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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Além da paixão de arquibancada



A periodicidade do jornal muitas vezes deixa passar despercebidas algumas matérias relevantes em qualquer assunto abordado nas páginas dos diários de notícias. Para evitar que algumas delas caíssem no esquecimento do povo brasileiro, a Editora Record iniciou em 2005 uma coleção que visa resgatar reportagens marcantes do jornalismo nacional. Depois dos livros 10 reportagens que abalaram a Ditadura (de 2005) e 50 anos de crimes (de 2007), neste ano a coleção Jornalismo Investigativo abre espaço para o futebol brasileiro.

Organizado por Fernando Molica, 11 gols de placa (376 págs., R$ 39,90) apresenta um time de reportagens que passa por todas as áreas dos bastidores do futebol brasileiro. Todos os esquemas que envolvem o futebol são revelados nas palavras dos jornalistas João Máximo, Michel Laurence, Marcos Penido, Fernando Rodrigues, Sérgio Rangel, Juca Kfouri, Marceu Vieira, André Rizek, Diogo Oliver Mello, Mário Magalhães, Marco Senna e Leonardo Mendes Júnior. A cada começo de reportagem, o leitor tem acesso a um novo ponto de vista do esporte bretão, mas todos eles têm o mesmo objetivo: desvendar a engrenagem da qual tantos querem obter lucros.

Os destinos traçados na carreira do jogador de futebol, do caminho entre a fome e a fama, da convivência com a miséria do desemprego e a bombástica frase "Jogador de futebol é um escravo", dita por Pelé. Caminhos que às vezes surgem com linhas tortas, na prática chamada de "gato" - quando se adultera a certidão de nascimento de um jogador para ter benefícios nas peneiras. O percurso financeiro da Confederação Brasileira de Futebol entra em evidência em algumas páginas do livro, que mostram detalhes das contas da entidade.

Mas em 11 gols de placa também há espaço para guardar na memória reportagens localizadas sobre fatos que permearam o futebol brasileiro. Casos como a "carteirada" que o presidente Ricardo Teixeira deu à Alfândega, no retorno da Seleção Brasileira depois da conquista da Copa do Mundo dos Estados Unidos, em 1994. O limite de bagagem dos jogadores e dos dirigentes havia excedido e, segundo a lei, ela precisava ficar retida no aeroporto. Só que foi liberada milagrosamente, após o presidente da CBF ameaçar não passear com os jogadores campeões do mundo no carro do Corpo de Bombeiros pela cidade.

Um episódio considerado inocente diante de outros casos marcantes do futebol brasileiro e mostrados neste livro. Um deles era o da "Regra 18" no futebol carioca. De acordo com a regra criada pelo presidente da FERJ, Eduardo Vianna, o Caixa D'Água, resultados do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro durante muitas edições foram manipulados por árbitros da federação, de acordo com os interesses e com a conivência de dirigentes. Caso semelhante com o que aconteceu em nível nacional no ano de 2005: a Máfia do Apito.

O Campeonato Brasileiro de 2005 teve 11 de seus resultados adulterados por um acordo financeiro entre um grupo de investidores e o árbitro Edilson Pereira de Carvalho. O juiz paulista recebia uma quantia para garantir os resultados que os investidores tinham colocado em sites de apostas. A negociata foi descoberta, e, além da prisão de todos os envolvidos, os 11 jogos foram remarcados. Os detalhes do momento em que a expressão "juiz ladrão" ganhou conotação literal também está no livro.

Talvez algumas das questões abordadas nas reportagens de 11 gols de placa façam com que o futebol perca a sua graça para todos os que gostam de vê-lo bem jogado nos gramados. Mas, sem dúvida, estes grandes momentos do jornalismo investigativo comprovam que o faro de denúncia não se deixa levar nem pela sedutora paixão de abandonar a caneta, e se juntar aos demais torcedores na arquibancada.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

104 anos de sobrevivência



Num contexto esportivo no qual todos os clubes do país convivem com vários percalços para não fecharem suas portas, chega às livrarias uma obra na qual se revela que as competições também lutam para sobreviver no calendário do futebol brasileiro. É o caso do Campeonato Carioca, que tem seus 104 anos revisitados no livro História dos Campeonatos Cariocas de Futebol - 1906 / 2010 (Maquinária Editora, 704 págs., R$ 70), do jornalista Roberto Assaf e do pesquisador Clóvis Martins.

A dupla, que há algum tempo vem lançando retrospectivas e memórias do futebol (em livros como Flamengo x Vasco, o Clássico dos Milhões, História completa do Brasileirão e Almanaque do Flamengo), novamente mescla história e estatística, desta vez em torno do Campeonato Carioca. Afinal, lá se vão 13 anos desde a primeira publicação de Assaf e Martins sobre a competição - em Campeonato Carioca - 96 anos de história (1902-1997). Desde então, surgiram novos esquadrões, heróis, vilões, regulamentos, tão dignos de figurar no acervo futebolístico do país quanto já foram os atletas pioneiros.

Ao ter contato com esta trajetória do futebol carioca, o leitor vai ter acesso não só aos resultados dos campeonatos, como também à história do início do esporte no Rio de Janeiro. Ele conhecerá também algumas equipes que estão extintas, como Rio Cricket, Canto do Rio, Palmeiras e Internacional. Sem dúvida, há os detalhes sobre as conquistas dos quatro clubes que mantêm a hegemonia no estado, só o torcedor vai saber como foram as trajetórias dos títulos de América, Bangu, São Cristóvão e Paysandu (este, o único vencedor que fechou as portas).

O livro não tem seu mérito restrito ao resgate das coisas dentro de campo. Em suas páginas, estão presentes os primeiros passos do futebol no Rio de Janeiro, as divergências políticas entre os clubes, e alguns episódios histriônicos (que, infelizmente, aconteceram também décadas depois que o campeonato já era um esporte profissional).

Ao contar a história dos Campeonatos Cariocas, Roberto Assaf e Clóvis Martins revelam os motivos pelos quais, mesmo combalido, o "campeonato mais charmoso do Brasil" ainda sobrevive. Mas a maior razão da sobrevivência foi presenteada pelos próprios autores, que, através das páginas de História dos Campeonatos Cariocas - 1906 / 2010, eternizaram na literatura esportiva a trajetória do futebol jogado no Rio de Janeiro.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Maracanazzo às avessas



No dia 16 de julho de 1950, o Brasil conheceu a mãe de todas as derrotas com a Seleção Brasileira de Futebol. Ao final de 90 minutos, viu uma sucessão de clichês cair sobre as costas de um país. "A bola pune", "ninguém ganha jogo de véspera", "futebol se ganha em campo" e outros derivados passaram pela final da Copa do Mundo daquele ano.

Todos os brasileiros (apaixonados por futebol ou não) conhecem esta história escrita há 60 anos. A Seleção Brasileira chegou à partida decisiva da Copa do Mundo e bastava um empate contra a seleção do Uruguai para sagrar-se o campeão de 1950.

Friaça abriu o placar para o Brasil, Schiaffino empatou a partida para os uruguaios e, aos 34 minutos do segundo tempo, Gigghia invadiu a área brasileira, passou por Bigode e chutou no fundo da rede de Barbosa. Décadas mais tarde, o autor do gol da vitória do Uruguai por 2 a 1 diria que só três coisas calaram o Maracanã: a voz de Frank Sinatra, a oração do Papa João Paulo II e o gol dele. Em meio a um silêncio de 200 mil pessoas, a seleção uruguaia ganhava sua segunda (e até o momento mais recente) Copa do Mundo.



60 anos e muitas partidas depois da tragédia do estádio, o jornalista Teixeira Heizer volta a passar pela primeira e única Copa do Mundo que o Brasil sediou. No entanto, em Maracanazzo - Tragédias e epopeias de um estádio com alma (Editora Mauad X, 264 páginas), o Maracanã não se resume a ser pano de fundo da mais triste derrota do Brasil numa Copa do Mundo.

O Maracanã é o personagem biografado por Teixeira Heizer. Desde o início da obra, feita a toque de caixa na zona norte do Rio de Janeiro, passando pela inauguração do estádio e por toda a campanha da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1950. E, após todo seu relato, Teixeira é generoso e abre páginas de seu livro para que outros jornalistas contem suas histórias com o Estádio Mário Filho. Em Maracanazzo, nomes como Luiz Mendes, Maurício Azêdo, Sérgio Cabral e Ferreira Gullar (além da participação do poeta uruguaio Eduardo Galeano). trazem excelentes textos tanto em qualidade quanto pelo tom confessional das páginas que seguem.

Mas, sem dúvida, o maior mérito de Maracanazzo - Tragédias e epopeias de um estádio com alma é ser um livro às avessas do que propõe sua trajetória. Em geral, as pessoas leem obras literárias e ficam ansiosas por saber o desfecho. No livro de Teixeira Heizer, todos sabem o final da história da Copa do Mundo de 1950. Só que o mais interessante é saber todas as coisas que levaram ao Maracanazzo. Até mesmo para, 60 anos depois, o Brasil não repetir os passos em falso que aconteceram na IV Copa do Mundo de Futebol.

*****

Nas #CURIOSICOPAS, o Twitter de O tempo e o placar... (@otempoeoplacar) apresentou curiosidades da Copa do Mundo de 1950 aos seus seguidores. Seguem algumas delas:

*Com os países europeus devastados pela Segunda Guerra, somente um país aceitou sediar a Copa do Mundo em 1950: o Brasil.

*A Copa de 1950 foi a primeira a ter fase de grupos. Na fase inicial, eram 4 grupos com 4 seleções em cada um.

*Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife foram as cidades-sede da Copa do Mundo de 1950.

*O ex-presidente da Federação Francesa de Futebol Jules Rimet foi homenageado a partir de 1950 com o nome da taça da Copa do Mundo.

*Em 1950, finalmente os ingleses aceitaram disputar uma Copa do Mundo. O torneio era subestimado pelos criadores do futebol.

*A Inglaterra protagonizou a primeira zebra da história das Copas. Em 1950, a seleção perdeu por 1x0 para os EUA em Belo Horizonte.

*Os EUA em 1950 tinham vários jogadores naturalizados. Bélgica, Haiti, Portugal e Itália eram alguns dos locais onde eles nasceram.

*Mesmo devastada pela Segunda Guerra Mundial, a Itália foi representada na Copa de 1950. Mas a seleção foi eliminada na primeira fase.

*A primeira partida oficial no Maracanã foi a estreia do Brasil na Copa de 1950. A Seleção venceu o México por 4x0.

*A Seleção Brasileira marcou 22 gols na Copa de 1950. É o recorde de gols do Brasil em uma Copa do Mundo.

*A Seleção Brasileira de 1950 tinha oito jogadores do Vasco da Gama, clube que na época era chamado de Expresso da Vitória.

*A tática de colocar todos os jogadores em funções defensivas é obra do suíço Karl Raphman. Sua seleção empatou em 2x2 com o Brasil.

*Ademir de Menezes, o Queixada, foi o segundo artilheiro brasileiro em Copas. Em 1950, foram nove gols marcados.

*Brasil (1950) e Suécia (1958) foram as únicas seleções que perderam decisões de Copa do Mundo quando eram o país-sede.

*O Uruguai foi campeão das duas primeiras edições que participou. Em 1934 e em 1938 os uruguaios se recusaram a ir à Europa.

*A festa era preparada para o Brasil em 1950, a ponto de Jules Rimet quase não conseguir entregar a taça ao uruguaio Obdulio Varella.

*Acusado de falhar no gol do Uruguai que fez o Brasil perder a Copa de 1950, Barbosa faleceu em 2000, esquecido e na miséria.

domingo, 23 de maio de 2010

10 é a camisa dele



A Editora Contexto se arrisca mais uma vez a contextualizar em livro um assunto que passa por tantos gramados pelo Brasil afora. E coube ao jornalista Marcelo Barreto dimensionar em 254 páginas a grandeza de jogadores definidos como "camisa 10" do futebol nacional.

Em Os 11 maiores camisas 10 do futebol brasileiro, Marcelo teve de passar por uma série de caminhos, diferenciar esquemas táticos e fazer uma escalação minuciosa de seus 11 nomes.

Alguns camisas 10 vieram naturalmente. Pelé, Zizinho, Zico e Rivellino. Outros foram jogadores que, infelizmente, não tiveram tantos holofotes, casos de Ademir da Guia e Dirceu Lopes. E, na memória recente do futebol brasileiro, as escolhas de Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Raí, Kaká e Neto vêm com bastante contestação.

Rivaldo é associado à eliminação nos Jogos Olímpicos de 1996, Ronaldinho teve ótimo momento apenas em 2002 e uma série de fiascos na Seleção Brasileira, Raí destoou na equipe tetracampeã em 1994, Kaká está às voltas com lesões, e Neto não foi muito além de suas ótimas atuações pelo Corínthians. Questões que surgem sempre para se opor a esta escalação de Barreto.

A outra oposição é à falta de jogadores que ostentaram a camisa 10, como Jairzinho, Roberto Dinamite, Bebeto e Edmundo. Em relação a isto, o autor deixa claro que estes nomes são centroavantes, não têm um estilo de jogo que se esperava de um "autêntico" camisa 10.

Mas, se no futebol a melhor defesa é o ataque, Marcelo Barreto ataca com bons argumentos para a escolha de sua seleção. Ex-jogadores como Gérson, Júnior e Leonardo e treinadores como Zagallo, Vanderlei Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari são os trunfos para a boa discussão entrar em campo.

Mais do que despertar a discussão, Os 11 maiores camisas 10 do futebol brasileiro tem a inglória tarefa de escalar um timaço de jogadores, armar uma estratégia fatal para o adversário e ter uma visão ampla de jogo. Coisas que Marcelo Barreto soube fazer muito bem em seu livro.

sábado, 1 de maio de 2010

Nostalgia pra galera



Em geral, quando a biografia de uma pessoa pública chega às livrarias, seu texto costuma trazer os momentos bons e ruins da vida de maneira extrema a cada capítulo. Talvez pensando assim, Leovegildo Lins da Gama Júnior, ou, simplesmente, Júnior (o Júnior do Flamengo e da Seleção Brasileira), decidiu contar com suas palavras um pouco da sua história.

O livro Minha paixão pelo futebol (111 páginas, Editora Rocco / Selo Gol de Letras, R$ 28,00) é a cara de seu autor. Quem se acostumou com a imagem do jogador e, mais tarde, comentarista esportivo da TV Globo, vê no livro um Júnior fiel ao seu jeito bem-humorado e franco. A cada palavra, ele abre seu coração para contar aos leitores um pouco dos detalhes de sua vida.

Desde a chegada da família Gama ao Rio de Janeiro, passando pelo início de carreira no futebol de areia, a ida para o futebol do Flamengo, até chegar à consagração como um dos maiores ídolos da Gávea, tudo passa pelo gramado da leitura com um mérito de atleta e de escritor. Em nenhum momento, Júnior narra as situações em tom de soberba. Ele expõe os fatos como acha que são, sem se preocupar em ser o proprietário da verdade.

E é fascinante para torcedores (não só do Flamengo, como também de outros clubes) saber um pouco da história do clube rubro-negro ou da Seleção Brasileira, além de ter contato com coisas que não chegavam ao Brasil. Afinal, em época que não existia a Internet e a TV a cabo, a torcida não tinha como acompanhar um jogador em gramados estrangeiros. Assim, muitos brasileiros não puderam ver seu futebol nos clubes italianos Torino e Pescara.

Júnior fala sobre os momentos de alegria e dissabor com a camisa do Brasil, lembra da música Voa, canarinho e, claro, dos momentos de superação vividos com a camisa do Flamengo. Histórias que parecem curtas ao final de 111 páginas, pois o livro dá para ser lido de uma tacada só.

E também dá para notar que, ao contar sua história, Júnior não cai em nenhum momento na tendência de se sentir perseguido (mesmo com motivos que ele mesmo relata) ou culpado (como ele mesmo diz durante o livro). Em Minha paixão pelo futebol, a nostalgia vai para a galera, que, certamente, vai recordar ótimos momentos da história do futebol brasileiro.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

É ele!



As emoções dos mais de 3 mil jogos e dos cerca de 6 mil gols narrados na vasta carreira de JOSÉ CARLOS ARAÚJO agora receberam registro literário. Foi lançado ontem o livro Paixão pelo rádio, biografia do "Garotinho" das ondas do rádio escrita pelo jornalista Rodrigo Taves.

São 207 páginas de uma história que, segundo o texto da contracapa, traz "o testemunho de alguém visceralmente apaixonado pelo que faz". E que, por consequência, também contribui para que as várias torcidas sintam de maneira visceral a emoção de um gol marcado pelo seu clube.

O livro inicia contando dois momentos extremos e emocionantes para o futebol brasileiros: os "milésimos". O milésimo gol de Pelé, em 1969, no Maracanã (pelo Santos, contra o goleiro vascaíno Andrada), e o milésimo gol de Romário, em 2007, no estádio de São Januário (pelo Vasco, diante do Sport). Uma forma interessantíssima de traçar o paralelo de uma carreira extensa ligada ao futebol.

Desde 1964, são inúmeras competições estaduais, nacionais, internacionais e, dentre elas, nove Copas do Mundo (de 1974 a 2006). E, certamente, muitas histórias para contar de sua paixão pelo rádio. Paixão que José Carlos Araújo continua a propagar, graças aos seus ouvintes.

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PAIXÃO PELO RÁDIO - Do milésimo de Pelé ao milésimo de Romário, a trajetória de José Carlos Araújo, o eterno Garotinho, de Roberto Taves

Maquinária Editora
207 páginas
R$ 38,00


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Na foto, José Carlos Araújo com este escritor de O tempo e o placar... que vos escreve.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Próxima parada... VITÓRIA



Amigos, estou envolvido com o próximo lançamento do meu livro. Será dia primeiro de outubro, em Vitória.

Agradeço a compreensão de todos nesta minha primeira empreitada literária.

Vinícius Faustini

sábado, 19 de setembro de 2009

Todos convidados...



... Diário de um salafrário pede passagem. A todos que quiserem ir hoje ao lançamento, eu agradeço.

Será das 20h às 21h30, no estande da Litteris Editora. Pavilhão Verde, Rua Q, Estande 17.

Obrigado aos amigos blogueiros e futebolistas,

Vinícius Faustini

sábado, 12 de setembro de 2009

Diário de um salafrário




Aos leitores de O tempo e o placar...
,

falta exatamente UMA SEMANA para que este que vos escreve lance seu primeiro livro, intitulado Diário de um salafrário. Minha primeira empreitada literária vai reunir alguns contos publicados no blogue de mesmo nome, em um livro publicado pela Litteris Editora.

O lançamento ocorrerá no dia 19 de setembro, durante a XIV Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Das 20h às 21h30, vou autografar no estande da Litteris, que fica no Pavilhão 4 (VERDE), Rua Q, Estande 17.

Como prévia, deixo neste post um dos contos presentes no Diário de um salafrário. Nada mais condizente com o blogue que apresento aqui. Trata-se de um conto que fala de futebol, desta paixão que faz parte da minha vida e também da minha escrita.

A todos os que moram ou que estiverem no Rio de Janeiro, faço o convite para irem à Bienal no próximo sábado. Aguardo vocês!

Obrigado a todos,

Vinícius Faustini

*****

90 MINUTOS

Tiro a camisa do armário. Assim que eu a vestir, começarei minha transformação. Passarei a ser mais um, um dos muitos que representam uma paixão, um ideal, uma sensação... Ou, em termos mais técnicos, um dos muitos a representar 11 jogadores que vão correr atrás de uma bola. Saio de casa, caminho alheio às provocações de torcedores adversários, sorrio aos que aderem e incentivam minha nova face.

É sempre assim. Todo domingo eu deixo de estar só e me torno "mais um". Uma situação que acontece pouco a pouco. Adentro o vagão do metrô, me sento num lugar vazio, e
calmamente vou esperando que o povo chegue. Passa uma estação, chegam mais dois com a mesma camisa que eu. Sorrio.

Vem mais um, mais outro, mais aquele outro, até ter uma boa quantidade de pessoas que seguem um mesmo ideal.

Na mudança da linha 1 para a linha 2, os primeiros gritos da torcida aparecem, e a ansiedade para que venha de uma vez abaldeação do metrô fica ainda maior quando o cântico ganha mais corpo, deixa de ser formado por gritos esporádicos pelo
meu time . Agora, ele se torna aquela canção que a torcida e que a imprensa promoveram a hino décadas atrás.

Uma pessoa faz sinal de positivo. Retribuo beijando o escudo da minha camisa. Enfim, chega a estação onde vamos descer. Aquela multidão sorridente, esperançosa, cantando, gritando, sorrindo.

Milhares de pessoas deixarão de existir por 90 minutos (fora os acréscimos e o intervalo). Assim que passarem os ingressos pela roleta, eles vão deixar do lado de fora suas dores, suas amarguras, o aluguel que venceu, o casamento que vai mal, a
penúria, as culpas e as desculpas que encontraram pra cada uma das situações que eles vivem neste momento.

Meu ingresso passa pela catraca. De uma vez por todas, está de lado tudo o que me incomoda nesta vida. Não preciso mais ser tímido. Deixo de lado minha figura solitária de corpo e alma.

Saem de cena as preocupações habituais e as eventuais. Centenas, milhares de pessoas deixam de ser "eu" para só se referirem a elas mesmas como "nós".

Agora, a vida depende de 11 pessoas. De 22 chuteiras. Das duas mãos do goleiro, essa posição ingrata, escolhida para abafar o êxtase maior desta disputa, ele que cala uma torcida e dá o suspiro de alívio à outra. Do árbitro e de seus assistentes, que
com seus erros podem sacrificar meses de trabalho, tornando um resultado injusto aos olhos do povo.

Chego à arquibancada. Estou no mesmo lugar de sempre, o mítico lugar que me faz companhia desde os primeiros jogos no estádio. Entoo os gritos que as torcidas "organizadas" cantam, a plenos pulmões e na companhia de bumbos (tocados
perfeitamente ou não). Minha mente de uma vez por todas está limpa. Minhas direções estão centradas para o que vai acontecer naquele palco que tem tapete de grama.

O placar eletrônico dá seus primeiros sinais de vida. Um torcedor comenta o que o radinho de pilha denunciou. Outro lamenta a ausência de um jogador. Um velhinho diz que bons tempos eram os anteriores, que o time de hoje não é nem sombra daquele que outrora defendeu as nossas cores. Aquele que tem uma faixa na cabeça extravasa, dizendo que sai preso se o resultado de hoje não for uma vitória. O de camiseta comenta que o árbitro escalado já nos prejudicou em outras oportunidades. Um leva fé e faz as contas, lendo a classificação do campeonato.

O alto-falante anuncia as escalações dos clubes. A torcida aplaude jogador por jogador, grita os nomes daqueles aos quais todos nós entregamos nosso sentimento, nossa razão de euforia, nossa vontade de matar ou de morrer, nossa vontade de extravasar sentimentos de amor e ódio. Alguns deles têm cantos próprios, e
agradecem à torcida quando são homenageados pelo coral. Por um coral que, apesar de não estar com chuteiras em campo, segue atento a tudo o que acontece na partida.

Entra em campo a equipe adversária. Vaias, hostilidades, ofensas. Tudo para amedrontar aqueles que podem fazer nossa tropa cair no campo de batalha. Por mais que os analistas de futebol digam que eles são superiores a nós, todos eles são
desprezados pela torcida. O goleiro vira mero "frangueiro", a zaga vira "peneira", o meio-de-campo é composto por "perebas" e o ataque é formado por um bando de "pernas-de-pau".

Vai começar o jogo. O mundo se resume às próximas horas vividas no estádio. Somos o povo! E queremos a "alegria do povo", definida no dicionário em uma palavra só: FUTEBOL.

Começou. Primeira jogada malsucedida, a torcida uníssona grita "uuuhhh", com direito a eu fazer meu "solo" nesse coro, mandando o autor do lance ir para um lugar não muito agradável.

Eu, o contido, o educado, o gentil, o cavalheiro, me transformo. Viro o ansioso. Quero a vitória. Exijo o gol. Almejo o meu sonho de ver a minha paixão culminar na grande felicidade de ver a bola passando pela rede.

Distribuo palavrões com a zaga que deixou o jogador adversário chutar e quase fazer o gol, com o juiz que não marcou uma falta clara para nós, com o artilheiro que não faz gol há semanas e mantém o tabu depois desse chute bisonho cara a cara com o goleiro. Peço, imploro para que os representantes da minha alegria corram, batalhem, lutem, mostrem raça e, principalmente, pontaria nos passes e nos chutes.

O time persiste na defensiva, acuado, e dá chutões para o alto ou para onde o nariz aponta. Eu berro, com um copo de refrigerante na mão - mas, apesar de ser proibida bebida alcoólica nos estádios, continuo embriagado de vontade de voltar pra casa
com a vida em paz.

Intervalo. E eu sou mais um. Em meio a todos aqueles que vestidos com a camisa das mesmas cores e com o mesmo estampado que a minha camisa tem, permaneço ansioso. Descontando minha raiva no ouvido dos pobres torcedores que tiveram a infeliz coincidência de ver o jogo próximo de mim.

Com eles eu não preciso ser o que sou diante dos olhares discriminativos da sociedade. Sou desbocado e falo em tons que minha voz jamais chegaria na minha rotina. Converso com eles como se fôssemos velhos conhecidos - e somos. Afinal, torcer pelo mesmo time acaba fazendo com que eu tenha milhões de amigos unidos para apoiar a equipe ou para xingar quando os jogadores não conseguem ir bem durante o jogo.

Os times voltam do intervalo. Vai começar o segundo tempo. O último quadro antes do juízo final. Desse juízo que tem sua graciosidade - nem sempre o mais forte, o superior ou o mais favorecido financeiramente se torna o vitorioso no final.
O treinador fez boas alterações. Colocou o time mais ofensivo. "Esse jogador não pode nunca ficar no banco". São os comentários que os companheiros dizem depois dos primeiros minutos de segunda etapa.

A bola cruza nossa área. O zagueiro salva em cima da linha. Apreensão ao extremo, e medo de que todo aquele sonho vivido nas horas mais recentes caia por terra através de um pé de um jogador que não veste a mesma camisa que a nossa. O jogo permanece truncado. Boas defesas de ambos os goleiros. Um jogador nosso cai na área. Pênalti claro, mas que passa batido aos olhares do árbitro. E o coro, em uníssono, entoa outro grito: "Ladrão, ladrão...", agora com variados "solos", com ofensas à
virilidade ou à pobre mãe do juiz.

O cronômetro vai passando. O locutor diz que o jogo está bom, uma bela partida das duas equipes. Milhares de pessoas de ambos os lados sofrem a agonia que passa o confronto entre 22 jogadores. Alguns deles que jogam bola, outros que brigam com
a bola, outros que brigam com os outros, e até os que brigam entre eles.

O nosso camisa 10 pega a bola na intermediária. Passa pelo zagueiro e deixa o atacante cara a cara com o goleiro. Uma puxada para a direita e o arqueiro fica imóvel no chão. Com toda a calma, o atacante coloca a bola por cima do goleiro batido. E a palavra que tem três letras ecoa em uma das partes da torcida: GOL!

Uma palavra pequena e decisiva. Ela define quem venceu e quem perdeu. E, a poucos minutos do fim, o gol veio do nosso lado. Euforia, sorrisos, gritos, cantos de alegria e também de provocação ao adversário.

E apreensão pelos minutos finais. O juiz deu muitos minutos de acréscimo. O time está recuado, cada vez mais acuado, praticamente tem 11 jogadores na pequena área. O zagueiro prende a bola, passa pro lateral, que consegue cavar uma falta.

O jogo continua, a partida fica nervosa, um time querendo evitar o suspiro de alívio do adversário, o outro não querendo, em hipótese alguma, sair de campo derrotado.
Mas não adianta. É fim de jogo. Vencemos! Os jogadores vêm para o nosso lado. Eles são nossos heróis, e vibram junto com aqueles tantos que vieram ao campo para zelar por eles, por seu bem-estar e por suas boas jogadas... Na nossa torcida, só
abraços, sorrisos, felicidades.

E uma ida para casa cantando, assobiando em glória. Todos ostentando a camisa que simboliza o time que saiu de campo vitorioso. Em calma, todos saem do estádio. Desço a rampa do estádio. Passo pelo portão. Lá, reencontro a companhia da minha
solidão.

Ela vai me levar para casa. Cuidar de mim. Apresentar de novo cada nuance de meu dia a dia, tão difícil, tão confuso, tão triste. Tão só. Mas sabendo que, no próximo domingo, vou estar bem acompanhado. Lado a lado com as várias solidões que,
durante 90 minutos, ansiarão por uma alegria repentina e por algo que amenize a ausência de felicidade no dia a dia.

*****

Mas vão ter outros, dos mais variados temas, das mais variadas histórias. Cliquem na foto acima, lá tem o convite de lançamento. Ah, ontem o Edson Mauro deu um apoio durante o jogo entre Vasco e Paraná. Aos nove minutos do segundo tempo, ele recomendou aos ouvintes da Rádio Globo. BOTA AMIZADE NISSO!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Escrete do banco



A literatura esportiva dedicou muitas linhas a atletas que foram além das grandes jogadas em campo e chegaram a ser mitos da nossa história. Também há espaço nas prateleiras de esporte a históricos, tabelas e registros de campeonatos do futebol de todos os campeonatos do mundo. Mas já há algum tempo faltava uma homenagem a aquelas pessoas que não entram em campo, mas por meio de treinamentos diários e de gritos à beira do campo, tornaram equipes campeãs.

Após um longo trabalho de pesquisa, o jornalista Maurício Noriega entra no campo literário para enumerar os 11 craques dos bancos de reservas do país. Em Os 11 maiores técnicos do futebol brasileiro (Editora Contexto, preço médio de R$ 35,00), o atual comentarista do canal a cabo Sportv "escalou" um escrete de grandes treinadores que marcaram a história do futebol por ajudarem um grupo de jogadores a chegarem a grandes glórias.

Logo no início do livro, Noriega coloca uma questão: "Atacante bom é aquele que faz gol. Goleiro bom é aquele que evita gol. E técnico bom, quem é? O grande estrategista, que domina as teorias? O paizão, que trata os jogadores como crianças crescidas e carentes, necessitadas de compreensão e apoio? O tático, capaz de virar o jogo no intervalo com alterações surpreendentes? O que revela jogadores? O que lida bem com estrelas? O que sabe "ler o jogo"? O que estuda os adversários? Ou, simplesmente, o vencedor?".

Num "pente fino" pela história dos gramados nacionais, o jornalista escolhe aqueles que ele considera os 11 melhores de todos os tempos, numa escalação irresistível. Oswaldo Brandão, Bela Gutman, Vicente Feola, Lula, Zagallo, Rubens Minelli, Ênio Andrade, Telê Santana, Luxemburgo, Felipão e Muricy Ramalho são os "escolhidos" de Maurício Noriega. Mas, em vez de somente colocar suas opiniões no livro, há algumas páginas dedicadas a entrevistas com pessoas do mundo do futebol que conviveram definitivamente com cada um dos treinadores.

Graças à conversa com Falcão, pode-se saber os motivos de a "boleirada" adorar Ênio Andrade. Com Müller, descobre-se as duas faces de Telê Santana, dentro e fora de campo. E o goleiro Rogério Ceni conta como Muricy Ramalho o incentivou a ser hoje o goleiro-artilheiro que é.

Mais um gol de placa da literatura futebolística no Brasil. E, desta vez, a favor dos artilheiros do banco de reservas, que sempre merecem nosso aplauso, para amenizar o número de vezes que os chamamos, no calor da partida, de "burro". Em Os 11 maiores técnicos do futebol brasileiro, desfila um time de inteligência à beira do gramado brasileiro.

domingo, 3 de maio de 2009

Passe de letra e gol de placa



Dramaturgo que transitava entre a literatura e o gramado, Nelson Rodrigues afirmou que a literatura brasileira ignora o futebol - "e repito: nossos escritores não sabem cobrar um reles lateral". A máxima rodrigueana deixou de ser unanimidade num lançamento literário da semana passada. O escritor Flávio Carneiro reuniu contos sobre o futebol num livro intitulado Passe de letra (pela Editora Rocco) e apresentou um pouco do lirismo em torno deste esporte.

São 167 páginas nas quais entram em campo vários personagens e artistas deste espetáculo consagrado nos gramados do país. Em entrevista para O Globo On Line, Flávio afirmou que suas influências de "literatura esportiva" foram as crônicas de Nelson Rodrigues e João Saldanha, e, graças à vertente de escritor, pôde enxergar os estilos de futebol de craques brasileiros. Desde o lirismo presente nos pés de Garrincha, passando pelo lado cômico de Dadá Maravilha até chegar à literatura épica deste mito chamado Pelé.

Botafoguense de coração, o autor conta um pouco de suas vivências futebolísticas, desde os tempos em que jogava na categoria "dente-de-leite" de equipes de seu estado natal, Goiás (na foto, que está na orelha do livro, ele com 11 anos). A carreira foi abandonada aos 17 anos, quando, em vez de fazer as malas e tentar a sorte como ponta-direita do Guarani de Campinas, Flávio Carneiro entrou no campo da literatura, fazendo a faculdade de Letras no Rio de Janeiro.

O livro traz a bênção de Luís Fernando Veríssimo, que destaca a maneira como a bola rola no livro, trazendo o puro gosto pelo esporte e apresentado do ponto de vista de um jogador, torcedor e observador. Mais um motivo para os apaixonados por futebol e por todo o folclore que o cerca terem a certeza de que Passe de letra é um gol de placa. Boa leitura!

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BOLA PRO MATO

No amistoso contra o Santa Cruz, no estádio Arruda, o Vasco encontrou um tipo de adversário que será constante na Série B do Campeonato Brasileiro. Em meio a botinadas do rival, o time venceu o Santa Cruz por 3 a 2 e fez com que Dorival Júnior pudesse observar vários jogadores (caso do goleiro Fernando Prass, que pela primeira vez foi para o gol vascaíno num jogo). A partida mostrou, principalmente, que o time cruzmaltino pode até ter uma boa equipe titular, mas ainda carece de um bom elenco para subir rumo à Primeira Divisão.

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À meia-noite, entra no ar em O tempo e o placar... a cobertura da finalíssima entre Flamengo e Botafogo, hoje, às 16h, no Maracanã.

quarta-feira, 4 de março de 2009

20 anos de Copa do Brasil - de Kaburé a Cícero Ramalho



Hoje, O tempo e o placar... vai apresentar uma dica literária. Originalmente, ela foi publicada no outro blogue deste que vos escreve (Diário de um salafrário), mas ela é mais condizente com este espaço esportivo. Trata-se de uma obra fantástica para todos os que gostam de acompanhar futebol brasileiro. Afinal, todas as pessoas que acompanham este esporte sabem que, mais do que os títulos, o mais valioso do futebol são os "causos" que ele nos proporciona.

20 anos da Copa do Brasil - de Kaburé a Cícero Ramalho é uma tabela fantástica do comentarista esportivo Alex Escobar com o pesquisador Marcelo Migueres, que reuniram em 219 páginas a trajetória da competição nacional considerada "o caminho mais curto para a Taça Libertadores da América". De uma competição desacreditada, pouco valorizada pelos clubes de maior expressão do Brasil, aos poucos a Copa do Brasil foi ganhando sua importância, em especial por ser o único torneio a proporcionar a maior graça do futebol: a equipe considerada mais fraca surpreender e deixar para trás os times "fortes" do Brasil.

Enquanto a fórmula do Campeonato Brasileiro (em especial o recém-implantado "sistema de pontos corridos") não permite drásticas mudanças de panorama do futebol nacional, a Copa do Brasil apresenta uma competição extremamente democrática. São credenciados à disputa os campeões de todos os estados do Brasil, vice-campeões de determinados estados e alguns clubes convidados. Desde seu início, em 1989, o sistema de disputa é o chamado "mata-mata", no qual dois clubes se enfrentam em duas partidas, com cada equipe jogando uma vez em seu estádio e outra vez fora dele. O critério de desempate é o saldo de gols (por exemplo, se uma equipe vence por 2 a 0 mas perde a segunda partida por 1 a 0, a vencedora do primeiro jogo está classificada por causa da diferença de gols). Outro fator que tornou mais emocionante este tipo de competição foi o critério de gols marcados "fora de casa": se um time fora de seus domínios perde por 2 a 1, para se classificar basta vencer por 1 a 0, pois vale o gol que ela fez jogando "na casa do adversário". Quando há dois resultados "iguais" (no caso de empate com o mesmo número de gols marcados, ou no caso de uma vitória e uma derrota pelo mesmo placar), surge outro grande momento de emoção e de histórias: a disputa por pênaltis.

E é graças a estes regulamentos e aos acasos que tornam fascinante o futebol que a Copa do Brasil se tornou a mais imprevisível de todas as competições brasileiras. Através dela, o país foi apresentado a campeões como o Criciúma (time catarinense treinado por um então desconhecido Luiz Felipe Scolari, e que sagrou-se campeão em 1991), o Santo André (time do interior de São Paulo que na final do certame de 2004 derrotou o Flamengo em pleno estádio do Maracanã), ou o Paulista de Jundiaí, vencedor em 2005 sobre o Fluminense, também em terras cariocas.

O torneio também trouxe seus personagens folclóricos e suas situações curiosas, como Cícero Ramalho, personagem que faz parte do título do livro de Escobar e Migueres. Aos 40 anos de idade, 11 quilos acima do peso, o artilheiro do modestíssimo Baraúnas do Rio Grande do Norte foi ao Rio de Janeiro em 2005 e, no estádio de São Januário, comandou a vitória por 3 a 0 do time potiguar que eliminou o Vasco de Romário da Copa do Brasil daquele ano.

O mérito dos autores é não se resumir a contar a Copa do Brasil por meio dos números ou somente destacando os vitoriosos. Há graça de sobra nas derrotas vexatórias, na equipe que pela primeira vez vê o mar da "cidade grande" e também nas "escalações" que a dupla faz com os nomes esquisitíssimos de jogadores presentes em cada edição do torneio.

Em 20 anos da Copa do Brasil - de Kaburé a Cícero Ramalho acompanhamos a ascensão de um torneio contada em detalhes, com todas as ascensões e quedas que passaram por estas duas décadas vividas em campo. Uma vitória de Alex Escobar e Marcelo Migueres, uma vitória do jornalismo esportivo brasileiro e, principalmente, um gol de placa na tabelinha entre a literatura e o futebol.


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A Copa do Brasil prossegue hoje, com as seguintes partidas:

IVINHEMA (MS) x FLAMENGO (o jogo será comentado por O tempo e o placar... no próximo post)

ITUMBIARA (GO) x CORÍNTHIANS

CONFIANÇA (SE) x AMÉRICA (RN)

ASA (AL) x VITÓRIA (BA)

TOCANTINS (TO) x ATLÉTICO (PR)

FAST CLUBE (AM) x ABC (RN)

ÁGUIA MARABÁ (PA) x AMÉRICA (MG)

ATLÉTICO (RR) x GOIÁS

CRISTAL (AP) x BRASILIENSE

VILHENA (RO) x PONTE PRETA

SERRA (ES) x CSA (AL)

POTIGUAR (RN) x BAHIA

BARRAS (PI) x REMO

MOTO CLUBE (MA) x NÁUTICO

É a Copa do Brasil começando a trajetória das equipes que querem trilhar o caminho rumo à Libertadores. Já estão na próxima fase Vasco, Guarani e Atlético Mineiro, que na semana retrasada eliminaram seus respectivos adversários na "partida fora de casa" - nas duas primeiras fases do torneio, se o "visitante" vencer por dois ou mais gols de diferença o "mandante", não é necessária a realização de uma segunda partida.

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BOLA PRO MATO

Depois de muito mistério envolvendo a estreia de Ronaldo, o treinador Mano Menezes anunciou que o atacante ficará na reserva no jogo do Corínthians contra o Itumbiara, de Goiás, pela Copa do Brasil (a partida acontecerá às 21h50). Fica no ar a pergunta: será que Mano ou o Fenômeno leram a crônica postada neste blogue segunda-feira e decidiram calar a boca deste humilde jornalista e pretenso cronista esportivo? Bem, é provável que não, mas eu não poderia perder a piada.