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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Em busca da solidariedade mineira





"O mineiro só é solidário no câncer". A frase que Nelson Rodrigues atribuiu ao escritor Otto Lara Resende vem sendo o pretexto para jogadores que não tiveram uma temporada no Botafogo procurarem novos ares para seu futebol. Após o atacante Jobson ser apresentado como reforço do Atlético Mineiro, o volante Leandro Guerreiro vai atuar em 2011 pelo Cruzeiro.

Dentre os dois ex-alvinegros, a contratação mais arriscada é a atleticana. Não se trata do receio de Jobson voltar a ter problema com drogas. O problema é a sequência de atos de indisciplina que o atacante apresentou durante a temporada de 2010, sob o comando de Joel Santana. Se a equipe do Atlético Mineiro já demorou tanto tempo para se entrosar no Campeonato Brasileiro do ano passado, a chegada de um jogador que semeou problemas internos em seu antigo clube pode levar o trabalho de Dorival Júnior novamente à estaca zero.

No caso de Leandro Guerreiro, o problema não é a falta de disciplina. Em sua passagem pelo Botafogo, o volante ficou estigmatizado por fazer parte de uma geração que "quase" ganhou títulos. Além da sequência de três decisões estaduais perdidas para o Flamengo, com Guerreiro o alvinegro carioca começava bem nas edições do Campeonato Brasileiro mas terminava distante das primeiras colocações. A superstição fica ainda mais adversa para o Cruzeiro pois seu atual técnico, Cuca, foi durante muito tempo comandante desta "geração botafoguense".

Não há dúvida que ambos têm qualidade para atuar em Atlético Mineiro e Cruzeiro. Além de atuar como volante, em algumas partidas Leandro Guerreiro é eficiente na zaga. Seu sobrenome faz jus à sua maior característica - o empenho para defender a camisa que veste. Jobson é um atacante veloz e, quando joga com seriedade, sabe ser decisivo - e poder de decisão é o que o time do Atlético precisa, para voltar a ter destaque no cenário nacional.

Por mais que o ano de 2010 tenha sendo infeliz para Leandro Guerreiro e Jobson no Botafogo, a solidariedade mineira pode trazer um bom recomeço para suas respectivas carreiras. Só que os dois precisam ter consciência de que as torcidas de Cruzeiro e Atlético são solidárias apenas enquanto a vibração e o respeito sobressaem no desempenho em campo. Em especial diante da grande rivalidade que cerca os dois grandes do futebol de Minas Gerais.

sábado, 30 de outubro de 2010

Jacaré botafoguense



Análise de jogo - Atlético Mineiro 0 x 2 Botafogo (18h30, Arena do Jacaré)

A Arena era do Jacaré, local onde, desde o fechamento do Mineirão para as obras da Copa de 2014, o Atlético Mineiro manda seus jogos. Mas quem deu o bote no estádio foi outro alvinegro - o Botafogo - que segurou o ímpeto e o desespero atleticanos e conseguiu os três pontos no terreiro do Galo.

Ciente de que a vitória se tornava ainda mais importante depois que o Vitória da Bahia venceu o Vasco por 4 a 2 no Barradão e saiu momentaneamente da zona de rebaixamento, o Atlético se lançou à frente, e começou a ameçar o Botafogo logo aos cinco minutos, num chute de Diego Souza de fora da área. A equipe de Joel Santana passou a jogar de maneira fechada, forçando o trio Diego Souza, Obina e Diego Tardelli a ser acionado apenas por meio de cruzamentos. A zaga botafoguense contrastava com o setor ofensivo do time. Isolados por causa da partida apagada do meia Lúcio Flávio, Jobson e Loco Abreu só eram notados quando tentavam correr depois de chutões mandados pelos zagueiros. Diante deste jogo truncado, o primeiro tempo terminou sem gols.

No segundo tempo, as tentativas começaram a chegar de ambos os lados. Mas ainda passaram muito longe, graças à ausência de pontaria, em especial do lado atleticano. A dupla Obina e Diego Tardelli cansou de perder chances claras. Numa delas, Obina, perto da linha da pequena área, isolou a bola diante do goleiro Jefferson. Na outra, Tardelli arriscou de longe da área, e diante do goleiro botafoguense estático, a bola parou no travessão.

Vendo o Botafogo ser pressionado, o técnico Joel Santana fez uma alteração decisiva - o inofensivo Lúcio Flávio saiu para a entrada de Edno. Cinco minutos depois, ele deu o primeiro bote alvinegro. O atacante encontrou Loco Abreu em posição legal no lado direito. O camisa 13 avançou até a área e chutou. Renan Ribeiro espalmou, mas, na volta, Edno colocou a bola no fundo da rede. Botafogo 1 a 0.

Com o placar adverso, Dorival Júnior decidiu tornar o Atlético ainda mais ofensivo. O lateral-direita Rafael Cruz e os meias Renan Oliveira e Diego Souza foram substituídos pelos atacantes Wescley, Ricardo Bueno e Nikão, respectivamente. A equipe mineira continuou a dominar as ações, mas padeceu de um grave erro de equipes desesperadas e cheias de homens de frente. A quantidade do ataque se esvaiu pela falta de habilidade na troca de passes dos jogadores. O time continuava a cair no erro de ficar alçando bola, em busca de um desvio de cabeça.

Mas o Atlético ainda sofreria um último bote. Edno iniciou contra-ataque e lançou na direita Loco Abreu. O uruguaio avançou e chutou na saída de Renan Ribeiro. Botafogo 2 a 0, aos 45 minutos. Os golpes botafoguenses foram incisivos para as pretensões atleticanas no Campeonato Brasileiro. Além da derrota em Minas, tanto o triunfo do Vitória na Bahia quanto a vitória do Avaí sobre o Guarani (por 1 a 0 no Ressacada) fizeram com que o Galo voltasse à zona de rebaixamento, com 34 pontos.

De maneira silenciosa, o Botafogo vai subindo na tabela, graças a botes incisivos como os que aconteceram na Arena do Jacaré. O jacaré botafoguense agora abocanhou a quarta colocação do Brasileirão, com 51 pontos, a três pontos do terceiro lugar, o Corínthians. Certamente, a vitória sobre o Atlético Mineiro dá muito mais apetite à equipe carioca. Afinal, com a incerteza criada pela Conmebol (de que a quarta vaga na competição nacional não leva à Taça Libertadores da América no caso de um time brasileiro ser campeão da Copa Sul-Americana), o risco de acabar o ano de maneira indigesta ficou ainda maior.

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ATLÉTICO MINEIRO 0 x 2 BOTAFOGO

Estádio: Arena do Jacaré (Sete Lagoas / MG)

Público: 17.012 pagantes. / Renda: R$ 92.780,00.

Árbitro: Evandro Rogério Roman (Fifa/PR) / Auxiliares: Roberto Braatz (Fifa-PR) e Gilson Bento Coutinho (PR).

Cartões amarelos: Diego Tardelli, Serginho (Atlético Mineiro) e Alessandro (Botafogo).

Gols: Edno, aos 30 minutos, e Loco Abreu, aos 45 minutos do segundo tempo.

ATLÉTICO MINEIRO - Renan Ribeiro, Rafael Cruz (Wescley, 33'/2ºT), Réver, Lima e Leandro; Alê, Serginho, Renan Oliveira (Ricardo Bueno, 40'/2ºT) e Diego Souza (Nikão, 36'/2ºT); Diego Tardelli e Obina. Técnico: Dorival Júnior.

BOTAFOGO - Jefferson, Danny Morais, Leandro Guerreiro e Márcio Rosário; Alessandro, Marcelo Mattos, Fahel, Lucio Flavio (Edno, 25'/2ºT) e Somália; Jobson (Caio, 38'/2ºT) e Loco Abreu. Técnico: Joel Santana.

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O tempo o placar... escolhe o que houve de melhor e de pior na rodada.

O CHUTAÇO

Depois de muitas rodadas padecendo, o FLUMINENSE finalmente fez uma partida digna de quem disputa título. Na vitória sobre o Grêmio, quinta no Engenhão, o time mostrou sangue frio para segurar a arrancada da equipe gaúcha.

A FURADA

A furada da rodada vai para PAULO CÉSAR GUSMÃO, que escalou Fernando Prass mesmo depois de o goleiro vascaíno ter passado mal na noite anterior, e arriscou colocar como titular o zagueiro Jadson Vieira, atleta que demorou meses até mesmo para ser relacionado no banco de reservas. A derrota por 4 a 2 para o Vitória da Bahia teve responsabilidade do treinador sim.

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RODADA 32

Quarta-feira

22h

Flamengo 1 x 1 Corínthians (Engenhão)

Quinta-feira

21h

Fluminense 2 x 0 Grêmio (Engenhão)
Atlético Goianiense 1 x 1 Ceará (Serra Dourada)
São Paulo 2 x 1 Atlético Paranaense (Arena Barueri)

Sábado

16h

Vitória da Bahia 4 x 2 Vasco (Barradão)
Internacional 1 x 1 Santos (Beira-Rio)

18h30


Atlético Mineiro 0 x 2 Botafogo (Arena do Jacaré)
Grêmio Prudente 0 x 2 Cruzeiro (Prudentão)
Palmeiras 3 x 2 Goiás (Arena Barueri)
Avaí 1 x 0 Guarani (Ressacada)

domingo, 24 de outubro de 2010

Grandes esperanças



O clássico de Minas Gerais traz um confronto de grandes esperanças. O Cruzeiro vive a expectativa de, por mais uma rodada, conseguir consolidar sua liderança no Campeonato Brasileiro, enquanto o Atlético, beneficiado pela derrota do Vitória da Bahia para o Botafogo, se vê a três pontos de sair da zona de rebaixamento.

E os dois mineiros têm bons motivos para continuar com seus sonhos na competição. A equipe cruzeirense vem apresentando uma boa sequência de jogos, capaz até mesmo de amenizar a derrota para o Grêmio na rodada anterior. O investimento para trazer o argentino Montillo é recompensado com grandes jogadas de habilidade, aliadas a uma objetividade impressionante. O elenco cruzeirense também apresenta jogadores de destaque, alguns deles (como o goleiro Fábio) dignos de uma convocação para a Seleção Brasileira.

Passada a frustração sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, o Atlético Mineiro aos poucos foi obtendo resultados expressivos, capazes de comprovar que o talento de Dorival Júnior pode superar até mesmo adversidades que não encontrou nos trabalhos bem-sucedidos pelo Vasco e pelo Santos. O cenário atleticano era de uma equipe devastada por uma série de derrotas negativas, e que não conseguia força suficiente para achar o caminho das vitórias, mesmo com um bom elenco e um treinador conceituado. Entretanto, com a nova maneira como a equipe está jogando, o duelo de Minas se torna bem mais imprevisível aos olhos dos torcedores.

Resta saber qual das duas equipes prosseguirá com motivos para esperar dias melhores no Campeonato Brasileiro. A rivalidade mineira hoje passa pelo desafio de, através de um duelo regional, encontrar mais forças para superar as adversidades que virão na competição nacional.

domingo, 26 de setembro de 2010

Desespero em branco e preto



Análise de jogo - Atlético Mineiro 1 x 2 Grêmio (Arena do Jacaré, 18h30)

Apenas nove partidas com pontos conquistados em dois terços de campeonato. Uma derrota por 5 a 1 para o Fluminense, no Engenhão, no meio de semana. A demissão de Vanderlei Luxemburgo, treinador com a comissão técnica mais cara do país, e sinônimo de esquadrões vitoriosos outrora. Ao redor, um elenco de jogadores de destaque, dignos de formar uma boa equipe, que vai se desfazendo em atuações cada vez mais frustrantes. Foram muitos os adversários que o Atlético Mineiro teve de enfrentar na Arena do Jacaré. E, além de todos eles, ainda havia o Grêmio, em situação menos delicada na classificação, mas também penando com uma campanha bem abaixo do esperado, a ponto de ver a zona de rebaixamento não muito longe.

E talvez o receio de voltar àquela situação tenha sido decisivo para o time gremista, que desde o primeiro minuto mostrou uma vontade de jogar bem maior do que os apáticos atleticanos. Do time mineiro, apenas se manifestava o goleiro Renan Ribeiro - garoto de 20 anos que o técnico estreante, Dorival Júnior, promoveu a titular. Ele realizou uma grande defesa para chute de André Lima. Em vão. No rebote, Jonas correu mais do que os adversários e colocou a bola no fundo da rede. 1 a 0 Grêmio, aos dois minutos.

A desvantagem no placar deixou o Atlético ainda mais abatido, e a equipe assistiu passivamente quando Gabriel desceu pela direita e, depois de tabelar com Douglas, chutou a bola no fundo da rede de Renan Ribeiro. Grêmio 2 a 0, em 15 minutos de partida. Os mineiros seguiam atônitos, entregues à má situação no Campeonato Brasileiro, e davam mais espaços para o tricolor gaúcho atacar. Era a mesmice, daquelas que nem mesmo uma mudança de treinador parece capaz de solucionar. Só que Dorival Júnior conseguiu amenizar em uma mudança. Em vez de persistir na escalação do inconstante Fábio Costa debaixo das traves, a oportunidade dada a Renan Ribeiro foi bem oportuna. Graças ao novo goleiro, chutes de André Lima e de Jonas não aumentaram a vantagem gremista na partida.

Aos poucos, os jogadores gaúchos se deixaram levar pela impaciência com as chances perdidas, e o Grêmio foi relaxando em sua marcação. As trocas de passes atleticanas começaram a acontecer, principalmente em jogadas iniciadas por Daniel Carvalho. E do pé dele veio a confirmação da reação do Atlético Mineiro. Após passar por três adversários, Daniel deu um belo chute. Victor espalmou, mas no rebote Diego Tardelli desviou, de cabeça, para o fundo da rede.

Com o placar em 2 a 1 aos 25 minutos, a equipe de Minas Gerais voltava a estar no jogo. O desespero parecia prestes a acrescentar a cor azul ao preto e branco da noite - desta vez nas cores do tricolor gaúcho. Mas duas fatalidades atrapalharam o Atlético Mineiro. A primeira foi uma contusão no ombro de Daniel Carvalho. O jogador ainda permaneceria em campo, mas seu rendimento piorou bastante no resto da partida. Menos sorte teve Diego Tardelli, que precisou ser substituído por Neto Berola antes do intervalo.

Na volta para o segundo tempo, o Grêmio sentiu a consequência de não ter matado a partida nas duas chances que teve. Com Adilson e Douglas sem muita inspiração ofensiva, o time se limitava a marcar os atleticanos, e dava espaços para que o adversário avançasse.

O desespero oscilava entre o alvinegro e o tricolor em poucos instantes. Em um chute perigoso de Daniel Carvalho e duas conclusões de Neto Berola, o goleiro Victor se desdobrou para evitar que a história se repetisse com o Grêmio - na rodada anterior, os gremistas venciam o Flamengo no Olímpico, mas permitiram o empate em 2 a 2 a cinco minutos do final.

Se as oportunidades encaminhavam o jogo da Arena do Jacaré a um equilíbrio, as alterações trataram de fazer com que a partida desempatasse, através dos elencos de cada clube. Do lado do Atlético, Ricardinho deu lugar a um esforçado Eron e o limitado Rafael Cruz foi substituído pelo fraquíssimo Diego Macedo. No Grêmio, Renato Gaúcho manteve o nível da equipe, nas saídas de Fernando, Adilson e André Lima para as entradas de Roberson, Neuton e Maylson, respectivamente.

Com as alterações, o Grêmio voltou a dominar o jogo, e por pouco não marcou mais uma vez no finzinho - Maylson chutou e a bola parou na trave de Renan Ribeiro. Ao final da partida, Renato Gaúcho respirou aliviado, porque no fim das contas não foi preciso muito para sua equipe sacramentar a vitória por 2 a 1 - que deixa o tricolor do Rio Grande do Sul com 33 pontos, na décima colocação e a sete pontos do Z-4. Pelo menos por algumas rodadas, o fantasma da Série B não assombrará o Olímpico.

Em assombro prossegue o Atlético Mineiro, cada vez mais mergulhado numa depressão pelos resultados que não aparecem - são 16 derrotas em 25 jogos no Campeonato Brasileiro. A equipe está na penúltima colocação, a sete pontos da salvação da degola para 2011. Cabe a Dorival Júnior (que em 2009 conseguiu levar o Vasco de volta à Série A do Brasileirão) impedir que o desespero em branco e preto se transforme em mais um momento de luto para a torcida atleticana - que, em 2005, viu seu clube de coração cair para a Segunda Divisão do ano seguinte.

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ATLÉTICO MINEIRO 1 x 2 GRÊMIO

Estádio: Arena do Jacaré (Sete Lagoas / MG).

Público: 12.262 / Renda: R$ 57.790,00

Árbitro: Arilson Bispo da Anunciação (BA) / Auxiliares: Emerson Augusto de Carvalho e Luiz Carlos Silva Teixeira (BA).

Gols: Jonas, aos dois, Gabriel aos 15 e Diego Tardelli aos 25 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Gabriel , Fábio Santos, Neuton, Rafael Marques, Fernando (Grêmio) e Serginho (Atlético Mineiro)

ATLÉTICO MINEIRO - Renan Ribeiro, Rafael Cruz (Diego Macedo 7'/2ºT) Réver, Werley e Leandro; Zé Luis, Serginho, Ricardinho (Eron 21'/2ºT) e Daniel Carvalho; Diego Tardelli (Neto Berola 43/'1ºT) e Obina - Técnico: Dorival Júnior.

GRÊMIO - Victor, Gabriel, Vilson, Rafael Marques e Fábio Santos; Fábio Rochemback, Adilson (Neuton 14'/2ºT), Fernando (Róberson 32'/2ºT) e Douglas; Jonas e André Lima (Maylson 14'/2ºT). Técnico: Renato Gaúcho.

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RESULTADOS - RODADA 25

Sábado

18h30

Atlético Goianiense 3 x 0 Grêmio Prudente (Serra Dourada)
Santos 4 x 1 Cruzeiro (Arena Barueri)
Guarani 1 x 0 Vasco (Brinco de Ouro da Princesa)
Flamengo 1 x 3 Palmeiras (Engenhão)
São Paulo 0 x 3 Goiás (Morumbi)

Domingo

16h

Vitória da Bahia 1 x 2 Fluminense (Barradão)
Botafogo 1 x 1 Atlético Paranaense (Engenhão)
Internacional 3 x 2 Corínthians (Beira-Rio)

18h30

Atlético Mineiro 1 x 2 Grêmio (Arena do Jacaré)
Avaí 5 x 0 Ceará (Ressacada)

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O tempo e o placar... elege o que houve de melhor e de pior na rodada do Brasileirão.

O CHUTAÇO

Mais uma vez, D'ALESSANDRO se tornou o grande nome da rodada, ao reger com maestria a vitória do Internacional por 3 a 2 sobre o Corínthians. Passes decisivos para os gols de Tinga e de Alecsandro, e uma sequência de jogadas de encher os olhos da torcida colorada. Seu único porém é não poder fazer parte da Seleção Brasileira.

A FURADA

O CEARÁ segue em queda livre no Campeonato Brasileiro, comprovando que as sete primeiras rodadas foram apenas um sonho. A última vertente que sustentava a qualidade do Vovô caiu por terra no gramado da Ressacada, ao levar cinco gols do Avaí, time que não vencia há 41 dias.

sábado, 25 de setembro de 2010

Mesmos caminhos





Em uma semana, Dorival Júnior caiu 11 posições no Campeonato Brasileiro. De um Santos que ainda consegue alimentar esperanças do título - através do qual o clube teria também a "Tríplice Coroa", ao lado das conquistas do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil - o treinador foi parar no Atlético Mineiro, que talvez viva sua campanha mais frustrante na história do torneio. Os contextos são diferentes, mas em alguns caminhos, Atlético e Santos parecem bem próximos - e não somente porque em ambos os clubes ele sucedeu Vanderlei Luxemburgo.

No clube paulista, Dorival não foi páreo para o estrelismo que girou em torno de Neymar. Sua nova equipe não chega a ter um destaque com tantos holofotes quanto o atacante santista, mas traz um grupo formado por jogadores de nome, dos quais torcida, dirigentes e a crítica esportiva esperavam muito para o Campeonato Brasileiro. O treinador vai conseguir lidar com os egos de jogadores temperamentais como o goleiro Fábio Costa, o atacante Diego Tardelli e, principalmente, o instável Diego Souza?

O Santos pena com rixas políticas em sua diretoria, e elas refletem nos resultados de dentro do gramado - e isto não fica restrito às saídas de "Meninos da Vila" para o exterior. Dorival foi apenas mais um a sofrer a consequência do destempero da presidência santista.

Mas a conduta de Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro não parece tão distante de Alexandre Kalil. Enquanto o atual presidente santista quer posar de mandatário protecionista num populismo não muito convincente (por que manter Neymar e deixar de lado jogadores mais importantes para o Santos, como o meia Wesley e o atacante André?), o presidente atleticano usa um tom mais raivoso, com discursos que falam em vigiar a vida noturna e até bater nos atletas de seu clube.

Diante de tantas semelhanças entre o anterior e o atual time que está comandando, a saída de Dorival Júnior pode ser uma receita bastante corriqueira: investir em jogadores formados na base. Resta saber se, para seguir este caminho no Atlético Mineiro, o treinador verá qual coincidência da diretoria atleticana com a presidência santista acontecerá neste restante de temporada.

O grato desejo de proteger os bons valores que surgem nas divisões de base ou a abominável conduta de um presidente intervir a torto e a direito na escalação da equipe de futebol. Sim, é bem verdade que os atleticanos investiram pesado para montar a equipe do Campeonato Brasileiro de 2010, e eles precisam ter um retorno dentro do gramado. Mas talvez não seja através dela que venha um caminho menos acidentado do Galo na competição.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Agressão ao futebol



Depois da participação frustrante no Campeonato Brasileiro de 2009, o Atlético Mineiro tomou algumas medidas típicas de quem sonha ganhar tudo o que disputar no ano seguinte. Contratou um técnico de vasto currículo - Vanderlei Luxemburgo - e investiu pesado tanto na manutenção de jogadores bem-sucedidos, como Ricardinho e Diego Tardelli, quanto na contratação de atletas considerados de alto nível no futebol brasileiro (casos de Fábio Costa, Réver, Mendez, Daniel Carvalho e, em especial, de Diego Souza).

Mas agora o time atleticano sofre os ônus desta vontade de montar um esquadrão. Após um primeiro turno de Campeonato Brasileiro desastroso, no qual terminou na zona de rebaixamento, a diretoria do Atlético demonstrou que não sabe lidar nem mesmo com uma equipe de grande porte. Em meio ao desespero da situação, o presidente Alexandre Kalil deu a seguinte declaração:

“Acho que os jogadores têm que se cuidar sim. O Atlético não é brinquedo. E se tomarem um cacete na madrugada não vai fazer mal nenhum”.



Primeiramente, um presidente não deve se posicionar de maneira tão incisiva em relação a atletas publicamente. Isto só aumenta a dimensão de uma crise, e torna o clima no clube ainda mais pesado. Em especial quando é cercado de estrelas, pois a disputa de egos fica insustentável ,com a vontade de um deles se sagrar como o herói que livrou o time do pior.



Ao jogar sua raiva para a torcida, Kalil esqueceu-se de que a paixão do torcedor não só faz com que ele tome as dores do que acontece ao seu clube de coração, como também leve ao pé da letra as declarações da diretoria. Com um representante falando em tom agressivo, cogitando até que não faria mal "tomar um cacete", alguns mais exaltados podem chegar às vias de fato, achando que esta será a única solução para que o time se acerte em campo.

Num cenário no qual há tantas campanhas para evitar que a violência continue no futebol, é inadmissível que um presidente de clube acredite que este caminho vá mesmo acertar o Atlético. A experiência de Alexandre Kalil à frente do clube mineiro sabe que até mesmo uma equipe recheada de estrelas também pode não funcionar.

O Atlético Mineiro tem um segundo turno inteiro para melhorar sua campanha. Mas aprendendo com seus erros do primeiro turno. Porque as palavras inconvenientes de Alexandre Kalil não só ferem os jogadores atleticanos. Elas agridem o futebol, mais uma vez jogado a táticas tortuosas de torcedores passionais elevados a dirigentes.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Pontos de desequilíbrio




Análise de jogo - Atlético Mineiro 2 x 1 Vasco (16h, domingo Mineirão)

Numa estreia de Campeonato Brasileiro sem grandes exibições de ambos os lados, o Atlético Mineiro venceu o Vasco por 2 a 1 no Mineirão. Ricardinho e Muriqui marcaram os gols atleticanos no primeiro tempo, e Élton fez o gol vascaíno na segunda etapa. Um resultado justo na partida em que os pontos de desequilíbrio fizeram a diferença. Mas negativamente.

O Vasco, que entrou em campo disposto a escrever uma vida nova na elite do futebol brasileiro (após disputar o Brasileiro da Série B em 2009) mostrou o velho problema que levou o time ao rebaixamento no final de 2008: as falhas do setor defensivo, que em 2010 trazem o agravante de, além da qualidade técnica duvidosa, tende sempre a fazer a linha de impedimento. Aos nove minutos, Thiago Martinelli deu condições de jogo para Diego Tardelli. Ele desceu em velocidade até chegar na área vascaína e tocou a bola para Ricardinho. Martinelli cortou parcialmente, mas não impediu que ela voltasse no pé do jogador do Atlético, que abriu o placar.

O Atlético era soberano em campo, em especial porque a ligação entre os setores do Vasco acontecia com muita lentidão, e era neutralizada com facilidade. E aos 18 minutos, o time aumentou sua vantagem, em mais um desequilíbrio vascaíno. Aranha cobrou tiro de meta, a bola desviou na cabeça de Fabiano e encontrou Diego Tardelli livre, graças à desatenção da zaga adversária. O jogador avançou e tocou na saída de Fernando Prass. Muriqui desviou a bola com o gol vazio.

As chances vascaínas vieram somente a partir da segunda metade do primeiro tempo, e invariavelmente num ponto de desequilíbrio da defesa atleticana. A zaga formada por Werley e Jairo Campos não conseguia vencer nenhuma jogada aérea, e o Vasco tinha boas chances em cobranças de escanteio. No momento de maior perigo, Dedé cabeceou e o lateral Coelho salvou em cima da linha, com o goleiro Aranha batido. Mas o escape vascaíno tinha um só caminho: a esquerda, com Ramón. Na lateral-direita o técnico Gaúcho teve de improvisar o volante Paulinho, por causa da contusão de Fagner e Élder Granja, as duas opções para a lateral.

E foi num cruzamento para a área que o Vasco se animou no segundo tempo. Aos seis minutos, a tentativa de Ramón terminaria nas mãos de Aranha, mas o goleiro se embolou com o lateral-esquerda Leandro e a bola foi para escanteio. Os vascaínos poderiam seguir tentando este único caminho, em especial porque Philippe Coutinho se enrolava nos seus próprios dribles e Dodô só conseguia receber a bola quando estava bem marcado e de costas para o gol.

E, aos nove, saiu o gol do Vasco. Bola cruzada na área, Dedé cabeceou e, na sobra da defesa de Aranha, Élton desviou a bola para o fundo da rede. Os vascaínos cresceram na partida e conseguiram boas oportunidades, mas seus jogadores acabavam se afobando na hora da conclusão das jogadas. Talvez por desinteresse, o Atlético se resumia a esperar o erro do Vasco, e não se empenhava em fazer jogadas mais vibrantes.

Mas o Vasco também penava por outro ponto de desequilíbrio que preocupa sua torcida para o Campeonato Brasileiro de 2010. O time carece de boas opções no banco de reservas, e é obrigado até a mudar seu esquema tático por causa da falta de opções. No segundo tempo, Gaúcho trocou Magno, um meia ofensivo, por Léo Gago, um volante que tem poucas características ofensivas. O substituto de Dodô (que mais uma vez fez uma partida aquém do esperado) foi Caíque, que joga no meio-de-campo. Na reta final da partida, Philippe Coutinho foi mal deslocado para o ataque e, assim como Élton, não deu maiores problemas à zaga atleticana.

Do lado do Atlético, Vanderlei Luxemburgo comprovou que tem sua equipe nas mãos, e pode ter boas opções para um torneio de longa duração como o Campeonato Brasileiro. Substituto de Coelho, Evandro quase marcou o terceiro gol do time mineiro, mas a bola bateu no lado de fora da rede de Fernando Prass.

No jogo de abertura das campanhas de Atlético Mineiro e Vasco no Campeonato Brasileiro de 2010, os atleticanos não precisaram de muita coisa para sair de campo com os três pontos. Bastou ao Galo ter um pouco mais de sensatez, até menos para superar eventuais pontos de desequilíbrio que sua equipe ainda tem. O time vascaíno começa a campanha de retorno à elite movido pela incerteza da expectativa por bons reforços que supostamente estão por vir. E é bom que venham logo, para que o desfecho do ano não seja o mesmo do final de 2008.

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Além da análise de jogos, O tempo e o placar... fará a cada rodada do Campeonato Brasileiro uma análise sobre o que houve de melhor e de pior nos gramados do país.

O CHUTAÇO

Surpresa do ano passado, o AVAÍ teve um bom começo na sua tentativa de auto-afirmação. Mesmo com a debandada de muitos de seus destaques de 2009, o time iniciou 2010 com uma goleada por 6 a 1 sobre o Grêmio Prudente. A história do sexto lugar pode até não se repetir, mas, certamente, o Leão de Santa Catarina continua muito difícil de ser batido no estádio da Ressacada.

A FURADA

Não é de se espantar que a imprensa mundial tenha dado pouco destaque ao INÍCIO DO CAMPEONATO BRASILEIRO (segundo levantamento do blogue É muito pênalti, de Marcelo Barreto, somente o italiano Gazzetta Dello Sport, o espanhol Marca e o português Record) deram destaque a ele. Se algumas equipes resolvem desprestigiá-la colocando em campo times recheados de reservas, como ter algum atrativo relevante para crítica e público? Vai chegar o tempo em que as pessoas vão levar a sério somente a reta final do Brasileirão.


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RESULTADOS - PRIMEIRA RODADA


Sábado

Atlético Goianiense 0 x 0 Grêmio - Serra Dourada

Palmeiras 1 x 0 Vitória da Bahia - Palestra Itália

Botafogo 3 x 3 Santos - Engenhão

Domingo

Corínthians 2 x 1 Atlético Paranaense - Pacaembu

Atlético Mineiro 2 x 1 Vasco - Mineirão

Internacional 1 x 2 Cruzeiro - Beira-Rio

Flamengo 1 x 1 São Paulo - Maracanã

Avaí 6 x 1 Grêmio Prudente - Ressacada

Ceará 1 x 0 Fluminense - Castelão

Guarani 1 x 0 Goiás - Brinco de Ouro da Princesa

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Galo forte e vingado



ATLÉTICO, CAMPEÃO ESTADUAL DE MINAS GERAIS DE 2010

A imagem do atacante Diego Tardelli usando uma flanela para lustrar o troféu do Campeonato Mineiro trouxe a certeza de que o Atlético Mineiro, sim, é um clube de chegada. Alguns meses atrás, torcedores do Cruzeiro, antes do duelo com o rival de Minas Gerais, distribuíram flanelas que traziam uma charge provocativa. O desenho mostrava um galo com a camisa do Atlético trabalhando como flanelinha, enquanto uma raposa com a camisa do Cruzeiro estacionava seu carro.

Era uma alusão ao fato do Atlético ficar durante muito tempo em primeiro lugar nas competições mas, na reta final, começar a perder seus jogos e deixar a vaga para o Cruzeiro. O momento mais recente foi o Campeonato Brasileiro de 2009, do qual o alvinegro foi líder por muitas rodadas, mas na reta final foi caindo de produção, e viu seu adversário chegar entre os credenciados para disputar a Taça Libertadores da América de 2010.

O Campeonato Mineiro deste ano trouxe um panorama bem distinto da fama que os dois clubes passaram a ter recentemente. O Cruzeiro foi líder durante boa parte da primeira fase, e se deu ao luxo de escalar times mistos em algumas partidas. Mas cometeu um erro fatal: subestimar adversário em um momento decisivo. E o Ipatinga roubou sua vaga na final do Campeonato Mineiro, em jogos emocionantes.

Enquanto isto, o Atlético teve um início hesitante, que despertou a desconfiança de uma torcida acostumada com o pior nas últimas temporadas. Aos poucos, o time foi ganhando credibilidade e, o mais importante, foi ganhando seus jogos. Outrora força quase inofensiva diante de um Cruzeiro de nível internacional, o Galo começou a cantar nos gramados de Minas Gerais e se revelou uma equipe irresistível.

Mas qual o segredo do Galo mineiro? A mescla de jogadores experientes, como Júnior, Ricardinho e Marques, com apostas bem-sucedidas como o goleiro Aranha, o zagueiro Werley e o meia Renan Oliveira, além atletas subestimados em outras equipes, casos de Obina, Muriqui e, em especial, Diego Tardelli. Este, desde que chegou ao Atlético Mineiro, mostra uma garra e um faro de gol impressionantes, que pouco apareceram em suas passagens por São Paulo ou Flamengo.

Todos eles sob o comando de um treinador experiente, considerado um dos grandes nomes da profissão no país. Em apenas cinco meses como treinador, Vanderlei Luxemburgo deu ao Atlético Mineiro uma equipe organizada com força de campeão.

E que, sabendo de suas forças e de suas limitações, jogou com seriedade até o final neste Campeonato Mineiro. Nos dois jogos decisivos, o time partiu para cima do Ipatinga, se preocupando em fazer jus ao seu nome, tanto pela tradição quanto pela soberania em campo (nas vitórias por 3 a 2 no Ipatingão e por 2 a 0 no Mineirão).

No hino do clube, há um verso que diz "Galo forte e vingador". No entanto, depois de vários momentos de chacota (por vezes injustas), agora o torcedor do Atlético pode dizer que em Minas Gerais existe um Galo forte e vingado.

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BOLA PRO MATO



AVAÍ, CAMPEÃO ESTADUAL DE SANTA CATARINA DE 2010

Após ser a verdadeira surpresa do Campeonato Brasileiro de 2009, o Avaí começou este ano em uma situação delicada. O sucesso na Série A deu visibilidade aos seus jogadores, que, seduzidos por boas propostas, foram saindo da Ressacada um por um. O reconhecimento chegou até ao seu treinador, Silas, que foi contratado para treinar o Grêmio.

Em processo de remontagem, o Leão de Santa Catarina começou o Campeonato Catarinense com dificuldades, e viu a conquista do Joinville no primeiro turno. Mas, aos poucos, o time comandado por Péricles Chamusca (treinador tão contestado nas equipes que dirigiu anteriormente) foi se ajeitando e a torcida catarinense viu entrar em campo o futebol bonito e digno da elite do futebol brasileiro.

As vitórias por 3 a 1 e 2 a 0 sobre o Joinville (a última, no estádio da Ressacada) na final do torneio comprovaram que o Avaí é, disparado, a maior força de Santa Catarina. E, acima de tudo, que vai batalhar no Campeonato Brasileiro para mostrar que não fez uma boa campanha em 2009 por mero acaso do futebol.

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Foi tanto campeão estadual que O tempo e o placar... precisou dividir em duas postagens o texto de segunda-feira. Amanhã, é a vez do blogue falar sobre a festa dos tricolores no Brasil afora.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Aparando as arestas



Um dos campeonatos estaduais mais deficitários do ano de 2010 terminou no domingo (o do Rio de Janeiro, com vitória do Botafogo nos dois turnos). Mas outra competição estadual de nível técnico duvidoso chega à sua decisão com um roteiro um pouco diferente do esperado. O Campeonato Mineiro, há décadas reduto da briga exclusiva entre Cruzeiro e Atlético Mineiro, não terá o time cruzeirense.

Na semifinal diante do Ipatinga, a equipe interior venceu o Cruzeiro em pleno Mineirão pelo placar de 3 a 1, mesmo com uma arbitragem que prejudicou demais o Tigre mineiro. Foram dois pênaltis não marcados, um gol mal anulado e um impedimento marcado erradamente. De fato, algo que valoriza muito a classificação da equipe, pois a vitória veio após um acirrado empate sem gols no Ipatingão.

Seu adversário na briga pelo título não surpreende tanto os torcedores de Minas Gerais. Desde 1958, o Atlético já disputou 40 finais de campeonato - esta será a de número 41. Teve 20 títulos e 20 vice-campeonatos. No entanto, a surpresa é a campanha atleticana neste ano.

Dirigido por Vanderlei Luxemburgo, o time fez um Campeonato Mineiro oscilante, com seis vitórias, quatro empates e uma derrotas, e ficou em terceiro lugar na primeira fase. Nas quartas-de-final, passou com dois empates pelo América (3 a 3 e 2 a 2) e se classificou para a final no limite, com uma vitória por 2 a 1 e um empate sem gols com o Democrata de Governador Valadares.

O Campeonato Mineiro estaria aparando suas arestas em 2010? Em vez de ser meramente uma competição onde Atlético e Cruzeiro mediam suas forças para ver quem goleava mais, ambos passaram por dificuldades em todas as rodadas do torneio.

Pior para o Cruzeiro, que subestimou o campeonato e resolveu escalar um time misto em plena semifinal de torneio. Pelo visto, a soberania dos confrontos entre Galo e Raposa não é mais tão imbatível assim nos gramados de Minas Gerais.

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BOLA PRO MATO



CORITIBA, CAMPEÃO ESTADUAL DO PARANÁ DE 2010

Por mais que se diga que os campeonatos estaduais não são parâmetro para a competição nacional, é emocionante ver um time que passou pelo descenso (e teve no dia fatídico de sua queda para a Série B um lamentável episódio de violência) agora tendo motivos para comemorar.

O Coritiba foi soberano no Campeonato Paranaense, roubando o favoritismo do Atlético desde o início do torneio e vencendo com uma rodada de antecedência (graças a uma vitória por 2 a 0 diante do Furacão). A motivação para volta à Primeira Divisão do futebol brasileiro vem ainda com mais força para o time do Alto da Glória.

domingo, 8 de novembro de 2009

Cheiro de pipoca



Num dos confrontos que surgem como "finais" para as equipes que buscam as primeiras colocações no Campeonato Brasileiro, o time que está embalado saiu do campo do Mineirão com três pontos. O Flamengo aproveitou a instabilidade da equipe do Atlético Mineiro e venceu a partida por 3 a 1, com gols de Petkovic, Maldonado e Adriano (Ricardinho descontou para os atleticanos).

Apoiado por mais de 60 mil torcedores, o Atlético prometia fazer uma partida avassaladora, apostando na dupla de ataque formada por Éder Luís e pelo artilheiro Diego Tardelli, e na boa fase do experiente meia Ricardinho. Entretanto, a experiência apareceu decisivamente do lado adversário. Aos nove minutos, Petkovic cobrou um escanteio com perfeição, e abriu o placar no Mineirão com um belíssimo gol olímpico.

O gol sofrido de maneira prematura fez com que a equipe mineira revelasse seu maior defeito no Campeonato Brasileiro: a falta de uma boa sequência de bons jogos, que muitos atribuem ao técnico Celso Roth. Alguns torcedores fazem a piada infame de que os times comandados por ele são como garrafas de refrigerante de dois litros, que perdem o gás logo na metade do campeonato. Os atleticanos mantinham um pouco do gás e seguiam apostando no seu trio de frente. Mas, com Ricardinho sobrecarregado na armação de jogadas, o ataque do Atlético era facilmente neutralizado.

O primeiro tempo chegava ao final de maneira previsível - Atlético Mineiro pressionando e Flamengo recuado - até que outro jogador estrangeiro decidiu roubar a cena. O "homem invisível" Maldonado (conhecido por fazer partidas muito seguras como volante, mas sem grandes jogadas aos olhos da torcida) chamou a atenção para si em grande jogada individual que encerrou com um chute no fundo da rede de Carini, aos 39.

Os dois gols de vantagem prometiam um pouco mais de tranquilidade para os flamenguistas. Mas aos cinco minutos, uma jogada de Thiago Feltri na direita terminou em gol de Ricardinho. A pressão atleticana ficou ainda mais forte, em especial com a entrada do jogador Evandro no lugar de Renan. Ao Flamengo, restava a tentativa de se retrair em torno do gol de Bruno, com raríssimos lampejos de contra-ataque.

Um destes lampejos castigou o Atlético Mineiro. De tantas tentativas frustradas na frente, a zaga permitiu que Fierro fizesse uma (rara em seu currículo rubro-negro) boa jogada, na qual Adriano desviou de cabeça. Uma vitória justa pelo que o Flamengo vem apresentando neste segundo turno e, em especial, pela falta de uma estabilidade emocional dos atleticanos.

A quatro rodadas do final do Campeonato Brasileiro de 2009, o embalo promete fazer a diferença entre os clubes que querem brigar pelo título. E o rubro-negro aproveitou o "cheiro de pipoca" na tarde do Mineirão, diante de um Atlético Mineiro que vem se revelando "pipoqueiro" (termo designado para jogadores ou equipes que na hora decisiva não funcionam). A panela de pressão continua cada vez mais forte no futebol nacional.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

ANÁLISE DE QUARTA - Time choco



Jogo de hoje: Internacional 3 x 0 Atlético Mineiro (Beira-Rio, pelo Campeonato Brasileiro)

A profecia da imprensa esportiva segue a cada rodada se confirmando no Campeonato Brasileiro de 2009. Após um bom período na liderança do torneio, o Atlético Mineiro vai caindo de produção vertiginosamente.

O novo tropeço veio ontem, na realização do jogo contra o Internacional (adiado do primeiro turno, porque o time gaúcho atuou em partidas no exterior) no Beira-Rio. Os colorados não tomaram conhecimento do time mineiro, e fizeram 3 a 0, com direito a show de D'Alessandro. O meia argentino retornava após um longo tempo de suspensão, pela confusão que protagonizou durante o confronto com o Corínthians, ainda pela final da Copa do Brasil, e mostrou que pode ser muito útil no decorrer do campeonato.

Enquanto isto, o Internacional segue honrando o favoritismo construído no primeiro semestre, quando, após a conquista do Campeonato Gaúcho, se insinuou um dos melhores do país. O time está a um ponto do líder Palmeiras, e certamente pode tirar a briga dos favoritos paulistas - além do alviverde, São Paulo e Corínthians também estão na luta pelo Brasileirão. E, sem dúvida, ele tem mais chances de uma boa continuidade na competição do que o outro "intruso" na hegemonia paulista (o Goiás).

Parece que não será desta vez que Celso Roth vai conseguir se livrar de seu incômodo apelido. Muitos o chamam de "garrafa de dois litros", porque os times que ele treina no Campeonato Brasileiro ficam sem gás na metade da competição. E o gosto choco do Galo aumenta jogo a jogo, com um time tão limitado e dependente das boas atuações de Éder Luís e Diego Tardelli. É rezar para o sabor não ficar ainda mais amargo nas próximas rodadas do Brasileirão.

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BOLA PRO MATO

Quanto a Botafogo e Atlético Paranaense, pela Copa Sul-Americana, não teve análise por um simples motivo. Na Arena da Baixada não houve futebol nesta competição tão desprestigiada.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Galo cercado de raposas por todos os lados



Na primeira decisão do Campeonato Mineiro, o Cruzeiro colocou na prática sua superioridade técnica em relação ao rival Atlético Mineiro, numa incontestável goleada por 5 a 0. Com o placar, o time azul tem a vantagem de perder até por uma diferença de quatro gols que leva para a Toca da Raposa mais um título de melhor de Minas Gerais.

Sim, a tarefa ficou bem difícil para o Galo. No entanto, chama atenção que uma pessoa ligada ao futebol sacramente que o título já é um sonho perdido para o lado atleticano. Em um comentário na mesa redonda Bola na rede, do canal Rede TV!, o ex-goleiro Ronaldo fez um curioso apelo para "desconvocar" a torcida do Atlético. O comentarista afirmou que não adianta ir ao Mineirão no próximo domingo, pois o time alvinegro não tem mais nenhuma chance de ser o campeão de Minas.

Mais do que um pretenso profeta do futebol nacional (alguns ex-jogadores andam sendo convocados à bancada de mesas redondas dos diversos canais de TV aberta e fechadas, com a intenção de mostrarem que ainda estão envolvidos com o futebol), Ronaldo parece esquecer o esporte pelo qual fez carreira. Por mais que o futebol tenha consolidado a ideia de buscar somente o resultado em detrimento do espetáculo, os acasos protegem ou expõem muitas equipes nas partidas que acontecem por aí.

Torcedores como os do Criciúma, do Santo André ou do Paulista de Jundiaí por acaso deveriam jogar a toalha por disputarem uma Copa do Brasil, somente porque eram menos famosos que seus adversários? O América do México podia esquecer a vaga da Taça Libertadores quando levou um 4 a 2 do Flamengo em território mexicano? Ou, no intervalo da final da Copa Mercosul, o Vasco não precisaria mais voltar no segundo tempo depois de terminar o primeiro com uma derrota por 3 a 0 para o Palmeiras em pleno Parque Antarctica, pois não teria como virar para 4 a 3 em 45 minutos?

O ex-goleiro esquece que o torcedor não tem interesse somente em ver uma disputa de título. O que o faz, de fato, torcer para um clube, é uma identificação, uma admiração que se torna ainda mais bonita quando, mesmo sabendo da quase impossibilidade em vencer por cinco ou mais gols de vantagem um rival superior tecnicamente e em plena final de campeonato, a torcida comparece e canta pelos 11 jogadores que vestem o uniforme de um time.

Bem, de fato, o Galo está cercado de raposas por todos os lados. "Raposas" talentosíssimas como Ramires, Kléber, Thiago Ribeiro e até o hoje reserva Wellington Paulista. Mas a astúcia de jogadores como Diego Tardelli (no post de hoje, em um registro que simboliza o momento atleticano no Estadual) ainda pode encontrar um atalho rumo ao título de Minas.

Nelson Rodrigues afirmou uma vez que "as goleadas são perigosas", e ele dizia que queria que seu Fluminense ganhasse todas as partidas pelo placar de 1 a 0, ou até de meio a zero. Os 5 a 0 do Cruzeiro revelam o primor do time comandado por Adilson Batista e as fragilidades do Atlético treinado por Emerson Leão. Só que o futebol de vez em quando apresenta seus acasos (até os que contrariam comentaristas), e eles podem passear também pelo Mineirão.

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BOLA PRO MATO

Depois da moda de muitos jogadores se atirarem na área somente para cavar um pênalti, o árbitro Carlos Eugênio Simon cometeu um grave deslize ao marcar uma penalidade máxima quando o jogador Edu Sales, do Ceará, tropeçou diante de um jogador do Fortaleza que estava a quase meio metro de distância dele. Pior do que o erro, é ver um juiz da FIFA persistir na certeza mesmo com a comprovação de que ele estava errado. E o incidente da primeira partida do Campeonato Cearense fica mais estapafúrdio quando o zagueiro Silvio, do Fortaleza, "admite" ter derrubado o jogador do Ceará. Coisas que só acontecem nas quatro linhas!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

O caminho para as Minas




O finzinho de abril segue como a hora certa para encerrar as indecisões sobre qual será o melhor time de cada estado do país. Ao lado dos primeiros encontros entre Flamengo e Botafogo, no Rio de Janeiro, e Corínthians e Santos, em São Paulo, outro estado do Sudeste começa a decidir no domingo quem será seu campeão de 2009.

Mesmo diante da indecisão de saber quem é o melhor, está decidido que a hegemonia da disputa entre seus dois grandes times continua nas finais em Minas Gerais. Pela 32ª vez (sem contar a época em que o título mineiro era apenas o Campeonato da Cidade), Cruzeiro e Atlético medirão forças para ver qual bicho poderá cantar o grito de "é campeão" ao final.

No papel, a Raposa azul tem um time superior. Além de um goleiro de destaque como Fábio, o Cruzeiro traz estrelas como o zagueiro Léo Fortunato, o meia Ramires (que há algum tempo já merece uma convocação para a Seleção Brasileira) e um ataque perigoso formado por Kléber e Wellington Paulista. A superioridade reflete, inclusive, no foco que a equipe tem para este ano: a disputa da Taça Libertadores da América, na qual já passou para a próxima fase.

Só que esta vantagem de poder lutar por um título sul-americano pode ser prejudicial para o time celeste. Numa competição tão desgastante, talvez o cansaço reflita também nas partidas decisivas de Minas. Por mais que as estrelas sejam brilhantes, a neblina da falta de gás pode fazer mal ao time cruzeirense.

Do lado do Galo alvinegro, a inferioridade aparente é combatida com um fator importantíssimo no futebol: o momento. E o bom momento do Atlético vem justamente em sua linha de frente. No decorrer do campeonato, o meia Carlos Alberto se tornou peça fundamental, a ponto de muitos comentaristas (como Bob Faria, da página eletrônica Globoesporte.com) o elevarem ao posto de "mola-mestra" do time. O que pode ser negativo caso ele não passe por um bom momento no campo de decisão.

Do ataque vem o outro jogador em pleno bom momento nas partidas. Dispensado do Flamengo no fim do ano passado, Diego Tardelli respondeu ao descrédito com gols - como o de pênalti, que ontem ajudou o Atlético a passar de fase na Copa do Brasil com uma vitória por 2 a 0 sobre o Guaratinguetá. Seu bom futebol trará dificuldades para a zaga do Cruzeiro.

Na busca pela consagração, o experiente Emerson Leão (do Atlético) e o praticamente recém-consagrado Adilson Batista (do Cruzeiro) terão a partir de domingo um desafio de estratégias para ver quem sairá vitorioso neste novo capítulo da disputa pela hegemonia nos gramados de Minas Gerais. A torcida mineira permanece ansiosa com as partidas dos próximos dois domingos, para saber quem chegará em primeiro neste caminho para as Minas.