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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Caminho da lógica



Desde sua famosa arrancada contra o rebaixamento em 2009 (na qual passou por cima de 98% de probabilidade de cair para a Série B do Campeonato Brasileiro), os torcedores do Fluminense se acostumaram a acreditar em um bom resultado da equipe até o último minuto. O estigma ganhou nova dimensão na quarta-feira, quando Rafael Moura marcou nos acréscimos o gol da vitória por 2 a 1 sobre o argentino Arsenal de Sarandí - que deu à equipe a primeira colocação geral na fase inicial da Libertadores da América e o direito de jogar a partida de volta do mata-mata sempre em casa. No entanto, é bem provável que venha um desafio de seis letras: Emelec.

Apesar da má campanha na fase de grupos da competição (somente oito pontos), a equipe equatoriana tem um contexto épico que pode ser perigoso para o tricolor. De time praticamente eliminado a duas rodadas do fim, o Emelec derrotou o Flamengo de virada em casa (após o rubro-negro estar duas vezes em vantagem) e calou o Estádio Defensores del Chaco no minuto seguinte ao Olimpia encontrar um gol de empate.

O Fluminense também não pode esquecer o exemplo do Cruzeiro em 2011 - que viu sua campanha avassaladora na primeira fase se esvair diante do Once Caldas - e lembrar que na edição de 2012 da Libertadores o próprio tricolor fez de tudo para perder quase todos os seus jogos. Não foi diferente contra os reservas do Arsenal de Sarandí, quando até Thiago Neves desperdiçou um pênalti nas mãos de um jogador de linha improvisado no gol.

Agora, na hora do mata-mata, qual lógica o time de Abel Braga vai se arriscar a seguir? O da pose de favorito, que deixa esvair sua qualidade em confiança e desinteresse constantes? Ou a equipe guerreira, que afirma contrariar matemáticos?

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Enquanto há tempo



Não há dúvidas de que o Boca Juniors fez uma boa partida diante do Fluminense, e mereceu a vitória por 2 a 0 em pleno Engenhão. Mas atribuir exclusivamente a méritos xeneizes a frustração dos 42 mil tricolores é ignorar a maneira como a equipe de Abel Braga vem atuando na Libertadores. Em três dos quatro jogos na Taça Libertadores - na vitória sobre o Arsenal de Sarandí e nos triunfos sobre o Zamora - o tricolor das Laranjeiras jogou da mesma forma.

Erros de passe (alguns primários), falhas grosseiras na zaga, excessiva dependência de Deco, momentos de passividade, e nomes considerados com poder de decisão (como Thiago Neves), oscilantes durante os 90 minutos. A diferença em relação aos outros jogos é que o Boca Juniors "aprendeu", ao perder por 2 a 1 para o Fluminense na Bombonera (o único jogo de qualidade do tricolor na competição sul-americana), e no returno soube aproveitar as falhas cruciais do time brasileiro.

O fim da sequência de 100% de aproveitamento talvez faça Abel Braga enxergar os desacertos tricolores, e ainda tenha uma rodada de Libertadores para corrigi-los antes das oitavas. Nunca a máxima "perdeu quando podia perder" foi tão fiel a uma equipe.

sábado, 2 de julho de 2011

Debate do fim de semana - DARÍO CONCA



Por três anos e meio, o argentino Darío Conca fez da camisa 11 do Fluminense símbolo de muita habilidade e de uma garra incansável. Sua dedicação, comprovada no ano passado ao participar das 38 partidas do Tricolor na campanha do título brasileiro, foi reverenciada com o Troféu Craque do Brasileirão 2010 e reconhecida pela maioria dos tricolores de coração.

Apesar da identificação ser recíproca, Conca aceitou nesta semana uma proposta milionária de transferência para o futebol chinês. Sua saída foi uma forma de tentar respirar novos ares depois de um primeiro semestre de 2011 com seu desempenho comprometido pela recuperação de uma cirurgia? E a crise interna no Fluminense, também contribuiu para o argentino sair de Laranjeiras?

Darío Conca é o tema deste DEBATE DO FIM DE SEMANA. Fiquem à vontade para dar seus respectivos pitacos.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Idolatria de bastidores



Os bandeirões das torcidas organizadas já se acostumaram a dividir a homenagem ao clube de coração com bandeiras menores estampando o rosto de grandes jogadores (e, em menor escala, de torcedores ilustres). Mas agora o Fluminense deu o pontapé inicial à idolatria a quem proporciona o elenco de estrelas que veste a camisa tricolor - Celso Barros, presidente da Unimed.

Afinal, ter nomes de qualidade como Conca, Deco, Fred e Emerson é um raro privilégio no cenário do futebol brasileiro - salários baixos (e muitas vezes pagos com atraso), crises internas e um panorama bem menos atraente financeiramente do que outros países. Com a Unimed, as quantias são exorbitantes e pagas no dia previsto. Além disto, o acordo com a empresa de planos saúde começou no ano de 1999, quando o clube estava na Série C do Campeonato Brasileiro. 11 anos depois, o tricolor se tornava o melhor do país.

Embora tenha grandes serviços prestados, não soa um exagero a homenagem a Celso Barros? Se a moda pegar, daqui a pouco teremos bandeiras dedicadas também a empresários de jogadores - e uma transferência de expectativas que hoje são para dentro de campo para quem está do lado de fora. Imagine se o empresário coloca determinado jogador num clube e, de repente, recebe por ele uma proposta melhor financeiramente (algo corriqueiro no futebol de hoje). Certamente, o empresário também será designado como "mercenário".

Talvez esteja começando uma nova tendência do futebol brasileiro. Em vez de torcer por determinado clube, fique mais cômodo torcer pelas boas atitudes de empresários no mercado da bola. Ônus do profissionalismo.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Quem parte, quem chega, quem fica...




Amigos,

reproduzo aqui uma crônica que considero importante na minha trajetória de jornalista esportivo. Trata-se de uma emoção muito grande que tive hoje, quando o jornalista e Ledio Carmona abriu espaço para um texto meu em seu blogue - que fica no Globo Esporte.com.

O texto de hoje é uma análise sobre a estreia do Fluminense no Campeonato Estadual, contra o Bangu, em jogo que aconteceu no Engenhão. A partida pode não ter tanta importância. Mas, certamente, será inesquecível para este jornalista que vos escreve.

Vinícius Faustini


*****

QUEM PARTE, QUEM CHEGA, QUEM FICA...

Vitória sofrida por 1 a 0 sobre o Bangu, com gol de Fred a nove minutos do fim do tempo regulamentar. Parece pouco para um Fluminense que, 45 dias antes, encerrou a caminhada de 2010 como campeão brasileiro. Mas o resultado do Engenhão pareceu ser irrelevante para a parte tricolor que esteve na rodada dupla da primeira rodada do Campeonato Carioca (antes de Bangu e Fluminense, Botafogo e Duque de Caxias estrearam na competição). Para uma equipe que dedicará 2011 ao sonho da conquista da Taça Libertadores da América, o Estadual é mera formalidade ou chance de conseguir entrosamento. A estreia do Flu serviu para mostrar todos os passos deste novo ano.

Quem vai é Washington, que dias antes anunciou que abandonaria a carreira e agora saía de cena sob os aplausos dos torcedores e a reverência do Fluminense, que deu a ele uma camisa do clube com a frase “Coração valente e tricolor. Muito obrigado”. Quem chega é Souza, ex-jogador do Grêmio, que nos 38 minutos em campo mostrou seus extremos como jogador – da habilidade na troca de passes e da velocidade que deu ao poder ofensivo do time até a afobação e a rispidez na hora de tentar desarmar um adversário. Em três minutos, duas faltas para cartão e uma expulsão.

Os que ficaram em campo são conhecidos do elenco campeão brasileiro, mas sem o mesmo ritmo de jogo e, principalmente, sem a concentração que tiveram na busca pelo título.

Da desconcentração, vieram muitos erros primários de passes (alguns deles na arriscada jogada de lançar a bola de uma lateral para a outra) no setor defensivo e atuações bem abaixo do esperado – com destaque negativo para o meia Deco, mais uma vez omisso na criação de jogadas. Diante deste panorama, o gol só veio depois do esforçado time do Bangu – comandado por Ricardinho, Somália e Pipico – ver sua insistência nos chutes parar nas mãos decisivas de Ricardo Berna e ter sua velocidade vencida pelo cansaço, ainda mais depois que o zagueiro Raphael foi expulso.

Em compasso de espera até a estreia na Libertadores – dia 9 de fevereiro, contra o Argentinos Juniors – quem mostrou que quer ficar mesmo foi o meia-atacante Tartá. Além de boas arrancadas, o cruzamento para o gol de cabeça de Fred foi espetacular. No mais, o Fluminense também parece esperar a chegada do recém-contratado goleiro Diego Cavalieri e os retornosde Conca e de Emerson. Considerado um dos melhores elencos do Brasil, o tricolor de Muricy Ramalho terá de mostrar capacidade de manter o bom nível de seu futebol, mesmo com o entra e sai de jogadores a cada rodada.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Onde há vaga?



O mercado do futebol carioca continua com a mania de formar a cada ano uma equipe cercada de jogadores que já eram conhecidos de suas torcidas. Nomes como Lúcio Flávio, Edmundo, Romário e Adriano foram alguns dos que fizeram o caminho de volta para os clubes nos quais tiveram bons momentos em passagens anteriores. E mais um jogador entra em pauta nesta rotina do mercado.

Thiago Neves se destacou no Fluminense durante a campanha da Taça Libertadores da América de 2008, e se transferiu para a Europa nos braços da torcida. Após um insucesso em 2009 no Hamburgo, da Alemanha, ele voltou a ser acolhido pelo tricolor das Laranjeiras, que viu nele a expectativa de um meio-de-campo poderoso ao lado de Darío Conca. Mas desta vez, o resultado foi abaixo do esperado. Na primeira proposta da Arábia Saudita, ele se transferiu para o Al-Hilal.

Apesar disto, o time campeão brasileiro novamente quer integrar Thiago Neves em seu elenco. Na primeira vez, ele conseguiu seu espaço graças ao bom desempenho dentro de campo. Na segunda passagem, nem a fama foi um argumento suficiente para que o tricolor continuasse a investir em seu futebol. E agora, o Fluminense terá espaço para Thiago Neves?

Conca é o titular unânime do Fluminense. Deco ainda não disse a que veio, mas seu nome e o alto salário pago pela Unimed certamente penderão para que ele continue como titular. O ataque, com Emerson e Fred, é imbatível. Thiago Neves se contentaria com a ideia de ser um décimo-segundo jogador? A Unimed pode se dar ao luxo de desembolsar um alto salário para um reserva? E a torcida do tricolor, que tanta gratidão tem a ele, vai aceitar que o meia não seja titular?

Ironicamente, a resposta para todas as questões pode estar em outro clube do Rio de Janeiro. Segundo as especulações recentes, o Flamengo também demonstrou interesse no meia. Por mais que o horizonte rubro-negro não seja tão animador quanto o do Fluminense em 2011, Thiago Neves chegaria para ser o camisa 10, com o status de um jogador de qualidade em meio a outros que estão em descrédito com a torcida.

O meia teria um desafio a mais: ganhar a confiança dos torcedores, anos após a provocação que ele fez aos flamenguistas - na vitória por 4 a 1 do Fluminense sobre o Flamengo, em 10 de fevereiro de 2008 pela Taça Guanabara, Thiago Neves fez três gols, e na comemoração fez a coreografia do Créu, dança de funk que soou como ofensa para rubro-negros. Só que esta não é a única "paixão" que pode descartar sua ida para o clube flamenguista. A mulher dele é torcedora do Fluminense, e já teria dito que o marido tem de ir para lá.

Após o período pelo futebol árabe, o futebol carioca abre dois desafios para Thiago Neves. Nas Laranjeiras, a volta ao clube que o projetou para o exterior e a tentativa de reafirmação num elenco de estrelas muito bem entrosado depois da conquista do Campeonato Brasileiro. Na Gávea, a chegada como esperança de dias melhores para o meio-de-campo rubro-negro. Qual vaga é a mais provável para que o jogador preencha?

sábado, 11 de dezembro de 2010

Epílogo do amadorismo



O histórico de desorganização do Campeonato Brasileiro parecia relegado a um passado distante desde o início do formato dos pontos corridos. Entretanto, após o fim da edição de 2010, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva deu um exemplo lamentável ao burlar a própria lei, e comprometer até mesmo o título do Fluminense.

Com a possibilidade de um jogador poder trocar de clube durante a competição (desde que tenha feito, no máximo, seis partidas pelo time anterior), foi estipulado que os cartões amarelos levados nos jogos por uma equipe continuariam valendo pelo outro clube. Foi o caso do jogador Leandro Chaves, que, após um cartão amarelo recebido pelo Ipatinga, deveria cumprir suspensão automática depois de dois cartões recebidos pelo Duque de Caxias. Só que o jogador não ficou de fora da partida seguinte, ele só ficou suspenso depois do terceiro cartão pelo time da Baixada Fluminense.

Pela regra, o Duque de Caxias teria de perder três pontos - mas o STJD absolveu a equipe carioca. Ao renegar a própria lei, a Justiça Desportiva considerou como legítima a atitude equivocada do time da Série B do Campeonato Brasileiro, e comprometeu quem tinha agido da maneira combinada anteriormente.

Comprometeu, inclusive, o Fluminense. Da primeira vez que o atacante Tartá foi suspenso por três cartões amarelos, o time do Rio de Janeiro contou com o que ele recebeu por seu antigo clube, o Atlético Paranaense. No novo precedente, Tartá ficaria suspenso apenas após o terceiro cartão amarelo recebido pelo tricolor das Laranjeiras - e não poderia jogar contra o Goiás, no Engenhão. Como punição, o Fluminense teria de perder três pontos desta partida, que fariam com que a equipe fosse ultrapassada pelo Cruzeiro em número de pontos e perdesse o título conquistado.

A infelicidade do STJD só não ficou mais intensa porque o Cruzeiro decidiu não pleitear o título brasileiro no "tapetão". E a Confederação Brasileira não amargou mais uma derrota para a falta de ordem e parece, até o momento, isenta de voltar àqueles tempos em que o futebol era definido de maneira jurídica.

Por toda a campanha feita nas 38 rodadas, o Fluminense é digno de ser o campeão brasileiro no ano de 2010. E retirar a taça de campeão das mãos dos tricolores seria uma derrota também para o futebol nacional, novamente sacrificado pelo amadorismo na hora de organizar o campeonato.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Telhado de vidro



O futebol brasileiro tem em sua história muitos episódios nos quais cartolas foram os centros das atenções em suas competições - coisas que, felizmente, vêm rareando com o passar das décadas e a modernização no calendário brasileiro. Entretanto, estes fatos continuam em debate, mas não por provocações entre torcedores.

A ironia vem de cima, por parte dos cartolas, que agem como integrantes de torcida até mesmo para desmerecerem a conquista alheia. Foi o caso do presidente do Corínthians, Andrés Sanchez. Durante a cerimônia em homenagem aos Craques do Brasileirão 2010, ele parabenizou o campeão brasileiro Fluminense, mas fez uma ironia em seu discurso: "O meu clube também foi rebaixado e sei como é doloroso. Mas é muito bom voltar pela porta da frente, com honra".

Sanchez se referiu à trajetória recente do Corínthians - que em 2007 caiu para a Segunda Divisão, mas voltou à elite do futebol brasileiro ao final do ano seguinte. como campeão da Série B - e colocou como parâmetro a manobra contraditória que deu ao Fluminense o direito de estar na Primeira Divisão no início da década. Durante a segunda metade da década de 1990, o tricolor das Laranjeiras passou por vários momentos nos quais teve apoio do "tapetão" para continuar no grupo dos melhores do país.

Após ser rebaixado em 1996, o clube foi poupado, graças a uma "virada de mesa", e jogou o Campeonato Brasileiro de 1997. Entretanto, o time novamente terminou o ano rebaixado. No ano seguinte, o Fluminense disputou a Série B mas, ao final dela, sofreu um novo rebaixamento. Em 1999, o tricolor disputou a Série C e foi campeão dela. Pela ordem natural das competições, estaria credenciado a disputar a Segundona no outro ano. No entanto, com a realização da Copa João Havelange em lugar do Campeonato Brasileiro de 2000, houve nova manobra, que permitiu a ascensão de alguns clubes das divisões intermediárias ao Módulo Azul (equivalente à Série A) - dentre eles, o Fluminense, "convidado" por ser um dos fundadores do Clube dos 13, que era o organizador da Copa JH.

Sim, de fato uma atitude questionável, que se torna um dos grandes momentos do triunfo da política sobre o futebol. Só que a Copa João Havelange não teve apenas o Fluminense beneficiado - Bahia (rebaixado em 1997), América Mineiro (que caiu em 1998) e Juventude (que terminou na zona de rebaixamento em 1999) também tiveram o direito de disputar a Primeira Divisão.

E, ao final de 2000, outros clubes foram beneficiados na história das competições nacionais. No fim da primeira fase da Copa João Havelange, o Santa Cruz terminou em último lugar e, na penúltima colocação, ficou o Corínthians. Pela ordem natural, ambos cairiam para a Série B no ano seguinte. Se não fosse a ação da Confederação Brasileira de Futebol, que decidiu não só manter os 25 clubes da Copa JH, como também acabou promovendo os dois primeiros do Módulo Amarelo (a Segunda Divisão de 2000), Paraná e São Caetano, e o Botafogo de Ribeirão Preto, que caíra em 1999. Graças à atitude da CBF, o time corintiano não passou pela vergonha de ser rebaixado no ano seguinte a ter sido vencedor do Brasileirão.

As desordens do Campeonato Brasileiro devem sempre ser relembradas por clubes e pela imprensa esportiva, mas para que sejam usadas como exemplos negativos e não voltem a imperar no cenário do futebol nacional. A declaração de Andrés Sanchez não conteve nenhuma mentira, mas, além de ter sido usada como provocação, veio de um Corínthians que tem em sua história um episódio no qual foi beneficiado pelo "tapetão". E, se os historiadores pesquisarem de maneira aprofundada a história do Brasileirão, talvez não sobre nenhum clube de qualquer divisão que seja completamente idôneo diante dos regulamentos de cada uma das edições.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Fluminense, épico em 38 atos



FLUMINENSE, CAMPEÃO BRASILEIRO DE 2010

Reverência deste autor que vos escreve ao estilo de crônica do dramaturgo e torcedor do Fluminense NELSON RODRIGUES.

O coração tricolor se multiplicou por exatos 40.905 presentes no Engenhão. Corações Valentes, que saltaram pela boca aos 17 minutos do segundo tempo. No momento em que Emerson fez sua soberania de Sheik e sua qualidade de atacante superarem o arqueiro do Guarani. Goleiro também de nome Emerson, mas agora mero coadjuvante de um gol que mais tarde seria louvado como decisivo.

O clube tantas vezes campeão chegou a mais uma conquista. Para muitos, sua segunda. Mas para a torcida do Fluminense, tão empenhada em registrar sua história, a terceira conquista nacional - além dos títulos de 1984 e de 2010, o clube pleiteia o reconhecimento do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, de 1970, como título brasileiro (pois era no mesmo formato do Campeonato Brasileiro disputado a partir de 1971).

O Fluminense fascinou pela sua disciplina. Disciplina imposta pelo técnico Muricy Ramalho, que deu a um elenco cheio de estrelas o ímpeto digno de uma equipe vencedora. O Fluminense que dominou, em todos os setores do campo, com um futebol seguro defensivamente, veloz em seus contra-ataques e ferino quando estava cara a cara com os goleiros adversários. Um Fluminense que teve amor ao tricolor, amor simbolizado por Darío Conca, o grande líder que não se deixou abater e esteve presente nas 38 rodadas do Campeonato Brasileiro.

Salve o querido pavilhão! Ricardo Berna, Mariano, Gum, Leandro Eusébio e Carlinhos; Diguinho, Valencia, Júlio César (Washington) e Conca; Emerson (Rodriguinho) e Fred (Fernando Bob). Pavilhão formado por outros tantos jogadores que vestiram sua camisa durante a competição - desde pratas-da-casa, como Fernando Henrique e Tartá, passando por medalhões como Belletti e Deco. A camisa com três cores que traduzem tradição. Que, mesmo com um elenco tão numeroso e cercado de talentos, encontrou a paz. Dela, surgiu a esperança, consolidada a cada vitória. A cada três pontos, que deixavam a equipe mais unida e forte.

Pelo esporte, várias pessoas tiraram e tirarão de seus armários a camisa tricolor. Ela, que tem o verde da esperança, numa espera que foi alcançada após um hiato de 26 anos entre a final contra o Vasco em 1984 e o jogo decisivo de 2010 contra o Guarani. Ela, que traz cor encarnada, com o sangue dado pelos jogadores que as arquibancadas definiram como "time de guerreiros". E que, depois do apito final de Carlos Eugênio Simon, passou a comemorar em harmonia, na harmonia de tom branco que define sua camisa como tricolor, a paz de chegar a um título justíssimo.

O sol do amanhã, como a luz de um refletor, brilhará com as três cores e os sorrisos de vários tricolores que começaram a comemorar no início da noite de domingo. Todos vibrando com a emoção de quem voltou a gritar "é campeão".



"O Fluminense nasceu com a vocação da eternidade. Tudo pode passar, mas o tricolor não passará jamais. Quem o diz é o óbvio ululante".

Nelson Rodrigues

Chega de humildade! - Pedindo permissão ao mestre



De Diego Bachini Lima

Amigos, a humildade acaba aqui. Desde hoje o Fluminense é o campeão do Brasil. No maior de todos os tempos, o tricolor conquistou a sua mais bela vitória. E foi também o grande dia do Estádio Olíimpico João Havelange. A massa “pó-de-arroz” teve o sentimento do triunfo. Aconteceu, então, o seguinte: — vivos e mortos subiram as rampas. Os vivos saíram de suas casas e os mortos de suas tumbas. E, diante da plateia colossal, Fluminense e Guarani fizeram uma dessas partidas imortais.

Daqui a duzentos anos a cidade dirá, mordida de nostalgia: — “Aquele jogo!”. Ah, quem não viu o jogo no Estádio Olímpico João Havelange não viveu. E o Fluminense fez uma exibição digna de sua história, sofrida e suada. Lutou com a alma indomável do campeão. Ninguém conquista o título num único dia, numa única tarde. Não. Um título é todo sangue, todo suor e todo lágrimas de um campeonato inteiro.

Acreditem: — o Fluminense começou a ser campeão muito antes. Sim, quando saiu do caos para a liderança. “Do caos para a liderança”, repito, foi a nossa viagem maravilhosa. Lembro-me do primeiro domingo em que ficamos sozinhos na ponta. As esquinas e os botecos faziam a piada cruel: — “Líder por uma semana”. Daí para a frente, o Fluminense era sempre o líder por uma semana.

Olhem para trás. Da rodada inaugural até ontem, não houve time mais regular, mais constante, de uma batida mais harmoniosa. Mas foi engraçado: — por muito tempo, ninguém acreditou no Fluminense, ninguém. Um dia, Emerson veio das Arábias. Era o ponta-de-lança mais esperado que um Moisés. Queríamos um goleador. E nunca mais se interrompeu a ascensão para o título.

O curioso é que, há muito tempo, aqui mesmo desta coluna, fez-se o vaticínio de que o campeonato teria a sua decisão num lance de Washington. Foram autores de tal profecia, primeiro, o próprio jogador; em seguida, a minha amiga Wannessa Lima, um e outro tricolor. O que ambos não sabiam é que já estava escrito há seis mil anos que o campeão seria o Fluminense num passe de cabeça do Coração Valente. E vou citar um outro oráculo: Fred. Quando o tricolor parecia uma piada no fim do último ano: — “Este é o ano do Fluminense!”. E do seu olhar vazava luz.

Amigos, o que se viu hoje no Estádio Olímpico João Havelange foi espantoso. Primeiro, a tempestade de bandeiras, de pó-de-arroz, o mosaico tricolor.

E que formidável partida! O Fluminense acuado não conseguia jogar no primeiro tempo, mas o Goiás marcou. O Fluminense nervoso e o Corínthians empata. E foi preciso que Emerson, o goleador do Fluminense, marcasse aquele que seria o gol da vitória, da doce e santa vitória. E o Corínthians, no Planalto Central, não desempatou mais, nunca mais. Era a vitória, era o título.

Agora a pergunta: — e o personagem da semana? Podia ser Emerson, que fez uma exibição magistral e, inclusive, o gol do título. Podia ser Leandro Euzébio, que volta a ser o o melhor zagueiro do campeonato e um dos maiores jogadores brasileiros de defesa. Penso também em Dario Conca, que, a princípio nervosíssimo, teve intervenções sensacionais. Podia ser também Muricy, que, sóbrio, modesto, trouxe a equipe do caos para o título. Mas entendo que desta vez o personagem deve ser o time. Do goleiro ao ponta-esquerda. Todos, todos mostraram uma alma, uma paixão, um ímpeto inexcedíveis.

Pelo amor de Deus, não me venham dizer que, após o gol, o Guarani desanimou. O Bugre cresceu com a desvantagem no placar, lançou-se todo para a frente. Eram fanáticos dispostos a vencer ou perecer. O Guarani teve ontem um dos grandes momentos de sua história.

Mas, dizia eu no começo que a nossa humildade para aqui. Passamos toda a jornada com um passarinho em cada ombro e as duras e feias sandálias nos pés. Mas o Fluminense é o campeão. Erguendo-me das cinzas da humildade, anuncio: — “Vamos tratar do tetra”.

O título como redenção



Das três equipes que estão brigando hoje pelo título do Campeonato Brasileiro de 2010, duas entrarão em campo com oportunidade de entrar para a história da competição. Não que a conquista seja inédita para qualquer uma delas, mas para Fluminense e Corínthians a faixa de campeão será um momento de redenção.

Caso um deles vença o Campeonato Brasileiro, será o primeiro campeão da Série A após sofrer com rebaixamento em sua trajetória (o Cruzeiro, que graças ao seu grande futebol é hoje o terceiro time na disputa do título de 2010, nunca foi rebaixado na competição). Título que, certamente, pareceu bem distante na época em que passaram por crise.

Na segunda metade da década de 1990, o Fluminense passou por uma sequência de fiascos no cenário nacional. Em 1996, o time terminou a competição rebaixado. Graças a uma virada de mesa, no ano seguinte continuou na Série A, mas ficou entre os últimos lugares novamente. No ano de 1998, o clube caiu da Segunda para a Terceira Divisão. Em 1999, houve o primeiro alento: a conquista da Série C que, graças à realização da Copa João Havelange, fez com que o clube voltasse diretamente para a Primeira Divisão. A conquista de hoje comprova de uma vez por todas que, apesar desta maneira discutível de voltar à elite do futebol, o tricolor das Laranjeiras está no lugar certo.

Dono de uma das maiores torcidas do país, o Corínthians foi rebaixado ao final do Campeonato Brasileiro de 2007, duas edições depois de ter sido campeão brasileiro pela quarta vez. O desmantelamento acentuou sua falta de organização e uma série de erros de dentro de campo. Após ser campeão da Série B de 2008 e conseguir títulos do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil de 2009, os corintianos agora querem uma nova redenção: ganhar o Campeonato Brasileiro, como forma de amenizar a eliminação da Taça Libertadores da América, seu grande projeto do ano do centenário.

Tricolores e corintianos entram em campo no capítulo final pela corrida da redenção. Mas, sem dúvida, a boa campanha que fizeram até agora no Campeonato Brasileiro de 2010 mostra a grandiosidade que tiveram nesta temporada.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pó-de-arroz, com sal a gosto



Sim, o Fluminense é a equipe que está mais próxima do título de 2010. É verdade, trata-se do clube que há mais tempo está na liderança da competição. Não há dúvidas de que tem um bom elenco, e um treinador conceituado. O time foi capaz de superar até mesmo a sucessão de lesões e de más partidas de suas estrelas. De fato, há 26 anos que o tricolor das Laranjeiras não se sagra vencedor do Campeonato Brasileiro. Mas estes elementos são pretextos suficientes para um aumento exorbitante dos ingressos?

As entradas dos setores do Engenhão (à venda a partir de amanhã) custarão entre R$ 60 e R$ 150. Os preço dos lugares mais baratos - setores Norte e Sul, que são atrás dos gols - tiveram aumento de 100%. Um ingresso da arquibancada superior, que geralmente custa R$ 40, sairá por R$ 80. E para o tricolor que quiser ver a última partida de seu clube de coração no Brasileirão na cadeira especial, em vez de R$ 60, terá de desembolsar a quantia de R$ 150 por entrada (aumento de 150%).

Por mais que se trate de uma partida com ares de final de Campeonato Brasileiro - uma vitória sobre o já rebaixado Guarani leva o Fluminense ao posto de campeão nacional de 2010 - não é justo que haja uma disparidade tão grande de preços. Está certo, o jogo decisivo garante a boa presença de torcedores, só arriscar tamanho aumento, amparado pela certeza de que a torcida não mede esforços financeiros para estar ao lado de seu clube, chega a ser uma atitude sórdida.

Talvez fosse mais interessante para a receita do Fluminense que o preço fosse em conta (ou, no máximo, custasse 10 reais a mais do que os preços convencionais do Engenhão), para tornar mais provável a lotação completa do estádio - coisa que raramente foi vista desde que o time das Laranjeiras passou a mandar seus jogos no Engenho de Dentro. Mas, as filas que já começaram um dia antes da bilheteria abrir comprovam: o tricolor não se importa de digerir um ingresso do pó-de-arroz, com muito sal a gosto. As torcidas cariocas precisarão digerir preços tão salgados para assistirem a decisões envolvendo clubes do Rio? Que esta receita indigesta não se torne comum no cenário carioca.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

TEXTO DE CONVIDADO - Bendito o homem que sofreu



O tempo e o placar... hoje estende seu espaço para um escritor convidado, que em seu sangue tricolor traz uma coincidência com outro grande cronista da história do Fluminense. Em suas crônicas esportivas, Nelson Rodrigues colocava em evidência clubes e jogadores.



E um jogador tornou-se o personagem da crônica de DIEGO BACHINI LIMA, estudante de Engenharia de 19 anos que mora em Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro. Trata-se do Coração Valente, WASHINGTON, dono da camisa 99 do Fluminense, que passa por má fase dentro do gramado.

Segue seu texto, para apreciação de todos os tricolores de coração e de todos os torcedores que frequentam este blogue. Fiquem à vontade para comentar.

Vinícius Faustini

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BENDITO O HOMEM QUE SOFREU

Na vitória de apertar o coração, de quase matar tricolores, não é a brilhante atuação de Conca após o segundo gol, o gol de Fred depois da lesão, o gol de Gum no melhor "estilo Gum", ou o profissionalismo de um São Paulo que jogou sério. Nada disso chama mais atenção, e nem merece mais atenção do que Washington.

Passando por todas as provações da alma, W99 sofre a cada lance perdido. A tensão explode em seu corpo, e o transfigura, não permitindo a marcação do esperado tento. Já são 14 jogos...

Washington, que se desculpou ao perder o gol mais feito de toda sua carreira. Desculpou-se, com a humildade de um menino.

O atacante vem caminhando a duras penas, e com muito sofrimento. Vem em busca de um título. Um título que ele sonha. Sonha conquistar com esta camisa que veste.

Washington lutou contra seu próprio corpo, contra seu problema de coração. Lutou contra a dor da perda da Libertadores de 2008, na luta contra o rebaixamento no mesmo ano, contra a perda do espaço no São Paulo no primeiro semestre de 2010, contra as suspeitas da torcida de sua volta ao Fluminense e de ser reserva de Fred. E agora luta há 1260 minutos. Luta por um gol.

Mas Washington, num momento iluminado antes do jogo, declarou que 'tem alguma coisa boa guardada'.

E ao ver tanta luta e sofrimento Washington faz lembrar de uma passagem: Bendito o homem que sofreu... Porque encontrou A VIDA.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A hora e a vez de Darío Conca



Para muitos, trata-se de um jogador argentino que é digno de figurar até na Seleção Brasileira, devido à maneira como carrega o Fluminense nas costas. Para outros, é um jogador que, embora tenha boa qualidade, não tem maturidade para ser decisivo em situações mais delicadas que a equipe enfrenta. O Campeonato Brasileiro de 2010 se tornou o critério de desempate para confirmar ou não a consagração completa do argentino Darío Conca.

Os dois lados da opinião pública têm argumentos bastante pertinentes. Para reconhecer o talento do jogador tricolor, as pessoas ressaltam como Conca se desdobrou no meio-de-campo do Fluminense, e salvou a equipe de maus resultados através de boas jogadas e de gols decisivos. A lucidez do argentino compensou até mesmo os deslizes do resto do time e de esquemas sacrificantes, que o deixavam sobrecarregado na criação de jogadas ofensivas - vide a trajetória do clube no Campeonato Brasileiro deste ano.

O fato de estar sobrecarregado em campo foi também o pretexto para as críticas ao futebol de Conca. Na opinião de alguns críticos, o argentino só consegue fazer bem esta função diante de adversários de qualidade inferior ao Fluminense ou apenas rende bem em partidas que não valem nada. Em jogos decisivo, seu futebol seria apagado com facilidade. O argumento mais corriqueiro foi o Campeonato Brasileiro de 2009. A "arrancada" tricolor que fez o time sair da zona de rebaixamento começou a acontecer apenas com o retorno do atacante Fred aos gramados.

Por isto, mais do que a oportunidade de o Fluminense conquistar o Campeonato Brasileiro depois de 26 anos, 2010 surge como a hora e a vez de Darío Conca comprovar a grandiosidade de seu futebol. Devido às contusões que assolam a equipe tricolor - e fazem com que ele seja o único remanescente em campo do quarteto que formaria com o meia Deco e os atacantes Emerson e Fred - o argentino tem a chance de mostrar que pode arcar com a responsabilidade de ser a estrela em busca do maior título nacional.

Conca já fez muito pelo Fluminense nestas duas temporadas no meio-de-campo do clube. Agora, chegou o momento do camisa 11 tricolor mostrar que sua habilidade pode alcançar todo o território nacional. Contagem regressiva. Faltam seis rodadas.

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SEXTA-FEIRA, dia 5 de novembro, volta ao ar em O tempo e o placar... o DEBATEBOLA QUATRO LINHAS.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Parto nos gramados



Não é comum no futebol um atleta ser contratado com muitas expectativas e, depois de um tempo, ficar marcado por um péssimo período no clube que defendem. Mas, nesta temporada, alguns jogadores vêm passando por um problema ainda mais delicado aos olhos dos torcedores. A imprensa se acostumou a associar estes nomes à frase "ainda não é desta vez", "ausência" ou "desfalque", e a torcida mergulha numa espera por seus grandes destaques.

O caso que traz mais holofotes é o de Ronaldo. Desde o início do ano, o atacante parece ter restrito sua ação a ser o homem de marketing do Corínthians. Com toda a fama que ganhou na carreira, o jogador cada vez mais parece entregue ao fim de carreira. Chama atenção sua capacidade em ficar fora de forma rapidamente, o que atrapalha ainda mais seu retorno a campo depois de algumas contusões.



A canção do ausente do Fluminense tem um ritmo mais pesado. Fred, que vinha se recuperando de uma contusão, sentiu outra que vai deixá-lo por mais tempo longe dos gramados. Por conta deste episódio, o atacante decidiu criticar publicamente o médico do clube, Michel Simoni, que pediu demissão depois do incidente.

Desde que chegou ao tricolor, Fred vem passando por longos períodos de contusão, que não só atrapalham seu ritmo de jogo, mas também fazem com que sua responsabilidade fica ainda maior. Em 2009, ele chegou ao fim do Campeonato Brasileiro com a responsabilidade de fazer os gols da salvação da Série B. Com o Fluminense nos primeiros lugares da competição, a tarefa ficará mais difícil? Especialmente porque o centroavante Washington vem tendo desempenho convincente desde seu retorno às Laranjeiras.



Ao menos, Fluminense e Corínthians têm elencos de boa qualidade, capazes de amenizar a falta de algum jogador, por maior talento que ele possua. Mas este não é o caso do Vasco, que desde o ano passado não sabe compensar os períodos de ausência de Carlos Alberto. Sem ele, a equipe perde muito de sua criatividade, e as jogadas saem aos trancos e barrancos.

A campanha hesitante do Vasco no Campeonato Brasileiro (cercada de empates) se deve muito à falta de criação de jogadas ofensivas. Por mais que o técnico Paulo César Gusmão tenha ajustado a defesa vascaína, ele ainda não conseguiu achar um substituto com nível próximo a Carlos Alberto - em especial porque, devido às poucas opções que existem no ataque, Zé Roberto geralmente é escalado como segundo atacante. O número de vezes que esteve em campo não chega nem à metade das partidas vascaínas na temporada, mas ele faz bem mais do que muitos jogadores da equipe de São Januário.

Nesta espera digna de um parto, as dores são sentidas pelos técnicos e pelas torcidas de Corínthians, Fluminense e Vasco. E todas as equipes sabem que, além da incerteza da data de retorno, as equipes ainda têm o receio do "pós-parto": será que eles voltarão em boas condições físicas? A dor pode ser ainda maior nos cofres dos clubes.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Retaliações criativas



Não chegou a completar um mês da chegada do meia Deco ao Fluminense, e já vêm as primeiras críticas à maneira como ele chegou ao clube. A primeira alternativa de Muricy Ramalho foi trocar o 3-5-2 pelo esquema 4-4-2. Entretanto, nas partidas em que o treinador usou esta formação tática, o tricolor teve más atuações, e teve uma sequência de resultados fracos.

A crítica esportiva creditou esta piora no desempenho à mudança no esquema, alegando que o Fluminense ficou mais exposto defensivamente. Foi assim que o time das Laranjeiras acabou entrando numa situação contraditória, apontada por Tostão em sua crônica de hoje na Folha de S. Paulo. Numa época em que o Brasil começa a rever seus conceitos defensivos que estiveram em campo pelo menos nos quatro anos em que Dunga esteve no comando da Seleção Brasileira, é irônico que a mesma imprensa que quer criatividade exija que Muricy Ramalho sacrifique Conca ou Deco em prol de não tomar gols.

É bem verdade que Deco ainda não está voando em campo com a camisa tricolor (embora esteja em melhor forma que outros medalhões dos adversários cariocas, casos de Felipe, do Vasco, e de Renato Abreu, do Flamengo). No entanto, a entrada do camisa 20 na equipe titular traz dois benefícios. Além de acrescentar muita criatividade ao time, a entrada dele faz com que Conca não fique sobrecarregado na criação de jogadas - problema crônico no Fluminense desde que o argentino chegou ao clube.

A esperança é de que Muricy Ramalho não se deixe levar pelos tropeços que virão no Campeonato Brasileiro, e continue a bancar a escalação da dupla de armadores. Seria um alento para o futebol nacional que pelo menos uma das equipes que surgem como candidatas ao título não fique se preocupando somente em "não perder".

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O poder da recuperação



O futebol brasileiro enumera algumas histórias de jogadores outrora limitados que encontram um instante de destaque - seja por uma partida bem-sucedida ou por um gol decisivo. Mas alguns atletas conseguem encontrar regularidade bem superior à que seu futebol prometia, quando iniciaram suas respectivas carreiras.

O exemplo mais recente vem do Fluminense. Em 2009, Mariano chegou ao tricolor das Laranjeiras, depois de ter certo destaque com a camisa do Atlético Mineiro. No entanto, em suas primeiras apresentações o lateral foi muito aquém do esperado, e passou a ser execrado pela torcida a cada jogo.

Mas, aos poucos, Mariano foi se destacando em meio ao "time de guerreiros" que evitou o rebaixamento no Campeonato Brasileiro do ano passado, e hoje é considerado uma das peças mais importantes do elenco tricolor. Desde a chegada de Muricy Ramalho e da ascensão do time das Laranjeiras no Brasileirão, o lateral-direita até se tornou cotado pela imprensa para ser convocado à Seleção Brasileira.

A possibilidade de uma convocação ainda soa como questionável, mas por motivos alheios ao bom momento do camisa 2 no Fluminense. A Seleção Brasileira vem de uma frustração na Copa do Mundo, passa por uma fase de renovação sob o comando de Mano Menezes e, principalmente, vê uma carência em algumas posições. Entretanto, se um dos argumentos para convocar um jogador é o momento dele em seu clube, Mariano já poderia estar em uma eventual lista do Brasil.

A única certeza dos caminhos que levaram à recuperação do seu futebol é que eles vieram das mãos de Muricy Ramalho. Uma opção para desvendar o mistério seria o fato de ele ser um jogador bem disciplinado taticamente, e que cresceu também graças ao bom momento dos bons jogadores que vestem a camisa do Fluminense. A outra que surge é do técnico perceber o talento do lateral e fazer um esquema tático no qual o camisa 2 também consegue se destacar.

Resta saber se o poder de recuperação de Mariano será efêmero ou não com a camisa do tricolor carioca. Mas, sem dúvida, o lateral do Fluminense já se consagrou como um dos muitos jogadores que conheceram os extremos, da hostilidade ao aplauso, num clube de grande expressão.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O Risco-Flu



Líder do Campeonato Brasileiro, com quatro pontos de vantagem sobre o vice-líder e a 11 pontos do primeiro time fora da zona de classificação que, a princípio, credencia para a Taça Libertadores da América de 2011. Time muito bem armado, com treinador com experiência vitoriosa em pontos corridos. No elenco, jogadores de destaque como Conca, Fred, Emerson, Washington, Belletti. E ainda veio a contratação de Deco, brasileiro naturalizado português, consagrado meia da seleção de Portugal, do Barcelona e do Chelsea. Há espaço para a torcida tricolor pensar em "risco" diante de um panorama tão promissor?

À exceção de eventuais peripécias que fazem o futebol ser imprevisível, pouquíssimos clubes parecem fazer frente ao que o Fluminense tem hoje. Entretanto, o risco que o tricolor corre é em relação à falta de pensamento a longo prazo que a patrocinadora Unimed impõe ao clube.

A ficha dos recém-contratados tricolores chama atenção. Deco, 32 anos (fará 33 em 27 de agosto). Belletti, 34 anos. Washington, 35 anos. A ideia de ter jogadores experientes - em especial quando eles têm um nome consagrado no futebol brasileiro e no exterior - é interessantíssima. Quando dá certo, apresenta resultados como o atual primeiro turno do Fluminense. No entanto, no mesmo ano em que foi montada esta nova Máquina Tricolor, foram embora jovens jogadores, como Maicon e Alan, além de Wellington Silva, que já tem sua venda sacramentada para o Arsenal, da Inglaterra.



Se a base do Fluminense em Xerém é um reduto de jogadores promissores (da qual saíram nomes como os laterais Marcelo, do Real Madrid, e Rafael, do Manchester United, ou o meia Carlos Alberto, que hoje veste a camisa do Vasco), por que não tentar conciliar os atletas formados no clube com os medalhões que a Unimed ajuda a trazer? É bem verdade que os empresários e até a ambição dos próprios jogadores contribuem para a saída tão prematura deles. Mas um elenco repleto de celebridades com a bola no pé ajuda a querer ficar no time no qual todos foram revelados?

Sim, o Fluminense parece ter o ano de 2010 muito bem encaminhado. Não dá ainda para dizer que o título está garantido, mas a vaga na competição mais importante do futebol sul-americano parece bem próxima, de acordo com o que o time vem jogando em campo. Entretanto, apesar do tricolor das Laranjeiras ser a equipe da moda, o futuro ainda soa incerto. Haverá geração talentosa para substituir o time de Conca, Fred, Emerson e Cia. com o mesmo talento? São respostas que não virão em 90 minutos.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Estrada da personalidade



A vitória que escorreu entre os dedos a sete minutos do fim da partida com o Grêmio Prudente, ontem no Maracanã, ainda não deixa tudo perdido na busca pelo título para o Fluminense. Entretanto, é mais um episódio do casamento quase perfeito que o tricolor das Laranjeiras tem com seu patrocinador, a Unimed.

A parceria com o plano de saúde começou no ano em que o Fluminense estava na Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro. A partir do ano de 1999, a Unimed sanou a imagem de um time que se via distante de sua antiga história no futebol nacional. Com seu auxílio financeiro, o tricolor aos poucos foi se reerguendo no cenário esportivo, e passou a apresentar equipes competitivas a cada temporada.

Mas este acabou sendo seu grande inconveniente. Tendo tanto dinheiro à disposição, a Unimed começou a pensar em sucessos imediatos, e, quando eles não aconteciam de, jogadores eram vendidos e chegavam ao Fluminense outros jogadores de nome. O resultado deste círculo vicioso foi para o gramado - inúmeros jogadores, vários treinadores e poucos títulos (o Brasileiro da Série C em 1999, os estaduais de 2002 e de 2005 e a Copa do Brasil de 2007). Sem contar com uma coleção de insucessos - o maior deles foi a perda da Taça Libertadores da América em 2008, para a LDU do Equador, no Maracanã.

O Campeonato Brasileiro de 2010 foi um novo começo para o Fluminense. Com uma base montada há alguns anos, finalmente foi contratado um treinador de grande destaque, com a diretoria tendo pensamento a longo prazo. Aos poucos, Muricy Ramalho transformou uma equipe desacreditada em um time digno de estar no G-4 do Brasileirão.

No entanto, no último degrau para confirmar sua liderança, veio o surpreendente empate com o Grêmio Prudente, que, se não for bem assimilado, pode dar margem para o tricolor retroceder. O tropeço veio cedo, ainda na oitava rodada, e primeira partida depois do final da Copa do Mundo. Há uma longa estrada para percorrer nos gramados até dezembro.

A maneira como o Fluminense vai agir daqui para o restante do Campeonato Brasileiro mostrará qual a verdadeira face do atual time das Laranjeiras. Ou ele pega a via de lamentar o momento de calmaria e segue a placa do retorno à inconstância da queda de braço com a Unimed, ou os jogadores comandados por Muricy Ramalho voltam suas atenções para o futebol, e mostram aos tricolores que a imponência do clube vai muito além de ter o dinheiro de um patrocínio. Para os torcedores, o melhor caminho é buscar uma personalidade.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Muito trabalho



Foi boa a inicativa de Muricy Ramalho em comandar o Fluminense quatro dias depois de assumir o cargo de treinador do clube. Assim, deu para ver mais de perto o quanto o tricolor das Laranjeiras está deteriorado no campo, e, em especial, como o time depende do meia Conca.

A derrota por 3 a 2 para o Grêmio no Maracanã complicou as chances do time na Copa do Brasil. Mas, se for pensar a longo prazo, uma eliminação pode ser favorável ao trabalho que antecede o Campeonato Brasileiro. Talvez, o plano de Muricy em adaptar o time ao seu padrão de jogo possa ser antecipado (sua perspectiva era começar somente depois da Copa do Mundo), e ele não fique atado a dar sequência ao esquema de seu antecessor no cargo, Cuca.

O parágrafo acima num primeiro momento parece absurdo ou parece estar antevendo uma eliminação do Fluminense antes da realização da partida de volta, no Olímpico, semana que vem. Só que um período a mais de treinos sem objetivos imediatos de colocar a equipe em campo parece uma grande saída para o tricolor.

O setor defensivo a cada partida erra mais. A boa fase dos laterais Mariano e Júlio César desapareceu, em especial o último. O meio deixa Conca sobrecarregado na tentativa de jogadas, e nomes como Marquinhos e Equi González não conseguem se firmar. O ataque passa por um momento delicadíssimo fora de campo: tanto o habilidoso Alan quanto o goleador Fred tiveram crise de apendicite, e passarão semanas longe dos gramados.

Um panorama ingrato para Muricy Ramalho. Portanto, é dever do Fluminense e de seu patrocinador, a Unimed, darem tempo para que o novo técnico tente resolver as coisas. Seu trabalho mais bem-sucedido (o do São Paulo) aconteceu graças à paciência dos dirigentes.

O novo técnico do Fluminense terá muito trabalho. Mas, que tal o tricolor deixar de lado a dança das cadeiras no comando do time e pensar em dar mais condições para Muricy Ramalho trabalhar?

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BOLA PRO MATO

Curto e grosso: pelo que apresenta em 2010 no Corínthians, Ronaldo não parece ser um ex-jogador em atividade?