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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Noite do desempate



Na busca pela liderança da competição, Santos e Palmeiras enfrentaram os mesmos empecilhos nesta quarta-feira de Paulistão. Duelos fora de casa, contra times do interior de São Paulo que crescem quando atuam como mandantes e, para completar, os então líderes do Campeonato Paulista entraram em campo com desfalques. A diferença foi a postura das duas equipes contra as adversidades, que fez com que o Palmeiras terminasse a rodada como líder isolado da competição.

Se na Arena Barueri (domingo, diante do São Paulo) Adilson Batista foi bem-sucedido em sua estratégia, na partida de Campinas o treinador deixou o Santos exposto graças às suas invencionices de “Professor Pardal”. Com o zagueiro Edu Dracena, o lateral-esquerda Léo e o volante Adriano fazendo companhia aos demais ausentes, Adilson recorreu a improvisações para o Santos que iria atuar no Moisés Lucarelli. E, na base do improviso, o time santista se perdeu completamente em campo. Era zagueiro na lateral-direita, volante que começou em sua posição de origem deslocado para a lateral-esquerda, jogador que não sabia se era lateral ou ala. A impressão que o Santos dava era de que Adilson Batista fez a recomendação: “podem jogar de qualquer jeito, é só não deixar a dupla de ataque se mexer”.

De fato, Válber e Rômulo pouco apareciam na partida. Só que o time da Ponte Preta, bem armado por Gilson Kleina, chegava sempre com perigo – em especial nas investidas do meia Renatinho. Entre tantos espaços santistas, uma bola alçada por Mancuso encontrou Rômulo na área. De cabeça, o atacante abriu o placar para a Macaca aos 23. A cinco minutos do fim, um lampejo de Elano fez o Santos empatar o jogo. O meia avançou em direção à área adversária e foi derrubado na meia-lua. Com malandragem, ele induziu os ponte-pretanos a prestarem atenção em sua discussão com o árbitro Luiz Flávio de Oliveira. Quando os adversários deram conta, a bola já tinha encoberto a barreira e entrado no lado direito do gol.

Mesmo com o empate, o Santos continuou refém dos erros do “Professor Pardal” no segundo tempo. A Ponte continuou a dominar a partida, chegou ao segundo gol num pênalti cobrado por Renatinho e não parecia ameçada, em especial por estar com um jogador a mais – após o pênalti, Rafael foi expulso porque deixou a perna para derrubar o atacante Rômulo, que ia driblá-lo e fazer o gol. No entanto, mais uma vez os santistas foram salvos por Elano a cinco minutos do fim da etapa – depois de nova arrancada da intermediária, o meia deu passe de calcanhar para Maikon Leite chutar, empatando tanto o jogo quanto a briga dos dois pela artilharia (Elano e Maikon Leite estão com seis gols cada). Apesar do empate em 2 a 2, o Santos permanece invicto, e mesmo com o tropeço no Moisés Lucarelli está firme na briga pela liderança. Nada muito grave. Mas estas artimanhas de Adilson Batista podem se tornar armadilhas contra o sonho do título paulista, em especial quando o meia Elano não estiver em campo para salvar o time – caso do jogo da próxima rodada, contra o Santo André, na qual ele não atuará porque tomou o terceiro cartão amarelo.



A liderança isolada não veio com facilidade para o Palmeiras. O Mirassol justificou a quarta colocação que ostenta no Campeonato Paulista e vendeu caro a derrota. Primeiro, com a excelente participação do goleiro Fernando Leal, que fez pelo menos quatro defesas importantes nos primeiros dez minutos. Depois, com o equilíbrio que o Leão da Alta Araraquaense conseguiu no meio-de-campo, graças à atuação dos meias Jairo e Xuxa.

Mas o que ficou mais evidente no confronto de Mirassol foi como o Palmeiras padece com a ausência de seus titulares. João Vitor até consegue ter atuação satisfatória como volante, mas o trunfo das cobranças de falta de Marcos Assunção seria fundamental num jogo tão equilibrado quanto o desta quarta. Da tentativa de Luiz Felipe Scolari escalar três atacantes, Dinei ficou sumido no jogo, bem distante da habilidade de Valdívia, enquanto Adriano não convenceu como substituto de Kléber (suspenso pelo terceiro cartão amarelo). Coube ao lateral Cicinho novamente se destacar com a camisa palmeirense, fazendo jogada na direita e cruzando rasteiro para o talismã Patrik marcar aos 32. E o Palmeiras, em quem pouquíssimos apostavam no início do ano, chega à liderança do Paulistão e vai para o clássico diante do Corínthians com a moral elevada – tanto por sua situação no Estadual quanto pela eliminação corintiana na Libertadores. Um primeiro motivo de esperança para uma torcida tão carente de conquistas.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Para esquecer a década perdida



A vitória por 4 a 1 sobre o Ituano não surge apenas como a expectativa de uma arrancada no Campeonato Paulista (após um empate sem gols e com vaias na estreia contra o Botafogo de Ribeirão Preto). O Palmeiras começa a segunda década do século XXI tentando esquecer os anos 2000.

De títulos, o Palmeiras comemorou apenas um Paulistão e um Campeonato Brasileiro - o da Série B, no ano seguinte à amargura de cair para a Segunda Divisão. Muito pouco para um clube de tradição de um dos maiores estados do futebol brasileiro. E fora de campo, uma sequência de atritos políticos, capazes de superar até mesmo a sequência de treinadores de qualidade - Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho e, atualmente, Luiz Felipe Scolari.

A herança de 2010 é um contexto extremamente delicado: elenco marcado por picuinhas capitaneadas pelos atacantes Kléber e Valdívia. Com o agravante de que a dupla é a grande esperança de melhora para a temporada de 2011, enquanto o restante do plantel traz jogadores limitados. Para completar, o grande reforço do ano chega ao Palestra Itália em junho - Maikon Leite, que vem do Santos. Como reencontrar o Palmeiras com os restos de uma década perdida?

O continuísmo foi execrado na eleição que aconteceu esta semana - o opositor Arnaldo Tirone vai suceder o desastroso mandato de Luiz Gonzaga Belluzzo. Com o novo presidente, vem o sonho de um novo pensamento para o futebol do Palmeiras. Para que a velha tradição palmeirense se sobressaia em todas as competições.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O dois a um do Pacaembu



Análise de quarta - Palmeiras 1 x 2 Goiás (21h50, Pacaembu)

O placar de 2 a 1 para a equipe visitante parece ser a tônica das grandes surpresas que cercam os estádios brasileiros. Por 2 a 1 foi a vitória do Uruguai sobre o Brasil no Maracanã, na decisão da Copa do Mundo de 1950. Também em 2 a 1 terminou a vitória do argentino Estudiantes sobre o Cruzeiro, no Mineirão, pela final da Taça Libertadores da América de 2009. E em 2010, o Pacaembu foi palco de um jogo com contornos bem próximos a estas duas partidas. Um estádio repleto de torcedores do time da casa, eufóricos com a vantagem de um resultado (no caso, bastava um empate) sobre um adversário que vinha desacreditado. Mas, depois de 90 minutos, o Goiás - time que começou a semana rebaixado para a Segunda Divisão de 2011 com uma rodada de antecedência - conquistou uma inacreditável vaga para a final da Copa Sul-Americana. Com uma vitória por 2 a 1 sobre o anfitrião Palmeiras.

Os mais de 34 mil palmeirense que foram ao Pacaembu na noite de quarta-feira levaram para a arquibancada a confiança de que a batalha mais difícil havia ficado para trás. Com o gol de Marcos Assunção que sacramentou a vitória por 1 a 0 no Serra Dourada na semana anterior, o time goiano não teria força nem técnica suficientes para superar um Palmeiras que durante a semana anunciou concentração máxima na conquista da Copa Sul-Americana (ao ponto de escalar os reservas nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro).

O panorama do primeiro tempo não diferiu muito da expectativa da torcida. O Palmeiras apresentou mais volume de jogo, cercando a área do Goiás com jogadas criadas por Tinga e Lincoln. Vieram algumas oportunidades, com Danilo e num chute de Tinga que foi desviado com os dedos por Harlei e parou na trave. Nem mesmo a ausência de oportunidades vindas dos pés de Luan e Kléber parecia suficiente para que a bola entrasse na rede.

A postura do Goiás contribuía para o domínio palmeirense. Além de um trio de zaga, a equipe apresentava muitos jogadores de qualidade duvidosa, como os laterais Douglas e Wellington Saci e o meia Marcelo Costa. No entanto, depois da pressão inicial, o Esmeraldino aos poucos foi conseguindo ameaçar o gol de Deola com sua dupla Otacílio Neto e Rafael Moura. O último acertou um belo chute que bateu no travessão do Palmeiras.

Se a bola de Rafael Moura teve como destino o travessão, aos 33 minutos o alviverde paulista teve mais pontaria. Após receber um lançamento de Edinho, Luan avançou até a área, desviou-se de um zagueiro e chutou. A bola ainda resvalou nos dedos de Harlei antes de parar no fundo da rede. Palmeiras 1 a 0.

Os palmeirenses seguiam à risca o verso do hino do clube que aparecia num mosaico - "Torcida que canta e vibra" - e faziam festa no Pacaembu. Dentro de campo, o time de Luiz Felipe Scolari demonstrava serenidade para manter a vantagem. Mas, nos acréscimos, o Goiás reencontrou-se com a possibilidade de chegar à final da Copa Sul-Americana. Primeiro, com uma cobrança de falta de Marcelo Costa que parou no travessão. A zaga rechaçou, mas Rafael Moura recuperou a bola e fez um cruzamento. A jogada terminou numa cabeçada de Carlos Alberto que desviou em Tinga antes de entrar no fundo da rede de Deola. Aos 47 minutos, Palmeiras e Goiás iam para o intervalo com o empate em 1 a 1.

Na volta para o segundo tempo, o Palmeiras sentiu. Não a alteração do treinador do Goiás, Artur Neto, que tirou o lateral-direita Douglas para colocar em campo o atacante Felipe. Mas lidou com o empate do Esmeraldino no último momento da primeira etapa como se fosse algo inesperado, inimaginável. E a sensação de que seu favoritismo estava ainda mais ameaçado (se sofresse um gol, estaria desclassificado da Copa Sul-Americana pelo critério "gol marcado fora de casa") atou os pés dos jogadores palmeirenses.

Os chutes a gol ficaram cada vez mais escassos, e quando vieram, como nos dois chutes de Kléber, saíram sem qualquer direção. Enquanto isto, os goianos se apresentavam com mais frequência, graças aos contra-ataques originados por erros palmeirenses. Por duas vezes, Otacílio Neto chutou ao gol, e obrigou Deola a fazer grande defesa.

Luiz Felipe Scolari tentou dar mais poder ofensivo à equipe, trocando o meia Lincoln pelo atacante Dinei. Mas a substituição revelou-se equivocada. Sem Lincoln, o Palmeiras perdia um pouco do seu poder de armar jogadas, e Dinei apenas se juntava a Luan e Kléber na esperança de chegarem novas oportunidades de gol.

O Palmeiras errava. E um erro foi crucial aos 38 minutos. Márcio Araújo se atrapalhou na defesa e permitiu que Marcão avançasse pela lateral. Da linha de fundo, o jogador cruzou para a área. Rafael Moura conseguiu cabecear para o lado onde estava Ernando. Livre de marcação, o zagueiro desviou a bola de cabeça para o fundo da rede. O "azarão" da noite colocava em xeque o favoritismo palmeirense, com o mesmo placar de 2 a 1 que passou por outros grandes estádios brasileiros.

Com a mudança no placar, os treinadores agiram de acordo com o contexto de cada equipe. Artur Neto tirou o atacante Otacílio Neto e reforçou o setor defensivo do Goiás, colocando em campo o volante Jonílson. Felipão trocou o meia Tinga pelo meia-atacante Ewerthon. Mas a serenidade em verde e branco agora estava do lado do time goiano, que se encolheu bem na defesa e deixou o Palmeiras ser derrotado por seu próprio desespero.

Desespero que culminou numa grande frustração para a torcida do alviverde paulista - e não só por ver a vaga para a final da Copa Sul-Americana escorrer pelos dedos. O Palmeiras termina de maneira melancólica um ano que começou com uma campanha pífia no Campeonato Paulista, teve uma eliminação lamentável na Copa do Brasil (diante do Atlético Goianiense, nos pênaltis, após desperdiçar quatro de uma série de cinco penalidades máximas) e passou bem longe do título do Campeonato Brasileiro. A ironia final pode acontecer no domingo: caso a equipe vença o Fluminense na Arena Barueri e o Corínthians derrote o Vasco no Pacaembu, os arquirrivais corintianos se aproximarão da conquista do Brasileirão de 2010.

Além da raça, da dedicação e da seriedade, a equipe do Goiás mostrou o desejo de reescrever sua história. Com a trajetória maculada por um rebaixamento para a Série B, o Esmeraldino agora cria forças para chegar a grandes sonhos dos clubes nacionais. O primeiro deles é conquistar a Copa Sul-Americana, que seria seu primeiro grande título internacional - seu adversário na decisão será o vitorioso do duelo entre o argentino Independiente e o equatoriano LDU (a LDU venceu o primeiro jogo, em Quito, por 3 a 2). O segundo é conseguir uma vaga na Taça Libertadores da América, que a Sul-Americana dará a seu campeão.

Mas o Goiás que enfrentou o Palmeiras em 24 de novembro de 2010 já ficou marcado na história. Graças a ele, o Pacaembu teve seu episódio de um time favorito ser derrubado com uma derrota por 2 a 1. E mais um estádio brasileiro se tornou pano de fundo da grande lição do futebol: favoritismos existem para serem derrubados.


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PALMEIRAS 1 x 2 GOIÁS

Estádio: Pacaembu (São Paulo / SP).

Público: 34.296 presentes / Renda: R$ 711.429,00.

Árbitro: Héber Roberto Lopes (BRA) / Auxiliares: Altemir Hausmann (BRA) e Alessandro Rocha (BRA).

Gols: Luan, aos 33 minutos, e Carlos Alberto, aos 47 minutos do primeiro tempo. Ernando, aos 38 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Douglas, Marcão e Carlos Alberto (Goiás).

PALMEIRAS - Deola, Márcio Araújo, Danilo, Maurício Ramos e Gabriel Silva; Edinho, Marcos Assunção, Tinga (Ewerthon) e Lincoln (Dinei); Luan e Kléber. Técnico: Luiz Felipe Scolari.

GOIÁS - Harlei, Rafael Tolói, Ernando e Marcão; Douglas (Felipe), Carlos Alberto, Amaral, Marcelo Costa e Wellington Saci; Otacílio Neto (Jonílson) e Rafael Moura. Técnico: Artur Neto.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O pé da experiência



Em meio a tantos passos e passes errados do Palmeiras no ano de 2010, pelo menos um pé acertou em cheio na equipe. O veterano Marcos Assunção se tornou o grande jogador da temporada palmeirense, graças a suas cobranças de falta fantásticas e a bons lances de bola parada que geraram gols do time do Palestra Itália.

Desde a frustração de não chegar à Taça Libertadores da América após liderar o Brasileiro de 2009 por muitas rodadas, o Palmeiras parecia desencontrado, em especial depois da saída de Muricy Ramalho e da questionável passagem de Antônio Carlos Zago.

Depois, a tábua da salvação atendia pelo nome de Luiz Felipe Scolari. Felipão chegou, mas os resultados continuaram a vir de maneira minguada. Até Marcos Assunção chamar a responsabilidade e, honrando sua experiência, contribuir para que o Palmeiras ao menos tivesse um fim de ano sem grandes dissabores.

E, contra o Goiás, mais uma vez, o volante foi decisivo para que o Palmeiras prossiga sua caminhada na Copa Sul-Americana. Com a vitória por 1 a 0 no Serra Dourada, o alviverde paulista joga em São Paulo com mais tranquilidade, contra um time que tecnicamente é mais fraco e que não tem a seu lado as boas oportunidades dadas por cobranças de falta de Marcos Assunção.

Por mais que reclamem da idade avançada de alguns jogadores, há atletas que sabem fazer valer sua idade em prol da equipe que estão atuando. É o caso de Marcos Assunção, que em 2010 fez uma temporada bem mais importante do que muitos jovens que passaram pelo Palmeiras.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Brasil em verde





A parte brasileira na Copa Sul-Americana ganhou um tom verde após os dois confrontos deste meio de semana. Em São Paulo, o Palmeiras eliminou o Atlético Mineiro com uma vitória por 2 a 0. No Ressacada, o Goiás surpreendeu o Avaí com uma vitória por 1 a 0, suficiente para prosseguir seu caminho na competição.

Como o campeão está classificado para a Taça Libertadores da América, ambas as equipes podem compensar um ano que se desenha como perdido. Com decepções que podem ser mais amargas para o time goiano, que se vê cada vez mais próximo da zona de rebaixamento.

O mau desempenho do Goiás teve início ainda no Campeonato Goiano, quando a equipe ficou por algumas rodadas em último lugar e, depois de se recuperar, caiu a ponto de não ir nem para a final contra o Atlético Goianiense. No Campeonato Brasileiro, o martírio se estende a cada rodada, mesmo com incessantes trocas de treinadores. E a derrota por 4 a 1 para o lanterna Grêmio Prudente ainda não foi suficiente para eliminar matematicamente o descenso. Mas, psicologicamente, a equipe sofreu um abalo emocional.

O Palmeiras também teve um Campeonato Paulista extremamente desanimador, com o período frustrante sob o comando de Muricy Ramalho e a incerteza de ter como técnico o inexperiente Antônio Carlos Zago. O clube abriu os cofres, trouxe de volta ao país o treinador Luiz Felipe Scolari e fez a torcida ficar à espera de novos e vitoriosos rumos. Entretanto, Felipão não teve à sua disposição um elenco de qualidade, o que comprometeu seu trabalho. No Brasileirão, os palmeirenses também brigam por uma vaga na Libertadores - mas ela parece estar bem mais próxima através da Copa Sul-Americana.

Diante de suas últimas fichas no ano de 2010, Palmeiras e Goiás prometem fazer um duelo de muito empenho, em busca de dar alegria a seus torcedores - tanto para este ano como na expectativa pela vaga na Taça Libertadores da América de 2011. Neste confronto de alviverdes, nenhum deles vai querer que o branco se sobressaia.

sábado, 23 de outubro de 2010

Regionalismo em caráter nacional



Nos dias que antecedem um grande clássico regional, a rivalidade costuma ficar alheia ao contexto da competição que está em jogo durante os 90 minutos. Entretanto, o confronto entre Corínthians e Palmeiras amanhã é uma exceção a este panorama. A partida decidirá qual o perfil cada equipe encontrará nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro.

Outrora líder do campeonato, o Corínthians vem passando por uma sequência negativa de jogos, e corre o risco de terminar a rodada fora do G-4 do Brasileirão. O triunfo sobre os palmeirenses não serve apenas para mostrar a supremacia atual no clássico. Os três pontos significam a oportunidade de chegar à vice-liderança (dependendo do desempenho do Fluminense na partida da Arena da Baixada, contra o Atlético Paranaense) e uma melhora na autoestima corintiana, tão combalida diante dos maus resultados. Além de "vingar" o resultado do primeiro turno (empate em 1 a 1 no Pacaembu), que fez o Timão perder a liderança para o Fluminense.

Enquanto o rival tenta evitar uma queda, o Palmeiras busca fôlego para conseguir uma ascensão suficiente para manter a possibilidade de chegar ao G-4. Um resultado positivo diante do Corínthians pode comprovar que, apesar do elenco limitado que hoje representa o time palmeirense, a equipe tem raça digna de ficar nas primeiras colocações do Campeonato Brasileiro.

Em vez do "capítulo à parte" que é evidenciado nos duelos regionais do Brasileirão, Corínthians e Palmeiras querem fazer da soberania no "derby" paulistano um argumento suficiente para bons resultados na competição nacional. E São Paulo será apenas uma das paradas nesta estrada do Campeonato Brasileiro.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Presentes alviverdes



Análise de jogo - Palmeiras 2 x 1 Santos (Pacaembu, 21h)

Sim, ainda é cedo para atribuir qualquer bom resultado a favor do Palmeiras a Luiz Felipe Scolari (que foi apresentado como treinador do clube horas antes). Entretanto, o time palmeirense revelou na noite do Pacaembu um padrão de jogo nos moldes do técnico Felipão. No limite entre a frieza defensiva e a ansiedade pelo gol, os palmeirenses conseguiram derrotar um Santos que era somente ímpeto ofensivo.

O fato de apenas 9.400 pessoas pagarem para assistir ao clássico de quinta à noite foi apenas o eco de um jogo cercado de ausências de ambos os lados. O Palmeiras, sem o goleiro Marcos e o volante Pierre, contundidos, e com a ausência de um de seus melhores jogadores - Cleiton Xavier - sacramentada definitivamente no dia anterior (o meia foi negociado com a equipe ucraniana Metalist Kharkiv). Do lado do Santos, vinham as ausências de Robinho, Léo e Marquinhos. Sem contar com Paulo Henrique Ganso que, ainda se recuperando de uma contusão, estava relacionado apenas para o banco de reservas.

Mas o que se ausentou mesmo no primeiro tempo do Pacaembu foi o poder do meio-de-campo santista. Alan Patrick se revelou uma opção equivocada do técnico Dorival Júnior, reduzindo as possibilidades de boa troca de passes do meio-de-campo (também formado por Arouca, Wesley e Madson). Com isto, a dupla de ataque formada por André e Neymar apareceu apenas em lances que destoaram da categoria dos "meninos da Vila". O primeiro, ao ser obstáculo que evitou chute de Madson. O segundo foi notado apenas por uma falta ríspida sobre um adversário, lance que lhe rendeu cartão amarelo. De resto, o Santos ficou cercando a área palmeirense, e teve suas duas únicas oportunidades, com André e Madson, desperdiçadas.

Mesmo sendo bastante atacado, o Palmeiras conseguia evitar a presença santista em sua área, e aos poucos soube aproveitar o ponto fraco do adversário. Nos contra-ataques, a zaga do Santos permanecia com falhas. Aos 12 minutos, num rebote permitido pelo lateral Maranhão, Ewerthon arriscou de fora da área e acertou no ângulo do gol de Rafael. 1 a 0 Palmeiras.

Com o panorama do cerco do Santos e dos contra-ataques perigosos do Palmeiras, os palmeirenses do Pacaembu se frustraram quando Rafael defendeu com os pés uma tentativa de Lincoln na pequena área aos 35. Eles sabiam que o técnico Dorival Júnior poderia usar uma excelente carta para tentar mudar a situação do jogo.

Só que a verdadeira surpresa veio para os santistas na volta do segundo tempo. Em vez de sacar Alan Patrick, depois de seus fracos 45 minutos, Dorival pôs Paulo Henrique Ganso no lugar de Madson. O camisa 10 vinha sendo uma boa válvula de escape em algumas cobranças de falta. A substituição não deu muito certo. Depois de uma chance para cada lado (Ewerthon cara a cara com o goleiro em chute defendido por Rafael aos três, e Maranhão de fora da área em boa defesa de Deola aos seis), a partida ficou bem mais morna.

Luiz Felipe Scolari, que via o jogo de uma sala do Pacaembu, ordenou que o auxiliar Flávio Murtosa substituisse o meia Lincoln pelo volante Tinga. O Palmeiras se defendia ainda mais, e restava ao Santos querer atacar. Dorival Júnior finalmente trocou os nulos Alan Patrick e Neymar pelos atacantes Zé Eduardo e Marcel. Os santistas seriam apenas ataque. Mas se tornaram ataque de nervos aos 21 minutos, quando a defesa foi traiçoeira por duas vezes para o alvinegro praiano. A zaga se expôs ao ponto de permitir tanto campo para o contra-ataque adversário. E, poucos passos depois, o cruzamento de Tinga foi desviado pelo zagueiro Edu Dracena, e a bola acabou no fundo da rede de Rafael. 2 a 0 Palmeiras, com a ironia de o jogador de marcação palmeirense ter realizado a jogada decisiva do alviverde paulista.

O Palmeiras migrou definitivamente para a defesa, aparecia no campo adversário apenas prendendo a bola e gastando o tempo - e ainda poupou seus atacantes, tirando Ewerthon e Kléber para colocar os jovens Patrick e Tadeu. "Desfalcados" de uma boa participação de Paulo Henrique Ganso, os "meninos da Vila" se adequavam a uma tática diferente, substituindo o toque de bola rápido pelas tentativas de transformar chutões e cruzamentos tortos em boas oportunidades de gol. Deu certo apenas a sete minutos do final. Wesley cruzou da direita, o zagueiro palmeirense Léo desviou e Marcel, após dominar a bola com a coxa, deu um belo chute que ainda bateu no travessão antes de entrar na rede de Deola. O placar ficava em 2 a 1.

Entretanto, o poder ofensivo do Santos não acertava a pontaria, ao ponto da sua última boa oportunidade ter sido dada pelo Palmeiras. Aos 43 minutos, Deola saiu mal num cruzamento para a área, e o zagueiro Vítor desviou para o próprio gol de seu time. A bola tocou na trave antes de ir para escanteio.

Para escanteio foi mesmo a oportunidade de os santistas ganharem uma posição melhor no Campeonato Brasileiro. Numa rodada em que as três únicas equipes que estavam à sua frente perderam pontos - os líderes Corínthians e Ceará empataram em 0 a 0 e o terceiro colocado, Fluminense, tropeçou com um empate em 1 a 1 diante do Grêmio Prudente no Maracanã - o cerco pelos três pontos foi mal-sucedido. O alvinegro praiano fica com 12 pontos, quatro a menos que o tricolor das Laranjeiras, e a seis pontos de corintianos e do Vozão do Nordeste.

Após quatro jogos sem vitória, o Palmeiras consegue a reabilitação num clássico, e encontra na figura de Luiz Felipe Scolari a perspectiva de boas novas no Campeonato Brasileiro. Sem preocupações excessivas de defesa e sem atacar de maneira atabalhoada, a equipe palmeirense mostrou que é capaz, sim, de conseguir uma boa presença no Brasileirão.

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Na volta da Copa do Mundo, O tempo e o placar... traz novamente o que houve de melhor e de pior na rodada do Campeonato Brasileiro.

O CHUTAÇO

O AVAÍ surpreendeu todos os especialistas de futebol. Em pleno Morumbi, a equipe (agora dirigida por Antônio Lopes) envolveu o São Paulo e saiu de lá com uma boa vitória por 2 a 1. O Leão de Santa Catarina tem forças para rugir novamente no Brasileirão?

A FURADA

O cenário era promissor. Jogo em casa, contra um Grêmio Prudente que vai mal das pernas na competição. Mesmo assim, o FLUMINENSE deixou escapar a grande oportunidade de consolidar sua ascensão com a liderança do Campeonato Brasileiro. Resta o alento de que o time segue a dois pontos dos líderes Ceará e Corínthians.

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OITAVA RODADA - RESULTADOS

Quarta-feira

Grêmio 1x1 Vitória (Olímpico)
Atlético/PR 0x2 Cruzeiro (Arena da Baixada)
São Paulo 1x2 Avaí (Morumbi)
Flamengo 1x0 Botafogo (Maracanã)
Guarani 0x3 Internacional (Brinco de Ouro da Princesa)
Goiás 0x0 Vasco (Serra Dourada)
Ceará 0x0 Corínthians (Castelão)


Quinta-feira

Palmeiras 2x1 Santos (Pacaembu)
Atlético/MG 3x2 Atlético/GO (Arena do Jacaré)
Fluminense 1x1 Prudente (Maracanã)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Febre das vitórias



Análise de quarta: Palmeiras 0 x 1 Flamengo (21h50, Pacaembu)

No frio da noite de São Paulo, Vágner Love teve frieza suficiente para dar ao Flamengo três pontos na partida contra o Palmeiras. Após passar todo o jogo ouvindo hostilidades da torcida adversária (o atacante saiu do time alviverde no final do ano passado, após um Campeonato Brasileiro frustrante), aos 42 minutos do segundo tempo ele deu a vitória por 1 a 0 para o time da Gávea.

Mas na primeira etapa, o camisa 9 rubro-negro se assemelhou ao restante dos jogadores das duas equipes. Palmeiras e Flamengo distribuíam passes errados pelo gramado do Pacaembu. Nas duas vezes em que ficou diante dos defensores palmeirenses, Love escorregou. Seus deslizes ficavam ainda mais evidentes porque era o único atacante no esquema de Rogério Lourenço. Por mais que Vinícius Pacheco e Petkovic fossem opções ofensivas, os dois não estavam numa noite inspirada e pouco apareciam com perigo.

No Palmeiras, o time continuava a seguir as características de seu técnico. Ainda sob o comando do interino Jorge Parraga, os jogadores não se ajeitavam no esquema que era imposto, em especial pela contradição com o pensamento de um campeonato por pontos corridos. Se a equipe precisa ganhar seus jogos como mandante, por que colocar um esquema com apenas um atacante? Ewerthon, em má fase no alviverde paulista, também não parecia a opção ideal.

Apesar do panorama tão negativo, o Palmeiras teve uma leve superioridade nos primeiros 45 minutos. O meio rubro-negro se resumia a defender, e os alas Léo Moura e Juan não avançavam muito para o ataque. A dupla de laterais palmeirense Vítor e Eduardo tinha liberdade para arriscar jogadas rumo à grande área, mas na maioria das vezes os dois perdiam os lances para seus próprios erros.

As chances do Palmeiras acabaram sendo minguadas, com Cleiton Xavier, Ewerthon e Márcio Araújo. E ainda assim foram muitas diante da passividade rubro-negra no primeiro tempo, que se resumiu a um ou outro chute distante do gol de Marcos.

Na volta do intervalo, Rogério Lourenço não fez substituições. A única mudança que ele queria era a de atitude. E ela surgiu, dos pés de Petkovic. Diante do gol, o sérvio chutou para boa defesa de Marcos. Palmeiras e Flamengo passaram a fazer uma partida mais equilibrada, mas era o rubro-negro que tinha mais chances de gol. Em especial porque a marcação palmeirense se afrouxava, e permitia a chegada dos meias flamenguistas até perto de Vágner Love.

No entanto, ainda era pouco. E aos 18 minutos, Vinícius Pacheco deu lugar a Diego Maurício. Com Pet começando a ficar cansado, a entrada do jovem meio-de-campo daria um bom contraste entre categoria e velocidade. O esquema do treinador flamenguista durou apenas cinco minutos. Ao receber uma bola, Petkovic recebeu um pisão no tornozelo, dado por Pierre. O novo camisa 10 saiu de campo carregado e aos prantos. O questionado Michael entrou na partida.

Vendo o Flamengo partir para o ataque - e ter um gol de Vágner Love anulado por impedimento - Jorge Parriaga tentou dar sangue novo ao time paulista. Cleiton Xavier e Lincoln foram substituídos por Vinícius (de 16 anos, jogador mais jovem a vestir a camisa do clube numa partida profissional em toda a história do Palmeiras) e Patrick, respectivamente, e o time teve duas chances. Uma com Vinícius e outra com Ewethon. E só.

Logo o time palmeirense esfriou suas tentativas de vitória e parecia satisfeito com o empate no Pacaembu. A equipe se limitava a cadenciar o jogo e tentar, sem muita força, que o bloqueio flamenguista fosse neutralizado. Só que uma ducha de água quente acabou calando o Palmeiras. A três minutos do fim, Vágner Love chegou na esquerda da pequena área e passou por três defensores, até deixar a bola no fundo da rede. Marcos nem teve tempo de pular para tentar uma defesa.

O Palmeiras deixou o Pacaembu (ao lado da Arena Barueri, sua nova casa, pois o Palestra Itália estará fechado para reformas nos próximos anos) derrotado por duas razões. Por não ser capaz de ter vibração e sangue quente, e aceitar passivamente um resultado diferente da vitória como mandante. E também por hostilizar um atacante adversário que sua torcida tinha conhecimento de causa para saber que era sinônimo de perigo de gol. A segunda derrota na competição deixa o time no meio da classificação, com oito pontos ganhos.

O Flamengo subiu do décimo-segundo para as primeiras colocações no Campeonato Brasileiro, e agora está com nove pontos ganhos. Ao final da partida, os torcedores constataram mais uma vez que o espírito de luta de Vágner Love é fundamental em muitos momentos da equipe. E a provável despedida dele (a chance do CSKA, da Rússia, prorrogar o empréstimo até o momento é ínfima) vai comprometer a vibração em vermelho e preto. Mais do que se reforçar, o Flamengo precisa manter estável sua febre de buscar as vitórias até o último minuto.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Sem muito o que fazer



O Palmeiras sacramentou hoje a sua segunda demissão de treinador no ano de 2010. Antônio Carlos Zago saiu do comando do clube, deixando como restos do alviverde paulista um time devastado, sem estrelas e com um futebol melancólico mostrado no jogo contra o Vasco no domingo.

Antônio Carlos chegou em substituição a Muricy Ramalho, e pegou um time desiludido pela má campanha ao final do Campeonato Brasileiro. Mudou pouco. A má campanha continuou, só que no Campeonato Paulista. Na Copa do Brasil, veio a eliminação diante do Atlético Goianiense, numa série de cobranças de pênalti em que o time acertou apenas uma das cinco penalidades a que tinha direito.

O treinador parecia mostrar a cada partida que não havia muito o que fazer no comando do Palmeiras. Num momento em que há muita coisa para fazer no time. Há que buscar uma postura de jogo mais ofensiva, mais vibrante, e não a covardia que apareceu no empate em 0 a 0 com o Vasco em São Januário.

E, agora, há que buscar reforços. Em atrito com a torcida, Diego Souza é cogitado por outros clubes. E, hoje, também foi anunciada a dispensa do atacante Robert, supostamente por uma discussão áspera que teve com o agora ex-treinador palmeirense. Olhando para o restante da equipe, poucos sobram para fazer um time que seja ao menos confiável numa competição tão equilibrada.

Antônio Carlos Zago sai. Mas o Palmeiras permanece. Com todos os seus erros que culminaram numa crise de identidade neste ano de 2010. Pela terceira vez, o time vai recomeçar um trabalho do nada. Ainda mais agora, depois que Antônio Carlos saiu sem contribuir em rigorosamente nada para o clube alviverde.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Nada a reservar



Análise de jogo: Vasco 0x0 Palmeiras (18h30, São Januário)

Numa rodada cheia de times reservas por todos os lados, Vasco e Palmeiras se enfrentaram em São Januário com suas equipes titulares, e em busca de dias melhores em 2010. Ao final dos 90 minutos, os dois comprovaram que não têm nada a reservar para as suas torcidas, e o empate em 0 a 0 foi o placar mais lógico para este confronto. Com o resultado, o Palmeiras chegou a quatro pontos ganhos e o Vasco pontuou pela primeira vez no Campeonato Brasileiro.

17 meses depois de sua última partida na Série A do Campeonato Brasileiro (quando a derrota por 2 a 0 para o Vitória culminou no rebaixamento para a Série B em 2008), o Vasco voltou a se apresentar na elite do futebol brasileiro diante de sua torcida. E os ecos do retorno à Primeira Divisão foram simbolizados em uma faixa: "O sentimento não vai parar. Mas o sofrimento tem que parar". A faixa de protesto, que também pedia melhores jogadores e um técnico de ponta, era em alusão à campanha "O sentimento não pode parar", símbolo do período vascaíno na Segunda Divisão em 2009.

Quando a bola rolou, outros símbolos de Série B pesaram na atuação do Vasco. Vontade, muita vontade, de um time competitivo que aproveita o mando de campo para dominar a partida. Os vascaínos buscavam ter volume de jogo e acuavam os palmeirenses em sua defesa. Mas, com o esquema equivocado escalado por Gaúcho, a qualidade ficava restrita aos pés de Philippe Coutinho. Nilton distribuía pontapés, Léo Gago errava inúmeros passes e Souza acabava sendo um dublê de lateral-direita (como o volante Jumar foi escalado no improviso na posição, o Vasco não contava com ele para apoiar o ataque). Erros primários, comuns no time de 2009.

Com a categoria no meio-de-campo restrita a Coutinho, a zaga do Palmeiras se sobressaía em todas as jogadas. Mesmo com tanta pressão, o alviverde paulista sofreu perigo apenas em chutes de fora da área, como os de Souza, Philippe Coutinho e Léo Gago. Os palmeirenses revelaram sua fragilidade defensiva em alguns momentos - como numa bola mal rebatida por Marcos que a zaga se desdobrou para evitar chance de Philippe Coutinho, ou num momento em que o goleiro trombou com o meia Cleiton Xavier, mas Souza, com o gol vazio, deu um chute por cima do travessão - enquanto seu ataque permanecia inofensivo.

A única oportunidade do Palmeiras no primeiro tempo veio a sete minutos do fim. Numa desatenção de Thiago Martinelli, Márcio Araújo entrou na área, driblou Fernando Prass e se atirou na tentativa de cavar pênalti. O árbitro Wilton Pereira Sampaio mandou seguir. Mas foi só. No último lance antes do intervalo, Élton arriscou uma bicicleta que passou por cima do gol de Marcos.

O Vasco voltou com o mesmo esquema e os mesmos erros para o segundo tempo. A urgência pedida na faixa de protesto chegava aos torcedores, que reclamavam a cada jogada mal-sucedida. Perigosamente acomodado com o resultado, o Palmeiras se limitava a defender, em especial porque seu setor de meio-de-campo se assemelhava ao do adversário. Os volantes oscilavam entre passes errados e chutões, e o lampejo de qualidade partia dos pés de Cleiton Xavier.

Vendo o tempo passar e o gol não acontecer, Gaúcho decidiu mexer duas vezes no time aos 18 minutos. Rafael Carioca entrou no lugar de Nílton, que, vivendo um ano ruim com a camisa do Vasco, foi para o banco de reservas batendo boca com os torcedores presentes na social de São Januário. Na outra alteração, uma tardia tentativa de deixar o time mais ofensivo: o volante Souza deu lugar ao meia Magno. Neste momento, já eram constantes os gritos de "Fora, Gaúcho!" nas arquibancadas.

Aos poucos, os vascaínos ficavam cansados, e o time não tinha pernas para chegar ao gol adversário. Gaúcho ainda trocou o parceiro de ataque de Élton - Caíque por Rafael Coelho - mas a correria do atacante pouco adiantou naquele momento da partida. Do lado do Palmeiras, houve até algumas tentativas de ataque. Mas o time de Antônio Carlos Zago permanecia numa displicência imensa, acomodado com o empate.

Talvez, inconscientemente os palmeirenses concordassem que o empate em 0 a 0 era o mais justo para a apresentação de Vasco e Palmeiras em São Januário. No embate entre o Vasco sem padrão de jogo e o Palmeiras sem vontade, os dois saíram perdendo. Afinal, com as equipes que apresentam hoje em campo, eles não têm nada de bom a reservar no Campeonato Brasileiro. E o que é pior: ao contrário de outros adversários que tiveram resultados negativos na rodada, os dois não têm a desculpa de que atuaram com times reservas.

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O tempo e o placar... traz o que houve de melhor e de pior na segunda rodada do Campeonato Brasileiro de 2010.

O CHUTAÇO

No time misto que o Internacional colocou em campo contra o Goiás, se sobressaiu o poder de fogo do atacante WALTER. Muita disposição, boas jogadas e dois belos gols marcados na virada por 3 a 2 contra os goianos, no Serra Dourada.

A FURADA

Além da imensa furada que foi assistir à partida entre VASCO E PALMEIRAS (o jogo em destaque hoje na rodada), a apresentação de WASHINGTON no São Paulo deixou ainda mais claros os motivos pelos quais ele está na reserva. Há tempos o atacante tem feito más partidas, desperdiçando chances claras de gol e errando tudo o que tentou. Ao final, o jogador declarou-se desmotivado por hoje ser a terceira opção de ataque de Ricardo Gomes. É bem provável que a torcida concorde que é hora de ele se despedir do Morumbi.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Retrocesso histórico



A sede de vitória pode causar instabilidade emocional de todos os tipos aos jogadores de futebol. No entanto, quando ela ultrapassa as quatro linhas do gramado, é sempre preocupante e torna o esporte uma batalha campal ainda mais forte.

Foi o caso da primeira partida entre Palmeiras e Atlético Paranaense em seu cruzamento na Copa do Brasil. Numa troca de movimentos bruscos, a televisão mostrou uma cabeçada do zagueiro atleticano Manoel no zagueiro palmeirense Danilo. Num segundo momento, veio a revanche do jogador do Palmeiras: uma cusparada na cara do adversário. Mais tarde, ainda veio outro ato deste espetáculo lamentável, quando o atleta do Atlético Paranaense aproveitou que Danilo estava caído e deu um pisão na cabeça dele.

A sequência de lances acabou manchando o bom jogo dos dois clubes em São Paulo - que teve a vitória do Palmeiras, por 1 a 0, gol de Robert - e ganhou contornos ainda mais distantes de uma partida de futebol. Ao fim do jogo, Manoel acusou Danilo tê-lo chamado de "macaco" (o zagueiro do Atlético Paranaense é negro).

A selvageria do incidente é lamentável de ambos os lados, e ficou impune porque o árbitro da partida, o carioca Marcelo de Lima Henrique, não viu a briga. Mas ainda maior é o retrocesso histórico ao qual foi submetido o Palmeiras.

Nos seus primeiros anos de existência, o time era formado basicamente por pessoas de classe baixa, em especial operários italianos ou descendentes de italianos. Com o passar dos anos e o apoio do Brasil às Nações do Eixo durante a Segunda Guerra Mundial, o time paulista teve de abandonar seu nome de batismo - Palestra Itália - por imposição de Getúlio Vargas. O motivo era ter o nome da Itália, país que era adversária do Brasil e vivia sob o regime do Fascismo.

Neste ano de 2010, o Palmeiras tem como treinador Antônio Carlos Zago que, alguns anos atrás, quando jogava pelo Juventude, fez ofensas racistas ao jogador Jeovânio, do Grêmio. Agora, vem o episódio de um jogador palmeirense acusado de racismo. Dois elementos que soam estranhos em um clube que sobreviveu a todo tipo de ofensas e depreciações por causa de suas origens.

Talvez seja a hora do futebol escrever uma nova história para o Palmeiras. Porque esta, de ofensas pessoais e baixarias, já acabou há muito tempo, e o final não foi feliz.

quarta-feira, 24 de março de 2010

O dono da bola



Outrora badalado exemplo de organização como clube de futebol, o Palmeiras vive agora um momento de deterioração de sua estrutura. Não bastava o presidente Luiz Gonzaga Beluzzo dar (desde meados do anos passado) demonstrações de fanatismo e de absoluta falta de profissionalismo. As rusgas foram para as quatro linhas do alviverde, justamente pelas mãos de quem demonstrava liderança e serenidade em qualquer situação.

Nesta semana, o goleiro Marcos decidiu abandonar o treino do Palmeiras depois de se irritar com os companheiros e, aos berros, reclamar do desempenho de toda a equipe. Uma atenção chamada de maneira mais exaltada pode até ser considerada natural. Mas não na situação delicada do Palmeiras neste Campeonato Paulista e, muito menos, com a repreensão vindo de quem apaziguou os ânimos em vários momentos de crise.

É bem verdade que o Palmeiras teve um final de 2009 melancólico. Também é correto afirmar que o início de 2010 não foi muito animador - e ainda foi conturbado, pois incluiu a troca do técnico Muricy Ramalho pela aposta no treinador Antônio Carloz Zago. Entretanto, episódios de explosão como o de Marcos somente vão tornar o cotidiano palmeirense ainda mais insuportável.

A sensação que o goleiro traz é de que, do alto de seus 36 anos (18 deles dedicados ao Palmeiras), começou a se achar no direito de protestar contra tudo e contra todos que atrapalhem a trajetória da equipe paulista. Feito um moleque que, por ser dono da bola, tem o poder de decidir quem serão seus companheiros numa pelada e de ameaçar abandonar o campo quando se sente contrariado por algum colega ou adversário.

O momento atual do Palmeiras não é para decidir quem é o dono do time. E Marcos precisa se esforçar em manter suas boas defesas e seu espírito de liderança em alta, para que o fim de 2010 não seja ainda pior do que o Campeonato Brasileiro que passou.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Dominó em verde e branco



A vitória sobre o São Paulo na semana passada pareceu ser mesmo um alarme falso. O Palmeiras mais uma vez saiu de campo com uma derrota no Campeonato Paulista - desta vez para o Santo André, por 3 a 1, em pleno Palestra Itália. Um resultado que torna o próximo jogo ainda mais decisivo para as pretensões alviverdes, não só no torneio, como também diante de sua torcida, que entoou gritos de "time sem-vergonha".

Não parece que qualidade seja o problema dos palmeirenses. O elenco está no mesmo nível de boa parte dos clubes brasileiros, e conta com bons jogadores como Diego Souza e Robert, além de um líder como Marcos. O problema vem de cima, e, infelizmente, está afetando desde o final do ano passado o desempenho do Palmeiras em campo.

Um presidente que tem lampejos de exaltação, e vocifera contra árbitro por se insinuar logrado numa partida, retrata bem a situação da diretoria palmeirense. O problema não é meramente lidar com amadorismo: o Palmeiras tem em sua direção pessoas com a mesma sensatez de fanáticos de arquibancada.

Não adianta trocar de técnico - em especial impedir um trabalho a longo prazo de Muricy Ramalho para arriscar no nome do desconhecido Antônio Carlos Zago. Isto somente atropela ainda mais uma equipe. Ela ainda se adequava ao esquema anterior, com novos reforços e uma tática que ainda estava sendo montada. Na partida contra o Santo André, Antônio Carlos anunciou que a prioridade ia ser para o toque de bola. Iria funcionar em apenas algumas semanas de treino?

O Palmeiras não perdeu apenas por 3 a 1. Saiu de campo expulso e recebido com vaias e ofensas pela torcida o meia Diego Souza - que ao final do ano passado recebeu o prêmio de Craque do Brasileirão.

Do jeito que as coisas andam, o "efeito dominó" ainda tende a derrubar muita coisa no Palestra Itália. E, pelo jeito, é este o jogo que presidente Luiz Gonzaga Beluzzo gosta de fazer. O Palmeiras não tem na diretoria nenhum estrategista neste "jogo de xadrez" chamado futebol.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Soberba amadora



A ironia de Vanderlei Luxemburgo direcionada ao presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Beluzzo, certamente ecoou pela arquibancada do Palestra Itália. Logo após o anúncio da demissão de Muricy Ramalho, o atual técnico do Atlético Mineiro disse que o presidente palmeirense "entende muito de futebol, enquanto eu e Muricy não entendemos nada". E a falta de senso mergulhou o alviverde paulista na crise deste início de ano.

Sempre designam o futebol carioca como "amador" em suas gestões. No entanto, os dirigentes dos grandes clubes paulistas vêm demonstrando alguns lampejos de amadorismo perigosos. Um amadorismo camuflado pela aparente credibilidade do futebol de São Paulo e pela dimensão dos nomes envolvidos nestas tramoias.

A maneira como a diretoria palmeirense agiu desde que cogitou a contratação de Muricy Ramalho foi uma iminência ao fracasso. O técnico acabara de ser demitido do arquirrival São Paulo (com três anos e meio bem sucedidos) e era um nome muito bom e muito caro para ficar de fora do mercado de treinadores do país. O Palmeiras exibiu seus cofres e logo o fez prosseguir no estado de São Paulo.

No entanto, o Palmeiras não vinha de uma campanha desastrosa no Campeonato Brasileiro - tanto que a demissão de Vanderlei Luxemburgo ocorreu por causa de rixas com Beluzzo - e os jogos bem-sucedidos continuavam com o auxiliar promovido a interino. Por que não apostar um pouco mais no trabalho de Jorginho?

Em vez disto, a diretoria palmeirense resolveu investir no passado recente de Muricy Ramalho para ter um "presente" vencedor - e os palmeirenses se gabariam de ter fundos para gastar 400 mil reais por mês. O final de 2009 todos conhecem: o líder de muitas rodadas caiu vertiginosamente, a ponto de não conseguir se classificar para a Taça Libertadores de América. E, como ironia do destino, viu ser campeão brasileiro o Flamengo, time que efetivara o auxiliar a treinador (opção que os paulistas poderiam seguir devido à boa campanha do interino Jorginho no intervalo entre Luxemburgo e Muricy).

Após uma campanha com 13 vitórias, 11 empates e 10 derrotas, Muricy Ramalho deixou o comando do Palmeiras para dar lugar a um treinador com pouca experiência: Antônio Carlos Zago. Mesmo trajeto que o São Paulo fez quando demitiu Muricy e se arriscou ao contratar Ricardo Gomes.

Nem mesmo com os são-paulinos também se atrapalhando no Brasileiro do ano passado e no Paulistão de 2010, a diretoria palmeirense decide aprender a lição. Talvez seja melhor pagar com derrotas e humilhações (como a derrota por 4 a 1 em casa para o São Caetano). Mesmo com o entra-e-sai de técnicos, Luiz Gonzaga Beluzzo tende mesmo a querer comandar o Palmeiras com uma soberba bem amadora.

sábado, 15 de agosto de 2009

Novos velhos reforços



A cada rodada, o Campeonato Brasileiro traz novas emoções para os torcedores das 20 equipes envolvidas. No entanto, nos últimos anos a torcida brasileira vai se acostumando com um fenômeno: toda temporada, surgem novos "velhos" reforços em todos os clubes.

É o caso mais recente do Palmeiras, que a todo custo tenta repatriar o atacante Vágner Love, que está há cinco anos no CSKA Moscou, da Rússia. O artilheiro, que contabiliza algumas passagens pela Seleção Brasileira, pode ser mais uma opção de ataque para o treinador Muricy Ramalho.

E a tendência de investir novamente no futebol de atletas que já tiveram uma passagem boa por um clube não fica restrita à diretoria palmeirense. O Botafogo trouxe recentemente o meia Lúcio Flávio e o atacante André Lima, ambos nomes de destaque em temporadas anteriores, mas que não estavam sendo bem aproveitados nos clubes paulistas que defenderam - Lúcio, no Santos, e André, no São Paulo. A diretoria botafoguense também sonda a volta de Dodô, depois que acabar sua suspensão por uso de doping.

O Fluminense foi mais fundo na volta às origens, e abriu as portas novamente para Roni, que disputou em 1999 a Série C do Campeonato Brasileiro. Recentemente, o Flamengo fez de tudo para que Ibson continuasse no clube, em sua segunda passagem (sem sucesso).

Num futebol de tanto troca-troca de clubes, o Brasil já se acostumou a fenômenos como o do jogador Edmundo, que foi e voltou para o Vasco por seis vezes, uma coisa mais esdrúxula até mesmo do que um atleta vestir inúmeras camisas em sua carreira. E o mais interessante é que esta estratégia de apostar no "conhecido" não fica restrita aos times que estão mal na tabela - o Palmeiras é o líder do campeonato.

Embora o atacante Vágner Love não esteja mais com o mesmo destaque no cenário futebolístico, a diretoria do Palmeiras talvez saiba o que está fazendo. Mas, assim como a torcida palmeirense, os diretores precisam ter consciência de que o Love que saiu consagrado para o exterior pode não ser mais o mesmo dos dias de hoje.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O fantasma mora ao lado



Depois de não sobreviver ao desgaste de estar há três temporadas e meia no comando do São Paulo, o técnico Muricy Ramalho acertou sua volta ao futebol paulista. O Palmeiras é a tentativa de prosseguir sua bela trajetória no futebol brasileiro.

O treinador vai começar o trabalho no alviverde paulista com algumas responsabilidades. A primeira delas vem da torcida palmeirense, que provavelmente não vai exigir menos do que o título para Muricy. Afinal, as últimas três temporadas fizeram os torcedores do São Paulo tripudiarem sobre seus adversários de estado diante da soberania em nível nacional.

A outra vem de dentro do Palmeiras. As incertezas sobre quem comandaria o time após a demissão de Vanderlei Luxemburgo fizeram Jorginho se manter no banco da equipe. E coincidiu de sob a batuta do auxiliar a equipe conseguir chegar aos primeiros lugares do Campeonato Brasileiro.

Com o torneio chegando à décima-terceira rodada hoje, será que Muricy Ramalho conseguirá manter a estabilidade atual do Palmeiras? Bom, é inquestionável o talento do técnico à frente das equipes que comandou (em especial no São Paulo). Entretanto, o desafio ficou ainda maior, pois o fantasma do desemprego mora ao lado, exatamente no mesmo banco de reservas do Muricy.

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O tempo e o placar... passará por um período de recesso. Este blogue volta a ser atualizado na segunda-feira, dia 10 de agosto.

domingo, 19 de julho de 2009

Por tempo determinado



A típica rotina de troca de técnicos no Campeonato Brasileiro gerou uma situação curiosa na equipe do Palmeiras. Com a demissão de Vanderlei Luxemburgo, a diretoria do alviverde tenta acertar com alguns nomes de ponta e por enquanto deixa como interino o auxiliar Jorginho. Mas eis que o "tapa-buraco" chegou, ontem, com o 1 a 0 diante do Santo André, à sua quarta vitória no torneio. E com um detalhe: caso Atlético Mineiro e Internacional tropecem contra seus adversários (respectivamente, o Vitória da Bahia e o Grêmio), ele leva a equipe à liderança do torneio.

Agora, a dirigência palmeirense fica numa dúvida cruel: efetivá-lo no comando do time ou preservar seu posto de auxiliar e recorrer a um nome mais conhecido no mercado brasileiro? Num esporte tão imprevisível acenam duas possibilidades para o a situação de Jorginho (até, claro, vir um outro nome para responder pelo Palmeiras). A primeira, de ele sair ovacionado pela torcida e a cada deslize do próximo treinador, as arquibancadas gritarem seu nome. E, a segunda, de resultados negativos acontecerem depois que ele for confirmado como técnico. A mesma torcida e a crítica esportiva que valorizam seus resultados podem dizer que ele perdeu a seriedade após ganhar um cargo de mais importância - ou, quem sabe, podem acusá-lo de tremer diante da maior responsabilidade.

No início do ano, o Grêmio passou pela mesma situação com Marcelo Rospide - solução momentânea depois da saída de Celso Roth - que ajudou a equipe a passar da primeira fase da Taça Libertadores da América. O tricolor gaúcho optou por preservá-lo, e contratou Paulo Autuori para o restante de 2009.

Pelo visto, o Palmeiras tende a seguir o exemplo gremista, talvez pelo receio de numa época de crise não perder dois cargos ao mesmo tempo (com sua demissão, sairia tanto um bom técnico quanto um bom auxiliar). Ainda mais que a transição de comando palmeirense revelou que o time pode recorrer a um técnico que funcione por tempo determinado.

terça-feira, 26 de maio de 2009

O novo trabalho de Luxemburgo




Responsável por formar excelentes times desde o início da década de 1990 (como o Bragantino, campeão paulista de 1990, o Guarani que seria vice-campeão brasileiro de 1991 e o Palmeiras que foi o melhor do Brasil nos anos de 1993 e 1994), o técnico Vanderlei Luxemburgo vem se caracterizando nos últimos anos também por transformar jogadores questionados pela torcida e pela imprensa a nomes de destaque no cenário do futebol brasileiro. Os casos mais recentes foram os do volante Rodrigo Souto e do meia Léo Lima.

Caracterizado por suas limitações em campo (e, em trocadilho com seu nome, apelidado de "Rodrigo Preso") desde seu início no Vasco, Rodrigo Souto veio do Figueirense e se destacou no Santos que foi campeão paulista de 2007. Ele esteve em destaque enquanto Luxemburgo comandava a equipe santista, e estava prestes a ser negociado quando foi flagrado num exame antidoping e pegou dois anos de suspensão.

No ano seguinte, Vanderlei fez outra "recuperação" de um atleta, desta vez no Palmeiras. O alviverde contratou Léo Lima, que vinha de uma péssima fase no Flamengo. O meia não só se recuperou como também se tornou um dos destaques do Campeonato Brasileiro do ano passado.

E neste 2009, Vanderlei Luxemburgo encontrou um novo desafio como treinador. Ontem, o Palmeiras anunciou a contratação do atacante Obina, ex-xodó do Flamengo e que passava por maus bocados este ano na Gávea. São cinco meses (17 partidas) sem fazer gol, além de duas cobranças de pênalti desperdiçadas. A idolatria (que chegava a ser folclórica por parte da torcida) se transformou em vaias e ofensas, como as mostradas no confronto com o Santo André, no domingo.

A aposta em Obina feita pela diretoria palmeirense também é bastante contestada. Para a posição, a equipe já tem o atacante Keirrison, outro que vive um mau momento mas tem um futebol superior. Alguns creem que o ex-flamenguista chegou para suprir o ataque numa possível venda do K9 - afinal, com a "janela" e a sedução do futebol europeu, as revelações estão saindo do Brasil cada vez mais cedo.

Pelo momento que vive, Obina não parece a solução mais indicada para nenhum dos clubes brasileiros - pela qualidade duvidosa e pela má fase que atravessa. No entanto, com Vanderlei Luxemburgo sendo seu "professor", a torcida palmeirense pode esperar uma agradável surpresa nas quatro linhas. A resposta para a nova incógnita e para a nova tentativa de "milagre" de Luxemburgo será dita somente nas próximas partidas do Palmeiras.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

As mãos santas



Sim, quando um time sucumbe nos pênaltis, os comentaristas sempre caem no clichê de que "pênalti é loteria". Mas se o goleiro do time vencedor após a cobrança de penalidades máximas atende pelo nome de Marcos, o placar da disputa vai muito além de sorte do goleiro ou falta de sorte de quem bateu o pênalti. Somam-se à disputa a palavra eficiência e, alguns dizem, até milagre.

Mesmo diante de uma Ilha do Retiro tomada pelo vermelho e preto e em êxtase depois de, a nove minutos do fim, o Sport conseguir o gol que dava sobrevida ao time nas oitavas-de-final da Taça Libertadores da América, as mãos santas de Marcos continuavam firmes na tentativa de não deixar a vaga do Palmeiras escorrer pelos dedos. E a atuação do camisa 12 palmeirense não ficou restrita aos minutos finais da partida, pois a equipe de Recife pressionou do início ao fim, principalmente com seu líder nato, o experiente Paulo Baier. Ex-companheiro de Marcos no Palmeiras entre 2006 e 2007, o meia viu nada menos que três chances pararem em defesas de seu agora adversário.

Mas, apesar da superioridade do rubro-negro, o Palmeiras fez valer o gol "cacheado" de Ortigoza na partida de ida em São Paulo para que o gol de Wilson fosse insuficiente na classificação direta do Sport. O tira-teima entre a sensação da Libertadores e a equipe que passou de fase aos trancos e barrancos merecia ir para a imprevisível disputa de pênaltis, pelo bem do futebol brasileiro.

E o raio caiu mais uma vez no mesmo lugar. Ou melhor, foi lançado mais uma vez, pelo mesmo milagreiro. Na série de cobranças, Marcos defendeu os pênaltis de Luciano Henrique, Fumagalli e Dutra, e o Palmeiras saiu de campo com uma vitória por 3 a 1 no pós-jogo. Uma classificação com todos os méritos, diante de um rival que atuou bem e valorizou ainda mais a conquista da vaga às quartas-de-final.

Conforme declarou o jornalista Lédio Carmona em seu blogue (o link está dentre os favoritos de O tempo e o placar...), "Marcos é uma espécie de santo com poderes de super-herói. Quando ele resolve entrar em cena, a história sempre tem o mesmo fim". A torcida espera que no final dos próximos capítulos, os desfechos sejam felizes para o Palmeiras no caminho da Taça Libertadores da América.

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BOLA PRO MATO

Em São Paulo, Ronaldo enfrenta Fred no Corínthians e Fluminense. No Rio, o Flamengo coloca à prova o favoritismo do Internacional neste início de 2009. As quartas-de-final da Copa do Brasil começam bem interessantes nesta quarta-feira.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Palmeiras se classifica superando as pressões no Chile



No Estádio Monumental de Santiago, o Palmeiras superou a pressão da torcida chilena, a perda dos jogadores Pierre e Diego Souza e a expulsão de Marcão e saiu do Chile com uma vitória por 1 a 0 diante do Colo-Colo. Graças ao gol de Cleiton Xavier, aos 42 minutos do segundo o tempo, o alviverde agora está classificado para as oitavas-de-final da Taça Libertadores da América.

Depois de um início hesitante no torneio, na qual não conseguiu vencer nenhum jogo em casa, o Palmeiras chegou ao Chile precisando da vitória diante do Colo-Colo. A intenção do treinador Wanderley Luxemburgo era o time fazer uma boa marcação no primeiro tempo para, na segunda etapa, buscar o resultado positivo.

O primeiro ataque veio do lado alviverde, a um minuto e 16 de partida, em cruzamento de Cleiton Xavier neutralizado pela zaga. O Colo-Colo respondeu através de Barrios, que tentou passar por um marcador e acabou jogando a bola na linha de fundo. Dois minutos depois, em uma cobrança de escanteio a bola sobrou para Carranza e Marcos espalmou para escanteio, mas a arbitragem assinalou impedimento.

Embora a marcação conseguisse segurar o Colo-Colo na intermediária adversária, o Palmeiras não acertava passes para chegar ao ataque. A primeira boa chance do time brasileiro veio aos 13, numa arrancada pela esquerda de Armero que Cleiton Xavier tentou concluir de carrinho, mas a bola foi para fora. Dois minutos depois, o Colo-Colo perdeu seu camisa 10, Torres, contundido. Em seu lugar, o técnico Gualberto Jara colocou o jogador Caroca. Nos primeiros 20 minutos, a partida no Chile apresentava uma sucessão de erros de passes. As poucas tentativas vinham através de lances de bola parada.

O Colo-Colo sentia a ausência de Torres e, aos poucos, dava espaços para o Palmeiras. Aos 23, Maurício Ramos encontrou Keirrison livre na entrada da área. O artilheiro K9 acertou um belo chute, mas continuou com o jejum de gols graças ao travessão. Dois minutos depois, o atacante chegou livre na direita, mas Diego Souza errou na hora de passar e desperdiçou ótimo contra-ataque. Em outra tentativa por este lado, Diego tinha as opções de Keirrison e Armero na área, mas arriscou um chute e pegou fraco na bola, facilitando o corte da defesa.

Aos 28, num erro de Rufio, Keirrison entrou livre na área e deu um bom chute, mas explodiu na trave esquerda de Muñoz a chance do Palmeiras abrir o placar no Monumental de Santiago. Cinco minutos depois, finalmente o Colo-Colo ameaçou o gol de Marcos. Figueroa aproveitou o contra-ataque e, da direita, tocou para Barrios. O atacante do time chileno tentou chutar na esquerda, mas a bola passou rente à trave.

O Palmeiras respondeu aos 36, em lançamento de Wendel que passou por Keirrison e Armera. Em novas tentativas de cobrança de falta, o Colo-Colo esteve perto de abrir o placar. Carranza lançou na área, Figueroa conseguiu desviar, mas Marcos estava atento para fazer a defesa aos 43. Dois minutos depois, uma cobrança de falta de Carranza gerou contra-ataque palmeirense. Pierre lançou Wendel, que na entrada da área tocou para Keirrison. Mas, na hora de concluir, o chute de K9 saiu muito fraco.

O primeiro tempo terminou mesmo em 0 a 0, placar que ainda era desfavorável para as ambições palmeirenses na Taça Libertadores da América. Seguindo sua estratégia, Wanderley Luxemburdo iniciou a etapa final escalando Williams para fazer companhia a Keirrison no ataque. O atacante, que vinha de uma contusão, entrou no lugar de Wendel.

Aos três minutos, o Colo-Colo teve a primeira chance do segundo tempo. Carranza cobrou falta na direita e Danilo precisou cabeçear para escanteio. Precisando da vitória, aos poucos o Palmeiras foi expondo sua defesa. O time chileno aproveitou os buracos no lado esquerdo e teve três chances, aos 10, aos 12 e aos 13 minutos. Nesta última, Pierre errou o corte a um escanteio e a bola sobrou para Barrios. O volante se recuperou a tempo de evitar a conclusão do atacante.

Entretanto, o Palmeiras perderia dois jogadores importantes em poucos minutos. Contundido, Pierre deu lugar a Evandro, aos 14. Após levar cartão amarelo aos 15, o zagueiro Marcão fez nova falta dura em Figueroa e foi expulso dois minutos depois. O Colo-Colo teve nova alteração aos 19: Jara entrou em lugar de Meléndez. A equipe chilena se mantinha fechada, e parecia satisfeita com o empate no Monumental de Santiago.

O recuo chileno proporcionou a chegada de Souza, que deu uma arrancada na direita e tentou cruzar rasteiro, mas a bola parou nas mãos de Muñoz, aos 23. Dois minutos depois, em jogada de bola parada, Keirrison recuperou cruzamento errado de Cleiton Xavier e lançou para o meio da área. Diego Souza tentou uma bicicleta, mas não achou a bola. O Colo-Colo respondeu aos 27, em chute de Millar que passou à esquerda de Marcos.

A 15 minutos do fim, a equipe do Chile tentava cadenciar o jogo, e o Palmeiras não conseguia tomar a bola para tentar o gol no contra-ataque. Aos 31, Carranza buscou jogada na área palmeirense, mas Souza cortou para escanteio. O alviverde paulista passou a pressionar, conseguindo constantes cobranças de falta e de escanteio, nas quais a bola sempre para nos zagueiros do Colo-Colo.

O jogo ganhava contornos mais dramáticos quando o Palmeiras perdia mais um jogador de destaque. Passando muito mal, Diego Souza teve ser substituído por Ortigoza. No minuto seguinte, Ortigoza encontrou Williams livre na entrada da área, mas o chute do atacante esbarrou na ótima defesa de Muñoz. Em seguida, o time do Chile queimou sua última alteração, colocando o zagueiro González no lugar do atacante Carranza.

O Palmeiras continuava desperdiçando chances, como a de Maurício Ramos aos 41, quando através dos pés de Cleiton Xavier conseguiu furar o bloqueio do Colo-Colo. O camisa 10 não se intimidou com a marcação de três jogadores e deu um chute da intermediária. A bola acertou o ângulo de Muñoz, fazendo 1 a 0 para o alviverde aos 42 minutos.

Em adversidade no placar, o Colo-Colo partiu para o ataque desesperadamente, e a equipe paulista se fechava, tentando garantir a vitória. Aos 48 minutos, o árbitro Carlos Torres encerrou a partida, classificando o Palmeiras para as oitavas-de-final da Libertadores.

A festa brasileira agora está completa na próxima fase da Libertadores. O Palmeiras agora fará companhia a Sport, Cruzeiro, São Paulo e Grêmio no grupo de representantes brasileiros que segue na disputa pelo título sul-americano. Mais pressões estão por vir nesta caminhada.

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COLO-COLO (CHI) 0x1 PALMEIRAS


Estádio: Monumental de Santiago (no Chile).

Árbitro: Carlos Torres (do Paraguai).

Gol: Cleiton Xavier, aos 42 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Caroca, Figueroa, Millar (Colo-Colo), Marcão, Maurício Ramos e Williams (Palmeiras).

Expulsão: Marcão (Palmeiras).

COLO-COLO - Muñoz, Figueroa, Mena, Riffo e Salcedo; Melendez (Jara), Sanhueza, Millar e Torres (Caroca); Carranza (Gonzalez) e Barrios. Técnico: Gualberto Jara.

PALMEIRAS - Marcos, Maurício Ramos, Danilo e Marcão; Wendel (Willians), Pierre (Evandro), Souza, Cleiton Xavier, Diego Souza (Ortigoza) e Armero; Keirrison. Técnico: Wanderley Luxemburgo.