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sábado, 11 de dezembro de 2010

Epílogo do amadorismo



O histórico de desorganização do Campeonato Brasileiro parecia relegado a um passado distante desde o início do formato dos pontos corridos. Entretanto, após o fim da edição de 2010, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva deu um exemplo lamentável ao burlar a própria lei, e comprometer até mesmo o título do Fluminense.

Com a possibilidade de um jogador poder trocar de clube durante a competição (desde que tenha feito, no máximo, seis partidas pelo time anterior), foi estipulado que os cartões amarelos levados nos jogos por uma equipe continuariam valendo pelo outro clube. Foi o caso do jogador Leandro Chaves, que, após um cartão amarelo recebido pelo Ipatinga, deveria cumprir suspensão automática depois de dois cartões recebidos pelo Duque de Caxias. Só que o jogador não ficou de fora da partida seguinte, ele só ficou suspenso depois do terceiro cartão pelo time da Baixada Fluminense.

Pela regra, o Duque de Caxias teria de perder três pontos - mas o STJD absolveu a equipe carioca. Ao renegar a própria lei, a Justiça Desportiva considerou como legítima a atitude equivocada do time da Série B do Campeonato Brasileiro, e comprometeu quem tinha agido da maneira combinada anteriormente.

Comprometeu, inclusive, o Fluminense. Da primeira vez que o atacante Tartá foi suspenso por três cartões amarelos, o time do Rio de Janeiro contou com o que ele recebeu por seu antigo clube, o Atlético Paranaense. No novo precedente, Tartá ficaria suspenso apenas após o terceiro cartão amarelo recebido pelo tricolor das Laranjeiras - e não poderia jogar contra o Goiás, no Engenhão. Como punição, o Fluminense teria de perder três pontos desta partida, que fariam com que a equipe fosse ultrapassada pelo Cruzeiro em número de pontos e perdesse o título conquistado.

A infelicidade do STJD só não ficou mais intensa porque o Cruzeiro decidiu não pleitear o título brasileiro no "tapetão". E a Confederação Brasileira não amargou mais uma derrota para a falta de ordem e parece, até o momento, isenta de voltar àqueles tempos em que o futebol era definido de maneira jurídica.

Por toda a campanha feita nas 38 rodadas, o Fluminense é digno de ser o campeão brasileiro no ano de 2010. E retirar a taça de campeão das mãos dos tricolores seria uma derrota também para o futebol nacional, novamente sacrificado pelo amadorismo na hora de organizar o campeonato.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Fluminense, épico em 38 atos



FLUMINENSE, CAMPEÃO BRASILEIRO DE 2010

Reverência deste autor que vos escreve ao estilo de crônica do dramaturgo e torcedor do Fluminense NELSON RODRIGUES.

O coração tricolor se multiplicou por exatos 40.905 presentes no Engenhão. Corações Valentes, que saltaram pela boca aos 17 minutos do segundo tempo. No momento em que Emerson fez sua soberania de Sheik e sua qualidade de atacante superarem o arqueiro do Guarani. Goleiro também de nome Emerson, mas agora mero coadjuvante de um gol que mais tarde seria louvado como decisivo.

O clube tantas vezes campeão chegou a mais uma conquista. Para muitos, sua segunda. Mas para a torcida do Fluminense, tão empenhada em registrar sua história, a terceira conquista nacional - além dos títulos de 1984 e de 2010, o clube pleiteia o reconhecimento do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, de 1970, como título brasileiro (pois era no mesmo formato do Campeonato Brasileiro disputado a partir de 1971).

O Fluminense fascinou pela sua disciplina. Disciplina imposta pelo técnico Muricy Ramalho, que deu a um elenco cheio de estrelas o ímpeto digno de uma equipe vencedora. O Fluminense que dominou, em todos os setores do campo, com um futebol seguro defensivamente, veloz em seus contra-ataques e ferino quando estava cara a cara com os goleiros adversários. Um Fluminense que teve amor ao tricolor, amor simbolizado por Darío Conca, o grande líder que não se deixou abater e esteve presente nas 38 rodadas do Campeonato Brasileiro.

Salve o querido pavilhão! Ricardo Berna, Mariano, Gum, Leandro Eusébio e Carlinhos; Diguinho, Valencia, Júlio César (Washington) e Conca; Emerson (Rodriguinho) e Fred (Fernando Bob). Pavilhão formado por outros tantos jogadores que vestiram sua camisa durante a competição - desde pratas-da-casa, como Fernando Henrique e Tartá, passando por medalhões como Belletti e Deco. A camisa com três cores que traduzem tradição. Que, mesmo com um elenco tão numeroso e cercado de talentos, encontrou a paz. Dela, surgiu a esperança, consolidada a cada vitória. A cada três pontos, que deixavam a equipe mais unida e forte.

Pelo esporte, várias pessoas tiraram e tirarão de seus armários a camisa tricolor. Ela, que tem o verde da esperança, numa espera que foi alcançada após um hiato de 26 anos entre a final contra o Vasco em 1984 e o jogo decisivo de 2010 contra o Guarani. Ela, que traz cor encarnada, com o sangue dado pelos jogadores que as arquibancadas definiram como "time de guerreiros". E que, depois do apito final de Carlos Eugênio Simon, passou a comemorar em harmonia, na harmonia de tom branco que define sua camisa como tricolor, a paz de chegar a um título justíssimo.

O sol do amanhã, como a luz de um refletor, brilhará com as três cores e os sorrisos de vários tricolores que começaram a comemorar no início da noite de domingo. Todos vibrando com a emoção de quem voltou a gritar "é campeão".



"O Fluminense nasceu com a vocação da eternidade. Tudo pode passar, mas o tricolor não passará jamais. Quem o diz é o óbvio ululante".

Nelson Rodrigues

Chega de humildade! - Pedindo permissão ao mestre



De Diego Bachini Lima

Amigos, a humildade acaba aqui. Desde hoje o Fluminense é o campeão do Brasil. No maior de todos os tempos, o tricolor conquistou a sua mais bela vitória. E foi também o grande dia do Estádio Olíimpico João Havelange. A massa “pó-de-arroz” teve o sentimento do triunfo. Aconteceu, então, o seguinte: — vivos e mortos subiram as rampas. Os vivos saíram de suas casas e os mortos de suas tumbas. E, diante da plateia colossal, Fluminense e Guarani fizeram uma dessas partidas imortais.

Daqui a duzentos anos a cidade dirá, mordida de nostalgia: — “Aquele jogo!”. Ah, quem não viu o jogo no Estádio Olímpico João Havelange não viveu. E o Fluminense fez uma exibição digna de sua história, sofrida e suada. Lutou com a alma indomável do campeão. Ninguém conquista o título num único dia, numa única tarde. Não. Um título é todo sangue, todo suor e todo lágrimas de um campeonato inteiro.

Acreditem: — o Fluminense começou a ser campeão muito antes. Sim, quando saiu do caos para a liderança. “Do caos para a liderança”, repito, foi a nossa viagem maravilhosa. Lembro-me do primeiro domingo em que ficamos sozinhos na ponta. As esquinas e os botecos faziam a piada cruel: — “Líder por uma semana”. Daí para a frente, o Fluminense era sempre o líder por uma semana.

Olhem para trás. Da rodada inaugural até ontem, não houve time mais regular, mais constante, de uma batida mais harmoniosa. Mas foi engraçado: — por muito tempo, ninguém acreditou no Fluminense, ninguém. Um dia, Emerson veio das Arábias. Era o ponta-de-lança mais esperado que um Moisés. Queríamos um goleador. E nunca mais se interrompeu a ascensão para o título.

O curioso é que, há muito tempo, aqui mesmo desta coluna, fez-se o vaticínio de que o campeonato teria a sua decisão num lance de Washington. Foram autores de tal profecia, primeiro, o próprio jogador; em seguida, a minha amiga Wannessa Lima, um e outro tricolor. O que ambos não sabiam é que já estava escrito há seis mil anos que o campeão seria o Fluminense num passe de cabeça do Coração Valente. E vou citar um outro oráculo: Fred. Quando o tricolor parecia uma piada no fim do último ano: — “Este é o ano do Fluminense!”. E do seu olhar vazava luz.

Amigos, o que se viu hoje no Estádio Olímpico João Havelange foi espantoso. Primeiro, a tempestade de bandeiras, de pó-de-arroz, o mosaico tricolor.

E que formidável partida! O Fluminense acuado não conseguia jogar no primeiro tempo, mas o Goiás marcou. O Fluminense nervoso e o Corínthians empata. E foi preciso que Emerson, o goleador do Fluminense, marcasse aquele que seria o gol da vitória, da doce e santa vitória. E o Corínthians, no Planalto Central, não desempatou mais, nunca mais. Era a vitória, era o título.

Agora a pergunta: — e o personagem da semana? Podia ser Emerson, que fez uma exibição magistral e, inclusive, o gol do título. Podia ser Leandro Euzébio, que volta a ser o o melhor zagueiro do campeonato e um dos maiores jogadores brasileiros de defesa. Penso também em Dario Conca, que, a princípio nervosíssimo, teve intervenções sensacionais. Podia ser também Muricy, que, sóbrio, modesto, trouxe a equipe do caos para o título. Mas entendo que desta vez o personagem deve ser o time. Do goleiro ao ponta-esquerda. Todos, todos mostraram uma alma, uma paixão, um ímpeto inexcedíveis.

Pelo amor de Deus, não me venham dizer que, após o gol, o Guarani desanimou. O Bugre cresceu com a desvantagem no placar, lançou-se todo para a frente. Eram fanáticos dispostos a vencer ou perecer. O Guarani teve ontem um dos grandes momentos de sua história.

Mas, dizia eu no começo que a nossa humildade para aqui. Passamos toda a jornada com um passarinho em cada ombro e as duras e feias sandálias nos pés. Mas o Fluminense é o campeão. Erguendo-me das cinzas da humildade, anuncio: — “Vamos tratar do tetra”.

O título como redenção



Das três equipes que estão brigando hoje pelo título do Campeonato Brasileiro de 2010, duas entrarão em campo com oportunidade de entrar para a história da competição. Não que a conquista seja inédita para qualquer uma delas, mas para Fluminense e Corínthians a faixa de campeão será um momento de redenção.

Caso um deles vença o Campeonato Brasileiro, será o primeiro campeão da Série A após sofrer com rebaixamento em sua trajetória (o Cruzeiro, que graças ao seu grande futebol é hoje o terceiro time na disputa do título de 2010, nunca foi rebaixado na competição). Título que, certamente, pareceu bem distante na época em que passaram por crise.

Na segunda metade da década de 1990, o Fluminense passou por uma sequência de fiascos no cenário nacional. Em 1996, o time terminou a competição rebaixado. Graças a uma virada de mesa, no ano seguinte continuou na Série A, mas ficou entre os últimos lugares novamente. No ano de 1998, o clube caiu da Segunda para a Terceira Divisão. Em 1999, houve o primeiro alento: a conquista da Série C que, graças à realização da Copa João Havelange, fez com que o clube voltasse diretamente para a Primeira Divisão. A conquista de hoje comprova de uma vez por todas que, apesar desta maneira discutível de voltar à elite do futebol, o tricolor das Laranjeiras está no lugar certo.

Dono de uma das maiores torcidas do país, o Corínthians foi rebaixado ao final do Campeonato Brasileiro de 2007, duas edições depois de ter sido campeão brasileiro pela quarta vez. O desmantelamento acentuou sua falta de organização e uma série de erros de dentro de campo. Após ser campeão da Série B de 2008 e conseguir títulos do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil de 2009, os corintianos agora querem uma nova redenção: ganhar o Campeonato Brasileiro, como forma de amenizar a eliminação da Taça Libertadores da América, seu grande projeto do ano do centenário.

Tricolores e corintianos entram em campo no capítulo final pela corrida da redenção. Mas, sem dúvida, a boa campanha que fizeram até agora no Campeonato Brasileiro de 2010 mostra a grandiosidade que tiveram nesta temporada.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Amargo contexto





Enquanto a emocionante briga pelo título entre Fluminense, Corínthians e Cruzeiro tem seu último ato, o Campeonato Brasileiro de 2010 apresentará uma decisão com muito menos brilho. Dois rubro-negros terão sua última oportunidade para manterem seus respectivos clubes na Primeira Divisão do futebol nacional.

Vitória da Bahia e Atlético Goianiense querem a todo custo evitar que um ano promissor termine em uma trágica história para 2011. Em especial, porque as duas equipes tiveram um primeiro semestre de muita festa e bastante promissor para o restante do ano.

As duas equipes foram campeãs estaduais e chegaram à semifinal da Copa do Brasil. Vitória e Atlético se cruzaram, e o time baiano ganhou o direito de chegar à final da competição. Apesar da perda do título para o Santos, o rubro-negro da Bahia se orgulhou da campanha, em especial porque na última partida, realizada no Barradão, a equipe venceu o jogo por 2 a 1 (após perder a primeira por 2 a 0, na Vila Belmiro).

A má sequência de Atlético Goianiense e Vitória no Brasileirão coloca em xeque outro campeonato. Já faz alguns anos que os campeonatos estaduais são desprezados, considerados uma pré-temporada de luxo. Será que a Copa do Brasil também está indo pelo mesmo caminho?

O bom desempenho nas duas competições, aliado à falta de peças de reposição e à falta de uma regularidade suficiente para que o Campeonato Brasileiro transcorresse de maneira satisfatória, causaram este reencontro numa situação bem distante da outra decisão pela qual os rubro-negros passaram em 2010. Da chance de ser uma surpresa ao risco de uma frustração, segue um semestre de amargura pelo qual Atlético Goianiense e Vitória da Bahia se deixaram levar.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Os parados dos pontos corridos



Enquanto algumas equipes ainda têm batalhas por resolver dentro de campo, outras que não acham motivos melhores do que suas colocações no Campeonato Brasileiro passam as últimas rodadas em discussões paralelas sobre o resto da competição. Além da ética da "mala branca" e da possibilidade de entregar ou não uma partida, para prejudicar um rival tradicional, outro assunto em questão é a motivação para a reta final de campeonato.

Recentemente, o jogador vascaíno Felipe declarou que a eliminação do Vasco faz com que ele não tenha mais motivação para as últimas rodadas. Mas seu salário alto não é suficiente para fazer com que ele se empenhe em campo?

Um título ou, no caso do Campeonato Brasileiro, o credenciamento para jogar a Taça Libertadores da América do ano que vem, dão margem para que o jogador tenha mais visibilidade. No entanto, se ele e seus companheiros não conseguem ter um desempenho digno destas conquistas, a torcida e o clube ao menos têm o direito de exigir uma colocação honrosa na competição. E a declaração de Felipe dá a entender de que ambos foram descartados por ele em seu fim de temporada.

O jogador de futebol ao menos precisa dar um retorno ao investimento do clube, e mostrar à torcida que ele merece sua confiança e, quem sabe, a condição de ídolo. Isto pode fazer com que seu passe seja valorizado, além da possibilidade de rendimento com mais cifras em seus contratos.

Num futebol que exige velocidade, a desmotivação fica no banco de reservas. Independente do contexto, o jogador tem de entrar bem em campo e apresentar seu melhor futebol. E, principalmente, o jogador tem de saber que já é uma grande conquista estar num clube de destaque do futebol nacional.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pó-de-arroz, com sal a gosto



Sim, o Fluminense é a equipe que está mais próxima do título de 2010. É verdade, trata-se do clube que há mais tempo está na liderança da competição. Não há dúvidas de que tem um bom elenco, e um treinador conceituado. O time foi capaz de superar até mesmo a sucessão de lesões e de más partidas de suas estrelas. De fato, há 26 anos que o tricolor das Laranjeiras não se sagra vencedor do Campeonato Brasileiro. Mas estes elementos são pretextos suficientes para um aumento exorbitante dos ingressos?

As entradas dos setores do Engenhão (à venda a partir de amanhã) custarão entre R$ 60 e R$ 150. Os preço dos lugares mais baratos - setores Norte e Sul, que são atrás dos gols - tiveram aumento de 100%. Um ingresso da arquibancada superior, que geralmente custa R$ 40, sairá por R$ 80. E para o tricolor que quiser ver a última partida de seu clube de coração no Brasileirão na cadeira especial, em vez de R$ 60, terá de desembolsar a quantia de R$ 150 por entrada (aumento de 150%).

Por mais que se trate de uma partida com ares de final de Campeonato Brasileiro - uma vitória sobre o já rebaixado Guarani leva o Fluminense ao posto de campeão nacional de 2010 - não é justo que haja uma disparidade tão grande de preços. Está certo, o jogo decisivo garante a boa presença de torcedores, só arriscar tamanho aumento, amparado pela certeza de que a torcida não mede esforços financeiros para estar ao lado de seu clube, chega a ser uma atitude sórdida.

Talvez fosse mais interessante para a receita do Fluminense que o preço fosse em conta (ou, no máximo, custasse 10 reais a mais do que os preços convencionais do Engenhão), para tornar mais provável a lotação completa do estádio - coisa que raramente foi vista desde que o time das Laranjeiras passou a mandar seus jogos no Engenho de Dentro. Mas, as filas que já começaram um dia antes da bilheteria abrir comprovam: o tricolor não se importa de digerir um ingresso do pó-de-arroz, com muito sal a gosto. As torcidas cariocas precisarão digerir preços tão salgados para assistirem a decisões envolvendo clubes do Rio? Que esta receita indigesta não se torne comum no cenário carioca.

domingo, 28 de novembro de 2010

Para o ano não acabar



Análise de jogo - Corínthians 2 x 0 Vasco (17h, Pacaembu)

Corínthians e Vasco apresentaram no Pacaembu o contraste da reta final do Campeonato Brasileiro. Enquanto os corintianos, apoiados por mais de 33 mil torcedores, tentavam manter as chances de título, poucos foram acompanhar a equipe vascaína, para quem as perspectivas de algum título ficaram adiadas para 2011.

Mas suas deficiências devem ser corrigidas urgentemente. Com uma formação usada para atuar no contra-ataque, escalando os jovens volantes Rômulo, Renato Augusto e Allan, o time de Paulo César Gusmão depende de boas atuações de Carlos Alberto, Éder Luís e Zé Roberto. Só que, se nenhum deles encontra velocidade para atacar, o poder ofensivo do Vasco se perde completamente.

Foi assim que o Corínthians se sobressaiu na partida. Aos poucos, o alvinegro paulista foi se acertando em campo e encontrando oportunidades. A primeira foi aos seis minutos (um minuto depois do alto-falante anunciar que o Palmeiras fez 1 a 0 sobre o Fluminense, time que briga diretamente com o Corínthians pela conquista do Brasileirão de 2010), em jogada de bola parada de Bruno César que passou por Dentinho, livre na área. Depois, vieram chutes de Roberto Carlos e Jucilei que pararam em defesas de Fernando Prass.

Com o passar dos minutos, o calor do Pacaembu fez a partida ficar morna. O Corínthians parecia não ter pernas para dar continuidade às jogadas, enquanto o Vasco se limitava a fortalecer sua marcação. Mas seu setor defensivo acabou favorecendo o ímpeto corintiano (que tentava aumentar, mesmo com o anúncio de que o Fluminense empatara a partida com o Palmeiras na Arena Barueri). O chute de fora da área de Bruno César desviou na canela do zagueiro Dedé e passou por baixo das pernas do goleiro Fernando Prass. 1 a 0 Corínthians, aos 39 minutos. Vantagem que prosseguiu até o fim do primeiro tempo.

Para o segundo tempo, Paulo César Gusmão trouxe um Vasco mais ofensivo. O volante Allan deu lugar ao meia Fumagalli, que entraria para ajudar Carlos Alberto na criação de jogadas. A alteração melhorou a equipe vascaína. À exceção de um chute de Danilo defendido por Fernando Prass, a pressão vascaína foi constante nos primeiros 10 minutos. Entretanto, o fraco poder de fogo comprometeu mais uma vez a atuação da equipe carioca. Apenas Zé Roberto chutou ao gol, e a bola passou longe do gol de Júlio César.

O Timão voltou ao ataque aos 12 minutos. E de maneira eficaz. Roberto Carlos recebeu passe na esquerda e entrou na área. Em vez de chutar ao gol, o lateral deu um cruzamento para a direita, que encontrou a cabeça de Danilo. O meia colocou a bola no fundo da rede. Corínthians 2 a 0. Mas, apesar da soberania corintiana em campo, ela não era suficiente para deixar os paulistas na liderança. No minuto seguinte ao segundo gol, o Fluminense virou para 2 a 1 o jogo com o Palmeiras na Arena Barueri.

No restante do jogo, os corintianos ficaram apenas em função de administrar o resultado - a nova alteração de Tite veio só a cinco minutos do fim, com a troca de Bruno César por Defederico.. Àquela altura, o esforço do Vasco para evitar uma derrota parecia mesmo restrito à entrada de Fumagalli no intervalo. As outras duas alterações de PC Gusmão foram nas laterais - Fágner saiu para a entrada de Irrazábal, e Ramón (que voltava à equipe após meses contundido) foi substituído por Diogo.

A equipe carioca ainda ficou mais fraca em seu poder ofensivo, quando Zé Roberto foi expulso por Márcio Chagas da Silva. O meia fez quatro faltas em sequência no segundo tempo. E, a rigor, a única oportunidade vascaína nos 45 minutos finais foi com Éder Luís, que chutou cruzado para defesa de Júlio César.

O time de São Januário dava a impressão de meramente fazer um amistoso de luxo, a duas rodadas do final do Campeonato Brasileiro. E o empenho parecia restrito ao goleiro Fernando Prass e à defesa. Em especial por jovens que se firmaram durante a competição, casos do zagueiro Dedé e do volante Rômulo, ou que na reta final tiveram oportunidade no time titular, como o estreante zagueiro Douglas e o volante Renato Augusto. De resto, uma acomodação melancólica de um Vasco que termina 2010 sem título e agora parece guardar seu futebol para quando 2011 chegar.

O calendário de 2010 do futebol corintiano ainda tem mais uma semana. E, mesmo com a possibilidade de nova frustração no ano de seu centenário (além de vencer o Goiás no Serra Dourada, o time precisa de um tropeço do Fluminense contra o Guarani, no Engenhão, para ser campeão brasileiro), não se pode negar que sua equipe se empenhou até a última rodada. Talvez por isto, o "bando de loucos" do Corínthians ainda anseia para que o dia 5 de dezembro de 2010 seja mais uma data importante na lista de conquistas do clube.

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CORÍNTHIANS 2 x 0 VASCO

Estádio: Pacaembu (São Paulo / SP)

Público: 33.487 pagantes / Renda: R$ 1.190.821,50.

Árbitro: Márcio Chagas da Silva (RS) / Auxiliares: Carlos Berenbrock (FIFA-RS) e Marcelo Barison (RS).

Gols: Bruno César, aos 39 minutos do primeiro tempo. Danilo, aos 12 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Renato Augusto e Zé Roberto (Vasco).

Expulsão: Zé Roberto (Vasco).

CORÍNTHIANS - Júlio César, Alessandro, Chicão e Roberto Carlos; Ralf, Jucilei, Danilo e Bruno César (Defederico); Jorge Henrique e Dentinho (Iarley). Técnico: Tite.

VASCO - Fernando Prass, Fagner (Irrazábal), Dedé, Douglas e Ramón (Diogo); Rômulo, Renato Augusto, Allan (Fumagalli) e Carlos Alberto; Zé Roberto e Éder Luís. Técnico: Paulo César Gusmão.

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RODADA 37 - RESULTADOS

Domingo, 17h

Atlético Goianiense 1 x 1 São Paulo (Serra Dourada)
Internacional 1 x 1 Vitória da Bahia (Beira-Rio)
Atlético Mineiro 3 x 1 Goiás (Arena do Jacaré)
Avaí 3 x 2 Santos (Ressacada)
Guarani 0 x 3 Grêmio (Brinco de Ouro da Princesa)
Ceará 1 x 1 Atlético Paranaense (Castelão)
Botafogo 3 x 1 Grêmio Prudente (Engenhão)
Flamengo 1 x 2 Cruzeiro (Raulino de Oliveira)
Corínthians 2 x 0 Vasco (Pacaembu)
Palmeiras 1 x 2 Fluminense (Arena Barueri)

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O tempo e o placar... escolhe o que houve de melhor e de pior na penúltima rodada do Brasileirão.

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O CHUTAÇO

A trinca da frente FLUMINENSE, CORÍNTHIANS e CRUZEIRO honrou seu favoritismo e segue soberana na disputa pelo título brasileiro. O momento de liderança é tricolor, mas corintianos e cruzeirenses continuam à espreita.

A FURADA

O assunto da ENTREGA que cercou a semana anterior ao confronto do Palmeiras com o Fluminense foi um dos mais lamentáveis do Campeonato Brasileiro. A reta final de 2010 comprova: o Campeonato Brasileiro tem de fazer valer o bom futebol, e não a rivalidade em primeiro lugar.

sábado, 20 de novembro de 2010

Jovem responsabilidade



Análise de jogo: Flamengo 2 x 1 Guarani (19h30, Engenhão)

Na semana que antecedeu a partida com o Guarani, o treinador Vanderlei Luxemburgo declarou que, para levar o Flamengo a um bom resultado no confronto com a equipe campineira, era hora de jogadores veteranos como Léo Moura, Ronaldo Angelim e Kleberson chamarem a responsabilidade. Mas, em meio a tanta experiência, quem se destacou no Engenhão foi o atacante Diego Maurício, de apenas 19 anos. Graças a ele, o rubro-negro se vê mais distante do risco de rebaixamento para a Série B.

Apoiado por mais de 39 mil torcedores, o Flamengo começou a partida pressionando, e obrigou o Guarani a parar as jogadas com faltas. Numa delas, Renato Abreu cobrou da intermediária, a bola encobriu Emerson e parou no fundo da rede bugrina. 1 a 0 Flamengo, aos dois minutos.

Com o alívio de logo conseguir a vantagem do placar, o rubro-negro passou a administrar a vantagem, na espera de que a situação desesperadora comprometesse a atuação do Guarani - o time campineiro está com 37 pontos, na zona de rebaixamento. Mas, com o passar dos minutos, ficou evidenciado um grave defeito da equipe de Vanderlei Luxemburgo. Quando partia para o ataque, o Flamengo contava com o lateral Léo Moura e o meia Kleberson pela direita e o meia Renato Abreu e o lateral Juan na esquerda. Mas, como Kleberson fazia uma péssima partida, o time ficava muito exposto em seu lado direito, e dava espaços para o Guarani chegar em alta velocidade.

E foi pelo lado direito que o Guarani chegou ao empate. Mazola iniciou jogada mas foi derrubado por Welinton. Na cobrança, o chute de Baiano quicou na frente de Marcelo Lomba, que permitiu o gol do Guarani. 1 a 1, aos 12 minutos. O gol sofrido deixou os jogadores rubro-negros sob tensão. A torcida passou a demonstrar sinais de impaciência - a ponto de alguns gritarem o nome do goleiro Bruno, preso sob acusação do assassinato de Eliza Samúdio - e, em campo, uma sucessão de boas oportunidades se transformavam em chutes sem direção, como os de Kleberson e Renato Abreu.

O Guarani tentou surpreender o Flamengo novamente, mas esbarrava no erro crucial que compromete as atuações do time de Vágner Mancini. Por ter em seu elenco um cobrador de faltas com qualidade (Baiano), os jogadores tendem a forçar faltas próximas à área em vez de arriscar bons ataques - e ainda padece da ausência de um atacante fixo na área, pois Mazola e Geovane atuam pelas pontas.

Mas o destino flamenguista começou a ser traçado aos 21 minutos. Com uma torção no tornozelo, Deivid pediu para ser substituído. Em seu lugar, entrou Diego Maurício. Sim, ele ainda teria mais de 45 minutos para mostrar serviço a Luxemburgo. Só que o panorama era bem mais difícil do que a obrigação de ganhar que havia antes da bola rolar. O atacante entraria no contexto de um Flamengo que esteve em vantagem por alguns minutos, mas sofrera um gol e sofria com a impaciência dos torcedores.

E, em meio a tantos passes mal-sucedidos, Diego Maurício chamou a responsabilidade de levar o Flamengo à frente aos 33 minutos. Diogo iniciou uma jogada no meio-de-campo, mas foi desarmado por Preto. O desarme para trás levou a bola até o atacante flamenguista, que superou a zaga adversária e chutou, na saída de Emerson. 2 a 1 Flamengo.

Com mais tranquilidade, a equipe carioca ainda teve uma tentativa com Renato Abreu. Ao Guarani, restava apenas a apatia dos jogadores e a impaciência de Vágner Mancini, que reclamou da lentidão dos gandulas a devolver a bola para o jogo. Havia pouco a se mudar àquela altura do primeiro tempo.

Na volta para a segunda etapa, o treinador bugrino realizou sua primeira alteração, tirando o meia Barboza para colocar o atacante Mário Lúcio. De nada adiantou. Mesmo com um novo atacante, o Guarani continuava a errar passes, e facilitava a marcação rubro-negra. Só que os erros também continuavam na saída de bola rubro-negra, proporcionando discussões ríspidas, como a do lateral-esquerda Juan com o meia Renato Abreu.

Vanderlei Luxemburgo decidiu fazer sua segunda alteração, tirando o disperso Kleberson para colocar Marquinhos, jogador com qualidade no passe e com muita movimentação. No mesmo momento, Vágner Mancini também fazia sua segunda alteração, trocando Preto por Paulinho. Uma substituição defensiva, que pouco acrescentou à tentativa de empate da equipe campineira.

Após a entrada de Petkovic no lugar do atacante Diogo, o Flamengo é que pareceu mais próximo de chegar ao gol. Logo em sua primeira tentativa, o camisa 10 rubro-negro passou por vários adversários até chegar frente a frente com Emerson na grande da área. Mas, na hora de chutar, Ailsan fez o desarme.

Com Baiano visivelmente cansado, o Guarani pouco pressionava, pois a bola sempre chegava com dificuldades ao ataque. Vágner Mancini decidiu então substituir seu jogador que entrara no intervalo - Mário Lúcio deu lugar ao jovem Pablo. O garoto de 17 anos até tentou dar um pouco de gás ao lado ofensivo da equipe, mas suas alternativas sempre culminavam na mesma jogada: cair próximo à área para cavar falta. Numa delas, veio a única oportunidade do clube campineiro no segundo tempo. Na cobrança de falta de Baiano, Ailson desviou de cabeça, e a bola passou bem perto do gol de Marcelo Lomba.

De resto, o que a torcida viu no Engenhão foi grandes oportunidades de gol do Flamengo, com Renato Abreu, Marquinhos e Ronaldo Angelim, todas sem sucesso. De qualquer forma, o placar de 2 a 1 foi suficiente para levar o rubro-negro aos 43 pontos, praticamente fora do risco de rebaixamento ao qual sua instabilidade levou no Campeonato Brasileiro. Ao final da partida, provavelmente o técnico Vanderlei Luxemburgo já tenha percebido que deve seguir por um caminho diferente. Talvez a experiência não seja o trajeto ideal para manter o equilíbrio de uma equipe. A coragem para renovar, e dar a responsabilidade para jogadores com maturidade como Diego Maurício também pode levar um time a ser vitorioso.

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FLAMENGO 2 x 1 GUARANI

Local: Engenhão (Rio de Janeiro / RJ).

Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (DF). / Auxiliares: César Augusto de Oliveira Vaz (DF) e João Antônio de Paula Neto (DF).

Público: 34.932 pagantes (39.720 presentes) / Renda: R$ 387.940,00.

Cartões amarelos: Léo Moura, Juan, Williams, Diego Maurício (Flamengo), Preto e Geovane (Guarani).

Gols: Renato Abreu, aos dois, Baiano, aos 12, e Diego Maurício, aos 33 minutos do primeiro tempo.

FLAMENGO - Marcelo Lomba, Léo Moura, Welinton, Ronaldo Angelim e Juan; Maldonado, Williams, Kleberson (Marquinhos) e Renato Abreu; Diogo (Petkovic) e Deivid (Diego Maurício). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

GUARANI - Emerson, Apodi, Aislan, Ailson e Marcio Careca; Maycon, Baiano, Preto (Paulinho) e Barboza (Mário Lúcio, depois Pablo); Mazola e Geovane. Técnico: Vágner Mancini.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Um Brasileirão perdido



Quando foi anunciado que Sandro Meira Ricci seria o árbitro do confronto decisivo entre Corínthians e Cruzeiro, na trigésima-quinta rodada do Campeonato Brasileiro, o consenso foi elogiar sua escalação. Meira Ricci se destacara na competição por arbitragens seguras. Cogitava-se até que ele seria o próximo a figurar no quadro de árbitros da FIFA. Mas, aos 42 minutos do segundo tempo da partida do Pacaembu, todo o seu bom campeonato foi perdido.

Num cruzamento para a área, o zagueiro Gil e o atacante Ronaldo se chocaram, e o camisa 9 caiu na área. Sem hesitar, Sandro Meira Ricci marcou pênalti. Ronaldo cobrou e confirmou a vitória que daria liderança à equipe corintiana - beneficiada pelo tropeço do Fluminense, que empatou em 1 a 1 com o penúltimo colocado, o Goiás, no Engenhão.

O único profissional para o qual as pessoas não dão o direito do benefício da dúvida é o árbitro. Em especial se tiver ao seu redor uma grande expectativa sobre sua qualidade - como foi o caso de Ricci, que era bem quisto até pela diretoria cruzeirense. O árbitro mineiro radicado em Brasília agora precisará ter cabeça fria para não cair nos lugares-comuns que profissionais do apito às vezes têm depois de erros capitais.

Sandro Meira Ricci pode até ser deixado de lado da conspiração que insistem em fazer sobre um suposto esquema para beneficiar o Corínthians. Mas rótulos como árbitro que sente o peso da responsabilidade de apitar um jogo de grande importância e, na dúvida, marca lance favorável à equipe mandante, correm o risco de se perpetuar.

A discussão sobre a existência ou não do pênalti em Ronaldo promete ser interminável. Mas, graças a esta polêmica, o Brasileirão já foi perdido para Sandro Meira Ricci.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Conversa sem alça



O formato de pontos corridos do Campeonato Brasileiro vem sendo louvado por premiar a equipe que teve mais regularidade depois de 38 rodadas. Entretanto, o formato agora deu margem a uma nova polêmica que sempre se aproxima na reta final de suas edições: a existência de "mala branca".

O termo "mala branca" é usado para designar a atitude de uma equipe que está brigando pelas melhores vagas e, nos bastidores, oferece dinheiro a adversários de seus concorrentes diretos para que tenham mais empenho. Na teoria, a prática não é considerada ilícita, pois os jogadores já são pagos por seus próprios clubes para se empenharem em campo.

No entanto, a "mala branca" é vista como uma atitude antiética, pois os clubes que a utilizam estão aproveitando seu poder aquisitivo para tentar se sobressair aos demais competidores. Os jogadores também ficam cada vez mais rotulados de "mercenário", pois precisam deste tipo de motivação para terem empenho na reta final - o que deveria ser uma obrigação natural do trabalho de um jogador.

A quatro rodadas do fim do Campeonato Brasileiro, seria mais interessante para os 20 clubes que todos se empenhassem da mesma forma, visando não só sua permanência no elenco na próxima temporada, como também momentos de alegria para amenizarem um desempenho insatisfatório na competição.

domingo, 7 de novembro de 2010

É o fim do caminho?



Cinco pontos separam o quarto colocado (o Botafogo) da trinca de frente no Campeonato Brasileiro - o líder Fluminense e a dupla Corínthians e Cruzeiro, que tem o mesmo número de pontos mas desempatam no critério de saldo de gols. Tropeços acontecem em qualquer partida dentre as 38 rodadas da competição. Mas, diante do panorama desenhado nesta rodada, pode-se dizer que é o fim do caminho para as demais equipes?

Os clubes que surgem em seguida ao trio de frente do Brasileirão não só brigam entre si pela quarta vaga, como precisam ter suas atenções voltadas para outra competição - a Copa Sul-Americana - na expectativa de que uma campeã vinda do Brasil não reduza o G-4 a um G-3.

De fato, a briga parece ainda mais interessante, pelo tropeço que o Botafogo teve diante do Avaí no Ressacada e pelas vitórias do Atlético Paranaense e do Grêmio nesta rodada. Entretanto, por mais que a emoção se alastre (briga pelo título, vagas na Libertadores e na Sul-Americana e briga para não cair), talvez seja frustrante para times que conseguiram um bom embalo na competição agora se perderem em suas limitações.

Na reta final do Campeonato Brasileiro, sobra também o desafio para motivar equipes que agora têm remotas chances de conquista do campeonato. E a grande conquista do fim do ano pode ser mesmo a certeza de que nunca achou o fim do caminho antes da hora.

sábado, 6 de novembro de 2010

A dupla face de um lanterna



A cinco rodadas do fim do Campeonato Brasileiro, já está praticamente sacramentado o rebaixamento do Grêmio Prudente para a Segunda Divisão. A equipe não conseguiu repetir o desempenho que teve com o nome de Grêmio Barueri no Brasileirão de 2009, e é o único a estar abaixo de 30 pontos depois das 33 rodadas da competição.

E agora, com o destino traçado para um final de ano infeliz, o que esperar da postura do Grêmio Prudente? A expectativa mais natural é de que o atual lanterna jogue apenas para cumprir tabela, sem fazer muita frente aos adversários, pois o sonho que resta é remotíssimo.

Entretanto, o fato de estar em último lugar pode tornar as coisas mais traiçoeiras. Como o desfecho parece ser mesmo o pior, ao menos nas últimas cinco rodadas o time pode jogar sua vida. Há pelo menos duas razões para esta postura. A primeira, ao pensar na imagem do próprio clube. Como são as últimas partidas na Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro, o Grêmio Prudente vai querer se despedir levando uma lembrança um pouco melhor de sua passagem curta pela elite do futebol nacional.

A outra é direcionada aos jogadores. Com a queda para a Segunda Divisão, é provável que a diretoria do Grêmio Prudente precise cortar gastos, reduzir o elenco e visar à contratação de atletas com preço mais baixo. Sobram apenas cinco rodadas para que os prudentinos mostrem no gramado futebol suficiente para que empresários, diretores e torcedores se convençam que um deles tem qualidade para se manter na Série A.

Na reta final da competição, o Grêmio Prudente já é considerado por alguns cronistas esportivos o ponto de desequilíbrio de um Campeonato Brasileiro que prima por ser equilibrado. Mas, talvez por este descrédito, a equipe do interior paulista pode deixar as coisas ainda mais emboladas na competição.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Goleiros decisivos



Análise de jogo - Ceará 2 x 2 Flamengo (Castelão, 22h)

Diante do equilíbrio do futebol que apresentaram no duelo do Castelão, a partida entre Ceará e Flamengo terminar empatada não seria um resultado tão surpreendente. A surpresa para o torcedor foi ver os goleiros dos dois times terem falhas decisivas, que impossibilitaram que um deles saísse vitorioso do confronto.

O primeiro a falhar foi Michel Alves. Depois de escanteio cobrado por Renato Abreu, o goleiro do Ceará tentou segurar a bola, mas ela escapou de suas mãos. Na sobra, em meio a uma confusão na área, Wellinton chutou rasteiro, para o fundo da rede. Flamengo 1 a 0, aos dois minutos.

O Ceará, que entrou em campo contando com o trunfo de ter uma equipe bem organizada, se perdeu em muitos erros de passes e na atuação apagada de seu camisa 10 - o meia Geraldo. Tanto que o alvinegro cearense (que vestiu seus jogadores com seu terceiro uniforme, em listras azuis e pretas) demorou a aproveitar as deficiências do esquema do Flamengo. Novamente, Vanderlei Luxemburgo apostara no seu ataque 3D, formado por Diogo, Diego Maurício e Deivid. Mas todos eles estavam muito avançados, e ficavam à mercê de jogadas que vinham do meio-de-campo.

Aos poucos, o Vovô foi deixando para trás o abalo pelo gol sofrido (e por outras falhas de Michel Alves que quase aumentaram a desvantagem no placar) e passou a ter organização suficiente para fazer Williams e Corrêa se desdobrarem na marcação, e para forçar os laterais Léo Moura e Juan a ficarem na defesa. Vieram boas oportunidades, uma com Washington que Marcelo Lomba defendeu, e um chute rasteiro de Magno Alves que parou na trave.

Se o empate estava difícil de vir dos pés de seus próprios jogadores, era a vez do goleiro adversário falhar na partida. Depois de um cruzamento de Boiadeiro, Marcelo Lomba saiu mal, trombou com Wellinton e permitiu que a bola sobrasse para Magno Alves. O atacante deu um chutaço, que empatou em 1 a 1 o duelo no Castelão aos 27.

O panorama não mudou tanto. Um Flamengo perdido, sem capacidade de se lançar ao ataque, enquanto o Ceará crescia no jogo, graças às boas atuações do lateral Boiadeiro, do meia Geraldo e do atacante Magno Alves. Entretanto, o Vovô não ostenta a desonra de ser o pior ataque do Campeonato Brasileiro à toa. Apesar do maior volume de jogo, poucas vezes a bola chegou com perigo para Marcelo Lomba, e o resultado não mudou até o fim da primeira etapa.

Na volta para o segundo tempo, Luxemburgo surpreendeu por sua persistência. O técnico, que na maioria das partidas que o Flamengo jogava mal no primeiro tempo fazia alterações no intervalo, não mexeu na equipe. Somente 17 minutos depois é que ele decidiu reorganizar o time. Diego Maurício deu lugar ao meia Marquinhos, que recompôs o meio-de-campo. Diogo, que não fizera a função de jogar mais recuado e tabelar com Renato Abreu, foi trocado por Val Baiano, que atuaria dentro da área, enquanto Deivid jogaria como segundo atacante, pelas pontas. Em resposta, o treinador Dimas Filgueiras também fez uma mudança no ataque - Marcelo Nicácio substituiu Washington.

Entretanto, nem mesmo as mudanças foram capazes de fazer os homens de frente de Ceará e Flamengo serem decisivos. Foi preciso novamente um zagueiro para deixar uma das equipes em vantagem. No rebote de um escanteio, Renato Abreu cruzou na direita. Entre os zagueiros do Vovô, o cearense Ronaldo Angelim (que teve destaque em sua terra natal atuando pelo arquirrival do Ceará, o Fortaleza), desviou de cabeça. A bola parou no fundo da rede de Michel Alves. 2 a 1 Flamengo, aos 22 minutos.

Estar a frente no marcador deixou o rubro-negro carioca ainda mais disposto para se lançar ao ataque. O Flamengo apresentava boa posse de bola e criava oportunidades que a zaga do Ceará rechaçava a qualquer custo. Só que Vanderlei Luxemburgo acabou traído pelo desejo maior de segurar o resultado e confiar no meio-de-campo. Na sua última substituição, o atacante Deivid saiu para a entrada do volante Fernando.

Num primeiro momento, a troca não parecia ter influído no estilo de jogo flamenguista. As chances continuaram, como num cruzamento no qual Val Baiano não chegou a tempo, e numa boa oportunidade com Fernando. Após cobrança de escanteio, o volante cabeceou, a bola passou por Michel Alves, mas Eusébio salvou em cima da linha. No entanto, com o passar dos minutos, o Flamengo foi cedendo campo ao Ceará. Até que Marcelo Lomba voltou a ceder uma chance ao adversário. Boiadeiro chutou cruzado, e o goleiro rubro-negro espalmou para o meio da área. Na sobra, Magno Alves fez seu segundo gol no jogo. 2 a 2, aos 36 minutos.

Dimas Filgueiras fez uma alteração por cansaço, tirando Geraldo para colocar Wellington Amorim, e nos minutos finais deu ar ao seu setor defensivo, trocando Heleno por Reina. Mas a defesa quase traiu o Ceará. Nos acréscimos, a zaga permitiu que Corrêa entrasse livre na área. O volante deu um drible a mais e um zagueiro evitou parcialmente o chute. Eusébio impediu que a bola saísse em escanteio, mas ao rechaçar, acertou um adversário. Na sobra, Fabrício errou o chute, e deu a Renato Abreu a oportunidade da vitória - desperdiçada pelo camisa 11 com uma bomba, à esquerda do gol de Michel Alves.

Mesmo sendo mandante do jogo, o empate se tornou um resultado satisfatório para o Ceará, pelo contexto da partida. A equipe foi não se deixou abater com o gol sofrido no início (vindo de uma falha de seu goleiro), mostrou poder de se organizar bem e encontrou no veterano Magno Alves uma boa esperança para que a bola entrasse na rede com mais frequência. Segundo os matemáticos, o time ainda não está completamente salvo do risco de cair para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro - está a um ponto dos 45 que supostamente evitam que um clube caia na degola. Mas o desempenho e a luta apresentados no Castelão revelam que seus jogadores têm força para superar adversidades.

O dissabor do Flamengo não fica restrito a ver dois pontos escaparem depois de ficar por duas vezes na frente do placar. O motivo de lamento começa no gol - com as infelicidades de Marcelo Lomba durante o jogo (embora ele tenha crédito por grandes atuações durante o Brasileirão) - passa pelas limitações de um meio-de-campo que novamente se desencontrou quando o técnico tentou uma tática mais ofensiva, e chega ao ataque. Além do insucesso no esquema 4-3-3, é preocupante ver vestindo a camisa rubro-negra um trio ofensivo - além de um outro atacante que entrou no decorrer da partida - que não consegue dar um chute sequer durante 90 minutos.

O clube chegou aos 40 pontos e, devido aos resultados dos adversários que brigam para não cair, agora está na confortável situação de estar a cinco pontos da zona de rebaixamento. Só que, depois de ver no confronto com o Ceará um atleta que foi crucial para impedir os três pontos (e fez o time alcançar seu décimo-sexto empate, sendo o terceiro consecutivo), precisa agora fazer com que seus jogadores sejam capazes de levar o time ao caminho das vitórias.


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CEARÁ 2 x 2 FLAMENGO

Estádio: Castelão (Fortaleza / CE)

Árbitro: Paulo César Oliveira (FIFA-SP) / Auxiliares: Marcos Eustáquio (FIFA-MG) e Anderson José de Morais (SP).

Gols: Wellinton, aos dois, e Magno Alves, aos 27 minutos do primeiro tempo. Ronaldo Angelim, aos 22, e Magno Alves, aos 36 minutos do segundo tempo.


Cartões amarelos: Geraldo (Ceará) e Williams (Flamengo).

CEARÁ - Michel Alves, Boiadeiro, Diego Sacoman, Fabrício e Eusébio; Michel, Heleno (Reina, 43/2ºT), João Marcos e Geraldo (Welington Amorim, 37'/2ºT); Magno Alves e Washington (Marcelo Nicácio, 18'/2ºT). Técnico: Dimas Filgueiras.

FLAMENGO - Marcelo Lomba, Léo Moura, Welinton, Ronaldo Angelim e Juan; Willians, Corrêa e Renato Abreu; Diogo (Val Baiano, 17'/2ºT), Diego Maurício (Marquinhos, 17', 2ºT) e Deivid (Fernando, 30'/2ºT). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Os coadjuvantes que podem decidir




Vasco e São Paulo entraram na lista de clubes tradicionais do futebol nacional que fizeram um Campeonato Brasileiro abaixo do que sua história merece. Entretanto, as duas equipes vão se tornar importantes na reta final da competição, pois cruzarão o caminho de três times que estão na briga pelo título.

Os são-paulinos enfrentarão o Cruzeiro (no Parque do Sabiá), o Corínthians e o Fluminense (no Morumbi), times que também serão adversários do Vasco nas últimas rodadas. A equipe vascaína fará o clássico com o Fluminense no Engenhão e irá a Minas Gerais e a São Paulo para duelos com cruzeirenses e corintianos, respectivamente. Com este panorama, qual coadjuvante pode ser mais decisivo?

Num primeiro momento, o fato de jogar mais vezes como mandante promete fazer do São Paulo o responsável por tirar pontos do trio de cima da tabela. Em território paulistano, o tricolor paulista venceu nove dos 16 jogos na competição. Quem pode se beneficiar disto é o Cruzeiro, pois nas 16 partidas fora de seus domínios, os são-paulinos venceram apenas quatro partidas. Além disto, houve cinco empates e sete derrotas.

Enquanto isto, o Vasco apresenta uma campanha fraquíssima como visitante. Das 16 partidas fora do Rio, conseguiu sair vitorioso apenas em duas oportunidades. De resto, foram sete empates e sete derrotas. Neste contexto, quem pode se prejudicar é o Fluminense, que terá pela frente um clássico regional com os vascaínos.

O equilíbrio do Brasileirão torna ainda mais interessante a participação de clubes que, até o momento, não almejam mais nenhuma conquista relevante na competição. O desejo de uma participação honrosa no campeonato e a capacidade de ser superior no encontro com uma equipe que briga pelo título pode motivar um clube para a temporada seguinte. E, depois de tudo o que passaram em 2010, Vasco e São Paulo precisam demais desta motivação.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A hora e a vez de Darío Conca



Para muitos, trata-se de um jogador argentino que é digno de figurar até na Seleção Brasileira, devido à maneira como carrega o Fluminense nas costas. Para outros, é um jogador que, embora tenha boa qualidade, não tem maturidade para ser decisivo em situações mais delicadas que a equipe enfrenta. O Campeonato Brasileiro de 2010 se tornou o critério de desempate para confirmar ou não a consagração completa do argentino Darío Conca.

Os dois lados da opinião pública têm argumentos bastante pertinentes. Para reconhecer o talento do jogador tricolor, as pessoas ressaltam como Conca se desdobrou no meio-de-campo do Fluminense, e salvou a equipe de maus resultados através de boas jogadas e de gols decisivos. A lucidez do argentino compensou até mesmo os deslizes do resto do time e de esquemas sacrificantes, que o deixavam sobrecarregado na criação de jogadas ofensivas - vide a trajetória do clube no Campeonato Brasileiro deste ano.

O fato de estar sobrecarregado em campo foi também o pretexto para as críticas ao futebol de Conca. Na opinião de alguns críticos, o argentino só consegue fazer bem esta função diante de adversários de qualidade inferior ao Fluminense ou apenas rende bem em partidas que não valem nada. Em jogos decisivo, seu futebol seria apagado com facilidade. O argumento mais corriqueiro foi o Campeonato Brasileiro de 2009. A "arrancada" tricolor que fez o time sair da zona de rebaixamento começou a acontecer apenas com o retorno do atacante Fred aos gramados.

Por isto, mais do que a oportunidade de o Fluminense conquistar o Campeonato Brasileiro depois de 26 anos, 2010 surge como a hora e a vez de Darío Conca comprovar a grandiosidade de seu futebol. Devido às contusões que assolam a equipe tricolor - e fazem com que ele seja o único remanescente em campo do quarteto que formaria com o meia Deco e os atacantes Emerson e Fred - o argentino tem a chance de mostrar que pode arcar com a responsabilidade de ser a estrela em busca do maior título nacional.

Conca já fez muito pelo Fluminense nestas duas temporadas no meio-de-campo do clube. Agora, chegou o momento do camisa 11 tricolor mostrar que sua habilidade pode alcançar todo o território nacional. Contagem regressiva. Faltam seis rodadas.

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SEXTA-FEIRA, dia 5 de novembro, volta ao ar em O tempo e o placar... o DEBATEBOLA QUATRO LINHAS.

sábado, 30 de outubro de 2010

Jacaré botafoguense



Análise de jogo - Atlético Mineiro 0 x 2 Botafogo (18h30, Arena do Jacaré)

A Arena era do Jacaré, local onde, desde o fechamento do Mineirão para as obras da Copa de 2014, o Atlético Mineiro manda seus jogos. Mas quem deu o bote no estádio foi outro alvinegro - o Botafogo - que segurou o ímpeto e o desespero atleticanos e conseguiu os três pontos no terreiro do Galo.

Ciente de que a vitória se tornava ainda mais importante depois que o Vitória da Bahia venceu o Vasco por 4 a 2 no Barradão e saiu momentaneamente da zona de rebaixamento, o Atlético se lançou à frente, e começou a ameçar o Botafogo logo aos cinco minutos, num chute de Diego Souza de fora da área. A equipe de Joel Santana passou a jogar de maneira fechada, forçando o trio Diego Souza, Obina e Diego Tardelli a ser acionado apenas por meio de cruzamentos. A zaga botafoguense contrastava com o setor ofensivo do time. Isolados por causa da partida apagada do meia Lúcio Flávio, Jobson e Loco Abreu só eram notados quando tentavam correr depois de chutões mandados pelos zagueiros. Diante deste jogo truncado, o primeiro tempo terminou sem gols.

No segundo tempo, as tentativas começaram a chegar de ambos os lados. Mas ainda passaram muito longe, graças à ausência de pontaria, em especial do lado atleticano. A dupla Obina e Diego Tardelli cansou de perder chances claras. Numa delas, Obina, perto da linha da pequena área, isolou a bola diante do goleiro Jefferson. Na outra, Tardelli arriscou de longe da área, e diante do goleiro botafoguense estático, a bola parou no travessão.

Vendo o Botafogo ser pressionado, o técnico Joel Santana fez uma alteração decisiva - o inofensivo Lúcio Flávio saiu para a entrada de Edno. Cinco minutos depois, ele deu o primeiro bote alvinegro. O atacante encontrou Loco Abreu em posição legal no lado direito. O camisa 13 avançou até a área e chutou. Renan Ribeiro espalmou, mas, na volta, Edno colocou a bola no fundo da rede. Botafogo 1 a 0.

Com o placar adverso, Dorival Júnior decidiu tornar o Atlético ainda mais ofensivo. O lateral-direita Rafael Cruz e os meias Renan Oliveira e Diego Souza foram substituídos pelos atacantes Wescley, Ricardo Bueno e Nikão, respectivamente. A equipe mineira continuou a dominar as ações, mas padeceu de um grave erro de equipes desesperadas e cheias de homens de frente. A quantidade do ataque se esvaiu pela falta de habilidade na troca de passes dos jogadores. O time continuava a cair no erro de ficar alçando bola, em busca de um desvio de cabeça.

Mas o Atlético ainda sofreria um último bote. Edno iniciou contra-ataque e lançou na direita Loco Abreu. O uruguaio avançou e chutou na saída de Renan Ribeiro. Botafogo 2 a 0, aos 45 minutos. Os golpes botafoguenses foram incisivos para as pretensões atleticanas no Campeonato Brasileiro. Além da derrota em Minas, tanto o triunfo do Vitória na Bahia quanto a vitória do Avaí sobre o Guarani (por 1 a 0 no Ressacada) fizeram com que o Galo voltasse à zona de rebaixamento, com 34 pontos.

De maneira silenciosa, o Botafogo vai subindo na tabela, graças a botes incisivos como os que aconteceram na Arena do Jacaré. O jacaré botafoguense agora abocanhou a quarta colocação do Brasileirão, com 51 pontos, a três pontos do terceiro lugar, o Corínthians. Certamente, a vitória sobre o Atlético Mineiro dá muito mais apetite à equipe carioca. Afinal, com a incerteza criada pela Conmebol (de que a quarta vaga na competição nacional não leva à Taça Libertadores da América no caso de um time brasileiro ser campeão da Copa Sul-Americana), o risco de acabar o ano de maneira indigesta ficou ainda maior.

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ATLÉTICO MINEIRO 0 x 2 BOTAFOGO

Estádio: Arena do Jacaré (Sete Lagoas / MG)

Público: 17.012 pagantes. / Renda: R$ 92.780,00.

Árbitro: Evandro Rogério Roman (Fifa/PR) / Auxiliares: Roberto Braatz (Fifa-PR) e Gilson Bento Coutinho (PR).

Cartões amarelos: Diego Tardelli, Serginho (Atlético Mineiro) e Alessandro (Botafogo).

Gols: Edno, aos 30 minutos, e Loco Abreu, aos 45 minutos do segundo tempo.

ATLÉTICO MINEIRO - Renan Ribeiro, Rafael Cruz (Wescley, 33'/2ºT), Réver, Lima e Leandro; Alê, Serginho, Renan Oliveira (Ricardo Bueno, 40'/2ºT) e Diego Souza (Nikão, 36'/2ºT); Diego Tardelli e Obina. Técnico: Dorival Júnior.

BOTAFOGO - Jefferson, Danny Morais, Leandro Guerreiro e Márcio Rosário; Alessandro, Marcelo Mattos, Fahel, Lucio Flavio (Edno, 25'/2ºT) e Somália; Jobson (Caio, 38'/2ºT) e Loco Abreu. Técnico: Joel Santana.

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O tempo o placar... escolhe o que houve de melhor e de pior na rodada.

O CHUTAÇO

Depois de muitas rodadas padecendo, o FLUMINENSE finalmente fez uma partida digna de quem disputa título. Na vitória sobre o Grêmio, quinta no Engenhão, o time mostrou sangue frio para segurar a arrancada da equipe gaúcha.

A FURADA

A furada da rodada vai para PAULO CÉSAR GUSMÃO, que escalou Fernando Prass mesmo depois de o goleiro vascaíno ter passado mal na noite anterior, e arriscou colocar como titular o zagueiro Jadson Vieira, atleta que demorou meses até mesmo para ser relacionado no banco de reservas. A derrota por 4 a 2 para o Vitória da Bahia teve responsabilidade do treinador sim.

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RODADA 32

Quarta-feira

22h

Flamengo 1 x 1 Corínthians (Engenhão)

Quinta-feira

21h

Fluminense 2 x 0 Grêmio (Engenhão)
Atlético Goianiense 1 x 1 Ceará (Serra Dourada)
São Paulo 2 x 1 Atlético Paranaense (Arena Barueri)

Sábado

16h

Vitória da Bahia 4 x 2 Vasco (Barradão)
Internacional 1 x 1 Santos (Beira-Rio)

18h30


Atlético Mineiro 0 x 2 Botafogo (Arena do Jacaré)
Grêmio Prudente 0 x 2 Cruzeiro (Prudentão)
Palmeiras 3 x 2 Goiás (Arena Barueri)
Avaí 1 x 0 Guarani (Ressacada)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A hora das estrelas


Análise de jogo - Flamengo 1 x 1 Corínthians (22h, Engenhão)

Se era para ser o encontro das duas maiores torcidas do país, Flamengo e Corínthians foi decepcionante. Prejudicada pela data, pelo horário (22h de uma quarta-feira) e pelos percalços que os torcedores passam para chegar ao Engenhão, a partida levou somente 10.272 espectadores. Entretanto, não houve decepção suficiente para que o duelo entre flamenguistas e corintianos apresentassem ao menos dois momentos de estrelas - uma para cada lado.

Vanderlei Luxemburgo voltava a apostar em sua própria estrela (decisiva para que o Flamengo não tenha sofrido derrotas nos quatro jogos anteriores), arriscando uma formação com três atacantes. Diogo e Diego Maurício apareciam pelas pontas, enquanto Deivid ficava entre os zagueiros do Corínthians. Só que o restante do rubro-negro não soube se adaptar ao 4-3-3, e o time ficou exposto no campo, principalmente devido aos seus constantes erros de passes.

Enquanto isto, a equipe corintiana estava bem armada taticamente, e superava o adversário graças à qualidade que seu meio-de-campo apresentou. Com Bruno César criando jogadas e Iarley atuando mais recuado, o Corínthians compensava até mesmo a deficiência de seu lado direito com o lateral Alessandro. Assim, surgiram boas oportunidades, como uma cobrança de falta de Roberto Carlos e um chute de Ralf defendido por Marcelo Lomba.

Mesmo com tanta superioridade, ainda faltava ao Corínthians algum lampejo de um de seus jogadores. Mas, aos 30 minutos, chegou o momento de brilhar a estrela do lado corintiano. Bruno César lançou para a área, e, livre diante do goleiro, surgiu Ronaldo. Sem marcação - pois a zaga optara por fazer uma linha de impedimento, sem sucesso - o camisa 9 recebeu a bola e chutou na saída de Marcelo Lomba. 1 a 0 Corínthians.

Os últimos 15 minutos finais trouxeram um contraste ainda maior. O Flamengo permanecia perdido no meio-de-campo, e a quantidade de atacantes era inútil aos olhos dos torcedores. O Corínthians continuava com seu esquema, com um pouco mais de cautela do que na meia hora inicial, e parecia soberano em campo. A vantagem parecia suficiente quando o primeiro tempo acabou.

No entanto, o time corintiano não contava que o gol de Ronaldo fosse ofuscado de maneira tão fulminante pela estrela flamenguista. No intervalo, Luxemburgo abandonou a ideia de ter um trio de ataque. O centroavante Deivid foi substituído pelo meia Marquinhos. Substituição que num primeiro momento pareceu equivocada, afinal, nem Diego Maurício nem Diogo costumam jogar dentro da área. O Flamengo ficaria sem um "matador" nato.

Mas nem todas estas adversidades foram suficientes para superar a estrela de Vanderlei Luxemburgo. Aos dois minutos, Marquinhos cobrou escanteio na esquerda. Renato Abreu, de cabeça, conseguiu desviar para o meio da área, local onde estava Diogo. 12 jogos depois de ter estreado com a camisa rubro-negra, o jogador fez seu primeiro gol, empatando a partida em 1 a 1.

Em apenas um lance, o Corínthians de Tite, que se mostrava tão bem organizado, revelou-se frágil. O time se perdeu completamente, começou a errar muitos passes e a abrir espaço para jogadas ofensivas do rubro-negro - que vinham com mais perigo nas costas de Alessandro. À exceção de uma cobrança de falta de Bruno César que parou no travessão de Marcelo Lomba, o Flamengo dominava a partida.

A estrela de Luxemburgo ainda não havia se apagado, e isto foi comprovado por outras duas ações dele no jogo. Ao ver a péssima partida que Williams fazia, o técnico optou por substituí-lo por Corrêa. Vendo que Diogo parecia desgastado, decidiu trocá-lo por Val Baiano, fazendo com que o time voltasse a ter um centroavante fixo.

Logo depois, Tite tentou conseguir o mesmo êxito. Mas as duas substituições que fez foram questionáveis. Aos 29 minutos, o Corínthians perdeu seu meia de ligação, Bruno César, e o atacante Iarley. Em seus lugares entraram, respectivamente, o volante Paulinho e o meia Danilo. A equipe ficaria com características defensivas, mas, graças a esta nova formação, acabou conseguindo forçar o Flamengo ao erro e ter uma chance com Danilo rechaçada por Wellinton.

A três minutos do final, o duelo de estrelas parecia próximo de um desempate. O atacante Ronaldo deu uma arrancada, passou por Ronaldo Angelim e, marcado por Maldonado, se preparava para tentar vencer Marcelo Lomba. Mas sua estrela já estava cadente, e a jogada terminou com um tropeço no gramado.

Talvez tenha sido melhor assim. Nem Ronaldo nem Vanderlei Luxemburgo mereciam sair com uma derrota no placar final do Engenhão. O camisa 9 corintiano conseguiu responder a novas hostilidades da torcida flamenguista com um gol bonito, enquanto o treinador rubro-negro mais uma vez foi decisivo em suas ações para evitar que a equipe saísse de campo derrotada.

Com o ponto conquistado, o Flamengo permanece em décimo-terceiro lugar, com 39 pontos, na zona de classificação da Copa Sul-Americana. Mas, com os dois pontos desperdiçados no Engenhão, o time carioca está a cinco pontos do Vitória da Bahia, primeiro da zona de rebaixamento. Segundo os matemáticos, uma equipe se livra completamente da queda para a Segunda Divisão se acumular 45 pontos. O rubro-negro está a duas vitórias desta pontuação, só que tem a seu favor a tabela da competição - ainda faltam três jogos como mandante, contra Atlético Paranaense, Guarani e Cruzeiro. Dentro do Engenhão (definido como sua "nova casa" por causa do fechamento do Maracanã), já é possível evitar correr riscos.

O Corínthians passa pelo menos uma noite na vice-liderança do Campeonato Brasileiro - está com os mesmos 54 pontos de Fluminense e Cruzeiro, mas perde para os tricolores no saldo de gols. Entretanto, nesta quinta-feira a equipe corintiana já pode voltar novamente ao terceiro lugar. Bastam um empate do Fluminense com o Grêmio, também no Engenhão, e do Grêmio Prudente com o Cruzeiro, no Prudentão, para que o ponto conquistado com o Flamengo tenha sido em vão. Os corintianos terminam a rodada com uma certeza: não basta ter um Ronaldo em campo. Sua equipe precisa parar de oscilar em campo para se tornar a estrela do Campeonato Brasileiro de 2010.

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FLAMENGO 1 x 1 CORÍNTHIANS

Estádio: Engenhão (Rio de Janeiro / RJ).

Público: 9.792 pagantes (10.272 presentes) / Renda: R$ 273.210,00.

Árbitro: Sandro Meira Ricci (DF) / Auxiliares: Autemir Hausmann (RS) e Roberto Braatz (PR).

Gols: Ronaldo, aos 30 minutos do primeiro tempo, e Diogo, aos dois minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Maldonado (Flamengo) e Ralf (Corínthians).

FLAMENGO - Marcelo Lomba, Léo Moura, Ronaldo Angelim, Wellinton e Juan; Maldonado, Willians (Corrêa, 16'/2ºT) e Renato Abreu; Diogo (Val Baiano, 27'/2ºT), Diego Maurício e Deivid (Marquinhos, intervalo). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

CORÍNTHIANS - Júlio César, Alessandro, William, Chicão e Roberto Carlos; Ralf, Jucilei, Elias (Defederico, 42'/2ºT) e Bruno César (Paulinho, 29'/2ºT); Iarley (Danilo, 29'/2ºT) e Ronaldo. Técnico: Tite.

domingo, 24 de outubro de 2010

Insucesso de crítica e público



Análise de jogo - Vasco 1 x 1 Flamengo (Engenhão, 18h30).

O primeiro confronto entre Vasco e Flamengo na história do Engenhão foi cercado de tramas rocambolescas, dignas dos roteiros imprevisíveis que cercam o Clássico dos Milhões. Mas nem mesmo nas linhas tortas apresentadas por vascaínos e flamenguistas, o desfecho do confronto foi diferente do desempenho de ambas as equipes no Campeonato Brasileiro de 2010.

A trama começou com a boa iniciativa de jogadas ofensivas do Vasco. Embora Felipe fizesse partida razoável e Zé Roberto estivesse baqueado por causa de uma contusão no tornozelo durante um treino no dia anterior, a equipe vascaína não se deixou abater. Através das arrancadas do lateral-direita Fagner e do atacante Éder Luís, o time chegava com perigo à área adversária, fazendo com que os zagueiros David Braz e Welinton se desdobrassem na marcação. Entretanto, o fato de Nunes estar em campo pouco fazia diferença a este panorama do jogo. Brigando com a bola, o camisa 9 não permitia que o time vascaíno saísse de seu script na trajetória do Campeonato Brasileiro.

Do outro lado, o Flamengo se defendia como podia, mas sofria com os erros de passes em seu meio-de-campo. Muitos erros proporcionados por Kléberson, que acabava com jogadas de contra-ataque toda vez que a bola passava por seus pés. O rubro-negro demorou a encontrar um bom momento ofensivo. Mas quando conseguiu, veio de maneira extremamente incisiva. Após um lançamento de Deivid, a zaga vascaína falhou, Léo Moura conseguiu driblar Fernando Prass (que saíra atabalhoado do gol) e cruzou para a área. Kléberson cabeceou, mas o lateral-esquerda Diogo tirou em cima da linha.

E quando os erros pareciam ter ficado restritos aos primeiros minutos, o rubro-negro viu surgirem falhas em sequência nos seus setores. E em um lance só. Primeiro, erro de Maldonado, que permitiu roubada de bola de Nunes. Depois, Renato Abreu deixou que Zé Roberto corresse e conseguisse chegar à linha de fundo para cruzar na área. Quando tudo parecia salvo com uma rechaçada providencial de Welinton, no meio do caminho havia um Juan. A bola tocou no lateral-esquerda, passou por Marcelo Lomba e foi parar no travessão. E eis que, de maneira surpreendente, o zagueiro Cesinha surgiu para, com um voleio, colocar a bola no fundo da rede. 1 a 0 Vasco, aos 27 minutos.

O ímpeto vascaíno prosseguiu nos minutos seguintes da primeira etapa. Beneficiado pela dispersão de um Flamengo afoito, o Vasco tinha boas oportunidades de se lançar ao ataque, mas seus lances de velocidade se transformavam em erros causados por ansiedade. Tanto que a única oportunidade clara de ampliar a vantagem veio numa cobrança de falta de Dedé, que Marcelo Lomba defendeu com dificuldade. A última chance de empate do rubro-negro também foi conseguida após um lance de bola parada. Num cruzamento na área, Deivid cabeceou, para defesa segura de Fernando Prass.

Vanderlei Luxemburgo não quis esperar o momento mais crítico da partida para começar a querer mudar a história contada no Engenhão. Na volta para o segundo tempo, ele sacou o inoperante Kléberson e colocou para jogar Petkovic, com grandes esperanças nos passes e, em especial, nas jogadas de bola parada. Só que o Flamengo prosseguiu numa mesmice, que somente não teve graves efeitos colaterais graças ao roteiro modorrento no qual o Vasco de Paulo César Gusmão se entrega quando está em vantagem.

Os vascaínos se postaram na defesa, e permitiram que o time flamenguista tomasse conta do campo. Luxemburgo arriscou duas cartadas de uma vez logo em seguida - a manobra arriscada de trocar Juan por Marquinhos (fazendo com que o reserva e Renato Abreu, ambos originalmente meio-campistas, se revezassem na lateral-esquerda) e a saída de Deivid para colocar o atacante Diogo. Mas, do lado do Vasco é que veio a possibilidade de alteração da trama mostrada no Engenhão. Numa bola dividida entre o zagueiro vascaíno Dedé e o volante flamenguista Williams, o árbitro Gutemberg de Paula Fonseca interpretou como jogada violenta, e expulsou o jogador do Vasco.

A instabilidade emocional passou a pairar no lado do Vasco, e esta mudança de panorama acentuou o desejo de manter o resultado a qualquer custo. O próximo passo de Paulo César Gusmão foi tirar Zé Roberto para colocar o zagueiro Jadson Vieira. Éder Luís se tornou o único homem que a se apresentar para alguma jogada de contra-ataque, e a equipe ficou restrita a atuar de maneira defensiva.

Aos poucos, o Flamengo foi se acertando, e teve boa oportunidade na sua esquerda, quando Diego Maurício entrou na área e chutou para defesa de Fernando Prass. Como resposta, uma nova artimanha defensiva do Vasco - sacar Felipe, único meia capaz de jogadas ofensivas, e promover a entrada de Fellipe Bastos.

Ainda faltava a presença em cena da estrela de Vanderlei Luxemburgo. Jogador que entrara em campo poucos minutos antes, Marquinhos compensou todos os deslizes do companheiro que substituíra (o lateral Juan). Da esquerda, o meia lançou para a área, e a bola chegou a tempo de Renato Abreu desviar, de cabeça, sem chances para o goleiro Fernando Prass. 1 a 1, aos 35 minutos.

Os últimos minutos foram dignos da tensão que move um duelo entre Vasco e Flamengo. Os dois mediam forças arduamente, cada um à sua maneira. O rubro-negro penava para conseguir uma boa troca de passes, e teve a última oportunidade da partida, quando o chute de Diego Maurício parou nas mãos de Fernando Prass. A equipe vascaína aguentava a pressão de duelar com seu tradicional adversário tendo um homem a menos, e se esforçava para não tomar gols (nos últimos minutos, PC Gusmão ainda tirou o atacante Nunes e lançou o volante Renato Augusto na partida).

Os dois batalhavam, na busca incessante de fazer com que seus erros ficassem para trás e que viesse a vitória da redenção. Entretanto, por mais que o futebol seja um esporte imprevisível, a certeza de que "a bola pune" paira nos gramados.

Apesar do bom primeiro tempo e de mostrar surpreendente maturidade para uma equipe tão jovem, o Vasco se perdeu na insistência de garantir o resultado, e recebeu como castigo sair de campo pela décima-quinta vez no Campeonato Brasileiro com um empate. A cada rodada, fica o dissabor de que a equipe podia ter ido mais longe na competição, se não ficasse refém da insegurança de achar que é incapaz de conquistar elásticas vitórias.

Novamente, o Flamengo apresentou nuances de displicência na partida (em especial no primeiro tempo) e conviveu com um placar adverso durante boa parte do jogo. O empate pode ter parecido bom negócio, por ter vindo nos últimos minutos e pela postura ofensiva à qual se entregou. Mas é preocupante ver uma equipe incapaz de conseguir uma virada mesmo tendo um homem a mais desde os 20 minutos do segundo tempo. Em boa parte dos seus 14 empates no Campeonato Brasileiro, a torcida rubro-negra sussurrou um "menos mal" depois de tudo que foi apresentado no gramado.

O Engenhão foi palco de 90 minutos cercados de altos e baixos, de bons e maus momentos. Mas, depois de tanto suspense, Vasco e Flamengo tiveram um desfecho previsível, tão mediano quanto suas respectivas colocações na classificação do Brasileirão. Os vascaínos caíram para o décimo-segundo lugar, com 42 pontos, e os flamenguistas estão em décimo-terceiro, com 38 pontos. Os dois ainda vão se contentar com o meio da tabela, e com o fato de que apenas 26 mil pessoas assistiram a este último embate em 2010. Postura lamentável para tradicionalíssimas equipes do Rio de Janeiro, outrora protagonistas de grandes confrontos e que agora são coadjuvantes relegadas ao insucesso de crítica e público.

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VASCO 1 x 1 FLAMENGO

Estádio: Engenhão (Rio de Janeiro / RJ).

Público: 21.519 pagantes (26.006 presentes) / Renda: R$ 575.820,00.

Árbitro: Gutemberg de Paula Fonseca / Auxiliares: Ediney Guerreiro Mascarenhas (RJ) e Luiz A. Muniz de Oliveira (RJ).

Gols: Cesinha, aos 27 minutos do primeiro tempo. Renato Abreu, aos 35 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Felipe, Éder Luís (Vasco) e Marquinhos (Flamengo).

Expulsão: Dedé (Vasco).

VASCO: Fernando Prass, Fagner, Cesinha, Dedé e Diogo; Rafael Carioca, Rômulo e Felipe (Felipe Bastos - 28'/2ºT); Zé Roberto (Jadson Vieira 23'/2ºT), Éder Luis e Nunes(Renato Augusto 48'/2ºT). Técnico: Paulo César Gusmão

FLAMENGO: Marcelo Lomba, Léo Moura, Welinton, David e Juan (Marquinhos - 16'/2ºT); Maldonado, Willians, Kléberson (Petkovic - intervalo) e Renato Abreu; Diego Maurício e Deivid (Diogo - 16'/2ºT). Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Grandes esperanças



O clássico de Minas Gerais traz um confronto de grandes esperanças. O Cruzeiro vive a expectativa de, por mais uma rodada, conseguir consolidar sua liderança no Campeonato Brasileiro, enquanto o Atlético, beneficiado pela derrota do Vitória da Bahia para o Botafogo, se vê a três pontos de sair da zona de rebaixamento.

E os dois mineiros têm bons motivos para continuar com seus sonhos na competição. A equipe cruzeirense vem apresentando uma boa sequência de jogos, capaz até mesmo de amenizar a derrota para o Grêmio na rodada anterior. O investimento para trazer o argentino Montillo é recompensado com grandes jogadas de habilidade, aliadas a uma objetividade impressionante. O elenco cruzeirense também apresenta jogadores de destaque, alguns deles (como o goleiro Fábio) dignos de uma convocação para a Seleção Brasileira.

Passada a frustração sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, o Atlético Mineiro aos poucos foi obtendo resultados expressivos, capazes de comprovar que o talento de Dorival Júnior pode superar até mesmo adversidades que não encontrou nos trabalhos bem-sucedidos pelo Vasco e pelo Santos. O cenário atleticano era de uma equipe devastada por uma série de derrotas negativas, e que não conseguia força suficiente para achar o caminho das vitórias, mesmo com um bom elenco e um treinador conceituado. Entretanto, com a nova maneira como a equipe está jogando, o duelo de Minas se torna bem mais imprevisível aos olhos dos torcedores.

Resta saber qual das duas equipes prosseguirá com motivos para esperar dias melhores no Campeonato Brasileiro. A rivalidade mineira hoje passa pelo desafio de, através de um duelo regional, encontrar mais forças para superar as adversidades que virão na competição nacional.