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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Em busca da solidariedade mineira





"O mineiro só é solidário no câncer". A frase que Nelson Rodrigues atribuiu ao escritor Otto Lara Resende vem sendo o pretexto para jogadores que não tiveram uma temporada no Botafogo procurarem novos ares para seu futebol. Após o atacante Jobson ser apresentado como reforço do Atlético Mineiro, o volante Leandro Guerreiro vai atuar em 2011 pelo Cruzeiro.

Dentre os dois ex-alvinegros, a contratação mais arriscada é a atleticana. Não se trata do receio de Jobson voltar a ter problema com drogas. O problema é a sequência de atos de indisciplina que o atacante apresentou durante a temporada de 2010, sob o comando de Joel Santana. Se a equipe do Atlético Mineiro já demorou tanto tempo para se entrosar no Campeonato Brasileiro do ano passado, a chegada de um jogador que semeou problemas internos em seu antigo clube pode levar o trabalho de Dorival Júnior novamente à estaca zero.

No caso de Leandro Guerreiro, o problema não é a falta de disciplina. Em sua passagem pelo Botafogo, o volante ficou estigmatizado por fazer parte de uma geração que "quase" ganhou títulos. Além da sequência de três decisões estaduais perdidas para o Flamengo, com Guerreiro o alvinegro carioca começava bem nas edições do Campeonato Brasileiro mas terminava distante das primeiras colocações. A superstição fica ainda mais adversa para o Cruzeiro pois seu atual técnico, Cuca, foi durante muito tempo comandante desta "geração botafoguense".

Não há dúvida que ambos têm qualidade para atuar em Atlético Mineiro e Cruzeiro. Além de atuar como volante, em algumas partidas Leandro Guerreiro é eficiente na zaga. Seu sobrenome faz jus à sua maior característica - o empenho para defender a camisa que veste. Jobson é um atacante veloz e, quando joga com seriedade, sabe ser decisivo - e poder de decisão é o que o time do Atlético precisa, para voltar a ter destaque no cenário nacional.

Por mais que o ano de 2010 tenha sendo infeliz para Leandro Guerreiro e Jobson no Botafogo, a solidariedade mineira pode trazer um bom recomeço para suas respectivas carreiras. Só que os dois precisam ter consciência de que as torcidas de Cruzeiro e Atlético são solidárias apenas enquanto a vibração e o respeito sobressaem no desempenho em campo. Em especial diante da grande rivalidade que cerca os dois grandes do futebol de Minas Gerais.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Prováveis ofuscados





Na semana em que o Flamengo sacramentou a bombástica contratação de Ronaldinho Gaúcho e também assinou com o meia Thiago Neves (reforços que deixaram a equipe rubro-negra com mais qualidade para medir forças com o Fluminense no Campeonato Estadual), os outros dois grandes do Rio de Janeiro foram definitivamente jogados à probabilidade de serem ofuscados no Estadual de 2011. Botafogo e Vasco iniciam o ano prometendo usar o dinheiro dos patrocinadores para sanar dívidas financeiras, deixando suas respectivas equipes sem contratações de impacto e apostando no discurso de "manter a base" do ano de 2010.

O desejo de não desmantelar a equipe de um ano para o outro é bastante louvável. Mas, as "bases" de Botafogo e Vasco são suficientes para que ambas as torcidas possam acreditar numa boa temporada?

Com a equipe montada em 2010, o Botafogo foi vencedor dos dois turnos do Campeonato Estadual e ficou em sexto lugar no Campeonato Brasileiro (a quatro pontos do Grêmio, que, por terminar na quarta colocação, foi classificado para a Taça Libertadores da América de 2011). No entanto, a equipe de Joel Santana padeceu - em especial no Brasileirão - da falta de um elenco de melhor qualidade, que fosse capaz de manter a regularidade do time na competição.

O risco de entregar as chances do alvinegro a um bando de jogadores limitados parece bater à porta de General Severiano novamente. As poucas contratações que vieram até agora foram para tentar suprir carências restritas ao time titular. E a que promete ter o maior destaque é a negociação com o meia Everton, que fez um bom Campeonato Brasileiro de 2009 pelo Flamengo e agora está no futebol mexicano.

Contratar jogadores para amenizar carências do ano anterior é a mesma conduta do Vasco. A falta de um jogador de qualidade para formar a dupla de zaga com Dedé e a ausência de um bom finalizador no ataque ficaram em pauta no time vascaíno. De resto, a aposta em uma base que, aos olhos do clube, é convincente para disputar títulos.

Só que o 2010 do Vasco não foi nada convincente. Um Campeonato Estadual desperdiçado por erros de planejamento nas contratações e um Campeonato Brasileiro no qual a equipe se arrastou nas últimas colocações e, quando conseguiu ter fôlego (graças aos reforços de Felipe, Éder Luís e Zé Roberto), esbarrou em erros individuais e na postura defensiva de seu treinador Paulo César Gusmão. Da base que a diretoria considera promissora para disputar títulos, poucos valores merecem destaque. E nenhum deles está na lista de contratados para a temporada de 2011.

O fato de uma equipe se conhecer dentro de campo não parece suficiente para que Botafogo e Vasco façam boas campanhas - afinal, muitos de seus jogadores desconhecem qualidade. A conduta de não deixar a folha salarial onerosa com reforços de altos salários é válida (em especial devido aos problemas financeiros que os clubes têm). Mas consentir que o clube seja ofuscado desta maneira é um erro gravíssimo.

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Para a legenda dos leitores que desconhecem as "caras novas" de Botafogo e Vasco nas fotos do post. Vestindo a camisa do Botafogo, o lateral-esquerda Márcio Azevedo, que veio do Atlético Paranaense. Na companhia do vice-presidente José Hamílton Mandarino, o volante Eduardo Costa, que veio do francês Monaco e o atacante Misael, que no Campeonato Brasileiro de 2010 atuou pelo Ceará.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O campeão de audiência



O novo destino para o futebol de Ronaldinho Gaúcho se tornou a novela mais acompanhada pela imprensa esportiva neste início de 2011. Mas, em meio à trama rocambolesca - cercada de pistas falsas, viradas surpreendentes e propostas de todos os lados - o atleta acabou relegado em segundo plano no noticiário mundial. Quem roubou a cena em meio aos passes e impasses da negociação foi Assis, seu irmão e empresário.

Não há dúvida de que o retorno de Ronaldinho Gaúcho já seria uma notícia fantástica para o futebol nacional, independente do clube no qual ele vestisse a camisa. Só que Assis conseguiu dar uma dimensão ainda maior para a importância da volta de seu irmão. Em vez de meramente seguir o protocolo de levar o jogador para se apresentar ao clube que fez a proposta mais interessante, o empresário decidiu conduzir a negociação a passos lentos - o desligamento do Milan, a coletiva de imprensa no Rio de Janeiro e toda a trajetória do leilão entre Flamengo, Palmeiras e Grêmio pelo passe de R10.

A conduta de Assis foi digna do novo cenário do mercado da bola brasileiro, no qual jogadores são elevados a grandes artistas de espetáculo e são expostos na vitrine, para aguçar os desejos de clubes e idolatria de várias torcidas. Tudo escrito minuciosamente, para tornar o retorno de Ronaldinho Gaúcho ao Brasil como a grande notícia de 2011.

Como jogador, Ronaldinho Gaúcho recebeu o cuidado que se dá a um irmão. Além do empresário que negocia contratos e quer o melhor para a carreira do jogador, Assis mobilizou o jornalismo esportivo e fez com que R10, apesar de há tanto tempo convivendo com atuações aquém de sua qualidade, voltasse a ter a relevância de um grande nome.

A novela da negociação chega ao fim. Ronaldinho Gaúcho está prestes a vestir a camisa do Flamengo, e volta ao Brasil para uma trama muito interessante. Para R10, é a chance de redenção após temporadas fracassadas, num clube de grande torcida que está disposto a recebê-lo como ídolo. Para o Flamengo, é a volta de uma referência de qualidade, após um 2010 com tantos dissabores e problemas com estrelas. Um contexto encaminhado por Assis. A partir de agora, o empresário deixar o irmão encarregado de jogar um futebol campeão de audiência.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Reduto de rejeitados



Foram seis temporadas de angústia longe da elite do futebol brasileiro, até que em 2010, a terceira colocação no Campeonato Brasileiro da Série B deu o credenciamento para o Bahia voltar à Primeira Divisão em 2011. Mas, com o reforço financeiro limitado (por ser um clube com pouca credibilidade para retorno da aposta de patrocinadores) e sem muitos atrativos para jogadores de qualidade, a alternativa para a próxima temporada vem sendo contratar atletas que estavam encostados em times de maior expressão.

Do Corínthians, vieram o zagueiro William, o lateral-esquerda Dodô, o volante Boquita e o atacante Souza. Do Vasco, o goleiro Tiago, o meia Magno e o atacante Bruno Paulo. Ex-treinador do Flamengo, Rogério Lourenço assumiu o comando do clube baiano. A maior aposta do Bahia é que durante o Campeonato Brasileiro eles queiram mostrar para seus clubes anteriores e para a torcida brasileira que mereciam ser mais valorizados - em especial porque os reforços são tecnicamente superiores ao restante do elenco.

Entretanto, fazer do clube um reduto de rejeitados não parece o melhor caminho. Por mais motivação que eles encontrem (e mesmo que se destaquem no Bahia), jogadores que são emprestados ou usados como moeda de troca não costumam ter tanta qualidade quanto o resto do elenco dos clubes que se desfizeram dele. E o fato de estes jogadores terem em seu currículo passagem por times grandes pode fazer com que eles exijam regalias nos treinamentos e até imponham suas escalações.

O Bahia não pode contratar aleatoriamente quem está encostado num clube de tradição. O time baiano precisa de atletas interessados em um projeto de reconstrução de sua identidade futebolística. Jogadores que estejam dispostos a fazer história, e não a apenas se mostrarem para conseguirem a valorização de seus respectivos passes.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Sombras do passado



Primeira contratação do Flamengo no ano, o goleiro Felipe (que estava no Braga, de Portugal) faz parte de um grupo de jogadores marcado por fatos que aconteceram em seu passado. Desde briga com namorada, passando por problemas de indisciplina e chegando até a problemas policiais, muitos nomes ficam estigmatizados pelos gritos da torcida adversária e, principalmente, pela mídia.

Dois fatos são levantados pela imprensa quando se referem ao novo goleiro flamenguista. O primeiro, de dentro de campo. Na partida entre Corínthians e Flamengo, pela reta final do Campeonato Brasileiro de 2009, houve um pênalti marcado contra o time corintiano. Na cobrança de Léo Moura, Felipe apenas ficou olhando a bola entrar no gol, sem esboçar nenhuma defesa. Como a derrota do Corínthians atrapalhava os rivais Palmeiras e São Paulo na disputa pelo título, algumas pessoas convencionaram que ele facilitou as coisas para comprometer a conquista de um clube paulista.

Já na época em que estava atuando no futebol português, Felipe teve um problema fora de campo. Em outubro deste ano, sua namorada, Letícia Carlos, acusou o goleiro de agressão. A evidência deste caso fica ainda mais oportuna para a mídia, pois a camisa 1 do Flamengo foi vestida recentemente por Bruno, que está passando por um julgamento sobre o desaparecimento e a suposta morte da ex-amante e mãe de seu filho, Eliza Samúdio.

Esta tendência a "rememorar" os casos envolvendo Felipe acontece também por sua conduta. O goleiro tem fama de bad boy e saiu do Corínthians por causa de desavenças com a diretoria do clube. Devido a estes incidentes, o fato do contrato do jogador ter uma cláusula que fala em punição caso ele prejudique a imagem rubro-negra foi tão supervalorizado (por mais que seja uma postura do clube, acentuada depois dos episódios envolvendo seus atletas em 2010).

A cobrança sobre a atuação de Felipe no gol do Flamengo nunca será resumida ao que ele fizer dentro de campo. Por todos os lados, haverá a expectativa de um atrito no clube ou de algum incidente envolvendo o goleiro na noite carioca. As sombras do passado continuarão a perseguir Felipe, que novamente tem a responsabilidade de defender um clube brasileiro que desperta tamanha paixão.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Riscos repetidos



A capa da edição de hoje do Lance! no Rio de Janeiro destaca a terceira contratação do Vasco para a temporada de 2011. A reportagem mostra que ele é o único grande clube carioca que se reforçou até o momento. Entretanto, a rapidez vascaína segue com os mesmos riscos do final de 2009, quando quis montar sua base para 2010.

Antes mesmo da chegada da nova temporada, o Vasco trouxe um pacote de contratações para o ano em que buscava se reafirmar na Primeira Divisão. Teoria lógica, pois o nível dos campeonatos seria bem maior. Mas a ideia não foi acompanhada com sucesso nos primeiros meses de 2010. Os nomes apresentados após a pré-temporada foram Élder Granja, Márcio Careca, Gustavo, Léo Gago, Jumar, Rafael Carioca, Geovanne Maranhão, Rafael Coelho e o grande reforço era o atacante Dodô - que, além de ter 36 anos, passara por dois anos de suspensão por uso de doping. No lugar de Dorival Júnior, entrou Vágner Mancini, técnico que chegou com ares de promissor comandante de futebol.

Os resultados não vieram, a troca de treinadores foi constante e, pouco a pouco, os reforços foram saindo de São Januário. No saldo do primeiro semestre, a quarta colocação no Campeonato Estadual (sem fazer sombra a Botafogo, Flamengo e Fluminense) e uma eliminação nas quartas-de-final para o Vitória da Bahia na Copa do Brasil. O segundo semestre começou com o prenúncio de uma catástrofe - desempenho pífio em campo e nenhuma perspectiva de melhora. Antes da parada para a Copa do Mundo, o Vasco ocupava o penúltimo lugar do Campeonato Brasileiro, com uma vitória em sete jogos, e deixara como última lembrança antes da Copa uma derrota por 4 a 0 para o Santos de Dorival Júnior.

Somente no intervalo da temporada, com o pensamento finalmente mais voltado para a disputa da elite do futebol brasileiro, é que o Vasco passou a contratar jogadores de maior qualidade. O veterano Felipe e os atacantes Zé Roberto e Éder Luís ajudaram o clube a terminar na décima-primeira colocação. Pouco, mas ao menos espantou o fantasma de voltar a amargar um rebaixamento.

A gestão do clube parecia ter aprendido com seus erros. Até chegar dezembro, após o fim da temporada do futebol de 2010. A urgência de reforços se transformou em ansiedade, e o Vasco já contratou três jogadores com o mesmo perfil do mau início de temporada do ano que vai acabando.

Para amenizar a ausência de um centroavante fixo dentro da área (o maior problema do time no Brasileirão), foi contratado Marcel, jogador que teve pouco destaque neste ano com a camisa do Santos. Além de poucos gols, o atacante apareceu na mídia por ser o pivô de um atrito no elenco, quando, nas brincadeiras que os jogadores estavam fazendo com o aniversariante Zé Love, passou dos limites e chegou a jogar terra no companheiro de clube. Atitude que teve a repreensão de Neymar, atleta com conduta bastante questionada nos últimos meses.



Os outros dois jogadores seguem o padrão de reforços para os setores deficientes do Vasco. Mas ambos não passam de jovens que foram promovidas a apostas vascaínas. O zagueiro Anderson Martins vem como destaque do Vitória da Bahia na competição - e no campeonato em que o clube terminou rebaixado para a Segunda Divisão de 2011. O reforço mais recente é o de Misael, que vem do Ceará (a pedido de Paulo César Gusmão, que foi seu treinador no Vovô). Embora tenha feito uma campanha satisfatória em sua volta à elite, o Ceará foi o pior ataque do Campeonato Brasileiro. Vale a pena investir num atacante de um clube com este estigma?

O Vasco parece confundir a ideia de compor um elenco bom com trazer um emaranhado de jogadores para ver quem se firma. Pelo panorama apresentado inicialmente, a torcida terá de ficar na expectativa de que a única consequência grave seja muito dinheiro investido em atletas que não mereciam. Porque dentro de campo as consequências das temporadas mais recentes não foram das mais agradáveis para os torcedores.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Onde há vaga?



O mercado do futebol carioca continua com a mania de formar a cada ano uma equipe cercada de jogadores que já eram conhecidos de suas torcidas. Nomes como Lúcio Flávio, Edmundo, Romário e Adriano foram alguns dos que fizeram o caminho de volta para os clubes nos quais tiveram bons momentos em passagens anteriores. E mais um jogador entra em pauta nesta rotina do mercado.

Thiago Neves se destacou no Fluminense durante a campanha da Taça Libertadores da América de 2008, e se transferiu para a Europa nos braços da torcida. Após um insucesso em 2009 no Hamburgo, da Alemanha, ele voltou a ser acolhido pelo tricolor das Laranjeiras, que viu nele a expectativa de um meio-de-campo poderoso ao lado de Darío Conca. Mas desta vez, o resultado foi abaixo do esperado. Na primeira proposta da Arábia Saudita, ele se transferiu para o Al-Hilal.

Apesar disto, o time campeão brasileiro novamente quer integrar Thiago Neves em seu elenco. Na primeira vez, ele conseguiu seu espaço graças ao bom desempenho dentro de campo. Na segunda passagem, nem a fama foi um argumento suficiente para que o tricolor continuasse a investir em seu futebol. E agora, o Fluminense terá espaço para Thiago Neves?

Conca é o titular unânime do Fluminense. Deco ainda não disse a que veio, mas seu nome e o alto salário pago pela Unimed certamente penderão para que ele continue como titular. O ataque, com Emerson e Fred, é imbatível. Thiago Neves se contentaria com a ideia de ser um décimo-segundo jogador? A Unimed pode se dar ao luxo de desembolsar um alto salário para um reserva? E a torcida do tricolor, que tanta gratidão tem a ele, vai aceitar que o meia não seja titular?

Ironicamente, a resposta para todas as questões pode estar em outro clube do Rio de Janeiro. Segundo as especulações recentes, o Flamengo também demonstrou interesse no meia. Por mais que o horizonte rubro-negro não seja tão animador quanto o do Fluminense em 2011, Thiago Neves chegaria para ser o camisa 10, com o status de um jogador de qualidade em meio a outros que estão em descrédito com a torcida.

O meia teria um desafio a mais: ganhar a confiança dos torcedores, anos após a provocação que ele fez aos flamenguistas - na vitória por 4 a 1 do Fluminense sobre o Flamengo, em 10 de fevereiro de 2008 pela Taça Guanabara, Thiago Neves fez três gols, e na comemoração fez a coreografia do Créu, dança de funk que soou como ofensa para rubro-negros. Só que esta não é a única "paixão" que pode descartar sua ida para o clube flamenguista. A mulher dele é torcedora do Fluminense, e já teria dito que o marido tem de ir para lá.

Após o período pelo futebol árabe, o futebol carioca abre dois desafios para Thiago Neves. Nas Laranjeiras, a volta ao clube que o projetou para o exterior e a tentativa de reafirmação num elenco de estrelas muito bem entrosado depois da conquista do Campeonato Brasileiro. Na Gávea, a chegada como esperança de dias melhores para o meio-de-campo rubro-negro. Qual vaga é a mais provável para que o jogador preencha?

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Certificado de qualidade



Não é apenas no padrão de jogo ou no formato de competição que o futebol brasileiro vem se assemelhando com a bola que rola nos demais países. O Brasil agora aderiu de vez à globalização do mercado, e vem abrindo suas portas para jogadores de outra nacionalidade.

Com a grande contribuição de Darío Conca ao título do Fluminense, e os destaques de Montillo no Cruzeiro e D'Alessandro no Internacional, a Argentina vem surgindo como o Eldorado dos clubes brasileiros. A espera por novos jogadores habilidosos que tenham potencial suficiente para se tornarem ídolos promete aumentar a busca por jogadores desta nacionalidade nas próximas temporadas do Brasil.

O mercado nacional aponta para uma inversão de valores. O Brasil, que outrora exportava seus jogadores de ponta para o mercado europeu (e cada vez mais cedo), agora surge como reduto para apostas argentinas. A iniciativa é válida? Se a trinca de meio-campistas deu certo, jogadores como Defederico e Maxi não corresponderam às expectativas dos clubes que defenderam. Valeria à pena esta presença constante de argentinos no mercado brasileiro?

Não há dúvida de que a Argentina é um dos grandes centros do futebol mundial - sua tradição internacional comprova isto. Mas este investimento constante em jogadores argentinos pode fazer mal tanto para a imagem do país quanto para o futebol do Brasil. O risco de o país seguir o caminho das seleções da Itália ou da Inglaterra, que abriram tanto espaço para estrangeiros que inibiram o surgimento de craques em seus respectivos países. Argentinos (e jogadores de todas as nacionalidades) serão sempre bem-vindos. Desde que melhorem o conceito do futebol jogado no Brasil.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Falta de imigrantes



A crítica esportiva dedicou os últimos dias a tecer análises sobre a antecipação da inscrição de jogadores que vêm pela "janela" de meio de ano para disputar o Campeonato Brasileiro. Entretanto, outro fenômeno que era corriqueiro deste período de negociações apareceu timidamente no ano de 2010. Enquanto muitos brasileiros retornaram ao país após um período de exílio, a taxa de imigração caiu sensivelmente.

Até o momento, a média do número de atletas negociados com o exterior em relação aos 20 clubes que disputam o Brasileirão chega perto de um jogador por equipe. E o que chama atenção é que a lista dos que vão para fora não traz tantos jogadores de destaque. Os nomes mais famosos são a antiga dupla de ataque que formava o "Império do Amor" do Flamengo - Adriano e Vágner Love - na qual o primeiro acertou com a Roma, da Itália, e o segundo retorna para o russo CSKA após o fim do empréstimo. Em segundo plano, vêm André, atacante que despontou com a camisa do Santos no primeiro semestre e agora vai para o Dinamo de Kiev, da Ucrânia, o ex-palmeirense Cleiton Xavier, que também vai para o futebol ucraniano, mas para defender o Mentalist Kharkiv, e Philippe Coutinho, considerado joia do Vasco que vai defender as cores da Internazionale de Milão.

Completam a lista jogadores menos badalados, e alguns que amargavam a reserva no futebol brasileiro. A listagem traz nomes como o ex-lateral santista George Lucas, os zagueiros Léo Fortunato e Samuel (respectivamente de Cruzeiro e Atlético Mineiro), o volante Paulinho, que defendeu o Vasco, e o ex-atacante do Atlético Paranaense, Patrick. E o dado mais exótico é que nenhum deles vai para um clube de nível internacional. Os destinos geralmente são o Japão, a Turquia, e até o Azerbaidjão.

O futebol brasileiro teria ficado menos atraente aos olhos dos clubes de fora? Bom, a torcida ao menos espera que esta maré seja favorável para a valorização do Brasileirão, de preferência evitando que ele fique nivelado por baixo, como foi em algumas edições dos pontos corridos.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O fim dos remendos do Brasileirão



Bom senso. Uma excelente iniciativa a da Confederação Brasileira de Futebol (com o aval da FIFA) em antecipar a data da "janela" de inscrição de jogadores do exterior que retornam ao Brasil. Em vez de começar no dia 3 de agosto, os jogadores contratados poderão ser inscritos para a disputa do Campeonato Brasileiro a partir de amanhã, até o dia 19 de agosto.

Com as negociações ainda mais aceleradas por causa do ano da Copa do Mundo, a determinação de que os jogadores só poderiam atuar a partir do mês que vem poderia comprometer negativamente a competição. Além das equipes ficarem remendadas por algum tempo, a tendência perigosa era de que os contratados demorassem a encontrar ritmo de jogo para fazer boas atuações no Campeonato Brasileiro.

A partir do final deste mês, vão desfilar por gramados do Brasil afora nomes de destaque como o agora santista Keirrison, o cruzeirense Montillo, o tricolor carioca Beletti, o vascaíno Felipe, o flamenguista Renato Abreu, o colorado Rafael Sóbis, Daniel Carvalho, reforço do Atlético Mineiro, entre outros. Uma vitória dos clubes, que poderão ter mais opções no elenco para um Campeonato Brasileiro tão equilibrado e tão extenso.

Alguns jornalistas afirmam que esta mudança deu margem para mostrar a desorganização da CBF - em outros anos, a entidade coleciona episódios de mudanças bruscas de regulamento. Entretanto, ao voltar atrás nesta decisão, a Confederação mostrou-se capaz de reconhecer seu erro. É bem verdade que a "janela do meio do ano" sempre aconteceu em agosto. Mas, num ano atípico para o futebol como é o de Copa do Mundo, é evidente que as mudanças começam a acontecer em junho, antes do início da competição mais importante do futebol mundial. Portanto, não há razões para deixar tantos atletas inativos por tanto tempo.

A montagem de novos times do Campeonato Brasileiro começa a acontecer mais cedo em 2010. Certamente, a engrenagem do campeonato ficará bem mais interessante aos olhos dos torcedores de times da Primeira Divisão.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Oferecidos da semana



Os Campeonatos Estaduais ainda estão em curso, mas algumas pessoas do mercado futebolístico já estão usando um artifício duvidoso para conseguirem mais destaque na temporada brasileira. O primeiro exemplo de profissional que está aberto a propostas vem do banco de reservas.

Considerado um dos melhores treinadores do país (fama que ficou ainda maior depois do tricampeonato consecutivo com o São Paulo em 2006, 2007 e 2008), Muricy Ramalho afirmou na última semana que gostaria muito de treinar o Flamengo. A declaração parece até ter clima de revanche com o rubro-negro da Gávea. No ano passado, enquanto ele estava em crise sob o comando do São Paulo, o então flamenguista Cuca supostamente teria ligado para a diretoria são-paulina e se oferecido para dirigir a equipe.

Muricy acabou demitido do São Paulo e Cuca foi demitido do Flamengo. Mas ambos não ficaram sem destino: o ex-são-paulino foi para o Palmeiras e o ex-flamenguista dirigiu o Fluminense no resto do ano de 2009. Curiosamente, ambos trocaram de camisa mas permaneceram no mesmo estado.

O técnico Muricy Ramalho sente agora o ônus de um dia ter sido elevado a melhor técnico do Brasil. Após o São Paulo jogar por três anos e meio com o mesmo esquema tático, o futebol pensado pelo técnico ficou previsível, e ele caiu no mesmo erro quando comandou o Palmeiras entre meados de 2009 e o início de 2010.

Além da falta de novidades de dentro de campo, a mesmice de Muricy Ramalho ficou para cada pós-jogo. Na maioria de suas declarações, Muricy demonstra impaciência e mau humor com as perguntas dos jornalistas, e isto causa antipatia também aos torcedores (adversários e do próprio clube).



Dentro das quatro linhas, um jogador seguiu o "exemplo" de Muricy Ramalho e se colocou no mercado da bola. Atualmente no Goiás, o atacante Fernandão declarou que uma oferta para voltar ao Internacional mexeria muito com ele - em especial porque sua saída, brigado com a diretoria, teria ficado somente como coisa do passado.

Mas a vontade do atacante em retornar ao time colorado parece ser bem maior do que voltar aos bons tempos, quando foi campeão da Taça Libertadores da América e venceu o Mundial de Clubes há três anos. O momento mal-sucedido no clube goiano contribui para esta vontade de retornar ao Rio Grande do Sul, ainda mais porque o Inter está disputando uma competição internacional este ano.

Fernandão chegou ao Goiás para ser o grande reforço para o Campeonato Brasileiro. Mas depois que ele estreou com a camisa verde, o time goiano (que vinha fazendo uma boa campanha no Brasileirão) caiu vertiginosamente e beirou a zona de rebaixamento.

O motivo mais plausível para isto foi a tendência dos jogadores a centralizarem as jogadas no atacante e ele, sempre bem marcado, não conseguir se desvencilhar para ficar na cara do gol. No Internacional, tendo companhia de outras estrelas no ataque, certamente ele poderia voltar a brilhar.

Muricy Ramalho e Fernandão comprovam que a ânsia por estar bem no mercado do futebol brasileiro não é restrita aos empresários de atletas. Resta saber se as vontades declaradas funcionam aos olhos dos clubes nacionais, e se vale a pena investir em qualquer um dos dois.

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BOLA PRO MATO

Sem o Maracanã, Botafogo e Flamengo se enfrentaram ontem no Engenhão (no que não deixa de ser uma prévia para os clássicos dos próximos anos no Rio de Janeiro, em virtude do fechamento do Maraca para obras). O público foi de cerca de seis mil pagantes e de nove mil presentes. Até quando a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro e o governo fluminense não vão tomar providências maiores do que o estádio ser perto de uma linha de trem para que moradores de todos os bairros possam ir com facilidade até lá?

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Segunda-feira 13





Se os filmes de terror costumam associar a sexta-feira 13 à data de situações macabras, para os treinadores do Brasil o dia 13 foi tenebroso por ser justamente numa segunda-feira. Três técnicos perderam seus cargos no dia seguinte a mais uma rodada de insucesso de cada clube que eles treinavam.

A única queda "esperada" veio do lado do Náutico. Após uma boa arrancada no início do Campeonato Brasileiro (chegando a estar entre os quatro melhores do Brasil), o Timbu entrou em vertiginosa decadência e na última rodada chegou ao penúltimo lugar do torneio. Márcio Bittencourt perdeu o cargo após a derrota por 4 a 1 para o Palmeiras e em seu lugar entrou Geninho. Apesar de seu nome ser um diminutivo de "gênio", aparentemente não há genialidade que salve o clube pernambucano de um fim trágico em dezembro.

Sim, é bem verdade que o Santos passou um verdadeiro vexame ao sair do Barradão com uma derrota por 6 a 2 para o Vitória da Bahia. Mas a demissão de Vágner Mancini foi um passo precipitado da diretoria santista. O time está em décimo-primeiro lugar (faixa de classificação para a Copa Sul-Americana) e vinha tentando buscar uma regularidade no torneio. Infelizmente, mais uma vez a diretoria do Peixe optou por sucumbir aos caprichos da torcida. Para evitar que o ataque de ovos podres dos torcedores respingassem em seus paletós, os dirigentes recorreram à saída mais fácil - mas nem por isso eficaz - de mudar de comando.

Mas a situação mais surpreendente veio das Laranjeiras. Depois do 1 a 0 sofrido para o Santo André no Engenhão, o técnico Carlos Alberto Parreira perdeu seu cargo de técnico do Fluminense. Nem mesmo seu vasto currículo (que inclui a Copa do Mundo de 1994) e o pedido de tempo para um trabalho a longo prazo foram suficientes para que ele prosseguisse no comando do tricolor. Agora, ele se junta a Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho e Nelsinho Baptista na lista de treinadores considerados "respeitáveis" que estão desempregados. Que sina!

A saída do Fluminense para encontrar um novo comandante foi bastante questionável. Em vez de buscar novos nomes, a diretoria decidiu efetivar Vinícius Eutrópio a técnico do clube. Vinícius está há alguns anos no tricolor, fazendo trabalho com divisões de base e também sendo auxiliar-técnico - o que pode ser valioso, pois ele conhece bem o universo da equipe carioca. No entanto, esta atitude pode trazer algumas dores de cabeça. Num eventual insucesso do time, Eutrópio corre o risco de ser despedido, e, além de ficar sem técnico, o Flu também não terá mais um auxiliar de confiança.

Passada a segunda-feira 13, torcida e técnicos esperam que não haja mais tanto rodízio no comando dos clubes. Caso contrário, a instabilidade proporcionada pela dança das cadeiras afetará as várias camisas do futebol brasileiro.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Sonho da volta pra casa



O calendário vai passando e o Campeonato Brasileiro está prestes a chegar à época da "janela" do torneio. Trata-se do período no qual o mercado exterior pode contratar jogadores que atuam no Brasil - geralmente os que despontam nos primeiros meses de Brasileirão. Entretanto, este "fenômeno" causado pelo reinício das temporadas europeias traz uma consequência interessante para o mercado: o repatriamento de atletas brasileiros.

Seduzidos pelos euros da União Europeia ou pelos dólares e petrodólares do futebol árabe, muitos jogadores anseiam pelo meio do ano para conseguirem passaporte rumo ao exterior (ainda mais com uma Seleção Brasileira que tem um treinador mais atento aos "estrangeiros"). Mas nem todos são bem-sucedidos em outros gramados, seja por falta de adaptação ao novo país ou pela ausência de oportunidades em equipes que trazem muitas estrelas. A solução para recuperar a autoestima acaba mesmo sendo voltar para a pátria.

O olhar para o exterior, aos poucos, também se tornou rentável para os clubes brasileiros. Quando a equipe não se encaixa em campo e não se pode contratar no Brasil por causa do regulamento da CBF, o dirigente começa a observar jogadores que estão espalhados pelo mundo, até encontrar algum em condições para voltar a vestir uma camisa brasileira. E, com o mercado em tamanha expansão, os times vêm encontrando reforços tanto em países com clubes de ponta (como a Itália, a Inglaterra e a Espanha) quanto em locais com pouquíssima tradição no futebol, casos de Hungria, Ucrânia e até Uzbequistão.

Também se tornou corriqueira a iniciativa de ter como reforço a volta de quem deu glórias à equipe e saiu para se consagrar em outros países. Foi o caso do novo reforço do Corínthians. Depois de passar pelo Arsenal, da Inglaterra, e pelo Valencia, da Espanha, o volante Edu acertou seu retonro ao alvinegro paulista, como forma de esquecer os problemas da última temporada no futebol espanhol (quando passou por sucessivas contusões). Parado há algum tempo também por causa do período de férias da Europa, o jogador de 31 anos declarou que terá de passar por uma curta pré-temporada, para voltar a ter ritmo de jogo.

Campeão brasileiro em 1998 e 1999 e vencedor do Mundial de Clubes de 2000 no Corínthians, Edu espera retornar a bons momentos em campo. E, graças à "janela" do Campeonato Brasileiro, o volante se torna mais um jogador que realiza o "sonho da volta pra casa".

terça-feira, 12 de maio de 2009

Escambos e protecionismo



Com o Campeonato Brasileiro ainda em seus primeiros passos, o Flamengo encontrou uma forma de se reforçar ao mesmo tempo que busca diminuir sua folha salarial e o problema crônico de jogadores contratados a peso de ouro e que em campo rendem muito abaixo do que o time e sua torcida esperam.

Foi o caso do meia Zé Roberto. Contratado no início do ano para ser o camisa 10 da Gávea, o jogador até começou bem, marcando alguns gols. Mas, no decorrer dos jogos, seguiu com o mesmo estigma dos demais atacantes rubro-negros: vieram pífias partidas, nas quais ele só era notado se o torcedor estivesse com um jornal e quisesse ver quem tinha entrado em campo. Ao que parece, dentre a lista de ataque que o Flamengo tem (os outros nomes são Obina, Josiel e Erick Flores), Zé Roberto será o escolhido para deixar o clube, agora que uma nova - nem tão nova assim com o uniforme vermelho e preto - esperança de gols chegou ao clube: Adriano.

Depois de se destacar na temporada de 2008, Zé Roberto tinha chegado na Gávea com um aval importantíssimo: ele era um dos comandados do técnico Cuca no Botafogo. Como seu primeiro semestre flamenguista não rendeu, ele agora virou moeda de troca da Gávea. Só que as possibilidades de chegada à Gávea encontram as mesmas características: temporadas bem sucedidas com a camisa alvinegra.



Uma das opções veio de terras mineiras. Artilheiro do Estadual de 2008, Wellington Paulista não honrou o investimento depositado nele, e atualmente vem ficando na reserva do Cruzeiro. Numa primeira tentativa, o jogador se esquivou da negociação, afirmando que sua família está bem instalada em Minas Gerais e ele não pensa em mudar de ares tão cedo.



Outro ex-jogador do Botafogo que está na mira do Flamengo parece ter uma negociação mais adiantada. Na página eletrônica GloboEsporte.com, hoje de manhã foi divulgado que o acordo entre o time rubro-negro e o meia Lúcio Flávio está bem próximo de acontecer. Desde que foi contratado pelo Santos, Lúcio não tem feito boas atuações, e o técnico Vágner Mancini confirmou que o jogador deveria procurar outro clube, pois "dentro de campo as coisas não acontecem".

Em 2009, as coisas não aconteceram para os ex-botafoguenses Zé Roberto, Wellington Paulista e Lúcio Flávio. Apesar disto, Cuca ainda investe no futebol deles, e, como fez com o atual camisa 10 rubro-negro, vai procurar dar uma chance flamenguista a outro (ou, quem sabe, outros) atleta que ele confiou no ano anterior.

Próximo de acontecer mais um "escambo" no futebol brasileiro, o Flamengo espera que o técnico Cuca esteja apostando num bom futebol. E que o time não seja um mero encosto de jogadores que outrora estiveram em boa fase, mas hoje defendem clubes somente por afinidade com um treinador.

domingo, 22 de março de 2009

Reforço de peso nas costas



Além de anunciar que o atacante Ronaldo voltaria aos gramados vestindo sua camisa alvinegra, o Corínthians buscou se cercar de outras contratações, para formar uma equipe que jogaria em função do camisa 9. O Timão buscou alguns nomes no estado do Rio de Janeiro, como o volante Túlio e o meia Jorge Henrique (ambos do Botafogo), e foi até o futebol grego para reforçar o seu ataque.

De lá do Parathinaikos, o atacante SOUZA veio não só com o intuito de fazer companhia para o Fenômeno na linha de frente corintiana, mas também ser o "homem de referência" na cara do gol adversário. Mesmo estando há poucos meses na Grécia (para onde tinha ido em meados do ano de 2008, depois de um ano não muito brilhante no Flamengo), o retorno ao Brasil foi um alento para o atacante, que jogou quatro vezes e marcou somente dois gols. Em sua volta, ele afirmou que não se entendeu com técnico e diretoria de lá, e era a hora de retornar ao país.

Passados os primeiros meses de 2009, Souza parece não estar se entendendo novamente com um treinador - desta vez, Mano Menezes - e menos ainda com a bola. De todas as partidas que jogou,o jogador só balançou as redes uma vez, e numa cobrança de pênalti.

A imprensa paulista se pergunta: onde foi parar o futebol de Souza? Este que vos escreve ousa dizer que, na verdade, bom futebol nunca foi o forte do jogador. Até mesmo seu maior momento como atleta - a artilharia do Campeonato Brasileiro de 2006 - é um tanto quanto questionável. Afinal, com a bendita "janela" do Brasileirão, que faz com que bons jogadores possam ser negociados durante o torneio, os nomes que despontam na artilharia vão embora rapidamente. Com isto, os 17 gols num campeonato com 38 rodadas acaba sendo "suficiente" para ostentar o título de artilheiro.

Quem bem definiu o "estilo" do atacante Souza foi o colunista Fernando Calazans, do jornal O Globo: "é o tipo de jogador que, quando não faz gol, é o pior da partida". Muitos vão dizer que todos os atacantes são assim, que o problema da falta de gols ocorre por causa do meio-de-campo. Só que, quem assiste às suas partidas, percebe que ele nem sabe como tentar uma ligação com os armadores de seu clube.

O pior é que o jogador muitas vezes tropeça na bola e, cada vez mais, são raros seus lampejos de boas jogadas. Se era interesse do Corínthians ter um companheiro para Ronaldo, o ideal seria contratar um jogador que saiba dialogar com seu parceiro de ataque, e não só tivesse fama de goleador (fama, aliás, injustificável nos últimos momentos).

Agora, o Timão arca com um prejuízo não só de três milhões de euros (preço que pagou junto ao Parathinaikos para trazer o atacante), como também do salário do atacante, que é o segundo maior da folha corintiana. Tudo isto para um reforço que se revela um peso nas costas da equipe alvinegra.

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BOLA PRO MATO

Depois de semanas modorrentas desta pré-temporada de luxo denominada Campeonato Estadual, o domingo de São Paulo e do Rio de Janeiro terá duas partidas bem atraentes. Na capital paulistana, o primeiro "duelo de gerações" entre o promissor Neymar e o consagrado Ronaldo, no confronto entre os alvinegros Santos e Corínthians.

No Rio, o embate entre Flamengo e Vasco, um confronto que revela facetas diferentes do que se tinha imaginado que seria o panorama das equipes para o ano. Festejado como a melhor equipe carioca, o rubro-negro joga contra o descrédito de sua própria torcida, ainda ressabiada com a eliminação para o Resende na semifinal da Taça Guanabara. Do outro, a equipe cruzmaltina e sua surpreendente campanha, quando muitos achavam que iria demorar para se erguer novamente depois da queda para a Série B do Campeonato Brasileiro no ano passado.

Os times também passam por situações diferentes fora de campo. Se, na época do ex-ditador Eurico Miranda, o Vasco fazia provocações e tratava as partidas contra o arquirrival como um campeonato à parte, hoje a equipe dirigida por Dorival Júnior considera o confronto do Maracanã como um grande desafio a mais no caminho de preparação para a disputa da Série B. Já na Gávea, por mais que seja uma partida que valha apenas três pontos, o jogo é tratado como decisivo, em especial para o técnico Cuca, que pode deixar de ser o treinador do Flamengo num eventual fracasso. Momentos dentro e fora de campo à parte, não dá mesmo para apontar qual será o favorito da partida que começa às 18h no Maracanã.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Janelas abertas da Lei Pelé



Ao criar uma lei com seu nome quando era ministro dos Esportes do governo de Fernando Henrique Cardoso, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, tinha a boa intenção de tornar os jogadores livres para negociar os contratos que mais fossem convenientes para seus atletas. No entanto, das boas intenções de Pelé o inferno agora está acertando em cheio os clubes brasileiros.

As constantes trocas de clubes - favorecidas pela absurda cláusula de que seis meses antes do término do contrato de um jogador, outra equipe já pode tentar um acordo financeiro com ele - não só descaracterizaram o futebol quanto deixaram as torcidas apreensivas. O torcedor não pode mais começar a ter uma ligação afetiva com algum jogador que desponta vestindo as cores do seu time, pois logo em seguida ele pode fazer as malas e ir embora.

A situação ficou mais forte depois de uma nova tentativa de "melhorar" o Campeonato Brasileiro, o adequando aos padrões dos campeonatos europeus. Em vez dos torneios que mesclavam pontos corridos com o sistema de "mata-mata" (e resolviam quem era o melhor time do Brasil em quatro ou cinco meses), o Brasil desde 2003 adota o sistema de partidas entre os 20 times brasileiros, em turno e returno.

Como a temporada do exterior geralmente começa no meio de um ano e termina no meio de outro, o futebol do país ficou ainda mais prejudicado. Os treinadores escalam os seus times mas, de repente, não mais que de repente, vem uma proposta do exterior que leva um jogador de uma equipe. Cabe ao clube ter de se desdobrar para tentar, emocionalmente, convencer o atleta que a ligação com o clube pode ser melhor do que os altos salários do futebol da Europa, da Ásia ou da Arábia (locais que mais assediam jogadores brasileiros).

O caso mais recente é do lateral Léo Moura. Logo depois de ter duas boas atuações em vitórias do Flamengo (e na última, marcar dois gols na vitória da equipe sobre o Duque de Caxias, por 4 a 2), agora o jogador flamenguista anunciou que recebeu proposta de atuar no futebol russo, com a camisa do CSKA, time atualmente treinado por Zico.

No caso de Léo, aparece uma outra brecha da Lei Pelé: com o constante assédio que os jogadores recebem de times do exterior, eles acham interessante divulgar estes interesses, para fazer com que a diretoria busque, a qualquer custo (inclusive financeiro), um jeito de que eles permaneçam no Brasil. Isto explicaria a afirmação do empresário do lateral, Eduardo Uram, que declarou que não recebeu nenhuma proposta da equipe da Rússia.

Depois de ter duas boas atuações consecutivas pelo Flamengo (contra Ivinhema e Duque de Caxias), Léo Moura parece querer aproveitar todas as janelas da Lei Pelé para alçar novas ascensões financeiras. Ao clube da Gávea, resta tentar fechar a janela que o futebol brasileiro abriu para as "nações amigas". Caso contrário, mais um destaque do clube vai embora, e no meio de um campeonato.

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BOLA PRO MATO

Saiu a lista de Dunga com os convocados para os jogos da Seleção Brasileira nas partidas contra Equador (em Quito, no dia 29 de março) e Peru (em Porto Alegre, no dia primeiro de abril), ambas pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Dos 22 jogadores chamados, apenas o zagueiro Miranda atua no Brasil - pelo São Paulo. Ah, sim, agora faz sentido Léo Moura anunciar o assédio que estaria sofrendo do CSKA.

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BOLA NA ARQUIBANCADA

Botafogo e Vasco realizaram ontem, no Maracanã, uma partida sensacional. Ambas as equipes disputaram com seriedade, buscando a todo custo a vitória. Para quem esperava o Vasco recuado (por ter uma equipe tecnicamente inferior ao campeão da Taça Guanabara), assistiu a uma vitória justíssima, apesar do placar de 4 a 1 ser uma contagem exagerada, diante do equilíbrio presente em boa parte do jogo. Além da primorosa atuação de Carlos Alberto, o que saltou aos olhos do público foi a união vascaína, que pode fazer a diferença na busca pelo retorno à Primeira Divisão do futebol brasileiro.

sexta-feira, 6 de março de 2009

A hora e a vez da Máquina Tricolor funcionar



Desde que passou a receber o patrocínio do plano de saúde Unimed (e, graças a ele, conseguir sair do "buraco" causado por três rebaixamentos consecutivos para retornar à elite do futebol brasileiro), as temporadas atuais do Fluminense trouxeram vários times diferentes, mas uma coisa em comum. O tricolor das Laranjeiras monta equipes com bons jogadores (e sua torcida volta e meia entoa o grito "Melhor do Rio"), mas que em campo têm como consequência uma escassez de títulos.

O ano passado, certamente, foi a temporada mais frustrante para o Fluminense. Além da derrota na final da Taça Libertadores para o equatoriano LDU, o time se tornou motivo de chacota, graças à declaração infeliz de seu então treinador Renato Gaúcho - que dava como certo o título e disse que o time ia "brincar no Brasileiro". O troféu não só escapou em pleno Maracanã, como também a equipe colecionou resultados negativos no Campeonato Brasileiro. Além de Renato, o tricolor teve outros dois técnicos durante o torneio: Cuca e René Simões, ambos com a missão de tirar o time da zona de rabaixamento.

Responsável pela manutenção do Fluminense na Série A do Campeonato Brasileiro, René foi escolhido para continuar seu trabalho nas Laranjeiras. Mas o elenco teve significativas alterações, e a "Máquina Tricolor" ganhou reforços para trazer um 2009 promissor à torcida do tricolor carioca - casos do zagueiro Edcarlos, do lateral-esquerda Leandro, do volante Diguinho, do meia Leandro Bomfim e do atacante Leandro Amaral. Nomes bem sucedidos em outros clubes que o dinheiro da Unimed pôde ajudar a bancar (assim como a renovação de contrato do argentino Conca, disparado o melhor jogador do Fluminense em 2008).

A "Máquina" ficou ainda mais promissora com o retorno de Thiago Neves ao clube, depois de meses mal sucedidos no futebol europeu. Entretanto, nem mesmo a volta do camisa 10 foi capaz de melhorar a situação do Fluminense: o time foi eliminado da Taça Guanabara com uma derrota por 1 a 0 para o Botafogo (que se sagraria campeão do torneio).

Agora, após sucessivas falhas na engrenagem, o presidente Roberto Horcades usa mais uma artimanha para que a "Máquina Tricolor" definitivamente funcione. O Fluminense apresentou ontem o atacante FRED (na foto, ele segurando a camisa 9 ao lado de Horcades) como seu grande reforço para o ataque. De um começo promissor no América Mineiro, o atacante despontou mesmo no Cruzeiro, e logo foi contratado para defender o Lyon, na França. Quatro anos depois de jogar no futebol francês, agora o atacante retorna a gramados brasileiros, numa "novela" que a imprensa diz que teve um desfecho feliz para Fred e para o Fluminense.

Entretanto, não se pode dizer que esta "novela" teve um final feliz. Afinal, ainda resta saber se o atacante corresponderá às fichas depositadas em seu futebol e, em especial, se dias melhores virão para a torcida do Fluminense. Em mais uma "virada" digna de dramaturgia, o time das Laranjeiras consegue trazer um jogador de nível de Seleção, e com um ótimo passado de serviços prestados ao futebol brasileiro. Resta ao torcedor assistir às cenas do próximo capítulo, na expectativa de ver se é agora a hora e a vez da "Máquina Tricolor" funcionar.

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BOLA PRO MATO

Logo depois de este que vos escreve dar o ponto final nesta postagem, o Fluminense surpreendeu novamente. Mesmo com a vitória por 3 a 0 sobre o time paraibano do Patos, o treinador René Simões deixou o comando do time. Em seu lugar, deve assumir Carlos Alberto Parreira, que em 1999 conseguiu tirar o tricolor da Terceira Divisão. Mais um "elemento" para os torcedores de todos os times acompanharem a "novela" do time das Laranjeiras em busca de novos títulos.

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BOLA NA ARQUIBANCADA

No dia 6 de abril, o humorista Chico Anysio apresentará o show De pai pra filho, no Centro Cultural Veneza, em Botafogo. O ingresso custa R$ 100,00 (com meia-entrada a R$ 50,00) e toda a renda será destinada à Associação Amigos do Vasco - grupo criado por vascaínos que têm a intenção de ajudar financeiramente a equipe de São Januário a sair da crise financeira pela qual está passando há muito tempo. Fica a dúvida: com este preço tão alto, quantos "amigos do Vasco" irão aparecer no show de humor de Chico Anysio?