terça-feira, 26 de outubro de 2010

Retrato de um Brasil inofensivo



Os representantes brasileiros na lista de 23 candidatos ao título de melhor jogador do mundo deste ano confirmam o momento atípico que o futebol brasileiro viveu este ano. No concurso da Bola de Ouro entregue pela FIFA, o Brasil apresentou jogadores com características mais ofensivas - como os vencedores Romário, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká. Mas em 2010 o país não trouxe nenhum homem de frente para esta premiação.

Os brasileiros da lista da FIFA são o goleiro Júlio César, da Internazionale de Milão, e os laterais Maicon, também da Inter, e Daniel Alves, do Barcelona. Afinal, na Copa do Mundo, o futebol só parecia ser convincente quando precisava não tomar gols. Em vez de um homem-gol, o Brasil traz o último homem capaz de evitar um gol do adversário. O goleiro Júlio César agora vê sacramentada uma certeza que corre o mundo - de que é um dos melhores do mundo na posição.

Com um futebol sem criatividade, congestionado de volantes e trazendo como meia de características ofensivas um Kaká que vinha de contusão, foram premiados os jogadores que se desdobraram defensivamente e ainda tiveram de fazer o papel ofensivo. Maicon tornou-se uma grande opção de ataque, e Daniel Alves foi deslocado para o meio-de-campo, num improviso mal-sucedido.

Diante deste contexto, como enxergar qualidade na parte ofensiva do Brasil? Em especial porque Robinho e Luís Fabiano pouco podiam fazer isolados na frente. Só restava esperar um erro do adversário para conseguir uma oportunidade de gol.

De qualquer forma, é muito bom para o futebol brasileiro ver seu talento reconhecido também no setor defensivo. Júlio César, Maicon e Daniel Alves são dignos da indicação da FIFA. Mas a ausência de um homem de frente na indicação à Bola de Ouro mostra a imagem que fica do Brasil em 2010: um time inofensivo, meramente retranqueiro. Bem distante do que o torcedor imagina para a Seleção Brasileira.

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