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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Os imponderáveis



INDEPENDIENTE, DA ARGENTINA, CAMPEÃO DA COPA SUL-AMERICANA DE 2010

Análise de quarta - Independiente (ARG) 3 x 1 Goiás (nos pênaltis, Independiente 5 a 3)

O Goiás ter conseguido chegar à decisão da Copa Sul-Americana era um feito imponderável para seu futebol - tanto por sua falta de tradição em competições internacionais quanto por sua ascensão acontecer numa temporada em que o clube terminou rebaixado para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. Só que os feitos imponderáveis nem sempre são favoráveis a equipes que surpreendem numa competição. Na noite de 8 de dezembro, os acasos futebolísticos favoreceram os argentinos do Independiente a se sagrarem campeões da Sul-Americana.

Não foi nenhuma surpresa o Independiente se lançar ao ataque desde os primeiros minutos, em especial por jogadas pelas laterais, que tentavam encontrar a dupla Parra e Rodríguez livre na área. No entanto, o trio de zaga formado por Rafael Tolói, Ernando e Marcão conseguia defender com eficiência a equipe goiana. Foram necessários 19 minutos e uma jogada de bola parada para que o time argentino ficasse em vantagem diante do Goiás. Fredes lançou para a área e, livre, Matheu chutou forte. Após defesa de Harlei, Velásquez, sem marcação, colocou a bola no fundo da rede. Independiente 1 a 0.

Apoiados por cerca de 40 mil torcedores, os argentinos passaram a apoiar com mais intensidade, à espera de mais um gol que igualasse o saldo da final (no primeiro jogo, os goianos venceram por 2 a 0 no Serra Dourada). Só que a iniciativa de jogadas ofensivas foi surpreendida por um erro no meio-de-campo. Wellington Saci conseguiu roubar a bola do adversário e, com fôlego, subiu pela esquerda. No cruzamento para a área, Rafael Moura desviou de cabeça para empatar. 1 a 1, aos 22 minutos.

O Goiás contava com seu ímpeto para superar o adversário na final. Só não contava com mais um fato imponderável capaz de atrapalhar sua partida decisiva em Avellaneda. Quatro minutos depois do gol sofrido, Ernando foi rechaçar uma tentativa de cruzamento. A bola bateu no calcanhar de Parra e partiu em destino ao fundo da rede de Harlei. Independiente 2 a 1.

Mas o acaso ainda seguia como forte adversário do Esmeraldino. Num cruzamento da direita, Marcão dividiu a jogada com Parra. Caído, o atacante conseguiu chutar, e o lance foi concluído com Harlei buscando a bola no fundo de sua rede. 3 a 1 Independiente, aos 34 minutos. Placar que, ao final do primeiro tempo, encaminhava a decisão para uma prorrogação de 30 minutos.

Na volta do intervalo, as equipes continuaram a atuar da forma apresentada no primeiro tempo. Forte pressão do Independiente (com poucas oportunidades claras para marcar) e o Goiás se defendendo intensamente. O que tornou o jogo diferente foi o equilíbrio que o time goiano conseguiu dar à partida.

Além de evitar que os jogadores adversários tivessem muitas oportunidades - as duas chances foram com Parra, uma com boa defesa de Harlei e outra quando o atacante errou num cruzamento e quase surpreendeu o goleiro - o Esmeraldino dominou o jogo, graças ao seu preparo físico superior. Nem com as duas alterações que o técnico Antonio Mohamed fez (Gómez e Gracian em lugares de Martinez e Rodriguez) "El Rojo" encontrou forças para segurar o empenho adversário.

O Goiás teve várias oportunidades, e numa delas chegou a marcar, mas o gol foi anulado por impedimento de Otacílio Neto, mas desperdiçou todas elas. Em duas chances com Rafael Moura, o time foi derrotado pelo imponderável. Num lance, o atacante dois zagueiros, mas foi travado pelo goleiro Navarro na hora do chute. Em outro, diante do arqueiro adversário, a opção de dominar a bola antes de arriscar fez com que seu chute fosse para fora. Aos 46 minutos, Oscar Ruiz encerrou o tempo regulamentar, e o mistério do título da Sul-Americana duraria ao menos mais 30 minutos de prorrogação.

Prorrogação na qual o Goiás foi soberano, em empenho e em velocidade. Com a entrada de Éverton Santos no lugar de Carlos Alberto e, principalmente, pela partida sensacional que Felipe (substituto de Otacílio Neto) vinha fazendo desde os 30 minutos do segundo tempo, o time goiano parecia cada vez mais próximo do gol.

Só que os grandes momentos do Goiás pararam no imponderável do futebol. A um minuto, um cruzamento de Rafael Moura passou por toda a área e parou na cabeça de Rafael Tolói. O zagueiro, sozinho, desviou de cabeça, e a bola bateu na trave. Três minutos depois, uma cobrança de escanteio chegou até Marcão, que cabeceou. Navarro defendeu e, na volta, Marcão colocou a bola no fundo da rede. Mais um gol anulado por impedimento.

Os últimos minutos mostraram um contraste atípico em jogos decisivos de futebol. O visitante Goiás passava os minutos se impondo, arriscando jogadas e tentando o gol, alheio aos 40 mil torcedores de Avellaneda. Era o mandante Independiente que se portava como time que atua fora de casa, ansioso a ponto de não conseguir trocar passes e associando a decisão por pênaltis a um momento de alívio. O indício era de que o melhor preparo físico e a pressão psicológica do adversário favorecessem o alviverde goiano na decisão por pênaltis da Copa Sul-Americana.

Vieram as cobranças. Velázquez abriu o placar para o Independiente. Rafael Tolói empatou. Parra fez o segundo do time argentino. Éverton Santos marcou o segundo dos goianos. Gracián fez 3 a 2 para a equipe de Avellaneda.

E na disputa de penalidades máximas, novamente o imponderável surgiu de maneira decisiva. O atacante Felipe, que passou da esperança de gols do Goiás no Campeonato Brasileiro de 2010 a um jogador relegado ao banco de reservas, entrara bem na decisão da Copa Sul-Americana e, agora, nos pênaltis, poderia ser ainda mais importante para a história do alviverde goiano. Poderia. Se sua cobrança rasteira não parasse na trave.

Matheu fez o quarto gol do Independiente. Rafael Moura ainda diminuiu a diferença argentina, mas a cobrança do lateral Tuzzio deu o título a "El Rojo" - que se vestira de azul neste jogo de Avellaneda, para sua sorte então mudar, a ponto de ser o primeiro clube campeão da Copa Sul-Americana credenciado para disputar a Taça Libertadores da América do ano seguinte. O grande vencedor do principal campeonato da América do Sul tentará em 2011 seu oitavo título - além da busca por resgatar a tradição perdida nas últimas décadas (sua conquista mais recente na Libertadores foi em 1984).

Passada a campanha surpreendente na Copa Sul-Americana, o Goiás agora volta à amarga realidade de um time que passará 2011 disputando a Série B do Campeonato Brasileiro. Restam o ímpeto e a certeza de que a equipe batalhou até o fim para superar até mesmo a adversidade de todo ano de 2010. Mas fica a lição de que nem sempre o imponderável triunfa no futebol. E, com o título do Independiente, a sexta vaga brasileira na Taça Libertadores da América de 2011 fica para o Grêmio, quarto colocado no Campeonato Brasileiro deste ano, que fez uma campanha digna de reconhecimento dentro do campo. Mais digna do que o penúltimo lugar do Esmeraldino no Brasileirão.

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INDEPENDIENTE (ARG) 3 x 1 GOIÁS (nos pênaltis, Independiente 5 a 3)

Estádio: Libertadores de America (Avellaneda, Argentina)

Árbitro: Oscar Ruiz (COL) / Auxiliares: Abraham González (COL) e Humberto Clavijo (COL).

Gols: Velázquez, aos 19, Rafael Moura, aos 21 e Parra, aos 24 e aos 34 minutos do primeiro tempo.

Disputa de pênaltis: Velázquez, Parra, Gracián, Matheu e Tuzzio marcaram para o Independiente. Rafael Tolói, Éverton Santos e Rafael Moura marcaram para o Goiás. Felipe, do Goiás, desperdiçou sua cobrança.

Cartões amarelos: Tuzzio, Matheu, Velázquez, Navarro (Independiente), Otacílio Neto, Rafael Moura e Rafael Tolói (Goiás).

INDEPENDIENTE - Navarro, Tuzzio, Matheu, Velázquez e Mareque; Cabrera, Battion, Fredes (Maxi Velázquez) e Martinez (Gomez); Rodriguez (Gracián) e Parra. Técnico: Antonio Mohamed.

GOIÁS - Harlei, Rafael Tolói, Ernando e Marcão; Douglas (Éverton Santos), Amaral, Carlos Alberto, Marcelo Costa e Wellington Saci; Otacílio Neto (Felipe) e Rafael Moura. Técnico: Artur Neto.

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Com este texto, O tempo e o placar... chega às suas 500 postagens. Marca emocionante para quem começou o sonho de mostrar seu ponto de vista esportivo no ano passado. Muito obrigado a todos vocês!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Extremos guerreiros



Análise de jogo: Goiás 2 x 0 Independiente (ARG) (22h, Serra Dourada)

O Goiás pisou no gramado do Serra Dourada em busca de muito mais do que ultrapassar novos limites da superação internacional ,depois de um grande insucesso no Campeonato Brasileiro de 2010. Os jogadores precisavam dar uma boa resposta aos mais de 35 mil torcedores que ocuparam as arquibancadas com uma festa que teve direito ao "maior mosaico para um clube no Centro-Oeste brasileiro". Também ansiavam por responder à crítica esportiva, que além de passar a semana questionando a postura que tomaria o time goiano contra o tradicional Independiente, ainda se esforçava para entender como uma equipe tão fraca chegara à final da Copa Sul-Americana.

As respostas vieram com bastante clareza no primeiro tempo. Aos sedentos por tática, o técnico Artur Neto apresentou um 3-5-2, considerado defensivo, em especial porque o Goiás traz um trio de zaga acima da média, com Rafael Tolói, Ernando e Marcão. Mas que levou o time à frente pela maneira como o jogo se desenhou. O time argentino se fechou na defesa, amparado também pelo 3-5-2, mas disposto a gastar o tempo para deixar a torcida goiana impaciente.

Só que os torcedores esmeraldinos tiveram como resposta mais motivos para comemorar. Um zagueiro tentou rechaçar uma tentativa adversária, mas a bola explodiu no pé de Carlos Alberto. Na sobra, Rafael Moura, com oportunismo, chutou sem chance para Navarro. Goiás 1 a 0, aos 14 minutos.

Em vantagem no placar e com o adversário ainda atônito, o Goiás continuou sua pressão, capitaneada pelo meia Marcelo Costa e pela dupla Otacílio Neto e Rafael Moura, mas em alguns momentos perdeu oportunidades pela ansiedade de seus jogadores. Num destes erros, Cabrera chutou e fez com que Harlei espalmasse a bola para escanteio.

Lance isolado, em meio a um grande duelo entre o ataque do Goiás e a defesa do Independiente. O embate teve mais um momento com supremacia alviverde aos 21 minutos. Após jogada iniciada por Marcelo Costa, Douglas desceu pelo lado direito. Ao tentar um drible, o adversário conseguiu cortar, mas, no rebote, Otacílio Neto estava livre para colocar a bola novamente no fundo da rede de Navarro. 2 a 0 Goiás

Dois gols que fizeram jus a tanto apoio vindo das arquibancadas. Embora nos últimos minutos sua equipe tenha jogado na base do chutão, o Goiás teve superioridade diante de um violento e praticamente inofensivo Independiente.

O técnico Antonio Mohamed alterou a postura defensiva da equipe argentina no intervalo. O volante Godoy saiu, para a entrada do meia Pato Rodríguez. Os goianos mantiveram o ritmo do primeiro tempo nos minutos iniciais da segunda etapa.

Mas, devido aos espaços deixados para a dupla de ataque Parra e Silvera, os esmeraldinos passaram a priorizar o desejo de evitar sofrer gols. Parecia que o Goiás desconhecia o regulamento da Sul-Americana - na decisão, o critério de "gol marcado fora de casa" não existe, o saldo de gols é o único diferencial. Basta o adversário conseguir uma vitória pela mesma diferença para forçar a prorrogação (e, no caso do empate persistir, o campeão será definido após uma disputa de pênaltis).

Nem mesmo a expulsão de Silvera - após cotovelada desleal em Rafael Tolói - fez com que o alviverde goiano tivesse sede para marcar o terceiro gol. Enquanto o Independiente chegava apenas em lances de bola parada, os guerreiros alviverdes partiam para o outro extremo de suas características. Do ataque constante, sobraram cautela e muita cadência na troca de passes.

Apesar do coro da torcida começar os gritos de "mais um", o resultado parecia satisfatório também para Artur Neto. O técnico mexeu no time apenas aos 34 minutos, para trocar um atacante por outro - o cansado Otacílio Neto por Éverton Santos. Felipe, atacante que teve seu nome gritado pelos torcedores, só entrou a três minutos do fim - em lugar do meia Marcelo Costa. Àquela altura, seus companheiros estavam cansados e o Independiente resumia sua ação a não sofrer uma goleada - seu treinador também mudou o time apenas nos minutos finais, colocando Matheu e Maxi Velásquez nos lugares de Cabrera e Fredes, respectivamente).

Os fogos do Serra Dourada mostraram a explosão de um Goiás que chegou aos seus extremos em 90 minutos. O time de guerreiros apresentou uma postura ofensiva aliada a uma imensa cautela, conseguiu que sua tática defensiva ganhasse também um bom poder de ataque, e mostrou uma superioridade digna de uma vitória maiúscula, e não refletida no placar.

Apesar de estar com um futebol bem aquém de sua tradição (são sete títulos da Taça Libertadores da América, o maior vencedor da história da competição), "El Rojo" volta para a Argentina com a sensação de que seus guerreiros não tiveram um desempenho tão ruim com sua postura defensiva. Em Avellaneda, a tendência é de que o Independiente queira comandar as ofensivas da guerra. E o Goiás tem uma semana para saber qual faceta deve levar a Buenos Aires para a finalíssima da Copa Sul-Americana.

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GOIÁS 2 x 0 INDEPENDIENTE (ARG)

Estádio: Serra Dourada (Goiânia / GO)

Público: 35.500 pagantes. / Renda: R$ 912.940,00.

Árbitro: Carlos Torres (PAR). / Auxiliares: Nicolás Yegros (PAR) e Rodney Aquino (PAR).

Gols: Rafael Moura, aos 14, e Otacílio Neto, aos 21 minutos do primeiro tempo.

Cartões amarelos: Otacílio Neto, Carlos Alberto (Goiás), Velasquez e Galeano (Independiente).

Expulsão: Silvera (Independiente).

GOIÁS - Harlei, Rafael Tolói, Ernando e Marcão; Douglas, Carlos Alberto, Amaral, Marcelo Costa (Felipe) e Wellington Saci; Otacílio Neto (Éverton Santos) e Rafael Moura. Técnico: Artur Neto.

INDEPENDIENTE - Navarro, Velasquez, Tuzzio e Galeano; Cabrera (Matheu), Battion, Fredes (Maxi Velasquez), Godoy (Pato Rodríguez) e Mareque; Parra e Silvera. Técnico: Antonio Mohamed.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O dois a um do Pacaembu



Análise de quarta - Palmeiras 1 x 2 Goiás (21h50, Pacaembu)

O placar de 2 a 1 para a equipe visitante parece ser a tônica das grandes surpresas que cercam os estádios brasileiros. Por 2 a 1 foi a vitória do Uruguai sobre o Brasil no Maracanã, na decisão da Copa do Mundo de 1950. Também em 2 a 1 terminou a vitória do argentino Estudiantes sobre o Cruzeiro, no Mineirão, pela final da Taça Libertadores da América de 2009. E em 2010, o Pacaembu foi palco de um jogo com contornos bem próximos a estas duas partidas. Um estádio repleto de torcedores do time da casa, eufóricos com a vantagem de um resultado (no caso, bastava um empate) sobre um adversário que vinha desacreditado. Mas, depois de 90 minutos, o Goiás - time que começou a semana rebaixado para a Segunda Divisão de 2011 com uma rodada de antecedência - conquistou uma inacreditável vaga para a final da Copa Sul-Americana. Com uma vitória por 2 a 1 sobre o anfitrião Palmeiras.

Os mais de 34 mil palmeirense que foram ao Pacaembu na noite de quarta-feira levaram para a arquibancada a confiança de que a batalha mais difícil havia ficado para trás. Com o gol de Marcos Assunção que sacramentou a vitória por 1 a 0 no Serra Dourada na semana anterior, o time goiano não teria força nem técnica suficientes para superar um Palmeiras que durante a semana anunciou concentração máxima na conquista da Copa Sul-Americana (ao ponto de escalar os reservas nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro).

O panorama do primeiro tempo não diferiu muito da expectativa da torcida. O Palmeiras apresentou mais volume de jogo, cercando a área do Goiás com jogadas criadas por Tinga e Lincoln. Vieram algumas oportunidades, com Danilo e num chute de Tinga que foi desviado com os dedos por Harlei e parou na trave. Nem mesmo a ausência de oportunidades vindas dos pés de Luan e Kléber parecia suficiente para que a bola entrasse na rede.

A postura do Goiás contribuía para o domínio palmeirense. Além de um trio de zaga, a equipe apresentava muitos jogadores de qualidade duvidosa, como os laterais Douglas e Wellington Saci e o meia Marcelo Costa. No entanto, depois da pressão inicial, o Esmeraldino aos poucos foi conseguindo ameaçar o gol de Deola com sua dupla Otacílio Neto e Rafael Moura. O último acertou um belo chute que bateu no travessão do Palmeiras.

Se a bola de Rafael Moura teve como destino o travessão, aos 33 minutos o alviverde paulista teve mais pontaria. Após receber um lançamento de Edinho, Luan avançou até a área, desviou-se de um zagueiro e chutou. A bola ainda resvalou nos dedos de Harlei antes de parar no fundo da rede. Palmeiras 1 a 0.

Os palmeirenses seguiam à risca o verso do hino do clube que aparecia num mosaico - "Torcida que canta e vibra" - e faziam festa no Pacaembu. Dentro de campo, o time de Luiz Felipe Scolari demonstrava serenidade para manter a vantagem. Mas, nos acréscimos, o Goiás reencontrou-se com a possibilidade de chegar à final da Copa Sul-Americana. Primeiro, com uma cobrança de falta de Marcelo Costa que parou no travessão. A zaga rechaçou, mas Rafael Moura recuperou a bola e fez um cruzamento. A jogada terminou numa cabeçada de Carlos Alberto que desviou em Tinga antes de entrar no fundo da rede de Deola. Aos 47 minutos, Palmeiras e Goiás iam para o intervalo com o empate em 1 a 1.

Na volta para o segundo tempo, o Palmeiras sentiu. Não a alteração do treinador do Goiás, Artur Neto, que tirou o lateral-direita Douglas para colocar em campo o atacante Felipe. Mas lidou com o empate do Esmeraldino no último momento da primeira etapa como se fosse algo inesperado, inimaginável. E a sensação de que seu favoritismo estava ainda mais ameaçado (se sofresse um gol, estaria desclassificado da Copa Sul-Americana pelo critério "gol marcado fora de casa") atou os pés dos jogadores palmeirenses.

Os chutes a gol ficaram cada vez mais escassos, e quando vieram, como nos dois chutes de Kléber, saíram sem qualquer direção. Enquanto isto, os goianos se apresentavam com mais frequência, graças aos contra-ataques originados por erros palmeirenses. Por duas vezes, Otacílio Neto chutou ao gol, e obrigou Deola a fazer grande defesa.

Luiz Felipe Scolari tentou dar mais poder ofensivo à equipe, trocando o meia Lincoln pelo atacante Dinei. Mas a substituição revelou-se equivocada. Sem Lincoln, o Palmeiras perdia um pouco do seu poder de armar jogadas, e Dinei apenas se juntava a Luan e Kléber na esperança de chegarem novas oportunidades de gol.

O Palmeiras errava. E um erro foi crucial aos 38 minutos. Márcio Araújo se atrapalhou na defesa e permitiu que Marcão avançasse pela lateral. Da linha de fundo, o jogador cruzou para a área. Rafael Moura conseguiu cabecear para o lado onde estava Ernando. Livre de marcação, o zagueiro desviou a bola de cabeça para o fundo da rede. O "azarão" da noite colocava em xeque o favoritismo palmeirense, com o mesmo placar de 2 a 1 que passou por outros grandes estádios brasileiros.

Com a mudança no placar, os treinadores agiram de acordo com o contexto de cada equipe. Artur Neto tirou o atacante Otacílio Neto e reforçou o setor defensivo do Goiás, colocando em campo o volante Jonílson. Felipão trocou o meia Tinga pelo meia-atacante Ewerthon. Mas a serenidade em verde e branco agora estava do lado do time goiano, que se encolheu bem na defesa e deixou o Palmeiras ser derrotado por seu próprio desespero.

Desespero que culminou numa grande frustração para a torcida do alviverde paulista - e não só por ver a vaga para a final da Copa Sul-Americana escorrer pelos dedos. O Palmeiras termina de maneira melancólica um ano que começou com uma campanha pífia no Campeonato Paulista, teve uma eliminação lamentável na Copa do Brasil (diante do Atlético Goianiense, nos pênaltis, após desperdiçar quatro de uma série de cinco penalidades máximas) e passou bem longe do título do Campeonato Brasileiro. A ironia final pode acontecer no domingo: caso a equipe vença o Fluminense na Arena Barueri e o Corínthians derrote o Vasco no Pacaembu, os arquirrivais corintianos se aproximarão da conquista do Brasileirão de 2010.

Além da raça, da dedicação e da seriedade, a equipe do Goiás mostrou o desejo de reescrever sua história. Com a trajetória maculada por um rebaixamento para a Série B, o Esmeraldino agora cria forças para chegar a grandes sonhos dos clubes nacionais. O primeiro deles é conquistar a Copa Sul-Americana, que seria seu primeiro grande título internacional - seu adversário na decisão será o vitorioso do duelo entre o argentino Independiente e o equatoriano LDU (a LDU venceu o primeiro jogo, em Quito, por 3 a 2). O segundo é conseguir uma vaga na Taça Libertadores da América, que a Sul-Americana dará a seu campeão.

Mas o Goiás que enfrentou o Palmeiras em 24 de novembro de 2010 já ficou marcado na história. Graças a ele, o Pacaembu teve seu episódio de um time favorito ser derrubado com uma derrota por 2 a 1. E mais um estádio brasileiro se tornou pano de fundo da grande lição do futebol: favoritismos existem para serem derrubados.


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PALMEIRAS 1 x 2 GOIÁS

Estádio: Pacaembu (São Paulo / SP).

Público: 34.296 presentes / Renda: R$ 711.429,00.

Árbitro: Héber Roberto Lopes (BRA) / Auxiliares: Altemir Hausmann (BRA) e Alessandro Rocha (BRA).

Gols: Luan, aos 33 minutos, e Carlos Alberto, aos 47 minutos do primeiro tempo. Ernando, aos 38 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Douglas, Marcão e Carlos Alberto (Goiás).

PALMEIRAS - Deola, Márcio Araújo, Danilo, Maurício Ramos e Gabriel Silva; Edinho, Marcos Assunção, Tinga (Ewerthon) e Lincoln (Dinei); Luan e Kléber. Técnico: Luiz Felipe Scolari.

GOIÁS - Harlei, Rafael Tolói, Ernando e Marcão; Douglas (Felipe), Carlos Alberto, Amaral, Marcelo Costa e Wellington Saci; Otacílio Neto (Jonílson) e Rafael Moura. Técnico: Artur Neto.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O pé da experiência



Em meio a tantos passos e passes errados do Palmeiras no ano de 2010, pelo menos um pé acertou em cheio na equipe. O veterano Marcos Assunção se tornou o grande jogador da temporada palmeirense, graças a suas cobranças de falta fantásticas e a bons lances de bola parada que geraram gols do time do Palestra Itália.

Desde a frustração de não chegar à Taça Libertadores da América após liderar o Brasileiro de 2009 por muitas rodadas, o Palmeiras parecia desencontrado, em especial depois da saída de Muricy Ramalho e da questionável passagem de Antônio Carlos Zago.

Depois, a tábua da salvação atendia pelo nome de Luiz Felipe Scolari. Felipão chegou, mas os resultados continuaram a vir de maneira minguada. Até Marcos Assunção chamar a responsabilidade e, honrando sua experiência, contribuir para que o Palmeiras ao menos tivesse um fim de ano sem grandes dissabores.

E, contra o Goiás, mais uma vez, o volante foi decisivo para que o Palmeiras prossiga sua caminhada na Copa Sul-Americana. Com a vitória por 1 a 0 no Serra Dourada, o alviverde paulista joga em São Paulo com mais tranquilidade, contra um time que tecnicamente é mais fraco e que não tem a seu lado as boas oportunidades dadas por cobranças de falta de Marcos Assunção.

Por mais que reclamem da idade avançada de alguns jogadores, há atletas que sabem fazer valer sua idade em prol da equipe que estão atuando. É o caso de Marcos Assunção, que em 2010 fez uma temporada bem mais importante do que muitos jovens que passaram pelo Palmeiras.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Brasil em verde





A parte brasileira na Copa Sul-Americana ganhou um tom verde após os dois confrontos deste meio de semana. Em São Paulo, o Palmeiras eliminou o Atlético Mineiro com uma vitória por 2 a 0. No Ressacada, o Goiás surpreendeu o Avaí com uma vitória por 1 a 0, suficiente para prosseguir seu caminho na competição.

Como o campeão está classificado para a Taça Libertadores da América, ambas as equipes podem compensar um ano que se desenha como perdido. Com decepções que podem ser mais amargas para o time goiano, que se vê cada vez mais próximo da zona de rebaixamento.

O mau desempenho do Goiás teve início ainda no Campeonato Goiano, quando a equipe ficou por algumas rodadas em último lugar e, depois de se recuperar, caiu a ponto de não ir nem para a final contra o Atlético Goianiense. No Campeonato Brasileiro, o martírio se estende a cada rodada, mesmo com incessantes trocas de treinadores. E a derrota por 4 a 1 para o lanterna Grêmio Prudente ainda não foi suficiente para eliminar matematicamente o descenso. Mas, psicologicamente, a equipe sofreu um abalo emocional.

O Palmeiras também teve um Campeonato Paulista extremamente desanimador, com o período frustrante sob o comando de Muricy Ramalho e a incerteza de ter como técnico o inexperiente Antônio Carlos Zago. O clube abriu os cofres, trouxe de volta ao país o treinador Luiz Felipe Scolari e fez a torcida ficar à espera de novos e vitoriosos rumos. Entretanto, Felipão não teve à sua disposição um elenco de qualidade, o que comprometeu seu trabalho. No Brasileirão, os palmeirenses também brigam por uma vaga na Libertadores - mas ela parece estar bem mais próxima através da Copa Sul-Americana.

Diante de suas últimas fichas no ano de 2010, Palmeiras e Goiás prometem fazer um duelo de muito empenho, em busca de dar alegria a seus torcedores - tanto para este ano como na expectativa pela vaga na Taça Libertadores da América de 2011. Neste confronto de alviverdes, nenhum deles vai querer que o branco se sobressaia.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O segundo raio?



No ano passado, o Fluminense chegou à reta final do Campeonato Brasileiro nas últimas colocações, com mais de 90% de probabilidade de cair para a Série B em 2010. Entretanto, numa arrancada sensacional, conseguiu se manter na Série A do Campeonato Brasileiro. Sem dúvida, graças à campanha que o tricolor das Laranjeiras fez na Copa Sul-Americana - competição na qual chegou à final, quando foi derrotada pela equipe equatoriana da LDU.

Na Sul-Americana deste ano, três dos quatro clubes brasileiros estão na zona de rebaixamento - Avaí, Atlético Mineiro e Goiás. E o esmeraldino goiano conseguiu ser uma grata surpresa em sua primeira disputa internacional no torneio. Após vencer por 1 a 0 no Serra Dourada, a derrota por 3 a 2 para o Peñarol no território uruguaio levou o time à fase seguinte, na qual vai jogar contra o vencedor de Avaí e Emelec, do Equador (a segunda partida será realizada amanhã).

A equipe goiana vem oscilando no Brasileirão, e mesmo nas partidas em que sai derrotada, demonstra bastante raça e disposição. Mesmo contexto do Fluminense em 2009. É bem verdade que, enquanto o tricolor carioca tinha nomes como Conca e Fred, hoje o Goiás tem jogadores de qualidade inferior a esta dupla, como Bernardo e Felipe. No entanto, com os resultados aparecendo na Copa Sul-Americana, certamente os jogadores ficarão mais estimulados para a reta final do Campeonato Brasileiro.

No novo contexto da competição nacional - em que a quarta vaga pode ser cedida ao vencedor da Sul-Americana - o torneio da América do Sul corre o risco de ganhar uma dimensão mais atípica aos olhos da lógica do futebol. Um frequentador constante do Z-4 corre o risco de desbancar uma das melhores equipes do Campeonato Brasileiro. Pelo visto, o futebol brasileiro vai ficar muito atento à possibilidade de tempestades em ambas as competições. Para que a chance de cair um segundo raio na Copa Sul-Americana e no Campeonato Brasileiro seja afastada de vez.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Nada será como antes



A excelente iniciativa de valorizar a Copa Sul-Americana, concedendo uma vaga na Taça Libertadores da América ao campeão do outro torneio entre clubes da América do Sul, degringolou para uma polêmica sem fim. Com a nova determinação da Conmebol, times brasileiros terão de torcer por um insucesso de seu compatriota na Sul-Americana.

A Confederação Brasileira de Futebol conseguiu reverter a ideia original da entidade sul-americana - de que a quarta vaga no Campeonato Brasileiro ficaria de fora, porque o campeão da Taça Libertadores da América de 2010 é brasileiro (o Internacional). No entanto, a volta do G-4 só ficará sacramentada se o Brasil não tiver um vencedor na Copa Sul-Americana.

O time que estiver em quarto lugar no Brasileirão ainda precisará de alguns dias para saber seu planejamento para o ano seguinte - um investimento pesado na formação de elenco para a maior competição sul-americana, ou uma preparação para disputar competições às quais não vale a pena gastar demais, devido ao pouco retorno. É justo que os clubes tenham de ficar à mercê da confusão de regulamentos?

Com o novo panorama criado pela Conmebol, ficar no meio da tabela é bem mais interessante do que disputar uma Taça Libertadores da América e perder. Ficando entre a quinta e a décima-segunda colocação do Campeonato Brasileiro, o time tem três caminhos para conseguir vaga na Libertadores - a Copa do Brasil, o Campeonato Brasileiro e a Copa Sul-Americana. A equipe eliminada da maior competição da América do Sul tem seu caminho de volta no ano seguinte restrito ao Brasileirão.

A melhor alternativa seria tirar uma vaga dos clubes mexicanos. As equipes do México disputam a Taça Libertadores da América como convidadas, e mesmo que uma delas seja campeã, não pode disputar o Mundial de Clubes no fim do ano. A diplomacia entre as confederações é mais importante do que dar igualdade a todos os clubes da América do Sul?

A única certeza que fica é de que nada será como antes na organização da Libertadores. E a tática da politicagem continua a ser a grande vencedora nas decisões políticas da Conmebol.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Recompensa a longo prazo



Na postagem de 12 de agosto de 2009, O tempo e o placar... dedicou as seguintes linhas sobre a Copa Sul-Americana (que, naquele dia, traria um Flamengo e Fluminense, válido pela primeira fase): "Pobre Copa Sul-Americana... Criada para se tornar mais uma chance de encontro de clubes da América do Sul, ela acaba sendo mal tratada de acordo com a conveniência do futebol brasileiro. Num ano, um time vibra com o ingresso à competição, e no outro, amaldiçoa a disputa e a esvazia, usando equipes reservas".

Pois bem. A Copa Sul-Americana subiu de valor a partir deste ano, após a Conmembol definir que o vencedor terá direito a uma vaga na Taça Libertadores da América. Um grande salto, essencial para dar ao torneio uma utilidade maior do que a melhora nas finanças de um clube. Entretanto, esta mudança brusca acabou limitando os melhores do Campeonato Brasileiro do ano anterior.

Quatro primeiros colocados do Brasileirão do ano passado, Flamengo, Internacional, São Paulo e Cruzeiro terão neste ano apenas mais uma possibilidade de chegar à competição sul-americana no ano que vem - o Campeonato Brasileiro de 2010. Enquanto isto, equipes que em 2009 ficaram entre o 5º e o 13º lugar (o Corínthians, que ficou em 10º, estava na Libertadores por causa da conquista da Copa do Brasil) ganharam uma possibilidade a mais para chegar à glória de ser o maior time da América do Sul.

Palmeiras, Avaí, Atlético Mineiro, Goiás, Grêmio Prudente (antigo Grêmio Barueri), Santos e Vitória da Bahia se tornaram os primeiros clubes brasileiros a ter mais do que o consolo de entrar num torneio sul-americano outrora considerado de segundo escalão. Agora, a Copa Sul-Americana é uma competição com boa recompensa a longo prazo. Se a campanha no Brasileirão foi aquém do esperado num ano, ao menos fica a compensação de ter um caminho a mais para entrar na Taça Libertadores da América dois anos depois.

Na primeira edição que une as cifras financeiras à possibilidade de um status internacional, será que finalmente a Copa Sul-Americana vai ser digna de relevância aos olhos sul-americanos? Bom, pelo menos a esperança é de que os times brasileiros entrem com força máxima desde o início da competição. Finalmente.

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Partidas brasileiras na primeira fase da COPA SUL-AMERICANA

4/8 e 11/8 - Grêmio Prudente x Atlético Mineiro

5/8 e 12/8 - Goiás x Grêmio

11/8 e 19/8 - Vitória da Bahia x Palmeiras

12/8 e 18/8 - Santos x Avaí

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

ANÁLISE DE QUARTA - Noite de frases feitas




Jogo de hoje: Botafogo 1 x 3 Cerro Porteño (Engenhão, Copa Sul-Americana)

Na noite em que o Botafogo se despediu da Copa Sul-Americana, os 15 mil torcedores presentes no Engenhão viram um futebol repetitivo e 90 minutos com um desfecho previsível. E o pior: no 3 a 1 para o paraguaio Cerro Porteño, o time fez uma exibição cercada de frases feitas.

Diante de um adversário visivelmente recuado, o Botafogo se lançou ao ataque. No entanto, além de um claríssimo erro de posicionamento - o atacante Reinaldo ia buscar a bola no meio-de-campo, enquanto o meia Renato fazia o papel de atacante, desviando cruzamentos com perigo para o goleiro Barreto - o time demonstrava muita afobação. E o empate sem gols nos primeiros 45 minutos confirmavam que "a pressa é a inimiga da perfeição".

Logo nos primeiros 20 segundos da etapa final, o alvinegro carioca teve sua chance mais clara, quando Renato lançou André Lima. Diante do goleiro, o atacante isolou a bola, em vez de "fazer o feijão com arroz" que a torcida espera de um artilheiro. Os botafoguenses seguiram pressionando, mas esbarraram em uma frase feita corriqueira no futebol: "quem não faz, leva". A zaga botafoguense falhou e permitiu lançamento de Irrizábal para a área. Nuñez cabeceou para o fundo da rede de Jefferson.

O técnico Estevam Soares tentou mudar a situação da partida, colocando os atacantes Victor Simões e Jobson nos lugares do lateral Gabriel e do meia Renato, respectivamente, ignorando a ideia de que "quantidade não é sinônimo de qualidade". Precisando sair da área para buscar as jogadas, os dois eram facilmente neutralizados e não passavam nem perto do gol. O companheiro de ataque, André Lima, continuava a desperdiçar oportunidades, levando a torcida ao desespero.

Mas, "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura", e Jobson iniciou uma ótima arrancada na direita, passou por dois defensores e serviu André Lima. Com tranquilidade, o atacante marcou o gol de empate, aos 27 minutos. As coisas pareciam melhorar no panorama botafoguense, mas logo em seguida veio um grande golpe. Alessandro esqueceu-se de que "cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém" e perto da linha que divide o gramado, deu um carrinho criminoso no lateral Cardozo. O lateral foi expulso e saiu de campo hostilizado pelos botafoguenses.

Nem mesmo a troca do sonolento Jônatas por Rodrigo Dantas surtiu efeito - o meia entrou desatento na partida e só foi notado com a sucessão de passes errados. Passivo diante da marcação paraguaia, o Botafogo mal sentiu dor quando o Cerro Porteño "deu o tiro de misericórdia", com gols de Irrizábal, aos 43, e Cáceres, aos 46 minutos do segundo tempo.

Certamente, a eliminação do alvinegro para os paraguaios vai ser explicada por uma frase feita criada por Stanislaw Ponte Preta algumas décadas atrás: "tem coisas que só acontecem ao Botafogo". Só que torcida, diretoria, técnico e, em especial, os atletas, deveriam tentar fugir das desculpas previamente montadas. É lamentável ver a Estrela Solitária que consagrou o imprevisível Garrincha nas décadas de 60 e 70 ser apagada por jogadores que são meros "lugares-comuns".

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Análise de quarta - Tá ruim, mas tá bom



Jogo de hoje: Cerro Porteño (PAR) 2 x 1 Botafogo (Estádio General Pablo Rojas, em Assunção, Copa Sul-Americana)

Como não bastasse o desprezo das equipes brasileiras na fase de confrontos nacionais da Copa Sul-Americana, e parece que alguns clubes continuam jogando para cumprir tabela em um campeonato que deveria ter somente decisões. Foi assim com o Botafogo, que na partida de ida das quartas-de-final da competição, foi ao Estádio General Pablo Rojas, em Assunção, e saiu de lá com uma derrota por 2 a 1 para o Cerro Porteño.

Se os titulares botafoguenses já formam uma equipe limitada, a mescla com os reservas tornou o Botafogo ainda mais fraco para enfrentar o também fraquíssimo Cerro Porteño. Mas os paraguaios exerciam bem o papel de mandantes da partida, e alçavam muitas bolas na área alvinegra. Numa delas, um bate e rebate iniciado por Nanni (que estava impedido) e teve participação de Irrazabal achou Recalde livre para marcar, aos 33 minutos. Único bom momento em 45 minutos de futebol rasteiro.

A segunda etapa trouxe um jogo mais movimentado. Os alvinegros tiveram lampejos de bom futebol e Reinaldo, aos 12, empatou a partida (em mais um gol polêmico, pois a bola teria resvalado propositalmente no braço do camisa 7). O empate em 1 a 1 parecia o início de uma jornada heroica do mistão botafoguense, mas a expulsão de Léo Silva comprometeu a atuação do time na noite paraguaia.

Acuado e sem chance de conseguir reação, o Botafogo se preocupava em não perder, e o Cerro Porteño continuava criando jogadas perigosas. E a nove minutos do fim, mais uma vez um lance com Nanni se tornou polêmica desfavorável para o time carioca. O jogador foi puxado na área, e o árbitro, além de marcar pênalti, expulsou o zagueiro Emerson (que não tinha cartão amarelo). Nanni converteu a cobrança. Nos últimos minutos, o Cerro teve chances de ampliar a vantagem, mas novamente o goleiro Jefferson foi o melhor com a camisa alvinegra.

Um resultado que certamente não foi considerado totalmente negativo aos olhos de jogadores, treinador, dirigentes e até da torcida do Botafogo. Afinal, uma vitória simples dá a vaga ao time alvinegro, e desta vez a tendência é escalar mais jogadores titulares. Enquanto isto, a Copa Sul-Americana perde em qualidade e credibilidade, pois o estigma de tirar o pé do acelerador continua mesmo depois da fase inicial.

A derrota do Botafogo por 2 a 1 para o Cerro Porteño pareceu mais um "risco calculado" de Estevam Soares: alguns titulares foram poupados para o próximo confronto da equipe no Campeonato Brasileiro, o clássico diante do Flamengo no Engenhão. Com a surpreendente vitória por 2 a 0 do Santo André sobre o líder Palmeiras, momentaneamente os botafoguenses estão na zona de rebaixamento. A torcida do Botafogo espera que a derrota de hoje seja compensada com a vitória de domingo. Caso contrário, todos os cálculos da Sul-Americana terão sido desnecessários para seguir na corrida do Brasileirão. Copa Sul-Americana? Tá ruim, mas tá bom!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Análise de quarta - Os dois rumos da vitória



Jogo de hoje: Botafogo 3 x 2 Atlético Paranaense (Engenhão, pela Copa Sul-Americana)

Foram 45 dias de agonia, e finalmente o Botafogo saiu de campo com a boa notícia de uma vitória. A notícia desagradável é que o jogo vale pela Copa Sul-Americana, e foi sobre um Atlético Paranaense que, além de ser bem limitado, poupou quatro titulares. O triunfo por 3 a 2 foi fundamental para o time de Estevam Soares (pela primeira vez saindo como vencedor de uma partida como treinador alvinegro), e agora tem o desafio de lidar com o fato de ter passado de fase no torneio internacional.

O primeiro tempo do Engenhão parecia trazer um roteiro típico do Botafogo no Campeonato Brasileiro. Lampejos de futebol de ambos os lados, até que a limitação técnica botafoguense fez a diferença aos 32 minutos. Wesley passou com tranquilidade por Alessandro e deu um belo chute para abrir o placar. A vantagem rubro-negra parecia consolidada na primeira etapa quando, numa das muitas tentativas atabalhoadas do ataque do Botafogo, Reinaldo sofreu pênalti de Bruno Costa. Lúcio Flávio converteu a cobrança, no minuto final.

O empate fez o Botafogo voltar melhor no segundo tempo, ainda mais que o empate com gols classificava o Atlético Paranaense. Depois de algumas jogadas "atrapalhadas" pelas limitações de André Lima e pela visível falta de condições de jogo de Reinaldo, o gol da virada alvinegra aconteceu. Em um bate e rebate na área, a bola sobrou para Gabriel. O chute do lateral saiu mascado, e a bola entrou mansamente no gol de Gallatto, aos 14 minutos.

Mais uma vez, o time botafoguense se encolheu, ansiando pela possibilidade de finalmente sair de campo com uma vitória. A defesa parecia eficiente (em especial pelas limitações do ataque atleticano). Mas a nove minutos do fim, veio uma das "coisas que só acontecem ao Botafogo". Um chute fraco de Nei na direita entrou no gol em falha clamorosa do goleiro uruguaio Castillo, empatando novamente a partida.

Mas, dois minutos depois, Wellington encerrou este calvário alvinegro, desviando de cabeça para o gol uma falta cobrada por Lúcio Flávio. A vitória por 3 a 2 não só classifica o Botafogo para jogar contra o uruguaio Emelec na próxima fase, como também promete tirar um peso dos ombros dos 11 atletas que vestem a camisa da Estrela Solitária.

A equipe alvinegra chega, então, ao dilema desta vitória. Sim, a autoestima parece ter voltado aos ares de General Severiano, e o time de Estevam Soares pode ter uma expectativa bem maior para o decorrer das rodadas do Campeonato Brasileiro. No entanto, o fato de conseguir vencer novamente não pode deixar os jogadores deslumbrados, na crença de que nas próximas partidas as vitórias acontecerão facilmente. Passada a agonia, a hora é de manter os pés no chão e controlar a euforia para se manter na Série A do Campeonato Brasileiro.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

ANÁLISE DE QUARTA - Sabor muito mais amargo



Jogo de hoje: FLAMENGO 1 x 1 FLUMINENSE (Copa Sul-Americana)

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O primeiro duelo entre Flamengo e Fluminense numa competição internacional teve fim melancólico na noite de ontem no Maracanã. Após uma primeira partida com empate sem gols, o 1 a 1 foi até mais do que as equipes cariocas mereciam ontem. Melhor para o tricolor das Laranjeiras, que tinha como vantagem o empate com gols para se classificar na Copa Sul-Americana.

De um lado, um Flamengo desfalcado (que ficou ainda mais desfigurado quando o atacante Emerson saiu por sentir um problema muscular logo aos 20 minutos de partida). Do outro, um Fluminense que é hoje último colocado do Campeonato Brasileiro. Isto explica a presença de somente 12 mil pessoas naquele que um dia foi chamado de "Clássico das Multidões". Em especial, por se tratar de um torneio completamente desprestigiado pelos clubes brasileiros - a não ser como desculpa para reclamar da árdua sequência de jogos.

O jogo estava tão sonolento que, nos acréscimos, o árbitro chileno Carlos Chandia enxergou falta num lance no qual Kieza se projetou quando Ronaldo Angelim partiu para a dividida. Como a falta aconteceu sobre a linha da grande área, foi marcado pênalti. Roni fuzilou as redes de Bruno e fez o primeiro tempo acabar com vantagem tricolor.

Com o time precisando fazer dois gols, Andrade lançou o Flamengo no ataque, enquanto Renato Gaúcho mantinha seu esquema de retranca, fazendo a torcida tricolor vibrar a cada chutão de seus jogadores. Mas, aos 19 minutos, a zaga trairia o Fluminense. Dênis Marques fez boa jogada na meia-lua, e se preparava para um chute bisonho, se ela não desviasse no lateral João Paulo. 1 a 1.

Agora sim, o Fluminense iria se recuar ainda mais. Enquanto isto, o rubro-negro perdia uma sucessão de oportunidades de jogada (sim, porque tropeçava nas próprias pernas antes mesmo de chegar ao gol de Rafael), e deixava espaço para os contra-ataques tricolores. Numa cobrança de falta, Kieza teve um gol bem anulado, por impedimento.

E duas jogadas rápidas dos atacantes do Fluminense causaram prejuízo ao Flamengo. Aos 37 minutos, Kieza ia em direção ao gol quando foi derrubado por David. Ele tomou seu segundo cartão amarelo da noite, e deixou o rubro-negro com um a menos em campo. Mas o tricolor perdera seu poder de fogo, pois Conca saíra machucado logo em seguida. Nos últimos minutos - e nos seis de acréscimo - o time continuou a aceitar a pressão flamenguista, até mesmo depois dos 48 minutos, quando Fierro foi expulso após falta em Alan.

Mas a pressão rubro-negra foi insuficiente. Embora o empate seja um resultado corriqueiro em clássicos, o técnico Andrade sabe que no contexto dos dois clubes e, principalmente, no cenário no qual se encontra o Flamengo, o sabor de derrota ainda ficou mais amargo. Não pela eliminação na Copa Sul-Americana (os clubes brasileiros se acostumaram a fazer figuração nela), mas pela crise que continua a pairar sobre a Gávea. O urubu pode começar a fazer suas vítimas em breve.

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BOLA PRO MATO


Inadmissível a bandalha que aconteceu no vestiário da Portuguesa anteontem, quando, depois da derrota por 2 a 1 para o goiano Vila Nova, no Canindé, quatro pessoas armadas invadiram o vestiário e ameaçaram jogadores. A torcida tem direito a protestar, mas na arquibancada. Invasão do local de trabalho e intimidação não vão fazer com que os atletas consigam ter melhor desempenho em campo.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Prêmios ou desconsolos



Tem início na noite de hoje o momento mais contraditório do calendário do futebol brasileiro. A Copa Sul-Americana entra em sua primeira fase, e nesta nova edição prossegue com o erro de planejamento dos times do país.

Ao final do Campeonato Brasileiro do ano anterior, equipes nacionais (em especial as que ficaram entre o nono e o décimo-segundo lugar) vibraram com a classificação para a competição internacional. Mas hoje, os mesmos times reclamam do calendário e prometem escalar times mistos, em virtude da "maratona" de jogos do Brasileirão.

Um dos clássicos mais charmosos do futebol, Flamengo e Fluminense ficará esvaziado na noite de hoje. Afinal, o time treinado por Renato Gaúcho segue em penúltimo lugar na competição nacional, e não pode se dar ao luxo de usar a força máxima em dois torneios. Com isto, o rubro-negro carioca também deve levar a campo um time cercado de reservas.

Fica a dúvida: o futebol é um negócio. A Copa Sul-Americana aumenta seus valores a cada passagem de fase dos clubes participantes. Então por que deixá-la de lado? Se ela é uma pedra no sapato, qual a razão de um time que outrora brigava pelo rebaixamento no ano anterior comemorar a classificação para um torneio, se no ano seguinte ela pode atrapalhar planos de treinadores?

Pobre Copa Sul-Americana... Criada para se tornar mais uma chance de encontro de clubes da América do Sul, ela acaba sendo mal tratada de acordo com a conveniência do futebol brasileiro. Num ano, um time vibra com o ingresso à competição e no outro, amaldiçoa a disputa e a esvazia, usando equipes reservas.

E o primeiro Fla-Flu num torneio internacional acaba vazio aos olhos de torcedores de todo o continente americano. Mas, ao contrário do que tenta mostrar o técnico Renato Gaúcho, a culpa disto vem do lado tricolor, que não consegue fazer o Fluminense estar bem a ponto de se manter atuando em dois torneios simultâneos.

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BOLA PRO MATO

O Vasco realizou ontem uma partida digna de Segunda Divisão. Pouquíssima qualidade técnica, muita luta de ambos os lados, e o empate em 2 a 2 fora de casa diante do América em Natal surgiu como um bom resultado. Embora a chance de ser líder do torneio tenha escapado, o time precisa mesmo deixar de lado o ideal de ser o campeão da Série B. A prioridade de 2009 é subir.