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quinta-feira, 19 de abril de 2012

A passos lentos



Este que vos escreve preferiu fazer a crônica sobre a irritação acima do tom dos jogadores do Vasco após a partida em que a equipe perdeu para o Flamengo por 2 a 1 na expectativa de que seu contexto fosse resolvido logo. Mero engano. A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro mostrou um repertório de equívocos que comprovaram em um pós-jogo o quanto a gestão atual segue em um retrocesso próximo dos piores momentos da Era Caixa D'Água.

Cerca de 10 dias após o clássico, algumas questões ainda ficam no ar:

1) Qual era a dificuldade da Federação em enumerar os vascaínos que explodiram? O árbitro Wagner dos Santos Rosa pode não ter identificado todos, mas certamente a emissora que detém os direitos poderia mostrar quem partiu para cima - e de que forma.

2) Pior do que alguém passar corretivo na súmula onde havia a letra "V" sobre os supostos jogadores expulsos é saber que algum funcionário não-identificado da FFERJ tem acesso ao que o árbitro escreve. Qual credibilidade vai ter qualquer outro texto de arbitragem no Rio de Janeiro?

3) O julgamento de Fagner, Rodolfo, Fellipe Bastos, Eduardo Costa e Diego Souza (citados pelo árbitro da partida) estava marcado para sexta-feira, uma data plausível, por ser anterior à rodada final da Taça Rio. Qual a justificativa específica do adiamento, e por que os jogadores estariam aptos para atuar contra o Nova Iguaçu se constava uma expulsão?

4) Nesta quarta-feira, veio o veredicto e, à exceção de Diego Souza, todos receberam punições exemplares. Rodolfo e Eduardo Costa agrediram e ofenderam o árbitro, e pegaram oito jogos de suspensão. Fagner e Fellipe Bastos, que dispararam ofensas, receberam duas partidas a menos. No entanto, há margem para o Vasco entrar com efeito suspensivo e todos atuarem contra o Flamengo, no próximo domingo, pela semifinal da Taça Rio. Em décadas anteriores, torcedores e jornalistas bradavam contra efeitos suspensivos por expulsões (como Edmundo em finais do Brasileiro, pelo Palmeiras em 1994, e pelo Vasco em 1997). Nos dias atuais, a situação parece mais calamitosa: a expressão isenta até o culpado.

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Sobre a reação agressiva dos jogadores vascaínos à derrota, muitos cronistas de melhor qualidade já escreveram textos melhores. No entanto, não há como fugir do comentário de criticá-los, pois é simplesmente injustificável que qualquer atleta faça de seu local de trabalho um reduto de vandalismo. Talvez seria bom o clube pensar em uma forma de advertir os "esquentados" - em especial pelos episódios que já tiveram em momentos cruciais para o Vasco. Mas isto é utopia demais em um cenário de amadorismo.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Trem ainda por ajustar



O Vasco encerrou sua participação na fase de grupos da Libertadores com quatro vitórias em seis jogos, superando a desconfiança da torcida após a derrota na estreia para o Nacional do Uruguai, em São Januário (por 2 a 1) e conseguindo se classificar com uma rodada de antecedência em uma chave na qual prometia equilíbrio - à exceção do modestíssimo Alianza Lima. Entretanto, o desempenho não pode apagar a série de problemas que assolam a equipe de Cristóvão Borges.

O time apresentou momentos nos quais estava sonolento ofensivamente (como Diego Souza e Felipe na partida contra o Alianza Lima, no Peru), em algumas vezes pareceu previsível em seu esquema tático e mostrou que ainda não pode jogar com Éder Luís e William Barbio pelas pontas servindo Alecsandro. No setor defensivo, além de Dedé estar alçado a "insubstituível", não há um companheiro de zaga que inspire confiança até o momento - Rodolfo e Renato Silva já apresentaram falhas grotescas em campo.

A cirurgia dentária de Juninho mostrou a gritante dependência tanto de sua qualidade quanto do poder de motivação que o camisa 8 parece dar ao Vasco. Raros jogadores, como Fagner, Allan e, em seus bons momentos, Eder Luis, conseguem ter este poder (mas apenas em lampejos). E para completar, o cruzmaltino não tem um centroavante que faça sombra para Alecsandro, desde a lesão de Tenorio.

Onde se livrar de sonolências, de jogadores convencionados a insubstituíveis e de atletas temperamentais como Eduardo Costa, Nilton e Diego Souza? Roberto Dinamite, Cristóvão Borges e o Vasco da Gama têm até as oitavas-de-final para ajustar este trem na competição sul-americana.

domingo, 29 de maio de 2011

Expressinho pontual



A passagem do Expressinho do Vasco em São Januário teve roteiro semelhante à partida contra o Ceará: o América Mineiro dominou boa parte do jogo, obrigou Fernando Prass a fazer sucessivas defesas, mas em horas estratégicas o Vasco definiu a vitória por 3 a 0. No início, o Coelho aproveitou o desentrosamento dos reservas vascaínos e chegou com Rodriguinho, Eliandro e Fábio Júnior. O Vasco, em seu primeiro ataque, achou um pênalti com Leandro, e Bernardo abriu o placar.

Os mineiros voltaram para o segundo tempo esperando o mesmo gás do primeiro, mas aos dois minutos Jéferson fez bela jogada e o gol de Enrico esfriou os ânimos. No momento em que o time de Minas pressionava (mesmo com um a menos) e tentava surpreender com Kempes e Alessandro, um contra-ataque terminou em gol de Élton. O 3 a 0 pode até soar injusto pela luta constante do América em campo. Os três pontos são justos para um Vasco que não se abateu diante de um adversário mais entrosado e que não deu sossego à sua defesa. A cabeça dos vascaínos está na decisão da Copa do Brasil, mas também dorme tranquila no Brasileirão porque o Expressinho passa a confiança de que é pontual quando o técnico Ricardo Gomes precisa de seu elenco.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Fraturas expostas




No contexto do futebol brasileiro, a demissão de Paulo César Gusmão soou como uma consequência natural da série de resultados desastrosos do Vasco no início de Campeonato Carioca. Demissão lógica, pois, apesar de ter em mãos um elenco de pouca qualidade, PC não mostrou pulso firme sobre sua equipe e, desde o Campeonato Brasileiro de 2010, o time vascaíno tinha uma postura retranqueira, de quem parecia satisfeito com empates (que foram muitos no Brasileirão). Mas a sequela do Estadual ficou ainda mais exposta, pois as estrelas Carlos Alberto e Felipe se tornaram negociáveis aos olhos da diretoria.

Após ser fundamental durante a disputa da Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro, Carlos Alberto se tornou ídolo da torcida do Vasco e símbolo do início da reestruturação do clube. A diretoria moveu mundos e fundos para comprar seu passe junto ao Werder Bremen, da Alemanha, e apostou todas as fichas em sua liderança como capitão. Entretanto, o ranço de imaturidade típico de passagens suas por outros clubes voltou a tomar conta de seu futebol, e seu espírito de luta deu espaço à série de lesões que demoravam um período acima do esperado para suas recuperações.

Formado nas divisões de base do clube, Felipe chegou junto com a recordação de uma geração vitoriosa que entre 1997 e 2000 ganhou uma Copa Mercosul, um Campeonato Estadual, dois Campeonatos Brasileiros e uma Taça Libertadores da América. Mas sua qualidade do passe e a habilidade para os dribles já não têm o mesmo encanto, pois foram superados por uma lentidão que se torna apatia em alguns momentos - caso do terceiro gol que o Vasco tomou do Nova Iguaçu, iniciado após um erro seu no qual ficou estático enquanto o adversário tentava uma jogada. E na derrota para o Boavista, o camisa 6 andava em campo, a ponto de ser substituído aos 34 minutos do primeiro tempo.

A certeza de que o Vasco perdeu sua identidade fica mais clara porque ambos no ano passado foram usados para favorecer o marketing do clube. Carlos Alberto e Felipe estiveram à frente da propaganda do projeto para arrecadar sócios "O Vasco é Meu". Abaixo, o vídeo:



Amanhã, um Vasco esfacelado enfrenta o arquirrival Flamengo, que vem embalado por três vitórias e pela expectativa de, na próxima quarta, passar a ter em campo Ronaldinho Gaúcho. Sem Carlos Alberto e Felipe, os vascaínos colocam em campo os limitados meias Enrico e Jéferson, e no banco de reservas o time terá o comando de Gaúcho. Um panorama provisório, ao menos enquanto não aparece nenhuma perspectiva de jogadores de qualidade para levantar de vez a equipe vascaína.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O presente condena



Por décadas, a instituição do Club de Regatas Vasco da Gama teve sua imagem associada a Eurico Miranda - dirigente com ares de ditador e conhecido por artimanhas escusas que beneficiavam o clube. Após muitos anos (dois deles na expectativa da realização de eleições), a oposição conseguiu derrubá-lo do poder, e colocar Roberto Dinamite, maior ídolo da história do Vasco, na presidência.

Com Dinamite, o Vasco foi rebaixado para a Série B em 2008, passou por um ano de reconstrução em 2009, um ano insosso em 2010 e em 2011 começa o ano de maneira negativa. Em seus dois primeiros jogos no Estadual, a equipe perdeu para o Resende, por 1 a 0 em São Januário, e para o Nova Iguaçu, por 3 a 2 no Estádio Raulino de Oliveira. Feitos históricos para os adversários, pois nunca antes nestes confrontos o Vasco tinha saído derrotado. A consequência do mau desempenho em campo apareceu nas arquibancadas e chegou aos muros de São Januário, com ofensas a Felipe e Carlos Alberto (os jogadores de destaque do atual elenco) e o apelo "queremos time".

Mas, em meio a todas as pichações, pairou a pergunta: "Eurico afundou, o que mudou?". O que mudou é que, depois da caravela que naufragava em maremotos de escândalos, sujeitos a tempestades de acusações, a nau da Era Roberto Dinamite parece perdida, à deriva com tanto amadorismo em todas as áreas. Planejamento feito às pressas e aquém da grandeza do Vasco, poucas e precárias contratações, treinadores contratados em caráter emergencial e que chegam para comandar um elenco cheio de carências, um fraquíssimo e desorganizado departamento jurídico e departamento médico de qualidade duvidosa. Muitas coisas que aconteciam também na Era Eurico Miranda, mas que o atual presidente prometeu que deixariam de ter no Vasco da Gama.

Enquanto isto, o Vasco capenga nas primeiras rodadas do Campeonato Carioca e, a menos de uma semana do duelo com o grande rival Flamengo, não sabe se terá forças para ganhar do Boavista no meio de semana. Um panorama distante da "equipe forte que brigaria por títulos" prometida por Roberto Dinamite desde 2008.

A sensação é de que o Vasco andou para trás - em especial pela postura da atual diretoria, que tanto se isenta, culpando a má administração e os erros de Eurico Miranda - e vai regredir enquanto houver esta briga política no clube. Com tanta falta de disposição de seu elenco e com uma sucessão de jogadores limitados passando por São Januário, talvez o torcedor vascaíno tenha mesmo é de olhar para trás, pois assim tornará a encontrar motivos para sorrir.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Prováveis ofuscados





Na semana em que o Flamengo sacramentou a bombástica contratação de Ronaldinho Gaúcho e também assinou com o meia Thiago Neves (reforços que deixaram a equipe rubro-negra com mais qualidade para medir forças com o Fluminense no Campeonato Estadual), os outros dois grandes do Rio de Janeiro foram definitivamente jogados à probabilidade de serem ofuscados no Estadual de 2011. Botafogo e Vasco iniciam o ano prometendo usar o dinheiro dos patrocinadores para sanar dívidas financeiras, deixando suas respectivas equipes sem contratações de impacto e apostando no discurso de "manter a base" do ano de 2010.

O desejo de não desmantelar a equipe de um ano para o outro é bastante louvável. Mas, as "bases" de Botafogo e Vasco são suficientes para que ambas as torcidas possam acreditar numa boa temporada?

Com a equipe montada em 2010, o Botafogo foi vencedor dos dois turnos do Campeonato Estadual e ficou em sexto lugar no Campeonato Brasileiro (a quatro pontos do Grêmio, que, por terminar na quarta colocação, foi classificado para a Taça Libertadores da América de 2011). No entanto, a equipe de Joel Santana padeceu - em especial no Brasileirão - da falta de um elenco de melhor qualidade, que fosse capaz de manter a regularidade do time na competição.

O risco de entregar as chances do alvinegro a um bando de jogadores limitados parece bater à porta de General Severiano novamente. As poucas contratações que vieram até agora foram para tentar suprir carências restritas ao time titular. E a que promete ter o maior destaque é a negociação com o meia Everton, que fez um bom Campeonato Brasileiro de 2009 pelo Flamengo e agora está no futebol mexicano.

Contratar jogadores para amenizar carências do ano anterior é a mesma conduta do Vasco. A falta de um jogador de qualidade para formar a dupla de zaga com Dedé e a ausência de um bom finalizador no ataque ficaram em pauta no time vascaíno. De resto, a aposta em uma base que, aos olhos do clube, é convincente para disputar títulos.

Só que o 2010 do Vasco não foi nada convincente. Um Campeonato Estadual desperdiçado por erros de planejamento nas contratações e um Campeonato Brasileiro no qual a equipe se arrastou nas últimas colocações e, quando conseguiu ter fôlego (graças aos reforços de Felipe, Éder Luís e Zé Roberto), esbarrou em erros individuais e na postura defensiva de seu treinador Paulo César Gusmão. Da base que a diretoria considera promissora para disputar títulos, poucos valores merecem destaque. E nenhum deles está na lista de contratados para a temporada de 2011.

O fato de uma equipe se conhecer dentro de campo não parece suficiente para que Botafogo e Vasco façam boas campanhas - afinal, muitos de seus jogadores desconhecem qualidade. A conduta de não deixar a folha salarial onerosa com reforços de altos salários é válida (em especial devido aos problemas financeiros que os clubes têm). Mas consentir que o clube seja ofuscado desta maneira é um erro gravíssimo.

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Para a legenda dos leitores que desconhecem as "caras novas" de Botafogo e Vasco nas fotos do post. Vestindo a camisa do Botafogo, o lateral-esquerda Márcio Azevedo, que veio do Atlético Paranaense. Na companhia do vice-presidente José Hamílton Mandarino, o volante Eduardo Costa, que veio do francês Monaco e o atacante Misael, que no Campeonato Brasileiro de 2010 atuou pelo Ceará.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Riscos repetidos



A capa da edição de hoje do Lance! no Rio de Janeiro destaca a terceira contratação do Vasco para a temporada de 2011. A reportagem mostra que ele é o único grande clube carioca que se reforçou até o momento. Entretanto, a rapidez vascaína segue com os mesmos riscos do final de 2009, quando quis montar sua base para 2010.

Antes mesmo da chegada da nova temporada, o Vasco trouxe um pacote de contratações para o ano em que buscava se reafirmar na Primeira Divisão. Teoria lógica, pois o nível dos campeonatos seria bem maior. Mas a ideia não foi acompanhada com sucesso nos primeiros meses de 2010. Os nomes apresentados após a pré-temporada foram Élder Granja, Márcio Careca, Gustavo, Léo Gago, Jumar, Rafael Carioca, Geovanne Maranhão, Rafael Coelho e o grande reforço era o atacante Dodô - que, além de ter 36 anos, passara por dois anos de suspensão por uso de doping. No lugar de Dorival Júnior, entrou Vágner Mancini, técnico que chegou com ares de promissor comandante de futebol.

Os resultados não vieram, a troca de treinadores foi constante e, pouco a pouco, os reforços foram saindo de São Januário. No saldo do primeiro semestre, a quarta colocação no Campeonato Estadual (sem fazer sombra a Botafogo, Flamengo e Fluminense) e uma eliminação nas quartas-de-final para o Vitória da Bahia na Copa do Brasil. O segundo semestre começou com o prenúncio de uma catástrofe - desempenho pífio em campo e nenhuma perspectiva de melhora. Antes da parada para a Copa do Mundo, o Vasco ocupava o penúltimo lugar do Campeonato Brasileiro, com uma vitória em sete jogos, e deixara como última lembrança antes da Copa uma derrota por 4 a 0 para o Santos de Dorival Júnior.

Somente no intervalo da temporada, com o pensamento finalmente mais voltado para a disputa da elite do futebol brasileiro, é que o Vasco passou a contratar jogadores de maior qualidade. O veterano Felipe e os atacantes Zé Roberto e Éder Luís ajudaram o clube a terminar na décima-primeira colocação. Pouco, mas ao menos espantou o fantasma de voltar a amargar um rebaixamento.

A gestão do clube parecia ter aprendido com seus erros. Até chegar dezembro, após o fim da temporada do futebol de 2010. A urgência de reforços se transformou em ansiedade, e o Vasco já contratou três jogadores com o mesmo perfil do mau início de temporada do ano que vai acabando.

Para amenizar a ausência de um centroavante fixo dentro da área (o maior problema do time no Brasileirão), foi contratado Marcel, jogador que teve pouco destaque neste ano com a camisa do Santos. Além de poucos gols, o atacante apareceu na mídia por ser o pivô de um atrito no elenco, quando, nas brincadeiras que os jogadores estavam fazendo com o aniversariante Zé Love, passou dos limites e chegou a jogar terra no companheiro de clube. Atitude que teve a repreensão de Neymar, atleta com conduta bastante questionada nos últimos meses.



Os outros dois jogadores seguem o padrão de reforços para os setores deficientes do Vasco. Mas ambos não passam de jovens que foram promovidas a apostas vascaínas. O zagueiro Anderson Martins vem como destaque do Vitória da Bahia na competição - e no campeonato em que o clube terminou rebaixado para a Segunda Divisão de 2011. O reforço mais recente é o de Misael, que vem do Ceará (a pedido de Paulo César Gusmão, que foi seu treinador no Vovô). Embora tenha feito uma campanha satisfatória em sua volta à elite, o Ceará foi o pior ataque do Campeonato Brasileiro. Vale a pena investir num atacante de um clube com este estigma?

O Vasco parece confundir a ideia de compor um elenco bom com trazer um emaranhado de jogadores para ver quem se firma. Pelo panorama apresentado inicialmente, a torcida terá de ficar na expectativa de que a única consequência grave seja muito dinheiro investido em atletas que não mereciam. Porque dentro de campo as consequências das temporadas mais recentes não foram das mais agradáveis para os torcedores.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Os parados dos pontos corridos



Enquanto algumas equipes ainda têm batalhas por resolver dentro de campo, outras que não acham motivos melhores do que suas colocações no Campeonato Brasileiro passam as últimas rodadas em discussões paralelas sobre o resto da competição. Além da ética da "mala branca" e da possibilidade de entregar ou não uma partida, para prejudicar um rival tradicional, outro assunto em questão é a motivação para a reta final de campeonato.

Recentemente, o jogador vascaíno Felipe declarou que a eliminação do Vasco faz com que ele não tenha mais motivação para as últimas rodadas. Mas seu salário alto não é suficiente para fazer com que ele se empenhe em campo?

Um título ou, no caso do Campeonato Brasileiro, o credenciamento para jogar a Taça Libertadores da América do ano que vem, dão margem para que o jogador tenha mais visibilidade. No entanto, se ele e seus companheiros não conseguem ter um desempenho digno destas conquistas, a torcida e o clube ao menos têm o direito de exigir uma colocação honrosa na competição. E a declaração de Felipe dá a entender de que ambos foram descartados por ele em seu fim de temporada.

O jogador de futebol ao menos precisa dar um retorno ao investimento do clube, e mostrar à torcida que ele merece sua confiança e, quem sabe, a condição de ídolo. Isto pode fazer com que seu passe seja valorizado, além da possibilidade de rendimento com mais cifras em seus contratos.

Num futebol que exige velocidade, a desmotivação fica no banco de reservas. Independente do contexto, o jogador tem de entrar bem em campo e apresentar seu melhor futebol. E, principalmente, o jogador tem de saber que já é uma grande conquista estar num clube de destaque do futebol nacional.

domingo, 28 de novembro de 2010

Para o ano não acabar



Análise de jogo - Corínthians 2 x 0 Vasco (17h, Pacaembu)

Corínthians e Vasco apresentaram no Pacaembu o contraste da reta final do Campeonato Brasileiro. Enquanto os corintianos, apoiados por mais de 33 mil torcedores, tentavam manter as chances de título, poucos foram acompanhar a equipe vascaína, para quem as perspectivas de algum título ficaram adiadas para 2011.

Mas suas deficiências devem ser corrigidas urgentemente. Com uma formação usada para atuar no contra-ataque, escalando os jovens volantes Rômulo, Renato Augusto e Allan, o time de Paulo César Gusmão depende de boas atuações de Carlos Alberto, Éder Luís e Zé Roberto. Só que, se nenhum deles encontra velocidade para atacar, o poder ofensivo do Vasco se perde completamente.

Foi assim que o Corínthians se sobressaiu na partida. Aos poucos, o alvinegro paulista foi se acertando em campo e encontrando oportunidades. A primeira foi aos seis minutos (um minuto depois do alto-falante anunciar que o Palmeiras fez 1 a 0 sobre o Fluminense, time que briga diretamente com o Corínthians pela conquista do Brasileirão de 2010), em jogada de bola parada de Bruno César que passou por Dentinho, livre na área. Depois, vieram chutes de Roberto Carlos e Jucilei que pararam em defesas de Fernando Prass.

Com o passar dos minutos, o calor do Pacaembu fez a partida ficar morna. O Corínthians parecia não ter pernas para dar continuidade às jogadas, enquanto o Vasco se limitava a fortalecer sua marcação. Mas seu setor defensivo acabou favorecendo o ímpeto corintiano (que tentava aumentar, mesmo com o anúncio de que o Fluminense empatara a partida com o Palmeiras na Arena Barueri). O chute de fora da área de Bruno César desviou na canela do zagueiro Dedé e passou por baixo das pernas do goleiro Fernando Prass. 1 a 0 Corínthians, aos 39 minutos. Vantagem que prosseguiu até o fim do primeiro tempo.

Para o segundo tempo, Paulo César Gusmão trouxe um Vasco mais ofensivo. O volante Allan deu lugar ao meia Fumagalli, que entraria para ajudar Carlos Alberto na criação de jogadas. A alteração melhorou a equipe vascaína. À exceção de um chute de Danilo defendido por Fernando Prass, a pressão vascaína foi constante nos primeiros 10 minutos. Entretanto, o fraco poder de fogo comprometeu mais uma vez a atuação da equipe carioca. Apenas Zé Roberto chutou ao gol, e a bola passou longe do gol de Júlio César.

O Timão voltou ao ataque aos 12 minutos. E de maneira eficaz. Roberto Carlos recebeu passe na esquerda e entrou na área. Em vez de chutar ao gol, o lateral deu um cruzamento para a direita, que encontrou a cabeça de Danilo. O meia colocou a bola no fundo da rede. Corínthians 2 a 0. Mas, apesar da soberania corintiana em campo, ela não era suficiente para deixar os paulistas na liderança. No minuto seguinte ao segundo gol, o Fluminense virou para 2 a 1 o jogo com o Palmeiras na Arena Barueri.

No restante do jogo, os corintianos ficaram apenas em função de administrar o resultado - a nova alteração de Tite veio só a cinco minutos do fim, com a troca de Bruno César por Defederico.. Àquela altura, o esforço do Vasco para evitar uma derrota parecia mesmo restrito à entrada de Fumagalli no intervalo. As outras duas alterações de PC Gusmão foram nas laterais - Fágner saiu para a entrada de Irrazábal, e Ramón (que voltava à equipe após meses contundido) foi substituído por Diogo.

A equipe carioca ainda ficou mais fraca em seu poder ofensivo, quando Zé Roberto foi expulso por Márcio Chagas da Silva. O meia fez quatro faltas em sequência no segundo tempo. E, a rigor, a única oportunidade vascaína nos 45 minutos finais foi com Éder Luís, que chutou cruzado para defesa de Júlio César.

O time de São Januário dava a impressão de meramente fazer um amistoso de luxo, a duas rodadas do final do Campeonato Brasileiro. E o empenho parecia restrito ao goleiro Fernando Prass e à defesa. Em especial por jovens que se firmaram durante a competição, casos do zagueiro Dedé e do volante Rômulo, ou que na reta final tiveram oportunidade no time titular, como o estreante zagueiro Douglas e o volante Renato Augusto. De resto, uma acomodação melancólica de um Vasco que termina 2010 sem título e agora parece guardar seu futebol para quando 2011 chegar.

O calendário de 2010 do futebol corintiano ainda tem mais uma semana. E, mesmo com a possibilidade de nova frustração no ano de seu centenário (além de vencer o Goiás no Serra Dourada, o time precisa de um tropeço do Fluminense contra o Guarani, no Engenhão, para ser campeão brasileiro), não se pode negar que sua equipe se empenhou até a última rodada. Talvez por isto, o "bando de loucos" do Corínthians ainda anseia para que o dia 5 de dezembro de 2010 seja mais uma data importante na lista de conquistas do clube.

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CORÍNTHIANS 2 x 0 VASCO

Estádio: Pacaembu (São Paulo / SP)

Público: 33.487 pagantes / Renda: R$ 1.190.821,50.

Árbitro: Márcio Chagas da Silva (RS) / Auxiliares: Carlos Berenbrock (FIFA-RS) e Marcelo Barison (RS).

Gols: Bruno César, aos 39 minutos do primeiro tempo. Danilo, aos 12 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Renato Augusto e Zé Roberto (Vasco).

Expulsão: Zé Roberto (Vasco).

CORÍNTHIANS - Júlio César, Alessandro, Chicão e Roberto Carlos; Ralf, Jucilei, Danilo e Bruno César (Defederico); Jorge Henrique e Dentinho (Iarley). Técnico: Tite.

VASCO - Fernando Prass, Fagner (Irrazábal), Dedé, Douglas e Ramón (Diogo); Rômulo, Renato Augusto, Allan (Fumagalli) e Carlos Alberto; Zé Roberto e Éder Luís. Técnico: Paulo César Gusmão.

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RODADA 37 - RESULTADOS

Domingo, 17h

Atlético Goianiense 1 x 1 São Paulo (Serra Dourada)
Internacional 1 x 1 Vitória da Bahia (Beira-Rio)
Atlético Mineiro 3 x 1 Goiás (Arena do Jacaré)
Avaí 3 x 2 Santos (Ressacada)
Guarani 0 x 3 Grêmio (Brinco de Ouro da Princesa)
Ceará 1 x 1 Atlético Paranaense (Castelão)
Botafogo 3 x 1 Grêmio Prudente (Engenhão)
Flamengo 1 x 2 Cruzeiro (Raulino de Oliveira)
Corínthians 2 x 0 Vasco (Pacaembu)
Palmeiras 1 x 2 Fluminense (Arena Barueri)

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O tempo e o placar... escolhe o que houve de melhor e de pior na penúltima rodada do Brasileirão.

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O CHUTAÇO

A trinca da frente FLUMINENSE, CORÍNTHIANS e CRUZEIRO honrou seu favoritismo e segue soberana na disputa pelo título brasileiro. O momento de liderança é tricolor, mas corintianos e cruzeirenses continuam à espreita.

A FURADA

O assunto da ENTREGA que cercou a semana anterior ao confronto do Palmeiras com o Fluminense foi um dos mais lamentáveis do Campeonato Brasileiro. A reta final de 2010 comprova: o Campeonato Brasileiro tem de fazer valer o bom futebol, e não a rivalidade em primeiro lugar.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Os coadjuvantes que podem decidir




Vasco e São Paulo entraram na lista de clubes tradicionais do futebol nacional que fizeram um Campeonato Brasileiro abaixo do que sua história merece. Entretanto, as duas equipes vão se tornar importantes na reta final da competição, pois cruzarão o caminho de três times que estão na briga pelo título.

Os são-paulinos enfrentarão o Cruzeiro (no Parque do Sabiá), o Corínthians e o Fluminense (no Morumbi), times que também serão adversários do Vasco nas últimas rodadas. A equipe vascaína fará o clássico com o Fluminense no Engenhão e irá a Minas Gerais e a São Paulo para duelos com cruzeirenses e corintianos, respectivamente. Com este panorama, qual coadjuvante pode ser mais decisivo?

Num primeiro momento, o fato de jogar mais vezes como mandante promete fazer do São Paulo o responsável por tirar pontos do trio de cima da tabela. Em território paulistano, o tricolor paulista venceu nove dos 16 jogos na competição. Quem pode se beneficiar disto é o Cruzeiro, pois nas 16 partidas fora de seus domínios, os são-paulinos venceram apenas quatro partidas. Além disto, houve cinco empates e sete derrotas.

Enquanto isto, o Vasco apresenta uma campanha fraquíssima como visitante. Das 16 partidas fora do Rio, conseguiu sair vitorioso apenas em duas oportunidades. De resto, foram sete empates e sete derrotas. Neste contexto, quem pode se prejudicar é o Fluminense, que terá pela frente um clássico regional com os vascaínos.

O equilíbrio do Brasileirão torna ainda mais interessante a participação de clubes que, até o momento, não almejam mais nenhuma conquista relevante na competição. O desejo de uma participação honrosa no campeonato e a capacidade de ser superior no encontro com uma equipe que briga pelo título pode motivar um clube para a temporada seguinte. E, depois de tudo o que passaram em 2010, Vasco e São Paulo precisam demais desta motivação.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Rótulo para ser rechaçado



Mais do que contribuir diretamente para sua equipe deixar de ganhar três pontos no confronto com o Flamengo no clássico regional, o zagueiro vascaíno Dedé mostrou no dia seguinte à partida o comportamento de um jogador que tem receio de ser rotulado. Após a jogada ríspida com o rubro-negro Williams, que fez com que o Vasco tivesse um a menos a partir dos 20 minutos do segundo tempo do confronto no Engenhão, Dedé foi a público para pedir desculpas ao companheiro de profissão e disse que não teve maldade no lance.

Não se trata apenas do sentimento de culpa pela maneira forte como entrou na dividida que gerou sua expulsão no empate em 1 a 1 entre Vasco e Flamengo. O que fica em evidência é o receio de Dedé voltar a ter um rótulo negativo associado à sua imagem.

Quando chegou no Vasco em 2009, ele era considerado um zagueiro tão estabanado e violento quanto seu ex-companheiro de Volta Redonda, o experiente Júnior Baiano. O rótulo ficou ainda mais evidente por um incidente: durante um treino, ele deu uma entrada mais forte que tirou de combate o meia Carlos Alberto por algum tempo.

Mas, com a chegada de Paulo César Gusmão ao comando do time, Dedé conseguiu achar seu bom momento. De jogador que não inspirava confiança, ele se tornou exemplo de raça, de luta, e se revelou bastante eficaz no combate aos adversários - quase sempre na bola. Ao ponto de muitas vezes ter seu nome gritado pela torcida vascaína.

Depois de tantas partidas demonstrando evolução no seu futebol, agora Dedé se vê diante de um outro problema para combater. O de lidar com o repúdio a uma jogada que gerou cartão vermelho numa partida entre Vasco e Flamengo. Adversário difícil, e que só será rechaçado se ele se apresentar bem nas últimas partidas que tiver pelo Campeonato Brasileiro de 2010.

domingo, 24 de outubro de 2010

Insucesso de crítica e público



Análise de jogo - Vasco 1 x 1 Flamengo (Engenhão, 18h30).

O primeiro confronto entre Vasco e Flamengo na história do Engenhão foi cercado de tramas rocambolescas, dignas dos roteiros imprevisíveis que cercam o Clássico dos Milhões. Mas nem mesmo nas linhas tortas apresentadas por vascaínos e flamenguistas, o desfecho do confronto foi diferente do desempenho de ambas as equipes no Campeonato Brasileiro de 2010.

A trama começou com a boa iniciativa de jogadas ofensivas do Vasco. Embora Felipe fizesse partida razoável e Zé Roberto estivesse baqueado por causa de uma contusão no tornozelo durante um treino no dia anterior, a equipe vascaína não se deixou abater. Através das arrancadas do lateral-direita Fagner e do atacante Éder Luís, o time chegava com perigo à área adversária, fazendo com que os zagueiros David Braz e Welinton se desdobrassem na marcação. Entretanto, o fato de Nunes estar em campo pouco fazia diferença a este panorama do jogo. Brigando com a bola, o camisa 9 não permitia que o time vascaíno saísse de seu script na trajetória do Campeonato Brasileiro.

Do outro lado, o Flamengo se defendia como podia, mas sofria com os erros de passes em seu meio-de-campo. Muitos erros proporcionados por Kléberson, que acabava com jogadas de contra-ataque toda vez que a bola passava por seus pés. O rubro-negro demorou a encontrar um bom momento ofensivo. Mas quando conseguiu, veio de maneira extremamente incisiva. Após um lançamento de Deivid, a zaga vascaína falhou, Léo Moura conseguiu driblar Fernando Prass (que saíra atabalhoado do gol) e cruzou para a área. Kléberson cabeceou, mas o lateral-esquerda Diogo tirou em cima da linha.

E quando os erros pareciam ter ficado restritos aos primeiros minutos, o rubro-negro viu surgirem falhas em sequência nos seus setores. E em um lance só. Primeiro, erro de Maldonado, que permitiu roubada de bola de Nunes. Depois, Renato Abreu deixou que Zé Roberto corresse e conseguisse chegar à linha de fundo para cruzar na área. Quando tudo parecia salvo com uma rechaçada providencial de Welinton, no meio do caminho havia um Juan. A bola tocou no lateral-esquerda, passou por Marcelo Lomba e foi parar no travessão. E eis que, de maneira surpreendente, o zagueiro Cesinha surgiu para, com um voleio, colocar a bola no fundo da rede. 1 a 0 Vasco, aos 27 minutos.

O ímpeto vascaíno prosseguiu nos minutos seguintes da primeira etapa. Beneficiado pela dispersão de um Flamengo afoito, o Vasco tinha boas oportunidades de se lançar ao ataque, mas seus lances de velocidade se transformavam em erros causados por ansiedade. Tanto que a única oportunidade clara de ampliar a vantagem veio numa cobrança de falta de Dedé, que Marcelo Lomba defendeu com dificuldade. A última chance de empate do rubro-negro também foi conseguida após um lance de bola parada. Num cruzamento na área, Deivid cabeceou, para defesa segura de Fernando Prass.

Vanderlei Luxemburgo não quis esperar o momento mais crítico da partida para começar a querer mudar a história contada no Engenhão. Na volta para o segundo tempo, ele sacou o inoperante Kléberson e colocou para jogar Petkovic, com grandes esperanças nos passes e, em especial, nas jogadas de bola parada. Só que o Flamengo prosseguiu numa mesmice, que somente não teve graves efeitos colaterais graças ao roteiro modorrento no qual o Vasco de Paulo César Gusmão se entrega quando está em vantagem.

Os vascaínos se postaram na defesa, e permitiram que o time flamenguista tomasse conta do campo. Luxemburgo arriscou duas cartadas de uma vez logo em seguida - a manobra arriscada de trocar Juan por Marquinhos (fazendo com que o reserva e Renato Abreu, ambos originalmente meio-campistas, se revezassem na lateral-esquerda) e a saída de Deivid para colocar o atacante Diogo. Mas, do lado do Vasco é que veio a possibilidade de alteração da trama mostrada no Engenhão. Numa bola dividida entre o zagueiro vascaíno Dedé e o volante flamenguista Williams, o árbitro Gutemberg de Paula Fonseca interpretou como jogada violenta, e expulsou o jogador do Vasco.

A instabilidade emocional passou a pairar no lado do Vasco, e esta mudança de panorama acentuou o desejo de manter o resultado a qualquer custo. O próximo passo de Paulo César Gusmão foi tirar Zé Roberto para colocar o zagueiro Jadson Vieira. Éder Luís se tornou o único homem que a se apresentar para alguma jogada de contra-ataque, e a equipe ficou restrita a atuar de maneira defensiva.

Aos poucos, o Flamengo foi se acertando, e teve boa oportunidade na sua esquerda, quando Diego Maurício entrou na área e chutou para defesa de Fernando Prass. Como resposta, uma nova artimanha defensiva do Vasco - sacar Felipe, único meia capaz de jogadas ofensivas, e promover a entrada de Fellipe Bastos.

Ainda faltava a presença em cena da estrela de Vanderlei Luxemburgo. Jogador que entrara em campo poucos minutos antes, Marquinhos compensou todos os deslizes do companheiro que substituíra (o lateral Juan). Da esquerda, o meia lançou para a área, e a bola chegou a tempo de Renato Abreu desviar, de cabeça, sem chances para o goleiro Fernando Prass. 1 a 1, aos 35 minutos.

Os últimos minutos foram dignos da tensão que move um duelo entre Vasco e Flamengo. Os dois mediam forças arduamente, cada um à sua maneira. O rubro-negro penava para conseguir uma boa troca de passes, e teve a última oportunidade da partida, quando o chute de Diego Maurício parou nas mãos de Fernando Prass. A equipe vascaína aguentava a pressão de duelar com seu tradicional adversário tendo um homem a menos, e se esforçava para não tomar gols (nos últimos minutos, PC Gusmão ainda tirou o atacante Nunes e lançou o volante Renato Augusto na partida).

Os dois batalhavam, na busca incessante de fazer com que seus erros ficassem para trás e que viesse a vitória da redenção. Entretanto, por mais que o futebol seja um esporte imprevisível, a certeza de que "a bola pune" paira nos gramados.

Apesar do bom primeiro tempo e de mostrar surpreendente maturidade para uma equipe tão jovem, o Vasco se perdeu na insistência de garantir o resultado, e recebeu como castigo sair de campo pela décima-quinta vez no Campeonato Brasileiro com um empate. A cada rodada, fica o dissabor de que a equipe podia ter ido mais longe na competição, se não ficasse refém da insegurança de achar que é incapaz de conquistar elásticas vitórias.

Novamente, o Flamengo apresentou nuances de displicência na partida (em especial no primeiro tempo) e conviveu com um placar adverso durante boa parte do jogo. O empate pode ter parecido bom negócio, por ter vindo nos últimos minutos e pela postura ofensiva à qual se entregou. Mas é preocupante ver uma equipe incapaz de conseguir uma virada mesmo tendo um homem a mais desde os 20 minutos do segundo tempo. Em boa parte dos seus 14 empates no Campeonato Brasileiro, a torcida rubro-negra sussurrou um "menos mal" depois de tudo que foi apresentado no gramado.

O Engenhão foi palco de 90 minutos cercados de altos e baixos, de bons e maus momentos. Mas, depois de tanto suspense, Vasco e Flamengo tiveram um desfecho previsível, tão mediano quanto suas respectivas colocações na classificação do Brasileirão. Os vascaínos caíram para o décimo-segundo lugar, com 42 pontos, e os flamenguistas estão em décimo-terceiro, com 38 pontos. Os dois ainda vão se contentar com o meio da tabela, e com o fato de que apenas 26 mil pessoas assistiram a este último embate em 2010. Postura lamentável para tradicionalíssimas equipes do Rio de Janeiro, outrora protagonistas de grandes confrontos e que agora são coadjuvantes relegadas ao insucesso de crítica e público.

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VASCO 1 x 1 FLAMENGO

Estádio: Engenhão (Rio de Janeiro / RJ).

Público: 21.519 pagantes (26.006 presentes) / Renda: R$ 575.820,00.

Árbitro: Gutemberg de Paula Fonseca / Auxiliares: Ediney Guerreiro Mascarenhas (RJ) e Luiz A. Muniz de Oliveira (RJ).

Gols: Cesinha, aos 27 minutos do primeiro tempo. Renato Abreu, aos 35 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Felipe, Éder Luís (Vasco) e Marquinhos (Flamengo).

Expulsão: Dedé (Vasco).

VASCO: Fernando Prass, Fagner, Cesinha, Dedé e Diogo; Rafael Carioca, Rômulo e Felipe (Felipe Bastos - 28'/2ºT); Zé Roberto (Jadson Vieira 23'/2ºT), Éder Luis e Nunes(Renato Augusto 48'/2ºT). Técnico: Paulo César Gusmão

FLAMENGO: Marcelo Lomba, Léo Moura, Welinton, David e Juan (Marquinhos - 16'/2ºT); Maldonado, Willians, Kléberson (Petkovic - intervalo) e Renato Abreu; Diego Maurício e Deivid (Diogo - 16'/2ºT). Técnico: Vanderlei Luxemburgo

domingo, 17 de outubro de 2010

Partida dos sonhos



Análise de jogo: Atlético Goianiense 2 x 0 Vasco (16h, Serra Dourada)

Não, o jogo entre Atlético Goianiense e Vasco não pode ser designado como "partida dos sonhos" pela qualidade técnica das equipes. No duelo entre goianos e cariocas, a vitória havia se tornado fundamental para os dois times continuarem a sonhar com os seus respectivos objetivos no Campeonato Brasileiro.

Na zona de rebaixamento desde a quarta rodada, o Atlético Goianiense se reestruturou sob o comando de René Simões e foi ganhando posições na classificação. Após o período "pré-Copa do Mundo" não apresentar nenhuma boa perspectiva para o Vasco, a chegada do treinador Paulo César Gusmão e a vinda de reforços de bom nível técnico permitiram que a equipe deixasse de ver a Série B como um perigo iminente. Os vascaínos passaram a almejar uma vaga na próxima edição da Taça Libertadores da América.

Mas, tanto atleticanos quanto vascaínos mostraram no primeiro tempo os motivos pelos quais não têm uma situação melhor no Campeonato Brasileiro. O rubro-negro de Goiânia pressionava, mas continuava a ver seus jogadores de ataque desperdiçando oportunidades - o que comprova que o time de René Simões se ressente do poder de fogo do artilheiro Elias, afastado por contusão. Além da falta crônica de um atacante finalizador, o Vasco ainda sofreu com a má atuação de Éder Luís e Zé Roberto. Apesar da boa partida do lateral Carlinhos e do meia Felipe, a veloz dupla de ataque não conseguia usar sua correria para armar jogadas. Aos poucos, a equipe vascaína foi se resumindo a aceitar uma postura mais defensiva. A mesma postura que fez o time de São Januário ter tantos empates na competição.

Na volta para o segundo tempo, o Vasco (amparado por sua torcida, que era maioria no Serra Dourada) tomou a iniciativa de ataque, e teve boas oportunidades através de jogadas armadas por Felipe. Na primeira, o desfecho foi um cruzamento mal-sucedido de Irrazábal. Na segunda, um chute de Éder Luís para fora. Acácio - que comandou o time na partida, pois Paulo César Gusmão estava debilitado por um problema intestinal - decidiu tirar Fellipe Bastos para colocar em campo o jovem Allan. A intenção era mudar o panorama de dispersão que tomava conta dos jogadores vascaínos.

Só que tudo foi comprometido quatro minutos depois da substituição. O árbitro Márcio Chagas da Silva enxergou falta numa dividida de Carlinhos com o lateral-direita Adriano. O jogador vascaíno recebeu seu segundo cartão amarelo no jogo, e acabou expulso de campo. O Vasco até teve uma boa oportunidade com Éder Luís, mas as mudanças de René Simões (Marcão por Josiel e Rômulo por Renatinho) fizeram a equipe carioca começar a sentir a expulsão

O Atlético Goianiense deixou de lado a violência e passou a encontrar boas oportunidades - em especial no lado esquerdo, onde Allan atuava como um lateral-esquerda improvisado. De lá, veio um bom cruzamento de Adriano. A bola passou por toda a área e chegou a Josiel. Mas, com Fernando Prass batido, o atacante atleticano chutou mal, em cima do volante Jumar.

Por cansaço, o técnico Acácio se desfez da sua dupla de ataque, trocando Zé Roberto e Éder Luís por Jonathan e Nílson, respectivamente. Mas, àquela altura, com Allan jogando mais recuado, Felipe já estava sobrecarregado na armação, e o time não partia para frente. A nove minutos do fim, a vantagem numérica foi providencial para os atleticanos. Robston cruzou e Josiel desviou de cabeça para o gol. Fernando Prass fez uma grande defesa, mas a bola sobrou para Anaílson. Livre, o meia-atacante chutou a bola no fundo da rede. Atlético Goianiense 1 a 0. Logo em seguida, o autor do gol foi substituído por William.

O Vasco se lançou à frente, mas foi atrapalhado pela ausência de habilidade da nova dupla de ataque. Embora seja um jogador rápido, Jonathan tropeça muito na bola quando está jogando. Nílson, um centroavante fixo, permanecia isolado entre os zagueiros. Com isso, o time goiano chegava bem no contra-ataque. Aos 42 minutos, William desceu na direita e tocou para o meio da área. De frente para o gol, Juninho foi derrubado por Allan. Pênalti. O goleiro Márcio cobrou no meio do gol, garantindo a vitória por 2 a 0 do Atlético Goianiense.

Do sonho da vaga na Libertadores, o Vasco novamente acorda na realidade de suas limitações. Um time que em muitos momentos não teve gana de sair vitorioso nas partidas (em algumas delas por erros de Paulo César Gusmão), e que preferia evitar de qualquer maneira a derrota a se arriscar a vencer. De fato, não muito digno de um resultado positivo numa competição de pontos corridos. PC Gusmão agora tem um dilema. Como fazer sua equipe encontrar forças para superar a desilusão e enfrentar o tradicional rival Flamengo, que vem motivado por uma vitória por 3 a 0 sobre o Internacional? Beneficiado pelo tropeço do Avaí (que perdeu por 1 a 0 para o Atlético Mineiro na Arena do Jacaré), o Atlético Goianiense sai da zona de rebaixamento a oito rodadas do final do Campeonato Brasileiro. Para uma equipe que ficou por tanto tempo em último lugar na competição, ter forças para sair da zona da degola já é um grande pretexto para o time goiano sonhar mais alto. A permanência na Série A é o limite.

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ATLÉTICO GOIANIENSE 2 x 0 VASCO

Estádio: Serra Dourada (Goiânia / GO).

Árbitro: Márcio Chagas da Silva (RS). Auxiliares: Julio Cesar Rodrigues Santos (RS) e José Eduardo Calza (RS).

Gols: Anaílson, aos 36, e Márcio (de pênalti) aos 42 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Adriano, Rômulo, Daniel Marques, Gilson, Robston, Pituca e William (Atlético Goianiense), Carlinhos, Jumar e Allan (Vasco).

Expulsão:
Carlinhos (Vasco).

ATLÉTICO GOIANIENSE - Márcio, Adriano, Gilson, Daniel Marques e Thiago Feltri; Rômulo (Renatinho, aos 23'/2ºT), Pituca, Robston e Anaílson (William, aos 37'/2ºT); Juninho e Marcão (Josiel, 15'/2ºT). Técnico: Renê Simões.

VASCO - Fernando Prass, Irrazábal, Dedé, Cesinha e Carlinhos; Jumar, Rafael Carioca, Fellipe Bastos (Allan, aos 13'/2ºT) e Felipe; Eder Luis (Nílson, 35'/2ºT) e Zé Roberto (Jonathan, aos 22'/2ºT). Técnico: Acácio.

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O tempo e o placar... apresenta o que houve de melhor e de pior na rodada do Campeonato Brasileiro.

O CHUTAÇO

Por mais que o Internacional não tenha se revelado um adversário à altura, o FLAMENGO já apresenta um panorama muito melhor sob o comando de Vanderlei Luxemburgo. Um time mais organizado (principalmente em sua defesa) e com alguns jogadores que estavam abandonados - casos do zagueiro Wellinton e do meia Maldonado - com novo ânimo para atuar.

A FURADA

A modorrenta partida entre FLUMINENSE E BOTAFOGO decepcionou os que acreditavam que a chance de uma melhor colocação no Campeonato Brasileiro fosse um bom motivo pra que a bola rolasse com mais facilidade. O empate em 0 a 0 foi justíssimo para quem não se preocupou atacar e preferiu se acomodar na defesa.

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RESULTADOS - RODADA 30

Sábado

18h30

Atlético Paranaense 2 x 1 Goiás (Serra Dourada)
Flamengo 3 x 0 Internacional (Engenhão)

Domingo

16h

Guarani 0 x 0 Corínthians (Brinco de Ouro da Princesa)
Grêmio 2 x 1 Cruzeiro (Olímpico)
Atlético Mineiro 2 x 0 Avaí (Arena do Jacaré)
Atlético Goianiense 2 x 0 Vasco (Serra Dourada)

18h30

Fluminense 0 x 0 Botafogo (Engenhão)
Palmeiras 1 x 1 Ceará (Arena Barueri)
Vitória da Bahia 2 x 0 Grêmio Prudente (Barradão)
São Paulo 4 x 3 Santos (Morumbi)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Perdas e danos



Análise de quarta - Atlético Paranaense 0 x 0 Vasco (21h50, Arena da Baixada)

Atlético Paranaense e Vasco entraram em campo completamente diferentes do que suas torcidas, seus treinadores e suas diretorias definem como "força máxima". Foram tantas ausências que, depois de 90 minutos, até o gol resolveu se ausentar da Arena da Baixada.

O rubro-negro paranaense começou a semana sem treinador, depois que Paulo César Carpegiani aceitou proposta para assumir o São Paulo. Em seu lugar, a diretoria contratou Sérgio Soares, comandante do Santo André no Campeonato Paulista deste ano. Durante a semana, o Atlético perdeu para a partida contra o Vasco o goleiro Neto, convocado para a Seleção Brasileira, o atacante Guerrón, servindo a seleção do Equador, o atacante Bruno Mineiro, suspenso pelo terceiro cartão amarelo, e, de última hora, o meia Branquinho foi vetado, devido a uma contusão.

Além da barração de Titi (que teve atuações desastrosas nas últimas três partidas, e perdeu a vaga de titular para Cesinha), o Vasco novamente não teve a presença de boa parte de sua equipe. O lateral-esquerda Ramon, o volante Nílton e os meias Felipe e Carlos Alberto seguem no Departamento Médico do clube, com previsões de volta aos gramados bem distantes. O técnico Paulo César Gusmão também não estava presente, pois cumpria punição de uma partida pela expulsão no jogo contra o Internacional, no Beira-Rio. Na beira do gramado, seu auxiliar Acácio comandou o time vascaíno.

A falta de qualidade ofensiva de ambos os lados teve efeitos opostos nas equipes. O mandante Atlético arriscava jogadas ofensivas, mas elas pouco chegavam na área. O único lampejo foi aos sete minutos, quando González cruzou e Nieto desviou de cabeça, com a bola chegando perto do gol vascaíno. Entretanto, depois que a marcação sobre Paulo Baier ficou mais intensa, o Furacão foi vendo suas oportunidades cada vez mais escassas - em especial porque o veloz Maikon Leite preferiu atuar somente pelo lado esquerdo. Sobravam apenas as jogadas de bola parada, nas cobranças perigosas de Baier.

Inicialmente, o Vasco se postou na defesa. Mas, com o tempo, os erros de passe atleticanos aconteciam, e o time vascaíno conseguiu equilibrar a partida - apesar da nova baixa que teve na equipe. Aos 24 minutos, o lateral-esquerda Max saiu contundido, e deu lugar a Ernani. As tentativas vinham sempre pela correria, através da velocidade do lateral-direita Fagner e do atacante Éder Luís. Só que, novamente, o time padecia com seus deslizes ofensivos: a má pontaria de Zé Roberto (que, aos 12 minutos, perdeu chance clara após driblar dois defensores adversários) e, em especial, a completa falta de qualidade do centroavante Rafael Coelho.

Numa partida tão equilibrada pelas limitações dos dois times, os momentos de desequilíbrio foram proporcionados pelo gramado. A Arena da Baixada foi palco de muitos escorregões de ambos os lados. Ao fim do primeiro tempo, tudo parecia condizente com a queda de rendimento do futebol de Atlético Paranaense e Vasco.

O Atlético voltou para a segunda etapa com mais volume de jogo, mas se ressentia muito das ausências de Branquinho e Guerrón. Sem o meia, e com Paulo Baier bem marcado, restava a González alçar bolas em busca da eficiência do centroavante Nieto. A zaga adversária, formada por Dedé e Cesinha, transmitia segurança quando a tentativa vinha através da troca de passes. O Vasco se segurava na defesa, e, depois de Rafael Coelho ser substituído pelo meia Allan, a equipe evoluiu muito na busca pelos contra-ataques. Num deles, Fellipe Bastos emendou um chute de fora da área, bem defendido por João Carlos.

Com o passar do tempo, os vascaínos se restringiram a atuar somente neutralizando os lances ofensivos do adversário. Sérgio Soares ainda tentou dar sangue novo ao ataque, trocando Maikon Leite por Thiago. Mas, como a bola não chegava na frente, ele preferiu mesmo usar nos cruzamentos para a área - primeiro, trocando o volante Deivid pelo lateral-direita Wagner Diniz, e, nos últimos minutos, tirando o lateral-direita Élder Granja para colocar em campo o atacante Marcelo.

As duas chances vieram mesmo com o zagueiro Rodolpho, que apareceu com destaque na frente atleticana, e quase marcou tanto num belo chute defendido por Fernando Prass e quanto numa cabeçada que passou perto do travessão. Acácio decidiu trocar o exausto Éder Luís pelo atacante Nunes. Por ser um jogador de área, o camisa 9 vascaíno evitou que Rodolpho continuasse a avançar com perigo. Coube ao centroavante Nieto sacramentar o empate em 0 a 0. Num cruzamento de Paulo Baier, o jogador, livre de marcação, cabeceou para fora.

Ao fim da partida, as perdas não ficaram apenas nos dois pontos que escaparam para as equipes. O Atlético Paranaense novamente desperdiçou a oportunidade de chegar ao quarto lugar do Campeonato Brasileiro - beneficiado pela derrota do Internacional, por 1 a 0 para o Ceará, no Castelão. O rubro-negro ainda fica à espera de que a Confederação Brasileira de Futebol consiga que a Conmembol abra novamente a quarta vaga do Brasileirão para um clube brasileiro. Assim, fica mais perto o sonho de chegar à Taça Libertadores da América em 2011.

Embora o empate fora de casa (no contexto da pressão que sofreu da torcida e do time atleticano) não seja mau resultado, o Vasco caiu uma posição, em virtude da vitória por 2 a 0 do São Paulo sobre o Vitória da Bahia. Sem contar que, por chegar a seu décimo-terceiro empate na competição, há algum tempo empatar não tem sido um resultado tão relevante para a equipe vascaína. O que comprova que as perdas para o Departamento Médico têm contribuído para gerar tantos danos em sua campanha no Campeonato Brasileiro.

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ATLÉTICO PARANAENSE 0 x 0 VASCO

Local: Arena da Baixada (Curitiba / PR)

Árbitro: Paulo César de Oliveira (SP-FIFA) / Auxiliares: Ednilson Corona (SP-FIFA) e Emerson Augusto de Carvalho (SP-FIFA)

Cartões amarelos: Paulo Baier (Atlético/PR), Fagner e Éder Luís (Vasco).

ATLÉTICO PARANAENSE - João Carlos, Elder Granja (Marcelo 42'/2ºT), Manoel, Rhodolfo e Paulinho; Deivid (Wagner Diniz 34'/2ºT), Chico, Paulo Baier e González; Maikon Leite (Thiago 26'/2ºT) e Nieto. Técnico: Sérgio Soares.

VASCO - Fernando Prass, Fagner, Dedé, Cesinha e Max (Ernani 24'/1ºT)); Rafael Carioca, Jumar, Fellipe Bastos e Zé Roberto; Éder Luis (Nunes 39'/2ºT) e Rafael Coelho (Allan 11'/2ºT). Técnico: Paulo César Gusmão.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

À margem do desequilíbrio



Análise de jogo - Vasco 2 x 2 Botafogo
(21h, Engenhão)

Num clássico tradicionalíssimo do futebol, é o imprevisível que fala mais alto para que uma das equipes se sobressaia. Entretanto, Vasco e Botafogo passaram os 90 minutos do duelo no Engenhão fugindo deste desequilíbrio. Tudo pareceu calculado milimetricamente para que os dois não corressem muitos riscos durante a partida. Com tantas situações previsíveis, restou um empate, que não adianta muita coisa para vascaínos e botafoguenses na trajetória do Campeonato Brasileiro.

Do lado do Botafogo, Joel Santana manteve a tática de montar um esquema defensivo e à espera do adversário no primeiro tempo, para que na reta final viessem mudanças capazes de deixar o time mais ofensivo e veloz, nos pés de jogadores descansados. Entretanto, a equipe alvinegra passou os primeiros minutos completamente envolvida pelo Vasco. O time parecia desarrumado em campo, e dava muitas brechas principalmente no lado esquerdo. Por este setor, os vascaínos chegavam com facilidade, graças à velocidade de Ramón e de Éder Luís na armação de jogadas. Numa delas, a bola sobrou para Rafael Coelho que, diante de Jefferson, perdeu uma oportunidade clara logo no início.

Os botafoguenses pareciam negligentes nos passes e, num erro de Antônio Carlos na saída de bola, Zé Roberto conseguiu recuperar e tocar para Fellipe Bastos. O meia lançou Ramón, que cortou para o meio e jogou na área. A bola desviou na zaga e entrou à direita do goleiro Jefferson. Vasco 1 a 0, aos 13 minutos.

O clássico prometia sofrer uma alteração drástica quatro minutos depois, quando o zagueiro Antônio Carlos saiu machucado. Mas, em vez do praxe de trocar um zagueiro por outro, Joel Santana decidiu fazer uma alteração imprevisível. Claro, com uma boa dose de previsibilidade. Como sempre, o primeiro jogador do banco de reservas a entrar em campo foi o atacante Caio. Só que a entrada do "talismã" não mudou as coisas no ataque alvinegro. Em vez da equipe se recompor num 4-4-2, o técnico preferiu alternar entre Leandro Guerreiro, Fahel e Alessandro no papel de terceiro zagueiro - Caio de vez em quando desempenhava o papel de ala. E pelo lado direito do adversário, o Vasco encontrou outras oportunidades que passaram próximas do gol de Jefferson.

Quando o Botafogo começava a se ajeitar na frente - e, finalmente, Maicosuel e Caio se aproximavam de Loco Abreu - aos 32 minutos o time sofreu outra baixa. Maicosuel sentiu um problema no joelho, e teve de ser substituído pelo atacante Herrera. Minutos depois, a saída vascaína novamente foi pela direita alvinegra. Caio perdeu bola no meio-de-campo e Nílton lançou Éder Luís. O camisa 7 correu para o meio, passou por dois zagueiros e chutou da entrada da área. 2 a 0 Vasco, aos 35. E, como é comum em todo jogo do time, na saída do intervalo a torcida botafoguense gritou: "Joel, tira o Fahel".

Mas quem voltou com mudança no intervalo foi o Vasco. Paulo César Gusmão mais uma vez tirou de campo Rafael Coelho (que novamente foi decisivo para atrapalhar os vascaínos a conseguirem uma vitória mais elástica no primeiro tempo), para colocar em campo Carlos Alberto. Entra e sai técnico, e sempre os comandantes do time de São Januário caem no mesmo erro: Carlos Alberto tem características ofensivas, mas não é um artilheiro nato e não sabe jogar fixo na área. Nem é atacante.

O time ficou exposto e ainda viu os mesmos erros acontecerem durante a segunda etapa. O primeiro deles foi com Fernando Prass. Novamente, o goleiro falhou em sua saída de gol. Com um soco errado, a bola sobrou para Herrera. O atacante argentino deu uma cabeçada que encobriu o camisa 1 vascaíno e jogou a bola no fundo da rede, diminuindo para 2 a 1 aos 10 minutos.

As falhas previsíveis pareciam ter mudado para o Vasco, e o Botafogo partia em busca do empate - em especial depois que Edno entrou no lugar de Renato Cajá. Só que ainda havia um jogador disposto a repetir seu erro. Depois de duas faltas desleais de ataque, Herrera recebeu dois cartões amarelos, e saiu de campo expulso aos 18 minutos. A equipe de Joel Santana sentiu o baque e novamente o Vasco tomou conta do jogo, conseguindo várias oportunidades, que continuaram mesmo depois que Zé Roberto saiu para a entrada de Felipe. No entanto, o estigma continuou a fazer parte da rotina vascaína. Belas trocas de passe, várias chances claras e... Nenhuma na rede. A melhor oportunidade foi desperdiçada por Carlos Alberto, que diante de Jefferson chutou mal.

E o Vasco foi desequilibrando seu futebol. Num primeiro momento, na infeliz alteração de Paulo César Gusmão, que na hora de substituir o cansado Éder Luís, preferiu colocar em campo Nunes, centroavante fixo e totalmente fora de forma. A seis minutos do fim, Ramón sentiu uma contusão no joelho e teve de sair do gramado, deixando a equipe com os mesmos 10 jogadores que o Botafogo.

Os vascaínos optaram por apenas jogar de maneira defensiva. E mais uma vez caíram num erro que impediria sua vitória. Num cruzamento, o zagueiro Titi desviou a bola com o braço para evitar que ela chegasse a Loco Abreu. O árbitro marcou pênalti, corretamente. Loco Abreu cobrou no cantinho e, aos 47 minutos do segundo tempo, sacramentou o empate. O décimo-segundo empate em 23 jogos do Vasco na competição.

Passada a euforia do pós-Copa, na qual conseguiu sair da zona de rebaixamento e por pouco não brigou pelas primeiras colocações, o Vasco agora vai se dando conta das limitações que tornam o empate um resultado cada vez mais previsível na campanha vascaína. A esperança de qualidade não é satisfeita somente com Carlos Alberto. Faltam em São Januário pelo menos um zagueiro menos instável que Titi para fazer companhia a Dedé, e um atacante que saiba fazer gols. Além de um elenco mais convincente.

Para o Botafogo, o empate foi amenizado pela derrota do Internacional para o Atlético Paranaense, por 1 a 0 na Arena da Baixada. Graças ao tropeço colorado, o time de General Severiano está na quarta colocação, com 39 pontos. No entanto, depois que Joel Santana conseguiu abandonar alguns estigmas que acompanharam sua carreira - ser um treinador retranqueiro, com padrão de jogo bom apenas para vencer campeonatos estaduais - agora é a hora de ele abandonar esta ânsia por ser ofensivo sem medir os riscos. Aos poucos, o desequilíbrio, que foi eficaz nas rodadas anteriores, vem tornando o alvinegro bastante previsível dentro do gramado.


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VASCO 2 x 2 BOTAFOGO

Estádio: Engenhão (Rio de Janeiro / RJ)

Árbitro: Felipe Gomes da Silva (RJ) / Auxiliares: Dibert Pedrosa Moises (Fifa-RJ) e Luiz Muniz de Oliveira (RJ)

Renda/público: R$ 347.545,00 / 14.248 pagantes

Cartões amarelos: Zé Roberto, Ramón, Fellipe Bastos, Nunes (Vasco), Danny Morais, Alessandro e Loco Abreu (Botafogo)

Expulsão: Herrera

GOLS: Ramón aos 13 e Éder Luis aos 35 minutos do primeiro tempo. Herrera, aos 10, e Loco Abreu (de pênalti) aos 46 minutos do segundo tempo.

VASCO: Fernando Prass, Fagner, Dedé, Titi e Ramón; Rafael Carioca, Nilton, Felipe Bastos e Zé Roberto (Felipe, 20'/2ºT); Rafael Coelho (Carlos Alberto, intervalo) e Éder Luis (Nunes, 34'/2ºT). Técnico: Paulo César Gusmão.

BOTAFOGO: Jefferson, Danny Morais, Antônio Carlos (Caio, 17'/1ºT) e Fábio Ferreira; Alessandro, Leandro Guerreiro, Fahel e Renato Cajá (Edno, 16'/2ºT), Maicosuel (Herrera, 32'/1ºT) e Somália; Loco Abreu. Técnico: Joel Santana.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Parto nos gramados



Não é comum no futebol um atleta ser contratado com muitas expectativas e, depois de um tempo, ficar marcado por um péssimo período no clube que defendem. Mas, nesta temporada, alguns jogadores vêm passando por um problema ainda mais delicado aos olhos dos torcedores. A imprensa se acostumou a associar estes nomes à frase "ainda não é desta vez", "ausência" ou "desfalque", e a torcida mergulha numa espera por seus grandes destaques.

O caso que traz mais holofotes é o de Ronaldo. Desde o início do ano, o atacante parece ter restrito sua ação a ser o homem de marketing do Corínthians. Com toda a fama que ganhou na carreira, o jogador cada vez mais parece entregue ao fim de carreira. Chama atenção sua capacidade em ficar fora de forma rapidamente, o que atrapalha ainda mais seu retorno a campo depois de algumas contusões.



A canção do ausente do Fluminense tem um ritmo mais pesado. Fred, que vinha se recuperando de uma contusão, sentiu outra que vai deixá-lo por mais tempo longe dos gramados. Por conta deste episódio, o atacante decidiu criticar publicamente o médico do clube, Michel Simoni, que pediu demissão depois do incidente.

Desde que chegou ao tricolor, Fred vem passando por longos períodos de contusão, que não só atrapalham seu ritmo de jogo, mas também fazem com que sua responsabilidade fica ainda maior. Em 2009, ele chegou ao fim do Campeonato Brasileiro com a responsabilidade de fazer os gols da salvação da Série B. Com o Fluminense nos primeiros lugares da competição, a tarefa ficará mais difícil? Especialmente porque o centroavante Washington vem tendo desempenho convincente desde seu retorno às Laranjeiras.



Ao menos, Fluminense e Corínthians têm elencos de boa qualidade, capazes de amenizar a falta de algum jogador, por maior talento que ele possua. Mas este não é o caso do Vasco, que desde o ano passado não sabe compensar os períodos de ausência de Carlos Alberto. Sem ele, a equipe perde muito de sua criatividade, e as jogadas saem aos trancos e barrancos.

A campanha hesitante do Vasco no Campeonato Brasileiro (cercada de empates) se deve muito à falta de criação de jogadas ofensivas. Por mais que o técnico Paulo César Gusmão tenha ajustado a defesa vascaína, ele ainda não conseguiu achar um substituto com nível próximo a Carlos Alberto - em especial porque, devido às poucas opções que existem no ataque, Zé Roberto geralmente é escalado como segundo atacante. O número de vezes que esteve em campo não chega nem à metade das partidas vascaínas na temporada, mas ele faz bem mais do que muitos jogadores da equipe de São Januário.

Nesta espera digna de um parto, as dores são sentidas pelos técnicos e pelas torcidas de Corínthians, Fluminense e Vasco. E todas as equipes sabem que, além da incerteza da data de retorno, as equipes ainda têm o receio do "pós-parto": será que eles voltarão em boas condições físicas? A dor pode ser ainda maior nos cofres dos clubes.

sábado, 4 de setembro de 2010

Fortaleza vascaína



Análise de jogo: Ceará 0 x 2 Vasco (18h30, Castelão)

O Estádio Castelão foi durante todo o primeiro turno o reduto de segurança para o Ceará conquistar pontos no Campeonato Brasileiro. Dos nove jogos que realizou lá, o Vovô ganhou 19 dos 27 pontos disputados. Entretanto, em sua última partida neste turno, o time cearense sofreu a primeira derrota diante de sua torcida. De fortaleza, ficou apenas a do Vasco, com uma defesa intransponível, e dois ataques letais para a derrubada do castelo adversário.

Os guerreiros do Ceará começaram a partida de maneira surpreendente, tanto em sua escalação quanto por seu comportamento dentro de campo. O técnico Mário Sérgio passara a semana anunciando que escalaria sua equipe num 4-4-2, preservando o promissor zagueiro Pablo (por receio de "queimar" uma boa promessa do clube). No entanto, ele foi relacionado, e o time iniciou no esquema 3-5-2, visando dar liberdade para os laterais Oziel e Ernandes.

Dentro das quatro linhas, o outro fator surpreendente aos olhos da torcida foi a postura do Vozão. Um dos piores ataques do Brasileirão, o time se destacou no turno por ter simultaneamente a melhor defesa da competição e o pior ataque. No entanto, assim que Salvio Spinola deu início à partida, os cearenses foram para o ataque, apostando na qualidade do meia Camilo e na correria da dupla de ataque Magno Alves e Kempes. O panorama era promissor quando, aos três minutos, uma boa jogada na esquerda terminou em conclusão de Magno Alves que tocou por fora da rede.

Mas, enquanto a inconstância da parte ofensiva parecia se ajeitar com a nova dupla de frente, a defesa se enfraquecia. E o Vasco, no qual Paulo César Gusmão solidificara o setor defensivo e apostava na velocidade de seu ataque, foi fatal. Desmarcado, Carlos Alberto teve espaço para aproveitar uma bola roubada no meio-de-campo e deu um passe eficiente para que Éder Luís, que, livre na esquerda, correu até a área do Ceará. O camisa 7 driblou Fabrício e lançou Zé Roberto na direita. O jogador desviou para o fundo da rede, diante de um Michel Alves batido. 1 a 0 Vasco, aos sete minutos.

Com a vantagem, o Vasco ficou ainda mais chamando o adversário para seu campo, na tentativa de encontrar novos contra-ataques. Mas, com a marcação do Ceará fortalecida tardiamente, os vascaínos passaram o resto da primeira etapa rechaçando as oportunidades adversárias, graças, principalmente, aos pés do zagueiro Dedé. Além do gol, o outro momento do Vasco diante de Michel Alves foi a dois minutos do fim da primeira etapa - quando Zé Roberto arriscou de fora da área e a bola passou rente a trave. De resto, o que se viu foi uma constante pressão do Vovô, e a equipe vascaína completamente encolhida no campo.

A equipe cearense conseguia aumentar seu volume de jogo, mas o poder ofensivo continuava limitadíssimo, como nas rodadas anteriores. Foram muitos chutes sem direção e, em meio a eles, a única chance clara veio aos 20 minutos. Camilo, sozinho na área, chutou, e Fernando Prass defendeu com os pés. O mau desempenho dos laterais tornara ainda mais difícil um bom resultado para o Ceará na primeira etapa.

Para o segundo tempo, Mário Sérgio fez uma alteração que afetou também o esquema de seu time. O zagueiro Pablo saiu, para a entrada do meia Geraldo, fato que fez a equipe passar a atuar no 4-4-2 e deixar de ter suas jogadas no meio-de-campo restritas a Camilo. A substituição num primeiro momento deu mais mobilidade ao meio-de-campo, e fez aparecerem jogadas pelos lados. Mas o Vasco adiantou sua marcação, e foi bem-sucedido em seus desarmes. Nem mesmo a contusão de Carlos Alberto, que teve de ser substituído por Fumagalli, enfraqueceu o time vascaíno. As oportunidades continuaram vindo, como em chutes de Éder Luís e Zé Roberto, que obrigaram Michel Alves a fazer boas defesas.

Paulo César Gusmão teve de fazer nova substituição na parte ofensiva da equipe - Zé Roberto, com cãimbras, deu lugar a Jonathan. Logo em seguida, Mário Sérgio tentou aproveitar as baixas vascaínas (que deixariam a saída de bola com qualidade inferior) e quis mais uma opção para o ataque. O lateral Oziel foi trocado pelo atacante Vandinho. Só que a mudança tornou ainda mais complicadas as coisas para o Ceará. Se o time persistia em afunilar as jogadas no meio-de-campo, a ausência de um lateral tornava o caminho árduo para o trio de ataque. As únicas esperanças continuariam a vir dos pés de Geraldo, que, sem receber marcação eficaz, armava boas jogadas de perigo. Caso da melhor chance do Vozão, aos 27 minutos. O meia tabelou com Magno Alves, que chutou para nova grande defesa de Fernando Prass.

Quando Éder Luís saiu do gramado também com cãimbras, a entrada do volante Felipe Bastos era vista apenas como remédio. Ele foi encarregado de dar maior reforço à fortaleza vascaína, não desgrudando de Geraldo. Entretanto, ele se tornou responsável por consolidar a vitória do Vasco. No rebote de sua cobrança de falta (que acertou a barreira), Felipe chutou rasteiro da intermediária, e a bola parou no fundo da rede de Michel Alves. 2 a 0 Vasco, aos 37 minutos.

Nos minutos finais da partida, os torcedores do Ceará que ficaram nas arquibancadas do Castelão voltaram suas artilharias para ofensas a Mário Sérgio, pois o treinador segue o mesmo caminho do seu antecessor, Estevam Soares, e não consegue fortalecer a equipe novamente. Desde o retorno após a parada da Copa do Mundo (quando estava na vice-liderança da competição e não tinha sido derrotado em nenhum dos sete jogos), o Vovô vem perdendo suas forças jogo a jogo, e suas limitações se sobressaem diante dos adversários. Nem mesmo a força de seu estádio parece capaz de garantir resultados ao menos razoáveis para o time alvinegro.

A dor fica ainda mais forte porque seu ex-comandante do início do campeonato, Paulo César Gusmão, hoje é o técnico do algoz de sua primeira derrota como mandante no Brasileirão de 2010. E os 90 minutos do Castelão comprovaram que o Vasco, apesar de suas limitações (uma delas foi parcialmente corrigida hoje, com o retorno de Nunes, um centroavante de ofício, coisa que a equipe não teve nas rodadas mais recentes), já sabe se portar como uma fortaleza diante de seus adversários.

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CEARÁ 0 x 2 VASCO

Estádio: Castelão (Fortaleza / CE)

Árbitro: Salvio Spinola (FIFA-SP) / Auxiliares: Marcelo Carvalho Van Gasse (SP) e Vicente Romano Neto (SP)

Gols: Zé Roberto, aos sete minutos do primeiro tempo, e Felipe Bastos aos 37 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Kempes, Camilo (Ceará) e Zé Roberto (Vasco).

CEARÁ - Michel Alves; Fabrício, Diego Sacoman e Pablo (Geraldo, intervalo); Oziel (Vandinho, 20'/2ºT), Heleno, João Marcos e Camilo; Kempes e Magno Alves. Técnico: Mário Sérgio.

VASCO - Fernando Prass; Fagner, Dedé, Titi e Jumar; Rafael Carioca, Rômulo, Carlos Alberto (Fumagalli, 18', 2ºT) e Zé Roberto (Jonathan, 16'/2ºT); Éder Luís (Fellipe Bastos, 31'/2ºT) e Nunes. Técnico: Paulo César Gusmão.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Pés atados



Análise de quarta: São Paulo 0 x 0 Vasco (22h, Morumbi)

Pouco mais de 10 mil pessoas tiveram disposição para assistir ao embate entre São Paulo e Vasco no Morumbi. De quente, apenas a noite paulistana, em momento atípico de veranico em pleno inverno. No gramado, sobrou apenas a frieza do mau panorama do confronto duas equipes que estão de pés atados diante de suas limitações. Os são-paulinos, em meio a uma crise na qual a torcida vê, depois de anos disputando títulos, um grupo de jogadores limitados e em má fase. Apesar da motivação da equipe estar em ascensão no Campeonato Brasileiro, os vascaínos a cada partida penam com a falta de um centroavante de ofício, capaz de transformar as jogadas em gol. Os zeros no placar soaram como justos para ambos os lados.

Poder de finalização é o que não falta ao São Paulo, pois tem o oportunista Ricardo Oliveira em seu ataque. Entretanto, os jogadores que restaram para a disputa do Brasileirão ainda não encontraram entrosamento suficiente para formar um time ao menos competitivo. O companheiro de ataque de Ricardo Oliveira, Fernandinho, continua com o mau hábito de prender a bola de maneira excessiva. No meio-de-campo, Casemiro tem certa qualidade na marcação mas, assim como Rodrigo Souto, padece de uma melhor troca de passes. Deslocar Richarlyson para ficar mais próximo do ataque soa como desespero, diante da timidez que ele vem apresentando ao tentar jogadas. A aposta no jovem Marcelinho é válida, ele tem potencial, só que não pode ser "queimado" com a responsabilidade de ser o único a pensar com habilidade do tricolor paulista. Em especial se os laterais Jean e Júnior César não aparecem de maneira incisiva.

O Vasco se desenha de maneira oposta à atual situação do time paulista. Há homens com boa qualidade para a troca de passes e o início de jogadas, como Felipe, Zé Roberto e Éder Luís. No entanto, quando os dois últimos são os atacantes da equipe, revela-se uma carência na finalização. Ambos têm velocidade e um bom poder de buscar jogadas rumo ao ataque. Só que passam longe da área adversária, e não representam tanto perigo para os zagueiros.

Neste contexto, aliado ao fato de o São Paulo ser o mandante da partida, desde o início só o tricolor paulista chegou perto do gol. A primeira chance, aos três minutos, quando Ricardo Oliveira chutou e Fernando Prass, diante do atacante são-paulino, fez ótima defesa. Ainda na primeira etapa, Oliveira teve outras duas oportunidades - uma defendida por Prass e outra rebatida pelo zagueiro Fernando. Uma bola no travessão em cobrança de falta de Jean completou o repertório de chutes a gol dos são-paulinos.

Os vascaínos armaram uma estratégia interessante de contra-ataque, e seu esquema estava previsto para oscilar entre o 3-5-2 quando era atacado e o 4-4-2 quando organizava jogadas ofensivas. Mas duas falhas afetaram o desempenho na frente. A insistência do técnico Paulo César Gusmão em escalar Felipe na lateral-esquerda não só deixou a saída de bola mais lenta como também a ausência de ritmo de jogo comprometeu seus bons passes. Outro problema foi gerado pelo desfalque de Carlos Alberto (cumprindo um jogo de suspensão, depois do STJD condená-lo a duas partidas sem atuar, devido à expulsão contra o Vitória da Bahia). A opção de escalar Allan para a posição rendeu em velocidade, mas o camisa 35 se revelou muito atabalhoado nas jogadas, tropeçando em seus erros e atrapalhando algumas boas oportunidades. Éder Luís e Zé Roberto apenas recebiam bolas lançadas sem qualquer direção - a maioria rechaçada pelos zagueiros. De qualquer forma, a boa atuação defensiva dos zagueiros Dedé e Fernando, do "zagueiro-volante" Nílton e dos volantes Rafael Carioca e Rômulo levaram para o intervalo o alívio de o time não ter tomado gols.

Os dois treinadores voltaram com substituições para o segundo tempo. No Vasco, Paulo César Gusmão tentou melhorar os passes, tirando Allan para colocar Fumagalli. No São Paulo, Sérgio Baresi trocou o volante Casemiro por Carlinhos Paraíba, na tentativa dele ser mais um homem com qualidade de passe no meio-de-campo. Contundido, Ricardo Oliveira deu lugar a Fernandão. O time perderia qualidade na finalização, mas ganharia uma ótima opção para jogadas aéreas.

A tentativa aérea apareceu antes do primeiro minuto. Júnior César cruzou, Fernandão e o zagueiro vascaíno Fernando foram para a bola, e o atacante do São Paulo caiu na área, pedindo pênalti. O árbitro Carlos Eugênio Simon não marcou. O São Paulo seguiu chutando de qualquer lugar da intermediária vascaína, mas nenhuma delas tinha perigo suficiente para acionar Fernando Prass.

Rogério Ceni se limitava a repor a bola em tiros de meta ou a receber recuos da zaga são-paulina, que via uma atuação segura da dupla Xandão e Miranda. Afinal, a única chance frontal ao seu gol foi desperdiçada pela falta de domínio de Fumagalli, que não aproveitou o bom passe de Fagner.

Sérgio Baresi fez sua última alteração, depois de mais uma tentativa de ataque de Fernandinho se perder por sua insistência em prender a bola. O camisa 12 saiu para a entrada de Dagoberto, jogador cuja escalação foi praticamente imposta pelos chefes de torcidas organizadas, que entraram no Centro de Treinamento do clube durante a semana para tirar satisfações com atletas e o treinador. Ele tentou algumas tabelas com Marcelinho e Fernandão, mas não conseguiu acrescentar muito ao time.

Paulo César Gusmão quis dar velocidade à equipe, trocando Zé Roberto por Jonathan. Mas o lateral-direita Fagner continuava preso à marcação (e tinha bons momentos diante do ataque adversário), enquanto Nílton se atrapalhava toda vez que arriscava uma jogada ofensiva e Fumagalli não acertava um passe sequer. Sobrava ficar à espera de disputar uma bola rechaçada. Nos minutos finais, Felipe, cansado, pediu para sair. Em seu lugar, entrou Irrazábal, que compôs de maneira convincente a lateral-esquerda e até arriscou algumas tentativas ofensivas, mas não de maneira suficiente para conseguir mudar o panorama vascaíno.

O empate em 0 a 0 foi visto com certo alívio pelos vascaínos. O Vasco ganhou um ponto fora de casa, diante do tradicional rival São Paulo, após uma partida na qual foi dominado durante os 90 minutos. Mas estes não são argumentos suficientes para deixar de lado os problemas que a equipe ainda apresenta. A má forma de Felipe continua a interferir no bom andamento das jogadas ofensivas, com erros constantes de passes e falta de fôlego tanto para ser ala quanto para ajudar os demais companheiros. Por mais que Zé Roberto e Éder Luís sigam incansáveis, a falta de um jogador com a função de colocar a bola na rede torna inútil toda qualidade que a equipe vascaína agora tem na sua parte ofensiva - que tire do zero ao menos o número de finalizações num jogo. Além disto, a dependência da presença de Carlos Alberto permanece no time do Vasco, mesmo com tantas contratações.

Mas, sem dúvida, o placar de 0 a 0 chegou com a força de uma derrota para o São Paulo. Nem tanto pelo adversário que encontrou em campo, e sim pelas chances perdidas durante a partida (a maior delas com Fernandão, a quatro minutos do fim, defendida com reflexo por Fernando Prass). A iminência de se aproximar da zona de rebaixamento vem de maneira intensa. Com um elenco cada vez mais retaliado - e, o que é pior, pela saída em massa de jogadores que não corresponderam - o tricolor paulista está às vésperas do fim do primeiro turno do Campeonato Brasileiro sem padrão de jogo e até mesmo sem um treinador (Sérgio Baresi foi contratado para ser interino). Ao final da partida, o clube ainda amargou ouvir a torcida dar gritos de "ão, ão, ão, Segunda Divisão". Bem, pelo menos por enquanto, a certeza da Série B ainda está restrita aos gritos da arquibancada.

SÃO PAULO 0 x 0 VASCO

Estádio: Morumbi

Renda e Público: R$ 226.723,59 / 10.802 pagantes

Árbitro: Carlos Eugênio Simon (FIFA-RS) / Auxiliares: Paulo Ricardo Silva Conceição (RS) e Julio Cesar Rodrigues Santos (RS).

Cartão amarelo: Rômulo e Dedé (Vasco).

SÃO PAULO - Rogério Ceni; Jean, Xandão, Miranda e Junior Cesar; Casemiro (Carlinhos Paraíba), Rodrigo Souto, Richarlyson e Marcelinho; Fernandinho (Dagoberto) e Ricardo Oliveira (Fernandão). Técnico: Sérgio Baresi.

VASCO - Fernando Prass, Dedé, Fernando e Nílton; Fagner, Rafael Carioca, Rômulo, Allan (Fumagalli) e Felipe (Irrazábal); Zé Roberto (Jonathan) e Éder Luís. Técnico: Paulo César Gusmão.