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domingo, 5 de dezembro de 2010

Chega de humildade! - Pedindo permissão ao mestre



De Diego Bachini Lima

Amigos, a humildade acaba aqui. Desde hoje o Fluminense é o campeão do Brasil. No maior de todos os tempos, o tricolor conquistou a sua mais bela vitória. E foi também o grande dia do Estádio Olíimpico João Havelange. A massa “pó-de-arroz” teve o sentimento do triunfo. Aconteceu, então, o seguinte: — vivos e mortos subiram as rampas. Os vivos saíram de suas casas e os mortos de suas tumbas. E, diante da plateia colossal, Fluminense e Guarani fizeram uma dessas partidas imortais.

Daqui a duzentos anos a cidade dirá, mordida de nostalgia: — “Aquele jogo!”. Ah, quem não viu o jogo no Estádio Olímpico João Havelange não viveu. E o Fluminense fez uma exibição digna de sua história, sofrida e suada. Lutou com a alma indomável do campeão. Ninguém conquista o título num único dia, numa única tarde. Não. Um título é todo sangue, todo suor e todo lágrimas de um campeonato inteiro.

Acreditem: — o Fluminense começou a ser campeão muito antes. Sim, quando saiu do caos para a liderança. “Do caos para a liderança”, repito, foi a nossa viagem maravilhosa. Lembro-me do primeiro domingo em que ficamos sozinhos na ponta. As esquinas e os botecos faziam a piada cruel: — “Líder por uma semana”. Daí para a frente, o Fluminense era sempre o líder por uma semana.

Olhem para trás. Da rodada inaugural até ontem, não houve time mais regular, mais constante, de uma batida mais harmoniosa. Mas foi engraçado: — por muito tempo, ninguém acreditou no Fluminense, ninguém. Um dia, Emerson veio das Arábias. Era o ponta-de-lança mais esperado que um Moisés. Queríamos um goleador. E nunca mais se interrompeu a ascensão para o título.

O curioso é que, há muito tempo, aqui mesmo desta coluna, fez-se o vaticínio de que o campeonato teria a sua decisão num lance de Washington. Foram autores de tal profecia, primeiro, o próprio jogador; em seguida, a minha amiga Wannessa Lima, um e outro tricolor. O que ambos não sabiam é que já estava escrito há seis mil anos que o campeão seria o Fluminense num passe de cabeça do Coração Valente. E vou citar um outro oráculo: Fred. Quando o tricolor parecia uma piada no fim do último ano: — “Este é o ano do Fluminense!”. E do seu olhar vazava luz.

Amigos, o que se viu hoje no Estádio Olímpico João Havelange foi espantoso. Primeiro, a tempestade de bandeiras, de pó-de-arroz, o mosaico tricolor.

E que formidável partida! O Fluminense acuado não conseguia jogar no primeiro tempo, mas o Goiás marcou. O Fluminense nervoso e o Corínthians empata. E foi preciso que Emerson, o goleador do Fluminense, marcasse aquele que seria o gol da vitória, da doce e santa vitória. E o Corínthians, no Planalto Central, não desempatou mais, nunca mais. Era a vitória, era o título.

Agora a pergunta: — e o personagem da semana? Podia ser Emerson, que fez uma exibição magistral e, inclusive, o gol do título. Podia ser Leandro Euzébio, que volta a ser o o melhor zagueiro do campeonato e um dos maiores jogadores brasileiros de defesa. Penso também em Dario Conca, que, a princípio nervosíssimo, teve intervenções sensacionais. Podia ser também Muricy, que, sóbrio, modesto, trouxe a equipe do caos para o título. Mas entendo que desta vez o personagem deve ser o time. Do goleiro ao ponta-esquerda. Todos, todos mostraram uma alma, uma paixão, um ímpeto inexcedíveis.

Pelo amor de Deus, não me venham dizer que, após o gol, o Guarani desanimou. O Bugre cresceu com a desvantagem no placar, lançou-se todo para a frente. Eram fanáticos dispostos a vencer ou perecer. O Guarani teve ontem um dos grandes momentos de sua história.

Mas, dizia eu no começo que a nossa humildade para aqui. Passamos toda a jornada com um passarinho em cada ombro e as duras e feias sandálias nos pés. Mas o Fluminense é o campeão. Erguendo-me das cinzas da humildade, anuncio: — “Vamos tratar do tetra”.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

TEXTO DE CONVIDADO - Bendito o homem que sofreu



O tempo e o placar... hoje estende seu espaço para um escritor convidado, que em seu sangue tricolor traz uma coincidência com outro grande cronista da história do Fluminense. Em suas crônicas esportivas, Nelson Rodrigues colocava em evidência clubes e jogadores.



E um jogador tornou-se o personagem da crônica de DIEGO BACHINI LIMA, estudante de Engenharia de 19 anos que mora em Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro. Trata-se do Coração Valente, WASHINGTON, dono da camisa 99 do Fluminense, que passa por má fase dentro do gramado.

Segue seu texto, para apreciação de todos os tricolores de coração e de todos os torcedores que frequentam este blogue. Fiquem à vontade para comentar.

Vinícius Faustini

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BENDITO O HOMEM QUE SOFREU

Na vitória de apertar o coração, de quase matar tricolores, não é a brilhante atuação de Conca após o segundo gol, o gol de Fred depois da lesão, o gol de Gum no melhor "estilo Gum", ou o profissionalismo de um São Paulo que jogou sério. Nada disso chama mais atenção, e nem merece mais atenção do que Washington.

Passando por todas as provações da alma, W99 sofre a cada lance perdido. A tensão explode em seu corpo, e o transfigura, não permitindo a marcação do esperado tento. Já são 14 jogos...

Washington, que se desculpou ao perder o gol mais feito de toda sua carreira. Desculpou-se, com a humildade de um menino.

O atacante vem caminhando a duras penas, e com muito sofrimento. Vem em busca de um título. Um título que ele sonha. Sonha conquistar com esta camisa que veste.

Washington lutou contra seu próprio corpo, contra seu problema de coração. Lutou contra a dor da perda da Libertadores de 2008, na luta contra o rebaixamento no mesmo ano, contra a perda do espaço no São Paulo no primeiro semestre de 2010, contra as suspeitas da torcida de sua volta ao Fluminense e de ser reserva de Fred. E agora luta há 1260 minutos. Luta por um gol.

Mas Washington, num momento iluminado antes do jogo, declarou que 'tem alguma coisa boa guardada'.

E ao ver tanta luta e sofrimento Washington faz lembrar de uma passagem: Bendito o homem que sofreu... Porque encontrou A VIDA.

sábado, 14 de agosto de 2010

TEXTO DE CONVIDADO - Paixão americana



Neste sábado, O tempo e o placar... abre espaço para um convidado de fora do meio futebolístico. Diante de tantas atitudes inexplicáveis que o futebol faz torcedores, jogadores, treinadores e dirigentes tomarem, este blogue recorreu à psicanálise para encontrar um pouco de lógica no esporte bretão.

Com a palavra, o médico e psicanalista PAULO BONATES, que, além de ter excelentes contribuições no jornal A Gazeta, do Espírito Santo, e em outras páginas eletrônicas, sofre da paixão chamada América Futebol Clube. Através dela, Bonates tenta explicar outras inexplicáveis paixões.

Boa leitura a todos,

Vinícius Faustini


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Dizem que a única essência humana é a paixão. Muda-se de país, de mulher, de homem, de tudo mas não toca na paixão por um time. Não se tem força ou sei lá o que para mudar de time e o time não muda. Muito menos por você. Mas a paixão não perece.

É obrigatória esta insólita modalidade de amar intensamente. O bravo povo brasileiro só luta por paixão. De nada adianta a vangloriada consciência nazista, fascista ou freudiana. Só a paixão te toca, de excita ou te amacia. Dunga tinha sua paixão e sobre isso nada podia fazer. Nem eu nem você.

A paixão por ser paixão, não consegue enxergar o óbvio, no caso da seleção Neymar, Ganso, Pato. Se conseguisse paixão não seria. Isso não transforma o Dunga em uma pessoa competente: estava a defender a paixão. A paixão e os apaixonados são inexorável e necessariamente estúpidos e irracionais, claro..

Quem poderá impedir a torcida de apaixonar-se por Lula. Seja lá o que seja ou o que for o exercício da paixão mantém a vida. Não conheço ou creio em adjetivos completando o verbo viver. Muito menos apaixonar-se, ou se deixar apaixonar ou o que quiserem as metáforas da poesia.

Dunga apaixonou-se por Josué, meio de campo que jogava em Caruaru tanto quanto Otelo morreu de amores por Desdemona, ou Barrichello pela cortesia do deixar passar. Difícil compreender, fácil de explicar. São coisas da vida, nós é que precisamos aprender. Quem conta a historia feliz ou infelizmente é o vencedor. O abominável criador do nazismo produziu paixão. Simplesmente paixão. E enlouqueceu a Alemanha Tão impactante quanto a sua namorada que no cinema mal tocava você, e você, delirava ou não?

Mudando de conversa, agorinha mesmo na hora de votar queira ou não, a paixão elege. Os espertos marqueteiros que abandonam esta modalidade de instinto como tema central das campanhas – produzindo mentiras ou não – perdem. Perder é pior do que tudo que existe. Por exemplo, o vice-campeão, é o primeiro a perder. Não deflagra a mínima quantidade de paixão necessária para mover montanhas protegidas pela lógica e ciência.

Como alguém que torce pelo América do Rio e está condenado a torcer, torcer, torcer até morrer, como reza o hino do clube.


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O tempo e o placar... recomenda o blogue de Paulo Bonates - COMO EU IA TE DIZENDO:

http://comoeuiatedizendo.blogspot.com

segunda-feira, 20 de abril de 2009

E as emoções se repetindo...



No mesmo dia em que Roberto Carlos comemorou mais um ano de vida - realizando um show em sua terra natal, Cachoeiro de Itapemirim, primeira parada da trajetória que homenageará seus 50 anos de carreira artística - o Rio de Janeiro viveu mais um domingo de muitas emoções no Maracanã. Aconteceu a final da Taça Rio, mais um momento lindo proporcionado por Flamengo e Botafogo, que decidiam tanto a decisão de turno quanto a possibilidade do campeonato acabar, caso a vitória acontecesse do lado alvinegro.

Graças a um gol contra do zagueiro Emerson, o Flamengo prorrogou a certeza de que mais emoções acontecerão em palcos cariocas. Nos próximos dois domingos, acontecerão os dois jogos finais do Campeonato Estadual, e as emoções podem se repetir de todos os lados.

No Flamengo, a chance de pela quinta vez conquistar um tricampeonato estadual consecutivo. No Botafogo, o risco de perder pela terceira vez consecutiva para o rival rubro-negro. Depois de dois anos no Botafogo, o atual comandante do Flamengo Cuca pode ser também vice-campeão pela terceira vez.

A fé que faz os torcedores de Botafogo e Flamengo otimistas demais para as próximas partidas prossegue, chorando ou sorrindo mas sabendo que o importante são as emoções vividas dentro de campo. Conforme são as emoções hoje compartilhadas neste espaço com um grande amigo e leitor de O tempo e o placar..., Marcos Fontelles.

Do ponto de vista rubro-negro e - pasmem! - com boa vocação para jornalismo, Marcos apresenta neste post sua visão para o jogo de ontem. Este que vos escreve espera que todos gostem, e, principalmente, que ele aceite mais convites como o feito ontem.

Na foto, está ele com seu filho Leonardo, ambos ao lado de Zico. Não preciso dizer o por que do Galinho de Quintino ser seu ídolo...

Vamos à crônica!


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No ensolarado 19 de abril de 2009, na cidade do Rio de Janeiro o sol brilhou em rubro-negro e coroou o técnico Cuca como tricampeão da Taça Rio. A disputa da tarde carioca poderia consagrar o Botafogo como campeão carioca da temporada 2009 (por ter conquistado a Taça Guanabara, ele poderia ser campeão direto, algo que não acontece no Rio de Janeiro desde 1998, quando o Vasco venceu os dois turnos do Estadual). Mas num jogo onde a defesa prevaleceu sobre o ataque e ironicamente acabou 1 a 0, com um gol contra de um zagueiro - o botafoguense Emerson, o Flamengo sagrou-se campeão da Taça Rio e adiou para uma final em dois jogos uma série de consequências que poderiam acontecer ao final deste dia. A divulgada e contestada aposentadoria do zagueiro Fábio Luciano e o sonhado campeonato pelo Botafogo.

O 19 de abril manteve vivo o desejo do Flamengo conquistar pela quinta vez, um tricampeonato no Rio e de quebra igualar com o Fluminense que obtém 31 títulos do certame - o último conquistado este ano no "tapetão". O Bangu contestava a conquista tricolor, mas na justiça o Fluminense conseguiu reaver o título de 2002.

O clássico teve início bem antes do apito inicial do juiz, devido à polêmica escalação do árbitro Luiz Antônio Silva Santos (uma unanimidade, pois ambas as equipes contestaram sua escalação). No jogo entre Vasco e Flamengo (vitória vascaína por 2 a 0, durante a Taça Rio), ele expulsou cinco jogadores - dois flamenguistas e três vascaínos, além do técnico Cuca. Mas sua escalação fazia todo sentido - 19 de abril é o Dia do Índio, e "Índio" é a alcunha do juiz que iria apitar a decisão entre Flamengo e Botafogo.

Ainda de fora de campo, vieram as polêmicas escalações de Juninho e Alessandro, vitória botafoguense na justiça, que conseguiu efeito suspensivo para que os dois defendessem as cores alvinegras na final do turno. O mesmo Tribunal de Justiça Desportiva vetara a escalação de Bruno na semifinal entre a dupla Fla-Flu na semana anterior.

Triunfos extracampo que faziam a torcida botafoguense dar como certa a vitória do time da Estrela Solitária. A euforia tomava conta das arquibancadas alvinegras, que iam além da provocação "vice é o Cuca". A estátua do Manequinho, símbolo do clube que fica na sede, ganhou uma faixa de campeão. A música composta por Dom Elias (que compôs com Beth Carvalho a canção do título de 1989) já estava pronta. Abaixo, confira a letra da música Barba, cabelo e bigode:

Botafogo campeão
Desse jeito o meu coração explode
O meu Fogão ganhou de todo mundo
Fez barba, cabelo e bigode

É o meu orgulho
É minha paixão
O Botafogo manda e desmanda
No meu coração



Toda esta confiança tinha nome. Aliás, tinha três nomes: o trio de ferro formado por Reinaldo, Maicosuel e o novo Pantera Victor Simões. Dois craques que já jogaram (Reinaldo e Victor Simões) e outro (Maicosuel), que chegou a dar entrevista como jogador do Mengão à rádio Tupi em 2008. Victor Simões foi campeão carioca de juniores pelo time da Gávea em 1999. Dez anos depois, o novo Pantera é o vice-artilheiro do Estadual ao lado de Bruno Meneghel do Resende (já eliminado) e Josiel, adversário no clássico e que iniciou . Victor Simões chegou a se profissionalizar no Flamengo, em maio de 2001 e Janeiro de 2003 chegou a disputar 15 partidas e assinalar 2 gols para então seguir carreira em países de pouca expressão no futebol como Bélgica e Coreia. Reinaldo é a outra estrela botafoguense que iniciou na Gávea - quando começou, ele era "o cara que entrava no segundo tempo no lugar do Romário", e tinha como gandula o futuro volante Ibson.

Mas na bola, eles eram adversários agora. Adversários em Flamengo e Botafogo, o clássico que decidiu os dois recentes campeonatos do Rio de Janeiro e que será a final pela terceira vez consecutiva. Logo no primeiro minuto de jogo, Emerson chutou cruzado a primeira chance rubro-negra, mas a bola passou sem perigo no gol de Renan. Por sinal, a falta de perigo foi constante em ambos os lados, numa primeira etapa truncada, e até morna.

A chance seguinte viria em uma bola parada, na qual Kléberson recebeu passe de Juan e chutou à esquerda, aos cinco. O mesmo Kléberson tentou uma nova jogada aos 13, mas a zaga botafoguense conseguiu neutralizar. Do lado botafoguense, Maicosuel deixou Victor Simões livre, mas na hora de concluir o chute saiu truncado.

O primeiro momento da torcida fazer o grito de "uuuh" veio aos 19. Maicosuel aproveitou rebote da zaga rubro-negra e com um toque sutil acertou a bola na trave. Na mesma trave esquerda, que na quinta-feira sacramentou o pênalti que ele perdeu na disputa contra o Americano, por uma das vagas na Copa do Brasil. Dois minutos depois, Zé Roberto (o ex-botafoguense que agora atuava em vermelho e preto) deu o troco em um chute forte, desviado a tempo pelos zagueiros.

Com a boa marcação de ambas as defesas, a solução para Flamengo e Botafogo era recorrer a chutes de fora da área - do time da Estrela Solitária, com Juninho, aos 25, e da equipe da Gávea, com Williams, aos 37. A tão temida distribuição de cartões de Luiz Antônio Silva Santos não aconteceu em todo o primeiro tempo. Somente a quatro minutos do fim veio o primeiro cartão - o Emerson do Flamengo deu uma tesoura no Emerson do Botafogo e recebeu cartão amarelo. Na cobrança, novamente o zagueiro Juninho deu um chute perigoso, que passou perto do ângulo de Bruno. Nada que alterasse o placar de 0 a 0, um resultado justo diante da superioridade dos defensores.

O segundo tempo começou no mesmo panorama que o primeiro. Muitas tentativas e em todas as defesas se sobressaindo - seja em escanteios (como o que Fahel cortou no primeiro minuto de jogo) ou nas jogadas em que os atacantes não conseguem fazer as conclusões (no erro de Emerson diante do gol do Flamengo aos sete). O equilíbrio vinha, inclusive, em desarmes - aos 10, Maicosuel foi bem neutralizado por Airton, e dois minutos depois, foi a vez do Emerson botafoguense levar a melhor sobre seu xará flamenguista.

Mas o Emerson do Botafogo faria a diferença. E para o Flamengo. Kléberson arriscou de fora da área, para Renan espalmar com dificuldade. No desenrolar do lance, veio cobrança de falta de Juan. Num bate e rebate na área, a bola desviou na canela de Emerson, que jogou a bola para as próprias redes. 1 a 0 Flamengo, aos 16.

Com a vantagem no placar, o Flamengo passou a administrar o resultado, marcando sob pressão e jogando no contra-ataque. O trio Maicosuel, Victor Simões e Reinaldo era facilmente parado, com muitos jogadores na sobra da marcação. As oportunidades do Botafogo se reduziam à bola parada, como a cobrança de falta de Juninho aos 26, que passou bem distante do gol de Bruno.

Vendo o tempo passar e o título ir escapando, aos 29 Ney Franco realizou duas alterações: Renato e Gabriel nos lugares de Fahel e Léo Silva, respectivamente. Mas o jogo permanecia em seu equilíbrio, bom para o Flamengo que vencia por 1 a 0. O Botafogo começava a demonstrar nervosismo. Primeiro, com a falta de Emerson em Erick Flores, na qual o zagueiro levou cartão amarelo aos 36. E, aos 41, quando Thiaguinho fez falta violenta em Juan e foi expulso.

Com a vantagem no placar e em campo, Cuca tirou Ibson para colocar Toró e, antes de sair, o segundo volante levou cartão amarelo. A torcida do Flamengo já começava o coro de "vice de novo", esquecendo que o jogo não tinha terminado ainda e um empate levava a decisão para os pênaltis - além de que o Estadual ainda não iria acabar.

Aos 45 minutos, o Botafogo quase consegue o empate em um chute lindo de Gabriel para ótima defesa de Bruno. Mas foi a última oportunidade da equipe. Josiel ainda perderia uma chance para o Flamengo no minuto seguinte, e, aos 47 Erick Flores tentaria de peixinho, mas não alcançaria um cruzamento de Juan.

Só que o 1 a 0 já era suficiente. O Flamengo é campeão da Taça Rio, e teremos mais dois domingos de futebol que, para a alegria dos leitores de O tempo e o placar..., terá de volta nosso expert Vinícius.



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Marcos, muitíssimo obrigado pelas palavras ao final. O expert aqui é você, que nos deu tanta informação tanto do jogo quanto do ritual do pré-jogo. O tempo e o placar... só tende a crescer com o seu apoio constante às nossas postagens diárias.

Obrigado, obrigado mesmo. Um gol de placa, que este que vos escreve se sente como autor do belo passe para sua conclusão.

Abraços a todos,

Vinícius Faustini


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FLAMENGO 1x0 BOTAFOGO

Estádio: Maracanã (no Rio de Janeiro).

Árbitro: Luiz Antônio Silva Santos (do Rio de Janeiro).

Renda e público: R$ 1.546.470,00 / 75.395 pagantes


Gol: Emerson (contra), aos 16 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos:
Ibson, Emerson (Flamengo), Emerson, Maicosuel, Alessandro e Reinaldo (Botafogo).

Expulsão: Thiaguinho (Botafogo).

FLAMENGO: Bruno, Aírton, Fábio Luciano e Ronaldo Angelim; Léo Moura, Willians, Kleberson, Ibson (Toró) e Juan; Zé Roberto (Erick Flores) e Emerson (Josiel). Técnico: Cuca.

BOTAFOGO: Renan, Emerson (Túlio Souza), Juninho e Leandro Guerreiro, Alessandro, Fahel (Renato), Léo Silva (Gabriel), Maicosuel e Thiaguinho; Reinaldo e Victor Simões. Técnico: Ney Franco.

domingo, 19 de abril de 2009

CRÔNICA - O primeiro jogo de futebol no Brasil



Prezados leitores de O tempo e o placar...,

hoje e amanhã este espaço dará destaque a parceiros deste blogue, tanto em homenagens quanto em novas experimentações para o que vai ao ar aqui. Como todos que acompanham este espaço, ele fala sobre futebol brasileiro, comentando situações e jogos dos campeonatos jogados em todo o país.

Mas, desta vez, abre-se espaço para a literatura futebolística, num dia muito especial. 19 de abril é definido no calendário brasileiro como o "Dia do Índio". Oportunamente, vamos mostrar aqui uma versão literária sobre como foi a primeira partida de futebol em terras brasileiras.

Depois de Pero Vaz de Caminha relatar em 1500 como foi o descobrimento do Brasil, o amigo lusitano Armindo Guimarães vem aqui nos relatar como foi a realização da primeira partida de futebol em gramados brasileiros. Armindo é o português mais brasileiro que existe, e tem dentre suas características uma ampla e irreverente inspiração.

O conheci via Internet, através de outro assunto no qual temos muita afinidade: a admiração pelo cantor Roberto Carlos. Que, por sinal, comemora neste dia 19 de abril, 68 anos de idade.

Em um dos primeiros posts de O tempo e o placar..., Armindo escreveu o texto abaixo nos comentários. Este que vos escreve achou interessante guardá-lo para colocar no ar no Dia do Índio, à apreciação de todos.

Bem vindo e muito obrigado ao amigo Armindo, autor de um "golo" literário. Aos que quiserem conhecer mais de seus textos literários, basta acessar o blogue Splish splash, cujo link está entre nossos favoritos.

Abraços a todos,

Vinícius Faustini

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Versando a temática do desporto-rei, acredito que com a competência jornalística que é teu apanágio O tempo e o placar... irá seguramente oferecer aos seus leitores momentos de reflexão e quiçá de emoção.

Ao inaugurar tão brilhante iniciativa não podia deixar de te apresentar as minhas felicitações entrando na jogada com um golaço à Pelé (ou à Eusébio), relembrando aqui a pré-história do futebol brasileiro, quando no domingo 26 de Abril de 1500 é realizado o primeiro encontro de futebol em Terras de Vera Cruz, mais exactamente em Porto Seguro, e que doravante catapultou o Brasil como a maior e melhor “fábrica” de especialistas na matéria.

Eis a constituição das equipas e o relato do jogo:

Os Tupi

1 – Airy (Palmeira)
2 – Moema (Doce)
3 – Cauã (Gavião) – Capitão da equipa
4 – Guaraci (Sol de verão)
5 – Potira (Flor)
6 – Jaciara (Luar)
7 – Jaci (Lua)
8 – Araquém (Pássaro)
9 – Piatã (Forte)
10 – Tinga (Branco)
11 – Anauá (Pau de flor)


Equipamento: todos nus


Os Capitães da armada

1 – Gaspar de Lemos
2 – Pêro de Ataíde
3 – Diogo Dias
4 – Bartolomeu Dias – Capitão da equipa
5 – Nicolau Coelho
6 – Luís Pires
7 – Pedro Alvares Cabral
8 – Nuno Leitão da Cunha
9 – Aires Gomes da Silva
10 – Sancho Tovar
11 – Simão de Pina


Equipamento: todos vestidos


Árbitro:

Armindo Guimarães

Equipamento: Calção branco às bolinhas azuis e camisa branca com a foto do LP de 1977, do Roberto Carlos.

Juízes de linha:
Açuã (Talo de espiga)
Cajuru (Boca do mato)

Equipamentos: todos nus


RELATO DO JOGO


Colocada a bola ao centro, o árbitro, munido de um chocalho tupi, dá inicio ao jogo e as claques gritam apoiando as equipas. A equipa tupi entrou bem. Mais ousada que a equipa da frota, que apostava numa pressão alta para impedir que o meio-campo tupi pensasse o jogo. Mesmo assim, não tardou que o conjunto nativo criasse perigo. Na sequência de um canto, Anauã fez golo que o árbitro anulou por fora de jogo. A claque tupi reagiu de imediato com uma ladainha que ninguém entendeu, mas que por certo queria significar: “Fora o árbitro! Fora o árbitro! Gatuno! Gatuno! Gatuno!”.

O árbitro, que era luso com alma veracruciana, não entendendo os apupos, mas percebendo os gestos, vai daí e demite-se da sua função, entregando o apito, melhor dizendo, o chocalho, ao Frei Henrique, que passou a dirigir o jogo.

Esse lapso de tempo foi o suficiente para a equipa da frota se recompor, passando a equipa tupi a sentir sérias dificuldades em entrar na área do adversário, onde o central Pedro Álvares Cabral se mostrava imperial. Porém, quando menos se esperava, Jaciara deu nas vistas. Primeiro, fez uma arrancada que só não deu frutos porque o remate saiu torto. Depois, na marcação de um livre directo, atirou forte em direcção à baliza do goleiro Gaspar de Lemos que num golpe de rins desviou a bola para fora.

Entretanto, a passe de Moema, Potira lança a bola em profundidade para Piatã que dominando o esférico com o peito desfere um potente remate sem hipóteses de defesa para o goleiro Gaspar de Lemos. Estava feito o 1-0 que a claque tupi festeja euforicamente com gritos de contentamento e uma salva de flechadas atiradas para o ar, facto que obrigou à debandada das duas equipas que se protegiam com as mãos na cabeça. Este incidente obrigou Frei Henrique a interromper o jogo durante cerca de 15 minutos a fim de que fosse mantida a ordem e recolhidas as setas caídas no terreno de jogo.

Retomado o jogo, a bola é novamente colocada ao centro, e Bartolomeu Dias dribla um tupi, outro e mais outro, centra para Cabral que por sua vez passa para o Simão de Pina que de calcanhar enfia a bola por baixo das pernas do goleiro da equipa tupi. Era o empate e agora foi a vez da claque da armada festejar entusiasticamente a alegria do golo. A um sinal de alguém da assistência, uma das 12 naus ancoradas ao largo, arremessa para o mar uma bombarda que ecoou pela praia, ferindo os tímpanos dos jogadores e das claques.

A jogada seguinte, iniciada por Guaraci, seria, talvez, a melhor jogada do encontro, não fosse ter resultado na saída em padiola de um seu colega de equipa, o Araquém, que, centrando brilhantemente para Jaci, este devolve com um pontapé potente para o mesmo Araquém que não pôde evitar receber a bola nas vergonhas, caindo inerte na areia, sendo imediatamente levado para fora do terreno de jogo e socorrido por um dentista que logo tratou de o massajar nas partes lesionadas. Com grande resultado, diga-se de passagem, pois Araquém veio a si numa fracção de segundos.

Dado o adiantado da hora, o árbitro deu por terminado o encontro que se saldou num empate a um golo e num gesto significativo que tanto sensibilizou a equipa tupi e a sua claque, o Viajante Virtual dono da bola, ofereceu-a ao capitão tupi que, emocionado, retribuiu com um par de maracas.

Aquela bola de futebol irá ficar para sempre na Terra de Vera Cruz, e algo nos diz que os tupis farão bom uso dela.

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Amanhã é a vez do amigo Marcos Fontelles, comentarista constante de O tempo e o placar..., mostrar da visão de torcedor como assistiu ao Flamengo e Botafogo que acontecerá logo mais, no Maracanã, na final da Taça Rio.