanto Vanderlei Luxemburgo tenta sua redenção querendo voltar a ser o grande treinador capaz de transformar suas equipes em vencedoras, o Flamengo quer se redimir de um jeito paradoxal, típico de grandes clubes. A curto prazo, com resultaods que possam salvá-lo definitivamente do risco de cair para a Segunda Divisão de 2011. E, ao mesmo tempo, buscando uma reforma estrutural, que torne possível a existência de um esquadrão apto a disputar títulos na temporada seguinte.

Luxemburgo terá o desafio de comprovar que nem a ansiedade por resultados consegue derrubar suas qualidades como treinador. O Flamengo precisará finalmente mostrar dentro de campo que seu desempenho é digno de orgulho para torcedores. Realmente, uma mistura explosiva, na qual a torcida rubro-negra espera que traga boas consequências para os lados da Gávea.

domingo, 3 de outubro de 2010

A ambiguidade de Carpegiani



A décima-primeira colocação, a 13 pontos do Cruzeiro (atualmente, último a se classificar para a Taça Libertadores da América, pois o G-4 passou a ser G-3 segundo a determinação da Conmembol), finalmente fez com que o São Paulo deixasse de lado a corda-bamba constante à qual submeteu Sérgio Baresi. Contratado para ser interino, ele não podia pensar em grandes mudanças e fazer um planejamento concreto para o Campeonato Brasileiro de pontos corridos, pois seu prazo de validade era inconstante.

Com o empate em 0 a 0 diante do Avaí, no Ressacada, a dirigência do tricolor paulista despertou para o fantasma de, pela primeira vez desde 2006, não estar na Taça Libertadores da América (a grande obsessão do Morumbi). Para o lugar de Sérgio Baresi, o São Paulo buscou Paulo César Carpegiani, que retorna ao comando da equipe 11 anos depois, credenciado pela grande campanha que fez como treinador do Atlético Paranaense neste 2010.

A equipe do Paraná, que começou a competição na zona de rebaixamento, teve uma arrancada sensacional, e hoje está na quinta colocação, a seis pontos do G-3. O que fez então Paulo César Carpegiani sair do São Paulo, onde teve uma passagem sem muito destaque, da qual restou apenas a polêmica de ter afastado o goleiro Roger, que havia posado nu para uma revista homossexual?

Confiança em seu próprio taco, de que vá fazer no time paulista a mesma campanha sensacional sob o comando do Atlético Paranaense? Ou falta de confiança de que o rubro-negro paranaense vá conseguir manter-se na luta pela vaga na Libertadores?

Paulo César Gusmão trocou o então vice-líder Ceará pelo Vasco, que estava em penúltimo no Campeonato Brasileiro. Hoje, o time vascaíno está seis pontos à frente do Vozão. O exemplo do xará pode ter influenciado, principalmente porque o São Paulo tem a hegemonia de chegar aos primeiros lugares na reta final do Brasileirão - daí o apelido de "Jason".

Carpegiani chega ao São Paulo com contrato previsto para acabar no final de 2011. Resta saber se o novo treinador são-paulino vai conseguir resultados suficientes para não repetir o tom de interino no qual padeceu Sérgio Baresi. Caso contrário, a saída do Atlético Paranaense vai soar como covardia, de um técnico que preferiu ficar na idolatria por uma boa fase no time rubro-negro, abandonando o barco antes que os resultados parassem de vir.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Chamou a responsabilidade



Após o empate do Flamengo com o Goiás (graças a um gol salvador de Deivid aos 45 minutos do segundo tempo), Silas ousou nadar contra a corrente da atual cartilha do futebol. Numa época em que os treinadores tendem a poupar seus jogadores ou a assumirem sua parcela de culpa quando não vêm resultados positivos, o técnico rubro-negro declarou que "não faz gol contra e nem chuta a gol".

A frase tem lógica, soa como um desabafo de quem está dizendo que não pode fazer nada além de mexer na equipe. Entretanto, Silas deu a impressão de que está pedindo para ficar isento dos erros que estão acontecendo com o Flamengo dentro de campo.

É bem verdade que estão fora do seu alcance alguns problemas do atual time rubro-negro - as limitações do elenco em algumas posições e a visível falta de preparação física. No entanto, o técnico tem sua parcela de culpa em alguns erros cruciais do Flamengo nos jogos do Campeonato Brasileiro.

O gol contra não entra em questão, pois trata-se de um momento infeliz que pode acontecer com qualquer zagueiro, independentemente de sua qualidade. Mas, há algumas partidas, Jean vem decepcionando em suas atuações na zaga rubro-negra. O time que levava pouquíssimos gols nas primeiras rodadas transformou-se numa das defesas que mais sofreram gols na competição. Com um agravante: muitos deles acontecem antes dos 10 minutos, por distrações dos defensores. Não há um trabalho maior de concentração para os atletas flamenguistas?

Os gols voltaram a acontecer - inclusive entre os atacantes. Mas boa parte deles ainda acontece nos últimos minutos, quando a equipe está em desvantagem no placar e já abandonou a organização para se entregar ao desejo incessante de colocar a bola na rede. E quando a raça não for suficiente? Será que o amor e a paixão cantados pela torcida permanecerão do lado da equipe, a ponto de isentar Silas de eventuais percalços dentro do gramado?

Sim, os dirigentes e a torcida não podem usar o treinador como muleta para descontar os problemas de uma equipe. Sob este aspecto, Silas está certo. Mas, além de selecionar os jogadores mais talentosos e armar um esquema tático vitorioso, o treinador precisa amparar seus atletas em momentos de crise. Falar em "gol contra" no dia em que um zagueiro passou por tal infelicidade e tirou dois pontos da equipe é no mínimo inconveniente.

A única consequência foi ter seu nome (que já era visto com ressalvas) definitivamente em xeque aos olhos da torcida do Flamengo. Na tentativa de se isentar de culpa, Silas acabou se tornando ainda mais responsável pelo mau desempenho que o rubro-negro apresenta sob o seu comando.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Transição de gerações?



A atual classificação do Campeonato Brasileiro de 2010 mostra que o futebol brasileiro vem revendo seus conceitos. À exceção de Muricy Ramalho (treinador com vasto currículo de títulos, que está comandando o Fluminense, líder da competição), os comandantes dos clubes de ponta do Brasileirão são nomes que por muito tempo tiveram sua qualidade questionada por torcedores e críticos esportivos.



O estigma do cruzeirense Cuca, que mesmo com toda qualidade que seus times apresentavam, via suas equipes ficarem no "quase" título. A fama de retranqueiro com a qual o botafoguense Joel Santana e o colorado Celso Roth conviveram em todas as equipes que comandaram. E o atual técnico do Corínthians, Adilson Batista, que depois de três anos e meio sem um título de expressão no Cruzeiro, parece ter encontrado um bom padrão de jogo para a equipe corintiana na competição. Todos estes nomes vêm respondendo rótulos sobre seus respectivos trabalhos, apresentando agora equipes envolventes, fortes, dignas da briga pelo título do Campeonato Brasileiro.



Enquanto isto, antigos treinadores de destaque nacional não vêm conseguindo resultados expressivos em seus trabalhos, e alguns deles agora padecem no mercado de trabalho. O mais recente é Vanderlei Luxemburgo, demitido do Atlético Mineiro após o promissor esquadrão atleticano amargar a zona de rebaixamento no Brasileirão. Ao lado dele, técnicos como Emerson Leão, Carlos Alberto Parreira, Nelsinho Baptista e Antônio Lopes atualmente estão sem clube, e muitos deles sofrem com o empecilho de serem considerados caros ou serem associados apenas a equipes formadas por estrelas.

Estes treinadores ficaram ultrapassados? Ou Adilson Batista, Cuca, Joel Santana e Celso Roth são meros personagens de um Campeonato Brasileiro completamente atípico? Num período em que o Brasil grita por "renovação" em sua Seleção Brasileira, a ascensão destes nomes faz parte de um contexto promissor?

Resta aos desempregados aproveitarem seu tempo para pensar em novas formas táticas para conseguirem desempenhos melhores em seus próximos clubes. Caso contrário, todos eles ficarão relegados às memórias de representantes de uma geração que não sobreviveu a um período que, supostamente, pede valorização do futebol "bem jogado".

sábado, 25 de setembro de 2010

Mesmos caminhos





Em uma semana, Dorival Júnior caiu 11 posições no Campeonato Brasileiro. De um Santos que ainda consegue alimentar esperanças do título - através do qual o clube teria também a "Tríplice Coroa", ao lado das conquistas do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil - o treinador foi parar no Atlético Mineiro, que talvez viva sua campanha mais frustrante na história do torneio. Os contextos são diferentes, mas em alguns caminhos, Atlético e Santos parecem bem próximos - e não somente porque em ambos os clubes ele sucedeu Vanderlei Luxemburgo.

No clube paulista, Dorival não foi páreo para o estrelismo que girou em torno de Neymar. Sua nova equipe não chega a ter um destaque com tantos holofotes quanto o atacante santista, mas traz um grupo formado por jogadores de nome, dos quais torcida, dirigentes e a crítica esportiva esperavam muito para o Campeonato Brasileiro. O treinador vai conseguir lidar com os egos de jogadores temperamentais como o goleiro Fábio Costa, o atacante Diego Tardelli e, principalmente, o instável Diego Souza?

O Santos pena com rixas políticas em sua diretoria, e elas refletem nos resultados de dentro do gramado - e isto não fica restrito às saídas de "Meninos da Vila" para o exterior. Dorival foi apenas mais um a sofrer a consequência do destempero da presidência santista.

Mas a conduta de Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro não parece tão distante de Alexandre Kalil. Enquanto o atual presidente santista quer posar de mandatário protecionista num populismo não muito convincente (por que manter Neymar e deixar de lado jogadores mais importantes para o Santos, como o meia Wesley e o atacante André?), o presidente atleticano usa um tom mais raivoso, com discursos que falam em vigiar a vida noturna e até bater nos atletas de seu clube.

Diante de tantas semelhanças entre o anterior e o atual time que está comandando, a saída de Dorival Júnior pode ser uma receita bastante corriqueira: investir em jogadores formados na base. Resta saber se, para seguir este caminho no Atlético Mineiro, o treinador verá qual coincidência da diretoria atleticana com a presidência santista acontecerá neste restante de temporada.

O grato desejo de proteger os bons valores que surgem nas divisões de base ou a abominável conduta de um presidente intervir a torto e a direito na escalação da equipe de futebol. Sim, é bem verdade que os atleticanos investiram pesado para montar a equipe do Campeonato Brasileiro de 2010, e eles precisam ter um retorno dentro do gramado. Mas talvez não seja através dela que venha um caminho menos acidentado do Galo na competição.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O desafio de Neymar



Desde seus primeiros passos como jogador de futebol, Neymar foi tratado como joia, jogador que merece receber todos os cuidados e tratamentos para que não abandone o clube seduzido por alguma proposta que vier do exterior. Para isto, as cifras de seu contrato foram aumentando gradativamente, e vieram vários ajustes para que o atleta não tirasse seus olhos da Vila Belmiro.

Durante toda sua carreira, Neymar conviveu com as mudanças de vida atreladas ao seu bom desempenho no gramado, mas não podia desfrutá-las por completo, pois ainda não completara 18 anos. Agora, em sua maioridade, o atacante dá a sensação de que sente o mundo aos seus pés, e deseja recuperar o tempo perdido por limitações da idade.

No entanto, ele esqueceu que os 18 anos impõem alguns limites, em especial a um jogador de futebol - sujeito a uma rotina intensa de treinamentos, concentrações, e partidas ao menos duas vezes por semana. No caso de Neymar, ainda soma o fato de ser um dos destaques do Santos, equipe tradicional do país.

Sim, Neymar é um craque, jogador abusado, seu futebol enche os olhos. Mas, acima de tudo, deveria ser tratado como um funcionário do Santos, atleta profissional, subordinado ao comando do então treinador, Dorival Júnior. O problema é que, por mais que seja um técnico valorizado, Dorival não entra em campo para fazer as jogadas do atacante. E, depois de o time santista ver seu esquadrão dos "Meninos da Vila" se desmantelar, com as idas de André e Robinho para o exterior, e com a ida do meia Paulo Henrique Ganso para o departamento médico, a diretoria não quer ver escorrer pelos dedos o único sinônimo de grande qualidade no campo que restou.

A solução foi dar prioridade a Neymar, cria da Vila Belmiro, dando a ele o pleno poder de demitir um técnico que cometeu o "deslize" de enxergar que a equipe do Santos tem outros jogadores. Dorival Júnior tem aos montes no futebol brasileiro. Mas um Neymar, não.

Teoria que só revela o amadorismo da diretoria e uma falha nas prioridades do clube da Vila Belmiro. Uma punição a Neymar, e a possibilidade de não escalá-lo no jogo contra o Corínthians numa partida do Campeonato Brasileiro, recebeu a mesma dimensão de um projeto de vitória na Taça Liberadores da América de 2011 aos olhos dos cartolas do Santos.

O preço pago por Neymar foi bem além das cifras. Para dar prioridade a ele, o Santos se submeteu a uma mudança de treinadores em plena disputa de Campeonato Brasileiro. Em vez do trabalho do ano que vem ser uma sequência do que foi em 2010, o time de 2011 será organizado às pressas - afinal, o novo técnico santista chega na reta final da competição e não poderá se dar ao luxo de pedir reforços adequados aos seus padrões táticos antes do fim do Brasileirão deste ano.

Neymar já mostrou que tem força suficiente para derrubar um treinador. E agora se vê diante de um desafio ainda maior: mostrar que seu futebol justifica todas as consequências negativas pelas quais passa o Santos atualmente. Haja maturidade para lidar com tamanha responsabilidade.

sábado, 28 de agosto de 2010

Chamas do amadorismo



O Flamengo brincou com fogo ao entregar para Rogério Lourenço o comando do time principal. E, no final (decretado ontem, com a demissão dele), todos se queimaram. Zico, Rogério, jogadores e, principalmente, a instituição do rubro-negro carioca, que mais uma vez viu seu futebol levado por uma sequência de erros, dentro e fora do campo.

Passada a crise do primeiro semestre (que teve como ápice a demissão do técnico Andrade), o Flamengo promoveu Rogério Lourenço a treinador do time principal, alheio ao fato de ele não ter experiência como técnico de jogadores profissionais. Rogério tivera destaque treinando as divisões de base do rubro-negro e, no ano passado, levara a Seleção Brasileira Sub-20 à final do Mundial (perdido nos pênaltis para Gana).

Logo em seu primeiro trabalho como profissional, o técnico ficou encarregado de levar o time, mesmo abalado por uma crise, à conquista da Taça Libertadores da América. Mas a eliminação na competição sul-americana (ocorrida graças a uma derrota para o limitado time do Universidad de Chile em pleno Maracanã) queimou a esperança de o Flamengo voltar ao topo do mundo.

A dupla de ataque Adriano e Vágner Love saiu. Outros jogadores da base campeã brasileira de 2009 também foram embora. Zico chegou para ser diretor de futebol do Flamengo. Para a parte ofensiva, foram contratados os questionados Val Baiano, Cristian Borja e Leandro Amaral. Os resultados no Campeonato Brasileiro, que vinham de forma razoável durante a parada da Copa do Mundo, se tornaram cada vez mais escassos no pós-Copa. Em especial, com relação ao ataque. À exceção da vitória por 3 a 1 sobre o Grêmio Prudente, na terceira rodada, os flamenguistas só balançaram a rede no máximo uma vez a cada 90 minutos.

Com um remendo de time, Rogério Lourenço encontrou dificuldades para relacionar até mesmo 18 jogadores por partida. Provavelmente, isto tenha comprometido também o esquema de jogo da equipe, que invariavelmente ficou dependente de bons momentos de Petkovic - jogador que se tornou insubstituível, mesmo que seus 38 anos não permitam mais um futebol de qualidade durante 90 minutos. Outros atletas, como Kléberson e o repatriado Renato Abreu, se arrastam em campo, mas apesar distos seguem como titulares e demoram para ser substituídos. E quando o treinador altera a equipe, erra em boa parte de suas alterações.



Desde as primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, a torcida se acostumou a queimar o nome de Rogério Lourenço com os gritos de "fora, Rogério". E Zico, a todo custo, persistiu na ideia de mantê-lo no comando do Flamengo. Uma persistência que comprometeu até mesmo seu nome, diante do medo de errar que ele demonstrou ter em relação ao técnico.

Finalmente, acabou vencido pela pressão das arquibancadas, e tirou Rogério Lourenço do cargo. E agora? Zico ainda vai continuar com sua credibilidade inabalada mesmo depois de vir a público e dizer que os torcedores ajudaram a demitir o treinador? Ou seria uma forma de jogar a decisão para a torcida?

De qualquer forma, a queda de Rogério Lourenço apenas confirma que clubes de grande expressão não podem entregar o cargo de técnico a um nome inexperiente. As queimaduras parecem irreversíveis na carreira do ex-treinador. Mas, pelo menos, a diretoria do Flamengo tem chance de se salvar, tanto pelas contratações de expressão dos atacantes Diogo e Deivid quanto pela possibilidade de encontrar um nome mais convincente para treinar a equipe. Claro, com urgência, antes que o incêndio do amadorismo se alastre ainda mais na Gávea.

Sem máscara



Emerson Leão não é mais o treinador do Goiás. A frase em questão nem é tão inédita no futebol brasileiro, pois basta trocar o nome da equipe para lembrar que Leão recentemente coleciona insucessos, polêmicas e brigas em todas as equipes que dirige. Entretanto, agora o técnico saiu única e exclusivamente pelos maus resultados do esmeraldino, que, depois da derrota por 3 a 0 para o Fluminense no Serra Dourada, chegou ao último lugar na classificação do Campeonato Brasileiro.

A rixa política que assola o Goiás não deixou espaço para Leão mostrar suas irritações e controvérsias com dirigentes, e ficou visível aos olhos dos torcedores suas limitações como técnico. Não bastasse a falta de um padrão de jogo para o time goiano, alguns jogadores de pouca qualidade, como Jonílson, Wellington Monteiro e Everton Santos, foram promovidos a titulares absolutos. Em compensação, boas esperanças de gol, como Bernardo e Romerito, foram deixados de lado, e a equipe se tornou ainda mais inofensiva no ataque.

É bem verdade que as limitações do esmeraldino não disponibilizavam um grande time para Emerson Leão montar - consequências de uma política que esvazia cada vez mais o alviverde goiano. Mas os equívocos do treinador comprometeram ainda mais o desempenho do Goiás, relegado a um time no qual apenas há um resquício de vontade entre seus jogadores.



Da passagem de Leão pelo Serra Dourada, ficam apenas duas lembranças. A do lamentável episódio do Barradão, no qual ao fim do jogo contra o Vitória, o técnico se envolveu numa briga e agrediu um radialista de uma emissora, e o fim do mito de que Emerson Leão é um bom treinador mas atrapalhado por cartolas em todos os clubes que treina.

Talvez este seja um raro momento no qual Emerson Leão é coadjuvante numa crise sem precedente que levou um clube à lanterna do Campeonato Brasileiro. Só que, desta vez, o futebol foi apresentado aos erros de Emerson Leão à beira do campo.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Ladeira sem fim



Partidas pífias, maus resultados, decepção e vaias da torcida, e um panorama no qual só se pode prever o pior. Isto era o Sport Recife no Campeonato Brasileiro de 2009, quando acabou rebaixado em último lugar no torneio. Mas isto condiz com a realidade do Sport Recife em 2010, durante a campanha do Campeonato Brasileiro da Série B.

Nem mesmo a manutenção da hegemonia em Pernambuco, quando conquistou seu pentacampeonato estadual, fortaleceu o Sport para a competição nacional. Talvez pela euforia recente da conquista do título pernambucano (a decisão contra o Náutico foi numa quarta-feira e a estreia na Série B, com derrota para o Brasiliense, no sábado) fizeram com que o time apresentasse quatro partidas pífias, e depois de um empate e três derrotas, uma delas por goleada de 4 a 1 para o ASA, Givanildo Oliveira foi mandado embora.



Em seu lugar, entrou Toninho Cerezo, que depois de cinco anos no futebol árabe (onde comandou os times Al-Hilal, Al-Shabab e Al-Ain) queria retornar ao Brasil. A torcida rubro-negra respirou aliviada com a vitória sobre o Paraná, e passou a ficar confiante com a goleada por 5 a 0 no América de Natal, em jogo no Rio Grande do Norte. Na volta depois da parada da Copa do Mundo, outra vitória como visitante, um 3 a 1 sobre o Ipatinga.

Mas, o insucesso voltou a aparecer também com o comando de Cerezo. Depois de quatro jogos com dois empates e duas derrotas (uma delas para o Duque de Caxias, time que não tinha vencido ainda no Brasileirão da Série B e estava em último lugar), a diretoria resolveu demiti-lo, mesmo com o retrospecto teoricamente favorável de três vitórias, dois empates e duas derrotas.

A impaciência da diretoria do Sport fica ainda mais agravada porque nem Givanildo e nem Cerezo conseguiram tirar dos jogadores rubro-negros todo o favoritismo ao qual eles foram elevados (em especial por causa do nível técnico inferior de boa parte dos adversários da Segunda Divisão). Bons jogadores como o lateral-esquerda Dutra, o meia Daniel Paulista e os atacantes Eduardo Ramos e Ciro parecem ter deixado seu futebol restrito ao Campeonato Pernambucano. Tanto que o empate com o Náutico, sábado nos Aflitos, foi considerado um resultado desastroso, mesmo sendo fora de casa.



Três anos depois, Geninho volta ao clube com a missão de conseguir o mesmo que conseguira em 2007, mas quando fez o Sport escapar do rebaixamento para a Segunda Divisão. O objetivo é o mesmo - escapar do rebaixamento - mas o contexto é outro. Parar um time desgovernado, que um ano depois de disputar a Taça Libertadores da América se vê ameaçado de ser rebaixado para a Série C, requer o paradoxo de encontrar sangue frio e brios suficientes para mudar tamanha situação.

Vítima de uma obsessão



Às vezes, um título é capaz de maquiar todos os defeitos que uma equipe apresenta em seu desempenho no gramado. Mas uma derrota numa decisão consegue ser fatal para evidenciar toda uma sequência de erros que foram deixados de lado no caminho até a final. E é nesta situação que se encontra o Vitória da Bahia. Uma semana depois da perda da Copa do Brasil para o Santos, e no dia seguinte à derrota para o Vasco em São Januário, Ricardo Silva foi demitido.

Enquanto esteve no cargo de técnico, Ricardo padeceu de alguns problemas de organização do Vitória. Desde os vistos mais constantemente em equipes com pouca tradição nacional, como a ausência de um elenco que passe acima do razoável e o risco de seu jogador mais habilidoso ser um veterano (no caso, o meia Ramón), até erros de planejamento que vieram para o rubro-negro baiano em 2010.

Priorizar a disputa da Copa do Brasil é uma opção eficaz quando se tem um grupo de reservas capaz de ser bem-sucedido em outras competições. Mas não era o caso do Vitória, que, se em seu time titular trazia poucos, como os meias Ramón e Elkesson, no banco de reservas acabava encontrando menos possibilidades ainda de formar uma equipe com bom nível técnico.

A confiança em contar com o bom retrospecto no Barradão pareceu atrapalhar a equipe também no primeiro jogo da final. Na Vila Belmiro, o Vitória permitiu que o Santos perdesse inúmeras oportunidades, e tudo foi camuflado porque o placar ficou "apenas" em 2 a 0.

Mas, sem dúvida, o grande motivo que levou à demissão de Ricardo Silva foi o mal do qual ainda sofrem alguns times que estão em busca de consolidação em território brasileiro. A final contra o Santos era apenas o segundo momento na história em que o clube chegava a uma decisão de um campeonato nacional - a primeira tinha sido em 1993, no Campeonato Brasileiro, quando o Vitória foi derrotado pelo o Palmeiras. A situação ficava ainda mais delicada na rixa de torcedores do Vitória com os do seu arquirrival Bahia. Por mais que o adversário desde 2003 não dispute a Primeira Divisão - e nos anos de 2006 e 2007 tenha disputado a Série C do Brasileirão - o Bahia tem em sua história os troféus da Taça Brasil de 1959 e do Campeonato Brasileiro de 1988.

Por isto, o Vitória se apegou cegamente à possibilidade do título na Copa do Brasil, não se preocupando com problemas que vinham ao seu redor e, o que é pior, fazendo pouco caso das partidas do Campeonato Brasileiro. A torcida acolheu o rubro-negro baiano, com os gritos de "time de guerreiro" após o jogo final com o Santos no Barradão. Mas, em nenhum momento, a diretoria do clube se preocupou em dar munição para Ricardo Silva ter outras formas de guerrerar com os adversários.



Em compensação, seu sucessor, Toninho Cecílio (que vinha treinando o Grêmio Prudente neste Brasileirão), terá mais opções de elenco no comando do Vitória. A diretoria confirmou as contratações de Eduardo, Thiago Humberto, Henrique e, talvez a maior delas, Kléber Pereira. Agora é a dúvida que paira sobre o Barradão: a ausência de bons jogadores teria sido um boicote a Ricardo Silva?

Fragilidade anunciada



A tradição gaúcha mais uma vez prevaleceu no Grêmio. Diante do Campeonato Brasileiro que a equipe gremista vem apresentando, o cenário promissor, no qual Silas prometia deslanchar sua carreira, se transformou num contexto que justificou de uma vez por todas a desconfiança da torcida sobre ele.

O Grêmio iniciou o ano com uma campanha hesitante no Gauchão, o que fez com que o time fosse alvo de muitos protestos, de vaias e até de uma situação inusitada: no jogo contra o Votoraty, pela Copa do Brasil, os gremistas presentes no Olímpico vibraram quando o atacante William se contundiu. Entretanto, a resposta às dúvidas sobre Silas veio com a conquista do Campeonato Gaúcho.

Mesmo com o título, a situação entre Silas e os torcedores do Grêmio ficava no limite, e isto se refletia também no grupo de jogadores. William e outros que tinham atuado no ano anterior pelo Avaí, no qual Silas era o comandante, eram invariavelmente desprestigiados.

Num contexto tão delicado, qualquer resultado adverso poderia degringolar numa crise sem precedentes. E foi assim que o Grêmio perdeu seu rumo. Com a eliminação para o Santos na semifinal da Copa do Brasil, os jogadores gremistas pareceram assimilar uma forte depressão. Os resultados pararam de vir, em especial após a parada da Copa do Mundo, e a situação ficou insustentável.

A demissão de Silas foi um episódio ensaiado desde o início do técnico no comando do Grêmio. Técnicos com esquemas que priorizam a velocidade e a técnica, como foi o Avaí de 2009, não têm força no futebol gaúcho. A intolerância gremista mais uma vez veio de maneira violenta, e derrubou um treinador que ousou tentar um novo padrão de futebol para o tricolor do Rio Grande do Sul.



Num clube tão apegado às suas tradições, era inevitável que, após este período atípico na história gremista viesse um nome visto com bons olhos em azul, branco e preto. Renato Gaúcho é o novo homem à frente do Grêmio, e traz com ele o carinho da torcida, pois, como jogador, ele deu o Mundial Interclubes de 1983. Resta saber se, em nova função, Renato vai ter forças e o abraço da torcida para aumentar a vasta tradição de títulos do tricolor gaúcho.

Enquanto era tempo



Ao contrário de todos os assalariados do país, um treinador de futebol é o único que não precisa chegar a segunda-feira para saber se continua empregado. Na décima-terceira rodada do Campeonato Brasileiro, várias foram as mudanças de comando nos clubes. Algumas por desgaste, outras por desespero com a parte de baixo da tabela. Mas o Ceará, novamente, apresentou uma troca de treinadores atípica.

Durante a parada para a Copa do Mundo, o Vozão perdeu Paulo César Gusmão, que fez a arriscada manobra de abandonar o vice-líder do torneio para assumir o Vasco, na época penúltimo colocado. No lugar de PC, entrou Estevam Soares, nome de oscilações muito bruscas em sua carreira - em especial nas temporadas mais recentes.

Após fazer um início de campeonato promissor no ano passado com o então Grêmio Barueri (hoje Grêmio Prudente), Estevam aceitou o convite de comandar um Botafogo desesperado contra o rebaixamento. No limite, após vitórias heroicas nas últimas rodadas - diante de Internacional, São Paulo e Palmeiras, que terminaram nas primeiras posições - o alvinegro carioca se manteve na Primeira Divisão. No entanto, em 2010 a equipe não só começou hesitante no Campeonato Estadual como sofreu uma goleada por 6 a 0 para o Vasco, no Engenhão. A consequência foi a demissão dele.

Estevam Soares teve a oportunidade de se redimir de sua última imagem em outro alvinegro, de menor tradição no cenário nacional, mas com uma carreira emergente para o estado na história do Campeonato Brasileiro. Entretanto, nos seis jogos do período pós-Copa, veio uma ausência de vitórias do Ceará, com duas derrotas e quatro empates (o mais recente no domingo, um 0 a 0 com o lanterna Atlético Goianiense, no Castelão).

Não, o Ceará ainda não está em situação delicada no Campeonato Brasileiro. Ele apenas desceu uma posição em relação à primeira parte do torneio (caiu do segundo para o terceiro lugar). Mas, diante do panorama que Estevam Soares parecia desenhar para o time cearense no restante da competição, foi melhor a diretoria não esperar a vinda de momentos mais críticos para o Vozão, que disputa a Série A do Brasileirão depois de 17 anos.



O novo comandante é Mário Sérgio, técnico bastante contestado, acusado de priorizar a força bruta nos times que treina, e que não tem em seu currículo nenhum título no comando de uma equipe. A saída de Estevam Soares aconteceu enquanto era tempo. Mas será que os diretores do Ceará não se precipitaram em confiar o time a um treinador com este histórico?

sábado, 7 de agosto de 2010

Mania de grandeza



Técnico de futebol é a profissão mais instável no Brasil. Entretanto, o período de Ricardo Gomes no comando do São Paulo sacramentou a longevidade da corda bamba. Desde a primeira partida, o treinador parecia com os dias contados no cargo, tanto por seu talento ser considerado aquém da dimensão de sua responsabilidade quanto pela condicional na qual ele foi submetido - só ficaria se levasse a equipe novamente à Libertadores.

Maior vencedor da história do Campeonato Brasileiro (e tricampeão consecutivo da competição na década de 2000), o São Paulo passou a ter uma obsessão por conseguir a hegemonia também na Taça Libertadores da América. Só que, depois do título de 2005, nenhum dos campeões nacionais do tricolor paulista conseguiu ganhar a dimensão sul-americana. O insucesso no exterior custou, por exemplo, o fim da vitoriosa passagem de Muricy Ramalho no Morumbi em meados do ano passado.

Em seu lugar, a diretoria são-paulina contratou Ricardo Gomes, uma aposta, por sua ausência de conquistas no futebol nacional. Em cerca de um ano, o treinador colecionou a perda do Campeonato Brasileiro de 2009 e a eliminação do Campeonato Paulista de 2010. Mas tudo foi perdoado, em função de um prêmio de consolação: com o terceiro lugar no Brasileirão, a equipe estava credenciada para disputar a Taça Libertadores da América.

A diretoria do São Paulo contornou a impaciência da torcida, que via a cada partida seu time não definir um padrão de jogo (ao ponto do técnico mudá-lo com a bola rolando), e bancou Ricardo Gomes porque, mesmo no limite, a equipe ia passando de fase no torneio mais importante do ano. Veio a derrota para o Inter, com resultados que até foram plausíveis para um confronto tão equilibrado como Internacional e São Paulo. Mas a forma como eles aconteceram foi inadmissível para a tradição são-paulina.

Após a covardia do tricolor no jogo do Beira-Rio, o time não demonstrou tranquilidade para compensar a derrota no Sul durante os 90 minutos do Morumbi. Assim como não conseguira compensar seus erros durante todo o período de Ricardo Gomes à frente do São Paulo. Nem toda a corda bamba na qual ele ficou tinha sido digna de justificar a conquista da América do Sul.

Talvez seja a hora do presidente Juvenal Juvêncio voltar a olhar para todos os lados na hora de escolher um treinador para o São Paulo. Passada a aposta mal-sucedida em Ricardo Gomes, o dirigente são-paulino deve ter percebido que há outros campeonatos a serem disputados por seu clube. O tricolor paulista, que em seu hino diz ser forte, grande, precisa amenizar sua mania de grandeza para reencontrar sua grandiosidade no gramado.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Síndrome do "Entre-Copas"



Costuma-se associar a estabilidade de um treinador no cargo de uma equipe ao seu bom trabalho e, em especial, por ele ter credibilidade com torcida, jogadores e diretoria. Entretanto, a exceção continua a ser o comando da Seleção Brasileira. Nenhum profissional que dirige o Brasil a partir do pós-Copa conseguiu ser campeão da edição seguinte da competição.



Dunga chegou à Seleção Brasileira em agosto de 2006, em substituição a Carlos Alberto Parreira. Foram quatro anos buscando implantar uma filosofia priorizando o comprometimento dos jogadores. Entretanto, sua política extrema sacrificou também atletas habilidosos, pelo receio de que o estrelismo deles fosse prejudicial.

Com a consolidação do "futebol de resultados", o jogo feio e defensivo difundido por Dunga se tornou eficiente aos olhos da Confederação Brasileira de Futebol, graças às conquistas da Copa América, em 2007, e da Copa das Confederações, em 2009. Mas numa competição de tiro curto e, em especial, na qual todas as seleções levam o que há de melhor no momento, o técnico preferiu apostar numa turma bem-sucedida nas outras competições, independente de eles passarem por maus momentos em seus respectivos clubes. A inocência custou a eliminação nas quartas-de-final de 2010, para a Holanda.



O treinador anterior a Dunga também ficou no comando do Brasil por quatro anos. Com a saída de Luiz Felipe Scolari após o título de 2002, a CBF designou outro nome associado a Copa do Mundo no Brasil. Comandante de 1994, Carlos Alberto Parreira voltava para, 12 anos depois, ajudar novamente a Seleção Brasileira.

Assim como Dunga, Parreira chegou à Copa credenciado pelas conquistas da Copa América de 2004, e da Copa das Confederações de 2005. E em 2006, aconteceram erros totalmente contrários aos que viriam quatro anos depois. Craques foram sim convocados, mas estavam acima do peso, e o descontrole chegou à organização da concentração da Seleção Brasileira, com invasão de torcedores e erros de segurança. Veio a eliminação nas quartas-de-final, com a derrota para a França e para a soberba do favoritismo no qual o Brasil confiou para sair vencedor na Alemanha.



Carlos Alberto Parreira esteve no lado contrário desta situação alguns anos antes. Depois de ser campeão com a Seleção Brasileira em 1994, o técnico deixou o cargo e foi substituído por Mário Jorge Lobo Zagallo (seu auxiliar na Copa dos Estados Unidos). Foram quatro anos dele no comando do Brasil, consolidados também por conquistas da Copa América e da Copa das Confederações - que foram disputadas no ano de 1997.

Entretanto, na Copa do Mundo de 1998, a Seleção Brasileira chegou à final pela primeira vez com sua campanha trazendo uma derrota (2 a 1 para a Noruega) e, diante da França, houve o fatídico episódio da convulsão com Ronaldinho. A derrota por 3 a 0 para os franceses fez com que o trabalho de quatro anos organizando a seleção culminasse em mais um insucesso - tal qual acontecera com o próprio técnico décadas antes. Após sua conquista de 1970, Zagallo continuou no comando até a Copa do Mundo de 1974, e sua nova equipe terminou com o frustrante quarto lugar, com derrotas na para a Holanda na segunda fase, e para a Polônia, na decisão do terceiro lugar.

Os cinco títulos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo trazem uma coincidência favorável a imediatismos. Os campeões de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002 não fizeram projetos a longo prazo para o Brasil. Todos vieram como nomes emergenciais que, no fim das contas, acabaram formando esquadrões vitoriosos.

Entre a derrocada de 1954, sob o comando de Zezé Moreira e a conquista na Suécia em 1958 com Vicente Feola, passaram nomes como Osvaldo Brandão, Teté e Flávio Costa no banco de reservas. O problema de saúde afastou Feola por alguns anos da seleção depois de 1958, e Gentil Cardoso e Foguinho ficaram no comando do Brasil neste período. Vicente Feola ainda tentou retornar, mas a partir de 1960, a Seleção Brasileira foi dirigida por Aymoré Moreira (que foi campeão de 1962). O próprio Zagallo chegou ao comando do Brasil apenas no ano de 1970, com a demissão de João Saldanha.

Após a queda de Sebastião Lazaroni pelo insucesso na Copa de 1990, a CBF ainda foi treinada por um ano por Paulo Roberto Falcão, antes de Carlos Alberto Parreira assumir definitivamente o comando da Seleção Brasileira a partir de 1992. Luiz Felipe Scolari se tornou técnico do Brasil um ano antes da Copa de 2002. Antes dele, a lista de convocados ficou a cargo de Vanderlei Luxemburgo e de Émerson Leão. E, mesmo sem longevidade no cargo, Parreira e Felipão trouxeram as Copas de 1994 e de 2002, respectivamente.

Mais do que se preocupar em prosseguir no cargo, o futuro treinador da Seleção Brasileira não pode se restringir a homens de confiança e de um time feito a longo prazo para a Copa do Mundo. Ainda mais que o histórico de mudanças bruscas no "Entre-Copas" vem sendo bem favorável para as conquistas brasileiras.

domingo, 4 de julho de 2010

Em busca de novas páginas



A Seleção Brasileira termina o domingo sem treinador. Após quatro anos de trabalho que culminaram no insucesso na Copa do Mundo de 2010, Dunga foi demitido (e, com ele, toda a comissão técnica atual). O futebol brasileiro fica à espera não só de um novo nome, mas, especialmente, de uma filosofia que seja condizente com o que é necessário para um selecionado ser campeão.

Por mais que o panorama dos gramados do mundo afora venha sendo o estilo originalmente europeu que prioriza a defesa, a Seleção Brasileira não deve renegar suas raízes de habilidade e de ataque. Até mesmo seleções campeãs que tinham estilo mais defensivo traziam jogadores habilidosos - Romário e Bebeto em 1994 e Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Ronaldo em 2002.

Além do erro em só se preocupar com questão disciplinar, o período de Dunga como técnico do Brasil comprovou mais uma vez que o cargo não permite apostas. Não se deve confundir processo de renovação de uma Seleção Brasileira com a elevação de um ex-jogador a treinador da seleção que recebe mais holofotes no mundo.

Cinco nomes entraram na pauta inicial para o posto de treinador. O tempo e o placar... se atreve a traçar alguns pitacos sobre os nomes em questão. Afinal, serão quatro anos de expectativa até a Copa do Mundo de 2014.



A falta de experiência que fez diferença negativamente para Dunga poderá atrapalhar também LEONARDO. O ex-jogador de Flamengo, São Paulo e Milan apresentou serenidade e, em especial, tino para ser dirigente do clube de Milão. Entretanto, sua passagem como técnico foi bastante hesitante, e durou apenas uma temporada.

A inconveniência em iniciar treinadores logo com a Seleção Brasileira pode ser traumático, tanto para quem chega ao cargo quanto para a torcida. O erro havia acontecido com Paulo Roberto Falcão, e Ricardo Teixeira tentou do mesmo jeito com Dunga. Não há motivo para insistir com Leonardo.



No extremo oposto, surge a opção de RICARDO GOMES, atual técnico do São Paulo. Sob seu comando, o time está às vésperas da semifinal da Taça Libertadores da América - sem dúvida, um bom cartão de visitas. Entretanto, as experiências anteriores do ex-zagueiro do Fluminense e do Paris Saint-Germain no cargo de técnico são muito frustrantes.

No futebol brasileiro, sua única conquista aconteceu com o Vitória da Bahia (a Copa do Nordeste de 1999). Em compensação, o treinador coleciona fiascos por Sport, Flamengo, Fluminense, Guarani e Juventude. Mas outra experiência preocupante para a torcida vem no comando da Seleção Brasileira. Entre 2002 e 2004, Ricardo Gomes foi o técnico da Seleção Olímpica, e o sonho da medalha de ouro foi embora ainda na disputa do Pré-Olímpico, queimando jogadores como Maicon, Diego, Nilmar e Robinho.

Seu currículo traz passagens de destaque pelo PSG e pelo Bordeaux, com títulos da Copa da França e da Copa da Liga Francesa. O razoável sucesso no futebol francês e uma possível classificação são-paulina à final da Taça Libertadores da América podem credenciá-lo aos olhos da CBF.



MANO MENEZES não tem uma experiência tão ampla em times de grande expressão, mas nas suas passagens por Gremio e, atualmente, Corínthians, conseguiu o mérito de uma ascensão meteórica. Ambas equipes passaram por uma Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro e, além do retorno à Série A, realizaram campanhas importantes. Com o tricolor gaúcho, foi finalista da Taça Libertadores da América de 2007. Com o alvinegro paulista, venceu a Copa do Brasil.

No atual Brasileirão, o time corintiano encerrou a campanha antes da parada para a Copa do Mundo invicto. Entretanto, ainda falta a Mano comprovar que pode lidar com várias estrelas numa mesma equipe. O Corínthians de 2010, cercado de jogadores de destaque como Tcheco, Jorge Henrique e os consagradíssimos Roberto Carlos e Ronaldo, fez um razoável Campeonato Paulista e, no ano do centenário do clube, foi eliminado prematuramente da Taça Libertadores da América.



MURICY RAMALHO, certamente, é um dos nomes preferidos do atual futebol brasileiro. Suas passagens vitoriosas pelo Internacional e, principalmente, pelo São Paulo (onde conseguiu um tricampeonato consecutivo do Campeonato Brasileiro), o consagram como um treinador cheio de competência. O técnico assumiu o comando do Fluminense e, em poucas rodadas, deixou a equipe entre os quatro primeiros colocados do Brasileirão antes da parada da Copa do Mundo.

É incontestável sua capacidade de tirar o melhor de cada jogador da equipe que treina. Entretanto, o inconveniente de seu trabalho a longo prazo foi mostrado em 2009 no São Paulo: sua equipe tende a ficar com um esquema previsível e, com o decorrer dos campeonatos, acaba facilmente neutralizada. Além do risco de campo, vem o problema extracampo, de bater de frente com dirigente de clube - fator que tornou sua passagem pelo Palmeiras decepcionante. E numa Seleção Brasileira há muito ego de cartolagem para administrar.



LUIZ FELIPE SCOLARI é o único nome em questão que já passou por uma Copa do Mundo com a Seleção Brasileira. A bem-sucedida campanha de 2002 o eleva a um técnico idolatrado por sua capacidade em formar uma família compenetrada, em busca de títulos e, principalmente, que soube apresentar seriedade no momento certo (ao contrário da Era Dunga, campeã de Copa América e Copa das Confederações e desclassificada da Copa de 2010).

Felipão comprovou ter personalidade suficiente para escalar os jogadores e confiar neles para decidirem as partidas, independente de questionamentos por parte da crítica esportiva. Entretanto, Scolari correrá o risco de ter sua imagem vitoriosa de 2002 maculada? Fica o mistério.

Mas, sem dúvida, o mistério que não deve continuar na Seleção Brasileira é em relação ao lugar onde vão esconder os verdadeiros craques do Brasil. Independente do novo escolhido para o cargo de treinador (também foram especulados nomes de Vanderlei Luxemburgo, Adilson Batista e Paulo Autuori correndo por fora), é preciso que ele venha com desejo de escrever uma história própria em sua passagem. Alheia a erros do passado, e disposta a convocar os nomes de habilidade que surgem no país. A bolsa de apostas começa agora.

sábado, 3 de julho de 2010

Eterna mea culpa


Ao assumir o cargo de treinador da Seleção Brasileira, Dunga recebeu de Ricardo Teixeira a incumbência de fazer uma seleção sem todo o "oba-oba" que aconteceu na edição de 2006 (quando o estrelismo de alguns jogadores levou à derrocada do Brasil nas quartas-de-final, diante da França). Durante quatro anos de trabalho, o técnico seguiu este padrão. Repetiu a doutrina de "comprometimento" dos jogadores e implantou nas suas convocações a ideia de ter uma "coerência". O Brasil não ganhou a Copa do Mundo de 2010. Foi eliminado nas... quartas-de-final.

A razão do novo insucesso no torneio de futebol mais importante do mundo deixa claro: Copa não é lugar para revanchismo. Nos quatro anos da Era Dunga como treinador, a única intenção era jogar na cara da imprensa esportiva e da torcida que a CBF poderia, sim, cuidar da sua Seleção Brasileira de maneira organizada. Entretanto, a recomendação se tornou uma obsessão para Dunga, e gerou outro grave inconveniente.

Jogadores que despontavam com excelentes atuações (em especial nos campeonatos estaduais Brasil afora) acabaram execrados pelo técnico. Apenas jogadores medianos, que tinham raros lampejos de habilidade e seguiam o esquema por não terem qualquer personalidade futebolística receberam prioridade. O argumento era de que craques acabavam tropeçando em seus egos nos momentos decisivos, e não agregavam nada ao grupo. A exceção a este panorama, do ponto de vista de Dunga, foram o meia Kaká e o atacante Robinho, que aparentemente apresentaram mais humildade que nomes como Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Adriano em 2006.

Pois bem, sob desconfiança geral e irrestrita, a Seleção Brasileira partiu rumo à África do Sul. Conseguiu duas vitórias e um empate na fase classificatória, uma classificação tranquila nas oitavas-de-final, até que a partida contra a Holanda apresentou o óbvio: o Brasil de Dunga tem outros erros.

Sem as "estrelas", o poder ofensivo ficou extremamente reduzido, e as opções do banco de reservas rarearam, a ponto de nem Dunga ousar fazer alguma substituição quando a Seleção Brasileira perdia para a Holanda e não encontrava meios de mudar sua apatia. Ônus de uma equipe que foi criada somente com o intuito de ser a oposição do Brasil de quatro anos atrás.

Dunga anunciou que não prosseguirá no cargo. Que o presidente Ricardo Teixeira não recorra a treinadores movidos a extremismos, e se preocupe em escalar jogadores com habilidade e poder de decisão suficientes para vestir a camisa da seleção mais tradicional do mundo. A Seleção Brasileira não pode ficar sujeita a conviver com uma mea culpa diferente a cada quatro anos de Copa do Mundo.

domingo, 27 de junho de 2010

Falsa valentia



Com os ânimos mais calmos após os ataques contra jornalistas, o técnico Dunga apresenta um defeito que contradiz com a "coerência" que ele tanto gosta de declarar. O treinador, que se define como um homem valente e disposto a dar a cara a tapa, não age da mesma forma na escalação de sua Seleção Brasileira.

Três rodadas depois do torneio, a questionada lista de 23 convocados para a Copa do Mundo de 2010 parece que vem sendo colocada em dúvida pelo próprio Dunga. A fase classificatória terminou e, sim, agora há tempo de alterar os titulares visando o período de "mata-mata".



A primeira estranheza vem na lateral-esquerda. Para o setor, Dunga convocou Michel Bastos, do Lyon, e Gilberto, do Cruzeiro, independente de ambos atualmente atuarem no meio-de-campo das equipes que defendem. Diante de Coreia do Norte, da Costa do Marfim e de Portugal, Bastos mostrou-se uma nulidade, tanto matando oportunidades no ataque quanto por deixar espaços nos momentos em que o Brasil é atacado. Não falta mais nada para ele ser sacado do time.

O inconveniente é que Gilberto tem 35 anos, e, embora tenha bastante experiência, não tem o mesmo fôlego para jogar na posição como teve em seus tempos de Flamengo, Cruzeiro, Vasco e Seleção Brasileira, por exemplo. Ao convocá-lo, Dunga sabia que a idade poderia jogar contra. Mas, como a convocação se confirmou, não era hora de bancá-la? Ou a opção vai ser mesmo improvisar Daniel Alves, como aconteceu na Copa das Confederações de 2009 quando André Santos e Kléber não corresponderam?



O técnico também bancou o meia Kléberson na Seleção Brasileira, indiferente ao fato de ele amargar a reserva no Flamengo. Ele é reserva imediato de Felipe Melo, jogador que vem primando por sua falta de estabilidade emocional e por sua chuteira estar restrita à canela dos jogadores.

Na partida contra o Portugal, o camisa 5 saiu de campo com dores no tornozelo (pretexto convincente para tirá-lo antes do fim do primeiro tempo por causa do cartão amarelo). Em seu lugar, entrou Josué, jogador tão inoperante na realização de jogadas quanto Gilberto Silva. Kléberson, volante mais habilidoso, continuou no banco de reservas, deixando ainda mais forte que sua convocação foi movida pelo sentimento de culpa, em compensação ao fato de a queda de rendimento do jogador ter acontecido principalmente porque se contundiu pela Seleção Brasileira num amistoso contra a Estônia.

Talvez seja a hora de Dunga se dar ao direito de ser "covarde" em algumas situações. Afinal, o Brasil enfrenta amanhã o Chile em Johannesburgo e precisa encontrar motivos para ter mais coragem de vencer as partidas da Copa do Mundo.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Más palavras




As polêmicas envolvendo o técnico Dunga não foram encerradas no dia da convocação da Seleção Brasileira. Na entrevista coletiva após a vitória por 3 a 1 sobre a Costa do Marfim, o treinador xingou o jornalista Alex Escobar, da TV Globo, enquanto declarava que alguns órgãos de imprensa teriam criticado a insistência em escalar o atacante Luís Fabiano.

A atitude intempestiva de Dunga reduziu uma partida em que o Brasil se classificou para as oitavas-de-final a um pretexto para o técnico soltar rajadas de respostas atravessadas contra jornalistas (em especial os brasileiros). Desde a coletiva pós-convocação, ele e o auxiliar-técnico Jorginho passaram a vociferar em tom de doutrina a ideia de que críticas à Seleção Brasileira que está na Copa de 2010 são feitas por quem não quer a conquista na África do Sul.

E o que é pior: os palavrões direcionados a Alex Escobar foram típicos de pessoas que não aceitam conversa e só se garantem quando chegam às vias de fato. Dunga quis posar de valente mas só revelou desequilíbrio e insegurança.

Algumas pessoas ficaram a favor de Dunga, dizendo que foi uma defesa natural para um treinador que carrega a pressão de comandar uma Seleção Brasileira. Esta ideia indica então que a inexperiência dele fez a diferença negativamente? Quem assume o cargo de técnico do Brasil sabe que vai sofrer pressões de todos os lados. Trata-se da torcida de um país inteiro. Se não há como se acostumar, por que não dirigiu um time, independente de qualquer tradição que ele tivesse?

Dunga respondeu aos críticos da sua "Era Dunga" no banco de reservas com títulos, casos da Copa América e da Copa das Confederações. Por que não restringir a resposta a seus críticos com as atuações da Seleção Brasileira? Foi assim que técnicos como Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari responderam em 1994 e em 2002, respectivamente.

Alguns levantaram a questão de que a TV Globo "criou caso" à toa. Ora, o natural de qualquer empresa é que um empregado dela tenha direito a defesa quando atacado em seu período de trabalho. Alex Escobar teria sido imprudente caso tivesse respondido com palavrões aos palavrões que foram desferidos contra ele. Nem em seu blogue pessoal o jornalista quis criar polêmica.

A polêmica era suficiente pelo ódio com o qual tratam a TV Globo. Até o ex-goleiro Ronaldo (hoje comentarista da Rede TV!), através do seu Twitter @Ronaldo601, resolveu dar seu pitaco. Ele afirmou que a Vênus Platinada estaria brava porque "mandou 500 profissionais para cobrir a Copa e Dunga não dá nenhuma regalia".

Nenhuma emissora está isenta de cometer erros, mas daí a justificar ofensas como retaliação às críticas que sofre de determinado jornalista ou de determinado órgão de imprensa é demais. De fato, Dunga é muito criticado (às vezes injustamente). Mas em nenhum momento apareceu uma linha se referindo ao técnico da Seleção Brasileira com qualquer palavrão.

A imprensa não pode servir como "chapa branca" da Seleção Brasileira. Jornalistas estão aí para questionar e debater pontos de vista do treinador e dos jogadores que fazem parte do time do Brasil. Técnicos do Brasil estão acostumados a questões ou mitos levantados contra eles a cada Copa do Mundo. E alguns deles não precisaram de palavrões para voltarem ao país com conquistas.