Mostrando postagens com marcador São Paulo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador São Paulo. Mostrar todas as postagens

domingo, 30 de janeiro de 2011

A gangorra do San-São





O primeiro San-São de 2011 trouxe as duas equipes paulistas em papéis trocados em relação ao Paulistão do ano passado. Em 2010, o São Paulo se preparava para a disputa da Taça Libertadores da América, enquanto o Santos se esmerava para tentar os títulos do Estadual e da Copa do Brasil. Hoje, os santistas estão na expectativa pelo início da competição sul-americana, e o São Paulo tenta melhorar sua autoestima com as conquistas do Campeonato Paulista (que não vence desde 2005) e do inédito título da Copa do Brasil. Mas a partida da Arena Barueri mostrou outras inversões de valores.

Se Adilson Batista era designado pejorativamente como “Professor Pardal” por fazer escalações e substituições mirabolantes nos times que treinou, em seu primeiro clássico pelo Santos ele ajustou a equipe para neutralizar desde o meio-de-campo as opções ofensivas do adversário – afinal, os erros da zaga limitada (formada por Durval e Edu Dracena) custaram os três pontos no empate em 3 a 3 com o São Caetano na Vila Belmiro. O “Professor Pardal” do San-São foi Paulo César Carpegiani, que no primeiro tempo “inventou” Fernandão jogando como quarto homem do meio-de-campo e deixou o veloz Dagoberto na estática função de centroavante. A consequência foi o Santos dominar boa parte do primeiro tempo – tanto pelo erro tático de Carpegiani quanto pela superioridade física em relação ao “pesadão” São Paulo – e, aos 10 minutos, Robson cruzar para a área e Elano, entre os zagueiros, desviar de cabeça para a rede.

No segundo tempo, Carpegiani tentou corrigir seu erro, abandonando o esquema de três volantes ao tirar Zé Vítor e colocar o meia Marlos. Beneficiado pelo recuo excessivo (e perigoso) do Santos, o São Paulo cresceu na partida, pressionou, ficou em cima, só que não conseguiu finalizar. Quem finalizou foi Maikon Leite, após novo erro da zaga são-paulina, que ficou desatenta e permitiu que o atacante ficasse frente a frente com o goleiro Rogério Ceni para fazer 2 a 0 aos 28 minutos. Em resposta à vontade e à persistência são-paulina, os santistas apresentaram sua eficácia e o poder de fogo de seu bom elenco. Bom elenco, uma característica típica do São Paulo de outros anos, mas que o Morumbi está demorando para apresentar em 2011.

O San-São da Arena Barueri comprovou também a disparidade do efeito da ausência do “camisa 10″ de cada equipe. Num Santos que vem se armando bem para o ano da busca pela Libertadores, o retorno de Paulo Henrique Ganso traz a expectativa da presença de um jogador habilidoso, para colocar o talento lado a lado com a eficiência mostrada até agora no Paulistão (é líder, ao lado do Palmeiras, com quatro vitórias e um empate). A estreia de Rivaldo – prevista para quinta-feira, contra o Linense – ganha ares de urgência no São Paulo, que não consegue organizar boas jogadas no meio-de-campo e fica à mercê de bolas alçadas na área ou de lançamentos para a corrida de Fernandinho e Dagoberto. Do jeito que o time do Morumbi está atuando, por mais que “dê um chocolate na partida” (como declarou Rogério Ceni após o jogo), se o São Paulo não tiver uma referência de criatividade na equipe vai ficar difícil acertar a receita de levar o clube de volta às grandes competições internacionais.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Os coadjuvantes que podem decidir




Vasco e São Paulo entraram na lista de clubes tradicionais do futebol nacional que fizeram um Campeonato Brasileiro abaixo do que sua história merece. Entretanto, as duas equipes vão se tornar importantes na reta final da competição, pois cruzarão o caminho de três times que estão na briga pelo título.

Os são-paulinos enfrentarão o Cruzeiro (no Parque do Sabiá), o Corínthians e o Fluminense (no Morumbi), times que também serão adversários do Vasco nas últimas rodadas. A equipe vascaína fará o clássico com o Fluminense no Engenhão e irá a Minas Gerais e a São Paulo para duelos com cruzeirenses e corintianos, respectivamente. Com este panorama, qual coadjuvante pode ser mais decisivo?

Num primeiro momento, o fato de jogar mais vezes como mandante promete fazer do São Paulo o responsável por tirar pontos do trio de cima da tabela. Em território paulistano, o tricolor paulista venceu nove dos 16 jogos na competição. Quem pode se beneficiar disto é o Cruzeiro, pois nas 16 partidas fora de seus domínios, os são-paulinos venceram apenas quatro partidas. Além disto, houve cinco empates e sete derrotas.

Enquanto isto, o Vasco apresenta uma campanha fraquíssima como visitante. Das 16 partidas fora do Rio, conseguiu sair vitorioso apenas em duas oportunidades. De resto, foram sete empates e sete derrotas. Neste contexto, quem pode se prejudicar é o Fluminense, que terá pela frente um clássico regional com os vascaínos.

O equilíbrio do Brasileirão torna ainda mais interessante a participação de clubes que, até o momento, não almejam mais nenhuma conquista relevante na competição. O desejo de uma participação honrosa no campeonato e a capacidade de ser superior no encontro com uma equipe que briga pelo título pode motivar um clube para a temporada seguinte. E, depois de tudo o que passaram em 2010, Vasco e São Paulo precisam demais desta motivação.

domingo, 3 de outubro de 2010

A ambiguidade de Carpegiani



A décima-primeira colocação, a 13 pontos do Cruzeiro (atualmente, último a se classificar para a Taça Libertadores da América, pois o G-4 passou a ser G-3 segundo a determinação da Conmembol), finalmente fez com que o São Paulo deixasse de lado a corda-bamba constante à qual submeteu Sérgio Baresi. Contratado para ser interino, ele não podia pensar em grandes mudanças e fazer um planejamento concreto para o Campeonato Brasileiro de pontos corridos, pois seu prazo de validade era inconstante.

Com o empate em 0 a 0 diante do Avaí, no Ressacada, a dirigência do tricolor paulista despertou para o fantasma de, pela primeira vez desde 2006, não estar na Taça Libertadores da América (a grande obsessão do Morumbi). Para o lugar de Sérgio Baresi, o São Paulo buscou Paulo César Carpegiani, que retorna ao comando da equipe 11 anos depois, credenciado pela grande campanha que fez como treinador do Atlético Paranaense neste 2010.

A equipe do Paraná, que começou a competição na zona de rebaixamento, teve uma arrancada sensacional, e hoje está na quinta colocação, a seis pontos do G-3. O que fez então Paulo César Carpegiani sair do São Paulo, onde teve uma passagem sem muito destaque, da qual restou apenas a polêmica de ter afastado o goleiro Roger, que havia posado nu para uma revista homossexual?

Confiança em seu próprio taco, de que vá fazer no time paulista a mesma campanha sensacional sob o comando do Atlético Paranaense? Ou falta de confiança de que o rubro-negro paranaense vá conseguir manter-se na luta pela vaga na Libertadores?

Paulo César Gusmão trocou o então vice-líder Ceará pelo Vasco, que estava em penúltimo no Campeonato Brasileiro. Hoje, o time vascaíno está seis pontos à frente do Vozão. O exemplo do xará pode ter influenciado, principalmente porque o São Paulo tem a hegemonia de chegar aos primeiros lugares na reta final do Brasileirão - daí o apelido de "Jason".

Carpegiani chega ao São Paulo com contrato previsto para acabar no final de 2011. Resta saber se o novo treinador são-paulino vai conseguir resultados suficientes para não repetir o tom de interino no qual padeceu Sérgio Baresi. Caso contrário, a saída do Atlético Paranaense vai soar como covardia, de um técnico que preferiu ficar na idolatria por uma boa fase no time rubro-negro, abandonando o barco antes que os resultados parassem de vir.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Pés atados



Análise de quarta: São Paulo 0 x 0 Vasco (22h, Morumbi)

Pouco mais de 10 mil pessoas tiveram disposição para assistir ao embate entre São Paulo e Vasco no Morumbi. De quente, apenas a noite paulistana, em momento atípico de veranico em pleno inverno. No gramado, sobrou apenas a frieza do mau panorama do confronto duas equipes que estão de pés atados diante de suas limitações. Os são-paulinos, em meio a uma crise na qual a torcida vê, depois de anos disputando títulos, um grupo de jogadores limitados e em má fase. Apesar da motivação da equipe estar em ascensão no Campeonato Brasileiro, os vascaínos a cada partida penam com a falta de um centroavante de ofício, capaz de transformar as jogadas em gol. Os zeros no placar soaram como justos para ambos os lados.

Poder de finalização é o que não falta ao São Paulo, pois tem o oportunista Ricardo Oliveira em seu ataque. Entretanto, os jogadores que restaram para a disputa do Brasileirão ainda não encontraram entrosamento suficiente para formar um time ao menos competitivo. O companheiro de ataque de Ricardo Oliveira, Fernandinho, continua com o mau hábito de prender a bola de maneira excessiva. No meio-de-campo, Casemiro tem certa qualidade na marcação mas, assim como Rodrigo Souto, padece de uma melhor troca de passes. Deslocar Richarlyson para ficar mais próximo do ataque soa como desespero, diante da timidez que ele vem apresentando ao tentar jogadas. A aposta no jovem Marcelinho é válida, ele tem potencial, só que não pode ser "queimado" com a responsabilidade de ser o único a pensar com habilidade do tricolor paulista. Em especial se os laterais Jean e Júnior César não aparecem de maneira incisiva.

O Vasco se desenha de maneira oposta à atual situação do time paulista. Há homens com boa qualidade para a troca de passes e o início de jogadas, como Felipe, Zé Roberto e Éder Luís. No entanto, quando os dois últimos são os atacantes da equipe, revela-se uma carência na finalização. Ambos têm velocidade e um bom poder de buscar jogadas rumo ao ataque. Só que passam longe da área adversária, e não representam tanto perigo para os zagueiros.

Neste contexto, aliado ao fato de o São Paulo ser o mandante da partida, desde o início só o tricolor paulista chegou perto do gol. A primeira chance, aos três minutos, quando Ricardo Oliveira chutou e Fernando Prass, diante do atacante são-paulino, fez ótima defesa. Ainda na primeira etapa, Oliveira teve outras duas oportunidades - uma defendida por Prass e outra rebatida pelo zagueiro Fernando. Uma bola no travessão em cobrança de falta de Jean completou o repertório de chutes a gol dos são-paulinos.

Os vascaínos armaram uma estratégia interessante de contra-ataque, e seu esquema estava previsto para oscilar entre o 3-5-2 quando era atacado e o 4-4-2 quando organizava jogadas ofensivas. Mas duas falhas afetaram o desempenho na frente. A insistência do técnico Paulo César Gusmão em escalar Felipe na lateral-esquerda não só deixou a saída de bola mais lenta como também a ausência de ritmo de jogo comprometeu seus bons passes. Outro problema foi gerado pelo desfalque de Carlos Alberto (cumprindo um jogo de suspensão, depois do STJD condená-lo a duas partidas sem atuar, devido à expulsão contra o Vitória da Bahia). A opção de escalar Allan para a posição rendeu em velocidade, mas o camisa 35 se revelou muito atabalhoado nas jogadas, tropeçando em seus erros e atrapalhando algumas boas oportunidades. Éder Luís e Zé Roberto apenas recebiam bolas lançadas sem qualquer direção - a maioria rechaçada pelos zagueiros. De qualquer forma, a boa atuação defensiva dos zagueiros Dedé e Fernando, do "zagueiro-volante" Nílton e dos volantes Rafael Carioca e Rômulo levaram para o intervalo o alívio de o time não ter tomado gols.

Os dois treinadores voltaram com substituições para o segundo tempo. No Vasco, Paulo César Gusmão tentou melhorar os passes, tirando Allan para colocar Fumagalli. No São Paulo, Sérgio Baresi trocou o volante Casemiro por Carlinhos Paraíba, na tentativa dele ser mais um homem com qualidade de passe no meio-de-campo. Contundido, Ricardo Oliveira deu lugar a Fernandão. O time perderia qualidade na finalização, mas ganharia uma ótima opção para jogadas aéreas.

A tentativa aérea apareceu antes do primeiro minuto. Júnior César cruzou, Fernandão e o zagueiro vascaíno Fernando foram para a bola, e o atacante do São Paulo caiu na área, pedindo pênalti. O árbitro Carlos Eugênio Simon não marcou. O São Paulo seguiu chutando de qualquer lugar da intermediária vascaína, mas nenhuma delas tinha perigo suficiente para acionar Fernando Prass.

Rogério Ceni se limitava a repor a bola em tiros de meta ou a receber recuos da zaga são-paulina, que via uma atuação segura da dupla Xandão e Miranda. Afinal, a única chance frontal ao seu gol foi desperdiçada pela falta de domínio de Fumagalli, que não aproveitou o bom passe de Fagner.

Sérgio Baresi fez sua última alteração, depois de mais uma tentativa de ataque de Fernandinho se perder por sua insistência em prender a bola. O camisa 12 saiu para a entrada de Dagoberto, jogador cuja escalação foi praticamente imposta pelos chefes de torcidas organizadas, que entraram no Centro de Treinamento do clube durante a semana para tirar satisfações com atletas e o treinador. Ele tentou algumas tabelas com Marcelinho e Fernandão, mas não conseguiu acrescentar muito ao time.

Paulo César Gusmão quis dar velocidade à equipe, trocando Zé Roberto por Jonathan. Mas o lateral-direita Fagner continuava preso à marcação (e tinha bons momentos diante do ataque adversário), enquanto Nílton se atrapalhava toda vez que arriscava uma jogada ofensiva e Fumagalli não acertava um passe sequer. Sobrava ficar à espera de disputar uma bola rechaçada. Nos minutos finais, Felipe, cansado, pediu para sair. Em seu lugar, entrou Irrazábal, que compôs de maneira convincente a lateral-esquerda e até arriscou algumas tentativas ofensivas, mas não de maneira suficiente para conseguir mudar o panorama vascaíno.

O empate em 0 a 0 foi visto com certo alívio pelos vascaínos. O Vasco ganhou um ponto fora de casa, diante do tradicional rival São Paulo, após uma partida na qual foi dominado durante os 90 minutos. Mas estes não são argumentos suficientes para deixar de lado os problemas que a equipe ainda apresenta. A má forma de Felipe continua a interferir no bom andamento das jogadas ofensivas, com erros constantes de passes e falta de fôlego tanto para ser ala quanto para ajudar os demais companheiros. Por mais que Zé Roberto e Éder Luís sigam incansáveis, a falta de um jogador com a função de colocar a bola na rede torna inútil toda qualidade que a equipe vascaína agora tem na sua parte ofensiva - que tire do zero ao menos o número de finalizações num jogo. Além disto, a dependência da presença de Carlos Alberto permanece no time do Vasco, mesmo com tantas contratações.

Mas, sem dúvida, o placar de 0 a 0 chegou com a força de uma derrota para o São Paulo. Nem tanto pelo adversário que encontrou em campo, e sim pelas chances perdidas durante a partida (a maior delas com Fernandão, a quatro minutos do fim, defendida com reflexo por Fernando Prass). A iminência de se aproximar da zona de rebaixamento vem de maneira intensa. Com um elenco cada vez mais retaliado - e, o que é pior, pela saída em massa de jogadores que não corresponderam - o tricolor paulista está às vésperas do fim do primeiro turno do Campeonato Brasileiro sem padrão de jogo e até mesmo sem um treinador (Sérgio Baresi foi contratado para ser interino). Ao final da partida, o clube ainda amargou ouvir a torcida dar gritos de "ão, ão, ão, Segunda Divisão". Bem, pelo menos por enquanto, a certeza da Série B ainda está restrita aos gritos da arquibancada.

SÃO PAULO 0 x 0 VASCO

Estádio: Morumbi

Renda e Público: R$ 226.723,59 / 10.802 pagantes

Árbitro: Carlos Eugênio Simon (FIFA-RS) / Auxiliares: Paulo Ricardo Silva Conceição (RS) e Julio Cesar Rodrigues Santos (RS).

Cartão amarelo: Rômulo e Dedé (Vasco).

SÃO PAULO - Rogério Ceni; Jean, Xandão, Miranda e Junior Cesar; Casemiro (Carlinhos Paraíba), Rodrigo Souto, Richarlyson e Marcelinho; Fernandinho (Dagoberto) e Ricardo Oliveira (Fernandão). Técnico: Sérgio Baresi.

VASCO - Fernando Prass, Dedé, Fernando e Nílton; Fagner, Rafael Carioca, Rômulo, Allan (Fumagalli) e Felipe (Irrazábal); Zé Roberto (Jonathan) e Éder Luís. Técnico: Paulo César Gusmão.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A era do desencanto?



Campeão da Taça Libertadores da América, vencedor do Mundial de Clubes e tricampeão consecutivo do Campeonato Brasileiro (feito raro, e que tornou o clube o primeiro a ganhar por seis vezes a competição). Certamente, o torcedor são-paulino não poderia imaginar que, após tantos títulos no início de milênio, a segunda década dos anos 2000 começaria da maneira tão delicada quanto o atual panorama do São Paulo.

Não bastasse o clima de fim, de festa com a eliminação da Taça Libertadores da América, agora o time passa por um longo período de insucesso no Campeonato Brasileiro. Os resultados não vêm, e o São Paulo (mesmo com sua equipe titular) amarga a décima-quinta colocação, a dois pontos da zona de rebaixamento. Para completar, seu camisa 10, Hernanes, se transferiu para o futebol italiano.

Com uma estrutura infinitamente superior à dos demais clubes brasileiros e uma boa quantia para armar uma equipe de nível internacional, o São Paulo dá a impressão de nunca ter se preparado para momentos de adversidade. Até mesmo em seu momento de crise, o clube do Morumbi tende a disfarçá-la com uma suposta "organização". Após a demissão de Ricardo Gomes (uma aposta mal-sucedida que demorou muito tempo para sair do cargo), os dirigentes chegaram ao ponto de contratar um treinador apenas para ser interino - Sérgio Baresi.

Recentemente, o centro de treinamento foi aberto para os torcedores exigirem um desempenho melhor dos jogadores que vestem a camisa do tricolor paulista. Um protesto concedido pela diretoria são-paulina, que agora sofre com a debandada de atletas outrora superestimados que fizeram parte de seu elenco. Afinal, até mesmo clubes bem estruturados têm seus lampejos de amadorismo.

O amadorismo que caiu sobre o São Paulo em 2010 foi em relação ao planejamento de seu elenco. Jogadores limitados, como Rodrigo Souto, Cléber Santana, Jorge Wagner e Dagoberto, tiveram até alguns momentos bem-sucedidos, mas logo foram muito valorizados. Um investimento maior em jogadores do nível do zagueiro Alex Silva e do atacante Ricardo Oliveira talvez não fizesse o clube ter hoje o oscilante Fernandão como um de seus referenciais de bom futebol.

A soberania são-paulina cedeu espaço a um desencanto, diante de apostas que se revelaram equivocadas. E o erro ganha uma dimensão maior, porque sua diretoria não sabe lidar com o inesperado. Nem mesmo a possibilidade de um resultado positivo contra o Vasco amanhã pode amenizar este dissabor que corre no gramado do Morumbi. Resta saber se a ótima tendência a organizar demais agora vai se transformar num circulo vicioso que ata os pés dos jogadores que vestem a camisa do São Paulo.

sábado, 7 de agosto de 2010

Mania de grandeza



Técnico de futebol é a profissão mais instável no Brasil. Entretanto, o período de Ricardo Gomes no comando do São Paulo sacramentou a longevidade da corda bamba. Desde a primeira partida, o treinador parecia com os dias contados no cargo, tanto por seu talento ser considerado aquém da dimensão de sua responsabilidade quanto pela condicional na qual ele foi submetido - só ficaria se levasse a equipe novamente à Libertadores.

Maior vencedor da história do Campeonato Brasileiro (e tricampeão consecutivo da competição na década de 2000), o São Paulo passou a ter uma obsessão por conseguir a hegemonia também na Taça Libertadores da América. Só que, depois do título de 2005, nenhum dos campeões nacionais do tricolor paulista conseguiu ganhar a dimensão sul-americana. O insucesso no exterior custou, por exemplo, o fim da vitoriosa passagem de Muricy Ramalho no Morumbi em meados do ano passado.

Em seu lugar, a diretoria são-paulina contratou Ricardo Gomes, uma aposta, por sua ausência de conquistas no futebol nacional. Em cerca de um ano, o treinador colecionou a perda do Campeonato Brasileiro de 2009 e a eliminação do Campeonato Paulista de 2010. Mas tudo foi perdoado, em função de um prêmio de consolação: com o terceiro lugar no Brasileirão, a equipe estava credenciada para disputar a Taça Libertadores da América.

A diretoria do São Paulo contornou a impaciência da torcida, que via a cada partida seu time não definir um padrão de jogo (ao ponto do técnico mudá-lo com a bola rolando), e bancou Ricardo Gomes porque, mesmo no limite, a equipe ia passando de fase no torneio mais importante do ano. Veio a derrota para o Inter, com resultados que até foram plausíveis para um confronto tão equilibrado como Internacional e São Paulo. Mas a forma como eles aconteceram foi inadmissível para a tradição são-paulina.

Após a covardia do tricolor no jogo do Beira-Rio, o time não demonstrou tranquilidade para compensar a derrota no Sul durante os 90 minutos do Morumbi. Assim como não conseguira compensar seus erros durante todo o período de Ricardo Gomes à frente do São Paulo. Nem toda a corda bamba na qual ele ficou tinha sido digna de justificar a conquista da América do Sul.

Talvez seja a hora do presidente Juvenal Juvêncio voltar a olhar para todos os lados na hora de escolher um treinador para o São Paulo. Passada a aposta mal-sucedida em Ricardo Gomes, o dirigente são-paulino deve ter percebido que há outros campeonatos a serem disputados por seu clube. O tricolor paulista, que em seu hino diz ser forte, grande, precisa amenizar sua mania de grandeza para reencontrar sua grandiosidade no gramado.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Ataque à empáfia



Análise de jogo: São Paulo 2 x 1 Internacional (21h50, Morumbi)

A filosofia de que restringir sua vontade de atacar à partida na qual a equipe atua como mandante num torneio "mata-mata" caiu por terra na noite do Morumbi. Após os 90 minutos extremamente defensivos do jogo do Beira-Rio (no qual saiu derrotado "apenas por 1 a 0"), o São Paulo venceu o jogo da capital paulista, mas foi eliminado da Taça Libertadores da América pelo Internacional, um time que simplesmente decidiu jogar seu futebol nos dois duelos.

Tanto que os primeiros minutos trouxeram a contradição típica de um jogo decisivo. Com esquema bastante ofensivo, ao ponto de Fernandão atuar recuado no meio-de-campo para servir o ataque formado por Dagoberto e Ricardo Oliveira, o time são-paulino cercou a área colorada com trocas de passes e cruzamentos, mas nenhum chegava a assustar o goleiro Renan no início da partida. Em vez de manter sua equipe na defesa, Celso Roth tinha apostado na qualidade de passe de D' Alessandro e Tinga para que os gaúchos criassem jogadas de perigo. As primeiras conclusões em direção ao gol vieram dos atacantes colorados - Alecsandro, aos 14, e Taison, aos 21, ambos defendidos por Rogério Ceni.

Enquanto o goleiro são-paulino transmitia toda sua segurança, do gol do Internacional vinha a expectativa para que a mancha da atuação do tricolor paulista em Porto Alegre tivesse sido apenas uma história sem importância na competição. Hernanes cobrou uma falta com um lançamento para a área. Renan tentou encaixar a bola, mas ela quicou em suas mãos e foi para trás, em direção à rede. Em dividida com um jogador adversário, o zagueiro Alex Silva empurrou para o gol. 1 a 0 São Paulo, aos 30. E, com o resultado do primeiro tempo, a decisão iria para as penalidades máximas.

A segunda etapa começou com uma promessa ainda maior de emoção. E, aos seis minutos, começou a fazer diferença o fato de um visitante alternar entre a defesa e o ataque, mesmo não atuando em casa. Numa das tentativas do time gaúcho, o árbitro Carlos Amarilla marcou falta sobre Taison. D' Alessandro cobrou, a bola desviou na zaga são-paulina e sobrou para Alecsandro, que chutou fora do alcance de Rogério Ceni. 1 a 1, aos seis minutos.

A falha de Renan, àquela altura, parecia perdoada. Só que o São Paulo não perdoou um erro grosseiro da defesa do Internacional. Jean cruzou, o goleiro colorado rebateu a bola com um soco e, na intermediária, uma dividida entre Cléber Santana e Alecsandro espirrou nos pés de Ricardo Oliveira. O jogador, livre e sem impedimento dentro da área, chutou na saída de Renan. 2 a 1 São Paulo, dois minutos depois.

Mas nem mesmo o fato de voltar a ficar a um gol da desclassificação tirou o ímpeto de ataque do Internacional. Até mesmo Sandro, que se desdobrava e era a figura de destaque do setor defensivo, arriscou-se na frente. O volante cruzou da direita, na medida para Tinga marcar. Só que Jean salvou em cima da linha a possibilidade de um novo empate.

À medida que o tempo passava, o jogo se desenhava ainda mais típico de uma boa partida, na qual as duas equipes queriam o gol. Movido à ansiedade e aos gritos da maioria dos 57 mil torcedores que estavam no Morumbi, o São Paulo partia, liderado pela habilidade de Hernanes, que dava passes primorosos e arriscava bons chutes. Mas o camisa 10 não conseguia resolver as coisas sozinho, e Ricardo Gomes decidiu alterar sua equipe. Com Fernandão atuando cada vez mais como terceiro atacante, a solução foi deixar o meio-de-campo mais ofensivo. Cléber Santana foi substituído por Marlos, que deu mais velocidade nas jogadas e chegou arriscar de fora da área, para boa defesa de Renan.

A postura agressiva ficou ainda maior depois de dois momentos irresponsáveis do meia Tinga. Primeiro, ao ficar na grande área e impedir que Rogério Ceni colocasse a bola em jogo novamente - o que rendeu um cartão amarelo. E, minutos depois, ao dar um carrinho em Júnior César e levar seu segundo cartão amarelo na noite. O Inter passaria os últimos minutos com um a menos.

Ricardo Gomes colocou sangue novo na frente tricolor, trocando o desgastado Dagoberto por Fernandinho, e o meia Cléber Santana por Marcelinho Paraíba. Celso Roth manteve sua rotina de substituir D' Alessandro por Giuliano, e o Internacional prosseguiu com boas opções de contra-ataque rápido. Somente no fim o técnico optou por fechar seu time na defesa, sacando o atacante Taison para promover a entrada do volante Wilson Mathias.

Os são-paulinos desperdiçaram sucessivas oportunidades, como as de Marlos e Fernandão, até que tiveram sua última chance num cruzamento de Jean. Na sobra, Fernandão conseguiu ganhar um escanteio. Entretanto, a tentativa de malandragem de Rogério Ceni (que partiu em direção à área adversária para ter mais uma chance de gol) prejudicou o São Paulo. O goleiro tentou atrapalhar seu colega Renan a se mexer na hora da cobrança, e, depois dele dar um empurrão, o árbitro Carlos Amarilla marcou falta.

Na empáfia de seu camisa 1, o São Paulo teve seu momento derradeiro na Taça Libertadores da América de 2010. A soberba de um clube que insinuava ter o melhor elenco do país foi diluída pela maneira errônea como encarou a semifinal da competição. A bola costuma punir equipes que se apequenam em torno de sua própria área de maneira severa. E a consequência veio na partida do Morumbi, quando o setor defensivo novamente deixou passar um gol do Internacional.

O time colorado parece viver em estado de graça. Não bastasse o fato da primeira derrota sob o comando de Celso Roth ter o sabor de vitória, o Inter está classificado tanto para a final da competição sul-americana quanto para a disputa do Mundial de Clubes. Como é representante do México, país convidado, seu adversário Chivas Guadalajara não pode competir no torneio de dezembro (os mexicanos já têm seu representante no Mundial, o vencedor da Concacaf, que em 2010 será o Pachuca). Será que o mundo do futebol voltará a ser pintado em vermelho e branco no final do ano?

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Ao ataque, Colorado!




Análise de quarta: Internacional 1 x 0 São Paulo (21h50, Beira-Rio)

O primeiro confronto do duelo brasileiro na semifinal da Taça Libertadores da América ficou marcado por seu tom maniqueísta. Os 90 minutos trouxeram um Internacional com toque de bola rápido e constantes oportunidades de gol medindo forças com um São Paulo que priorizou o setor defensivo e optou pela frieza dos contra-ataques. A vitória foi do time que se comportou como um gigante no gramado, diante de um adversário que mais uma vez se apequenou ao ponto de não esboçar qualquer vontade de vencer.

Cerca de um ano depois de assumir o comando do São Paulo, o técnico Ricardo Gomes continua incapaz de transformar a equipe paulista num time. Sua única estratégia é aproveitar os bons defensores que tem e recorrer a um lampejo de Hernanes e Marlos para que Dagoberto e Fernandão possam chegar diante do gol. No entanto, diante de um meio-de-campo colorado, que tem volantes de qualidade como Guiñazu e Sandro, as oportunidades de sair para o contra-ataque ficaram escassas.

O trio de zaga são-paulino se desdobrava para evitar que o Internacional aparecesse com perigo na área, em jogadas iniciadas por D' Alessandro e Taison. A troca de passes sempre surgia com perigo, num colorado atípico dos esquemas de Celso Roth. O jogo amarrado tradicional do treinador deu espaço a um time leve, no qual também se destacavam as boas subidas dos laterais Nei e Kléber. Entretanto, as oportunidades diante do gol também não foram muitas nos primeiros 45 minutos.

Sem contar com o atacante Walter (que teve seu passe negociado com o Porto, de Portugal), o Inter sentiu a ausência de um centroavante, um matador capaz de aparecer de maneira mais incisiva na área do que a maneira como Alecsandro apareceu no jogo da semifinal. O bom momento do atacante ficou restrito a uma tentativa aos 25 minutos, quando, numa sobra de uma dividida na cobrança de escanteio, ele chutou sem ângulo, para boa defesa de Rogério Ceni. E era muito pouco deixar a responsabilidade apenas aos pés de um Taison que faz o papel de buscar jogadas fora da área. Mesmo com o amplo domínio na primeira etapa, os colorados também não pareciam dignos de abrir o marcador no Beira-Rio.

O segundo tempo prosseguiu com o panorama dos 45 minutos iniciais. O Internacional insistindo nas tentativas a gol, e o São Paulo dando a sensação de que somente Rogério Ceni tinha entrado em campo. Afinal, apenas seu camisa 1 era capaz de impedir que o marcador mudasse. A um minuto, o goleiro evitou que os holofotes caíssem sobre um Andrezinho que passara o primeiro tempo completamente apagado. Também foram as defesas de Ceni que não levaram para o fundo da rede tentativas do lateral-esquerda Kléber, do volante Sandro e do atacante Taison.

Mas o tempo corria, e a obrigação de vencer em seu próprio estádio se aproximava a cada minuto. Aos 19, Celso Roth fez sua primeira mudança, trocando Andrezinho pelo meia Giuliano. Três minutos depois, o menino que fizera o gol da classificação às semifinais da Libertadores (a dois minutos do fim, no jogo em que a derrota por 2 a 1 para o Estudiantes na Argentina, em jogo das quartas-de-final, teve sabor de vitória) foi novamente decisivo no torneio. Na sobra de uma jogada iniciada por Alecsandro, o camisa 11 girou diante dos zagueiros e chutou rasteiro. Rogério Ceni, estático, só acompanhou com os olhos a trajetória da bola, que tocou na trave esquerda antes de parar no fundo da rede. 1 a 0 Internacional.

Com a metade do segundo tempo ainda por resolver, a expectativa são-paulina seria partir para o ataque - o gol marcado no estádio do adversário também é critério de desempate na Taça Libertadores da América. Mas o São Paulo seguiu em sua apatia, apenas assistindo passivamente às novas tentativas coloradas.

Ricardo Gomes usou o que tinha escalado para o banco de reservas, mas não havia tanto a acrescentar. Colocado em campo no lugar de Richarlyson, Cléber Santana mostrou, no lance em que tropeçou sozinho na bola, o motivo pelo qual a diretoria tricolor quer negociá-lo há tanto tempo. Para o lugar de um Dagoberto inoperante, veio o recém-contratado Ricardo Oliveira, jogador que ficou durante meses sem atuar, e ainda sente falta de ritmo de jogo. A tentativa de Gomes reforçar o ataque prosseguiu com a substituição de Marlos por Fernandinho. Com um pouco mais de ofensividade, o São Paulo chegou, e obrigou Renan a fazer sua única defesa. Aos 45 minutos do segundo tempo. Uma ironia, se pensar que os são-paulinos dispensaram Washington, artilheiro da equipe na Taça Libertadores da América, para acertar seu retorno ao Fluminense.

No duelo maniqueísta do Brasil na Libertadores, o final foi feliz para o torcedor que gosta de um futebol que prioriza o ataque. Alguns jornalistas certamente vão louvar a defesa são-paulina, pois, mesmo com o time fazendo uma partida tão aquém do esperado da tradição tricolor, a vantagem colorada ficou em apenas um gol (ainda mais que o destaque de Taison, contundido e substituído por Rafael Sóbis no fim, pode minar o poder ofensivo do Inter). Mas, quem sabe, o placar de 1 a 0 possa ser uma sábia decisão do futebol. Com um resultado tão apertado, o Internacional não terá como ficar meramente retrancado na partida de volta do Morumbi. E a decisão da vaga para a final da Taça Libertadores da América terá mais cheiro de gols.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

São Paulo na marca do pênalti



Uma classificação conquistada numa disputa de pênaltis geralmente revela o bom aspecto psicológico de um time de futebol. No entanto, é incrível a falta de sangue no time do São Paulo, que foi incapaz de fazer um gol no fraquíssimo Universitario, do Peru, durante a partida do Morumbi.

Até o ano passado, podia-se argumentar que ainda era a transição entre o time que foi campeão brasileiro por três anos consecutivos e os cacos de um desgaste natural pela mesmice do esquema do treinador anterior, Muricy Ramalho. No entanto, após uma pré-temporada, uma eliminação no Campeonato Paulista e a primeira fase da Libertadores, o tricolor paulista é uma equipe em total desencontro no gramado.

Não se vê um mínimo de organização no São Paulo. E, aos poucos, se vê também alguns erros de planejamento da diretoria. Por que inchar o elenco de jogadores do meio-de-campo para a frente, e na lateral-direita deixar como única opção decente o veterano Cicinho?

A reclamação pública de Washington, insatisfeito com a reserva são-paulina, demonstra que as irritações também chegaram aos jogadores. E Ricardo Gomes mantém um esquema previsível, burocrático, que deixa atados os talentos individuais de seus jogadores. Até mesmo o atacante Fernandinho, destaque em suas primeiras partidas com a camisa são-paulina, parece ter sucumbido a este "padrão".

Na partida de ontem, o São Paulo teve daquelas sortes do futebol. Sorte, por Rogério Ceni, após ter desperdiçado sua cobrança (a primeira na série de penalidades máximas), chamar a responsabilidade para si e defender duas cobranças. Sorte, porque seu camisa 1 parece ter imunidade da arbitragem para se adiantar o quanto quiser na hora em que o rival bate seu pênalti. Sorte, também porque a torcida ensaiou uma vaia mas logo percebeu que o time ansiava pelo grito de apoio. Sorte, por seus batedores (Hernanes, Marcelinho Paraíba e Dagoberto) fazerem suas cobranças com precisão.

Mas nem todas as sortes podem apagar a certeza de que o São Paulo caminha a passos tortos neste ano de 2010. O mau comando de Ricardo Gomes deixou, há muito tempo, o tricolor paulista na marca do pênalti.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Bolas de neve



O passado condena. Mesmo com o Brasil tendo seu campeonato nacional há quase uma década sem alterações mirabolantes, mesmo com o torneio não sendo paralisado a torto e a direito por liminares ou tendo seus resultados alterados no tapetão, dos escombros da Confederação Brasileira de Futebol ainda vem uma pendenga judicial.

No ano de 1987, a CBF não pôde organizar o Campeonato Brasileiro. O Clube dos 13, formado pelos 13 clubes de maior expressão do país, decidiu organizar a competição nacional. Denominada Copa União, ela reunia 16 clubes em cada módulo, que era correspondente a uma "divisão", no "futebolês" dos dias de hoje.

Ocorreu a competição, e a final, disputada entre Flamengo e Internacional, teve vitória rubro-negra. Entretanto, a CBF em meados de 1987 determinou que houvesse um quadrangular entre os dois primeiros do Módulo Verde e o campeão e o vice do Módulo Amarelo - Sport Recife e Guarani. Flamenguistas e colorados se recusaram a disputar esta fase, que ocorreria em janeiro de 1988, e a Confederação Brasileira de Futebol decidiu que a final do Campeonato Brasileiro seria entre Sport e Guarani. Os pernambucanos foram os vencedores.

O Flamengo ganhou mais um título brasileiro em 1992, e pleiteou que a "Taça das Bolinhas" fosse para sua sala de troféus. Ela ia para o clube que ganhasse por cinco vezes o Campeonato Brasileiro. Por não reconhecê-lo como campeão brasileiro no ano de 1987, a CBF se recusou a entregar a taça em definitivo.

No ano de 2007, o São Paulo ganhou seu quinto título brasileiro, e passou a pleitear a "Taça das Bolinhas". Por três anos ficou o impasse. Mas hoje foi batido o martelo: a CBF não reconhece o Flamengo como pentacampeão em 1992, e o troféu histórico vai para o Morumbi.

Provavelmente, este não é o capítulo final da história envolvendo CBF, Flamengo e São Paulo. Trata-se só de mais uma das muitas bolas de neve deste espetáculo de horrores que já ultrapassou duas décadas no futebol nacional.

O caso da Copa União mostra uma sucessão de erros, que tiveram início nas tortuosas boas intenções do Clube dos 13. De fato, a politicagem da CBF nos anos anteriores da competição tornou o Campeonato Brasileiro insuportavelmente longo e deficitário - a ponto de chegar a 94 clubes no ano de 1979. A redução de clubes era urgente, mas não da maneira como foi.

Os 13 clubes se incluíram na divisão principal e acabaram colocando como critério para a escolha dos outros três clubes a maior popularidade em seus respectivos estados. Assim, Santa Cruz, Coritiba e Goiás também fizeram parte do Módulo Verde.

A Copa União começou errado, pois simplesmente tirou de destaque alguns times que ficaram entre os 10 primeiros lugares no Campeonato Brasileiro de 1986. O Criciúma, nono, o América (do Rio de Janeiro), em quarto, e - pasmem! - o Guarani, que foi vice-campeão brasileiro de 1986. Eles foram relegados ao Módulo Amarelo, ao segundo escalão do futebol nacional.

É bem verdade que a politicagem do Clube dos 13 não justifica a artimanha da CBF em querer se meter numa competição depois de ter lavado as mãos para a organização do Campeonato Brasileiro de 1987. Também era mais justo que os times do Módulo Amarelo tivessem mais dificuldades no final do campeonato, do mesmo jeito que Flamengo e Internacional tiveram no Módulo Verde.

Mas daí a apagar o ano anterior para benefícios próprios, soou muito estranho para o Clube dos 13. Afinal, se o critério fosse colocar os 16 melhores clubes do ano de 1986, grandes como Internacional, Santos e Botafogo ficariam de fora por suas colocações ao final do campeonato daquele ano. E clubes de menor expressão, caso de América, Criciúma, Internacional de Limeira e Joinville, fariam parte da elite do futebol brasileiro.

Curiosamente, desde que foi relegado aos baixos escalões do futebol nacional, o América viveu uma queda livre em seu desempenho no campo, e no ano passado chegou a disputar a Segunda Divisão do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro. Talvez o time carioca tenha sido o mais derrotado nesta rixa entre Clube dos 13 e CBF.

Em relação ao título, não seria mais fácil que o Flamengo e o Internacional honrassem o favoritismo que os levou à final do Módulo Verde e respondessem no campo à questão que eles consideravam absurda? Em vez disto, os rubro-negros preferiram ficar com o rótulo do único time que é campeão brasileiro mesmo tendo feito um W.O. na final - e com o apoio da Rede Globo, principal acionista da Copa União.

O episódio desencadeado pela Copa União nada mais é do que um duelo entre uma confederação com ares imperiais e uma oligarquia deastrosa. Para o bem do futebol brasileiro, talvez fosse melhor que riscassem da história o ano de 1987. Para que não venham novas bolas de neve em torno da famigerada "Taça das Bolinhas".

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Fora de foco



As primeiras notícias do São Paulo em 2010 não vêm sendo das mais agradáveis para seus torcedores. Não bastava a equipe demorar a se entrosar em campo, o time ainda não sabe como agir nas competições que está disputando.

Cerca de um mês antes de entrar em campo na Taça Libertadores da América, os titulares são-paulinos já vinham sendo "resguardados" pelo técnico Ricardo Gomes nos jogos do Campeonato Paulista. O resultado no Paulistão é uma campanha aos trancos e barrancos, que deixa o time em quinto lugar, a oito pontos do líder Santos.

A notícia de hoje da página eletrônica GloboEsporte.com soa ainda mais contraditória aos olhos da torcida do São Paulo: o time enfrenta o Monte Azul na tentativa de entrar no "G-4" que vai para as semifinais do Campeonato Paulista. No entanto, serão poupados os meias Jorge Wagner e Marcelinho Paraíba e o atacante Washington.

Se a intenção é ficar entre os quatro primeiros, por que abrir mão de atletas importantes para o time? Ainda mais se o São Paulo, além da vitória, precisa torcer por um tropeço do Corínthians no confronto com o Santos na Vila Belmiro. Caso o argumento seja a prioridade dada à Libertadores, a situação fica ainda mais complicada: os são-paulinos só voltam a campo no dia 11 de março, diante do Nacional do Paraguai.

Ainda se recuperando de um Acidente Vascular Cerebral (embora faça a preleção de antes da partida, ele não comandará o time no banco de reservas), o técnico Ricardo Gomes tem muito o que adequar nesta temporada do São Paulo. Depois da frustração da perda do Campeonato Brasileiro de 2009, a torcida quer ao menos saber onde o time vai colocar seu foco neste 2010.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Incógnita de nível internacional



O fato de começar mais uma Taça Libertadores da América não foi mesmo um argumento suficiente. O São Paulo segue com seu futebol hesitante, como um time que joga para o gasto e traz um final imprevisível para torcedores acostumados com glórias.

A vitória por 2 a 0 sobre a equipe mista do mexicano Monterrey parece ter dado um gosto de "não fez mais do que a obrigação" aos que estiveram presentes no Morumbi. Embora Ricardo Gomes disponha de um elenco de qualidade, desde o Brasileiro de 2009 os jogadores parecem não encontrar a menor sintonia. E, para completar, a instabilidade de nomes como Hernanes, Jorge Wagner e Washington agora vem acompanhada de outros "mistérios" do atual futebol brasileiro - caso do meia Léo Lima, que tem em seu currículo a ampla e irrestrita instabilidade emocional e futebolística.

Jogar a responsabilidade das vitórias para Marcelinho Paraíba não parece uma boa saída para os são-paulinos. Por mais que ele tenha se revelado uma ótima opção da equipe nestes primeiros jogos, não dá para esperar uma sequência de jogos capaz de torná-lo um líder de um time.

Talvez por isto a diretoria esteja jogando tantos holofotes sobre a contratação de Cicinho. A expectativa de repetir a boa temporada de outrora (tanto como jogador quanto do São Paulo no qual ele esteve inserido) é tão latente que o lateral mal voltou ao Brasil e atuou por alguns minutos na estreia da Taça Libertadores da América.

A certeza da estrutura e do profissionalismo do São Paulo dá lugar à insegurança de ter um bom time para sua torcida. Se o "Jason" (apelido que o time paulista recebeu por demorar a ir bem nas competições, mas, quando chegar, vir com sede de título e de destruição dos seus adversários) está se guardando para a grandes conquistas, a piada atual da equipe dirigida por Ricardo Gomes parece de muito mau gosto.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Os desafios do Jason da camisa 1



O apelido de "Jason" que a torcida do São Paulo deu ao tricolor do Morumbi pode, a partir de hoje, se estender ao seu camisa 1. Após quatro meses parado em virtude de uma grave contusão, Rogério Ceni voltará hoje ao gol são-paulino, na partida contra o Fluminense.

Alguns torcedores podem considerar que este retorno veio numa partida bem oportuna. Afinal, o tricolor das Laranjeiras é o penúltimo colocado no Campeonato Brasileiro e seu poder de fogo está bem combalido - a dupla de ataque considerada "ideal" (Leandro Amaral e Fred) está de fora, em virtude de ambos os atacantes estarem contundidos. Além de o nível do ataque adversário estar num patamar inferior para crítica e público, a presença de Rogério Ceni poderia intimidar Roni e Kieza quando eles estivessem cara a cara com o goleiro.

Só que o retorno meramente para conseguir ritmo de jogo pode não ser o esperado pelo time ou pelo treinador Ricardo Gomes. Com um Fluminense armado por Renato Gaúcho para ficar o tempo todo recuado e atuando nos contra-ataques, há probabilidade de Ceni se ver sozinho diante dos jogadores do tricolor carioca - que, temerosos com a porta do rebaixamento cada vez mais próxima, não hesitarão em arriscar o chute. E o camisa 1 são-paulino, estará em plena forma física?

O Jason chamado São Paulo mostrou em sua arrancada nas últimas rodadas que pode ressuscitar o temor dos adversários. Mas talvez tenha sido muito precipitado escalar Rogério Ceni. Se bem que as atuações do goleiro Dênis também estavam dignas de filme de terror.

*****

BOLA PRO MATO

Com a dúvida entre a transferência ou não para o futebol dos Emirados Árabes, o Flamengo acabou tendo uma vitória com um sabor amargo. Por mais que Emerson continue na equipe, sua irritação com a falta de concretização do negócio pode afetar as próximas atuações em campo.

sábado, 20 de junho de 2009

Separação litigiosa



A relação mais duradoura entre um técnico e um clube no futebol atual do Brasil chegou ao fim ontem. Muricy Ramalho não sobreviveu ao desgaste de três anos e meio à frente do São Paulo e, com a eliminação da Taça Libertadores da América para o Cruzeiro anteontem, entregou o cargo. Nem mesmo a trajetória vitoriosa do tricolor paulista - campeão das últimas três edições do Campeonato Brasileiro - foi levada em conta na decisão de ambas as partes.

De fato, o São Paulo teve uma queda vertiginosa em seu futebol este ano. Do time que enchia os olhos de qualquer torcedor na conquista do ano passado, restou apenas o nome dos bons jogadores de outrora. E no gramado, nome não ganha jogo.

O comentarista Carlos Eduardo Eboli, da Rádio CBN, afirmou que o esquema de jogo do São Paulo também ficou desgastado, tanto pela manutenção dele por três temporadas quanto pelo tricolor paulista ser um dos times mais "estudados" por seus adversários. A equipe de Muricy Ramalho chegou ao posto de favorito e de "time a ser batido" (coisa rara num campeonato tão equilibrado quanto o Brasileiro), e, no caso do São Paulo, no "time que está ganhando" tinha de se mexer um pouco mais, para não ficar tão previsível.

É uma pena ver Muricy Ramalho, que deu três títulos brasileiros consecutivos ao São Paulo (conquista que não passava pelo Morumbi desde 1991), sair pela porta dos fundos, demitido após uma eliminação na qual seu time se acovardou diante do Cruzeiro. Os são-paulinos esperam que a relação com o novo treinador - Ricardo Gomes, anunciado hoje pela diretoria - seja tão duradoura e cheia de conquistas quanto foi a de Muricy. Caso contrário, o litígio pode acontecer mais cedo que o previsto.

*****

BOLA PRO MATO

O Vasco mais uma vez empatou em 0 a 0 em uma partida da Série B do Campeonato Brasileiro. Com um meio-de-campo nulo durante boa parte do primeiro tempo, o time não conseguiu se livrar da boa marcação da equipe do Duque de Caxias, e saiu de São Januário sem a vitória. Diante da apatia dos jogadores e de duas chances de gol desperdiçadas pelo preciosismo de Élton, a torcida vascaína hostilizou seus jogadores (principalmente o camisa 9) de uma forma que não acontecia há muito tempo. O sentimento parou?

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Goleiro na iminência da ingratidão



Muitos cronistas esportivos costumam definir a posição do goleiro como ingrata, ressaltando que perto de sua área "não nasce grama". De fato, o primeiro nome da escalação de um clube é o único que jamais aparece num meio termo (nas notas dadas às atuações do dia seguinte a um jogo não é dito que o goleiro teve "atuação discreta" ou "não comprometeu"). Os goleiros aparecem em um dos dois lados da memória do torcedor: no momento suas defesas milagrosas, que garantem vitórias e glórias do clube que defende, ou nas suas falhas clamorosas, que destroem uma tentativa de vantagem da equipe numa partida. E às vezes esta ida dos céus da salvação de um placar até o inferno dos deslizes que os fazem buscar a bola do fundo das redes pode acontecer numa fração de segundos.

O mais novo protagonista desta trajetória vem da capital paulistana. Jogador do São Paulo desde 1990 (ano no qual saiu do Sinop, do Mato Grosso, para ser júnior do tricolor paulista e, mais tarde, reserva de Zetti), Rogério Ceni é o camisa 1 são-paulino há 12 anos. Com a ajuda de suas mãos, a equipe venceu nesta década que está chegando ao fim um inédito tricampeonato consecutivo no Campeonato Brasileiro (em 2006, 2007 e 2008) e venceu a Taça Libertadores da América e o Mundial de Clubes no ano de 2005. Além das mãos, Ceni se mostrou muito bom com os pés, se tornando o "goleiro-artilheiro" através de seus gols marcados em cobranças de falta ou de pênalti. Atualmente, ele é o recordista de gols entre os jogadores que não estão na linha e se aventuram a mostrar talento com os pés.

Entretanto, este início de 2009 não tem sido muito agradável para o goleiro do São Paulo. Suas atuações vêm se destacando na imprensa pela maneira como atrapalham o destino da equipe nos jogos, em lances como saídas de gol erradas e "frangos" grosseiros.

A primeira delas veio no fim de semana passado. Na última rodada da fase classificatória do Campeonato Paulista, duas precipitações ao sair do gol proporcionaram o empate do São Caetano com o São Paulo, pelo placar de 2 a 2. Menos mal que o time estava antecipadamente classificado para a semifinal do torneio (que será disputada domingo, contra o Corínthians).

Ontem o campeonato era outro, mas a história das falhas de Rogério Ceni se repetiu. Em partida diante do uruguaio Defensor, no Morumbi, o camisa 1 são-paulino "aceitou" uma cobrança de falta de Diego de Souza, que fez o São Paulo sair perdendo por 1 a 0 no primeiro tempo. Felizmente, dois gols de Borges sacramentaram a vitória por 2 a 1 e a classificação antecipada para a próxima fase do torneio sul-americano.

Outrora motivo de orgulho para a torcida do São Paulo, nos últimos jogos Rogério Ceni não vem mais inspirando a confiança de antes. É bom que esta má fase seja passageira. Caso contrário, o goleiro carregado nos braços da torcida pelos quase 20 anos defendendo as três cores de São Paulo pode estar na iminência de sofrer a ingratidão de torcedores apaixonados, que apagam a memória de bons serviços para apedrejar o jogador que hoje compromete os bons resultados do clube.

*****

BOLA PRO MATO

O corajoso desabafo que Adriano deu em entrevista ao Jornal Nacional exemplifica como esta ida prematura para o exterior não faz mal somente às equipes e às torcidas. Não são todos os jogadores que estão preparados para que a fama caia no colo deles de um dia para o outro. A FIFA deveria abrir os olhos para isto, e os clubes deveriam notar que os jogadores de futebol são muito mais do que máquinas de dinheiro e de placares favoráveis.

sábado, 7 de março de 2009

Paulistas do céu ao inferno na Taça Libertadores




Considerado o local mais estruturado com relação a seus clubes de futebol, São Paulo há algum tempo vem confirmando sua supremacia com relação ao restante do Brasil. Com o recente tricampeonato consecutivo do São Paulo no triênio 2006/2007/ 2008, o estado já trouxe 17 campeões desde 1971, ano no qual o Campeonato Brasileiro passou a ter realizado no formato usado até os dias de hoje. Além de seis títulos do São Paulo, vieram de terras paulistas quatro títulos do Palmeiras, quatro títulos do Corínthians, dois títulos do Santos e um do Guarani.

A soberania paulista se estende à atual elite do futebol brasileiro. Com a ascensão de Corínthians, Santo André e Barueri ao final do ano passado, o número de participantes paulistas no próximo Campeonato Brasileiro chega a cinco (o estado mais próximo é o Rio de Janeiro, que, com o rebaixamento do Vasco no ano passado, agora tem três participantes na elite), mesmo com a queda da Portuguesa para a Série B.

Em 2009, os paulistas também trazem superioridade no mais importante título sul-americano. SÃO PAULO e PALMEIRAS - respectivamente, o campeão e o quarto colocado no Brasileirão do ano passado - são os representantes de São Paulo na corrida pela Taça Libertadores da América deste ano. No entanto, o panorama da dupla paulista está desigual após as duas primeiras rodadas da "fase de grupos" do torneio.

Após uma classificação tranquila no "mata-mata" da "Pré-Libertadores", o alviverde paulista dirigido por Wanderley Luxemburgo corre o risco de ter sua caminhada rumo ao bicampeonato (10 anos depois da sua primeira conquista) interrompida prematuramente. As falhas da estreia no Grupo 1, com derrota por 3 a 2 para a equipe equatoriana LDU, se repetiram em pleno estádio Palestra Itália. Nem mesmo os reforços baladados, como o zagueiro Edmilson e o atacante Keirrisson conseguiram evitar a derrota por 3 a 1 para o Colo-Colo, do Chile. O "K9" (apelido que o artilheiro tem desde que atuava pelo Coritiba) até contribui com gols, mas as desatenções da zaga atrapalham o Palmeiras. Com duas derrotas em dois jogos, a equipe agora precisa vencer pelo menos três dos quatro jogos que restam nesta fase, e na quarta partida, arrancar um empate.

Já no Grupo 4, o São Paulo se reabilitou depois de um começo hesitante - o empate em 1 a 1 com o Independiente de Medellín, no Morumbi. Em uma de suas melhores partidas desde que trocou de tricolor (seu clube anterior foi o Fluminense, tricolor carioca), Washington marcou dois dos três gols da vitória por 3 a 1 do São Paulo sobre o América, em Cáli, na Colômbia - o terceiro foi marcado por Borges. Graças à ajuda do "Coração Valente", o time agora subiu para a primeira posição no grupo, e leva vantagem no saldo de gols sobre o uruguaio Defensor (que tem o mesmo número de pontos).

Maior campeão brasileiro na competição sul-americana, o São Paulo parece demonstrar mais uma vez sua tendência a ser um time "copeiro". Por mais que seja favorito tanto por trazer jogadores como Rogério Ceni, Jean e Hernanes, o time de Muricy Ramalho atua sempre com seriedade, mesmo quando não é o "mandante" da partida. Já pelos lados do Parque Antarctica, a equipe dirigida por Wanderley Luxemburgo (e que, até a derrota para a LDU ostentava a gloriosa marca de 100% de aproveitamento) parece pecar pela inexperiência na disputa do torneio, contra times que jogam para se defender e aproveitam contra-ataques cruciais, como os dos gols que o Colo-Colo fez na última partida. Luxemburgo tem a tarefa de mostrar aos seus jogadores que esta disputa é completamente diferente do Campeonato Paulista - no qual o time vem bem e, curiosamente, o São Paulo anda tendo seus tropeços.

Ainda há quatro partidas desta "fase de grupos" da Taça Libertadores. Resta aos dois representantes paulistas do torneio terem consciência de que no caminho do céu ao inferno, este campeonato é muito maior do que mera rixa entre times de um mesmo estado.

*****

BOLA PRO MATO

Depois de algum tempo "sumido" do futebol brasileiro, Romário acena com a possibilidade de ser consultor do América, time de coração de seu pai, Edevair. Este que vos escreve não duvida nada que, em breve, o Baixinho possa voltar a aparecer com a camisa 11, desta vez com a "cor de sangue" do Mequinha.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Libertadores, o Brasil em busca de fazer a América



Objeto de cobiça de todo clube sul-americano, a Taça Libertadores da América chega à sua edição de número 50, mantendo o mesmo charme que cerca a seleta competição há tanto tempo. São as melhores equipes de toda a América do Sul (e três equipes mexicanas) duelando jogo a jogo para ver quem é o melhor time do continente.

Desde que começou a ter cinco vagas por edição, o Brasil destina o direito de disputar a Libertadores aos quatro primeiros colocados do Campeonato Brasileiro e ao campeão da Copa do Brasil do ano anterior. Entretanto, o quarto colocado do Brasileirão passa por uma fase denominada "Pré-Libertadores", na qual disputa a vaga na fase inicial do torneio em dois jogos com equipe de outro país. Para o PALMEIRAS, a competição começou mais cedo. No dia 28 de janeiro, o alviverde paulista teve uma estreia incontestável - 5 a 1 sobre o boliviano Real Potosí, em São Paulo. No segundo jogo, em 5 de fevereiro, nova vitória palmeirense em terras bolivianas: 2 a 0.

Com isto, a equipe foi credenciada para fazer parte do Grupo 1 da competição, e logo em seu primeiro jogo teve o maior adversário deste 2009. Coube ao Palmeiras estrear na fase classificatória da Libertadores contra o campeão da edição de 2008 - o equatoriano LDU, que na final derrubara o Fluminense, com uma vitória por 4 a 2 em Quito e mesmo depois de uma derrota por 3 a 1 no tempo normal, conseguiu a vitória nos pênaltis e o título da taça, pelo placar de 3 a 1. Vindo de uma série invicta de jogos no Campeonato Paulista, os palmeirenses decepcionaram sua torcida ao estrearem na "fase de grupos" com uma derrota por 3 a 2. O primeiro passo da tentativa de repetir o feito de dez anos antes (em 1999, o Palmeiras foi campeão da Taça Libertadores) não foi dos melhores.

No mesmo grupo do Palmeiras está outro brasileiro. Credenciado com a vaga depois do título da Copa do Brasil, o SPORT RECIFE voltou à competição 21 anos depois de sua única participação no torneio. Em 1988, o time pernambucano conseguiu sua vaga em meio ao imbróglio envolvendo o Clube dos 13 e a CBF. No ano de 1987, o Clube dos 13 realizou a Copa União independentemente da Confederação Brasileira de Futebol. Mas a entidade desportiva definiu que, após o final da competição, Flamengo e Internacional, respectivos campeão e o vice do Módulo Verde (equivalente à primeira divisão) deveriam disputar um quadrangular com Sport e Guarani, o campeão e o vice do Módulo Amarelo (segunda divisão da Copa União). Flamengo e Internacional se recusaram a fazer o quadrangular e, com isto, a CBF levou os dois melhores do Módulo Amarelo para a Libertadores de 1988.

Em seu primeiro jogo do torneio de 2009, o clube de Recife conseguiu um ótimo resultado: vitória por 2 a 1 sobre o chileno Colo-Colo, no Chile. É uma boa estreia para a equipe que pretende se igualar às "companheiras de jornada" nesta Libertadores. Dos cinco times brasileiros que estão no torneio este ano, somente ele nunca foi o melhor da América.

Maior campeão brasileiro (com o título do ano anterior, conseguiu chegar ao posto de hexacampeão do certame, sendo que seus últimos três foram consecutivos) e equipe brasileira com mais títulos sul-americanos (1992, 1993 e 2005), o SÃO PAULO volta à Libertadores como um dos grandes favoritos ao título. No entanto, sua estreia no Grupo 4 não foi das mais animadoras: um modesto empate em 1 a 1 com o colombiano Independiente de Medellín, no Morumbi.

Campeão em 1976 e 1997, o CRUZEIRO voltou à Libertadores por ter sido o terceiro colocado no Brasileirão de 2008. O time teve bom desempenho nas duas primeiras rodadas do Grupo 5. Na sua primeira partida, a equipe mineira venceu facilmente o argentino Estudiantes, no Mineirão, pelo placar de 3 a 0. No segundo jogo, o empate em 1 a 1 com o boliviano Universitario de Sucre acabou sendo um bom resultado, diante da violência que seus jogadores sofreram durante toda a partida.

Vice-campeão brasileiro no ano passado, o GRÊMIO tenta repetir os sucessos de 1983 e 1995 iniciando sua trajetória no Grupo 7. Assim como o campeão brasileiro São Paulo, sua estreia foi decepcionante. Além do empate sem gols contra o Universidad de Chile, o Olímpico assistiu a um festival de gols perdidos do time gaúcho - foram 13 oportunidades, ora neutralizadas por defesas do goleiro, ora por zagueiros tirarem a bola em cima da linha, ora pela trave.

São jogos curiosos como este que dão ainda mais charme à Taça Libertadores da América - marcada por partidas acirradíssimas, cercadas de catimba e de histórias - e fazem com que ela seja tão atrativa para os loucos por futebol quanto para os clubes (os prêmios são milionários e o título dá ao campeão o direito de disputar o Mundial Interclubes no final do ano). Um dado curioso: se o torneio acaba com uma equipe mexicana vencedora, o vice-campeão é automaticamente designado para representar a América no Mundial. O México é somente convidado do torneio sul-americano.

São Paulo, Grêmio, Cruzeiro, Palmeiras e Sport Recife são as armas brasileiras nesta batalha pela América do Sul. Os melhores do Brasil no ano passado são os times que em 2009 tentarão fazer a América e, quem sabe, levar o país ao topo do mundo.