sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Descanso para as canelas



O técnico Vanderlei Luxemburgo fez um grande favor para o futebol brasileiro ao afastar o zagueiro Domingos. Durante os treinos, o jogador deu uma entrada violenta que machucou o goleiro santista Rafael.

Por mais que o Santos não esteja bem no Campeonato Brasileiro, Vanderlei mostrou superioridade em relação às atitudes de Vágner Mancini. Na semifinal do Campeonato Paulista, o técnico fez Domingos entrar em campo somente com a intenção de expulsar o jogador Diego Souza, do Palmeiras. O zagueiro provocou o meia palmeirense e os dois trocaram socos e pontapés, manchando o que seria uma partida emocionante.

Em vez de reservar vaga para botinudos em seu time, Vanderlei poupou as canelas de seus atletas e dos demais jogadores do país. Lamentavelmente, por um motivo bem crucial: quando Luxemburgo sentiu na própria carne as consequências de empregar Domingos. Foi preciso machucar seu próprio atleta para perceber os males de um zagueiro com tamanha ausência de bom senso no futebol.

A esperança fica para que jogadores como Domingos saiam de cena gradativamente no futebol brasileiro. Será um benefício para torcedores e, em especial, para os jogadores.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

ANÁLISE DE QUARTA - Festa completa



Jogo de hoje: Brasil 4 x 2 Chile (Pituaçu, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo)

O Estádio Pituaçu foi cenário de uma festa completa da Seleção Brasileira. Durante os 90 minutos, passaram pelo estádio festejos do povo baiano, bela exibição do Brasil e até a participação de jogadores que destoaram e quiseram estragar a festa. No fim das contas, vieram mais três pontos para o time de Dunga.

O início foi preocupante. Classificado antecipadamente para a Copa do Mundo de 2010, o Brasil abusava das tentativas de fazer estripulias para a plateia baiana. Muito toque de calcanhar, muito drible que ligava o nada ao lugar nenhum. E alguns sustos do (bom) time chileno.

Quando a seriedade decidiu entrar em campo, a Seleção Brasileira fez dois gols. O primeiro quando Nilmar aproveitou com um chute certeiro o cruzamento de Daniel Alves (surpreendentemente, escalado no meio-de-campo), aos 31 minutos. E o segundo aos 40, quando Nilmar roubou a bola de um defensor chileno e entregou para Daniel Alves. Ele achou Júlio Baptista livre para marcar.

O placar parecia confirmado quando dois jogadores decidiram deixar a festa verde e amarela mais emocionante. André Santos permitiu a passagem de Sanchez na área e Felipe Melo cometeu um pênalti bobo. Suazo converteu a cobrança e diminuiu a vantagem brasileira.

Mas o temor do Brasil ficaria ainda pior no início do segundo tempo. O mesmo Felipe Melo deu uma entrada desleal em Sanchez e deixou o Brasil em desvantagem numérica aos quatro minutos. Aos sete, Suazo acertou belíssimo chute para fazer o gol de empate.

Os chilenos pareciam mais próximos da virada quando Nilmar decidiu garantir que a festa seria brasileira - e por duas vezes. Em ambas, aproveitando jogadas de Maicon (um cruzamento no terceiro gol e um rebote do goleiro Bravo no último). Com três dos quatro gols da Seleção Brasileira, o jogador do Villareal mostrou que tem futebol para uma Copa do Mundo. E, neste momento, tem chance até de barrar Robinho. Seu companheiro de ataque, Adriano, é que ainda tem muito o que mostrar para merecer uma convocação.

O 4 a 2 sobre o Chile garantiu a primeira colocação nas Eliminatórias da Copa do Mundo. Mas comprovou que a festa brasileira só vai acontecer quando o Brasil resolver jogar com seriedade.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Bola pra frente





Apesar de a imprensa especular que a partida contra o Chile hoje se esvaziou com a classificação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2010, para a dupla de ataque a partida em Salvador será decisiva. Com as ausências de Robinho (contundido) e Luís Fabiano (suspenso pelo terceiro cartão amarelo), a dupla de ataque formada por Nilmar e Adriano tem hoje a chance de pelo menos garantir presença dentre os convocados do ano que vem.

Cada um tem de conquistar a vaga por um caminho diferente. Depois de muitos altos e baixos na carreira, o Imperador precisa mostrar a Dunga que tanto ele quanto seu futebol voltaram e são dignos de uma Seleção Brasileira. Um dos grandes craques do país, Nilmar ainda não teve tão boas atuações com a camisa amarela. Hoje é uma grande chance para despontar, afinal, em um ataque com Luís Fabiano e Robinho, quando virá uma nova chance de ser titular?

O jogo fica mais atrativo porque o Chile não está classificado matematicamente para a Copa do Mundo, e certamente daria moral para a seleção chilena terminar as eliminatórias à frente do Brasil. Em especial depois que a Seleção Brasileira derrotou os chilenos por 3 a 0 em Santiago.

Para Nilmar e Adriano, serão 90 minutos de decisão. Então, bola pra frente, e que venha uma boa vitória do Brasil logo mais.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Mais do que estepes



Novamente, Dunga só olha para os jogadores brasileiros em caso de emergência na lista de sua seleção. Não podendo contar com Lúcio, Kaká, Ramires e Luís Fabiano, suspensos, e Robinho, contundido , o treinador garimpou em clubes brasileiros seus reservas imediatos. O zagueiro André Dias (do São Paulo), os meias Cleiton Xavier e Diego Souza (ambos do Palmeiras) e o atacante Diego Tardelli (do Atlético Mineiro) chegaram à Seleção Brasileira obviamente porque eles estão no momento mais perto do que as apostas mirabolantes achadas no exterior.

Provavelmente, nenhum deles terá chance de ser avaliado suficientemente com a camisa da Seleção Brasileira na partida contra o Chile. Os reservas imediatos das posições são o zagueiro Juan, o meia Júlio Baptista e a dupla de ataque formada por Nilmar e Adriano. Para que, então, tirar atletas das equipes que estão nos primeiros lugares do Campeonato Brasileiro se eles só irão para Salvador porque a Seleção Brasileira precisa ter reservas em seu banco?

Se Dunga quer tanto aproveitar o fato de o Brasil já estar na Copa do Mundo de 2010 para experimentar alguns jogadores, talvez fosse hora de dar espaço também para o futebol jogado em gramados nacionais. Em especial depois que um titular evidente que atuava em clube brasileiro (o meia Kléberson, do Flamengo) se contundiu quando defendia as cores da própria Seleção Brasileira.

O quarteto de reservas de última hora provavelmente não chamará tanta atenção dos torcedores em Salvador. Uma pena, pois os titulares dos clubes brasileiros merecem muito mais do que jogar poucos minutos em uma partida de Eliminatórias da Copa do Mundo ppr nossa seleção.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Os extremos aumentam




Nesta vigésima-terceira rodada do Campeonato Brasileiro, os resultados tornaram os dois lados da tabela ainda mais extremos. Enquanto os primeiros vão somando pontos, os que estão na parte de baixo de classificação têm de se apegar aos pontos conquistados nas primeiras rodadas como critério de desempate.

Dentre os quatro primeiros colocados, só o Goiás teve um tropeço na rodada. O empate em 2 a 2 com o Coritiba no Serra Dourada fez o Atlético Mineiro se aproximar depois da virada por 2 a 1 sobre o Santo André.



Também de virada foi o placar construído pelo São Paulo no Mineirão, diante de um Cruzeiro cambaleante na competição. Os são-paulinos seguem em terceiro lugar, ficando atrás somente do Internacional (que conseguiu vencer o surpreendente Avaí por 2 a 0, mesmo com dois jogadores a menos no Ressacada) e do líder Palmeiras, que em novo jogo de camisa azul venceu o Barueri no Parque Antarctica por 2 a 1. A partida marcou a reestreia de Vágner Love, autor de um dos gols da equipe, marcado de pênalti. O outro duelo paulista teve vitória corintiana, por 2 a 1 sobre o Santos no Pacaembu na quarta-feira.



Fazendo companhia ao Santo André seguem dois cariocas e um pernambucano. No confronto de desesperados, o Sport levou a melhor sobre o Botafogo. O alvinegro carioca novamente entrou em campo desconcentrado e levou dois gols em sete minutos. Nem mesmo o gol de Juninho, de falta no início do segundo tempo, serviu para melhorar a atuação do time na Ilha do Retiro. Mesmo com a vitória, o Leão prossegue em penúltimo lugar.



O rubro-negro de Recife só não é pior do que o Fluminense, que na estreia de Cuca, mostrou o futebol com mesmos erros que teve com os técnicos anteriores. Em pleno Maracanã, o time não saiu de um modorrento 1 a 1, que fez com que o Náutico saísse da zona de rebaixamento até a próxima rodada.

Se os extremos aumentaram, a zona de "classificação para a Sul-Americana" (prêmio de consolo para times que apresentam futebol de médio porte) não saiu de um empate. O Grêmio escapou da derrota graças ao gol de Jonas a quatro minutos do fim - depois de Neto Beirola ter aberto o placar no primeiro tempo do Olímpico. E na Arena da Baixada, o futebol passou longe no empate sem gols entre Atlético Paranaense e Flamengo. Comentários sobre este jogo na coluna deste que vos escreve na página eletrônica Almanaque Virtual:

http://almanaquevirtual.uol.com.br/ler.php?id=21019&BRASILEIRAO+%E2%80%93+ATLETICO-PR+X+FLAMENGO:+POBRE+ARENA

Aos poucos, o Campeonato Brasileiro vai mostrando ares de previsibilidade para as próximas rodadas. Resta aos times que estão nas últimas colocações tentarem as superações diante dos extremos da competição.

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O tempo e o placar... traz o que houve de melhor e de pior na vigésima-terceira rodada do Campeonato Brasileiro.

O CHUTAÇO

O lindo gol de ARIEL fez o Coritiba escapar de uma derrota e ficar a dois pontos da zona de rebaixamento. Pelo jeito, ele é o único argentino que saiu de campo satisfeito neste fim de semana.

A FURADA

Sim, é bem verdade que os dois estão mais furados do que queijo suíço pelos comentários de O tempo e o placar... Mas FLUMINENSE e BOTAFOGO não aprendem, e continuam a perder para eles mesmos rodada por rodada. Os dois cariocas seguem firmes rumo à Segunda Divisão de 2010.

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MENÇÃO HONROSA

EVANDRO ROMAN, pelo conjunto da obra na partida do Atlético Goianiense com o Vasco no estádio Serra Dourada. Sua atuação desastrosa prejudicou os vascaínos, com não-marcação de pênalti, permitir sucessivas botinadas do rubro-negro de Goiânia e aceitar passivamente o antijogo do goleiro Márcio. Por mais que o jogo tenha sido pela Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro, ele não poderia ficar de fora da análise da rodada.

domingo, 6 de setembro de 2009

Ponte aérea rumo à África do Sul



O Brasil fez o feitiço de Maradona se virar contra a seleção argentina neste sábado. As provocações dos jogadores e a transferência da partida para Rosário não adiantaram em nada para a Argentina conseguir uma vitória que deixasse a situação menos delicada nas Eliminatórias da Copa do Mundo e desse um pouco de gás para o técnico e seus comandados.

O diferencial da Seleção Brasileira foi mesmo a defesa. Os argentinos se lançaram para o jogo, mas sempre eram neutralizados por Lúcio e Luisão na hora da conclusão. E Luisão ainda deu uma alegria digna dos atacantes, ao aproveitar a cobrança de falta de Elano para colocar a bola no fundo da rede de Abondanzieri, aos 23.

Sete minutos depois, o mesmo Elano foi mais infeliz ao cobrar uma falta, mas quis o destino que ela caísse nos pés de Kaká. O camisa 10 foi até a linha de fundo e Maicon chutou. No rebote do goleiro, Luís Fabiano deixou o Brasil com dois gols de vantagem. O caldeirão de apoio à Argentina se transformou em vaias. O Brasil soube administrar o resultado no restante da primeira etapa.

No segundo tempo, o panorama ganhou ainda mais extremos (parecia ataque contra defesa em determinados momentos), com requintes de dramaticidade. Até Dátolo arriscar de fora da área e jogar a bola à esquerda do goleiro Júlio César aos 20 minutos.

Dois minutos depois, Kaká fez uma boa jogada no meio-de-campo e lançou Luís Fabiano na intermediária. O camisa 9 ganhou na corrida do zagueiro argentino e tocou na saída de Abondanzieri. Era o último gol da noite - 3 a 1.

Beneficiado pelas vitórias da Colômbia e do Peru, o Brasil ainda terminou a rodada classificado antecipadamente para a Copa do Mundo de 2010. Uma noite que começou em Rosário e fez a ponte aérea para o sonho de um novo título na África do Sul.

sábado, 5 de setembro de 2009

Sem olhar pelo retrovisor



A opção argentina em transferir o jogo com o Brasil para a cidade de Rosário não foi nada menos do que uma artimanha para intimidar a Seleção Brasileira, tanto pelo gramado quanto por todo o passado que o estádio traz ao time canarinho. A torcida fica muito mais perto dos torcedores do que em outros gramados da Argentina e também foi nesta cidade que as duas equipes se enfrentaram na Copa do Mundo de 1978.

Aquela partida, válida pela segunda fase da competição internacional, terminou com um empate em 0 a 0 e com um grave resultado para o futebol arte: o ataque brasileiro foi parado constantemente pelas botinas dos argentinos, com a conivência do árbitro húngaro Palotai. Na rodada seguinte, Rosário seria palco da duvidosa classificação dos argentinos para a final do campeonato: duas horas depois da vitória do Brasil por 3 a 1 sobre a Polônia, a seleção argentina goleou por 6 a 0 o Peru, em uma derrota com certa polêmica ao redor, e foi para a final contra a Holanda (para ganhar sua primeira Copa do Mundo).



Com os argentinos se arrastando na briga pela classificação nas Eliminatórias da Copa do Mundo (atualmente, estão em quinto lugar), a solução de Maradona e sua trupe foi transferir o jogo para Rosário recorrendo a um duvidoso artifício: a tradição. A esperança da Argentina é que seus jogadores entrem em campo de braços dados com o passado.

Cabe à Seleção Brasileira pisar em Rosário para o duelo contra a Argentina sem olhar pelo retrovisor. E, assim, permitir que o time de Kaká, Robinho e Luís Fabiano escreva uma nova história neste grande confronto do futebol internacional.