Mostrando postagens com marcador Especial. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Especial. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de julho de 2011

Basta!



Não há outro título mais "inspirado" para escrever esta postagem. Ela é definitiva, assim como o apelo de muitos que acompanham o futebol e acessam este espaço, seja para ler os textos ou para ouvir nossos DEBATEBOLAS.

É triste como algumas pessoas levam o futebol, sim, esporte competitivo, no qual um só sai campeão ao fim da competição, para o lado da violência. Com o tempo muitas pessoas passaram a levá-lo a sério demais, usando as arquibancadas e as ruas como campos de batalha. Mas é lamentável quando a violência ocorre dentro das quatro linhas do gramado.

E mais lamentável ainda foi a Taça BH de Futebol, competição na qual jogadores de menos de 20 anos querem ser "vistos" por torcedores e treinadores dos clubes que representam hoje, e também por "olheiros" do futebol do exterior, acabar sendo vista por uma agressão. Ao fim da partida entre Vasco e Sport, durante uma confusão por causa da marcação de uma falta, o goleiro GUSTAVO, do time pernambucano, saiu de sua meta para agredir o volante vascaíno ELIVÉLTON.

Entretanto, a agressão não machucou só o adversário daquela partida e companheiro de profissão. Não machucou só o Vasco, que, mesmo sabendo que o atleta está lúcido, talvez não possa mais contar com ele. Não machucou só o Sport, que chocado com a atitude, dispensou Gustavo.

Machucou o futebol. Esporte que faz a gente sorrir, vibrar, se emocionar. E que hoje, independente da camisa que cada torcedor vista, chora por ver esta cena:

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Feliz Natal e um Ano Novo de bom futebol brasileiro!



O tempo e o placar... chega hoje ao final de sua temporada de 2010. Este que vos escreve espera que, neste ano, o blogue tenha sido ainda mais abrangente na sua meta de fazer um panorama sobre o futebol brasileiro.

Em 2010, o Brasil foi apresentado ao fascínio do futebol dos novos Meninos da Vila. As jovens revelações do Santos, que, sob o comando de Dorival Júnior, se tornaram sinônimo de gols e de graça, da graça que o país tanto pedia nos gramados. O meia Paulo Henrique Ganso e o atacante Neymar foram dignos do clamor popular às vésperas da Copa do Mundo. Só que eles não foram.

Dunga preferiu manter a "coerência" com sua Seleção Brasileira, e o "comprometimento" que almejou durante quatro anos acabou comprometendo a atuação do Brasil na Copa da África do Sul. Os jogadores aplicados taticamente não resistiram às suas limitações criativas e à dependência extrema do meia Kaká - que chegava ao torneio ainda sob efeito de uma lesão. Nas quartas-de-final, o sonho do sexto título foi derrubado pelos pés da Holanda de Sneidjer. O Brasil voltou para casa, com as críticas ainda mais acentuadas, pois o outrora futebol-arte brasileiro agora estava nos pés da Espanha, vencedora da competição.

Inchados, deficitários, com pouca audiência e insucesso de crítica e público. Os campeonatos estaduais tiveram mais uma vez edições com pouquíssimas emoções. De Norte a Sul, a lógica se sobrepôs a possíveis zebras, e não deu margem para novidades. Os feitos mais marcantes foram o Santo André vendendo caro o título paulista para o Santos, o modesto Santa Helena chegando à final contra o Atlético Goianiense, o surpreendente Comercial conquistando seu primeiro título piauiense, e o Botafogo quebrando a supremacia do Flamengo após três derrotas consecutivas em finais.

2010 foi um ano amargo para os dois atacantes de maior destaque no atual cenário brasileiro. Adriano chegava a esta temporada consagrado por levar o Flamengo ao título brasileiro de 2009, e a dupla com Vágner Love prometia dar muitas alegrias aos flamenguistas. Mas a instabilidade emocional do Imperador, além de indisciplina e problemas extracampo, fizeram com que seu primeiro semestre fosse frustrante. Derrota no Estadual, eliminação na Taça Libertadores da América e partida para a Itália, refugiado no Roma. Ídolo de outra grande torcida, Ronaldo ficou encarregado de ser o personagem mais importante do centenário do Corínthians. Só que o ano de títulos se esvaiu em insucessos no Paulistão, na Libertadores e num Campeonato Brasileiro decepcionante - restou a piada do "sem ter nada".

A Libertadores teve desfecho feliz apenas para o Internacional, que se revelou o melhor elenco do segundo semestre. Um time bem armado, encaixado, copeiro, digno de ser o melhor da América do Sul. Mas que se mostrou falível no momento em que todos esperavam sua vitória - o sonho da segunda conquista do Mundial de Clubes caiu diante do Mazembe, representante africano no torneio de Abu Dhabi. Aos guerreiros colorados, restou vencer o Seongnam para conquistar o terceiro lugar.

Porque guerreiros, de fato, se revelaram mesmo no Brasileirão deste ano. Os mesmos guerreiros que conseguiram uma arrancada milagrosa ao final do Campeonato Brasileiro de 2009 encontraram seu caminho para o título. Sob o comando de Muricy Ramalho, o Fluminense não teve só um emaranhado de bons jogadores. O tricolor conseguiu um time, time de qualidade digna para fazer jus ao "tantas vezes campeão" que está presente em seu hino, feito por Lamartine Babo. Após um início de ano desanimador, as três cores pintaram a melhor equipe do Brasileirão no ano.

296 postagens depois, O tempo e o placar... se despede de 2010, na expectativa de que tenha sido um bom espaço para reflexões, debates e centro de opiniões sobre toda bola que rola nas quatro linhas do futebol brasileiro. E que em 2011 tenhamos outros grandes jogadores, grandes treinadores, grandes clubes e muitas histórias para contar.

MUITO OBRIGADO POR SUA AUDIÊNCIA E ATÉ A PRÓXIMA!

*****

O tempo e o placar... inicia suas postagens de 2011 no dia 10 de janeiro.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O espírito do futebol



"Quem ganha e perde as partidas é a alma". A frase de Nelson Rodrigues se eterniza a cada derrota definitiva, que tira de um time de futebol a possibilidade de conquistar um campeonato. Com ela, vêm símbolos da decepção e da amargura, que não aparecem com tanta força dentro de campo (afinal, a cada temporada jogadores têm presença mais fugaz num clube). A fidelidade fica na arquibancada, e parece que chega com mais força nos momentos de tristeza das equipes.

A tristeza mais recente foi a de ontem, com a eliminação do Palmeiras da Copa Sul-Americana. A imagem da capa da edição paulista do Lance! trazendo o garoto chorando, incrédulo com a derrota por 2 a 1 para o Goiás no Pacaembu, mostrou o verdadeiro retrato da frustração palmeirense. Como lembrou a Folha de S. Paulo na edição de hoje de seu caderno de esportes, a equipe do Palestra Itália encerrou de maneira melancólica uma década marcada por um rebaixamento e poucos títulos (o Campeonato Brasileiro da Série B de 2003 e o Campeonato Paulista de 2008).

Chegar à final da competição internacional era a última oportunidade do time deixar uma boa lembrança dos anos 2000. Traria a certeza de que a tradição palmeirense superaria até mesmo o elenco limitadíssimo entregue às mãos de Luiz Felipe Scolari. Só que o futebol pune o deslumbre causado por um favoritismo exagerado, até mesmo contra equipes consideradas inferiores, como foi o caso do Goiás.

Quando o favoritismo cai por terra depois de 90 minutos, a derrota fica ainda mais dolorosa. Afinal, o orgulho fomentado pela crítica esportiva é ferido de maneira brutal, pois, num esporte no qual a derrota faz parte do jogo, o torcedor ainda mantém a crença de que seu clube de coração é imbatível.



Foi o caso da Seleção Brasileira de 1982. O Brasil chegou à Copa do Mundo com uma equipe que representaria o "futebol-arte", digna de trazer o título depois de 12 anos sem conquistas. Mas o time de Júnior, Falcão, Zico e Sócrates acabou eliminado por uma Itália que priorizava o pragmatismo e a força para ser vitoriosa (e assim foi campeã na Espanha).

Acima da dimensão de crítica e público, que tornou o Brasil de 1982 um dos últimos times que mantinham a arte em seu futebol, uma imagem da arquibancada representou a decepção brasileira. Na capa do Jornal da Tarde de 6 de julho de 1982, um menino chorando com a camisa da Seleção Brasileira simbolizou a repercussão do fim de um sonho de título na Copa do Mundo que parecia tão certo.

Acima da paixão dos torcedores, que, como o nome indica, "torce" a realidade futebolística de acordo com a certeza de supremacia do clube de coração, o futebol sobrevive graças à alma das arquibancadas. Almas que explodem de alegria nas vitórias ou desabam prantos nas derrotas, sem qualquer pudor. Porque, mesmo que o espírito esportivo queira acalmar os ânimos com frases como "é só um jogo", o espírito do futebol se mantém irriquieto, e está presente desde os primeiros anos de vida como torcedor.

*****

Devido à onda de violência no Rio de Janeiro, O tempo e o placar... hoje não pôde apresentar o DEBATEBOLA QUATRO LINHAS. Este blogue espera que tudo se estabilize a tempo de apresentarmos uma edição na próxima segunda-feira.

sábado, 23 de outubro de 2010

70 anos em quatro letras




Passaram 70 anos, e do despertar de Três Corações

Entrou em campo aquele menino capaz de encantar multidões

Literatura nenhuma descreveu até hoje tantos gols bonitos

És sonho, és gol, és vitória, és glória, és soco no ar, és quatro letras e tantos tratos à bola que jamais em poemas serão reescritos

Muito obrigado, Pelé!

Vinícius Faustini

MILÉSIMO GOL DE PELÉ - Vasco 1 x 2 Santos, 1969



GOL DE PELÉ - Brasil 5 x 2 Suécia, 1958



O GOL QUE PELÉ NÃO FEZ - Brasil 3 x 1 Uruguai, 1970

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Bola na rede



Os leitores de O tempo e o placar... sabem que eu tenho uma relação muito forte com a literatura (cheguei a publicar o livro Diário de um salafrário, no ano de 2009). E é através dela que segue uma modesta homenagem ao Dia das Crianças.

Segue um conto que escrevi originalmente em 2006, e que concorreu ao prêmio do Prosa & Verso, do jornal O Globo. Ele foi cortado da lista final. Mas, de qualquer forma, agora está à disposição para a avaliação de todos vocês.

Autor falar do próprio texto é o mesmo que treinador querer vencer no grito sua estratégia. Mas adianto um pouco a história pra vocês. Trata-se da história de dois amigos de infância que brincavam de futebol no bairro onde viviam, e que se reencontravam numa partida de futebol. Como adversários.

Feliz Dia das Crianças a todos!

Vinícius Faustini


*****

O nascimento de uma grande amizade apareceu na mesma época em que veio a paixão pelo futebol. Antônio tinha oito anos e Luciano seis quando os dois, no mesmo bar, viram seus pais e uma multidão com a camisa cruzmaltina vibrar depois que a bomba de Cocada morreu no fundo da rede de Zé Carlos, aos 44 do segundo tempo.



O 1 a 0 do Vasco em cima do Flamengo causou nos garotos uma sensação de euforia que parecia não acabar nunca. Por um momento, os vascaínos Antônio e Luciano podiam sorrir e esquecer da penúria em que viviam. Mais do que nunca, o grito de “é campeão” trazia um alento pra duas crianças que não sabiam o que era alegria.

No dia seguinte, os dois foram para a escola com a camisa do Vasco, e passaram toda a hora do recreio no campinho improvisado. Tentavam repetir o lance do gol de Cocada, Antônio chutando e Luciano no gol.

Os problemas de casa tomaram conta das conversas dos garotos. Mais do que amigos, eram confidentes, com histórias que coincidiam, como a infância pobre e a falta de suas mães, ambas mortas no parto. Já pareciam aceitar a situação, quando Luciano sugeriu ao amigo:

" – Toninho, por que é que a gente não vai jogar futebol?"

Diante do espanto de Antônio, ele continuou:

" – É! Já pensou? Você fazendo igual o Cocada, que acabou de entrar e deu título pro Vasco?" – e improvisou uma narração – "e lá vai Geovani, passa por Edinho, estica pra Bismarck, ele passa pra Toninho, Toninho apontou e gol!"

Toda a rua ouviu o grito de gol e a comemoração dos dois garotos. Decidiram. Convenceram os pais a levá-los na escolinha do Vasco, e começaram a jogar. Por ter uma altura acima da média, Luciano foi para o gol.

Antônio, agora Toninho, mostrou habilidade com os pés, mas era muito franzino. Além disso, tinham outros jogadores com o mesmo talento e sem necessidade de tratamento físico. Acabou dispensado. Ainda tentou vaga no Botafogo, Fluminense, e acabou no Madureira.

Prestes a ganhar uma chance nos profissionais do Vasco, Luciano recebeu uma proposta irrecusável: jogar num time do Japão, com um salário bom o suficiente para sustentar o pai no Brasil. Ele e Toninho choraram muito na despedida, mas Luciano avisou:

" – Um dia eu volto. Mas de lá do Japão dou um jeito de mandar uma grana pra você e seu pai".

Toninho agradeceu, esboçou um sorriso, mas estava muito triste por imaginar a falta do amigo para apóiá-lo num recomeço em qualquer clube. Até o momento não conseguia se firmar em nenhum time. Seu melhor momento tinha sido no Bangu, quando fez um belo gol de falta num empate contra o Botafogo.

Oito anos depois, Luciano voltou ao Brasil. O período no futebol japonês foi proveitoso, mas a vontade de retornar estava cada vez mais forte. Com 28 anos, acertou sua volta para o Vasco, clube onde tudo começou – sua carreira no futebol e sua amizade com Toninho.

Toninho não acreditou quando ouviu o amigo dizer:

" – Estou de volta. Já vi na tabela que a gente vai se enfrentar na última rodada. Garante o seu que eu garanto o meu".



A tabela marcava para a última rodada da Taça Rio a partida do Vasco de Luciano contra o Olaria de Toninho. A ideia do goleiro era que os dois times ficassem bem colocados, e o jogo fosse um reencontro dentro das quatro linhas.

No entanto, o campeonato não transcorreu tão bem assim. Com alguns tropeços contra times de menor expressão, o Vasco chegou à última rodada tendo de vencer o Olaria para ir à final da Taça Rio. Já o Olaria estava numa grande crise, disputando ponto a ponto com a Portuguesa da Ilha do Governador para não ser rebaixado.

Os dois entraram em campo divididos. Sabiam que precisavam honrar a camisa de seus respectivos times, como profissionais do futebol. No entanto, uma derrota poderia ser muito dolorosa para qualquer um dos lados.

A partida começou, e o primeiro tempo trouxe poucas chances de gol. Luciano não teve trabalho nas poucas vezes em que foi exigido, e Toninho mal conseguiu tocar na bola com um jogo tão truncado.

No intervalo, Luciano descia para o vestiário quando ouviu, do outro lado, a bronca do técnico do Olaria:

" – Com esse timeco a gente não vai chegar a lugar nenhum. Escuta bem, se não der pra fazer um gol no início e ganhar, já era. Todo mundo na rua. Inclusive eu!"

Antes do reinício do jogo, Luciano e Toninho se viram pela primeira vez desde o início da partida. Apesar da insegurança com sua situação no Olaria, Toninho tentou sorrir quando viu o amigo de infância ostentando a camisa 1 do Vasco.

Recordou os problemas que Antônio teve desde o começo da carreira. Luciano se sentiu bem ao olhar para ele, por ver que eram companheiros de profissão. Atrás do sonho de uma vida melhor, de uma felicidade que buscavam desde meninos.

Luciano correu em silêncio até o gol. Toninho foi para o centro do meio-de-campo, à espera do apito para começar o segundo tempo. Nenhum dos dois sabia exatamente o que estava sentindo.

Com poucos minutos da etapa final, um cabeça-de-área do Olaria roubou a bola no centro do campo e jogou para frente. A bola sobrou para Toninho na intermediária, e pegou a zaga vascaína desprotegida.

Sem hesitar, Toninho direcionou a bola para o gol. O coração pulsava, esperando o resultado do lance. Mas o chute saiu mascado, seria fácil a defesa do goleiro. Luciano ficou atento. Não à bola, mas à frustração de Toninho. Sabia que era a melhor chance do jogo, e que também estava em jogo o futuro do amigo como jogador.

O tempo entre o chute de Toninho e a chegada da bola a Luciano parecia uma eternidade. Por um momento, os dois pensaram nas suas trajetórias. Na decisão de jogar futebol, nos motivos que fizeram com que eles fossem para esse caminho. No sucesso de um, nas frustrações do outro.



O estádio agora era o de São Januário, mas a recordação do gol de Cocada no Maracanã tomava conta daqueles meninos em campo. A bola chegou até Luciano. O goleiro, lentamente, se agachou para pegá-la, mas ela escorreu entre seus dedos e passou por suas pernas até, lentamente, atravessar a linha do gol.

Os outros jogadores comemoraram como se fosse um título. Mas, atônito, Toninho não comemorou o gol. Caminhou em silêncio e foi esperar a saída de meio-de-campo. Luciano pediu para ser substituído. Reclamou que tinha deslocado um dos dedos.

Em vez de ir embora, passou o resto do jogo no vestiário, com um radinho de pilha no ouvido, esperando o final. Confirmada a vitória do Olaria por 1 a 0, dirigiu-se para o vestiário do time adversário.

Viu Toninho retirando os meiões, e estendeu a camisa 1 para ele. O amigo espantou-se com a presença dele. Ia balbuciar alguma coisa, mas foi interrompido por Luciano:

" - Golaço, hein?".

Não, não tinha sido um golaço, e Luciano sabia bem disso. Se não soubesse, saberia através das resenhas esportivas de rádio e televisão, além das reportagens que circulariam nos jornais do dia seguinte, que tinha cometido uma falha clamorosa, falha que custara a eliminação do Vasco na Taça Rio. Mas o que importava naquele momento era a certeza de que não tinha falhado com o amigo, quando ele mais precisara.

sábado, 12 de junho de 2010

Coração verde e amarelo



O Dia dos Namorados cair em plena Copa do Mundo não é mera coincidência. A Copa é o maior presente que o futebol pode dar aos seus amantes fiéis, que a cada quatro anos concentram seus olhares para a disputa do torneio de seleções mais importante do mundo. E na frente da TV, nos bares, nas arquibancadas, o amor do torcedor oscila diante do que é apresentado nos gramados.

Um amor no qual não há perdão quando o jogador hesita diante do gol. Uma lua-de-mel que fica amarga quando o goleiro engole um frango capaz de impedir a vitória de uma equipe. E a sensação de prazer que vem somente com o som do gol.

O Brasil se consagrou como o país do futebol por sua relação de amor e ódio com a Seleção Brasileira. E, como prova de amor, colocou em letra e música todas as suas expectativas na camisa canarinho.

Uma delas veio em homenagem ao tricampeonato em 1970. A taça do mundo é nossa, de Maugeri, Müller, Sobrinho e Dagô, coroou a conquista no México, e apresentou ao mundo aquela que é considerada uma das melhores seleções de todos os tempos.



Com o passar das Copas, a tendência foi criar músicas temáticas para cada uma das edições do torneio. Algo que, infelizmente, fez com que canções interessantes e bem boladas caíssem no esquecimento por causa da ausência de títulos no campo. Foi o caso de Corrente 78, música feita para a Copa daquele ano, na Argentina. O nome dela era uma alusão ao primeiro verso do tango A media luz, que dizia "corriente tres, cuatro, ocho". O Brasil terminou em terceiro lugar, e foi definido pelo técnico Cláudio Coutinho como "campeão moral", pois saiu da Copa invicto.



Na Copa de 1982, realizada na Espanha, o lateral-esquerda Júnior se aventurou no cenário musical para a Seleção Brasileira dar samba. Ele compôs e interpretou Voa, canarinho, tema do time que até hoje é considerado um dos mais bonitos que o futebol-arte apresentou à Copa do Mundo. Mas a arte brasileira foi derrotada pela força da Itália, e voltou ao Brasil com o quinto lugar.



Quatro anos depois, a canção escolhida como tema brasileiro para a Copa do Mundo teve algo em comum com a de 1978. Para a Copa de 1986, realizada no México, o país cantava Mexicoração (novamente, o título fazia alusão ao país-sede). Ainda com alguns jogadores da Copa de 1982, o Brasil perdeu nos pênaltis para a França, e ficou com o quinto lugar.



Na Copa do Mundo de 1990, a música-tema pedia Papa essa, Brasil, e em sua letra dizia "quem tem bola vai a Roma". No entanto, a Seleção Brasileira de Sebastião Lazaroni teve um pífio desempenho e, após quatro jogos burocráticos na Itália, foi eliminada pela Argentina e não passou de um nono lugar.



Somente em 1994 o Brasil voltou a vencer a Copa do Mundo. E a música do tetra Coração verde e amarelo (de Tavito e Aldir Blanc) foi tão marcante que, graças à conquista nos Estados Unidos, segue até os dias de hoje como tema de futebol dos jogos da TV Globo. Sempre bem-humorado, o letrista Aldir Blanc disse que, assim como o Cafu, ele também participou de três finais consecutivas, mas com sua música dentro de campo.



Afinal, no Brasil as conquistas é que fazem consolidar o amor entre a Seleção Brasileira e seus torcedores. O coração verde e amarelo acelera durante a Copa do Mundo e, em coro, segue a música do compositor Miguel Gustavo para dizer PRA FRENTE BRASIL.



*****

UM FELIZ DIA DOS NAMORADOS!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Uma temporada



Não, você não se enganou. Este blogue é direcionado a falar sobre toda a bola que rola no futebol brasileiro. É que hoje se trata de um "jogo atípico" de O tempo e o placar... para celebrar um momento muito especial.

Há exatamente um ano, num dia 19 de fevereiro, O tempo e o placar... dava seu primeiro chute no gramado cibernético. Um mero jornalista formado apaixonado pelo esporte que é jogado no país decidiu arriscar algumas linhas na intenção de fazer deste espaço um registro para a posteridade de tudo o que viria a acontecer no cenário do futebol.

Uma intenção ínfima diante de todos os jornalistas que o influenciaram e influenciam - desde cronistas que já não estão entre nós, como Nelson Rodrigues e João Saldanha passando por mestres que ainda desfilam por aqui, como Armando Nogueira, Luiz Mendes e Fernando Calazans. Não para escrever uma história. E sim para passar a todos um pouco da sua história, como jornalista e apaixonado torcedor, de radinho, de TV e, mais tarde (depois de começar a morar no Rio de Janeiro) de arquibancada.

Mas o título, inspirado num bordão do locutor Jorge Cury ("atenção para o tempo e o placar..."), não veio apenas para definir a exatidão da hora em que aconteceram os acontecimentos ou os resultados deles. 26 anos de vida normal mostraram que este esporte não é uma ciência exata, nem o melhor taticamente, tecnicamente nem durante 90 minutos pode sair vencedor. E isto deixou meus modestos comentários mais intensos e instigantes.

Em seguida, vieram os comentários deixados a cada post, de tantos amigos que fico receoso de enumerá-los. Vieram parcerias com outros blogues. Veio uma especialização em Jornalismo Esportivo. Veio um programa de webrádio intitulado Quatro linhas, com outros amigos jornalistas que têm paixão por rádio e por futebol.

Felizmente, uma história construída por muitos. E enquanto muitos atletas e treinadores permanecem um ano inteiro presos a contratos com cláusulas penais absurdas, este que vos escreve anuncia hoje uma nota bombástica.

Após uma temporada, renovo meu contrato de escritor de O tempo e o placar..., por mais um ano e querendo renovar por muitos outros. Bom, ao menos enquanto os leitores daqui deixarem.

MUITO, MUITO OBRIGADO MESMO. E parabéns pra nós!

domingo, 19 de abril de 2009

CRÔNICA - O primeiro jogo de futebol no Brasil



Prezados leitores de O tempo e o placar...,

hoje e amanhã este espaço dará destaque a parceiros deste blogue, tanto em homenagens quanto em novas experimentações para o que vai ao ar aqui. Como todos que acompanham este espaço, ele fala sobre futebol brasileiro, comentando situações e jogos dos campeonatos jogados em todo o país.

Mas, desta vez, abre-se espaço para a literatura futebolística, num dia muito especial. 19 de abril é definido no calendário brasileiro como o "Dia do Índio". Oportunamente, vamos mostrar aqui uma versão literária sobre como foi a primeira partida de futebol em terras brasileiras.

Depois de Pero Vaz de Caminha relatar em 1500 como foi o descobrimento do Brasil, o amigo lusitano Armindo Guimarães vem aqui nos relatar como foi a realização da primeira partida de futebol em gramados brasileiros. Armindo é o português mais brasileiro que existe, e tem dentre suas características uma ampla e irreverente inspiração.

O conheci via Internet, através de outro assunto no qual temos muita afinidade: a admiração pelo cantor Roberto Carlos. Que, por sinal, comemora neste dia 19 de abril, 68 anos de idade.

Em um dos primeiros posts de O tempo e o placar..., Armindo escreveu o texto abaixo nos comentários. Este que vos escreve achou interessante guardá-lo para colocar no ar no Dia do Índio, à apreciação de todos.

Bem vindo e muito obrigado ao amigo Armindo, autor de um "golo" literário. Aos que quiserem conhecer mais de seus textos literários, basta acessar o blogue Splish splash, cujo link está entre nossos favoritos.

Abraços a todos,

Vinícius Faustini

*****

Versando a temática do desporto-rei, acredito que com a competência jornalística que é teu apanágio O tempo e o placar... irá seguramente oferecer aos seus leitores momentos de reflexão e quiçá de emoção.

Ao inaugurar tão brilhante iniciativa não podia deixar de te apresentar as minhas felicitações entrando na jogada com um golaço à Pelé (ou à Eusébio), relembrando aqui a pré-história do futebol brasileiro, quando no domingo 26 de Abril de 1500 é realizado o primeiro encontro de futebol em Terras de Vera Cruz, mais exactamente em Porto Seguro, e que doravante catapultou o Brasil como a maior e melhor “fábrica” de especialistas na matéria.

Eis a constituição das equipas e o relato do jogo:

Os Tupi

1 – Airy (Palmeira)
2 – Moema (Doce)
3 – Cauã (Gavião) – Capitão da equipa
4 – Guaraci (Sol de verão)
5 – Potira (Flor)
6 – Jaciara (Luar)
7 – Jaci (Lua)
8 – Araquém (Pássaro)
9 – Piatã (Forte)
10 – Tinga (Branco)
11 – Anauá (Pau de flor)


Equipamento: todos nus


Os Capitães da armada

1 – Gaspar de Lemos
2 – Pêro de Ataíde
3 – Diogo Dias
4 – Bartolomeu Dias – Capitão da equipa
5 – Nicolau Coelho
6 – Luís Pires
7 – Pedro Alvares Cabral
8 – Nuno Leitão da Cunha
9 – Aires Gomes da Silva
10 – Sancho Tovar
11 – Simão de Pina


Equipamento: todos vestidos


Árbitro:

Armindo Guimarães

Equipamento: Calção branco às bolinhas azuis e camisa branca com a foto do LP de 1977, do Roberto Carlos.

Juízes de linha:
Açuã (Talo de espiga)
Cajuru (Boca do mato)

Equipamentos: todos nus


RELATO DO JOGO


Colocada a bola ao centro, o árbitro, munido de um chocalho tupi, dá inicio ao jogo e as claques gritam apoiando as equipas. A equipa tupi entrou bem. Mais ousada que a equipa da frota, que apostava numa pressão alta para impedir que o meio-campo tupi pensasse o jogo. Mesmo assim, não tardou que o conjunto nativo criasse perigo. Na sequência de um canto, Anauã fez golo que o árbitro anulou por fora de jogo. A claque tupi reagiu de imediato com uma ladainha que ninguém entendeu, mas que por certo queria significar: “Fora o árbitro! Fora o árbitro! Gatuno! Gatuno! Gatuno!”.

O árbitro, que era luso com alma veracruciana, não entendendo os apupos, mas percebendo os gestos, vai daí e demite-se da sua função, entregando o apito, melhor dizendo, o chocalho, ao Frei Henrique, que passou a dirigir o jogo.

Esse lapso de tempo foi o suficiente para a equipa da frota se recompor, passando a equipa tupi a sentir sérias dificuldades em entrar na área do adversário, onde o central Pedro Álvares Cabral se mostrava imperial. Porém, quando menos se esperava, Jaciara deu nas vistas. Primeiro, fez uma arrancada que só não deu frutos porque o remate saiu torto. Depois, na marcação de um livre directo, atirou forte em direcção à baliza do goleiro Gaspar de Lemos que num golpe de rins desviou a bola para fora.

Entretanto, a passe de Moema, Potira lança a bola em profundidade para Piatã que dominando o esférico com o peito desfere um potente remate sem hipóteses de defesa para o goleiro Gaspar de Lemos. Estava feito o 1-0 que a claque tupi festeja euforicamente com gritos de contentamento e uma salva de flechadas atiradas para o ar, facto que obrigou à debandada das duas equipas que se protegiam com as mãos na cabeça. Este incidente obrigou Frei Henrique a interromper o jogo durante cerca de 15 minutos a fim de que fosse mantida a ordem e recolhidas as setas caídas no terreno de jogo.

Retomado o jogo, a bola é novamente colocada ao centro, e Bartolomeu Dias dribla um tupi, outro e mais outro, centra para Cabral que por sua vez passa para o Simão de Pina que de calcanhar enfia a bola por baixo das pernas do goleiro da equipa tupi. Era o empate e agora foi a vez da claque da armada festejar entusiasticamente a alegria do golo. A um sinal de alguém da assistência, uma das 12 naus ancoradas ao largo, arremessa para o mar uma bombarda que ecoou pela praia, ferindo os tímpanos dos jogadores e das claques.

A jogada seguinte, iniciada por Guaraci, seria, talvez, a melhor jogada do encontro, não fosse ter resultado na saída em padiola de um seu colega de equipa, o Araquém, que, centrando brilhantemente para Jaci, este devolve com um pontapé potente para o mesmo Araquém que não pôde evitar receber a bola nas vergonhas, caindo inerte na areia, sendo imediatamente levado para fora do terreno de jogo e socorrido por um dentista que logo tratou de o massajar nas partes lesionadas. Com grande resultado, diga-se de passagem, pois Araquém veio a si numa fracção de segundos.

Dado o adiantado da hora, o árbitro deu por terminado o encontro que se saldou num empate a um golo e num gesto significativo que tanto sensibilizou a equipa tupi e a sua claque, o Viajante Virtual dono da bola, ofereceu-a ao capitão tupi que, emocionado, retribuiu com um par de maracas.

Aquela bola de futebol irá ficar para sempre na Terra de Vera Cruz, e algo nos diz que os tupis farão bom uso dela.

*****

Amanhã é a vez do amigo Marcos Fontelles, comentarista constante de O tempo e o placar..., mostrar da visão de torcedor como assistiu ao Flamengo e Botafogo que acontecerá logo mais, no Maracanã, na final da Taça Rio.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Pega na mentira...?



Não, O tempo e o placar... não aposentará o assunto futebol para destinar este espaço a falar de música. Este blogue somente pediu auxílio a dois craques da Música Popular Brasileira que, em letra e música, fizeram uma tabelinha para brincar com o dia de hoje.

Como é de hábito no calendário universal, o primeiro dia do mês de abril é considerado o "Dia da Mentira". Desde que o monarca francês Carlos IX, em 1564, estipulou que a virada do ano passasse a ser oficialmente no primeiro dia de janeiro (e não em primeiro de abril), convencionou-se dedicar este dia a fazer brincadeiras, dar anúncios estapafúrdios e, ao final, gritar-se a frase "primeiro de abril".

Valendo-se desta brincadeira, Erasmo Carlos dedicou uma das faixas de seu LP Mulher, de 1981, a enumerar mentiras para, ao final de cada estrofe, entoar o refrão "pega na mentira...". A canção, feita em parceria com Roberto Carlos, dedicou seu primeiro verso a falar de uma mentira ligada ao futebol.

"Zico tá no Vasco, com Pelé", dizia a letra dos compositores vascaínos. Uma mentira que eles jamais imaginariam que ia acontecer, em especial porque ambos os jogadores viveram numa época na qual não era corriqueiro um jogador trocar de clube. No entanto, as "mentiras" aconteceram, em dois momentos diferentes da história do futebol brasileiro.



Em 1993, o "Galinho de Quintino" ZICO, o melhor jogador que vestiu a camisa do Flamengo, deixou de lado a grande rivalidade entre flamenguistas e vascaínos para vestir a camisa do Vasco numa ocasião muito especial. Em fevereiro daquele ano, ocorreu a despedida dos gramados de outro craque contemporâneo dele - Roberto Dinamite. Zico esteve presente na festa, e durante 45 minutos vestiu a camisa cruzmaltina, na partida entre Vasco e La Coruña. O jogo terminou com vitória do clube espanhol por 2 a 0, no Maracanã.



Um ano antes de sua consagração na Copa do Mundo de 1958, Pelé atuou com a camisa de seu clube de coração, o Vasco, em três ocasiões. Como o calendário era um pouco mais espaçado naquela época, era comum ser formado um "combinado" (escalação mesclando jogadores de duas equipes) para a realização de partidas amistosas. Foi o que aconteceu em 1957, quando Santos e Vasco se reuniram para jogar quatro partidas.

Em terras cariocas, o "Combinado Santos-Vasco" utilizou a camisa vascaína, e venceu o Belenenses, de Portugal, por 6 a 1 (com três gols de Pelé),e empatou em 1 a 1 contra o Zagreb, da Iugoslávia, e contra o Flamengo (em ambas, o gol do "combinado" foi marcado por Pelé). Ainda ocorreu um jogo em São Paulo, desta vez com os jogadores vestindo a camisa do Santos - um empate em 1 a 1 com o São Paulo, e o gol do "combinado" novamente marcado por Pelé.

Deixo vocês com a letra de Pega na mentira, canção feita na década de 1980, mas que traz muitas verdades das situações do país. Afinal, Roberto e Erasmo também sabem da graça que é pegar alguém na mentira.

PEGA NA MENTIRA - Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Zico tá no Vasco, com Pelé
Minas importou do Rio a maré
Beijei o Beijoqueiro na televisão
Acabou-se a inflação
Barato é o marido da barata
A Amazônia preza sua mata-ta-ta


Pega na mentira, pega na mentira...
Corta o rabo dela
Pisa em cima, bate nela
Pega na mentira...

Já gravei um disco voador
Disse a Castro Alves seu valor
Em Copacabana não tem argentino
Sou mais moço que o menino
Vi Papai Noel numa favela
O Brasil não gosta de novela...


Pega na mentira, pega na mentira...
Corta o rabo dela
Pisa em cima, bate nela
Pega na mentira...

Sônia Braga é feia, não é boa
Já não morre peixe na lagoa
Passa todo mundo no vestibular
O amor vai se acabar
Carnaval agora é um dia só
Sem censura e guaraná em pó, pó, pó...

Pega na mentira, pega na mentira...
Corta o rabo dela
Pisa em cima, bate nela
Pega na mentira...

*****

BOLA PRO MATO


Não foi primeiro de abril. A partida entre Macaé e Vasco (com vitória vascaína por 1 a 0), marcada para uma terça-feira, às 21h50, levou o público de 5 mil pessoas ao Maracanã. Uma brincadeira de mau gosto da Federação do Estado do Rio de Janeiro.

*****

BOLA NA ARQUIBANCADA

Qual mentira absurda os leitores de O tempo e placar... gostariam que acontecesse de verdade no futebol brasileiro? Comentários abaixo!

domingo, 8 de março de 2009

8 DE MARÇO - A mulher em campo



Este pretenso cronista esportivo que vos escreve ficou alguns dias convivendo com uma dúvida. Como um blogue que tem como tema um assunto convencionado como "coisa pra homem" poderia homenagear as mulheres. A resposta veio justamente das quatro linhas: são elas que, em campo, já vêm mostrando que o futebol não é exclusividade do sexo masculino.

Apesar de só atualmente o futebol receber também sua versão feminina, a história mostra que o Brasil já tentava combater preconceitos muitas décadas antes. Na década de 1930, já havia alguns jogos esporádicos realizados entre mulheres. Entretanto, elas prosseguiam lutando contra dois adversários - o preconceito e a falta de investimento no esporte. A derrota ficou ainda maior em 1964, quando o Conselho Nacional de Desportos proibiu a prática do futebol feminino no Brasil.

Mesmo com a lei sendo revogada em 1981, o Brasil demorou a ter algum destaque novamente no esporte. Somente na década seguinte o futebol abriria espaço para as mulheres entrarem em campo em território nacional - e equipes de destaque, como São Paulo, Portuguesa e Vasco, tiveram estrutura para que elas apresentassem seu bom futebol.

O primeiro bom resultado das mulheres veio em 1996 - ano do primeiro torneio de futebol realizado nos Jogos Olímpicos. Na Olimpíada de Atlanta, o Brasil chegou em quarto lugar. Quatro anos depois, em Sydney, novamente a Seleção Brasileira estaria entre os quatro primeiros. Resultados positivos, levando em conta a oscilação da organização dos campeonatos para as mulheres.

Entretanto, nem o quarto lugar em duas Olimpíadas seguidas foi suficiente para um investimento melhor no esporte brasileiro. Data de 2001 o mais recente Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, em especial porque muitos times que revelaram as jogadoras optaram pela extinção de seu plantel de atletas femininas do esporte. Atualmente, a prática de futebol feminino vem sendo exclusiva nos times de pouca expressão do interior de São Paulo - e recebem ajuda financeira do Sportv (canal de TV a cabo da Globosat).

Mesmo com a crise no Brasil e a necessidade de recorrer a equipes de futebol do exterior, as jogadoras brasileiras continuam trazendo muita felicidade para os torcedores brasileiros de ambos os sexos. O Brasil foi medalha de ouro em dois Jogos Pan-Americanos consecutivos (2003 e 2007), sendo que no Pan do Brasil a Seleção venceu todas as suas partidas sem sofrer nenhum gol e com um ataque que marcou 33 vezes. O país apresentou também a artilheira da competição - Marta, que balançou as redes 12 vezes.

As meninas são tetracampeãs sul-americanas (venceram nos anos de 1991, 1995, 1998 e 2003) e sempre têm destaque nas demais competições do futebol de mulheres. Além do vice-campeonato na Copa do Mundo de 2007, a Seleção conseguiu a medalha de prata nas Olimpíadas de 2004 e de 2008.

Excelentes resultados, capazes de causar inveja aos homens que defendem a Seleção Brasileira de Futebol - e nem mesmo os rios de dinheiro que eles ganham contribuem para melhores atuações atuais nas competições internacionais. Jogadoras como Pretinha, Cristiane, Kátia Cilene e Formiga revelam um futebol superior a muitos homens que são convocados para atuar com a Seleção.

Dentre todas, o grande destaque não podia ser outro. Eleita por três anos consecutivos a melhor jogadora do mundo, MARTA (na foto, comemorando um gol) é o símbolo da superação feminina no futebol do Brasil. Depois do começo no Vasco e o consequente desmantelamento do clube, hoje ela joga no exterior e, em campo, vem conseguindo todo prestígio que uma craque merece receber.

Parabéns às mulheres que entram em campo e fazem tanto bem ao espetáculo do futebol brasileiro. Elas merecem todo nosso aplauso - tanto por suas belas jogadas em campo quanto pelas constantes vitórias da superação, de decidirem seguir em um esporte que não tem infra-estrutura e investimento para prosseguir no Brasil.

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER
a todas as futebolistas do Brasil. E também às poucas mulheres que devem acessar este O tempo e o placar..., né?

*****

BOLA PRO MATO

Os holofotes da imprensa acharam uma nova promessa a ídolo. O menino NEYMAR, de 17 anos, fez sua estreia ontem pelo Santos, na vitória por 2 a 1 do time sobre o Oeste, em partida do Campeonato Paulista. O jogador entrou aos 14 minutos do segundo tempo e acertou uma bola na trave durante o jogo. Com multa rescisória avaliada em R$ 90 milhões, os santistas dizem que o menino "promete".

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Futebol pandeiro










Já faz muitos fevereiros que o Brasil é conhecido como a terra do carnaval e do futebol. Estas duas celebrações do povo, inclusive, trazem muitas coisas em comum. Tanto a folia de Momo quanto o esporte bretão têm um lugar definido para serem realizados (o carnaval, no sambódromo e o futebol, nos estádios), mas os sentimentos envolvendo as escolas de samba e os times de futebol se estendem às arquibancadas e chegam às ruas, aos bairros, à cidade e ao país. E, atualmente, as vibrações em torno dos resultados acontecem com transmissão do rádio e da TV.

A diferença vem somente no momento da decisão. O resultado do futebol vai sendo desenhado meses a fio, em partidas que acontecem em campeonatos que se arrastam durante muito tempo para, ao final, premiar ou não o trabalho realizado pelo clube que mais triunfou em campo. Já a "temporada" carnavalesca deve ser toda desenhada para correr de maneira perfeita durante um dia - ou melhor, em cerca de uma hora (geralmente este é o tempo de passagem de uma escola na avenida) - e seu resultado é conhecido dias depois do desfile, de acordo com as notas de uma comissão de especialistas.

À medida que o futebol foi se tornando um esporte popular, a cada carnaval vinham novas músicas que começavam na voz da multidão presente na folia e depois ganhavam coro nas arquibancadas. É o caso da marchinha Mulata Bossa Nova ("Mulata Bossa Nova, caiu no Hully-Gully, e só dá ela..."), que ecoou em várias torcidas cariocas, como, por exemplo, na torcida Força Jovem, do Vasco da Gama, que canta: "a Força Jovem canta, galera se levanta, e só dá Vasco...". A marchinha Rema, remador, do verso "Se a canoa não virar, olê, olê, olá, eu chego lá..." também passou a ser cantada nos estádios, mas com uma paródia recorrendo a palavrões e a provocações agressivas do time que a entoa para seus respectivos rivais.

Outro grande exemplo de marchinha cantada em estádio veio na Copa do Mundo de 1950. No jogo entre a Seleção Brasileira e a Espanha, o Brasil derrotava os espanhóis pelo placar de 6 a 1 quando o estádio do Maracanã em peso cantou a música Touradas em Madrid. O único que não conseguiu cantá-la foi seu autor, Braguinha, que, emocionado por ouvir sua canção na voz de 200 mil pessoas, não se conteve e começou a chorar. Reza a lenda que torcedores brasileiros que estavam próximos a ele acharam que se tratava um espanhol chorando pela goleada que a Espanha sofreu.

Com o sucesso do desfile das escolas de samba no carnaval do Rio de Janeiro, algumas agremiações decidiram levar para a Marquês de Sapucaí um pouco da paixão dos gramados. O primeiro veio em 1995, quando a escola Estácio de Sá celebrou os 100 anos de fundação do Clube de Regatas Flamengo. Abaixo, a letra do samba-enredo Uma vez Flamengo...:

Cobra coral
Papagaio vintém
Vesti rubro-negro
Não tem pra ninguém

O céu rasgou
Na noite que reluzia
Um show de estrelas
Brilhou nos olhos
De um novo dia

A poesia
Enfeitada de luar
Encantou o Estácio, oh, paixão
Paixão que arde sem parar

É mengo, tengo
No meu quengo é só Flamengo
Uh! Tererê
Sou Flamengo até morrer

Seis jovens remadores
Fundam o grupo de regatas
Campeão, o seu destino, ô
É ganhar em terra e mar

Fazendo sol
Pode queimar, pode chover
Vou ver Fla-Flu
Fla-Vas vou ver

Diamante negro, Fio Maravilha
Domingos da Guia, Zizinho, Pavão
Gazela negra
Corre o tempo no olhar

Será que você lembra
Como eu lembro o mundial
Que o Zico foi buscar

Só amor
Na alegria e na dor,ô, ô
Parabéns dessa galera
Cem anos de primavera


Três anos depois, foi a vez do Clube de Regatas Vasco da Gama receber uma homenagem do samba pelos 100 anos de fundação. De Gama a Vasco, a epopeia da Tijuca levou a história da caravela cruzmaltina ao som da reverência criada pela Unidos da Tijuca:

Vamos vibrar meu povão,é gol, é gol
A rede vai balançar, vai balançar
Sou Vasco da Gama, meu bem
Campeão de terra e mar

Através da mão divina, amor
Naveguei, naveguei
O meu sonho de menino
Quis assim o meu destino
Portugal e toda a Europa encantei

Naveguei
E novos povos encontrei
Por tempestades e lendas eu passei
Para um almirante a coragem é a lei

Por tantos mares viajei
Na Índia, eu então cheguei
Veio o progresso nessa aventura
Descobertas e culturas

É nessa onda que eu vou
O povo vai recordar
Vem com a Unidos da Tijuca festejar

É nessa onda que eu vou
O povo vai recordar
Vem com a Unidos da Tijuca festejar...

Rio de Janeiro, brasileiro, meu irmão
Sou Vasco da Gama, tantas vezes campeão
Quando entra no gramado me alucina
Esse clube da colina, centenário de paixão
Estrela no céu a brilhar
Que faz essa galera delirar


O desfile das escolas de samba de São Paulo trouxe exemplos mais curiosos da ligação entre o futebol e o carnaval. Duas grandes torcidas organizadas resolveram festejar também na folia do carnaval paulista, levando a rivalidade também para o sambódromo paulistano.

De um lado, a Gaviões da Fiel, torcida do Corínthians fundada em 1969 e que no ano de 1975 passou a concorrer nos desfiles carnavalescos da cidade. Do outro, a Mancha Verde, que desde 1983 é a maior torcida do Palmeiras, mas somente 12 anos depois de sua fundação caiu no samba em São Paulo.

Além dos sambas temáticos das escolas, há um outro momento inusitado que o carnaval proporcionou nas arquibancadas. No Maracanã, Bangu e Coritiba decidiam a final do Campeonato Brasileiro de 1985. Apoiados por vascaínos, tricolores, flamenguistas e botafoguenses, os banguenses também cantaram o samba-enredo Ziriguidum 2001, que ficou conhecido na Sapucaí no início daquele ano através da Mocidade Independente de Padre Miguel. Mas em campo não adiantou nada: o time paranaense levou a melhor, e depois de empate em 1 a 1 no tempo normal, o "Coxa" ganhou seu único título brasileiro nos pênaltis.

"Bamba" em campo, o ex-jogador Júnior (atualmente comentarista da TV Globo) também se aventurou a passear pela praia do samba. Às vésperas da Copa do Mundo de 1982, ele lançou um compacto no qual interpretava a música Voa, canarinho.

Mas, certamente, o maior momento da ligação entre os sambistas e os apaixonados por futebol foi criado em 1982. Em seu LP É melhor sorrir, Neguinho da Beija-Flor escreveu e gravou a canção O campeão (mais conhecida como Domingo), que conseguiu a proeza de ser "adotada" nos cantos de todas as torcidas organizadas dos grandes clubes do Rio de Janeiro. Até hoje, durante jogos realizados no Maracanã, as torcidas entoam este grito (naturalmente, após o "ôôô", eles gritam o nome do time que apóiam):

Domingo
Eu vou ao Maracanã
Vou torcer pro time que sou fã

Vou levar foguete e bandeira
Não vai ser de brincadeira
Ele vai ser campeão

Não quero cadeira numerada
Vou vibrar na arquibancada
Pra sentir mais emoção

Porque meu time
Bota pra ferver
E o nome dele
São vocês que vão dizer

Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô
Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô...


Num país que tem samba no pé - tanto nos passistas da escola de samba quanto na habilidade dos jogadores de futebol - nada mais justo do que O tempo e o placar... destinar um post de carnaval à moda futebolística. Afinal, o Brasil sempre pede passagem para a alegria que o "futebol pandeiro" tem a mostrar.

Um bom carnaval a todos!

Este blogue volta a ser atualizado na Quarta-Feira de Cinzas, dia 25 de fevereiro.