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sábado, 18 de junho de 2011

Debate do fim de semana - ARBITRAGEM



Na vitória do Bahia sobre o Fluminense por 1 a 0, neste sábado no Engenhão, o árbitro Alício Penna Júnior repetiu a atual tendência da arbitragem brasileira: deixar o jogo correr, principalmente nos minutos iniciais. Jogadas que antes eram pretexto para a marcação de faltas são ignoradas, e a bola rola bem mais do que nas partidas anteriores.

Entretanto, até onde vai a "justiça" do homem do apito? Com os esbarrões ignorados por árbitros, não há uma tendência às sucessivas botinadas atrapalharem a qualidade dos jogos? Ou esta conduta é boa para tornar os jogadores "cai-cai" obsoletos no futebol brasileiro?

Com esta pergunta, O tempo e o placar... inaugura o DEBATE DO FIM DE SEMANA.

Sejam bem vindos para comentar!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Um Brasileirão perdido



Quando foi anunciado que Sandro Meira Ricci seria o árbitro do confronto decisivo entre Corínthians e Cruzeiro, na trigésima-quinta rodada do Campeonato Brasileiro, o consenso foi elogiar sua escalação. Meira Ricci se destacara na competição por arbitragens seguras. Cogitava-se até que ele seria o próximo a figurar no quadro de árbitros da FIFA. Mas, aos 42 minutos do segundo tempo da partida do Pacaembu, todo o seu bom campeonato foi perdido.

Num cruzamento para a área, o zagueiro Gil e o atacante Ronaldo se chocaram, e o camisa 9 caiu na área. Sem hesitar, Sandro Meira Ricci marcou pênalti. Ronaldo cobrou e confirmou a vitória que daria liderança à equipe corintiana - beneficiada pelo tropeço do Fluminense, que empatou em 1 a 1 com o penúltimo colocado, o Goiás, no Engenhão.

O único profissional para o qual as pessoas não dão o direito do benefício da dúvida é o árbitro. Em especial se tiver ao seu redor uma grande expectativa sobre sua qualidade - como foi o caso de Ricci, que era bem quisto até pela diretoria cruzeirense. O árbitro mineiro radicado em Brasília agora precisará ter cabeça fria para não cair nos lugares-comuns que profissionais do apito às vezes têm depois de erros capitais.

Sandro Meira Ricci pode até ser deixado de lado da conspiração que insistem em fazer sobre um suposto esquema para beneficiar o Corínthians. Mas rótulos como árbitro que sente o peso da responsabilidade de apitar um jogo de grande importância e, na dúvida, marca lance favorável à equipe mandante, correm o risco de se perpetuar.

A discussão sobre a existência ou não do pênalti em Ronaldo promete ser interminável. Mas, graças a esta polêmica, o Brasileirão já foi perdido para Sandro Meira Ricci.

sábado, 22 de maio de 2010

Era hora de parar



Está decidido. A partir do dia primeiro de junho, a paradinha no ato de uma cobrança de pênalti não será mais permitida. O batedor que fizer terá de repetir seu chute e, ainda por cima, receberá um cartão amarelo. Na marca do pênalti, os organizadores da FIFA fizeram um golaço. Uma coisa é o drible, outra coisa é a trapaça.

O jeitinho brasileiro criou a paradinha através de Pelé. A existência deste artifício foi consolidada durante os anos, nos pênaltis cobrados por craques como Djalminha e Romário. Entretanto, nos últimos anos, os batedores prostituíram o recurso, tornando a tentativa da defesa de um pênalti ainda mais inglória para o goleiro.

Em vez de dar algumas paradas durante a corrida para a marca de cal, alguns jogadores começaram a parar no momento crucial de uma cobrança. Outros, fingiam um chute para, com o goleiro caído no chão, colocar a bola no fundo da rede. A injustiça ficava ainda maior por causa dos limites impostos ao defensor da cobrança: ele não pode se mexer fora da linha do gol, e nem se adiantar antes do chute. Mas como não sair se o cobrador está com o pé diante da bola?

A impressão que os cobradores dão é de que vale tudo por um gol. Até mesmo esperar o goleiro ficar no chão para não dar nenhuma chance de defesa a ele. Um pensamento tão baixo quanto parar um jogador talentoso com seguidas faltas.



Como no pênalti o maior beneficiado é o cobrador, a saída era mesmo impedir mais este abuso. Afinal, com o tempo o artifício não ficou restrito a parar no momento do chute. Apareciam lances ainda mais estranhos a cada pênalti. De cobradores que davam um chute no ar antes da cobrança verdadeira (caso do zagueiro João Filipe, do Figueirense, no vídeo acima) a batedores que passavam o pé por cima da bola duas ou três vezes (o atacante Fred, atualmente no Fluminense, fez isto em algumas oportunidades).



Mas a falta de limite nas cobranças de pênalti não prejudicou goleiros apenas pelos gols sofridos. O goleiro Wender, do Brusque, foi vítima duas vezes deste artifício. Tanto por não conseguir evitar o gol do Joinville na partida pelo Campeonato Catarinense (em que seu time perdeu por 3 a 2) quanto por, ao notar a paradinha de Lima, tentar voltar atrás e acabar caindo de mau jeito. A consequência para Wender foi uma luxação no cotovelo (o vídeo aparece acima, na reportagem do Sportv).

Era mesmo hora de parar com estes abusos dos cobradores de pênalti. O veto à paradinha antes da penalidade máxima não é uma punição ao bom futebol e ao poder de ilusão causado por um drible. A resolução da FIFA serve para evitar trapaças e evitar a ideia deturpada de que vale tudo pelo bom resultado.

terça-feira, 23 de março de 2010

Margem de erro



A arbitragem nacional vem popularizando a cada rodada uma nova forma de ser justa até com seus próprios erros. Depois de marcar algum lance que afeta diretamente o placar da partida, logo em seguida se cria uma outra forma do time prejudicado conseguir seu gol de empate.

O caso mais recente foi na partida entre Botafogo e Flamengo, no Engenhão. Após enxergar pênalti numa falta que aconteceu fora da área e permitir que Herrera colocasse os botafoguenses em vantagem, o árbitro Wagner do Nascimento Magalhães inventou uma falta favorável aos rubro-negros nos últimos instantes da partida. Desta falta, veio o gol de empate, marcado por Adriano. O gol do camisa 10 flamenguista tornou a partida mais uma das tantas recentes em que Flamengo e Botafogo empataram. Décadas depois de Jackson do Pandeiro lançar sua canção 1 x 1, em que o início trazia os versos "esse jogo não pode ser um a um", alvinegros e rubro-negros certamente devem dizer a cada novo clássico que "esse jogo não pode ser dois a dois".

Sim, pelo que os clubes apresentaram nos 90 minutos do Engenhão, o empate era um resultado mais justo. Mas fazer justiça com o próprio apito é a melhor alternativa para a arbitragem? No fim das contas, o juiz não está com seus erros zerados, e sim houve dois erros que comprometeram sua atuação. O público não merece ficar mal acostumado com cotidianos típicos de grandes partidas - "se marcou um pênalti a favor de um clube, vai dar um jeito de marcar outro para o adversário empatar" ou "expulsou um jogador de um lado, vai dar um jeito de expulsar alguém de outra equipe para que eles fiquem iguais", e outras idiossincracias cotidianas dos gramados.

Se a tendência dos árbitros é de, desta maneira, ficar em paz com os dois clubes e tentar ser fiel à partida que ele vê, a atitude mais nobre seria se preparar ainda mais para que sejam dignos de conduzir uma boa partida. No entanto, como isto deve ser muito incômodo, a torcida brasileira vai ter de se acostumar em assistir a jogos contando com a "margem de erro" da arbitragem.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Tintas fortes



Os cronistas esportivos são unânimes em dizer que "árbitro bom é o que aparece discretamente nos jogos de futebol". Não parece ser a tendência das primeiras arbitragens do ano de 2010. Cada vez mais os juízes chamam atenção com suas marcações rigorosas, capazes de afetar o andamento de uma partida.

O Campeonato Estadual do Rio de Janeiro traz números alarmantes a cada súmula. Invariavelmente, o número de cartões amarelos das equipes que estão jogando é superior a uma dezena - por exemplo, na sua estreia contra o Tigres, em São Januário, só o Vasco recebeu oito cartões amarelos (além de um vermelho). A sucessão de cartões distribuídos por reclamação também aumentou consideravelmente em cada jogo.

Nesta semana, o pulso do juiz chamou atenção em outra competição. Na partida entre Vélez Sarsifield e Cruzeiro (realizada no estádio José Amalfitani) pela Taça Libertadores da América, o árbitro Martín Vasquez expulsou o meia Gilberto, do Cruzeiro, com dois minutos de partida. O jogador entrou numa dividida com o zagueiro Sebá Dominguez e sua expulsão prejudicou a equipe cruzeirense na derrota por 2 a 0 para os argentinos.

No retorno a Minas Gerais, Gilberto afirmou que o árbitro foi "rigoroso", e que "o lance era só para cartão amarelo". O atleta também declarou que não tinha visto o jogador adversário indo para a mesma jogada.

Independente das suas verdadeiras intenções, Gilberto é mais um exemplo para que todos os jogadores estejam atentos com o rigor das arbitragens. Caso contrário, os juízes terão mais motivos para colocar tintas fortes nos jogos de futebol.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Réu confesso



Dias depois da desastrosa atuação do árbitro Arílson Bispo da Anunciação no empate em 3 a 3 entre Corínthians e Botafogo, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva promete cometer mais um remendo judicial, na tentativa de desviar o foco dos erros de arbitragem. Foi divulgado hoje que o atacante André Lima pode ficar suspenso de uma a 10 partidas. O motivo: confessar que teria feito seu gol contra o alvinegro paulista com a mão.

Para o STJD, a atitude de André fere o artigo 258, por ele "assumir atitude contrária à disciplina ou à moral desportiva, em relação a componente de sua representação, representação adversária ou de espectador". Em outras palavras, pior do que os erros de juiz e bandeirinha, foi o fato de André Lima evidenciar a incompetência de ambos, ao não enxergarem sua mão desviando para o fundo da rede corintiana.

Pobre futebol brasileiro, que premia os jogadores que cometem irregularidades e preferem se esconder na omissão. O Botafogo, time que luta para escapar da Série B em 2010, vai ser punido somente porque seu jogador ousou mostrar o óbvio: a arbitragem nacional é cercada de patifes que sopram apito.

Pior para André Lima, pior para o Botafogo, pior ainda para o futebol nacional. Afinal, o árbitro pode ter sido afastado de jogos da Série A, mas as outras divisões ainda ficarão reféns dos deslizes dos muitos Arílsons que estão por aí com autoridade para apitar uma partida.

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BOLA PRO MATO

Por falar em arbitragem, um juiz recentemente afastado de apitar jogos da Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro mostrou ontem que suas limitações não têm divisão. O paranaense Héber Roberto Lopes teve uma arbitragem desastrosa na partida entre Brasiliense e Vasco. Na Boca do Jacaré, o time do Distrito Federal distribuiu botinadas (em especial no meia Carlos Alberto) e somente três cartões amarelos foram distribuídos - todos para o Brasiliense. O ápice de Héber veio num lance em que o meia Alex Teixeira ficaria na cara do gol, mas ele acabou parando a jogada para marcar uma falta... a favor do próprio Vasco. Ele provavelmente faltou à aula que explicava a "lei da vantagem".

sábado, 18 de julho de 2009

Retaliações da "lei"



A vitória de 3 a 0 do Vasco sobre o ABC em São Januário foi maculada por uma duvidosa conduta do árbitro goiano Luiz Alberto Bites. O juiz deu uma bronca no meia Philippe Coutinho após ele arriscar um drible de calcanhar sobre um dos adversários do time potiguar. Mais do que o absurdo de ameaçar um atleta por tentar uma jogada bonita, foi o argumento de Luiz Alberto para sua atitude: "preservar o jogador, para evitar que ele saísse machucado".

A inversão de valores, representada por atitudes não muito éticas dos treinadores e a ausência de pudor ao mandar bater ou ao escalar jogadores somente para "incomodarem" seus adversários e forçar expulsões, chegou ao apito nacional. A graciosidade do futebol brasileiro, com seus dribles e suas artes, agora vem sendo coibida também pela arbitragem. Com as rivalidades cada vez mais acirradas, os árbitros ajudam a deturpar uma finta e a tornarem o lance uma ofensa pessoal.

Revelação do Vasco e com o passe vendido à Internazionale de Milão, Philippe Coutinho foi tratado com a mesma rispidez de um zagueiro violento. E tudo somente pela "violência" de arriscar um bom drible quando seu time vencia por 3 a 0.

É por estas e outras que atletas brasileiros estão indo cada vez mais cedo para o exterior - e Coutinho será o próximo, no meio do ano que vem. Com a maior autoridade de uma partida de futebol tolhindo a liberdade de atletas que enchem os olhos da torcida, o mercado parece cada vez mais restrito para quem ainda arrisca fazer arte no esporte mais popular do Brasil.

domingo, 14 de junho de 2009

O ônus da tradição



No Brinco de Ouro da Princesa, as coincidências das três recentes partidas do Vasco na Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro continuaram. Novamente, o time de São Januário não venceu (nos outros dois jogos houve uma derrota e um empate). Assim como na rodada anterior, o Vasco saiu de campo novamente com um empate em 0 a 0 - e também contra uma equipe paulista.

Pela terceira vez seguida, o time teve uma expulsão ao final do primeiro tempo, que obrigou o Vasco a se fechar em sua defesa (afinal, também tem suas muitas limitações, ainda mais com um jogador a menos). E, pela enésima vez, o meia Carlos Alberto levou cartão amarelo. Aliás, acabou levando dois. O primeiro, numa reclamação infantil, injustificável para qualquer jogador, em especial quando se trata de alguém que tem a braçadeira de capitão de um time. O segundo, em consequência da fama de ser um jogador que vai com muita sede às divididas. Mesmo tendo sofrido uma cotovelada, o camisa 19 acabou expulso, atrapalhando mais uma busca do Vasco pelos três pontos na Série B do Campeonato Brasileiro.

Sim, Carlos Alberto faz por onde ter esta fama de indisciplinado. Mas, como disse Lédio Carmona em seu blogue, as arbitragens parecem usar a punição a ele como lugar-comum. As marcações dos árbitros vêm parecendo mais rigorosas com o Vasco (assim como ontem aconteceu com Carlos Alberto, no jogo contra o Guarani, na derrota dos reservas vascaínos diante do Paraná na quarta rodada, a expulsão de Enrico foi considerada exagerada pelos comentaristas de arbitragem). E a justificativa - se é que existe - não é tão difícil: quando há um clube de maior expressão jogando a Segunda Divisão, é provável que os árbitros queiram "mostrar serviço", comprovando à plateia que eles apitam todas as infrações, independente de ser um Vasco ou um Duque de Caxias.

São diferenciais no apito que tornam a Série B um campeonato ainda mais delicado. Não basta jogar em campos de qualidade duvidosa ou enfrentar times ansiosos por vencerem um "grande" na Segunda Divisão. A Segunda Divisão já deu mostras de que o Vasco ainda terá de arcar com o ônus de sua tradição.

sábado, 18 de abril de 2009

Imune aos olhos da arbitragem



No primeiro jogo entre Corínthians e São Paulo na semifinal do Campeonato Paulista, dois lances do lado corintiano chamaram atenção. Não, este que vos escreve não se refere aos dois gols que sacramentaram a vitória por 2 a 1 do Timão sobre o tricolor paulista. O primeiro já foi apresentado terça-feira aqui neste O tempo e o placar..., na crônica Aqui se comemora, aqui se julga - a comemoração controversa de Cristian após marcar o gol da virada do time do Parque São Jorge.

A segunda vem da conduta do árbitro Salvio Spinola diante de uma jogada ríspida no início de partida. Aos seis minutos de jogo, um corintiano deu uma sola violenta num jogador são-paulino. Mesmo com a entrada digna de expulsão, o árbitro o puniu com um cartão amarelo.

O lance poderia ser somente um momento banal de um clássico bem disputado. "Poderia", se o responsável pela sola não fosse Ronaldo. Cronistas esportivos de todo país levantaram a bandeira de que a jogada não terminou em cartão vermelho porque se trata do Fenômeno, craque com excelente trajetória no futebol e que não tem dentre suas características o fato de ser violento.

Eis a questão: Ronaldo não é punido com a mesma severidade que determinados jogadores porque sua fama de jogador sem violência ajuda a evitar que ele vá mais cedo pro chuveiro? Este "crédito" a atletas considerados disciplinados já vem de algum tempo.

Zagueiro de destaque no final dos anos 90, o paraguaio Gamarra também teve passagens em gramados brasileiros vestindo as camisas de Corínthians e Flamengo. Além de excelente beque, o jogador tinha destaque por sempre conseguir neutralizar as jogadas sem recorrer a faltas - chegou a ficar anos sem ter uma falta sequer apontada pela arbitragem. No entanto, nas partidas que disputava no Brasil, invariavelmente podia-se ver Gamarra esticando os braços na área para interromper tentativas adversárias. Em todas elas, o árbitro fazia vista grossa.

Depois de Gamarra, agora ao final dos anos 2000 Ronaldo parece ser o novo "imune" aos olhos da arbitragem. Bem, ao menos se, depois da celeuma criada em torno da atitude de Salvio Spinola não faça o árbitro do jogo de volta entre São Paulo e Corínthians não se sinta pressionado a dar um jeito de retirar o atacante de campo. Mesmo que seja somente para se mostrar uma "exceção" na Federação Paulista de Futebol.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Aqui se comemora, aqui se julga



Conforme o amigo e praticamente coautor de O tempo e o placar... Marcos Fontelles apontou em um dos comentários do post passado, o herói corintiano da virada sobre o São Paulo (no jogo de anteontem pela semifinal do Campeonato Paulista) apresentou um jeito controverso de comemorar seu gol. Ao garantir a vitória por 2 a 1 do Timão, o jogador fez gestos obscenos na direção da torcida são-paulina.

Além de ganhar a hostilidade do São Paulo, Christian pode ser suspenso por até 10 partidas, mesmo com o árbitro não relatando na súmula de sua atitude. Atualmente, muitos jogadores são julgados e condenados por lances ocorridos fora do alcance do olhar de juiz e bandeirinhas.

Este tipo de gesto não é tão novo no cenário do futebol brasileiro. Nos últimos tempos, as provocações das torcidas passaram a ser transmitidas para os jogadores. Em vez de comemorarem com torcedores do clube que eles defendem, eles decidem se dirigir ao torcedor adversário, para fazer um tipo de provocação ofensiva, que semeia ainda mais a rixa futebolística. Caso do Créu, funk que poluiu as rádios do país e cuja coreografia foi reproduzida em campo na comemoração de jogadores como Thiago Neves (do Fluminense) e Souza (na época no Flamengo) no Estadual do Rio de Janeiro no ano passado.



No entanto, algumas vezes esta maneira desagradável de ir em direção à torcida ocorre em outros lances que não a comemoração de um gol. Foi assim em 1995. Formando o "ataque dos sonhos" do Flamengo ao lado de Romário e Sávio, o atacante Edmundo retribuiu uma provocação de torcedores do Vasco de uma forma bem baixa (mostrada na foto ao lado).


A torcida vascaína também foi alvo de uma ofensa gestual de outro atacante de destaque nos anos 90. E com um dado curioso: desta vez, quando ele vestia a camisa cruzmaltina. No ano de 2002, ao final de um jogo no qual o Vasco venceu o Bangu por 5 a 1, Romário respondeu aos gritos hostis da Força Jovem com o mesmo gesto que, domingo, Christian fez para a torcida do São Paulo.




Por acasos do atual futebol (que traz um constante troca-troca de jogadores entre os clubes), Edmundo e Romário acabaram voltando a jogar no Vasco - recebendo o carinho da torcida e trazendo títulos importantes para o time de São Januário. Com Edmundo, o Vasco ganhou seu terceiro título Brasileiro, em 1997, que credenciou a equipe a disputar a Taça Libertadores no ano do centenário (torneio do qual o Vasco seria campeão, mas sem Edmundo no elenco). Ele tornaria a vestir a camisa cruzmaltina em outras oportunidades - 1999, 2003 e 2008 - mas sem o mesmo sucesso. Com Romário, vieram para o Vasco os títulos das Copas Mercosul e João Havelange. Através da camisa 11 vascaína, Romário recebeu alguns prêmios de artilheiro, e o milésimo gol na carreira aconteceu com a camisa do clube pelo qual iniciou sua trajetória, e em São Januário.

Com as tantas idas e vindas do futebol brasileiro, Christian deveria tomar cuidado. Quem sabe se amanhã ele não se torna um jogador do tricolor paulista? A torcida do São Paulo irá apagar a "comemoração" dele na vitória do Corínthians por 2 a 1? No Brasil, todas as torcidas trazem uma grande certeza: aqui se comemora, aqui se julga.

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Obrigado, Marcos, por mais uma coautoria. O tempo e o placar... agradece.

sábado, 14 de março de 2009

Apito em questão



Desde os primórdios do futebol, a arbitragem é a parte mais questionável em todos os jogos. Afinal, um lance apitado erroneamente pode levar por água abaixo meses de treinamento e dar vantagem a uma equipe que, em campo, não merece a vitória. Este panorama não é diferente nos campos brasileiros - em especial nos últimos tempos, quando erros de arbitragem vêm sendo constantes nas partidas realizadas por aqui.

Os deslizes dos juízes ficam mais graves ainda em função da modernização das televisões - que há algum tempo usam o videoteipe não só para repetir os gols e os lances bonitos, como também para tirar a dúvida de algum impedimento polêmico ou de um pênalti discutível. Mas discutível mesmo fica a qualidade da arbitragem no Brasil.

Nem mesmo nomes em evidência no atual panorama do futebol brasileiro escapam da língua ferina dos comentários de torcedores e de ex-juízes que vão para a televisão para, durante os jogos, analisar a atuação do árbitro. Paulo César de Oliveira, Héber Roberto Lopes e Carlos Eugênio Simon (este último, já apitou partidas em Copa do Mundo) já tiveram seus erros reconhecidos pelo videoteipe.

Por sinal, com Simon aconteceu uma situação inusitada no Campeonato Brasileiro do ano passado. No último minuto da partida entre Cruzeiro e Flamengo, realizada no Mineirão, Diego Tardelli teria sido derrubado dentro da área pelo zagueiro Léo Fortunato. O árbitro não sinalizou a penalidade, e, como o rubro-negro perdeu a partida por 3 a 2, deu início a uma revolta contra o juiz e contra a arbitragem brasileira (que estaria em decadência, de acordo com a diretoria). Dias depois, a mesma televisão que sacramentara o pênalti mostrou a jogada por outro ângulo, e veio a surpresa: de fato, o pênalti não aconteceu.

Com a possibilidade de erro e de terem suas falhas reconhecidas em tempo real, os árbitros brasileiros agora vêm adotando técnicas drásticas para não aparecerem mais do que os artistas do espetáculo. Alguns deixam o jogo correr, permitindo a violência de ambos os lados, que possibilitam os absurdos números de faltas. Outros tentam se impor desde o início, aplicando advertências a torto e a direito. E o pior é que em ambos os lados é demonstrada a insegurança do juiz, que, como apontou Fernando Calazans em sua coluna do jornal O Globo, se revela um "soprador de apito".

É o caso de Rodrigo Nunes de Sá. No clássico entre Botafogo e Vasco realizado quinta-feira no Maracanã, foram distribuídos 16 cartões (oito para cada equipe), sendo três deles com a cor vermelha (dois para jogadores botafoguenses e um para um atleta cruzmaltino). Uma contagem exagerada, visto que boa parte dos cartões veio de reclamações feitas a partir de erros do próprio Nunes de Sá - que tendia a paralisar o jogo em divididas na intermediária.

Independente do fato se o pênalti que gerou o terceiro gol vascaíno aconteceu fora ou dentro da área (este que vos escreve viu e reviu o lance e em todos achou que a falta aconteceu em cima da linha da grande área - portanto, foi pênalti), é uma pena ver a arbitragem como a de anteontem em evidência por sua conduta duvidosa diante do jogo. No campo em que os artistas do espetáculo são os jogadores, os juízes devem ser coadjuvantes, com sua participação reduzida a permitir a boa atuação de ambos os lados.

Seu momento diante dos holofotes tem de ficar restrito ao centro do campo, no qual ergue o braço para apontar o fim da partida. Senão, o "sopro de apito" terá comprometido a arte das quatro linhas, e deixará visível o despreparo da arbitragem brasileira.