quinta-feira, 12 de março de 2009

Grêmio perde muitos gols, mas sai vitorioso da Colômbia




Tendo como principais adversários a altitude na Colômbia e os erros de conclusão de seus atacantes, o Grêmio saiu do Estádio La Independencia, em Tunja, com uma vitória por 1 a 0 sobre o Boyacá Chicó, em seu segundo jogo pela Taça Libertadores da América. Com o triunfo, a equipe quebrou dois tabus incômodos: pela primeira vez na história do torneio os gaúchos venceram uma partida em território colombiano (antes, tinham sido seis jogos, com um empate e cinco derrotas) e, depois de quatro resultados negativos, o Grêmio voltou a vencer - o que deu sobrevida a Celso Roth no cargo de treinador do tricolor.

Mesmo jogando em território colombiano, o Grêmio começou acuando o Boyacá Chicó em seu campo defensivo. Com um minuto de partida, a zaga do time da Colômbia já tinha necessitado por três vezes rechaçar as tentativas gremistas. Aos quatro, a torcida do time colombiano achou uma forma bem curiosa de provocar a equipe gremista: enquanto sua defesa trocava passes, os torcedores gritavam "olé".

A "tática" parecia ter surtido efeito. No minuto seguinte, Movil entrou na área, mas chutou a bola por cima do gol de Victor. Como um bom confronto sul-americano, a equipe colombiana usou da catimba para tentar prejudicar o time brasileiro - aos 10, Alex Mineiro levou cartão amarelo após uma falta desnecessária.

O Grêmio tentou responder em campo no minuto seguinte: Souza arriscou de fora da área, mas a bola foi por cima do travessão. O Boyacá Chicó respondeu com duas tentativas consecutivas: aos 12, num chute de Pino que obrigou Victor a espalmar para escanteio, e aos 14, em uma bola que passou à direita do gol gremista.

Só que o lance mais perigoso veio da equipe gaúcha: aos 16, novamente, Souza arriscou de fora da área, com seu chute indo rente à trave. Aos poucos, o Boyacá Chicó foi ganhando mais campo, obrigando o Grêmio a se defender extremamente. No entanto, a defesa gremista conseguia evitar que os colombianos chegassem ao gol. A bola que chegou mais perto foi um chute de Pino, que saiu fraquinho, nas mãos de Victor.

Os gremistas pareciam sentir o peso da altitude, em especial os alas Ruy e Fábio Santos, que raramente partiam para o ataque. A equipe de Celso Roth começou, então, a tentar manter sua segurança na defesa, esquecendo a ousadia no ataque. Quando o lateral-direita tentou levar o Grêmio para frente, houve um lance de perigo: com 25 minutos, Ruy arriscou um cruzamento para Jonas, o que obrigou a zaga colombiana a jogar para escanteio. Após a cobrança de Souza, novamente Jonas arriscou com uma cabeçada, que foi por cima do gol de Velázquez.

Com 31 minutos de partida, Souza conseguiu fazer a diferença. Em cobrança de falta que ele mesmo sofreu, o jogador, com categoria, fez 1 a 0 para o Grêmio. Dois minutos depois, foi a vez do Boyacá Chicó ter uma falta perigosa a seu favor. Mas, ao contrário do lance gremista, o chute de Tapia acertou a barreira.

Com o placar adverso, o time da Colômbia passou a se lançar no ataque, deixando espaços em sua defesa. Aos 35, por pouco o Grêmio não aumenta a diferença: depois de passe de Ruy, Jonas tentou encobrir o goleiro Velázquez, mas a bola acertou o travessão. Três minutos depois, Jonas ia deixar Alex Mineiro livre para marcar, mas demorou muito para passar a bola, e o atacante ficou em posição irregular. O Grêmio crescia na partida, e aos 39, Ruy entrou livre de marcação pela esquerda, mas, em vez de jogar para o meio (aproveitando que Jonas estava sozinho na área), o lateral arriscou de longe, e chutou muito mal. Logo em seguida, mais uma chance perdida: Fábio Santos chegou à linha de fundo e cruzou para a área, mas Adilson não conseguiu dominar.

Aos 41, o meia Mahecha, do time colombiano, levou um cartão amarelo após falta em Souza. O Grêmio prosseguia com sua superioridade, mas esbarrava no mesmo problema do empate em 0 a 0 com o Universidad do Chile, em sua estreia no Olímpico. Aos 44 e aos 45, vieram mais duas chances desperdiçadas: um bom chute de Souza defendido por Velázquez e uma tentativa de Ruy que passou por cima do travessão. Com um minuto de acréscimo, o árbitro argentino Sérgio Pezzotta terminou o primeiro tempo, com vitória do Grêmio por 1 a 0.

Antes das duas equipes voltarem para o segundo tempo, os bandeirinhas tiveram de ajudar na limpeza do campo. O motivo: a torcida do Boyacá Chicó atirava muitas faixas de papel perto do gol no qual Velázquez iria atuar na segunda etapa, e os objetos praticamente tomaram a grama da grande área.

Em desvantagem no placar, o time da casa tentava equilibrar o jogo. Aos dois minutos, o primeiro lance de perigo colombiano: Tapia passou por um zagueiro gremista e deu um chutaço de fora da área, mas Victor impediu o gol com uma grande defesa. O mesmo Tapia levou perigo à defesa do Grêmio com cinco minutos, quando se livrou de um zagueiro e tentou. Mas o chute saiu rasteiro, nas mãos do goleiro gremista.

Em uma chance crucial, mais uma vez o Grêmio desperdiçou a chance de ampliar a vantagem. Após sofrer constante pressão do Boyacá Chicó, no contra-ataque o atacante Jonas conseguiu ganhar na corrida e chegar sozinho cara a cara com o goleiro. Mas, na entrada da área, o camisa 7 chutou rasteiro e permitiu grande defesa do goleiro Velázquez, aos nove minutos. Com 10 minutos, Celso Roth fez duas alterações: no lugar do meia Tcheco e do atacante Alex Mineiro (que atuaram pessimamente), entraram o meia Makelelê e o atacante Herrera, respectivamente. Aos 11, nova chance perdida pelo Grêmio: após passe de Jonas, Souza soltou uma bomba para fora. Dois minutos depois de entrar em campo, Makelelê já levou um cartão amarelo.

O treinador Alberto Gamero tentou levar o Boyacá Chicó para a frente, substituindo Madera pelo atacante Nuñez. Mas era o Grêmio que continuava perdendo gols - aos 15, Herrera chutou de fora da área, por cima do gol de Velázquez. A equipe colombiana continuava tentando, mas esbarrava na zaga gremista, sempre eficiente na hora de travar os chutes do adversário. Aos 23, outra vez Jonas tentou seu gol, aproveitando cruzamento de Ruy, mas a bola de cabeça foi para fora.

No minuto seguinte, o Boyacá Chicó ficou com um a menos. Após driblar um zagueiro, Mahecha se jogou perto da grande área para simular uma falta. Como já havia recebido cartão amarelo, o meia foi expulso. Nem assim o Grêmio conseguiu marcar o segundo gol: aos 25, mais uma vez Jonas desperdiçou oportunidade, com Velázquez espalmando a tentativa dele.

O time colombiano começou a pressionar em busca de, pelo menos um empate no estádio La Independencia. Em duas chances seguidas, Nuñez passou perto do gol - na primeira, o chute resvalou em Léo, e na outra, a bola foi para fora. A sina de gols perdidos prosseguia do lado gaúcho: mais uma vez, Souza tentou de fora da área, aproveitando passe de Herrera. Sua tentativa passou à esquerda do gol, a 15 minutos do final.

Mesmo com 10 homens em campo, o técnico Alberto Gamero continuou reforçando o ataque do time colombiano. Movil deu lugar ao meia ofensivo Giron aos 31 minutos de partida.

Aos 34, veio a melhor chance de todas para a equipe gremista. Na linha da grande área, Jonas arriscou novamente. Velázquez defendeu, mas soltou a bola. Jonas recuperou a jogada, deixou o goleiro batido e tocou tranquilamente para as redes. Mas o chute acertou a trave. O camisa 7 conseguiu recuperar a jogada, passou por Velázquez e por um zagueiro do Boyacá Chicó. Mas, na hora de chutar, encheu o pé e o chute passou à esquerda do gol. O caminhão de gols perdidos na Colômbia (que acabou sendo exemplo para Herrera, num chute que foi por cima do gol) deve ter sido o motivo de Celso Roth substituir o atacante aos 37: Jonas deu lugar a Reinaldo.

A cinco minutos do fim da partida, Tapia cobrou falta perigosa a favor do Boyacá Chicó, mas a bola desviou na barreira e foi para escanteio. No contra-ataque gremista, o goleiro Velázquez não só saiu para a intermediária, como também ultrapassou o meio-de-campo para levar sua equipe ao ataque. Por pouco, o Grêmio não consegue tentar o gol vazio - a bola foi para fora.

Aos 43, quase o Grêmio é castigado pelo número de gols perdidos. Após cobrança de falta de Tapia, Nuñez arriscou de cabeça e, com dificuldade, Victor fez defesa no canto direito. Depois do árbitro assinalar quatro minutos de acréscimo, Celso Roth mandou sua equipe prender a bola.

Em meio à troca de passes, Adilson pisou na bola e proporcionou o contra-ataque do time colombiano - mas, na hora de Nuñez finalizar, a zaga conseguiu rechaçar. O Boyacá insistiu até o último minuto. Depois de uma tentativa na área, o time teve a seu favor um escanteio, mas a cobrança saiu errada e fez com que o árbitro finalizasse o jogo.

Apesar da vitória fora de casa, o resultado não foi dos melhores para o tricolor gaúcho. Mesmo em igualdade no número de pontos com o Universidad do Chile, a equipe está em segundo lugar no Grupo 7 da Taça Libertadores da América, pois os chilenos têm um saldo de gols maior que o dos brasileiros. Depois do fim à pressão sobre o treinador Celso Roth, o Grêmio agora terá de conviver com a pressão a seus atacantes, que perderam a excelente oportunidade de voltar para o Brasil com uma goleada.

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BOYACÁ CHICÓ (COL) 0x1 GRÊMIO

Local: Estádio La Independencia (Colômbia).

Gol: Souza, aos 31 minutos do primeiro tempo.

Cartões amarelos: Alex Mineiro, Makelelê e Adilson (Grêmio) e Mahecha (Boyacá Chicó).

Expulsão:
Mahecha (Boyacá Chicó), aos 24 minutos do segundo tempo.

BOYACÁ - Velázquez, Pino, Juan Galicia, Mario Garcia e Madera (Nuñez); Mahecha, Ramirez e Movil (Giron); Tapia, Caneo e Marco Perez. Técnico: Alberto Gamero.

GRÊMIO - Victor, Léo, Rever e Rafael Marques; Ruy, Adilson, Tcheco (Makelelê), Souza e Fábio Santos; Jonas (Reinaldo) e Alex Mineiro (Herrera). Técnico: Celso Roth.

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BOLA PRO MATO

Depois de conviver com a escassez de gols de seus atacantes quando eles iniciavam as partidas do clube, o ataque do Flamengo apareceu timidamente na vitória sobre o Duque de Caxias, no Estádio Raulino de Oliveira. No entanto, o gol de Josiel foi mero figurante diante da atuação de Léo Moura, que, agora atuando no meio-de-campo, marcou dois gols, sendo um deles de falta (o lateral Juan foi o outro autor dos gols rubro-negros no jogo). De negativo, a displicência da equipe, que, mesmo com um a menos desde a expulsão de Ibson, não aguentou a pressão do time da Baixada, que diminuiu uma vantagem de 4 a 0 para 4 a 2. Felizmente, no Campeonato Estadual algumas equipes não incomodam tanto os "grandes" cariocas.

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BOLA NA ARQUIBANCADA

Mais um gol de Ronaldo, desta vez chutando de primeira um cruzamento de Dentinho, e fazendo o segundo gol da vitória por 2 a 1 do Corínthians sobre o São Caetano. Além da crença de que é bem provável ele esteja recomeçando (e bem) a carreira, este pretenso cronista esportivo que vos escreve ainda acredita que Ronaldo anda lendo O tempo e o placar..., e faz estes gols só pra calar a boca do responsável por este blogue.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Aos antigos vencedores, os tomates!




Em Quincas Borba, Machado de Assis entregou ao personagem Rubião a seguinte frase: "ao vencedor, as batatas". Era uma forma do autor "aconselhar" que quem vencera uma guerra, deveria desfrutar todo o sabor dela. Um século depois do falecimento de Machado, o ponto de vista da glória no futebol brasileiro foi sensivelmente deturpado: os eternos vencedores que permearam sua carreira com grandes e justas vitórias, hoje recebem tomates da própria torcida e até mesmo dos jogadores que atualmente defendem as cores dos times pelos quais se consagraram.

Ontem foi a vez de mais um ultraje ocorrido com ex-ídolo de um clube. Revoltado com a "arbitragem" no rachão que acontecia entre os jogadores do Flamengo num treino, o goleiro Bruno ofendeu o atual auxiliar Andrade sem palavrões, mas com palavras que ferem a história do futebol brasileiro. O camisa 1 rubro-negro disse que ele "ganhou tudo como jogador, mas como técnico não ganhou nada".

Volante presente nas maiores conquistas do Flamengo (o Mundial Interclubes e a Taça Libertadores da América de 1981, além de quatro Campeonatos Brasileiros, sem contar o Campeonato Brasileiro que ganhou em 1989 pelo Vasco), Andrade viu sua carreira como jogador desvalorizada em detrimento de uma hipotética carreira como técnico - que ele ainda não tem, pois trabalha sempre como auxiliar. O incidente foi relevado pelo ex-jogador, mas o desrespeito a um dos jogadores da história rubro-negra mostra como os atletas entram em campo buscando esquecer o passado de glórias de décadas anteriores para que a torcida "se acostume" ao futebol hesitante jogado atualmente. Bruno é o exemplo de um bom goleiro que poderia se consagrar na Seleção Brasileira se tivesse um mínimo de humildade dentro e fora de campo.

Já no arquirrival do rubro-negro no Rio de Janeiro, o desrespeito com a história do clube vem das arquibancadas. Após conseguir, com muito custo, retirar do Vasco da Gama o câncer da ditadura de Eurico Miranda, o ex-jogador Roberto Dinamite agora é alvo de torcedores que esquecem (ou fingem esquecer) o passado recente do clube. Eles culpam Roberto pelo rombo financeiro existente em São Januário e, em especial, pela queda do Vasco para a Segunda Divisão do futebol brasileiro ao final do ano passado.

Com duas décadas de bom futebol prestadas ao Vasco, clube que defendeu em 1.110 partidas e pelo qual marcou 708 gols na carreira, hoje Roberto é questionado até como ídolo do clube. Alguns torcedores usam até a artimanha de "recordar" que O ex-jogador teria revelado que quando era menino torcia para o Botafogo, na intenção de ridicularizá-lo e enaltecer o "vascaíno" ex-presidente Eurico Miranda. Na tentativa de salvar o time pelo qual consagrou sua carreira, Roberto expôs até sua credibilidade, e agora vê seu comando na caravela cruzmaltina receber tentativas de sabotagem criadas por conselheiros que se insinuam torcedores do Vasco para colocar picuinhas políticas acima da paixão de um clube.

A Andrade e a Roberto Dinamite, que em campo foram sinônimo de glórias para os clubes pelos quais jogaram, hoje vem a inglória luta de conviver com o descaso de um país que tem memória curta - em especial no cenário esportivo, que a toda hora elege um novo vencedor. Aos antigos vencedores, sobram apenas os tomates atirados pela ignorância de "atuais" ídolos e de "falsos" torcedores.

terça-feira, 10 de março de 2009

Bom futebol fica pra semana



Já faz muito tempo que o futebol brasileiro é o único a prever em seu calendário a realização de campeonatos estaduais. Alguns analistas esportivos costumam dizer que esta prática é sadia, porque é a única chance da valorização das equipes "pequenas", pois muitas delas ficam sem funcionar durante a disputa do Campeonato Brasileiro (em especial depois da "fórmula" de pontos corridos, que prevê que as 20 equipes de cada divisão joguem em turno e returno, durante sete meses).

Entretanto, neste ano de 2009, a Federação do Estado do Rio de Janeiro abusou da "boa intenção" em prestigiar os clubes de menor expressão e comprometeu uma tradição carioca. Conforme apontou em sua coluna no Jogo Extra (caderno de esportes do jornal Extra) de hoje, o cronista Eraldo Leite apontou o panorama da tabela do Estadual: com os jogos do próximo sábado e do próximo domingo, serão dois finais de semana com os quatro "grandes" entrando em campo contra os "pequenos", mas na rodada de meio de semana, está prevista a realização de um clássico entre Botafogo e Vasco. "Gênios!", encerra, de maneira irônica, o jornalista.

A "genialidade" só não foi maior graças ao regulamento do Campeonato Carioca. Quando foram anunciadas as datas da tabela da Taça Rio, a Federação anunciou que o clássico da próxima quinta-feira iria acontecer no Engenhão (afinal, o mando de campo é do Botafogo). A entidade teve de voltar atrás ao ler o próprio regulamento, que previa que partidas entre os grandes "devem acontecer no Maracanã".

Um alento a decisão do jogo ser no palco do Estádio Mário Filho, para compensar o descaso com o qual acontecerá o jogo entre Botafogo e Vasco depois de amanhã. A partida acontecerá às 19h30 - horário ingrato para o torcedor que sai do trabalho e também para os rádios, que não podem transmitir pelo menos a primeira meia hora do jogo, por causa da exibição de segunda a sexta do programa A voz do Brasil. Quinta-feira é dia de semana, e os bares do Rio de Janeiro provavelmente não estejam tão cheios quanto nos domingos nos quais os torcedores se reunem para assistir à transmissão dos canais pagos que cobram para o torcedor acompanhar o clássico pela televisão.

O Botafogo foi o campeão da Taça Guanabara e já está com sua vaga assegurada na final do Campeonato Estadual de 2009. Mas, mesmo com a finalíssima acontecendo somente a partir do fim de abril, o Campeonato Carioca já tem os seus derrotados: os torcedores, que têm de se sujeitar à má organização da FERJ e se acostumarem com a ideia de que o bom futebol fica pra semana.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Balança, mas não cai



Este pretenso cronista esportivo que vos escreve mais do que nunca adquiriu uma crença a partir de ontem: o atacante RONALDO lê as linhas descritas aqui em O tempo e o placar..., só pode ser isto. Cerca de uma semana depois da publicação da crônica Ronaldo e a supervalorização de um nome, o jogador não só estreou pelo Corínthians contra o Itumbiara, em Goiás, como em sua segunda partida marcou o primeiro gol depois de um ano parado. E justamente em um clássico diante do Palmeiras, garantindo um empate aos 48 minutos da segunda etapa. Com um dado que torna mais curioso este novo episódio do futebol: o gol veio de cabeça, tipo de lance no qual raramente Ronaldo consegue colocar a bola para o fundo das redes.

Mesmo visivelmente acima do peso, Ronaldo parece ter conseguido, com seus dribles, passar por cima das noitadas e dos escândalos recentes para caminhar uma nova fase em sua carreira. Por se tratar de um craque, o atacante tem chance de conseguir novas façanhas, não só para seu vasto currículo como jogador como também nos times pelos quais for passar no restante de sua carreira.

Sim, ótimo, os dois primeiros parágrafos já definiram e aplaudiram o primeiro grande passo do reencontro de Ronaldo com os gramados. No entanto, os holofotes da imprensa brasileira têm de ficar atentos com outras situações.

A expectativa em torno de Ronaldo e do primeiro momento no qual balançaria as redes já ficaram para trás. Deixado de lado este obstáculo, o jogador agora tem de trabalhar para, pelo menos, chegar perto de sua forma física do ano de 2002. Esta guinada não vai acontecer de uma hora para a outra, assim como não é garantido que, por conta do gol feito contra o Palmeiras no empate em 1 a 1 na partida de Presidente Prudente, ele faça um caminhão de gols nos próximos jogos do Campeonato Paulista. Nisto, vai contar também o pulso firme do técnico Mano Menezes: por mais que o futebol de Souza seja bastante inferior ao do camisa 9, o atual titular ainda deverá começar em campo algumas partidas. Naturalmente, Ronaldo ganhará a sua posição, tanto por méritos próprios quanto por deméritos de Souza - que, como apontou muito bem o cronista Fernando Calazans, do jornal O Globo, "é o tipo de jogador que quando não balança as redes é o pior da partida".

Em um país no qual a torcida é impaciente por bons resultados imediatos, o "bando de loucos" do Corínthians não pode fazer a loucura entrar em campo a ponto de "queimar" o bom futebol que, sim, Ronaldo tem. A marchinha de carnaval que diz "Doutor, eu não me engano, meu coração é corintiano" ainda tem grandes chances de ver o futebol do atacante chegar pelo menos perto do tempo em que ele recebia da imprensa a designação de Fenômeno.

Depois de derrotar as graves contusões e as graves confusões de sua vida, agora Ronaldo vai em busca de derrotar a balança. Para mostrar que sua carreira como jogador balança, mas não cai.

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BOLA PRO MATO

O segundo turno do Campeonato Estadual começou com estreias bem sucedidas no placar de todos os times "grandes" do Rio de Janeiro. Entretanto, Vasco, Flamengo, Fluminense e Botafogo conseguiram seus resultados somente porque os adversários pareciam não ter interesse em fazer frente às suas equipes. Em algumas rodadas, parece que o Campeonato Estadual virou uma pré-temporada com jogos oficiais, na qual alguns "nanicos" só entram em campo para afagar o ego dos "grandes" e fazer com que eles achem que podem fazer frente aos demais times do país. Será preciso um "azarão" como o Resende aparecer também na Taça Rio para o quadrado carioca acordar?

domingo, 8 de março de 2009

8 DE MARÇO - A mulher em campo



Este pretenso cronista esportivo que vos escreve ficou alguns dias convivendo com uma dúvida. Como um blogue que tem como tema um assunto convencionado como "coisa pra homem" poderia homenagear as mulheres. A resposta veio justamente das quatro linhas: são elas que, em campo, já vêm mostrando que o futebol não é exclusividade do sexo masculino.

Apesar de só atualmente o futebol receber também sua versão feminina, a história mostra que o Brasil já tentava combater preconceitos muitas décadas antes. Na década de 1930, já havia alguns jogos esporádicos realizados entre mulheres. Entretanto, elas prosseguiam lutando contra dois adversários - o preconceito e a falta de investimento no esporte. A derrota ficou ainda maior em 1964, quando o Conselho Nacional de Desportos proibiu a prática do futebol feminino no Brasil.

Mesmo com a lei sendo revogada em 1981, o Brasil demorou a ter algum destaque novamente no esporte. Somente na década seguinte o futebol abriria espaço para as mulheres entrarem em campo em território nacional - e equipes de destaque, como São Paulo, Portuguesa e Vasco, tiveram estrutura para que elas apresentassem seu bom futebol.

O primeiro bom resultado das mulheres veio em 1996 - ano do primeiro torneio de futebol realizado nos Jogos Olímpicos. Na Olimpíada de Atlanta, o Brasil chegou em quarto lugar. Quatro anos depois, em Sydney, novamente a Seleção Brasileira estaria entre os quatro primeiros. Resultados positivos, levando em conta a oscilação da organização dos campeonatos para as mulheres.

Entretanto, nem o quarto lugar em duas Olimpíadas seguidas foi suficiente para um investimento melhor no esporte brasileiro. Data de 2001 o mais recente Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, em especial porque muitos times que revelaram as jogadoras optaram pela extinção de seu plantel de atletas femininas do esporte. Atualmente, a prática de futebol feminino vem sendo exclusiva nos times de pouca expressão do interior de São Paulo - e recebem ajuda financeira do Sportv (canal de TV a cabo da Globosat).

Mesmo com a crise no Brasil e a necessidade de recorrer a equipes de futebol do exterior, as jogadoras brasileiras continuam trazendo muita felicidade para os torcedores brasileiros de ambos os sexos. O Brasil foi medalha de ouro em dois Jogos Pan-Americanos consecutivos (2003 e 2007), sendo que no Pan do Brasil a Seleção venceu todas as suas partidas sem sofrer nenhum gol e com um ataque que marcou 33 vezes. O país apresentou também a artilheira da competição - Marta, que balançou as redes 12 vezes.

As meninas são tetracampeãs sul-americanas (venceram nos anos de 1991, 1995, 1998 e 2003) e sempre têm destaque nas demais competições do futebol de mulheres. Além do vice-campeonato na Copa do Mundo de 2007, a Seleção conseguiu a medalha de prata nas Olimpíadas de 2004 e de 2008.

Excelentes resultados, capazes de causar inveja aos homens que defendem a Seleção Brasileira de Futebol - e nem mesmo os rios de dinheiro que eles ganham contribuem para melhores atuações atuais nas competições internacionais. Jogadoras como Pretinha, Cristiane, Kátia Cilene e Formiga revelam um futebol superior a muitos homens que são convocados para atuar com a Seleção.

Dentre todas, o grande destaque não podia ser outro. Eleita por três anos consecutivos a melhor jogadora do mundo, MARTA (na foto, comemorando um gol) é o símbolo da superação feminina no futebol do Brasil. Depois do começo no Vasco e o consequente desmantelamento do clube, hoje ela joga no exterior e, em campo, vem conseguindo todo prestígio que uma craque merece receber.

Parabéns às mulheres que entram em campo e fazem tanto bem ao espetáculo do futebol brasileiro. Elas merecem todo nosso aplauso - tanto por suas belas jogadas em campo quanto pelas constantes vitórias da superação, de decidirem seguir em um esporte que não tem infra-estrutura e investimento para prosseguir no Brasil.

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER
a todas as futebolistas do Brasil. E também às poucas mulheres que devem acessar este O tempo e o placar..., né?

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BOLA PRO MATO

Os holofotes da imprensa acharam uma nova promessa a ídolo. O menino NEYMAR, de 17 anos, fez sua estreia ontem pelo Santos, na vitória por 2 a 1 do time sobre o Oeste, em partida do Campeonato Paulista. O jogador entrou aos 14 minutos do segundo tempo e acertou uma bola na trave durante o jogo. Com multa rescisória avaliada em R$ 90 milhões, os santistas dizem que o menino "promete".

sábado, 7 de março de 2009

Paulistas do céu ao inferno na Taça Libertadores




Considerado o local mais estruturado com relação a seus clubes de futebol, São Paulo há algum tempo vem confirmando sua supremacia com relação ao restante do Brasil. Com o recente tricampeonato consecutivo do São Paulo no triênio 2006/2007/ 2008, o estado já trouxe 17 campeões desde 1971, ano no qual o Campeonato Brasileiro passou a ter realizado no formato usado até os dias de hoje. Além de seis títulos do São Paulo, vieram de terras paulistas quatro títulos do Palmeiras, quatro títulos do Corínthians, dois títulos do Santos e um do Guarani.

A soberania paulista se estende à atual elite do futebol brasileiro. Com a ascensão de Corínthians, Santo André e Barueri ao final do ano passado, o número de participantes paulistas no próximo Campeonato Brasileiro chega a cinco (o estado mais próximo é o Rio de Janeiro, que, com o rebaixamento do Vasco no ano passado, agora tem três participantes na elite), mesmo com a queda da Portuguesa para a Série B.

Em 2009, os paulistas também trazem superioridade no mais importante título sul-americano. SÃO PAULO e PALMEIRAS - respectivamente, o campeão e o quarto colocado no Brasileirão do ano passado - são os representantes de São Paulo na corrida pela Taça Libertadores da América deste ano. No entanto, o panorama da dupla paulista está desigual após as duas primeiras rodadas da "fase de grupos" do torneio.

Após uma classificação tranquila no "mata-mata" da "Pré-Libertadores", o alviverde paulista dirigido por Wanderley Luxemburgo corre o risco de ter sua caminhada rumo ao bicampeonato (10 anos depois da sua primeira conquista) interrompida prematuramente. As falhas da estreia no Grupo 1, com derrota por 3 a 2 para a equipe equatoriana LDU, se repetiram em pleno estádio Palestra Itália. Nem mesmo os reforços baladados, como o zagueiro Edmilson e o atacante Keirrisson conseguiram evitar a derrota por 3 a 1 para o Colo-Colo, do Chile. O "K9" (apelido que o artilheiro tem desde que atuava pelo Coritiba) até contribui com gols, mas as desatenções da zaga atrapalham o Palmeiras. Com duas derrotas em dois jogos, a equipe agora precisa vencer pelo menos três dos quatro jogos que restam nesta fase, e na quarta partida, arrancar um empate.

Já no Grupo 4, o São Paulo se reabilitou depois de um começo hesitante - o empate em 1 a 1 com o Independiente de Medellín, no Morumbi. Em uma de suas melhores partidas desde que trocou de tricolor (seu clube anterior foi o Fluminense, tricolor carioca), Washington marcou dois dos três gols da vitória por 3 a 1 do São Paulo sobre o América, em Cáli, na Colômbia - o terceiro foi marcado por Borges. Graças à ajuda do "Coração Valente", o time agora subiu para a primeira posição no grupo, e leva vantagem no saldo de gols sobre o uruguaio Defensor (que tem o mesmo número de pontos).

Maior campeão brasileiro na competição sul-americana, o São Paulo parece demonstrar mais uma vez sua tendência a ser um time "copeiro". Por mais que seja favorito tanto por trazer jogadores como Rogério Ceni, Jean e Hernanes, o time de Muricy Ramalho atua sempre com seriedade, mesmo quando não é o "mandante" da partida. Já pelos lados do Parque Antarctica, a equipe dirigida por Wanderley Luxemburgo (e que, até a derrota para a LDU ostentava a gloriosa marca de 100% de aproveitamento) parece pecar pela inexperiência na disputa do torneio, contra times que jogam para se defender e aproveitam contra-ataques cruciais, como os dos gols que o Colo-Colo fez na última partida. Luxemburgo tem a tarefa de mostrar aos seus jogadores que esta disputa é completamente diferente do Campeonato Paulista - no qual o time vem bem e, curiosamente, o São Paulo anda tendo seus tropeços.

Ainda há quatro partidas desta "fase de grupos" da Taça Libertadores. Resta aos dois representantes paulistas do torneio terem consciência de que no caminho do céu ao inferno, este campeonato é muito maior do que mera rixa entre times de um mesmo estado.

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BOLA PRO MATO

Depois de algum tempo "sumido" do futebol brasileiro, Romário acena com a possibilidade de ser consultor do América, time de coração de seu pai, Edevair. Este que vos escreve não duvida nada que, em breve, o Baixinho possa voltar a aparecer com a camisa 11, desta vez com a "cor de sangue" do Mequinha.

sexta-feira, 6 de março de 2009

A hora e a vez da Máquina Tricolor funcionar



Desde que passou a receber o patrocínio do plano de saúde Unimed (e, graças a ele, conseguir sair do "buraco" causado por três rebaixamentos consecutivos para retornar à elite do futebol brasileiro), as temporadas atuais do Fluminense trouxeram vários times diferentes, mas uma coisa em comum. O tricolor das Laranjeiras monta equipes com bons jogadores (e sua torcida volta e meia entoa o grito "Melhor do Rio"), mas que em campo têm como consequência uma escassez de títulos.

O ano passado, certamente, foi a temporada mais frustrante para o Fluminense. Além da derrota na final da Taça Libertadores para o equatoriano LDU, o time se tornou motivo de chacota, graças à declaração infeliz de seu então treinador Renato Gaúcho - que dava como certo o título e disse que o time ia "brincar no Brasileiro". O troféu não só escapou em pleno Maracanã, como também a equipe colecionou resultados negativos no Campeonato Brasileiro. Além de Renato, o tricolor teve outros dois técnicos durante o torneio: Cuca e René Simões, ambos com a missão de tirar o time da zona de rabaixamento.

Responsável pela manutenção do Fluminense na Série A do Campeonato Brasileiro, René foi escolhido para continuar seu trabalho nas Laranjeiras. Mas o elenco teve significativas alterações, e a "Máquina Tricolor" ganhou reforços para trazer um 2009 promissor à torcida do tricolor carioca - casos do zagueiro Edcarlos, do lateral-esquerda Leandro, do volante Diguinho, do meia Leandro Bomfim e do atacante Leandro Amaral. Nomes bem sucedidos em outros clubes que o dinheiro da Unimed pôde ajudar a bancar (assim como a renovação de contrato do argentino Conca, disparado o melhor jogador do Fluminense em 2008).

A "Máquina" ficou ainda mais promissora com o retorno de Thiago Neves ao clube, depois de meses mal sucedidos no futebol europeu. Entretanto, nem mesmo a volta do camisa 10 foi capaz de melhorar a situação do Fluminense: o time foi eliminado da Taça Guanabara com uma derrota por 1 a 0 para o Botafogo (que se sagraria campeão do torneio).

Agora, após sucessivas falhas na engrenagem, o presidente Roberto Horcades usa mais uma artimanha para que a "Máquina Tricolor" definitivamente funcione. O Fluminense apresentou ontem o atacante FRED (na foto, ele segurando a camisa 9 ao lado de Horcades) como seu grande reforço para o ataque. De um começo promissor no América Mineiro, o atacante despontou mesmo no Cruzeiro, e logo foi contratado para defender o Lyon, na França. Quatro anos depois de jogar no futebol francês, agora o atacante retorna a gramados brasileiros, numa "novela" que a imprensa diz que teve um desfecho feliz para Fred e para o Fluminense.

Entretanto, não se pode dizer que esta "novela" teve um final feliz. Afinal, ainda resta saber se o atacante corresponderá às fichas depositadas em seu futebol e, em especial, se dias melhores virão para a torcida do Fluminense. Em mais uma "virada" digna de dramaturgia, o time das Laranjeiras consegue trazer um jogador de nível de Seleção, e com um ótimo passado de serviços prestados ao futebol brasileiro. Resta ao torcedor assistir às cenas do próximo capítulo, na expectativa de ver se é agora a hora e a vez da "Máquina Tricolor" funcionar.

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BOLA PRO MATO

Logo depois de este que vos escreve dar o ponto final nesta postagem, o Fluminense surpreendeu novamente. Mesmo com a vitória por 3 a 0 sobre o time paraibano do Patos, o treinador René Simões deixou o comando do time. Em seu lugar, deve assumir Carlos Alberto Parreira, que em 1999 conseguiu tirar o tricolor da Terceira Divisão. Mais um "elemento" para os torcedores de todos os times acompanharem a "novela" do time das Laranjeiras em busca de novos títulos.

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BOLA NA ARQUIBANCADA

No dia 6 de abril, o humorista Chico Anysio apresentará o show De pai pra filho, no Centro Cultural Veneza, em Botafogo. O ingresso custa R$ 100,00 (com meia-entrada a R$ 50,00) e toda a renda será destinada à Associação Amigos do Vasco - grupo criado por vascaínos que têm a intenção de ajudar financeiramente a equipe de São Januário a sair da crise financeira pela qual está passando há muito tempo. Fica a dúvida: com este preço tão alto, quantos "amigos do Vasco" irão aparecer no show de humor de Chico Anysio?